Submisso

33 Capítulo 33 - Possessividade Veela


Notas iniciais
>Olá!!! Eis que Núbia Chaud retorna das cinzas, mais uma vez, para deixar um cap (o 33, UAU!!!) com pedido de desculpas duplo!
>O primeiro pedido se deve à demora na postagem desse capítulo. O segundo pedido é, já me antecipando, pela demora do próximo...
>Estou entrando numa nova fase de provas! Triste essa vida, mas se eu conseguir escrever posto no logo, caso não... Vai demorar um pouquinho.
>Enfim, chega de falar dos meus problemas, vou deixar que leiam os problemas do nosso grifinório preferido.
>Ah, esse cap tem de tudo. Como prometido, dedicado ao casal principal desse romance meio safadinho (sei que vcs adoram essa parte), com direito a pegação intensa e tudo! (UHU!!!) E há uma surpresa no final. Não me matem!
>Erros, perdoem... Putz, são quase 4 da manhã! Olha o que eu não faço por vocês! (quero só ver se vou ser agraciada, como sempre, com excelentes dicas...XD)
Sem mais, POSSESSIVIDADE VEELA!

Capítulo 33 – Possessividade Veela



Ainda com o rosto corado, chegou à casa de Sirius, encontrando lá um Draco Malfoy bastante irritado. Como sabia? Ah, bastava encarar o loiro para saber. Já seus bebês demonstraram, mais uma vez, que se rebelariam sempre e sempre contra as idas e vindas da mamãe.



_Onde vocês dois estavam? – Perguntou o loiro, agarrando o esposo pelo braço e levando-o para o sofá.

_Respire como fez antes, Harry.

_Estou tentando, professor – e se sentou no sofá com Draco bem a seu lado, a pergunta permanecendo sem resposta.

_Vou fazer um chá de gengibre para você. Está sozinho aqui em casa, afilhado?

_Não, Sirius está na cozinha. Passou o tempo todo falando sobre como você o deixou com Lupin. Já Lupin nos deixou pouco depois que eu cheguei. Disse algo sobre levar Teddy para algum lugar... E então, Harry, onde vocês estavam?


Harry não pensou em outra maneira de ganhar tempo além de, miseravelmente, improvisar com uma mentirinha. Bem, não era exatamente uma MENTIRA, afinal, ele estava enjoado de verdade.


_Harry, respire amor. – Pediu Draco, visivelmente preocupado com ele. Ah, Harry Potter... Que vergonha!

_Certo, respirar... Respirar... Fale isso para o seus filhos...

_Ou filhas...

Enquanto sua mente buscava uma solução para não contar o que realmente fez nas suas andanças com Snape, dedicou-se a respirar da mesma forma que Fleur lhe havia ensinado. E teria ficado nisso por horas inteiras, caso uma xícara com chá fumegante não tivesse sido enviada da cozinha.

Já com a xícara em mãos, Harry ganhou mais tempo para engendrar uma saída. Verde e cinza apenas se estudaram, ao passo que as mãos do loiro o acariciavam nas costas, de leve, um carinho gostoso e muito bem recebido.

_Beba com calma – recomendou o veela, ao que o doncel fez questão de obedecer.

Draco chegou a tentar retomar o assunto, contudo sons abafados vindos da cozinha, combinados com a habilidade natural para reconhecer sensações, da qual todo veela dispunha, fizeram com que mudasse de ideia. Não ficaria ali para servir de plateia (ainda que auditiva) para as fornicações dos padrinhos de ambos, por Merlin!

_Nossa! Acho que Sirius deixou cair alguma coisa – comentou Harry, assim que ouviu mais ruídos.

_Vamos embora, amor – anunciou, agradecendo pela inacreditável inocência do esposo. – Será que você está bem o suficiente para enfrentar o flu novamente? Tenho mesmo que comprar um carro trouxa.

_Acho que consigo sim... Mas eu nem me despedi do meu padrinho!

_Acredite em mim, Harry. Você não vai querer se despedir do seu padrinho agora – e retirou a xícara das mãos do esposo, para correr com ele para a lareira mais próxima.

_Draco, é falta de educação sair sem se despedir.

_Respire fundo, Harry.

O moreno protestou novamente, mas Draco fez ouvidos de mercador às reclamações. Instantes depois, ambos estavam em casa. Mal saíram da lareira, o chá ingerido na casa dos padrinhos foi devolvido inteiramente, colorindo o nobre chão de Malfoy Manor.

_Calma, amor. Respire, vamos... Respire fundo.

Respirar seguindo os conselhos de Fleur não adiantou muito. Os bebês se rebelaram, contra outra viagem via flu tão seguida a anterior e, agora, o moreno se sentia mal de verdade, muito mal. A visão turvou e a sala da mansão girou a seu redor. O gosto salgado na boca continuava a enjoá-lo mais e mais.

_Draco...

As ânsias então o dominaram completamente. Sentiu os braços fortes do marido antes de ser nocauteado pela debilidade. A agilidade do veela impediu que se machucasse e até Dobby foi mais que oportuno, ajudando seu senhor e limpando tudo, enquanto um Harry extremamente branco desmaiava.

A palidez do esposo o assustou. Nunca antes o vira atingir aquela tonalidade, praticamente, translúcida. O alçou com facilidade e subiu a escada com todo o cuidado, pois sua carga era preciosíssima. Chegando ao quarto, Draco o deitou sobre a cama. Um suor escorria pela face do doncel, deixando-o apreensivo. Em seguida, convocou alguns equipamentos médicos que utilizava na universidade.

Enquanto media a pressão arterial do grifinório, pensava em como faria para se desdobrar entre as aulas, o trabalho e Harry grávido. Caso os sintomas da gravidez continuassem a se manifestar assim, tão severos, precisaria ficar atento ao esposo, de maneira muito mais incisiva. Ah, seria toda uma batalha, disso não tinha a menor dúvida.

Terminada a verificação, aliviou-se. Não chegou a se assustar, mas a pressão arterial estava alterada. Anotou a informação e seguiu as indicações de Severus e Pomfrey. Depois, com toda a paciência e carinho, levou Harry para o banheiro do casal, não deixando de pensar que daquele jeito, dormindo embalado num sono inocente, Harry conseguia ser ainda mais delicioso.

Quando o moreno acordou estava devidamente banhado, de roupa trocada e sendo observado de perto pelo marido que, sem cerimônia alguma, o encarava sem restrição alguma, sentado bem junto dele. Esfregou os olhos e estendeu a mão até a mesinha de cabeceira, alcançando os óculos em seguida. Só aí percebeu que o olhar que lhe era lançado destilava preocupação.

_Como...

_Você desmaiou. Sua pressão caiu muito, depois subiu demais... Verifiquei há pouco e já está estabilizada.

Harry se sentou na cama, apoiando as costas nos travesseiros. Estava meio confuso ainda e a cabeça doía um pouco, contudo, tirando esses pequenos inconvenientes, estava se sentindo bem melhor.

_O que, afinal, você foi fazer com o meu padrinho, Harry? Algo te estressou?

_Não, nada me estressou. Eu só acompanhei o professor Snape numa ida ao beco diagonal. Depois fomos ao Ministério. Eu queria dar um oi a Kings...

Draco não gostou nem um pouquinho de saber que o seu esposo esteve passeando pelo beco diagonal, ainda mais sendo notoriamente conhecido por eles que ambos estavam sendo escoltados por aurores devido aos últimos acontecimentos. E muito lhe admirava que Severus tivesse concordado com o agradável passeio ao entardecer.

_Deveria ter ficado em Prince’s House, Harry... Por que você o acompanhou? Esqueceu que estamos sendo protegidos pelo Ministério?

_Como é que eu poderia esquecer? Eu não sou irresponsável, Draco. E estava com Snape, por Circe! Quem se atreveria a atacar o Eleito e o mais fiel seguidor do sombrio Lorde das Trevas?

_Eu nunca disse que você era um irresponsável... Mas não poderia ter deixado para sair de casa quando, sei lá, eu pudesse te acompanhar?

Harry o encarou com uma estranha raiva, todos os antigos sentimentos confusos voltando com muita força. O que o loiro esnobe estava pensando? Será que o príncipe da sonserina, o pegador geral de Hogwarts, estava insinuando que ele, Harry Potter, só poderia sair de casa junto dele, como um fiel cachorrinho? Só faltava estipular os dias nos quais poderia sair de casa com a sua anuência...

_Vou lembrá-lo de uma informação bastante significativa: já sou maior de idade! E muito antes de ser maior e responsável por mim mesmo, eu já lidava com os meus tios insuportáveis. Não é você quem decide se eu posso sair de casa ou não. Eu não sou uma virgenzinha inocente, entendeu?

Os olhos tempestuosos pareceram trovejar. Ah, o loiro se enfureceu com a “informação significativa”. Já estava descompensado devido à variação da pressão arterial do esposo, algo que o preocupava imensamente, somado à gracinha que ouviu... Bem, era mesmo muito difícil controlar seu veela – e a sua língua ferina também.

_Oh, senhor maturidade! Desculpe se dei a ideia errada... Não confunda a minha preocupação com os meus filhos com controle sobre você. Não sou assim, Harry. E eu sei que você não é uma virgenzinha. Sei disso com profundidade... Eu estava lá, lembra?

O verde lampejou furioso na direção do sonserino. Já a serpente apenas se colocou mais e mais ameaçadora. Todos os sentidos veelas lhe diziam que ali havia algo que não encaixava. Sabia que Harry ocultava certas informações. Nem precisava de confirmação nenhuma, visto que, pôde olfatear “Adam Taylor” assim que o viu com Severus. Por que seu digníssimo esposo se recusava em contar que estiveram juntos? Ah, era exatamente o que pretendia descobrir.

_Isso foi baixo, Malfoy.

_Ha, ha, ha... – E Draco o segurou firme pelos braços, sem nem perceber que usava demasiada força. – Você não faz ideia do quão baixo eu posso chegar a ser. Não oculte nada de mim, Potter. Com quem mais você esteve?

_Ei, dá para me soltar? – Mas Draco o ignorou solenemente, agarrando-lhe com maior intensidade. E então Harry percebeu que o marido estava bastante irritado. – Eu não estive com mais ninguém, seu idiota. Você quer que eu faça uma lista para você das pessoas com as quais me encontrei hoje, tudo bem, então eu faço. – E depois de receber um olhar de “eu não estou brincando, Harry Potter”, contou o que o veela desejava confirmar. – Acompanhei Snape até o escritório daquele advogado.

_Por quê?

_Assuntos do seu padrinho. Ele queria resolver alguma coisa sobre um processo, eu não sei bem, não me interessei realmente em saber. – E já tinha o rosto bem assustado, os braços doloridos devido à força do marido. Será que Draco seria capaz de bater nele? E por que a magia veela o envolvia? – Depois fomos ao Ministério e o senhor Taylor nos acompanhou. Draco, você está me machucando!

A reclamação distraiu Draco. Em instantes, Harry disse mais algumas palavras e saiu da cama, deixando o quarto em seguida. O loiro não se moveu e se pôs a respirar profundamente, com a clara intenção de se acalmar. Entretanto, as imagens criadas pela sua mente veela ciumenta de um “Adam Taylor dando em cima do seu Harry”... Bem, pode-se dizer que não ajudavam nadinha mesmo.

"Está satisfeito? Agora me deixa em paz!"... Foi o que ouviu a voz do moreno lhe dizer em alto e bom som, antes que o deixasse sozinho no quarto. Minutos se passaram até que o loiro parasse de admirar, assombrado, as próprias mãos. O que acabara de fazer? Por Merlin! Descontrolou-se num ataque de ciúme... Harry e seus filhos... Oh, o moreno ficou apavorado...

_Harry – chamou mais pra si mesmo do que para trazê-lo de volta ao quarto.

Draco optou por se manter no quarto por mais um tempo. Não queria explodir outra vez, então precisou realmente se esforçar para que seus instintos veela "assassino mode on" ficassem adormecidos. Na verdade, eles apenas ficavam sonolentos, só isso.

O grifinório não entendia e talvez nunca fosse capaz de vislumbrar o quão difícil era ter uma herança veela. No começo, nem ele mesmo imaginava que seria tão complexo lidar com aquela profusão de sentimentos viscerais. Principalmente porque não fora criado para ser um debiloide emocional.

Seus pais pouco puderam ajudar, afinal, a herança veela era um traço antiguíssimo dos Malfoy, portanto, o sangue veela havia se diluído com o passar das gerações. Lembrava-se que, quando criança, uns poucos parentes, hoje já mortos, ainda falavam nas fabulosas habilidades dos seus tataravôs e tataravós veelas.

O próprio Lucius, o patriarca mais poderoso dos Malfoy, recebeu também a sua herança veela, mas essa já era então tão diluída devido às muitas e muitas gerações, que um veela como Draco era, praticamente, um milagre. A magia veela era sensual, animalesca e extremamente instável quando o assunto era o parceiro ideal. Draco vivia numa luta feroz contra seu instinto mais primitivo, instinto esse que só lhe dizia uma coisa: pegue o seu doncel e o leve para uma torre, bem alta, tranque-se lá com ele, e desapareça com a chave.

“Dome o seu veela possessivo, ou vai sufocá-lo. Leões curtem a independência"... Nesses momentos, como não se lembrar desse conselho de Pansy? A loira era toda uma figura, mas sabia bem como colocar os seus pés no chão. Com ela, desde Hogwarts, havia compreendido que não podia excluir Harry do mundo, muito menos do convívio com os outros. Harry era uma pessoa doce e que tendia a confiar em todos, transformado um desconhecido em amigo de infância em menos de duas horas de convívio... Todo um grifindor!

Além do que, ainda precisava dividi-lo com os incontáveis Weasley, com Granger, com Sirius, com Lupin, com Teddy, com Madeleine, com Kings e até com os seus amigos sonserinos... Ah, por Merlin, era uma multidão querendo um pedaço do seu doncel. Quando é que entenderiam que Harry Potter era propriedade exclusiva de Draco Malfoy?

Voltando os olhos para as próprias mãos, uma sensação amarga o percorreu. Tinha sido bruto com Harry. Nunca se perdoaria por isso. Precisava consertar o estrago. Sabia que Harry ainda estava na mansão, o que já era todo um alívio. Imaginar ter que ir até a Toca novamente para trazer seu esposo de volta não lhe agradava.

Resignado, deixou o quarto e caminhou calmamente pelos corredores. Seu veela, já devidamente arrependido, o guiou diretamente ao moreno. Ah, lá estava ele, caminhando pelo jardim de Narcisa. A grama verde brilhava saudável com os últimos vestígios de sol, o céu estava lá, perfeito, já começando a ficar pintado de estrelas e o sol dava seu adeus, todo um rei, naquele crepúsculo magnífico. Contudo, grama, flores, céu e sol... Nenhum deles podia competir com o seu esposo. Nada era capaz de chegar aos pés da beleza de Harry Potter.

O doncel percebeu a aproximação e não se moveu. O veela sentiu tudo o que o outro sentia: receio... Ah, receio não. Precisava solucionar esse gigantesco problema que havia criado. Não permitiria que duvidasse do amor que lhe professava, nem que precisasse lançar um cruciatus em si mesmo para se redimir.

_Harry, podemos conversar?

_Já conversamos profundamente, Malfoy. Não temos mais nada para dizer um ao outro.

O moreno recomeçou a caminhar, mas foi seguido bem de perto pelo loiro. Teimosia era uma característica inata de Harry, disso todos sabiam, mas Draco era obstinado o suficiente para não desistir... Jamais.

_Pode me perdoar, por favor, Harry?

As palavras perdoar e por favor, juntas numa mesma frase proferida por Draco Malfoy tiveram o poder de paralisar o grifinório que, sem pensar muito no tanto que havia chorado depois de correr quarto afora – malditos hormônios -, dedicou um olhar tristonho ao marido.

_Eu não... Eu não sei...

_Amor, por favor, por favor... Perdoe esse veela ciumento que te ama acima de tudo – e se aproximou mais, puxando-o para si, acariciando-o, impedindo que se afastasse. – Por favor, Harry...

_Draco, você... Você me assustou... – E lá estava o motivo pelo qual não queria falar nada, nem ver o cretino esnobe por um bom tempo: seus olhos verdes se tornaram aquosos e, novamente, grossas lágrimas escorriam face abaixo.

O loiro o abraçou com força, sentindo-o estremecer dentro de seu agarre. Caçou os lábios vermelhos e macios de Harry e os beijou de forma suave, mordendo de leve e pedindo passagem para a língua. Teve medo de não ser bem-vindo, mas logo o medo se desfez, pois fora mordido e beijado com a mesma necessidade, deixando-se ser devorado pelo esposo.

Beijou-o com carinho e zelo, acariciando-o, pedindo desculpas mudas que, sabia, foram aceitas. Harry transbordava sinceridade em cada gesto. Nunca se permitiria ser beijado, caso não tivesse lhe perdoado pela estupidez cometida mais cedo. Sem pestanejar, conduziu o esposo à convidativa grama. O tomaria ali, entre as flores de Narcisa, longe dos olhares dos aurores, restritos às áreas mais afastadas da mansão.

O moreno já não raciocinava direito. A magia veela de Draco o envolveu com violência, tamanha a felicidade do marido depois de ter entendido que "sim, Harry Potter o perdoara por ter sido tão Malfoy". Estava inebriado de prazer. Cada roce o alçava a um novo estremecimento.

No fundo, Harry sabia que a reação de puro ciúme tinha sido causada, em parte, por ele mesmo. Pelo que Snape cansou de dizer, Draco era mais que possessivo, era um fanático, somado aos poderes veela, ah... No mínimo, diria ser problemático. Começou a duvidar se estava mesmo agindo corretamente, escondendo de Draco o que tanto fazia fora de casa. Mas e se a resposta de Kings fosse negativa?

Pior ainda, o que diria ao marido amanhã? “Amor, eu sei que você não gosta que eu saia sozinho por aí, mas preciso ir até o Ministério e, bem, acompanhado pelo seu padrinho e pelo Dr. Taylor. É, esse mesmo que você acha que quer trepar comigo até que o mundo inteiro se acabe" ... Definitivamente, o que acontecera mais cedo seria fichinha perto do que o veela faria.

_Oh, amor... Eu fiz isso? – Perguntou o loiro, os olhos cinza brilhando de lágrimas contidas.

O grifinório demorou a compreender o que deixou Draco naquele estado. Em primeiro lugar, percebeu que já estava desnudo no jardim de sua própria casa – Draco era um tarado em potencial, disso não tinha mais a menor dúvida. – Em segundo lugar, notou que o contato da sua pele com a grama lhe causava cosquinhas e, em terceiro lugar, seguindo o olhar tempestuoso, pôde constatar que a dor do veela o feria também.

_Shii, não chore... Isso não é nada – mas Draco já estava odiando a si mesmo, os olhos tristes por encontrar nos braços do esposo marcas que registravam o contorno dos seus próprios dedos.

_Bata em mim, Harry... Crucie-me, faça qualquer coisa... Eu não vou resistir. Só não me deixe, por favor... Se você me deixar, eu enlouquecerei.

Harry o beijou, impedindo que continuasse a dizer tantas sandices. Abandoná-lo? Ora, nunca o faria! Não era capaz de fazê-lo. Precisava de Draco. Precisava de seu veela. Ele igualmente enlouqueceria, caso se afastassem. Com rapidez, se colocou em cima de Draco, uma posição que aprendera a gostar.

Ali, bem em cima dele, sentindo a ereção dura do marido roçar-lhe o traseiro, quem mandava era ele. Nunca seria um doncel submisso. E o pobre veela ciumento já parecia ter se conformado, pois não reclamou pela tortura sofrida ao ser estimulado daquela maneira. Beijos e mordidas mútuas, entremeados com chupões e toques lascivos... Assim eram os dois.

_Harry... Harry...

_Eu nunca vou te deixar, seu idiota – e o beijou bem na boca, sugando aquela língua ferina, quase a arrancando boca afora. Depois traçou um caminho de saliva, lambendo o pescoço e os mamilos do marido, mordidinhas leves deixando-os ainda mais excitados. Os gemidos do veela lhe soavam como a mais sensual das canções.

Draco então rolou com ele pela grama, ficando por cima mais uma vez. Tomado pelo prazer e excitado além do limite, devorou o esposo, abrindo-lhe as pernas e engolindo seu membro de forma abrupta, desesperada e, obviamente, inesperada. Sugou com gosto por um bom tempo e, quando Harry já estremecia descontrolado, chupou com delicadeza e depois apenas lambeu com deleite, começando na glande e indo até a base, proporcionando o mesmo “servicinho” aos testículos.

Por sua vez, o moreno gritava alto e sem vergonha alguma, perdido em meio à ardência, que o queimava feito brasa. Pior ainda – ou melhor, quem sabe – foi sentir os dedos do marido abrindo sua entrada, movendo-se dentro dele, preenchendo-o sem pudor. O cheiro da grama agora era mais forte, misturando-se ao perfume das flores. Estava no céu, ah sim... Estava mesmo no céu. Quando, em sua antiga vida miserável no armário sob a escada, poderia imaginar que seria assim, tão feliz, sob a luz do luar?

_Harry...

O verde encontrou o cinza e, mais uma vez, num assentimento, se fundiram. O suor perolava a pele de Draco, fazendo-o brilhar, e Harry já não sabia se ele era mesmo uma pessoa qualquer, ou um deus, tamanha a sua beleza. É, definitivamente, era um deus, um deus do sexo, tão sensual e quente que não sobrava espaço algum para queixas.

As estocadas eram profundas, fortes e Harry não se importava de ter o corpo sacudido por aquela dança erótica e enlouquecedora. Puxou-o para si e o beijou com violência, língua contra língua, pele contra pele. A magia veela o estimulava mais ainda, fazendo o moreno se entregar completamente, sem qualquer tipo de amarra.

Quando estavam juntos, naquele tipo de situação, Harry desejava se fundir ao marido, embora soubesse que isso era impossível, ao menos de forma total. Do que Draco chamara esse momento de conexão completa e de puro prazer? Ah, sim, La Petite Mort. Entendia o sentido, mesmo que não concordasse de todo, pois, naqueles momentos, onde Draco o fazia perder a noção de céu e terra, queria apenas viver. Viver muito, ser eterno... Só assim poderiam desfrutar para sempre um do outro.

Draco o levantou colocando-o sobre si, dando ao esposo a liberdade de se autopenetrar, ao que ele fez, sem cerimônia alguma. Ah, aquele doncel era pura volúpia. Apertava as nádegas volumosas, empurrando-as para baixo e para cima, mas era Harry quem ditava o ritmo, afundando-se nele, uma, duas, três... “Ah, Harry”.

_Draco, eu estou quase...

O loiro o beijou novamente, intensificando o sobe e desce, voltando a deitá-lo no chão. Harry sentiu as pernas se abrindo mais, se é que era possível, o veela se dedicando a empalá-lo com uma eficiência tamanha, que atingiu um orgasmo arrebatador, tremendo e apertando-se mais ao corpo do loiro que, ao se sentir sufocado pelos espasmos de Harry, derramou-se dentro dele instantes depois.

Ofegantes e cansados, os dois ficaram ali, nus e largados sobre a grama, com Draco cariciando seu doncel, pedindo-lhe novamente desculpas pelo que fizera num arrebato de possessividade. Por um tempo, Harry apenas se deixou mimar, depois, quando começou a sentir frio, sugeriu que voltassem para o quarto.

Draco sorriu e ajudou o esposo a ficar de pé, além de juntar toda a roupa de ambos com um feitiço não verbal, mas quando Harry começou a se vestir, foi impedido por um loiro muito luxurioso que, com outro feitiço, enviou a roupa de ambos diretamente a lavanderia.

_Para que roupas, amor? – E o pegou nos braços, carregando um Harry Potter inesperadamente envergonhado para dentro de casa.



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_Para que nos chamou, Weasley? – E a voz de Theodore Nott reverberou pelo local, mas seus olhos não desgrudaram da delícia ruiva que tinha bem a sua frente.



_Nossa, Nott, pensei que fosse gostar do pub. O Cittie Of Yorke[i] é um clássico do mundo trouxa.

Só aí Theodore passeou os olhos pelo lugar, antes de sentar numa das cadeiras. Não estava acostumado ao mundo trouxa, embora já tivesse se aventura nele algumas vezes. O pub em questão era espaçoso e alguns bancos estavam embutidos nas paredes, além de ter uma enorme lareira em forma de triângulo, bem no meio do salão.

_Theo não conhece muito dos trouxas, eu sim. Já estive aqui a minha mãe. Acredito que o quarto marido, é foi ele mesmo... Enfim, o cara era nascido trouxa e amava Londres com uma paixão reverencial e fez com que ela tomasse gosto pelos pubs. Depois, alguns anos depois, é claro, minha mãe me trouxe para conhecê-los também. Esse aqui – e Blaise fez um gesto abarcando o ambiente, antes de se sentar junto à Pansy – é o famoso “Pub do Confessionário”. Esses bancos se parecem com os dos confessionários trouxas.

_Confessionários?

_Sim, Pansy. São lugares específicos onde, segundo algumas crenças dos trouxas, os pecados são revelados.

_Ora, Zabini, seu conhecimento sobre os trouxas realmente me surpreende – ao que Blaise sorriu amistoso.

_Bem, já que agora somos praticamente da mesma família, com o casamento de Draco e Harry, o que acha de deixarmos os sobrenomes de lado?

Gina Weasley esboçou um rosto feliz, tamanho era o agradecimento à Parkinson, para, logo depois, sorrir. Theo estava vidrado. “Minha nossa, só falta babar”, foi o que pensou Blaise, rindo-se da cara do amigo. Ah, Draco tinha que estar ali para ver!

_Acho ótimo, Pansy. Bem, primeiramente, agradeço muito mesmo por terem vindo. Theodore...

_Só Theo – e o sorriso cheio de dentes que lançou para a ruiva a fez ficar, se possível, ainda mais vermelha que o longo cabelo que exibia.

_Theo, Blaise e Pansy, obrigada mesmo. Antes de começar a explicar porque os chamei, vamos todos beber uma guinness?

Deixando-se levar pela visível empolgação da grifinória — uma empolgação que nem a própria Gina compreendia -, os sonserinos caíram de cabeça na inesperada noitada. E já estavam na terceira guinness quando Ginevra, mostrando-se bem receptiva aos olhares interessados de Theo, se dispôs a falar sobre o verdadeiro motivo pelo qual interrompeu a falar.

_Bem, estou esperando mais uma pessoa, mas ela disse que não conseguiria chegar na hora, então, vou adiantar o assunto. Estou preparando uma festa de casamento para Harry e Draco.

Blaise quase se engasgou com a cerveja, por sinal, deliciosa. Pansy ficou surpresa, muito interessada e Theo nada disse além de: “nossa, que excelente ideia!”, como se o fato de ter dado em cima do esposo do amigo nunca tivesse acontecido.

_Mesmo eu não estando interessada sexualmente em você, Gina, a ideia me agradou – destilou a loira, o que fez Blaise gargalhar.

_Ah, bem... – E Gina ficou sem ação. Era difícil lidar com aqueles sonserinos! – A festa... É, a festa...

_Sim a festa, Gina... Imagino que queira a nossa colaboração, não é Blaise?

_Ah sim, com certeza deve ser isso, Pans. E estamos dispostos a ajudar, certo Theo?

_Sem dúvida alguma: eu estou muito disposto – e lançou um olhar voraz em direção à Weasley.

Parkinson sorria sacana para Nott que nem de longe estava irritado pela gracinha que faziam, ao contrário. Havia entre os três uma relação de morde e assopra que ultrapassava os limites da sanidade. Imagine lidar com o trio aliado a Draco Malfoy? “Pobre Harry”, pensou a ruiva, tentando reordenar seus pensamentos.

Gina não podia negar que rever Nott foi revelador. Desde a escola, Theodore tinha mudado significativamente. Apresentava a mesma magreza, mas havia ganhado bons músculos. Ah, e os cabelos? Estavam perfeitos... O castanho bem claro contrastavam com os olhos negros, todo um varão poderoso. E a boca? Ai, por Merlin, não poderia seguir esse caminho... Já deveria estar meio bêbada...

Por que sentia esse interesse pelo sonserino? Não podia, podia? Afinal, estava devidamente comprometida, ainda que ninguém soubesse desse fato. Pelo que compreendia, se sentia aquele sentimento estranho e forte, sem nenhum pesar na alma, significava que a sua passion... Oh, não! Oh, não! Significava que seria recíproco. Por Merlin, sua mãe a mataria!

_Excusez-moi, mais j'ai eu beaucoup de travail dans le "maison parfait".

A voz de Gabrielle Delacour os tirou da tamanha concentração na qual se encontravam. Incrivelmente, um garçom surgiu ao lado da loira – a segunda loira estonteante –, trazendo uma cadeira. Gabrielle apenas indicou que a mesma deveria ser disposta entre Theo e Gina.

_Je suis Gabrielle Delacoir, la soeur de Fleur. C'est un grand plaisir de les rencontrer. Oh, desculpem... Sinto-me tão bem que esqueço que não estou em Paris.

Pansy enregelou ao reconhecer aquele olhar estranho em Theo. Enregelou mais ainda ao reconhecer o mesmo olhar em Gina... E já deveria ter virado um verdadeiro bloco de gelo, ao se dar conta de que os três – Theo, Gabrielle e Gina – se miravam mutuamente como se estivem endemoniadamente famintos.

Gabrielle expandiu sua magia veela, fazendo Gina corar, depois lhe tascou um beijo amoroso e muito sensual, que deixou Blaise atônito e Theo ainda mais vidrado. A loira depois de voltou para Theo, encarando-o com um ar professoral. E então sorriu exultante, beijando Gina mais uma vez.

_Ma rousse, vous avez trouvé notre partenaire. Ah, Gina... Eu sabia que somente você, ruiva, poderia fazê-lo! Meus... Inteiramente meus, os dois! – E então se voltou novamente para Theo, beijando-o da mesma maneira amorosa e sensual. Brindava aos dois o mesmo sentimento, até o garçom, envergonhado por presenciar um momento tão íntimo, tinha percebido isso.

_Senhor, outra guinness? – Perguntou o bondoso trabalhador, ao que Blaise respondeu prontamente.

_Ah, sim, por favor... Quantas o senhor tiver!



[i] Informações sobre pub londrino? Ora, “from net”. Ainda não conheço Londres. Bom, pelo menos conheço a guinness. KKKKK



Notas finais
"_Aca.. Aca- ic- acabaram as guinness?" - Pergunta Blaise, Pansy quase em coma ao seu lado, mas ainda segurando firmemente o seu copo...