Submisso
49 Capítulo 49 - Protagonista
Notas iniciais
Capítulo 49 — Protagonista
“_Tudo bem, tudo bem... O que estou querendo deixar claro para você, Theo, é que a sua esposa veela não conseguiu se controlar. Tal como Draco, ela engravidou sem querer o parceiro. Acredito nela, piamente, irmãozinho. Gabrielle era, como dizer, essencialmente lésbica, antes de você aparecer na vida dela. Então, ela conhecia bem o “terreno”, quando estava apenas com Gina...
Ah, Theodore queria ser tragado pelos lençóis finos da cama. Como é que Pansy, a descarada, tinha tamanha coragem de falar tão abertamente sobre as intimidades dos outros? Ela era, para todos os efeitos, uma verdadeira pervertida. Assistir na encolha enquanto Draco e Harry... Oh, por Merlin!
_E então vocês três se encontraram. Foi uma explosão imediata, querido. Eu sei porque eu estava lá, lembra-se? Admito que concordo contigo: ela deveria ter contado antes, logo que identificou a magia do bebê. Contudo, Theo, você sabe melhor do que ninguém que, em algumas situações, ocultamos fatos, para não fazer aqueles a quem amamos sofrerem. Acredito que Gabrielle não encontrou o momento adequado para contar e que, não sei, com a rotina veloz que nos abarca... Talvez, a oportunidade nunca tenha chegado. Theodore, olhe bem para mim – e Theo a encarou profundamente, bem no fundo dos olhos claros que a miravam de volta, cheios de sabedoria. – Você realmente duvida do amor que Gina e Gabrielle lhe professam?
_Eu... Eu...
_Sem rodeios, Theodore Nott. Responda-me!
_Eu não duvido, Pans, mas...
_Shiii... Se você não duvida, não perca mais tempo se agarrando a coisas que não podem ser mais mudadas. Você está grávido, não pode mudar isso.
As mãos de Pansy foram até o seu ventre plano e o acariciaram.
_Nós tivemos experiências terríveis... E apesar de tudo, sobrevivemos aos nossos pais. Não desconte esse passado nas suas esposas, nem no seu filho. Permita-se, Theo. Permita-se ser amado... Você é completamente amável. Quem não o amaria? O seu pai foi um tolo... Não seja você mais um. Eu fiz a mesma promessa que Blaise... E tenho o triplo da determinação dele.
Pansy o beijou na testa e saiu do quarto também. Esperava que o seu irmãozinho tivesse entendido. Esperava que ele se permitisse viver de verdade, pela primeira vez. Ele, mais que ninguém, merecia ser feliz.”
Algumas horas depois, na verdade, nem ao menos três horas depois, a loira retornava, trazendo nas mãos mais uma poção, além de aproveitar o momento para medir os níveis de magia do seu irmãozinho.
_Eu não poderei ficar aqui muito tempo... – Comentou a loira, assim que concluía a medição e esperava Theo sorver a última gotinha de poção. – Até gostaria, pois percebo que precisa de mim por perto, mas amanhã é segunda-feira e Draco me mataria se abandonasse o trabalho agora. E olha que ele está me devendo alguns dias de férias...
_Pans, eu estou bem... Não há por que se preocupar tanto. Você está agindo como uma mamãe galinha. Na verdade, Blaise está indo pelo mesmo caminho.
_Theodore Nott, não faça pouco caso da minha preocupação, tampouco da de Blaise. Dormiremos aqui hoje, para ficar de olho em você. Blaise ficará aqui por alguns dias, mas eu precisarei voltar a Londres. Não se surpreenda se Draco aparecer por aqui amanhã. Eu mesma faço questão de contar a ele cada detalhe do que anda acontecendo... Ah, e claro, eu voltarei para cá depois do trabalho...
_Você ficará na via de flu entre Londres e Bristol?
_É lógico. Enquanto o senhor não entrar na linha, Theozinho, Blaise e eu seremos obrigados a interromper as “atividades maritais”, se é que me entende, querido...
O sonserino enrubesceu e, com as bochechas queimando, apenas se encolheu na cama... Não havia como demover Pansy Parkinson de um propósito, fosse ele qual fosse.
_Deve conversar com Gabrielle hoje ainda e aceitar que, em alguns momentos, simplesmente metemos os pés pelas mãos. Seus índices de magia já começaram a declinar... Vamos traçar uma análise deles para, dessa forma, termos uma noção de quanto tempo serão os intervalos para absorção de magia veela... Ah, também teremos...
As recomendações foram longas... E ele nada disse. Conhecia Pansy muito bem e sabia que a maneira mais fácil de lidar com aquele furacão loiro era, simplesmente, concordar e fazer exatamente o que ela dizia. Portanto, após a saída teatral de Blaise e, algumas horas depois, a de Pansy, o dia transcorreu sem maiores complicações. Chegou até a imaginar que teria, enfim, sossego... Ledo engano.
Gabrielle apareceu "inocentemente" já no finalzinho da tarde, trazendo uma igualmente inocente bandeja com uma tigela repleta de pedacinhos de fruta, soube só pelo cheiro. Ele tentou nem olhar para a loira, mas os veelas... Ah, eles eram sedutores, possessivos e muito persistentes... Além de utilizarem toda e qualquer artimanha para conseguir o que desejavam. No caso, o sonserino sabia bem disso, ele era o alvo de todo aquele empenho.
_A presença dos seus amigos é mais que agradável, não acha?
A bandeja com o lanche foi deixada sobre a mesinha de cabeceira... E mais palavras saíam sem contenção dos lábios de Gabrielle.
_Jantaremos assim que os seus amigos chegarem. Pansy saiu com Blaise para algum lugar... Eles mencionaram o nome... Madame... Esqueci-me, mas prometeram voltar logo... Contudo, você já está sem comer por muito tempo. Então, trouxe um pequeno lanche...
Silêncio. Gabrielle se aproximou um pouco mais... Estava determinada a arrancar dele alguma reação. Contudo, só o que parecia reagir a nova visita era o seu estômago.
_Não vai nem mesmo dar uma olhadinha no que eu trouxe, mon cher?
Theo a encarou pela primeira vez depois que gritou com ela, beirando o descontrole. Havia pensado bastante... Sabia que a veela não podia realmente sustentar uma mentira para ele. Era um sonserino, no final das contas. Talvez, Gina até caísse por mais tempo, mas não ele...
_Fale comigo, mon amour...
Os olhos da veela o escrutinavam. Não ficava incomodado, mas aquela avidez o deixava inquieto, pois quanto mais era mirado com voracidade, maior o impulso que tinha de saciar aquela fome...
_Theo... Por favor, não seja...
O que mais nobre descendente dos Nott não deveria ser Gabrielle não disse, pois em fração de segundos, segundos mesmo, o sonserino se transformou num velocista. Tal qual tivesse se preparado para uma feroz competição, correu até o banheiro mais próximo, esvaziando o estômago e, segundo acreditava, talvez até a própria alma, no vaso sanitário.
Mais sentiu que viu a ação da esposa ao evitar que a sua testa se abrisse, ao bater na porcelana fria. As ânsias o atacaram subitamente, sem chance para que pudesse tentar contê-las. A magia veela o envolveu, servindo como um bálsamo naquele inferno de sensações nauseantes. Magia veela? A mesma que o havia deixado naquela situação vergonhosa?
_Não... Não... Vá embora... – E lá estava o teimoso Theodore tentando afastar a veela, fazendo o possível para impedir que o tocasse ou que a poderosa magia o envolvesse.
_Por favor, Theo. Não me obrigue a ser autoritária!
_Gabi, o que foi? – E a voz de Gina encheu o banheiro.
_Gravidez... Eu acho... Foi abrupto...
_Esse... Cheiro... – Reclamou o sonserino antes de ser dominado por mais uma sequência de asco completo.
Gabrielle foi rápida ao associar a sua chegada, o lanche e o mal súbito do marido. E, enquanto fazia a tigela desaparecer, Gina agia. A ruiva pegou uma toalha, umedeceu o tecido com rapidez e a entregou a esposa. Já a veela bem que tentava ajudar o marido, mas Theodore e o vaso sanitário pareciam amigos de infância, tamanha a intimidade com a qual se tratavam.
_A sua magia não está conseguindo ajudá-lo?
_Eu estou tentando, mas ele está muito empenhado em não me aceitar, Gina. Theo está resistindo.
Alheio ao resto da realidade, o sonserino apenas buscava respirar entre uma contração dolorosa e outra do diafragma. O cheiro repugnante já não estava presente, mas o mesmo parecia ter desencadeado uma reação em cadeia no grávido. Ele tentava se afastar física e magicamente de Gabrielle, respirar com mais serenidade e controlar o enjoo que não o abandonava... E falhava em todas as tentativas.
_Solte-me... Não me... – Pedia baixinho, beirando o esgotamento, para em seguida voltar a se projetar para frente, o estômago dolorido e a moral vertida em cacos.
O tempo passava e ele se negava a aceitar a presença de Gabrielle... O que só tornava a situação mais difícil. A palidez do grávido assustava... Ele estava visivelmente devastado.
_Oh, por Merlin! Isso não é normal. Theo! Theo! Precisa deixar Gabi te ajudar... Ele já está assim a mais de meia hora.
_Gina, o professor Snape enviou poções. Veja se há algo para um enjoo dessa magnitude. Minha magia não está ajudando muito.
A preocupação fez Gina correr pelo quarto e procurar as indicações e poções do professor. Poderia ter feito um simples accio, mas o nervosismo a fez esquecer-se momentaneamente de que era uma bruxa.
_Theo, mon amour... – E parecia que o grávido havia, finalmente, sucumbido... Parecia não aguentar mais lutar contra o próprio organismo, muito menos contra a magia veela que, insistentemente, reverberava em seus ouvidos, zumbindo, obrigando-o a aceitar a ajuda.
Esgotado, ele se largou sobre a esposa, deixando-se mimar, aceitando tudo o que vinha dela. Evidentemente, o fato de estar furioso com ela esvaneceu de sua mente serpentina.
A ruiva irrompia no recinto, mas parou de chofre ao vê-los. O marido estava totalmente amolecido, rendido, sendo acolhido pelos braços da esposa veela. Na verdade, sabia que tal cena se devia apenas momento e que Theo estava muito chateado, anos luz de bancar o maridinho apaixonado... Contudo, não deixava de ser fofo.
_Há uma poção para enjoo...
_Vamos esperar um pouco. Ele finalmente parou de tentar me bloquear. Minha magia agirá de forma mais rápida e ajudará bastante a minimizar as náuseas... E ele... Dormiu...
Gina se aproximou e constatou o estado lamentável do marido. Parecia que Theo tinha percorrido uma maratona, tamanho o cansaço. O pijama estava colado ao corpo. O tecido leve estava ensopado...
_Acho melhor tirarmos ele do chão. Um banho viria a calhar, Gabi...
_O que aconteceu? – Sondou Blaise já na porta do banheiro, ignorando completamente qualquer senso de respeito à privacidade.
_Oh, Blaise! Theo sofreu um ataque violento de enjoo. Pode nos ajudar a colocá-lo na banheira?
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Mal os três irromperam das chamas verdes, a visão os impactou. Era... Lucius! O patriarca da nobre família Malfoy estava ali, vivo e aparentemente ileso, sentado comodamente num dos sofás do escritório. No mesmo sofá, um jovem desconhecido, sentado ao lado do loiro, observava a tudo com muita atenção, sem, contudo, notar que certo advogado o devorava com olhos de harpia.
Severus não se conteve e quebrou a tão bem construída máscara de frieza e indiferença sustentada, pelo próprio, por anos. O fato de ter corrido até Lucius – e o escritório nem era assim tão grande – denunciou toda a consideração para com ele. Surpreendendo ainda mais, Severus se sentou bem juntinho do ex-morto e o abraçou com força, como se, num piscar de olhos, ele pudesse desaparecer.
Hermione continuava cética quanto ao que via, mas quase de podia ouvir as engrenagens de seu cérebro privilegiado trabalhando sem descanso para, de alguma forma, compreender a novidade. Já Ronald, bem... O ruivo apenas sorriu cheio de si. Na verdade, ele precisou controlar a vontade que sentiu de, mesmo que parecesse muito convencido, dar tapinhas nos próprios ombros e dizer a si mesmo: “Parabéns, Ron, você estava certo... De novo.”
_Severus, calma... Vai quebrar as minhas costelas! – E respirou fundo, conseguindo que o amigo se afastasse minimamente. – Estou vivo, mas ainda não estou completamente saudável...
_Lucius... Lucius... Ah, Lucius! – E agora até mesmo Taylor ficou chocado. Severus estava mesmo sorrindo? Assim, livremente, sem sarcasmo ou cerimônia alguma?
_Sim, sou eu... Estou aqui, meu caro.
O pocionista o avaliou e, em instantes, percebeu algo deveras complexo.
_A sua magia... O que aconteceu? Ela está...
O patriarca Malfoy apenas sorriu de leve, acenado com uma das mãos como se dissesse: “Ah, isso não tem importância.”
_Deixe-me apresentá-los ao meu amigo e salvador, bom, a um deles... Este é Andreas Amaranto. – E indicou o jovem que apenas assentiu. – Andy, esses são Severus Snape, um amigo de longa data – e o amigo em questão cumprimentou o trouxa com um forte aperto de mão. – O jovem ruivo é o penúltimo filho do senhor Weasley e se...
_Ronald Weasley, senhor Amaranto. Muito prazer em conhecê-lo – adiantou-se o ruivo, a língua mal se contendo para começar a saciara curiosidade sentida.
_O prazer é meu, senhor. Lucius me contou como o seu pai o ajudou...
_E a bela jovem que, vejam só, parece sempre estar com um livro ao alcance das mãos – e a castanha sorriu –, é a senhorita Hermione Granger, certamente a bruxa mais brilhante de sua geração, devo acrescentar. Ronald e Hermione são os dois outros membros do “trio de ouro”.
Hermione arregalou os olhos e não conseguiu disfarçar a surpresa. Desde quando o pai de Draco era tão gentil? De fato, sempre suspeitou que Lucius ignorava a cordialidade e a gentileza... Pior: desde quando ele a tratava assim, com tamanha... Decência?
_Oh, é um prazer conhecê-la também... Nossa, então eles e o senhor... Potter, correto? Ah, impressionante. – Lucius apenas assentia ante a excelente memória de Andy.
Antes de entrarem em contato com Severus, em conjunto com Adam, contou tudo o que podia sobre a sua vida, a guerra e o mundo dos bruxos para a sua nova família. Bem, era assim que os sentia... Esther, Frederick e, inclusive, Andreas eram os mais novos membros da família Malfoy. Nunca desampararia quem o socorreu e protegeu em momento tão penoso.
_Sei que minha presença aqui pode causar estranheza... Sou um... Como vocês dizem mesmo?
_Trouxa, mas um belo trouxa, que fique claro – disse Adam, deixando Andy corado de vergonha e Lucius com uma expressão de “tenho que tomar conta do meu menino” no rosto.
_É... Um trouxa.
_Andy é um trouxa, mas sem minha família trouxa – e o professor arqueou as sobrancelhas, pasmo com as palavras proferidas pelo loiro -, eu não teria sobrevivido. Sabem por que Andy está aqui? – E como não houve resposta, prosseguiu. – Ele está aqui para me proteger, segundo a minha querida Esther.
Snape tentava criar em sua mente um panorama minimamente coerente, agregando todas as pequenas parcelas de informação cedidas pelo amigo... O resultado? Bem, Lucius foi salvo por trouxas. Salvo de que, ele não sabia... Ainda.
_Calma, Severus. Contarei tudo... Mesmo que Adam tenha se recusado a me informar mais sobre o porquê de Harry Potter ter batalhado tanto por meu indulto... O jovem Potter sempre me odiou! Admito que contribuí para isso, contudo, ele sempre se mostrou tão arrogante, tão petulante e intrometido... Ora, eu perdi um excelente elfo por conta das artimanhas dele...
_Senhor Malfoy... Não é que eu tenha me recusado, apenas acredito que essas informações devem ser fornecidas por outros e não por mim... Já foi muito penoso ter sido eu a lhe informar acerca da sua esposa.
_Certo, certo – e respirou fundo, lembrando-se de Cissa e de tudo o que havia perdido. – Eu responderei a todas as perguntas que puder, mas depois exijo que me contem o motivo que levou o nosso grande herói a me ajudar, ainda mais por eu então estar, para todos os efeitos, morto – e demorou alguns minutos para prosseguir. – Na verdade, seria bom que vocês dois se sentassem também. Já que estão aqui, convido-os a ouvir o que tenho a dizer... – E mal Rony e Hermione se sentaram, o patriarca iniciou sua narrativa, dando margem a que todos eles se revezassem entre perguntas e considerações acerca dos anos nos quais esteve “morto” para o mundo bruxo.
Poucas horas se passaram, mas o volume de questionamentos fora tão intenso, que Andy precisou intervir. Optou por assumir o lugar de Lucius ao contar acerca de como foi encontrado e de todo o tempo que levou para se recuperar, ao menos minimamente. Os momentos do nebuloso cativeiro foram os que mais interessaram ao futuro auror.
_Então o senhor não os viu? Em nenhum momento, nesses anos, o senhor os viu?
_Não completamente... Ou então, posso ter visto, mas não me recordo. Minha magia está instável e minha memória um caos, senhor Weasley.
_Bem, é óbvio que precisamos protegê-lo, senhor Malfoy. Contudo, não creio ser prudente comunicar o seu aparecimento ao aurores, ao menos não nesse momento. Há algo que não se encaixa... O senhor foi subtraído de dentro da prisão de Azkaban, o que, por si só, é muito suspeito.
_Ron está certo – reforçou Hermione. – Ele está investigando o caso, juntamente com Francis Drake e David Nulan. Creio ser adequado manter a informação de que o senhor voltou para nós oculta...
_Sim, ao menos até descobrirmos mais acerca desses sequestradores.
Snape concordava com o ruivo e já imaginava a sua linha de raciocínio.
_Está sugerindo que o próprio Quartel-General de Aurores possa estar... Envolvido? – Inquiriu Taylor que, até o momento, se deliciava com o fato de Andreas estar ressonado apoiado em seu corpo.
_Sim, senhor Taylor. Não posso fechar meus olhos diante dessa possibilidade. Meus superiores diretos são confiáveis, contudo...
Snape acenou com a varinha e mais chá foi direcionado a cada um deles, exceto ao trouxa. A imagem de Andreas esgotado, dormindo tranquilamente... Ah, encheu Snape de preocupação. Eles foram expostos.
_Não pode continuar a viver com os Trouxas, Lucius.
_Ora, Severus, não vou abandoná-los. Esther e Frederick precisam de mim...
_Não, não desejo isso... Digo que não deve continuar a viver no mundo trouxa, tampouco eles. Acolhê-lo e ajudá-lo os condenou, meu caro amigo. Eles estão tão vulneráveis quanto você agora.
_Bem, o que sugere? Eu posso levá-los para Malfoy Manor e...
_Não – e a voz de Hermione foi tão definitiva que, evidentemente, gerou estranheza. – Senhor Malfoy, a sua mansão está sendo vigiada 24 horas por dia, por aurores...
Lucius ficou ainda mais confuso. Primeiro lhe disseram que havia sido agraciado com o perdão ministerial... Depois, numa reviravolta de difícil compreensão, lhe informavam que a sua própria casa era alvo de vigilância extrema?
_Foi Draco? Draco está sob vigilância?
_Calma Lucius, o seu filho está bem, muito bem, eu diria. A herança veela do seu rebento se revelou completamente... Draco é um veela poderoso...
O loiro se afundou no sofá...
_Veela? Mas... Como?
_Aconteceu, meu caro amigo... Simplesmente aconteceu. Meu afilhado é um veela completo e deveras poderoso.
_E está devidamente vinculado, aguardando a chegada dos filhos ou filhas. Será avô de gêmeos... – E as palavras de Hermione o deixaram mais pálido que o usual.
_E a vigilância se deve ao fato de que são alvo de algum tipo de ameaça, mas não vou entrar em detalhes agora. Como o professor Snape ressaltou, os trouxas que o ajudaram precisam de proteção, mas sem alarde... Para onde então podemos levá-los? A minha casa também está sob vigilância extrema.
_Prince’s House é a melhor opção. Faremos isso hoje ainda. Poderia providenciar a remoção deles para lá, Adam? – E ao que o advogado assentiu, Snape prosseguiu. – Deixe o senhor Amaranto no sofá, eu mesmo me encarregarei dele.
_Severus... – Chamou o loiro, ainda que meio catatônico depois de tantas revelações.
_Os trouxas já o conhecem, Adam, portanto, não acredito que irão se opor a acompanhá-lo até a minha casa. Diga-lhes que é para a segurança de Lucius. Depois explicaremos com maiores detalhes...
_Claro senhor... Se quiser, pode deixar Andy aqui e...
Lucius fez menção de chamá-lo novamente, mas foi ignorado pela reação do amigo pocionista.
_Adam Taylor, não sou um lufa-lufa inocente. Eu mesmo levarei o senhor Amaranto para a minha residência. Encontre-nos lá, certo?
Entre risinhos de Hermione e Rony, o advogado aparatou.
_Professor, tenho algo importante a lhe mostrar... Creio que encontrei o que Madeleine desejava muito que solucionássemos.
_Hermione, primeiro devemos instalar o senhor Malfoy na casa do professor Snape.
_Severus! Eu não vou a lugar nenhum até que complete essas informações... Posso estar debilitado, mas não perdi minha perspicácia!
Ronald, Severus e Hermione o encaram, enquanto Andy se remexia no sofá.
_Os três descaradamente evitaram dizer o nome da esposa de Draco. Digam logo, quem é? Por acaso ele se casou com a sua irmã mais nova, Ronald? É por isso que evitaram me contar? Acreditem quando digo: eu não fazia ideia do poder daquele diário quando, infelizmente, o coloquei no caldeirão da então pequena Ginevra Weasley. Conversei longamente sobre esse fato com Arthur... Ele e eu chegamos a um entendimento, portanto...
_Minha irmã não se casou com Draco – e Rony não pôde evitar sorrir com malícia. Ah, aquele seria outro duro golpe.
_É verdade, senhor Malfoy. Draco e Gina são apenas bons amigos.
_Então por que não dizem logo o nome da esposa de Draco, senhorita Granger?
_Lucius... O seu filho e a sua natureza veela não elegeram uma parceira. Meu afilhado elegeu um parceiro doncel...
O patriarca demonstrou estar realmente espantado. Um veela e um doncel... Como foi possível? Era uma combinação por demais complexa e que, pelo que qualquer bruxo no mundo podia avaliar, muito intensa.
_Severus, um doncel? Um veela e um doncel... Como permitiu isso? Por Merlin! É uma combinação deveras perigosa...
_Perigosa? Ah, não viu nada, meu caro. O doncel em questão é ninguém mais ninguém menos que o herói do mundo bruxo, o menino-que-sobreviveu-para-dar-dor-de-cabeça, Harry Potter...
Lucius nem percebeu direito o que aconteceu após a bombástica revelação. O seu filho, o seu Draco, casado com o petulante Harry Potter? E desde quando o herói era um doncel? Pelo que sabia da educação de Harry Potter, o mesmo sempre fora tratado como se de um varão se tratasse.
Ah, a vida tinha mesmo um senso de humor doentio. De tão surpreso com a revelação, demorou a compreender que estava em Prince's House... E mais: o amigo bradava em voz alta o nome de certo mago, um nome que, em outros tempos, nunca mesmo sairia dos lábios dele, a não ser que fosse precedido por um bom xingamento...
_Sirius, venha até a sala! — Chamou num tom de voz autoritário. — Sirius Black!
_Não adianta, Severus. Sirius não está mesmo em casa.
Bom, piorou ainda mais quando reconheceu o dono de outro nome que não combinava em nada com o ambiente. Estavam ali, em Prince’s House, e via o lupino em pessoa, Remus Lupin, outro antigo inimigo declarado de Snape. Talvez a sua mente estivesse mais fragilizada do que imaginava. Remus demonstrou imenso espanto ao vê-lo, mas, devido ao momento, precisou se concentrar em Snape.
_Como assim, Sirius não está casa? Sirius enlouqueceu?
_Severus, ele aparatou. Tentei entrar em contato com o Largo Grimmauld, mas a lareira foi lacrada. Portanto, sabemos que ele está lá...
_Sirius não pode sumir assim... Ir embora... Por Merlin, ele está grávido, Remus! Grávido do meu filho!
Grávido? Sirius estava grávido? E de Snape? Desde quando Sirius Black era homossexual para começar? No mundo bruxo, casais homossexuais poderiam ter filhos em algumas situações muito específicas.
A primeira delas se dava quando um dos parceiros era um veela, pois essa poderosa magia ancestral dava ao veela a capacidade de procriar, independentemente do gênero do parceiro. Portanto, homens veelas poderiam engravidar homens ou mulheres não veelas. Já as mulheres, de fato as mais poderosas entre esses seres agraciados de tamanho poder, elas sim poderiam gerar em si mesmas o fruto da união ou, caso desejassem, engravidar aos parceiros ou parceiras, numa faceta pouco comum, como uma verdadeira dominante.
Ao longo da vida, Lucius estudou profundamente os veelas. Ele mesmo tinha sangue veela em si, mas não era um herdeiro completo, não mesmo. E agradecia muito por isso, pois se os veelas eram muito poderosos, eram igualmente instáveis, sendo toda uma epopeia controlar seus poderes.
Quando Draco nasceu, Severus foi o primeiro a destacar que ele poderia sim ser um herdeiro poderoso da ancestral magia veela, a magia que há séculos esteve entrelaçada à nobre família Malfoy. Apesar dos conselhos, Lucius ignorou, dizendo que não havia indício algum de que o seu filho pudesse ter ataques animalescos e selvagens... Ledo engano.
A outra forma de engravidar um parceiro do mesmo sexo era através de um longo, custoso e incerto tratamento que raros medibruxos indicavam. Todo ele era realizado com acompanhamento minucioso em St. Mungus. As poções e os feitiços, segundo os especialistas, criavam um útero mágico no interior do paciente. Este útero composto de magia de ambos os parceiros, sustentava o bebê durante toda a gestação, contudo, era fundamental fazer uso contínuo das referidas poções – caríssimas – periodicamente. E, de fato, não havia muita solidez na continuidade da gestação, ou seja, era muito comum abortos nos mais variados estágios da gravidez.
O sucesso do tratamento era muito maior nos casais compostos por mulheres. Nos casais de varões, os abortos aconteciam com maior frequência, pois o corpo que geraria o bebê não era, evidentemente, preparado para tal ato. Os especialistas diziam que o tratamento era, na verdade, uma “imitação pueril do que a magia veela era capaz de realizar”.
Quando um veela varão ou não engravidava um parceiro varão, a magia veela transformava o corpo que geraria o bebê, de forma completa e irreversível. E, caso desejasse, um veela poderia engravidar até mesmo um trouxa. Nesses casos, como os trouxas não possuem magia, além do repasse constante de magia veela ao futuro “papai”, as poções eram necessárias, ou levariam ao óbito do gerador do bebê e do bebê.
De forma similar, o tratamento médico conseguiu “imitar” a poderosa magia veela mais uma vez... Não era necessário ser um bruxo para se submeter ao tratamento, mas então resultados positivos eram mais raros ainda. Muitos se aventuravam nessa empreitada, mas era muito difícil obter filhos biológicos. Por isso, esses bruxos ou bruxas optavam por adotar uma criança, quando desejavam ter filhos. E Sirius... Bem, sua lembrança de Sirius era a de um “verdadeiro” garanhão. É, não fazia mesmo sentido algum... Lucius não conseguia conceber a ideia de Sirius se submetendo ao tratamento para engravidar, ainda mais de um filho de Snape!
_Ora, eu sei! Mas não pude contê-lo. Teddy e eu o procuramos pela casa toda... Aí então verifiquei a casa dos Black. Eu não consegui usar a lareira, tampouco aparatar lá dentro.
_Ora, e nem conseguiria, Remus. O meu esposo deve ter ativado o feitiço de proteção ancestral. Contudo, ele se esqueceu de algo muito importante: eu sou o pai do filho que ele espera e somos oficialmente vinculados. Pela lei bruxa, estou mesclado aos Black. A casa não irá me repelir.
Esposo? Filho? Severus seria pai... E tinha engravidado Sirius... E ambos haviam se casado? Oh, por Merlin! O que alguns anos não traziam de mudança? Sirius Black era primo de sua falecida esposa... E Narcisa sempre lhe deixou bem claro o fato de que “Sirius era todo um galinha” e que “por algum estranho motivo, não consegue namorar nenhuma dama por muito tempo. É um caso perdido”, nas palavras de Cissa.
_Professor, vá procurá-lo – pediu Hermione, sensibilizada pelo problema conjugal. – Eu estudarei melhor o livro e aguardarei o seu contato, amanhã, sem falta, sim? É realmente importante.
Ronald voltava do quintal. Ele havia se proposto a verificar a condição das barreiras, não estando inteirado do motivo da tensão.
_As barreiras estão em excelentes condições... O que aconteceu?
_Sirius Black... Foi isso o que aconteceu... Quando eu pegar aquele pulguento... – E aparatou, ignorando os olhares confusos de Rony e Lucius, assim como o rosto penalizado de Remus.
_Sirius não gostou de Snape tê-lo deixado sozinho novamente e, simplesmente, foi embora... – Revelou Remus para, enfim, dedicar-se a olhar bem de perto para Lucius Malfoy. – E alguém pode, por favor, me explicar o fato de Lucius Malfoy estar ali, sentado no sofá? Eu quase desmaiei ao vê-lo...
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Sabia que ali seria o primeiro lugar no qual Snape o procuraria, mas estava furioso demais para ser criativo. Sabia que nada do que fizesse ou dissesse mudaria a situação na qual se encontrava. Ele e Severus estavam vinculados... E era para a vida inteira. Além do que, encontrava-se grávido, o que complicava ainda mais cada pequena atitude que tomasse.
Sentia o filho no ventre, um ventre, por sinal, ainda muito pequeno, mas já ligeiramente arredondado. Tocar a própria barriga o acalmava... Então se perdeu ali, por alguns minutos, dedicando-se apenas a curtir a gravidez.
Pensando mais friamente, lacrou a lareira. Não queria comunicação com ninguém.
_Senhor... Monstro pensou que estava com o mestiço narigudo, senhor. Oh, minha senhora não gastará de vê-lo e...
Oh, por Merlin... Monstro!
_Ficarei aqui por alguns dias. Depois... Viajarei... A lareira deverá permanecer lacrada, compreendeu, Monstro?
Mais feitiços foram lançados enquanto Monstro resmungava algo sobre "filho desalmado".
_E ninguém não autorizado entrará. Reativei as barreiras naturais da nobre casa de minha adorada mãe.
_Sua mãe ficaria feliz. A casa dos Black deveria ter apenas Blacks, senhor.
Sirius fez um aceno com a mão, dispensando Monstro. Não tinha interesse algum em continuar a ouvir as lamúrias do elfo. Desejava apenas entrar no antigo quarto, afundar-se em memórias antigas e dormir... Dormir.
Por horas inteiras, rolou na cama, a mente trabalhando em todas as direções. Então decidiu que não era mesmo capaz de dormir com a cabeça tão cheia, pondo-se a caminhar pelo quarto... Sabia que o marido não tinha toda culpa, que era requisitado reiteradamente... E por todos... Mas parte da culpa era sim dele, por não traçar limites claros. Ok, ok... Eram urgências, sabia disso também... Mas por que sempre era deixado para trás?
Cansou de ser coadjuvante. Não aceitaria mais isso... Amava Severus, com toda a sua alma, mas não podia mais fingir que o pouco caso com o qual era tratado não o afetava. Já estava chorando de novo... Malditos hormônios. Como detestava o fato de ser um doncel... Ser o que era marcou sua vida com um fardo pesado demais.
Severus e ele sempre tiveram uma relação conturbada, desde os tempos da escola. Severus não o achava capaz, nem muito inteligente... Na verdade, Severus sempre o viu como um conquistador fanfarrão e um esnobe metido... Então, por que aceitara o vínculo? Acreditava na sinceridade de Snape quando dizia que queria cuidar dele, que o protegeria, mas estava muito inseguro sobre o que teria, enfim, motivado o brilhante pocionista a fazê-lo.
Culpa? É... Poderia ser culpa. Culpa por ter participado daquele horror que os seus pais fizeram consigo. Ou será que Severus estava com ele por pena? É, pena... Talvez ele sentisse muita pena do pobre doncel, que ele, mesmo sem saber ou poder controlar, tanto machucou no passado. Talvez esse sentimento o tivesse impulsionado a aceitar o vínculo e salvá-lo do coma mágico e, consequentemente, da morte.
Não... Também não era pena. Estava pensando de forma equivocada. Ele era um doncel. Qual varão no mundo bruxo não daria um braço – ou mais – para ter um belo doncel em sua cama? Triste... Era simplesmente triste pensar assim, de forma tão racional, mas era a verdade.
Não era culpa, tampouco pena... Severus estava com ele para satisfazer a sua própria luxuria. Severus estava com ele simplesmente para utilizá-lo, possuí-lo e ostentá-lo como mais um adorno... Triste, muito triste...
Ele não se fazia de rogado ao usar o poder que tinha sobre si, não mesmo. Usava e abusava da sua prerrogativa de varão, fazendo-se se calar e obedecer, como um fiel cachorrinho amestrado. Mas ele não aceitaria mais isso. Não mesmo, nem que precisasse fugir do marido. E tinha que ser rápido. Conhecia as leis do mundo bruxo... Ele, como o doncel que era, tinha pouca chance de se safar das garras de Snape, ainda mais estando grávido dele.
Percebeu que havia perdido muito tempo. Nunca deveria ter voltado para a casa dos Black. Tinha que estar já em outro continente, isso sim. Não perderia mais tempo. Talvez, usando alguns contatos, conseguisse um portal clandestino, longe das regras ministeriais e do nariz de Snape. Aparataria para longe do papel de mero coadjuvante da vida de Snape.
_Expeliarmus!
Nem ao menos foi capaz de bloquear, pois não viu seu agressor, embora tenha reconhecido a voz. Era o seu amantíssimo marido. Ele estava parado na porta do quarto... Deveria estar ali há algum tempo... As vestes negras, o cabelo comprido e a expressão de completa fúria.
_Como conseguiu entrar aqui? Essas barreiras são mesmo uma porcaria! – Esbravejou e, em seguida, estendeu a mão. – Devolva a minha varinha e vá embora, Severus.
_Não e não. Agora, por Merlin, pode me explicar o porquê de estarmos aqui?
_Você eu não sei, mas eu estou na minha casa, da qual não pretendo sair. Portanto, devolva a minha varinha e vá embora.
Severus se aproximou, agarrou Sirius pelo braço e o levou até a cama. Nela os dois se sentaram, frente a frente, os olhos frios do professor estavam refletindo mais do que incompreensão.
_Severus, por favor. Eu não quero mais brigar... Não damos certo juntos, não percebe?
_Por Merlin, de onde saíram essas constatações? É óbvio que damos certo juntos?
_Não, não damos... Eu sou apenas um brinquedinho em suas mãos. Sempre deixado de lado, sempre deixado para trás... Não quero mais isso, Severus – e seus olhos brilharam de lágrimas contidas. – Não quero mais... É melhor... É melhor terminarmos...
O pocionista respirou fundo.
_Sirius, por favor, seja razoável. Não é o momento para fazer esse espetáculo. Está deixando a gravidez te alterar demasiado, não compreende?
A expressão do esnobe almofadinhas se transformou. Ah, Severus era capaz reconhecê-la. Sabia que as suas palavras gerariam uma reação violenta. Odiou-se por isso, pois detestava gerar-lhe qualquer tipo de sofrimento, mas, em alguns momentos, não era capaz de controlar a sua língua de serpente.
_Então só o que está acontecendo é um desequilíbrio hormonal, devido a minha gravidez? Ah... Você é um cretino! Uma porra de um cretino de merda!
Os gritos de Sirius assustaram até Monstro. O elfo apareceu sorrateiramente na porta, demorando-se alguns minutos para observar a cena que se desenrolava dentro do recinto. Sirius esbravejava furiosamente, já de pé bem ao lado de Severus, gesticulando com rapidez. Já o professor apenas ouvia as reclamações – e aos palavrões – em silêncio.
Enquanto Sirius bradava que ele era um “cretino, maldito, estúpido” e mais um sem-fim de outras classificações nada agradáveis, Severus tentava processar aquela reação tão... Intensa. Oh, tinha entendido. Finalmente tinha entendido. Ah, e era tão... Delicioso...
_Vá embora daqui! – E Sirius estava de pé ao seu lado. Foi fácil agarrá-lo, e puxá-lo para a cama. Ah, como era com tê-lo assim, bem debaixo de si.
_Sai de cima de mim, seu verme!
_Ciúmes... Ah, Sirius... Você está morrendo de ciúmes, não está?
_CIÚMES?! AH, SEU FILHO DA PUTA! SAIA DE CIMA DE MIM! – E se moveu bruscamente, mas o marido sentou sobre as suas pernas e segurou os seus braços, aproveitando-se para abusar dele, beijando-o.
Sirius Black, mais uma vez, surpreendeu ao marido. Ele não chutou, não mordeu, não esbravejou... Na verdade, o animago nem ao menos se respirou... Apenas chorou. E não foi um choro qualquer. As lágrimas fluíam ininterruptas, grossas e cheias de significado, seguidas de um soluço triste que, realmente, o fez compreender que o que o esposo, motivado pela loucura que fosse, se sentia muito mal.
_Sirius... Por favor, me diga... Por que você saiu da nossa casa e veio para cá? Por que está tão irritado?
Como não houve resposta alguma, Severus se sentou na cama e o ergueu, abraçando-o com carinho, consolando-o sem nem ao menos conhecer o motivo de tamanha tristeza.
_Sirius, por favor...
_Você... Você... Só me quer para isso, não é? – E afundou-se na junção do ombro com o pescoço do marido, inundando-se do cheio dele...
_Não sei do que está falando Sirius. Estou cansado disso, sabe? – E levantou o rosto do esposo, encarando-o com seriedade. – Diga-me o que está causando tanto sofrimento, seja lá o que for. Vê-lo assim, tão triste... Eu te amo, Sirius.
_Não, você não me ama...
_Não ouse dizer tal coisa, Sirius. Eu não sou leviano, tampouco mentiroso... Nunca diria isso a ninguém, caso não fosse verdade. Por que, por Merlin, pensa dessa forma, que eu não te amo? Pensei... Pensei que tivesse compreendido a verdade dos meus sentimentos por você.
Sirius estava absorvido pelos olhos do marido. As orbes escuras refletiam nada mais que sinceridade. Era mesmo verdade, então? Toda a sua lógica racional fora construída por pensamentos torpes, moldados por hormônios em convulsão? Não... Não podia estar de todo equivocado.
_Você sai o tempo todo... Não compartilha nada comigo... Eu me sinto tão abandonado, Severus. Parece que... Parece que só sou seu esposo quando estamos fodendo loucamente, no quarto ou na cozinha... Não sou nenhuma puta, entendeu? Nem sua, nem de ninguém!
Severus o agarrou pelo queixo e o agarre gerou um pouco de dor. A cada nova fala do esposo, o pocionista ficava mais e mais escandalizado.
_Por Merlin, eu nunca o tratei assim, nem nunca o farei. Você não é minha puta, nem de ninguém. Você não é nenhuma puta! Sirius... Perdoe-me se o afasto de certas coisas, mas temo por sua saúde. Não quero levá-lo de um lado a outro da Inglaterra, só porque Theodore resolveu brincar de casinha com duas mulheres, ou porque o meu afilhado teve um ataque de ciúmes. Você é a única pessoa no mundo que me fez sentir tão envolvido, tão necessário... Se eu pudesse, eu o levaria para longe, para um lugar onde apenas eu pudesse explorar toda a sua gentileza e amor... E lá, ah... Eu o faria meu todos os dias, até vê-lo desmaiar em meus braços. Você é o meu esposo, pai do meu filho... Direi novamente e quantas vezes forem necessárias, eu te amo Sirius Black Prince Snape.
_Então demonstre mais. Eu... Eu não sei se aguentarei continuar com você assim, Severus, como se eu fosse apenas um coadjuvante na sua vida tão atribulada.
_Sirius Black coadjuvante? Não, amor... Esse é o meu papel. Eu não tinha nem uma vida antes de você aparecer... Vamos voltar para casa? Há algo importante que eu preciso compartilhar com você – e vê-lo sorrir minimamente o alegrou também.
O impasse fora esclarecido. Sirius Black se sentia abandonado, sozinho, deixado de lado... Oh, por Merlin!
_Prometa-me, Sev... — Oh, Sev... Sirius o chamara de Sev mais uma vez. — Prometa-me que não vai me deixar abandonado novamente...
_E como é que eu poderia fazer isso, Sirius? – E o beijou com tranquilidade, perdendo-se nas sensações prazerosas que tocá-lo provocava. – Na minha vida, você é o protagonista.
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