Submisso
40 Capítulo 40 - Impasses
Notas iniciais
Tirando as alterações na Nyah que eu NÃO CURTI, aguardo os comentários, as críticas, as dicas, a parceria, a leitura e a força de todos os que acompanham essa fic que, pelo tamanho, acho que já virou até novela! KKKK
Trago mais um cap, seguindo meu planejamento inicial (há séculos alterado, mas ele ainda existe!!)
Aos erros, cuidem-se!!!
Capa nova (se eu conseguir publicar!)... O que acharam? BJKS e boa leitura...
Sem mais, IMPASSES!
Capítulo 40 – Impasses
Lucius... Esse nome, o seu nome... Era tão distinto do nome que imaginou para si. O "Lucius" lhe trazia uma imagem emproada, esnobe e altiva que, decididamente não combinava em nada com o seu atual estado de espírito. Afinal, como encaixar o que o Lucius lhe trazia a mente, com a casa simples na qual fora tão afetuosamente acolhido? Ou então com as refeições sem pompa, das quais compartilhava? Realmente... Era impossível.
Pior ainda era tentar colocar num mesmo patamar, por assim dizer, o que aquele simples nome lhe trazia de sentimentos, com todo o sacrifício que via a sua nova mãe, bondosa sem limite algum, fazer... Ela se desdobrava em múltiplas mulheres fortes e inquebrantáveis, fosse para cuidar do neto genuíno, fosse para pagar a universidade dele com uma extrema ginástica orçamentária.
Lucius poderia não ter muita certeza de quem era, mas sabia bastante bem lidar com dinheiro. Soube por Frederick, o garoto adorava falar sobre como era a vida que levavam e contava a Lucius, simplesmente, cada pequeno detalhe da rotina tranquila da família, agora acrescida de mais um membro.
Fred estudava... Era bolsista integral da universidade, mas sua avó ainda precisava colaborar com materiais e o sustento de ambos. A pensão que recebia do marido falecido era apenas “suficiente” para que pudessem se sustentar, portanto, Esther trabalhava em meio período numa cafeteria da cidade. Ela era uma excelente cozinheira e costumava ir bem cedo para o trabalho, preparando os quitutes que seriam vendidos durante o dia, voltando logo para casa, pois agora tinha “mais um filho para cuidar”, como costumava dizer.
O garoto desejava a todo custo ajudar em casa e trabalhar, mas Esther sempre contornava a situação, explicando que o momento de trabalhar chegaria depois que estivesse formado e pudesse seguir seu brilhante caminho na vida. Ah, Esther era maravilhosa... E em meio a tudo, ainda se desdobrava para cuidar dele mesmo, um homem maduro e desmemoriado, que se encontrava imprestável até para conseguir dormir sozinho... É, ela merecia toda a sua consideração.
Imediatamente após se lembrar do próprio nome, Lucius desenvolveu uma sequência de fobias tolas. Por exemplo, não era capaz de resistir a uma noite inteira de "solidão"... Acordava aos gritos e suando frio, com o coração acelerado, a ponto de arrebentar o peito e correr para longe, apavorado. A instabilidade emocional era tamanha, que os pesadelos o consumiam.
Até mesmo se alimentar se tornara uma longa e humilhante saga, na qual, a bondosa Esther, a versão viva da paciência, o acalmava... “Imagina se eu permitiria que alguém envenenasse a sua comida", "Ah, diga logo, meu querido, não sou uma boa cozinheira, não é?"... Dentre a infinidade de artimanhas usadas para que, na sua momentânea falta de bom-senso, uma mínima sanidade o agraciasse e percebesse o óbvio: não o envenenariam, estavam ali para lhe ajudar e proteger. “Precisa desesperadamente restabelecer sua saúde, Lucius. Para tanto, deixar de se alimentar não é uma opção.”
Falar ainda lhe era muito penoso, mas não mais apenas devido à dor que sentia. Agora o problema era outro, bem mais complicado... Estranhamente, conforme se recordava de quem era, um medo irracional o dominava quando realizava ações simples, tal como falar ou andar. O que teria marcado a sua alma tão profundamente, a ponto de temer até falar?
Frederick foi bem claro, mencionando que a condição na qual o encontrou não deixava dúvida alguma: ele vinha sendo mantido cativo em algum lugar e conseguira, miraculosamente, escapar. Estava extremamente debilitado e foi mesmo muita sorte não ter morrido no próprio metrô. Havia indício mais que suficiente para sustentar essa hipótese. “Seus pulsos e tornozelos ainda estão arroxeados e feridos, vê? Deve ter sofrido uma série de fraturas, pois há uma infinidade de cicatrizes... Marcas de tortura recentes também são visíveis na sua pele... Desnutrição... Anemia... Teria te levado diretamente ao hospital, mas vovó implorou que não o fizesse. E eu já tenho certa experiência no quesito ‘dona Esther e suas intuições’, pode ter certeza”.
Enfim, o seu corpo reagia de forma anormal, quando se expressava verbalmente. Era como se seus membros aguardassem uma punição severa, a cada vez que falava sem permissão. Doentio, sabia disso, mas não conseguia evitar.
Esther e Frederick perceberam sua repentina mudez e o forçavam a manter uma mínima comunicação. Ah, também sentia a mesma sensação de pavor quando precisava sair do quarto ou, até mesmo, ir ao banheiro... Inúmeras vezes Fred o incentivava a sair da cama e o obrigava a se movimentar.
Ao longo dos dias, uma série de pequenas lembranças pipocava em sua mente... A mais recente delas foi a visão de uma belíssima mulher, loira e de pele alva. Ela trazia nos braços um pedacinho de gente, um lindo bebê, cujos cabelos eram de um loiro claríssimo, tal como os seus. A mulher lhe sorria com evidente amor e carinho, enquanto o bebê lhe mirava feliz, os olhos cinzentos o encarando sem nenhum medo.
Assim que os viu soube quem eram: Narcisa e Draco... Esses eram os nomes daquelas duas beldades... Eles eram a sua família? É, eram sim... Simplesmente sabia disso. Ele tinha uma esposa e um filho... Mas onde estariam? Estariam bem? E se o que sofreu também estivesse sendo impingido a eles? Dividiu seus medos com sua nova família e recebeu deles todo o apoio que necessitava... Mas os temores e as dúvidas o açoitavam com força, acabando com o seu ânimo.
“Tenha calma, Lucius. Precisa ter muita calma. Dê a sua mente cansada o tempo necessário para que se recupere e se lembre de tudo”, dizia Fred, mas nada parecia ser suficientemente eficaz para deixá-lo menos infeliz. Apesar de tudo, sabia que não podia se entregar. E ver Esther adentrando o quarto simples e aconchegante, com um amplo sorriso no rosto, lhe dava força para lutar contra seus próprios demônios.
_Eu trouxe roupas limpas, meu querido. Vejo que já tomou banho... Bom, muito bom... — E fez um longo carinho nos cabelos curtos e loiros, molhados ainda, e que exalavam um delicioso cheirinho de shampoo de camomila. — Está crescendo... Que bom. Sabe, mal posso esperar para ver o seu cabelo bem grande.
Lucius, sentado na cama, deleitou-se no carinho recebido. O corpo estava perolado de gotículas de água, denunciando o recente banho. Vestia um roupão surrado, mas bastante confortável.
_Tome, vá se vestir. Não podemos permitir uma gripe.
A voz da ressoou pelo cômodo, cheia de autoridade e preocupação. Uma muda limpa de roupas foi deixada sobre a cama e as demais foram guardadas numa pequena cômoda, próxima à mesinha de cabeceira. E em todos aqueles longos minutos, o loiro nem sequer se moveu, perdido em pensamentos. Evidentemente, a falta de reação do “seu filho” a preocupou ainda mais. Terminando rapidamente a tarefa de guardar as roupas recentemente passadas, sentou-se ao lado dele e o encarou com sabedoria.
_Lucius?
O ex-esnobe percebeu um delicado toque em seu rosto. Era a sua mãe, conduzindo o seu queixo para que a mirasse diretamente nos olhos.
_Lucius... O que foi? Sente-se mal?
O loiro apenas balançou a cabeça em negação.
_Então... Lembrou-se de mais alguma coisa sobre a sua família?
Os olhos tempestuosos demonstravam grande frustração.
_Filho, precisa conversar comigo... Vamos, fale. Ninguém vai te machucar...
_Não... Mais nada... — E como era difícil falar. – Nada mais além de Draco e... Cissa...
_Oh, não fique triste, meu amor... Tenho certeza de que vai se lembrar de tudo e os encontrará.
Esther sorriu e o beijou na testa. Ah, ele adorava aquela mulher. O amor dela o esquentava por dentro, derretendo o gelo de seu coração. A força dela o fortalecia também, dando-lhe segurança para seguir pelo caminho da recuperação. Um caminho tortuoso, pois não havia nenhuma indicação de qual seria o final da jornada, do que encontraria ao chegar à última das curvas... Como saber? E se ele fosse um lixo de ser humano, um psicopata... Um assassino?
Não... Não era possível, era? Apesar de não ter a menor ideia de quem era de verdade, algo em seu íntimo lhe afirmava que, ainda que não parecesse, ele era sim uma boa pessoa e que tudo o que fez, fosse o que fosse, foi para proteger sua família...
_Eu sou... Sou uma boa pessoa...
Esther manteve os olhos nele, bem atenta, quase que de forma professoral, analisando a sua fala e cada movimento nervoso que suas mãos, incontroláveis, faziam. Percebendo o quanto sua mente se descolara daquele pequeno cômodo, a bondosa senhora sentou no colchão bem junto dele e o abraçou. Agarrou-se à sua nova mãe, buscando nela um pouco de luz.
_Sou bom, não sou? – E suas dúvidas o massacraram de vez, os soluços convulsionado o seu frágil corpo.
_Claro que é bom... Claro que é uma boa pessoa, meu amor. Eu nunca me enganaria com ninguém, Lucius... Fique tranquilo, por favor – e o acariciou demoradamente, perdendo-se no tempo e deixando que o seu novo filho se acalmasse.
Não percebeu o passar dos minutos, que logo se tornaram horas... Tinha-o ali, junto de si uma vez mais. Sabia que não era o seu falecido filho. Contudo, a semelhança entre ambos ultrapassava a questão física. O seu falecido, Frederick... Ah, ele também teve uma larga quota de sofrimento emocional antes de partir. Ao longo da vida, Esther teve muitas perdas, os pais, alguns amigos, o marido... Mas nada superou em dor a perda do seu filho, seu único filho.
Frederick II, seu neto, era a única luz em sua vida marcada pela perda. Fez, fazia e faria tudo por ele... Perdera a nora e, pouco depois, devido a um ato de desespero, o filho, ficando ela mesma encarregada de cuidar do pequeno neto, que não tinha nem um ano de idade na época. Não se lembrou de ter pensado, uma única vez sequer, em se entregar. Fred dependia dela e ela dependia dele.
Agora o destino lhe presenteara com uma oportunidade de ajudar alguém tão parecido com o seu filho... Ah, faria o que pudesse para proteger aquele homem que, notava-se à quilômetros, fora vítima de coisas terríveis. Se por culpa própria ou não, ela não tinha como saber... E, na verdade, não importava muito.
Havia algo no qual ela sempre fora exímia: avaliar a alma humana. Essa sua capacidade a livrara de umas boas enrascadas. Nunca falhava... Frederick chamava de "intuição", ela chamava de "percepção".
No final das contas, o nome em si, dessa sua habilidade, pouco lhe dizia. Lucius era sim uma pessoa boa, não importava o passado... Um homem com aquela carga emocional, fatalmente cometera alguns muitos pecados, mas havia algo bom nele e era nisso que se apoiava.
_Vovó... Está tudo bem?
_Shiii... Venha cá, Fred. Ajude-me a vesti-lo... Oh, Fred, ele está tão confuso e triste...
_A mente humana é complexa, dona Esther – e sorriu. – Por mais que a senhora seja uma boa leitora dos corações, nossa mente prega peças até em nossos sentimentos – concluiu o seu único neto, uma expressão bastante acadêmica no rosto.
_Acredito que precisaremos mesmo de ajuda especializada. Aquele seu amigo, o da sua turma... Ele é mesmo confiável?
_Claro que sim, vovó – respondeu o jovem de forma firme, já vestindo Lucius e o ajeitando na cama. – Ele anda muito depressivo, não é?
_Sim... Não podemos perder ele também...
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Pansy sorvia delicadamente um chá saboroso, servido por Lupin, enquanto ambos desfrutavam das carinhas fofas que Teddy fazia ao brincar com um jogo de montar. Os olhos dourados quase pularam das órbitas, ao saber o conteúdo da trama arquitetada pelos amigos de Draco e Harry. Contudo, depois de um tempinho para respirar, concordou em ajudar e até em ceder o seu filho para participar da grande comemoração.
_Amanhã então, certo?
_Sim, exatamente, senhor Lupin.
_Remus, Pansy, chame-me de Remus apenas. Terei um certo trabalho para esconder de Severus, mas ele estará lá e Sirius também. Basta seguir a sua sugestão...
_Omitiremos... E mentiremos, de forma descarada mesmo, caso seja necessário. É por uma boa causa, Remus.
Remus sorriu em concordância. Notando que o chá havia terminado, pensou em preparar mais um pouco, mas antes mesmo que pudesse se mexer no sofá, a lareira em frente a ambos acendeu, uma Hermione Granger bastante sorridente irrompendo das chamas.
_Boa tarde.
_TIA HERMI!!! – Berrou Teddy, correndo até a jovem e se jogando nos braços dela, o que fez Pansy sorrir em aprovação.
_Boa tarde, Hermione – respondeu Remus. – Calma, Teddy. Não derrube Hermione, por Merlin!
Hermione agarrou o garotinho e o levantou bem alto, beijando-o e abraçando. Estava com saudade dele, percebeu assim que conseguiu manter-se de pé e evitar se esborrachar no chão limpo e lustroso da casa do professor Snape.
_Nossa, Teddy. Como você cresceu! – E o garotinho se esticou, todo emproado, quando foi devolvido ao chão.
_É mesmo, tia? Eu já estou bem grande, de verdade?
_Ah, sim... Muito grande mesmo – e se aproximou dos adultos, não entendendo muito bem o porquê de o filho de Remus dar saltinhos no ar e bradar:
_Que bom! Que bom! Logo eu faço tintra, papai!
Remus gargalhou. Ai, ai... Seu filho não tinha jeito mesmo.
_Trinta,Teddy... É, logo, logo... Agora continue a montar seu jogo. Vou preparar mais chá. Servida, Hermione?
A castanha se sentou ao lado de Pansy e agradeceu, anotando mentalmente que perguntaria a Remus o porquê de o afilhado de Harry desejar tanto cumprir 30 anos, quando mal havia saído dos três. Pouco tempo depois, uma nova rodada de chá foi servida e o assunto que a levou Prince’s House foi, finalmente, revelado.
_Acabo de vir da casa dos Weasley. Estava conversando com Molly, quando Gina entrou em contato com ela. Por pura sorte, soube que você estaria aqui, Pansy. Eu planejava esperar o senhor Weasley chegar à Toca, pois ele e Draco já vinham tocando no assunto... E então lembrei que Draco está engajado em controlar a magia veela e não seria adequado incomodá-lo. Então, pensei em você, Pansy. Sem você, o que pretendo fazer seria impossível... Talvez o professor Snape pudesse me ajudar, mas ele está com um humor antigrifinório terrível hoje... Portanto, você é fundamental!
_ Como assim, Hermione? Do que está falando?
_Preciso de alguém que possa movimentar as contas de Draco, no Gringotes – e terminou o seu chá, uma expressão tranquila no rosto.
Pansy e Remus a encararam extremamente curiosos.
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Harry leu a carta de Draco e a vontade de encontrá-lo só aumentou. Odiou Snape por ter colocado tantas restrições à presença do marido, irritou-se muito com Sirius por ter concordado com Snape e quis puxar Hermione pelos cabelos, por ter-lhe enchido de esperanças e, até agora, não ter retornado.
Não teve ânimo algum para sair da cama. Sentia-se enjoado e furioso, na mesma medida. Enjoado com as poções que, mesmo tendo diminuído em quantidade, deixaram um gosto horroroso de ferrugem, bem na sua boca, e furioso com o mundo, por ser constantemente tratado como alguém incapaz de cuidar de si mesmo de maneira adequada.
Ele não era ingrato, não mesmo. Sabia perfeitamente o quanto fora agraciado por ter pessoas que o amavam e cuidavam da sua saúde. Mas será que nenhum desses “cuidadores obcecados” conseguia compreender o quanto estava frustrado? Ele sempre foi uma pessoa ativa, decidida e com muita autonomia... E agora, estava ali, vigiado pelos olhos atentos de Snape, potencializados pelos instintos caninos de Sirius.
O professor parecia ter, enfim, lhe dado um descanso com as poções sucessivas. Segundo o próprio, foi necessário mudar um dos componentes e assim, ao que tudo indicava desde que o dia começou, estavam chegando perto de uma definição... O que isso queria dizer? Bem, Harry não fazia a menor ideia, mas esperava que significasse que não teria que ingerir tantas poções por uns bons vinte anos.
Sirius ficou com ele durante bastante tempo, impedindo-o de pular as refeições e obrigando-o a beber as poções que Snape trazia, mesmo que de modo as espaçado. Realmente, precisava ser franco, Severus estava com o botão “odeio os membros do trio dourado” ligado hoje. Além disso, também precisava reconhecer que, a despeito do gosto de ferrugem na boca, sentia-se melhor... E o número de medicamentos diminuíra drasticamente, desde que acordou, naquele mesmo dia.
_Mais poções? – Perguntou pesaroso ao ver o professor adentrar o quarto, Sirius nos seus calcanhares.
_Por enquanto, não. Venho apenas pelo exame de rotina, não precisa reclamar, senhor Potter.
O equipamento trouxa alterado por Snape foi usado e a expressão serena do pocionista indicava que, pelo menos, nada de pior tinha acontecido, ainda que a má vontade contra o "trio" permanecesse.
_A pressão voltou a subir?
_Não.
_Hermione deu alguma notícia, professor?
_Não.
_Draco mandou mais alguma carta?
_Não.
Harry foi liberado do aparelho, sendo o alvo dos olhos atentos de Snape.
_Sente-se mal, senhor Potter?
_Não.
_O enjoo passou?
_Não.
_Sente alguma dor?
_Não.
Sirius estava começando a se irritar com os “nãos” secos disparados de um lado para o outro. O que era aquilo? Por Circe! Harry e Severus estavam merecendo umas belas palmadas. Não, não, não, não... Ah, por favor!
_Será que podem parar de agir como duas crianças e conversar como duas pessoas adultas e civilizadas? Mudem esse humor, já!
Severus se virou e encarou Sirius. Ah, o esnobe almofadinhas ficava ainda mais irresistível quando zangado. Não resistindo àquela provocação, o puxou para si e lhe brindou com um beijo lascivo, pouco se importando com a plateia.
Já Sirius tentou resistir, chegando a lutar para evitar o beijo, mas nada pôde aplacar o desejo repentino que acendeu o pocionista. O animago foi apertado, manuseado, mordido, lambido e quase sufocado, tudinho bem ali, na frente de um Harry Potter estupefato com a cena bastante pornográfica que se desenvolvia, sem restrições, bem diante de seus olhos verdes esbugalhados.
_SEVERUS! – Gritou o doncel quando conseguiu, finalmente, afastá-lo, o rosto quente e vermelho de vergonha por ter deixado sair alguns gemidinhos de puro prazer, bem diante do seu afilhado.
_O que foi? Apenas segui a sua ordem, meu esposo... “Mudem esse humor, já!”, foi o que você disse...
_Mudar essa carranca irritada é bem de diferente de quase me sufocar coma sua língua, seu idiota!
_Ah, padrinho... Você estava respirando muito bem, até ouvi uns ge...
_HARRY POTTER!!! NÃO TERMINE ESSA FRASE!!! – E saiu do quarto mais rápido que um velocista, a porta batendo violentamente atrás de si.
Severus sorria entretido, acompanhando por Harry. Parece que “se divertir ao deixar Sirius sem graça” era algo que os dois compartilhavam. Alguns minutos se passaram, entre risos, até Harry voltar às perguntas sérias.
_Professor, os bebês estão bem?
_Sim, estão. Estou sendo bastante restritivo com relação à proximidade com Draco, principalmente, devido a eles. Espero que possa compreender a minha preocupação...
_Claro que compreendo... E agradeço. É que é muito difícil para mim... Ficar longe dele...
Severus suspirou cansado. Harry Potter era tão fácil de ler... Para ele, o jovem doncel era transparente. Aliás, os grifinórios eram puros de coração, o que tornava o trabalho de Snape muito simples, quando se dispunha a descobrir o que se passava nas mentes alheias a sua.
_Sei que é – e se sentiu na cama, aproximando dele. – Não sou um monstro insensível. Mas preciso que compreenda Harry: sua gravidez é de risco. Não falo para chocá-lo ou deixá-lo apavorado. Falo para preveni-lo. A sua mãe teve os mesmos problemas e você nasceu forte e saudável. Siga as recomendações e seus filhos nascerão igualmente fortes e saudáveis.
_Claro, professor. Obrigado... Obrigado pelos seus cuidados. Não sei o que faria sem o senhor... – E Severus, simplesmente, sabia que o agradecimento era sincero.
_Creio que, caso Granger possa mesmo viabilizar um meio de levá-lo até Draco, não haja mais problemas. O novo componente da poção é extremamente eficaz... – E o sorriso ansioso no rosto de Harry fez Snape sorrir também.
_Sério mesmo?
_Sim, embora eu não veja motivos para tanto desespero. Draco não usará o flu, nem aparatará aqui, pois também está se recuperando de um uso excessivo de magia, como ele mesmo deve ter explicado na carta, contando os detalhes do feitiço que usou – ao que Harry assentiu. – Contudo, ele estará de volta em mais alguns dias e...
A porta do quarto foi aberta e por ela passaram Pansy Parkinson, Hermione Granger, Arthur Weasley e Sirius Black, o rosto do animago ainda apresentava severos tons de vermelho-vergonha-pública.
_Olá Severus... Como está se sentindo Harry? Hermione contou que estavam lidando com um sério descontrole de pressão...
_Estou bem melhor, senhor Weasley, graças ao professor Snape – Já o professor apenas acenou, levantando da cama para permitir a aproximação de Arthur.
_Fico feliz, Harry, muito feliz. E então, Severus? Ele está mesmo bem?
_Sim, Arthur. Precisei alterar a composição da poção para controlar a pressão, mas agora Harry está, de fato, bem. Mas não bem para aparatar ou usar o flu, que fique claro...
Mal concluiu a sua recomendação, uma coruja adentrou o quarto, despejando sua carga para o renomado professor de poções. O remetente foi logo identificado, mas não lhe deixou menos curioso. Por que Ginevra Weasley lhe mandara uma coruja? Ao levantar os olhos para os demais ocupantes do quarto, encontrou uma Pansy sorridente e uma Hermione igualmente cheia de dentes. Até o senhor Weasley refletia o mesmo sorriso, parecendo exultante. A excitação dos três era muito estranha... Afinal, o que Hermione tinha aprontado?
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_Mamãe disse que podemos pedir a Madame Pomfrey que o revise. Ela é enfermeira em Hogwarts, ou então, podemos pedir ao professor Snape.
_Gina, amor... Não é necessário. Theodore não está doente.
Ginevra levava mais de uma hora conversando com Gabrielle sobre Theodore. Assim que aloira entrou no quarto que compartiam, a conversa entre ambas ganhou tons mais sérios, em especial porque, para a ruiva, o parceiro precisava sim realizar alguns exames.
_Não mesmo? Pois, para mim, ele parece estar. Olhe para ele, Gabrielle! Já está quase anoitecendo e Theo ainda não acordou. Vocês veelas “treinaram”, ou seja lá o nome do que estão fazendo, Pansy foi conversar com Lupin, Draco teve outro ataque de ciúme quando Blaise chegou e o provocou, Fleur preparou mais umas duas fornadas de biscoitos amanteigados... E Theo? Ora, ele continua aqui... Dormindo... Isso não é normal!
A loira deu alguns passos na direção da ruiva que, irritada, gesticulava de forma bastante expansiva. E então a beijou e abraçou, acalmando-a minimamente.
_Hum...
_Ma rousse...
_Espera, Gabi, é sério... Estou preocupada.
_Ficará menos preocupada depois que algum deles venha até aqui e avalie Theo? – E ao que Gina assentiu feliz, completou. – Então, peça a um deles que venha. Mande a coruja e acorde Theo, meu amor... Podemos tomar um banho juntos antes do jantar, o que acha?
_Acho ótimo — e riu maliciosa.
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A Londres trouxa era o refúgio perfeito, sabia disso. Os aurores não tinham competência suficiente para perceber o quanto era fácil de esconder ali, bem debaixo de seus narizes tolos. Bem, exceto aquele cretino que quase fizera tudo desandar... Precisariam dar um jeito nele...
_Temos o feitio, mas ainda não sabemos se funciona. O mestre não ficou nada satisfeito por termos perdido nossa cobaia.
_Não ficou mesmo – Disse, carregada de ódio. – Podemos usar a Skeeter? – Perguntou a mulher, cuja questão irritou um dos ocupantes do confortável apartamento.
_Não podem fazer isso! Não com ela! Não foi o que combinamos e...
_Cale a boca! – Berrou o homem, um soco violento sendo dado sobre uma frágil mesinha de centro.
_Ei, não quebre a minha mobília. Algum sucesso em encontrar o cretino traidor?
_Ela não... – Murmurou baixinho, apavorado com tudo o que continuava a ouvir.
Notas finais
_Gabrielle! Moramos num chalé! - Relembrou Fleur num tom urgente, a mão batendo na porta trancada. - Temos muitos convidados e eles precisam usar o banheiro também!!!
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