Submisso

44 Capítulo 44 – Biscoitos para Theodore


Notas iniciais
Olá!!! Eis que retorno! >Olha, é a segunda vez que tento postar esse cap, hoje... Mais vamos lá, muita paciência! >Primeiramente, obrigada a todos que acompanham Submisso há mais de um ano. São muitas idas e vindas, mas a fic vai fluindo e a presença e o apoio de vcs em deixa mais que feliz. *.* >Agradecendo aos comentários, aos leitores novos, aos leitores antigos, aos que comentam, aos que não comentam (por quê??? - tô meio dramática com as festas de fim de ano), aos amigos que fiz nesses meses, aos puxões de orelha e até ao ódio declarado de alguns ao meu trio (KKKK - esse cap, na parte final, é deles. Se não gosta, não leia, mas por favor leia o resto!!! E comente!!! XD) >Aos erros, cuidem-se! >Informações sobre Bristol, verdadeiras ou não, Theo e os Nott = from net, combinadas com a minha mente privilegiada (nossa, que podre, Núbia! KKK) >FELIZ NATAL!!! Será que a Núbia vai ganhar comentários e recomendações de presente? Ou será que só virão mesmo uns avadas devido ao trio? KKKKKK >Sem mais, BISCOITOS PARA THEODORE!!!

Capítulo 44 – Biscoitos para Theodore

“_Não, por favor, não...

_Retire, ou cortarei sua mão, por Merlin que corto.

_Não me resta mais nada, mais nada. Por favor... Deixe-me ficar com ele...

Difindo!

O grito de terror que sacudiu o cômodo foi acompanhado por intensas gargalhadas.

_Tão covarde... Tão traidor... O próximo não será desviado. Acha que sou tolo? Acha que desconheço os pormenores da magia mais antiga e da ancestralidade? RETIRE AGORA!”

_Calma, Lucius... Você está seguro...

“_Ficaremos aqui por um tempo. Até a criança voltar.”

“_Aqui? Não, aqui não... Eu já fiz tudo o que me obrigaram a fazer... Minha filha, o senhor prometeu que não diria nada se eu o ajudasse...”

“_Promessas... Promessas... E a sua? Ainda não fez o mais importante, seu incompetente. O feitiço! Precisamos do feitiço! Crucio!”

O loiro estremeceu... Aquela palavra... Aquele comando... Crucio... Por que aquilo o fazia sentir tamanhão horror? Não, não conseguia... Não podia sustentar a lembrança... Precisava fugir...

_Não... Não... Não...

Frederick o acalmou, enquanto suspirava vencido.

_E é isso, Frederick... Parece que a mente dele não nos dirá muito mais do que já na disse hoje... Como está, Lucius?

O homem respirava fundo, a cabeça pesada e confusa com as parcas lembranças obtidas à duras penas.

_Estou bem... — Respondeu com dificuldade, articulando bem as palavras e lutando contra o medo de emitir qualquer som. – Podemos continuar, sei que...

_Não, não podemos continuar. A função da hipnoterapia é auxiliar e não prejudicar. Está esgotado, Lucius. Por agora, encerramos.

Frederick riu alto da cara de descontente sustentada pelo "protegido da vovó". Ah, era incrível como o loiro podia ser tão infantil e birrento, mesmo já tendo, seguramente, passado dos quarenta.

_Andreas está certíssimo. Depois de tudo, você ainda está se recuperando. – E Frederick encarou o amigo, compreendendo que este desejava lhe falar em particular. – Vou preparar um café. Andreas, ajude-me... E você, Lucius, anote tudo, entendeu?

Os dois deixaram o quarto e logo chegaram à sala. Dona Esther não estava em casa, pois havia sido requisitada no trabalho. A bondosa senhora resmungou bastante, pois “não poderia acompanhar a sessão daquele dia com o seu Lucius”.

Pelo que Fred compreendeu, a cafeteria na qual a avó trabalhava estava em processo de expansão, abrindo uma nova loja no centro de Londres. Para tanto, precisava “desesperadamente” dos quitutes de Esther. “Pelo menos receberei em dobro essa semana!”, foi o que ela disse antes de resmungar mais uma vez e deixá-los.

_O que não podia falar perto do Lucius?

Andreas Amaranto era um bom amigo e o conhecera há alguns anos, logo que iniciou o curso universitário. Ele vinha de família estrangeira e encontrou em Frederick um porto seguro, sem preconceitos tolos.

_A mente de Lucius está um caos, meu amigo. Seria adequado procurar um especialista formado. Eu sou apenas um residente, como você será em breve.

_Mais ninguém conhece mais hipnoterapia do que você, Andy, sabe disso. Não se desmereça. Qual é o problema?

_O problema, Fred, é simples. Não está dando resultado algum... Há algo estranho com Lucius... Calma, não faça essa cara. Deixe-me explicar. Há algo diferente nele. Ele é diferente de você e de mim. Há algo a mais. Não sei o que é, mas é poderoso e me exclui. A hipnoterapia tem ajudado um pouco, deixando-o menos tenso, nada além disso... Não consigo, realmente, ajuda-lo a se voltar para dentro de si mesmo. Há uma barreira que me empurra de volta, não importa qual estratégia eu utilize... Ele tem sonhado, certo? – Sondou, uma ideia ganhando força em sua mente.

_Sonhado? Não, não chamaria de sonho... São pesadelos tenebrosos. Todas as noites ele me acorda... E fica transtornado... Como se nem fosse ele mesmo. Parece estar preso àquelas memórias. Demora a me reconhecer, quando me reconhece... Na maioria das vezes, eu apenas consigo acalmá-lo minimamente e ele volta a dormir. Pedi a ele que anotasse tudo o que pudesse se lembrar... O que está pensando, Andy?

Andreas sorriu e o encarou.

_A dona Esther se oporia se eu dormisse aqui hoje?

_O que quer fazer? Minha avó nos mataria se o prejudicássemos.

_Primeiro, vá até o quarto e desça com as anotações de Lucius. Ah, também não podemos deixá-lo dormir antes de anoitecer. Quero que ele fique bem cansado, entendeu? Vou ficar aqui e a noite, quando ele for atormentado por esses sonhos, só aí tentaremos... Vamos ver se assim será mais fácil que aceite minha indução.

Frederick suspirou. Compreendeu bem a situação e até concordava com o caminho meio torto escolhido por Andy. Pelo que já tinha analisado, Lucius era sacudido em seus pesadelos por fatos passados que não desejava mesmo relembrar... Ele resistia, mesmo que inconscientemente.

_Supõe então que os pesadelos o deixam num estado alterado de consciência?

_Pelo que me disse, sim... Vamos então atuar nesse momento, certo? Ele estará mais vulnerável, suscetível e...

_E talvez seja possível ajudá-lo...

Andreas apenas assentiu.

>>>+++++++++++++++++++++

As gracinhas ao redor da mesa prosseguiram, até serem surpreendidos por Ronald e Hermione. O casal deixara o romance de lado para juntos, carregarem os “dorminhocos” Madeleine e Teddy.

_Oh, por Merlin. Passe-me ele, Hermione. Teddy está muito pesado – e segurou o menino nos braços. – Já está tarde. O coitadinho está exausto.

_Ah, está mesmo. Eles se sentaram conosco e...

_E foi só Hermione começar a falar dos direitos dos elfos... Pronto: Madeleine e Teddy apagaram instantaneamente – completou o ruivo, sorrindo abusado para a namorada.

_Rony! Não teve nenhuma graça.

_Ah, teve sim, Hermi – e Harry riu também.

Severus aproveitou o momento para se levantar e carregar Sirius no processo. O doncel estava muito cansado... Esteve super agitado desde que chegou ao Chalé das Conchas.

_Vamos Remus... Vamos colocar as crianças na cama. Draco, só por precaução, lancei um feitiço sobre o chalé. Qualquer descontrole de magia e eu estarei aqui mais rápido do que você pode dizer Quadribol, fui claro? – E se despediu de todos, indo em direção à pequena sala da casa de Fleur e Bill. Remus fez o mesmo e os deixou em seguida.

A lareira foi usada e em instantes estavam em Prince’s House. Severus reforçou o agarre sobre o esposo, mais por desencargo de consciência, do que realmente por necessidade. Afinal, poderia carregar aquele corpo delicioso por horas a fio, sem nem ao menos se cansar.

_Nossa, Teddy está mesmo pesado...

_Amanhã conversamos melhor sobre Hogwarts, Remus. Temos que pensar também em como ficará a situação de Teddy.

_Sim, sim... Amanhã conversamos. Boa noite, Severus. – E subiu a escada, para logo se perder no quarto que divida com Teddy.

Enquanto subia os degraus, Severus se lembrava do dia que tiveram. E da grata surpresa também, diga-se de passagem. Nunca se imaginou, de fato, casado com toda a pompa que tiveram. Teria facilmente dispensado tudo aquilo, mas assim que viu o rosto de Sirius na borda do imenso tapete vermelho, ah... Ele simplesmente soube: seu doncel desejava aquilo.

Depositou sua carga com cuidado na cama, observando como aquelas vestes ficaram divinas nele. Na verdade, o que não ficava maravilhoso em Sirius? Ainda nos tempos de escola, sabia disso: Black era irresistível. Tudo teria sido muito diferente, caso os pais do seu esposo não fossem uns puristas cretinos.

“Passado, Severus... É só o passado”, entoou para si mesmo, como se fosse um mantra antigo e relaxante. Não poderiam nunca mudar o passado, nem mesmo um pouquinho que fosse para minimizar o horror que viveram, contudo... Agora tinham o presente. E ele não desperdiçaria nada, nem um segundo sequer daqueles momentos preciosos ao lado de Sirius.

Birras, reclamações, lágrimas, palavrões, despencar escada abaixo... Esse era o seu esposo, um Black aparentemente indomável, mas que ele sabia conduzir muito bem, apertando de leve a coleira que o marcava como de sua propriedade.

O cuidado com o parceiro era algo estranho em sua vida, mas que abraçara como se fosse muito, muito natural. É claro que não beiraria a quase histeria de Ginevra porque Theodore se recusara em ser examinado pouco antes do casamento... Na verdade, pelos sintomas que Gina descrevera na carta, tinha uma forte suspeita sobre o “mal” que o afligia... Pelas palavras da ruiva, percebeu que ela não fazia a menor ideia do que estava acontecendo com o seu, agora, marido... Não pôde deixar de esbravejar mentalmente contra os veelas e todas as suas insanidades...

Bem, insanidades a parte, ele também tinha seus momentos de insanidade, em especial com relação à saúde de Sirius. A imagem dele desmaiando no banheiro ainda o deixava apreensivo... O que dizer então do susto que teve, ao presenciar o ataque de riso e choro que o esposo teve ao descobrir que estava grávido?

Sirius era mesmo uma caixinha de surpresas, mas era todo dele. Ah, como amava aquela beldade... Com todo o cuidado, retirou as vestes de luxo e as guardou no armário. Vestes de casamento... “Severus... aquele sim eu só poderia ter dito para você”, foi o que o esposo lhe revelou mais tarde, assim deixaram o altar e começaram a receber os cumprimentos dos amigos. Amigos... É, Severus Snape tinha mesmo amigos... E um parceiro ara a vida toda.

“Sev...”

Sorriu ao ver Sirius se mexer de leve na cama, as mãos delicadas procurando pelo seu calor. Vestiu o pijama de tecido fino e confortável no doncel, fazendo o mesmo consigo para, pouco depois, juntar-se a ele na cama.

“Sev...”

_Já estou aqui... – E o abraçou com necessidade, acariciando o ventre que guardava o bem mais precioso de ambos. – Durma, Sirius... Descanse agora, porque amanhã, meu amor, amanhã terá muito trabalho para me satisfazer.

O doce aroma do esposo inundou suas fossas nasais, acalmando-o de tal forma que em instantes dormia como se não tivesse vivido nenhum dos horrores que experimentou antes. Sirius era a sua cura particular, disso, agora, não tinha mais a menor dúvida.

Apesar de toda a paz e tranquilidade, as horas restauradoras de sono não foram concluídas. Algo despertou o sempre vigilante Severus Snape. Algo não... Alguém... Havia alguém em sua casa.

Levantou com cuidado, os olhos atentos ao esposo que, ignorando seus temores, continuava repousando placidamente. Lançou feitiços de proteção sobre ele e o quarto, antes de sair porta afora, quase morrendo de susto ao ser descoberto.

_Severus!

_Remus, Por Merlin!

Remus vinha pelo mesmo corredor, igualmente trajando o pijama, a varinha em riste. Certamente, fora acordado pelo mesmo sentido de alerta e vigilância que Severus, um presente da guerra.

_As barreiras da casa não podem ter falhado. Eu mesmo as fiz! – Resmungou o narigudo, que dava passos lentos em direção à escada. Fosse quem fosse que invadira a residência de ambos, estava lá embaixo, na sala.

_As barreiras não falharam... Conheço o cheiro – revelou Remus.

Menos preocupado, mas não menos irritado, o dono da casa desceu os degraus, alcançando seu objetivo em segundos. Remus o acompanhou bem de perto. Ninguém incomodaria o pocionista àquela hora da madrugada numa situação normal.

Assim que viu a cabeleira ruiva, suas sinapses funcionaram rapidamente. Já sabia... Já imaginava do que se tratava. Oh, por Merlin!

_Por favor, diga-me que está tudo bem.

>>>+++++++++++++++++++++

_Bristol é a cidade mais populosa do sudoeste inglês... É uma bela cidade, embora os bruxos por aqui sejam poucos. A história de Bristol está intimamente ligada a dos Nott.

Theodore não podia se sentir mais feliz. Tinha apresentado a casa às suas duas esposas, aproveitando para explicar aos elfos o que deveriam fazer. Agora, como uma família, estavam os três sentados bem juntinhos num dos sofás, conversando... Apenas conversando... Ah, como sentira falta disso.

Desde a guerra, não tinha mais ninguém que pudesse chamar de família. Bem, tinha os seus irmãos sonserinos: Pansy, Draco e Blaise, mas não poderia comparar a relação que tinha com eles, com a relação que desfrutava agora. Gina e Gabrielle entraram em sua vida para nunca mais sair, disso tinha certeza. Havia algo muito especial entre eles três, pouco importava os olhares atravessados que recebeu de Arthur Weasley. E, claro, como esquecê-los? Os biscoitos... Os “biscoitos Delacour”, como os batizara. Eles completavam a sua felicidade. Por sinal, tinha um grande pote dele nas mãos...

_Meu ancestral direto foi um dos idealizadores da emancipação de Bristol, em 1155, quando se tornou cidade e, posteriormente, já quando recebeu status de condado, em 1373, os Nott novamente colaboraram de forma essencial.

Gina sorria de leve, enquanto Gabrielle revirava os olhos. Quanto mais entusiasmado Theo ficava, mais ele falava. Desde que haviam chegado à residência ancestral dos Nott, numa pequena comunidade bruxa, bem escondida pela floresta mágica de Bristol, o único representante vivo dos Nott desatara um sem-fim de informações turísticas e históricas acerca da região. E permeava cada uma delas ingerindo uma farta quantidade de biscoitos amanteigados.

_Por mais de meio milênio, Bristol esteve entre as cinco principais cidades inglesas. Contudo, com as mudanças profundas ocorridas no século XVIII, ela foi perdendo relevância econômica no mundo trouxa. Já para nós, os bruxos, continua sendo muito relevante. A cidade foi construída ao redor do rio Avon. Sabiam que temos até um pequeno litoral?

_É mesmo, Theo?

Gabrielle encarou Gina com um olhar: “por favor, não o incentive!”

_É... Podemos visitar se desejarem... Há um grande lago, bem no meio da floresta, com criaturas mágicas aquáticas. Desde que a guerra acabou, os rumores sobre um possível ovo de basilisco ter sido deixado por lá só aumentam. Tirando isso, temos ainda um dos lugares mais aconchegantes da comunidade bruxa de Bristol: o café Madame Lumhier. Fica na orla da floresta e foi construído pela Madame Lumhier, uma bruxa baixinha e gordinha, há muitos anos. E serve a melhor cerveja amanteigada da região!

A empolgação do jovem com Bristol era de espantar. Nenhuma das duas poderia imaginar o quanto o marido realmente apreciava seu local de nascimento.

_Sabem, estamos bem protegidos aqui. A Floresta Mágica de Bristol é imensa e densa floresta... Contamos com uma barreira natural, por assim dizer.

_Como assim, amor? – E com a nova pergunta da ruiva, Gabrielle estava quase arranco os próprios cabelos com a ponta dos dedos.

_A visão aqui é dificultada pela névoa mágica que domina todo o local. A floresta possui diversos animais mágicos, dos mais calmos e tranquilos, aos mais ferozes e cruéis. Temos até alguns testrálios...

_Que fantástico!

_Oui, oui... C’est fantastique...

Os três eram aquecidos pelo fogo da lareira que, no momento, crepitava manhosamente. A decoração era “digna dos Nott”, nas palavras de Theo. Já para Gina, havia coisa demais ali. Muitos sofás e tapetes, muitas espadas e escudos com brasões nas paredes, muitos objetos caros sobre os móveis requintados... Ela era feliz com muito menos que aquilo.

_Quem é aquele? – Perguntou a ruiva, a mão apontada para um dos quadros que acenava para Theo. – Parece muito com você, mas não é você...

A loira quis se afundar no sofá macio no qual se encontrava. “Não o incentive” novamente ficou estampado em sua face.

_Ele é Cantankerus Nott, um ancestral meu que viveu na primeira metade do século XX.

Theodore acenou de volta para o quadro. Gina não era a primeira a destacar a semelhança entre ambos. Na verdade, a semelhança era tão grane que a maioria das pessoas acreditava que o pintor representara Theo em trajes mais antigos.

_Ele era um purista, Gina. Tudo pela glória puro-sangue, certo? – Brincou e sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. Notava-se a quilômetros que o jovem Theo pagara um grande preço pela fama de purista da família Nott. – Ele escreveu o “Diretório Puro-Sangue”, um livro que listou as “Vinte e oito famílias verdadeiramente puro-sangue”, com “o objetivo de ajudar essas famílias a manter a pureza de suas linhas de sangue”, publicado anonimamente na Grã-Bretanha, na década de 1930.

_Cabelos ruivos, essa expressão... Vejo mesmo uma Weasley? – Questionou o “honorável” autor, entre surpreso e levemente decepcionado. – Theodore, os Weasley...

_Não termine a sua frase, Cantankerus! Se o fizer, vai terminar seus dias lacrado e sozinho no sótão, entendeu?

O homem no quadro apenas assentiu de leve, o olhar fixo em Gina.

_Bem, evidentemente, os Weasleys estão em meu livro. Depois de minha morte, prossegui em minhas pesquisas... O atual patriarca Weasley fez um excelente casamento com Molly Prewett, uma digna puro-sangue. A senhorita, minha cara, é uma puro-sangue autêntica.

_Não ligo muito para isso, senhor.

_E não é senhorita, Cantankerus... É senhora. Estamos casados...

_Nós três estamos... – Completou Fleur, sorrindo para a cara de espanto do nobre purista. – Je suis Gabrielle Delacour, une vella.

Cantankerus esbugalhou os olhos e esfregou o rosto com as mãos. Uma veela! Theodore havia se casado com uma veela e com uma Weasley. Oh, por Merlin!

_E agora, amores, podemos ir o para o nosso quarto? – Sugeriu uma exigente veela, já mal se contendo de desejo.

Era mais que uma sugestão... Era uma intimação velada, uma ordem disfarçada de pedido... Não importava a definição. Restava claro: Gabrielle os queria e eles a queriam. Praticamente aos tropeços, chegaram ao quarto cuidadosamente preparado para os três.

Já sem roupa alguma, começaram os beijos molhados, as carícias impudicas, os chupões violentos, os amassos selvagens... Lascívia pura. A veela incitava os dois a ignorar qualquer pudor preconceituoso que porventura tivessem. Assim era Gabrielle, quase uma entidade que transbordava prazer pelos poros. Theodore odiava admitir, mas queria ser consumido por ela, tal como Gina. Ambos amavam a veela e sabiam que eram cuidados e amados por ela.

_Theo... Theo... Je te veux en moi.

Os olhos de Theo brilharam de desejo e adoração. Mais que obediente, ele se projetou sobre Gabrielle, uma versão mais submissa dela, para dizer a verdade. Ah, ele sabia... Ele sabia que a veela o fazia apenas para satisfazê-lo. E como a amava por isso.

Enquanto sentia os toques e beijos de Gina sobre si, Theo fazia o mesmo com a loira. Beijou-lhe os lábios com carinho e necessidade, desceu pelo queixo fino e delicado, chegando logo aos seios fartos e de botões rosados, que lambeu e mordeu até ouvir gemidos de prazer de ambas.

Era incrível a conexão que os imiscuía. Nunca entenderia direito como aquilo funcionava, mas era muito simples, no final das contas, se você apenas se deixasse levar. Bem, ao menos foi o conselho que Gina lhe dera ao contar como ela mesma, foi surpreendida por Gabrielle. Foi uma conversa cheia de detalhes e segredinhos, que ainda estavam muito vivos em sua memória serpentina.

“_Eu não consegui ver direito, estava escuro... E ainda não consigo sentar direito... Ela tem um...”

_Ha, ha, ha... Não, Theo, só quem tem esse ‘dote’ é você, meu amor. Mesmo morrendo de vergonha, conversei com a minha mãe sobre isso. Eu nunca tinha lido nada sobre essa habilidade das veelas antes e o caminho mais fácil foi a minha mãe.

_Com a sua mãe? Ela... Ela namorou alguma veela?

Gina então quase sufocou de tanto dar risada...

_Ah, Theo, chega de piadas, por favor. Mamãe só teve um namorado antes do papai e acho que nem o beijou! Tivemos um caso parecido, na família. O meu tio, um que eu nem cheguei a conhecer... Ele teve um relacionamento com uma veela e... Enfim, mamãe me explicou que as veelas fêmeas são as verdadeiras veelas, as mais poderosas. Elas podem inclusive ser dominantes na cama, se assim desejarem. Gabrielle é fisicamente uma mulher, Theo, mas quando sua magia veela se expande, ela escolhe ser a dominante. E, por assim dizer, a magia veela a envolve e a dota de um...

_Ah, Gina, sem detalhes... – E acariciou o traseiro, fazendo Gina voltar a rir com gosto. – O seu tio era o dominante?

_Pelo o que mamãe contou, não mesmo. Mas ela não deu maiores detalhes – desconversou a ruiva. – Por que, Theodore? Você não gostou? Pensei que tivesse gostado de ontem – e o beijou nos lábios de leve. – Estava gritando e gemendo tão alto que...

_Gina!”

O sonserino desceu mais ainda, indo direto para a orla de pelos pubianos. A língua ávida a provou inteira, detendo-se no clitóris. Os gemidos que ouvia não eram apenas de Gabrielle, pois Gina os ecoava com os seus próprios.

_Theo

_Theo... Mais... Mais, mon amour .

Theodore precisou de muita concentração para prosseguir, principalmente depois de sentir os lábios de Gina em seu membro. No começo, foram só toques suaves, mas logo a ruiva o atacou sem piedade, sugando-o da ponta até a base, gemendo tal como ele.

_Aaaah...

Gabrielle exigia sua atenção. E ele e já estava chegando com aquela boca em seu falo... Tão quente... E então Gina o deixou por um momento, voltando-se para os lábios de Gabrielle, presenteando Theo com a visão de um beijo arrasador, enquanto a loira abria as mais as pernas e o puxava para si.

Entregando-se completamente ao momento, Theo suspeitava que a palavra volúpia deveria estar muito perto de ser redefinida depois daquilo.

_Theo... Maintenant...

Sem demora, atendeu ao pedido da veela, entrando naquele canal apertado, parando um instante ao ouvir as duas gemendo alto, tal como ele. A cada estocada, Gabrielle o apertava mais numa deliciosa chave de pernas, aproveitando para beijar Gina que, de forma descontrolada, sentia cada uma das penetrações como se ela fosse o alvo da virilidade do sonserino.

Enlouquecedor... Totalmente enlouquecedor... Tanto que não conseguia parar. A magia veela ganhou todo o quarto, envolvendo Theo e Gina de tal forma que ambos sabiam que era sim possível desfalecer de tanto prazer.

_Oh, Merlin!

Como Gabrielle conseguiu virá-lo, ficando em cima dele, achou melhor não perguntar. Vê-la engolindo seu membro, enquanto acaricia Gina e a beijava de forma depredadora... Não... Não estava mais conseguindo resistir. Derramou-se dentro dela, o orgasmo sendo compartilhado pelas duas, ao mesmo tempo.

Embolaram-se na cama, entre espasmos de prazer e esgotamento devido à intensidade das carícias.

_Theo, eu também sou ciumenta... – Brincou Gina, agarrando e se colando a ele, ao passo que a magia veela o envolvia, endurecendo-o mais uma vez.

Entendido o recado, logo estava dentro da ruiva, uma dança sinuosa o embalava.

_Theo... Eu também quero você... – E sentiu os dedos de Gabrielle dentro dele, preparando-o, a magia veela esquentando-o ainda mais.

_Gabrielle... Gabrielle... Je te veux en moi aussi – revelou enquanto quase se liquefazia de tanto prazer.

A loira se colou às costas, lambeu e mordeu a sua nuca... Tudo com muita calma, enquanto o penetrava com força para, em instantes, ajustar-se ao ritmo dele e de Gina... Os três... Juntos... É...Era assim que deveria ser...

Como aquilo acabou, Theodore nem se lembrava bem... Acordou algumas poucas horas depois, agarrado à Gina e à Gabrielle. Estava melado de suor e nauseado. Sempre acordava nauseado. Mal conseguiu chegar ao banheiro.

_Oh, grande merda...

Sabia que não deveria ter comido tantos biscoitos, mas se tornara um completo viciado naquela receita. Agora, seu estômago lhe passava o recibo pela sua estupidez. A sua intimidade com o vaso sanitário já era notória.

_Theo... – E sentiu as mãos da ruiva em sua testa, ajudando-o a não se afogar no próprio vômito. – Gabrielle, passe-me aquela toalha.

A sonolenta loira fez o desejado, aproveitando para molhar de leve o tecido fofo da toalha, antes de entregá-la a Gina.

_Eu insisti tanto para que o professor Snape o revisasse, mas você e um teimoso.

Sentado no chão do banheiro, rodeado pelas suas esposos. Ah, quem se importava em estar um pouquinho mal do estômago.

_Vomitar assim não é normal — continuou reclamando Gina, agora com as costas de Theo apoiada em seus braços. – Olha só, você está todo suado, Theo.

Theodore se sentia esgotado, mas só conseguia pensar em uma coisa.

_Hum... Estou com fome... Quero mais biscoitos, Gabrielle.

_Como é que é? Ficou louco? Chega de biscoitos! – Quase berrou Gina, furiosa pelo descaso do marido com a própria saúde. – Você só pode estar com algum problema digestivo.

_Eu não estou doente, Gina – respondeu rapidamente, mas voltar a vomitar não foi muito bom para reforçar seus argumentos.

_Claro que está!

_Ma rousse... Theo não está doente – e Gabrielle se aproximou dos dois, aproveitando para tocar de leve a barriga do marido, acalmando-o com a sua magia ancestral.

_Gabrielle, não dê corda – ralhou, agora realmente furiosa. – Há um hospital bruxo em Bristol, Theo?

O sonserino apenas respirou fundo, voltando a se apoiar na ruiva. Gina nem percebia o quanto era parecida com Molly nesses momentos de tensão. Agia por instinto, talvez, sempre cuidadosa com os demais.

_Não um de grande porte como em Londres, mas temos sim. Um de meus ancestrais ajudou a...

_Depois você conta amis essa epopeia dos Nott, Theo. Agora temos que te levar ao hospital.

_Gina, sem hospitais...

_Theo, hospital agora!

_Gina, Theo não está doente...

A ruiva faiscou os olhos na direção de Gabrielle. Por que ela não ajudava a levantar o marido do chão do banheiro e a aparatar com ele no hospital mais próximo?

_Este, sem dúvida, não é o local mais adequado para...

Gina então, usando de toda a sua força física, conseguiu erguer Theodore. Ah, aquele olhar... Os dois sabiam que não era nada bom contrariá-la quando estava assim, no modo Molly II.

_Certamente, esse não é o local adequado para estarmos agora. Deveríamos estar no hospital de Bristol.

_Eu já me sinto melhor...

_Theo, você quase colocou a sua alma para fora nesse vaso, não faz nem dois segundos!

_Theo está grávido...

As palavras da loira saíram devagar, baixinhas e temerosas.

_O que você disse? – Perguntou a ruiva, as mãos apertando Theo.

_É nosso bebê, de nós três... Magicamente é nosso e...

_Grávido... Grávido... – Theo repetia, o rosto congelado de surpresa.

Só então as duas perceberam a reação quase catatônica do sonserino. Por mais que o chamassem, nenhuma outra palavra saía dos lábios dele. Gina o conduziu para fora do banheiro e, junto com Gabrielle, o acomodou na cama. E demorou uns vinte minutos até Theodoro focar os olhos novamente nas duas.

_Theo, Theo... O que foi? O que está sentindo?

As perguntas de Gina ficaram sem resposta, pois ele só conseguia ver a loira. Ah, e ela pôde sentir de longe muitas frases inteiras seguiriam aquelas primeiras palavras.

_Como você pôde, Gabrielle? Como você pôde? “Theo está grávido!”... COMO ASSIM THEO ESTÁ GRÁVIDO?”

_Calma, Theo... Você está hiperventilando. – Pedia a ruiva, sem sucesso algum.

_EU NÃO QUERO ME ACALMAR!

Gabrielle respirou fundo. Sabia que aquele tipo de reação poderia acontecer. Havia se preparado para ela também, mas isso não significava que doesse menos.

“SERÁ QUE EU NÃO TINHA O DIREITO DE OPINAR?”

“ISSO É UM ABSURDO”

“DEVE TER SE DIVERTIDO COM ISSO, CERTO?”

“VOCÊ NÃO ME RESPEITA?”

Com Gina às lágrimas e com Theo tremendo de raiva e mal conseguindo respirar, a veela fez aquilo que já nascera sabendo fazer: extravasou sua magia poderosa, envolvendo o marido e calando-o.

_Quando estiver mais calmo, conversaremos – e, literalmente, o apagou. – Le professeur, Gina... Traga-o aqui, agora.

_Gabrielle...

_Shiii, shiii... Eu sei o que está sentido. Dói em mim também. Não chore mais, por favor. Faça o que pedi... Eu ficarei aqui. Volte logo. Farei muitos biscoitos para Theo depois disso...

Foi entre soluços que a ruiva, nem mesmo se importando por usar apenas uma camisola bem fininha e nada conservadora, se dirigiu à lareira. Fez uma breve parada em Malfoy Manor, pois a lareira de Theo estava conectada com a casa de Draco e, de lá, chegou à Prince’s House.

Mal teve tempo de pensar em como o acordaria, ouviu sons de passos e vozes murmurando no andar de cima. Instantes depois, seus olhos encontraram os do professor.

_Por favor, diga-me que está tudo bem...

_Não, não está nada bem. É o Theo... Ele... Ele... – E levou as mãos ao coração, tremendo de dor.

Remus desceu a escada junto com Severus. Percebendo a situação, retirou o próprio hobby e envolveu Gina nele. A jovem tremia, talvez ajudasse. Mais ela apenas chorou mais ante a delicadeza.

_Gina, o que foi? O que está fazendo aqui?

_Theo descobriu ou a veela contou? – Mandou Snape, fazendo Gina arregalar os olhos em estupefação.

_O senhor sabia?

_Ginevra... Fui obrigado a me aprofundar em tudo o que é relacionado aos veelas. É só Theo, ou você também...

_Não, é só Theo – respondeu prontamente, enxugando o rosto com as costas das mãos.

_Um bebê, fruto de três magias. Único... E deveras complexo. Imagino que Theodore não aceitou muito bem, certo?

_Theo está grávido? – E as palavras de Remus ecoaram pela sala de Prince’s House, enquanto Snape sorria sonserinamente.

Notas finais
Teddy acorda ao ouvir a porta batendo. Curioso, vai atrás do seu papai. Vê o tio vampiro, e dá uma careta para ele, a mãozinha escorrega para dentro do bolso do pijama, encontrando um dente de alho. _Você não me pega, morcegão. Nem ao meu papai. Temendo pelo seu papai, vai atrás dos dois, quando estes descem a escada. "Por favor, diga-me está tudo bem..." "Não, não está nada bem. É o Theo... Ele... Ele..." "Gina, o que foi? O que está fazendo aqui?" Ah, era o seu papai! Apurou os ouvidos com mais fervor. "Theo descobriu ou a veela contou?" "O senhor sabia?" "Ginevra... Fui obrigado a me aprofundar em tudo o que é relacionado aos veelas. É só Theo, ou você também..." "Não, é só Theo" "Um bebê, fruto de três magias. Único... E deveras complexo. Imagino que Theodore não aceitou muito bem, certo?" Um bebê! Oh, mais um bebê! "Theo está grávido?" _Ah, papai! Não vou mesmo esperar até os tintra! Quer dizer... TRINTRA! É, isso... Trintra. ++++++++++++++++++++++ Pediram a tradução, então lá vai. Je suis Gabrielle Delacour, une vella = Eu sou Gabrielle Delacour, uma veela. Je te veux en moi = eu te quero dentro de mim. Mon amour = meu amor Maintenant = Agora Je te veux en moi aussi = Eu te quero dentro de mim também Ma rousse = Minha ruiva