Submisso
53 Capítulo 53 – A Viúva Negra
Notas iniciais
Capítulo 53 – A Viúva Negra
“_Sev... Aqui não... Alguém pode... Aaah...
Sirius se derretia, incontrolável, devido ao toque das mãos grandes do marido, agora já descendo pelo seu corpo, ávidas por apertar tudo o que pudesse pelo caminho.
_Er, professor Snape... – E a voz de Hermione reverberou pelo recinto, enquanto Sirius desejava virar fumaça.
_Senhorita Granger... Pensei ter lido em sua carta que viria apenas na hora do almoço – relembrou o professor, como se ter sido pego dando um amasso homérico fosse tão normal quanto avaliar o clima.
Hermione esperou que o professor se virasse, encarando-o de frente. Preferiu não falar nada sobre o que presenciara, até porque, Sirius estava ao encabulado que dava vontade de abraçá-lo. Os donceles poderiam ser particularmente fofos...
_Sei disso, professor. Peço desculpas... Contudo, a questão é mais complexa do que imaginei a princípio. Revi as informações – e balançou uma das mãos, na qual trazia aquele livro, o famigerado livro que elucidara a desgraça na qual Sirius tinha sido envolvido pelos pais puristas.
_Certo Hermione, sente-se, por favor – começou o professor, todo e qualquer vestígio do “tarado” de instantes atrás desaparecendo completamente. – Afinal, o que descobriu nesse livro que pode nos ajudar no caso da Skeeter?”
Quase dez minutos se passaram sem que ela sequer parasse um instante. Hermione falava freneticamente e, tamanha era a sua desesperação para ter mais alguém que compartilhasse de sua teoria que, sem ter a intenção, assustou até mesmo o inabalável Severus Snape.
_Por Merlin, respire ao menos, senhorita Granger. Caso não reordene seus pensamentos, não poderei ajudá-la...
_Oh... Desculpe-me... – E realmente foram as primeiras palavras que o pocionista conseguiu compreender com inteireza.
A futura medibruxa, percebendo os olhares estranhos sobre si, respirou fundo e, enquanto alcançava uma xícara e se servia de café, abria o livro purista na parte exata que desejava.
Avaliando-a, o professor (abusado, segundo os pensamentos do animago) chegou a cogitar a possibilidade de ministrar uma poção calmante a castanha também, tamanho o impacto de vê-la naquele afã desenfreado. Contudo, notou que a sabe-tudo trazia uma informação realmente preciosa.
_Novamente esse livro... É curioso como reiteradamente ele nos envolve em situações tensas.
Sirius ignorou o comentário do marido e optou por se sentar numa das cadeiras, a vergonha ainda sendo controlada, pois sentia as bochechas queimando. Por Circe!
_Sim professor... Creio ter encontrado algumas respostas, mas preciso do seu auxilio nisso. Posso estar enxergando demais devido a minha vontade de ajudar...
_Ajudar? Ajudar a quem?
_Poderia ajudar batendo na porta, não? – Resmungou Sirius, ainda bastante estressado pelo fato de todos – TODOS – sempre o encontrarem naquelas “cenas” nada pudicas.
_Desculpe-me, Sirius, de verdade – pediu a jovem com sinceridade, mas não conseguindo deixar de sorrir ao identificar a expressão de “espere só até que eu possa te levar para o quarto”, que certo professor sustentava ao mirar o belo doncel. – Não pude mesmo aguardar até o horário que tínhamos combinado... Ainda mais depois que recebemos um comunicado de St. Mungus, agora pela manhã. O pai de Madeleine teve uma pequena piora, se é que é possível no estado crítico no qual se encontra... Professor Snape, preciso que analise esse feitiço – e indicou uma página em especial.
As mãos grandes do professor alcançaram o livro tão logo se sentou novamente numa das cadeiras, ao passo que Sirius lhe enviava uma xícara de chá bem quente.
_Creio ser possível... – Disse a título de mera constatação, ao que a castanha assentiu com pesar.
Sirius e a convidada afobada o aguardaram pacientemente. A cada movimento dos olhos escuros, a certeza de que o conteúdo daquelas páginas era mais que verdadeiro, se tornava deveras evidente.
_Suspensio animae...
_Encaixa, não? Informei-me acerca da condição de saúde do casal Skeeter-Voronin com muito cuidado... De forma geral, ainda com a piora na saúde do pai de Madeleine, ambos se encontram relativamente estáveis, porém em estado critico. Os medibruxos de St. Mungus não conseguem compreender como podem se manter nessa sobrevida, por assim dizer, sem padecerem de vez. Eles reconhecem que há um feitiço atuando, mas não são capazes de identificá-lo.
_Ora, Hermione, aqueles tolos nem ao menos foram capazes de identificar uma doncelaria, quer dizer, duas, a de Sirius e a de Harry. Não podemos confiar apenas na avaliação que fazem. Não os estou desmerecendo de todo, pois temos muitos profissionais de qualidade atuando por lá, contudo, estamos lidando com magia ancestral, poderosa e, caso seja mesmo esse feitiço que os mantém naquele estado agonizante, ancestral e poderosa magia das trevas... Esse feitiço tem uma espécie de prazo, se não me engano – e logo encontrou a confirmação. – Sim, isso mesmo...
_De fato, há um prazo... Mas estamos longe do seu término.
_Será que poderiam me explicar sobre o que estão falando?
Severus encarou o esposo e suspirou. Depois fechou o livro, imaginando como lhe explicaria que a megera loira e o ex-marido dela foram vítimas de um feitiço que só viu o próprio Lorde das Trevas utilizar, tamanha a sua complexidade.
_Falamos sobre o Suspensio Animae... É um feitiço das trevas tão complexo quanto o Signaveris Crescite. Não sei como a pessoa que o realizou fez para obter todos os ingredientes, pois ele requer poções, tal como o Signaveris. Embora, o Suspensio seja muito mais elaborado no que tange a arte das poções. Quem ingere as poções não é o alvo do feitiço, mas quem o proferirá. E requer um real desejo destrutivo.
_Professor, fala como se conhecesse bem o feitiço.
_Não de todo, Hermione – e perdeu-se em pensamentos por alguns segundos, antes que pudesse reordenar sua mente e voltar a contar ao esposo sobre com o que estavam lidando. – Esse feitiço literalmente deixa as pessoas em estado de suspensão. O Suspensio Animae atua lenta e dolorosamente, Sirius. Ele age com eficiência e não mata o corpo, ao menos não diretamente. O feitiço destrói a alma.
Sirius soube... Somente de ouvir o tom de voz do marido. Havia mais que o professor ali, ao explicar o que o feitiço podia ou não fazer.
_Um Avada Kedavra mata instantaneamente, sem deixar nenhum sinal, som ou causar dor na vítima. Nem peritos trouxas conseguiriam identificar a causa mortis, Sirius – recitou Hermione, como se viesse maturando a argumentação por dias. – O Avada Kedrava atinge o corpo, que sucumbe de forma abrupta. Já o Suspensio Animae é como se fosse o reflexo no espelho do Avada Kadrava.
_Exatamente, Hermione. O Suspensio é o oposto, igualmente letal, mas causa dor, muita dor, deixa sinais no corpo da vítima, mas, curiosamente, não porque atinge o corpo, e sim porque atinge a alma. Ele contamina a alma que, após meses de intenso combate, sucumbe... E o corpo, bem... O corpo não vive sem a alma, ao menos não por muito tempo.
_A alma... Um feitiço que atinge a alma? Severus... Isso é horrível. A vítima então não teria mais nada depois, não teria a outra vida?
O horror no olhar do esposo só o fez se entristecer ainda mais.
_Não teria, Sirius. Por isso o Suspensio Animae é tão complexo. Destruir a carne é deveras fácil. Contudo, matar a alma, ah, isso é para poucos. Não estamos lidando com um bruxo medíocre.
Hermione apenas assentiu, os olhar fixo em Sirius que, para espanto dos dois, tinha os olhos brilhando de lágrimas. Severus foi rápido. Antes mesmo que a grota pudesse piscar, o brilhante pocionista já tinhas as mãos grandes acariciando os ombros do doncel que, agora, até respirava com dificuldade.
_Sirius, diga-me o que você está sentindo.
_A... A alma... Até isso esses... Esses feitiços tenebrosos... Você... Você já fez isso? Ele te obrigou a... A fazer isso?
Severus se surpreendeu com a pergunta tão direta. Desde quando Sirius conseguia enxergar além da sua couraça? Foi realmente abrasadora a sensação em seu peito, ao notar o quanto ele e o esposo podiam intuir um do outro.
_Não, Sirius... Eu nunca o fiz... Oh, acalme-se!
_Não min... Minta! – E o animago já estava hiperventilando quando foi alçado pelos braços do marido e carregado para longe dali.
Hermione guardou o livro e esperou o retorno do professor. Na verdade, não precisou esperar mais que vinte minutos. Lupin o acompanhava bem de perto, uma expressão preocupada estampada na face.
_Bom dia, Remus... – Cumprimentou já de pé, pois sabia que precisavam sair.
_Bom dia, Hermione. Severus me contou superficialmente o que a trouxe até aqui hoje. Tenham cuidado. Eu ficarei e cuidarei para que Sirius não surte.
_Eu expliquei a ele que precisava ir ao hospital e que voltaria em breve...
_Oh, mesmo? E isso foi antes ou depois de lançar um desmaius no seu esposo gestante?
Os olhos de Hermione se arregalaram. Então Sirius estava ressonado no quarto do casal, vítima de um feitiço? Por Merlin, não queria estar na pele de Snape...
_Sirius está hormonal demais. Entrarei em contato com Madame Pomfrey o mais rápido possível.
_Não esqueça que preciso levar Frederick até a universidade...
_Oh, não se preocupe. Sirius não é um bebê, Remus. Caso eu ainda não esteja aqui, vá sem problemas. Contudo, creio que voltarei logo, até porque, pouco poderemos fazer por eles hoje. Apenas confirmaremos as suspeitas de Hermione.
A castanha sorriu satisfeita ao ouvir “confirmaremos as suspeitas” e ao invés de “confirmaremos as suspeitas ou não”, o que era um claro sinal de que o professor confiava no seu julgamento.
_Então, presumo que estará aqui para amansar o cachorro raivoso antes mesmo que ele acorde...
_Presume bem, amigo – e sorriu antes de acompanhar a ex-aluna ao hospital bruxo mais famoso de Londres.
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Mal saíram do gabinete do ministro e Estúrgio Podmore enviou a sua dupla sensação, aumentada pelo estagiário ruivo, ao Centro Prisional de Alta Periculosidade de Azkaban, onde os três iniciariam os procedimentos de conferência entre os declarados mortos e os, de fato, lá enterrados.
Segundo Podmore, Tonks se juntaria a eles já no dia seguinte, para assim coordenar os esforços e reportar os avanços diretamente ao departamento. A famosa dupla: Francis Drake e David Nulan, voltaram a sustentar o ar sério e irritação por, mais uma vez, serem obrigados a ficar encarcerados num cubículo qualquer. Era fato evidente: ambos nasceram para lidar com os criminosos nas ruas. Ronald não podia deixar de concordar que trabalhos mais burocráticos também não o agradavam, contudo, depois do que ouviu acerca do conteúdo daquela caixa... Ah, só ganhou mais gás para se enfiar em meio aos pergaminhos bolorentos de Azkaban.
Já chegaram à Azkaban com uma lista de nomes de todos os Comensais da Morte que foram assim identificados pelo Ministério da Magia. Fariam uma comparação com a listagem da prisão, para só então começar a verificar os corpos, além de todo o quadro funcional de Azkaban. Ah, seria um trabalho lento e bastante difícil.
_Senhores, esta é a sala geral de registros. Temos de tudo aqui, os mais recentes, dos últimos dez anos, se encontram daquele lado – e três pares e olhos seguiram a indicação do jovem estagiário que, como Ronald, pleiteava ser auror um dia. – Como solicitado, organizamos um local de trabalho. Duas mesas, cadeiras, um sofá e um mural. O café está no canto e o banheiro é no final do corredor. O acesso aos registros e irrestrito e podem solicitar qualquer meio de busca com um simples feitiço. Qualquer dúvida, enviem um memorando. Funciona como no ministério, afinal, corujas por aqui seria o fim...
Assim que o jovem os deixou, Nulan bufou de frustração. Sentia-se enclausurado. O mesmo sentimento era compartilhado por Drake. Rony, sentido a pesada atmosfera, apenas tentou aliviar o stress mencionando que a sala era ampla, bem iluminada e que, vejam só que maravilha, tinham café grátis.
_Cale a boca, ruivo! Diz isso só porque tem aula e nos deixará em duas horas – e sorriu.
_Novato, vamos agilizar as coisas. Pegue a listagem que o chefe nos passou, amplie e coloque no mural. Vamos começar a azero que sabemos fazer muito bem... Vamos brincar!
Ronald sorriu para o “vamos brincar” de Francis, enviando ao mural a listagem aumentada de todos os Comensais da Morte identificados pelo Ministério da Magia.
ADRIO AVERY (MORTO — AZKABAN)
ALETO CARROW
AMICO CARROW
ANTÔNIO DOLOHOV (MORTO)
AUGUSTO ROOKWOOD (MORTO)
BARTOLOMEU CROUCH JR.. (MORTO — AZKABAN)
BELLATRIX LESTRANGE (MORTA)
CHRISTIAN YAXLEY (DESAPARECIDO)
DRACO MALFOY (INOCENTADO)
EDMUNDO CUFFE (MORTO)
EVAN ROSIER (DESAPARECIDO)
FENRIR LOBO GREYBACK
FERRI LETRADE (MORTO — AZKABAN)
GABRIEL SELWYN
GREGORY GOYLE (MORTO)
GUSTAV NOTT (MORTO)
IGOR KARKAROFF (MORTO)
JOHN JUGSON (DESAPARECIDO)
JULIUS CRABBE (MORTO — AZKABAN)
LÚCIO MALFOY (MORTO — AZKABAN)
MARTHA BADEN (MORTA– AZKABAN)
MATHEW MULCIBER
NORTH WILKES (MORTO– AZKABAN)
PEDRO PETTIGREW (MORTO)
REBASTAN LESTRANGE (DESAPARECIDO)
RÉGULO BLACK (MORTO)
RODOLFO LESTRANGE
SEVERO SNAPE (INOCENTADO)
SID GIBBON
STANISLAU SHUNPIKE
THORFINN ROWLE
VALÉRIO GOYLE (MORTO– AZKABAN)
VINCENT CRABBE
WALDEN MCNAIR
WILL TRAVERS (MORTO — AZKABAN)
_Estamos com grandes problemas aqui... Essa listagem não está atualizada. Os que não constam como mortos ou desaparecidos, em teoria, deveriam estar presos aqui, em Azkaban – explicou Rony, assim que fixou a lista no mural com um feitiço adesivo. – E nem todos os corpos foram enterrados em Azkaban, pois alguns morreram na guerra e não cumprindo sentença.
_Na verdade, ruivo, nem podemos assumir as informações ministeriais como corretas. Afinal, você mesmo anda afirmando que Lucius Malfoy está vivo, lembra-se? É... Faremos um trabalho muito minucioso... E será tedioso. Vamos juntar tudo o que temos até agora... Sabe, acho que vou tomar um café – concluiu David, ante a perspectiva funesta de nunca mais deixar o frio congelante do Mar do Norte.
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A nobre casa dos Nott estava em silêncio quando chegaram, contudo, a voz melosa e sedutora logo encheu a casa aflando sobre como Bristol era uma cidade maravilhosa do sudoeste inglês e que, evidentemente, carecia de mais bruxos. A mesma cantilena de Theodore era recontada, não havia dúvida. “Um dos ancestrais diretos dos Nott foi um dos idealizadores da emancipação de Bristol, em 1155”, “eles auxiliaram, inclusive em 1373, quando se transformou num Condado”, “infelizmente, Bristol havia perdido poder econômico, contudo, era belíssima, tendo sido construída ao redor do rio Avon”, “o pequeno litoral de Bristol é deveras charmoso”, “creio que a pequena comunidade bruxa deveria se beneficiar mais da floresta mágica que a esconde”, “duvido que haja mesmo um ovo de basilisco”... E blá, blá, blá...
_Já estou um pouco fatigado de tantas informações sobre Bristol... – Reclamou Blaise caminhando com passos seguros pela enorme sala, os ouvidos atentos ao resto da casa.
_Oh, Cantankerus Nott! Que prazer revê-lo, meu caro.
Blaise quis correr para o café Madame Lumhier. Talvez Madame Lumhier, uma bruxa baixinha, gordinha e muito simpática, pudesse ajuda-lo a suportar mais um fã de Bristol!
_Minha bela senhora – respondeu o quadro entusiasmado, ao que a bela mulher se aproximou com um sorriso de arrasar reluzindo entres os sedutores lábios. – Faz tempo que não a vejo, minha senhora! Continua tão jovem e magnífica como sempre, devo acrescentar. São poucos com quem posso debater acerca das belezas de Bristol...
_Oh, meu caro, desde que me envolvi com o meu marido número 3, ah... Tornei-me uma entusiasta de Bristol e suas maravilhas! Sinto não ter vindo antes visitá-lo. Estive viajando pela América. Voltei hoje.
_Voltou hoje de supetão. Há uma semana disse que “não voltaria esse ano à Londres”. E vejam só...
_Decidi voltar hoje e Blaise foi até a sessão internacional de portais mágicos para me receber. Como não pude estar presente no casamento do meu Theozinho – e Blaise revirou os olhos de exasperação -, optei por vir ao menos cumprimentar aos recém-casados.
Cantankerus sorriu para ela. Ah, aquela mulher era uma visão. Caso fosse vivo, enfim. Não perderia tempo algum e faria de tudo para tê-la sob seu único e exclusivo domínio.
_Sim, sim... Theodore Nott está casado. E a senhora? Casada novamente?
_Oh, não, não... Estava noiva, mas não deu muito certo. Os bruxos americanos não são muito interessantes. Estou procurando por um bom jovem inglês, sabe... Jovem mesmo – e riu-se. – Talvez, um jovem adulto, como Blaise. Cansei dos homens mais velhos... Sabe, acordei hoje e tive um pressentimento sobre isso. E estão, aqui estou!
_Certo, certo... – Repetia Blaise, enquanto revirava os olhos novamente e procurava manter a calma.
Quando a bela Sophie mencionava os seus “pressentimentos”, Merlin que ajudasse. Ela faria de tudo para transformar aquele “pressentimento” em algo bem concreto, leia-se, num marido...
_Ora, meu caro, não fique com ciúmes. Eu sempre te amarei acima de qualquer um! – E o puxou para um abraço e um beijo, ao qual Cantankerus aplaudiu feliz.
Blaise estava resignado. Não poderia contê-la. Na verdade, nunca foi capaz. Sophia Zabini, sua mãe, era uma mulher jovem, mais que bonita e com um apetite sexual que não se media. Desde muito jovem, precisou lidar com esse lado mais “ousado” da sua genitora. Foram sete casamentos oficiais, sem contar os namorados/namoradas e os/as amantes...
Sophia era alta, curvilínea e com atributos bastante chamativos. Dona de cabelos cor mel e uma pele acanelada, a mulher era, para resumir numa única palavra, estonteante. Tinha um rosto de encanto, cujos olhos escuros refletiam sempre o imenso desejo que tinha por viver loucas aventuras.
_Oh, espero que meu descendente tenha esse mesmo amor pelo filho que espera. Ele está grávido, algo raríssimo entre os sangues-puro. Creio ter havido apenas um ou dois casos como este. Um deles na nobre família Prewett.
Sophia já não ouvia... Voltou os olhos escuros para o filho que, sabendo bem o que o aguardava, se resignou (mais uma vez).
_Blaise Arthuro Zabini! Quando pensava contar que o meu Theozinho, o meu bebê, estava grávido?
_Mamãe, calma, por favor... A situação já está bastante complicada. Vamos nos sentar e eu te conto tudo, sim? Cantankarus, onde eles estão?
_Caso esteja se referindo aos senhores da casa, os três estão trancados no quarto desde cedo. Creio que sairão de lá em breve, para o almoço. Tanta atividade assim deve deixar...
O que mais o nobre ascendente de Theodore queria dizer eles não ouviram, pois Sophia se deixou conduzir até um dos sofás, embora não demonstrasse um pingo de satisfação no belo rosto jovial.
_Certo, Blaise... Já estou bem acomodada, agora: fale.
Ah, ele e as mulheres autoritárias... Deveria mesmo ser algum tipo de cobrança mágica ancestral.
_Blaise... Disse para começar a falar!
O belo sonserino encarou a mãe e começou a contar tudinho, do encontro no Pub do Confessionário até a manhã daquele mesmo dia. Sophia demonstrava agora bastante preocupação. Para todos os efeitos, ela se considerava a mãe de Theo também. A mãe de Theo e ela haviam sido amigas, mas o pai dele a havia afastado bastante do convívio com o pequeno depois da orfandade.
Há alguns anos, quando soube pelo filho que o cretino do Gustav vinha torturando o próprio filho, ah... Não se conteve! Moveu céu e terra para obterá emancipação dele e uma bela ordem de restrição, visando assim a proteção de Theodore. É claro que teve consequências. Ela sofreu com a perseguição do cretino por muito tempo, mas nunca vacilou em seu propósito de proteger o filho mais novo, Theo.
_Oh, Blaise... Pobre veela... Eu já namorei uma veela antes, sei bem como são esses arrebates de fúria e paixão.
_Mamãe, por favor, poupe-me dos detalhes!
_A questão é que o meu Theozinho enfrentará uma tormentosa transformação. O corpo dele mudará para sempre, filho. Consegue compreender a seriedade disso?
O sonserino apenas assentiu, sustentando uma expressão endurecida. Ele mais que ninguém sabia o que deveria fazer para proteger as suas serpentes. Nada, nada mesmo, os prejudicaria.
_É por esse motivo que vim passar alguns dias aqui. Na verdade, Pansy me alertou. As esposas de Theo ainda não conseguiram compreender que com ele não se pode falar tão macio, não sempre. Elas não sabem de nada do passado dele, mãe.
_Vamos ajudá-las, meu filho. Theodore vai superar as mazelas do passado com essas duas jovens, tenho um pressentimento sobre isso!
_Oh, por Merlin! Chega desses pressentimentos, Sophia!
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Assim que o loiro a deixou com a língua paralisada, não teve como simplesmente voltar ao trabalho. Oh, não. Seria impossível e o chefinho sabia disso. Com poderia fingir que não lhe contaram a revelação mais incrível desde que soube das suas meninas, as filhas de Harry e Draco?
Teve apenas a agudeza de raciocínio de passar pela empresa e comunicar que não retornaria até o dia seguinte. Instantes depois, lá estava ela, linda, loira e avassaladora em Prince’s House. Estava tão emocionada.
_Pansy?
Remus vinha da cozinha e estranhou bastante ao encontra-la ali, meio desorientada, bem no meio da sala de Snape. Teria acontecido algo grave? Por Merlin, Sirius teria outro ataque!
_Olá Remus... Desculpe a intromissão, contudo, encontrei com Draco e... Oh, como vai, senhor Sirius? Nossa, está iluminado hoje!
Sirius Black ouviu uma voz diferente e achou que, por um milagre, seria Severus. Deveria estar mesmo muito desconcertado para confundir o tom macio e suave da voz de Pansy Parkinson com o do seu esposo. Nem conseguiu almoçar de forma adequada, pois estava preocupado com o que Hermione e ele estariam fazendo em St. Mungus.
_Obrigado, Pansy, contudo, sem o senhor, por favor, Pansy. Sente-se. Eu gostaria de agradecer pelo belo casamento... Obrigado por tudo, Pansy.
A loira já estava sentada no sofá quando o doncel se aproximou. Aproveitou para abraçá-lo e dizer que não precisava agradecer em nada, pois, de fato, ela tinha se divertido bastante organizando tamanha festividade.
_Oh, Sirius, você e Harry estavam simplesmente divinos! E foi maravilhoso ver a cara de surpresa de vocês, preciso destacar. Foi único, pode ter certeza!
Sirius riu de forma leve. Era incrível como a jovem sonserina lhe parecia tão agradável. Talvez, o bebê que carregava dentro de si fosse uma futura serpente. Por Circe, não havia pensado nisso até então. Será? Será que o seu bebê seria mais uma serpente?
_Não gostaria de almoçar, Pansy?
_Oh, não Sirius, muito obrigada pela gentileza... Almocei com Draco. Na verdade, eu vim vê-lo.
Os olhos dourados de Remus miraram o andar de cima, indicando mudamente o caminho que ela deveria seguir. Sorrindo, a loira beijou a bochecha de Sirius e depois a de Remus. Só então, respirou fundo e visivelmente emocionada, subiu as escadas.
_Ela é uma pessoa muito agradável, não?
_Sim, é verdade. Na época da escola, Pansy me parecia um demoniozinho loiro, contudo... Hoje, quando a vejo... Tenho vontade de abraçá-la para sempre, Sirius.
O animago riu com gosto dessa vez. “Abraçá-la para sempre”? Ah, realmente precisava concordar com o marido. Algo havia mudado no lupino. Será que era mesmo verdade?
_Remus, venha, sente-se aqui...
O futuro professor reintegrado à Hogwarts fez o desejado, sentando ao lado do amigo. O doncel estava com um humor pra lá de instável, pois em menos de uma hora lidara com um Sirius furioso, depois um chorão, a, sim... Um bastante esfomeado... E depois, novamente irritado, devido às gracinhas de Lucius à mesa... E agora, novamente sorridente. Como Severus suportava?
_O que deseja agora, Sirius? Sabe que eu não vou permitir que você azare Lucius, por mais que ele diga que você se assemelha a um pobretão quando está se alimentando...
_Anda muito protetor com o cretino-mal-nascido-Malfoy, não?
O animago lançou um olhar cheio de significado ao lupino. Depois, sorriu maliciosamente, ao sustentar uma expressão nada pudica no rostinho de anjo com o qual a doncelaria o dotou, segundo o narigudo professor de poções.
_Não estou sendo muito protetor, estou apenas sendo coerente, Sirius...
_Coerente... Sei... Parece outra coisa, sabe? Parece que o meu marido está mesmo certo sobre a sua natureza lupina...
_Ora, com licença... Eu vou... – E Sirius riu ainda mais sacana.
_Sim, vai?
_Vou levar Frederick para a universidade! – E saiu rumo à cozinha, na verdade... Fugiu rumo á cozinha.
_Não esqueça que deve trazer ele de volta e também verifique como está o outro!
Remus saiu com tanta pressa que apenas gerou novas gargalhadas que, incrivelmente, dominaram Sirius, distraindo-o das preocupações. Bastava mirar a porta pela qual o amigo escapara feito velocista e pronto: ria novamente! Divertiu-se tanto que a entrada de Esther só foi percebida após alguns segundos, já com ela sentada ao seu lado e lhe passando um grande copo com suco.
_Fiz para você. Os pequeninos me ajudaram a encontrar o que precisava...
_Oh, dona Esther, não se dê ao trabalho, por favor. Os elfos não deveriam tê-la deixado se preocupar com essas coisas...
_Ah, que bobagem. Você precisa de uma alimentação saudável. Esse suco é particularmente bom para inchaços. Notei que está um pouco inchado, se me permite mencionar.
_Mesmo? – E Sirius se surpreendeu ao as pernas levantas pela nova mãe de Lucius, que aproveitou para apoiá-las sobre algumas almofadas. Depois, com cuidado, Esther retirou os calçados e lhe mostrou o, segundo ela, óbvio.
_Vê? Seus pés estão um pouco inchados. Precisa melhorar a sua alimentação. Sua gestação está apenas no começo e...
Sirius se deixou embalar pela conversa da mais nova hóspede. Ela era todo um tesouro. Agora entendia o porquê de Lucius ter se adotado filho de Esther. Bondosa, gentil e carinhosa. Quem não a desejaria como mãe? Ele mesmo que, infelizmente, tivera uma mãe que beirava a versão feminina do Lorde das Trevas, estava, simplesmente, encantando.
A instrutiva conversa foi interrompida pela chegada de Adam Taylor. O advogado parecia tenso, mas Sirius não quis se meter nos assuntos do jovem corvinal, principalmente porque, depois de cumprimenta-los gentilmente, o mesmo perguntou apenas por Lucius.
_Ele está lá em cima.
_Posso subir, senhor Sirius?
_Oh, sim... Claro que sim...
Antes mesmo de chegar até a escada, Adam se voltou para os dois, a tensa expressão piorada pela perceptível preocupação.
_Alguma notícia de Andreas?
_Remus acompanhou Frederick até a universidade. Fique tranquilo. Ele verificará como o jovem Andreas está.
Só então o sagaz advogado tomou o rumo do andar de cima. Esther recolheu o copo de suco, já vazio e voltou a cozinha. Mencionou algo sobre fazer um bolo com a ajuda dos “pequeninos”.
Então, sozinho, a ansiedade o sufocou. Deveria estar muito hormonal, mas não conseguiu ficar parado em casa. Precisava saber o que estava acontecendo com o marido. Calçou os sapatos e, em nem ao menos repensar no que estava prestes a fazer, simplesmente fez: aparatou em St. Mungus.
Perguntou aqui e ali e depois de alguns minutos chegou ao local indicado pela recepcionista do andar. A funcionária havia afirmado que duas pessoas estavam no quarto e que ele deveria aguardar, acompanhadas pelo medibruxo de plantão, logo, teria que aguardar até que terminassem “fosse o que fosse que estivessem fazendo”, reproduzindo as palavras gentis.
Bem, dizer a um Black que deveria aguardar quietinho surta tanto efeito quanto dizer a Harry Potter que deveria se controlar e não burlar a dieta. Sirius era um excelente ator, ah se era... Fingiu concordar com um sorriso doce e se sentou pacientemente próximo “megera recepcionista”, como tão delicadamente a apelidou.
Assim que a chance surgiu, correu até o quarto, abrindo a porta de leve e entrou. Só então ouviu sons estranhos e abafados... E havia muita magia, magia poderosa. Sentiu as vibrações chegarem ao chão e nas paredes. O que estava acontecendo?
_Sev...
O seu chamando não foi ouvido, pois Severus se encontrava muito concentrado em tentar proteger Hermione Granger. O medibruxo pouco podia fazer para ajudar a castanha que, sem ser capaz de evitar, se contorcia, caída no piso alvo e cirurgicamente limpo, como se a cruciassem com toda má intenção.
_Não toque nela! – Recomendou com urgência o professor, evitando que tivesse que proteger o medibruxo também.
Pedaços de mobília levitavam pelo quarto. O efeito danoso do “fosse o que fosse que estivessem fazendo” era mais que terrível. Sabia que o marido escondeu dele que estaria envolvido em algo perigoso.
_Tudo corria bem. Identificamos o feitiço na senhora Skeeter. Contudo, ao nos voltarmos para o senhor Voronin...
_Fique onde está! Ela ficará bem... Granger! Não sucumba agora. Vou desvencilhá-la do feitiço!
Hermione tentava se controlar, mas não doía feito o próprio inferno. A varinha tinha se perdido de seus dedos entre os espasmos incontroláveis que sofria. Não entendia bem o que lhe acometera, contudo, fazia uma ideia. Um escudo... Era um maldito escudo... Como não pensou nisso antes...
Severos floreou a varinha e o medibruxo foi parar do outro lado do quarto, bem atrás de uma poltrona. Ao mesmo tempo, procurou concentrar toda a sua vontade em seu punho direito, fortalecendo sua mente e focando sua magia. O conjuro fez sua varinha estremecer. Ah, fazia tempo que não lidava com aquele tipo de magia das trevas.
_SCUTUMDELERE!
Sirius pôde ver uma finíssima linha de luz irromper da ponta da varinha do marido e envolver Hermione. A castanha pareceu sentir alívio imediatamente. E então as linhas se multiplicaram, envolvendo um dos hospitalizados, certamente o pai de Madeleine.
_SOLVITE!
A magia de Snape pulsava pelas finíssimas linhas, iluminando todo o quarto. A potência daquele feitiço deixou o médico assustado. Nunca poderia imaginar que algo assim estivesse integrado ao corpo de um paciente em estado crítico.
Por intensos minutos as linhas pulsaram com força, reluzindo pelo chão claro e brilhante. E então, quando Snape parecia à beira de cair enfraquecido, Hermione respirou profundamente, as linhas se rompendo, projetando partes da mobília em todas as direções.
Os estrondos foram audíveis até no corredor. Hermione estava enfim livre, embora permanecesse no chão, atordoada e visivelmente dolorida. O medibruxo a acudiu, revisando-a imediatamente, enquanto Severus se voltava para a cama na qual Ivan Voronin agonizava.
_Senhorita Granger, que temeridade. Por sorte não foram muitos os danos... – E lançou feitiços a esmo pelo quarto, ordenando-o minimamente. – Sente-se aqui, por favor. Creio que uma poção...
_DOUTOR!
A voz a recepcionista fez os três integrantes conscientes do quarto se voltarem para o batente no qual, antes, ficava a porta. Ela estava ajoelhada, apoiando a cabeça de um jovem de cabelos escuros e longos... E havia sangue... Muito sangue...
_ELE ESTÁ FERIDO!
A urgência nos gritos da mulher fizeram o coração de Severus se despedaçar. Ah, ele sabia... Sabia bem a quem pertenciam aquelas suaves melenas escuras...
_Sirius...
>>>>Feitiços (Thanks Google Tradutor!)
SUSPENSIOANIMAE= Suspensão da Alma
SCUTUMDELERE = Destruir Escudo
SOLVITE = Fragmentar
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