Submisso
30 Capítulo 30 - Vinganças
Notas iniciais
E NÃO É QUE CHEGAMOS AO 30... UAU!!!
Obrigada pelos comentários! Vocês são demais! Mandem mais, sempre...Adoro compartilhar ideias e ler as críticas e as dicas.
Desculpem a demora, mas eu acabei mesmo, nesse exato instante de escrever o cap. A musa me abandonou por alguns dias (e uma tendinite daquelas me arrasou tb), contudo, eis que Núbia Chaud supera as adversidades e posta mais um cap.! (e em subtraído tb!!!)
Espero que gostem desse, pois eu o achei fofinho e informativo! rsrs
Sem mais, VINGANÇAS
Capítulo 30 – Vinganças
_Sirius... Sirius...
O doncel se mexeu lentamente na cama. Parecia que, enfim, estava prestes a despertar. Desde que colapsara no banheiro, não esboçou reação alguma. Aproveitou para examiná-lo com calma e o resultado o deixou em choque, principalmente, porque não era mesmo o momento... Não agora, com o esposo ainda se recuperando das ondas de febre e com o organismo ainda inspirando cuidados.
“Ah, Severus, calma” – pediu Remus. “Ele compreenderá, mesmo que, a princípio tente te assassinar... Na verdade, acredito que será muito bom para vocês dois” – e concluiu com um sorriso, antes de deixar o quarto. Ah, Lupin era um ser único, dono de uma bondade exageradamente grande. Já ele, o carrancudo professor de poções, bem... Ele não costumava ver o mundo através de nenhum véu cor-de-rosa.
_Vamos Sirius, acorde.
O alívio por ver os olhos se abrirem durou exatos 15 segundos, pois logo o esposo pareceu perceber que algo estava, no mínimo, estranho. Levou as mãos ao rosto, visando assim proteger os olhos da intensa claridade. Resmungão com sempre, logo esbravejou:
_Severus, que droga! Por favor, escureça o quarto! Parece até que já amanheceu aqui dentro... – E cobriu a cabeça com o travesseiro, num ato bem infantil, que fez o marido sorrir.
_Sirius, já amanheceu. Na verdade, já passa do meio-dia.
O esnobe Black se incorporou na cama, bocejando e tentando compreender como o tempo havia passado tão rápido. Reconstituindo seus próprios passos, lembrou-se de ter subido a escada para tomar um banho, depois se sentiu enjoado e... Nada. Nada mesmo...
_Como...
_Você desmaiou no banheiro. Eu te trouxe para cá – e deu batidinhas leves no colchão, aproveitando para se sentar bem perto do esposo. – Fiquei preocupado, Sirius. Você está se sentindo bem? Está com fome? Quer comer alguma coisa especial? Eu posso...
_Shiii, Severus... Você está muito agitado – e bocejou novamente. Estava anormalmente cansado, só isso. – Estou me sentindo muito bem... E sim estou com fome... – E puxou o marido para junto de si. – E sim, eu quero comer algo bem especial... – Concluiu, envolvendo Snape num beijo obsceno.
O pocionista se empolgou e o puxou pelos cabelos, expondo o pescoço do doncel, para assim, necessitado, beijar e chupar à vontade. Deu-se conta do caminho perigoso que seguia ao ouvir os gemidos de Sirius, os deliciosos gemidos de Sirius. Não... Não podia se deixar levar... Não agora.
Precisava esclarecer algumas coisinhas, antes de se enfiar naquele corpo que mais parecia um tributo ao desejo. Talvez, houvesse uma possibilidade remota do esposo não desejar devorar a sua carne, literalmente, depois do que contaria. Respirou fundo e se afastou, voltando a ficar sentado perto de Sirius – e não em cima dele.
_O que foi? Sev, eu estou com fome... – E tentou beijá-lo, mas foi impedido pelas mãos grandes que, habilidosas, o mantiveram no mesmo lugar.
_Precisamos conversar Sirius.
_Conversar?! Ai, por Circe, o que você quer conversar? O que eu fiz agora? Por que se me acordou para conversar é porque, fatalmente, eu fiz alguma coisa, não é?
_Não, Sirius... Você não fez nada. Contudo, deveria ter me contado que estava seu estômago estava sensível. Ontem, eu... Bem, você desabou bem diante dos meus olhos... E foi desesperador, porque, por mais que eu o chamasse, seus olhos não se abriam. Fiquei muito preocupado, Sirius. Então, aproveitei o momento para te examinar.
_Você me examinou? Eu estava inconsciente, seu... Pervertido!
_Pervertido? Ha, ha, ha... – E riu com gosto. – Querido, já conheço cada recando desse seu corpinho... Nunca me aproveitaria de você – e o beijou, acariciando o rosto daquela beldade, mas procurando manter-se distante o suficiente para não cair nas garras da excitação.
Sirius corou envergonhado. Imaginar-se sendo examinado pelo marido era constrangedor. Na verdade, nunca se acostumaria com a vida de um doncel. Acompanhou de perto o período de Harry em St. Mungus, sem mencionar as constantes análises feitas pelo seu marido e por Pomfrey.
_Sirius, você sabe que eu te amo...
_Severus, sem enrolação. Diga logo de uma vez.
_Vamos ter um filho.
Snape tinha se preparado para tudo: gritos, xingamentos e até alguns tapas. No entanto, o esperado “efeito bombástico” da sua revelação não veio, alarmando-o de verdade. Um Sirius Black calado, meio catatônico até... Ah, isso sim era inesperado, pior que o retorno de Voldemort.
_Sirius?
Silêncio.
_Sirius...
Silêncio.
_SIRIUS!
Remus adentrou o quarto logo depois, preocupado.
_O que aconteceu, Severus?
O narigudo nem se deu ao trabalho de responder... Saindo de sua bolha particular de inércia, Sirius acariciou o próprio ventre e sorriu em meios às lágrimas que, sem controle algum escorriam face abaixo.
_Sirius... O que foi? Fala comigo, Sirius – pediu o marido, atônito devido à bizarra reação.
Instantes depois, o sorriso se transformou numa gargalhada intensa, gostosa e contagiante, que continha um pouco de tudo: surpresa, felicidade, alívio e vingança... É, havia mesmo um quê de vingança na estranha reação do esnobe almofadinhas.
_Severus... Por que ele está assim?
_Contei a ele que está grávido...
_E você está vivo? – Questionou Remus, entre preocupado e divertido.
_Ele está rindo! Sirius, por favor, Sirius...
_Ha, ha, ha... Ah, Sev, essa foi a melhor! Ha, ha, ha!
Severus e Remus se entreolharam. Talvez devessem dar uma poção calmante ao gestante... Ou então um desmaius... Era evidente que o moreno não dispunha, no momento, da plenitude de suas faculdades mentais. Com um accio, uma poção calmante veio do banheiro, caindo com leveza nas mãos do professor.
_Ha, ha, ha... Sev... – E, simplesmente, não conseguia parar de rir. – É perfeito! Perfeito! – E ria. – Um Black, doncel e grávido de um mestiço... – Mais gargalhadas – O precioso sangue puro Black, que não podia ser manchado com um doncel na família, misturado ao de um mestiço! – E as gargalhadas foram diminuindo, dando lugar a uma respiração sôfrega. – Meus pais devem estar se revirando nos caixões!
As lágrimas voltaram a nublar os olhos de Sirius que, inconscientemente, acariciava o ventre como se a vida ali dentro fosse a redenção da sua própria dor. Snape o beijou e abraçou, acalmando-o de tal forma que, minutos depois, o esposo ressonava tranquilo em seus braços.
Remus ouviu batidinhas na porta e a abriu, encontrando o próprio filho. Teddy trazia uma carta nas mãos, além de demonstrar estar bastante curioso para saber o que estava acontecendo ali dentro.
_Papai, uma coruja cinza trouxe isso. É para o tio Sev.
_Obrigada, filho – e pegou a correspondência, passando-a diretamente às mãos de Snape.
O professor acomodou o esposo novamente na cama, fechou as cortinas e se pôs a ler a carta. Já Teddy deu alguns passos na direção de Sirius e lhe acariciou o cabelo. O garotinho era muito atencioso, sem sombra de dúvida. Mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, sabia que algo não estava bem.
_É de Adam Taylor. Parece que já tem praticamente tudo pronto. Quer se encontrar comigo e com Harry amanhã mesmo, na parte da tarde, no escritório.
_O padrinho do padrinho estava chorando... – Constatou o pequeno, interrompendo o “tio Sev”. – Por quê?
Remus ergue Teddy nos braços e lhe beijou na bochecha, se dirigindo para fora do quarto. Severus o acompanhou, lançando olhares à carta enviada por Taylor, mas ainda muito atento ao que Teddy e Lupin conversavam.
_O padrinho do padrinho está triste, papai?
_Não, meu amor. Ele está muito feliz... Às vezes, ficamos tão felizes que choramos de emoção.
_O “padrinho do seu padrinho” descobriu que está esperando um bebê. Por isso ficou tão feliz...
_Mais um bebê? Ah, papai! Viu só? Todo mundo tem bebês... Eu também quero!
Enquanto Severus se divertia, Remus tentava reverter o início do caos. Não queria nem pensar em ter que lidar com mais um ataque de choro pirracento do filho... Precisou ser rápido. É... Ser pai estimulava e muito os neurônios.
_Eu já expliquei Teddy. Você ainda é muito novo. Só adultos têm bebês, filho.
_E quanto tempo falta para eu ficar adulto?
_Uns trinta anos... – E a gargalhada de Snape só serviu para deixar Teddy desconfiado.
Quando chegaram ao andar de baixo, Teddy foi colado no chão e logo se pôs a correr pelo quintal. Remus se sentou no sofá, mergulhando numa sequência de lembranças antigas sobre a sua via de casado. Ver a inusitada reação do amigo ao saber da gravidez o fez relembrar de Tonks, ao descobrir que espera Teddy.
Recebera uma carta dela há alguns dias. A “ex” desejava ver o filho, o que não lhe podia ser negado, obviamente, por mais que desejasse. E Teddy também não podia ser afastado da mãe, nem da avó ou da irmã. Em alguns momentos, perguntava-se se fez bem em ter se casado. É claro que amava o filho... Contudo, sempre soube que nunca poderia dar o que Tonks desejava. Estava tão compenetrado que demorou a se dar conta de que Severus falava com Harry via flu.
_Então, Harry, amanhã, na parte da tarde, preciso que venha aqui. Adam quer conversar conosco. 14:00 horas, no escritório dele.
_Já? Bem, quanto antes melhor, não é? Só não sei como vou fazer para me livrar do Draco. – E pareceu pensar bastante antes de sugerir algo a si mesmo. –Talvez, ela possa me ajudar...
_Você não precisa “se livrar do Draco”... Deve trazê-lo, Harry, e acabar logo com esse segredo.
Harry revirou os olhos num gesto tão típico dele, que Snape quase jurou estar de volta a Hogwarts durante as suas aulas de poções, nas quais os grifinórios e os sonserinos dividiam a masmorra e... Acabavam com a sua paciência.
_Ainda não, professor. Não quero que Draco passe por mais uma decepção.
_Está jogando um jogo muito perigoso, Harry.
_Eu sei o que estou fazendo... Olá, Remus!
_Olá Harry – respondeu o lupino já sorrindo. Harry tinha a gentileza de um Trasgo para mudar de assunto.
_Está tudo bem? – Perguntou o moreno, meio curioso devido ao rosto sério do ex-professor.
_Sim, sim... Está tudo bem. Severus, conte a novidade...
_Novidade?
Dessa vez, foi Severus quem revirou os olhos. A cara de Lupin era um poema, um daqueles bem irritantes. Já Harry, “o-menino-que-nasceu-para-ser-enxerido”, parecia estar a ponto de aparatar ali mesmo, bem na casa do pocionista. A curiosidade do doncel só não era maior que a capacidade dele em manter o cabelo despenteado.
_Sim, uma novidade daquelas!
_Remus, por favor, não atice mais o senhor Potter...
_O que é?
Teddy entrava na sala, segurando uma vassoura infantil nas mãos. E mal viu Harry, correu até a lareira. Ah, era incrível como os donceles atraíam as crianças. Sirius era igual. Teddy o amava!
_Padrinho! Padrinho!
_Oi, Teddy.
_O tio Sirius vai ter um bebê também, padrinho!
Choque.
_Eu também quero um, mas meu papai me contou que só quando eu for adulto... Isso vai ser – e usou os dedinhos para contar, mas ficou confuso e se voltou para o pai. – Como é se conta trinta, papai? Eu só sei contar até dez...
Remus abraçou o filho e se dispôs a lhe ensinar como é que se contava até trinta, já Harry não esboçou reação alguma. O mutismo já estava ficando chato, primeiro Sirius, agora o afilhado dele...
_Harry... Fique tranquilo, Sirius está bem. Descobri ontem... Ele agora está dormindo. Por que... Por que não vem aqui, com Draco, e janta conosco? Assim, pode satisfazer a sua curiosidade de forma completa!
_O padrinho vem jantar aqui com a gente? – E os olhinhos brilhantes de felicidade do garoto sacudiram Harry, fazendo-o, enfim, voltar a falar.
_Certo... Certo... Vou falar com Draco. É, bem, até mais tarde.
_Tchau padrinho! – E subiu na vassoura que, levitando a um palmo do chão, o conduziu para fora da sala, aporta se abrindo com a mágica do pai.
_Acho que Harry não esperava que você fosse capaz de engravidar mais ninguém, Severus... – E desatou a rir, os olhos dourados lacrimejando devido ao próprio comentário... Bem maldoso.
_Ha-ha-ha, Lupin... Foi realmente muito engraçado. Sabe o que você está precisando? De outra relação, amigo... E sabe o que mais, está precisando é de um varão. Chega de mulheres para você.
O lupino o encarou assustado. Desde quando Severus tinha assim tanto conhecimento sobre a natureza dos lobisomens? Desde quando aquele morcegão das masmorras tinha o conhecimento sobre as habilidades lupinas? Acreditava que apenas Dumbledore, em seu afã por ajudá-lo, soubesse desse tipo de... Capacidade. Era um conhecimento antigo e que, devido ao pouco caso que davam aos de sua natureza, tinha se perdido ao longo dos séculos.
A sociedade bruxa era, infelizmente, muito parecida com a trouxa em seus preconceitos. Os “diferentes”, como ele ou como os donceles, sempre sofriam... De uma maneira ou de outra. Alguns eram venerados e disputados, embora pouco respeitados em seus desejos (bastava se lembrar do horror vivenciado por Sirius), outros, como ele, eram execrados e, se tivessem oportunidade, quase queimados em praça pública.
_E o que eu faria com um varão? – Começou fingindo ignorar a insinuação do professor. – Quero aumentar a minha prole, Severus. Dois varões juntos... Seria impossível, não é?
_Não com você, lobinho.
Snape se sentou ao lado dele e o encarou com aqueles olhos escuros e profundos... Depois sorriu e lhe acariciou fraternalmente a perna. Tinham mesmo desenvolvido uma amizade sincera e necessária. Nesse sentido, já estava cansado de ver o bondoso Remus sofrer por quem não o merecia.
_Escute bem, Remus, pois eu sou a única pessoa que vai sempre dizer a você a verdade, mesmo que isso gere algumas feridas. Você não está bem. Está triste demais e isso não é bom. Sua natureza lupina precisa se manter serena e desculpe amigo, mas você está muito longe disso. Está a tempo demais fingindo ser o que não é.
As gargalhadas de Teddy inundaram a sala, ao mesmo tempo em que o rosto de Lupin se contorcia, tentando manter a máscara de sobriedade e bem-estar que vinha sustentado há semanas.
_Sou assim tão fácil de ler?
_Não, Remus... Mas eu sou um exímio leitor, além de ser excepcional em legilimência. No entanto, eu não preciso de legilimência para perceber quando um amigo está sofrendo... Há muitos anos, quando eu era perseguido pelos marotos, eu descobri o seu segredo, o fato de você ser um aterrorizante homem lobo – comentou com um falso tom de medo na voz. – Logo você, o aluno mais bondoso de toda a história de Hogwarts. Eu então me aprofundei e estudei tudo sobre lobisomens. Admito que, naquela época, não foi mesmo para te ajudar. Eu queria me vingar! E procurei muito uma oportunidade para levar a minha vingança idiota até o fim, mesmo sabendo depois que a culpa não foi sua. O culpado, curiosamente, está lá em cima, dormindo na minha cama... Oh! E esqueci-me de dizer: eu me casei com ele!
Os dois riram descontraidamente, praticamente, fazendo coro às risadas de Teddy. Severus o observava sem pressa, apenas esperando. Era como se o pocionista aguardasse um sinal, uma autorização. E Lupin a deu.
_Então... Você sabe...
_Sim, eu sei... E muito estranhei quando soube do seu casamento com Tonks. Ter tido Teddy, nossa, acredito que foi uma mágica muito poderosa! Ou então, uma poção para aumentar a libido realmente fabulosa.
_Ha-ha-ha, Snape... Foi realmente muito engraçado.
_O que quero dizer, Remus, é que você não deve mais lutar contra a sua natureza. Está infeliz e tem uma cria lá fora que precisa de você de forma completa. Amanhã mesmo vamos conversar com McGonagall para providenciar seu retorno à Hogwarts. Você é realmente um professor muito bom, mas se contar por aí que eu afirmei essa insanidade, te crucio sem piedade alguma – e Remus riu da expressão de “estou-mesmo-falando-a-verdade-lobo”, estampada no rosto de Severus. – E claro, também vamos providenciar um namorado para você, afinal, Teddy ficaria exultante de felicidade ao ver o papai lobo gestando um filhotinho!
Notas finais
"O papai vai sim ter um bebê! Mas, será que ele já tem mais de trinta?"
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