Submisso

64 Capítulo 64 – Reviravoltas


Notas iniciais
>Olá!!! >Ok, ok, eu sei que mereço as reclamações, mas eu nunca vou embora, vcs sabem! Aqui trago mais um de Submisso! >Ah, adorei escrever esse cap... Espero que gostem! Respondendo aos comentários em 3, 2, 1... de verdade!!! >Aos erros, vou rever! >Julieh, obrigada pela mais que fofa recomendação!!! Tô me sentindo!!! :D >Agradeço a todos vcs que SEMPRE dão uma moral em, Submisso! Vcs são demais. Só por isso, hj ainda publico mais um cap!!! É, verdade mesmo.... Vc não alucinou não! O.o >Sem mais, REVIRAVOLTAS!

Capítulo 64 – Reviravoltas

O som oriundo do elevador se movimentando era apenas mais um para avolumar o barulho que, no momento, crescia sem parar no segundo andar do Ministério da Magia. E o motivo era bastante simples: Azkaban inteira, incluindo prisioneiros e funcionários do ministério, fora assassinada.

O horizonte de divisórias dos cubículos mais se assemelhava a um amplo conjunto de meros obstáculos que, incessantemente, os aurores ultrapassavam, indo de um cubículo a outro, trocando informações e mais informações. Recortes de jornais, fotografias, cartazes de procurados... Tudo agora parecia ser ínfimo perto da bomba que abatera o Departamento de execução de Leis da Magia.

A Távola Redonda, um dos poucos espaços que não era tomado pelas divisórias de madeira que compunham os cubículos, parecia um palco para o qual, incessantemente, os aurores dedicavam à atenção, como se esperassem sair dali alguma revelação miraculosa para tirá-los do estupor. E o motivo era também muito simples: Podmore estava na "Távola".

Dentre o mar de mesas de escritório e cadeiras confortáveis, a “Távola” nada mais era que um espaço amplo, composto por um bom número de poltronas de couro branco, margeando uma gigantesca mesa de centro redonda. Uma das poltronas se destacava: era um pouco maior, forrada com couro escuro, quase negro. Nela estava sentado Podmore, o Chefe dos Aurores, acompanhado por quatro aurores: Tonks, Nulan, Drake e Weasley.

Eles haviam chegado ao local há poucos minutos, pois o horror em Azkaban os consumira por boa parte do dia. Sobre a mesa estavam diversos pergaminhos. Alguns escritos pelos aurores em questão, outros contendo esquemas da prisão, desde a planta do prédio até a relação de funcionários que, infelizmente, estavam de serviço no dia do “banho de sangue”, como já se dizia pelos corredores.

_É evidente que mexemos com alguém poderoso. Os outros grupos que adentraram a prisão encontraram o mesmo cenário que nós encontramos. Não há ninguém vivo. E não há como identificar imediatamente corpo algum, pois só temos... Pedaços e mais pedaços.

_Ah, por favor, Drake. Estou ficando enjoada.

Podmore lia novamente a listagem sobre os comensais identificados. Segundo Ronald Weasley, além de tudo indicar que o atacante de Rita Skeeter era o bruxo que cometera os crimes no mundo trouxa, havia fortes indícios de que o criminoso em questão estivesse sob o controle de uma imperius. O fato de o filho de Arthur acreditar que o homem loiro era ninguém menos que o patriarca Malfoy, já lhe era alucinação demasiada. Entretanto, mais uma vez precisava concordar com o ruivo: o foco das investigações deveria sim ser aquela maldita listagem, afinal, quando pôs seus aurores para remexer na podridão de Azkaban, toda a tranquilidade veio abaixo.

_Novato, você está certo. Temos que nos focar na lista de comensais. Os peritos já decidiram qual feitiço vão utilizar para identificar os corpos?

_Ainda não, Nulan, mas estão quase chegando a um acordo. De qualquer forma, já adiantaram que não poderemos esperar nada para antes de três ou quatro dias – revelou Ronald, os olhos cansados de tanto reler as informações que até agora tinham.

Horas se passaram desde que foram conduzidos à Azkaban. Litros de café foram consumidos, desde então, pensou Podmore, a mente trabalhando em várias direções, mas, ao mesmo tempo, lhe dando informações bobas, como essa, apenas para manter um mínimo de sanidade. Sacou a varinha fez várias cópias do pergaminho que tinha em mãos. Depois, ainda sob o olhar atento dos seus subordinados, ampliou uma das cópias, fixando-a ao mural mais próximo.

_Adrio Avery, Bartolomeu Crouch Jr., Ferri Letrade, Julius Crabbe, Lúcio Malfoy, Martha Baden, North Wilkes, Valério Goyle e Will Travers são os mortos e enterrados em Azkaban, correto? – Ao que Ronald apenas assentiu mudamente, acompanhando uma nova listagem surgir magicamente no mural, apenas com os nomes dos mortos e enterrados na prisão.

David Nulan até ia mencionar que já haviam feito tal seleção de informações, mas não queria interromper o raciocínio do chefe.

_Aleto Carrow, Amico Carrow, Fenrir Lobo Greyback, Gabriel Selwyn, Mathew Mulciber, Rodolfo Lestrange, Sid Gibbon, Stanislau Shunpike, Thorfinn Rowle, Vincent Crabbe e Walden Mcnair cumpriam pena quando essa desgraça aconteceu — e uma nova listagem apareceu.

_Shunpike está em St. Mungus, uma reviravolta impressionante que só reforça as possíveis ligações entre tudo o que estamos investigando – asseverou Ronald.

_Draco Malfoy e Severus Snape foram inocentados de todas as acusações. Na verdade, eles colaboraram com a Ordem da Fênix. Inclusive, analisando as mais recentes benesses jurídicas, foi comprovada a inocência de Lucius Malfoy e, consequentemente, lhe foi concedido o perdão ministerial – completou Tonks, enquanto esfregava a própria testa, tentando afastar de si mesma a potente enxaqueca.

_Graças a isso, senhor, pudemos averiguar que o corpo de Lucius Malfoy não está na prisão – destacou Drake.

_Antônio Dolohov, Augusto Rookwood, Bellatrix Lestrange, Edmundo Cuffe, Gregory Goyle, Pedro Pettigrew, Régulo Black, Gustav Nott e Igor Karkaroff estão mortos, mas os restos não se encontram em Azkaban — mais uma listagem surgiu – e, por fim, temos os que ainda estão desaparecidos, na verdade, gostaria que os considerassem como foragidos: Christian Yaxley, Evan Rosier, John Jugson e Rebastan Lestrange – exigiu o chefe, ao mesmo tempo em que outra listagem se acomodava ao mural.

_Mal começamos a investigar, senhor. Íamos aprofundar as verificações dos corpos que se encontram em Azkaban quando o "banho de sangue" aconteceu.

_O que significa muito, não é, Drake?

_O que quer dizer com isso, Weasley? – Questionou Podmore.

_Ora senhor, não é óbvio? Assim que começamos a investigar em Azkaban, Azkaban é silenciada. E não foi mencionada aqui a ligação do professor Voronin. Encontramos livros dele, livros específicos sobre a elaboração de feitiços, e o professor em questão está, até o momento, desaparecido. Alguém teve um árduo trabalho em camuflar uma possível tentativa de assassinato ao professor Voronin, desviando nossa abordagem.

_Tonks!

A auror procurou com os olhos a origem do chamado. Já Drake e Nulan imaginavam em como poderiam proteger o aspirante a auror da provável reação do chefe. Apesar de não concordarem com as requintadas teorias de Ronald, em algo ele estava correto: as investigações indicavam que Azkaban fora sim mergulhada na corrupção.

_Estamos ocupados agora, auror Bacchi.

_Desculpe, senhor – e o tom de voz continha tanta urgência que Podmore apenas respirou fundo, dispondo-se a ouvir.

_Fale de uma vez, Bacchi – pediu Nymphadora, a cabeça agora a ponto de explodir.

_É o seu marido, o senhor Lupin.

Podmore estremeceu na cadeira ao ouvir o “seu marido”, mas Tonks não se importou nem um pouquinho.

_Por Merlin, diga logo o que aconteceu – e ela já estava de pé, quase colada ao auror Bacchi.

_Hoje mais cedo, no beco diagonal... O senhor Lupin foi atacado?

_COMO? POR MERLIN!

A dor de cabeça chegou a tal nível de intensidade, que Nymphadora precisou se apoiar no colega para não desmoronar ali mesmo, na frente de todos. Podmore ficou de pé com agilidade. Segurou a auror pelo braço e a sentou novamente na poltrona.

_Dora, respire... Eu disse que você deveria ter ficado em casa. Não deveria se preocupar tanto assim. Ele mesmo desfez o vín...

_Como ele está? – Perguntou Ronald, interrompendo a estranha interação entre Tonks e o chefe.

_Agora está estável, em St. Mungus. Ele foi atacado na Madame Malkin – e passou a auror uma carta. – É do senhor Snape. Na verdade, ele solicitou que a senhora comparecesse com urgência ao hospital. Eu estava lá fazendo a segurança do local, mas ele exigiu que eu viesse aqui pessoalmente, pois o acesso ao departamento está restrito hoje, devido ao ocorrido em Azkaban. O senhor Snape não conseguiria estabelecer contato com a senhora.

_Não conseguiria mesmo se tudo estivesse normalizado. Estávamos em Azkaban – revelou Nulan. – O que aconteceu ao senhor Lupin, Bacchi?

_Ao que tudo indica, o senhor Lupin foi atacado por um lobisomem.

Drake arqueou uma sobrancelha. Lobisomem? Em plena luz do dia, no beco diagonal?

_Teddy... Teddy, o meu filho, estava com ele? – Questionou a mulher, enquanto abria o lacre e lia o conteúdo da carta.

_Não senhora. Lupin estava na companhia do senhor Weasley e da esposa dele.

_Dos meus pais? – E Ronald derrubou a poltrona no chão, tamanha a rapidez com a qual ficou de pé.

_Não! Era o seu irmão e a bela esposa veela. Eles estão bem, mas o senhor Lupin foi severamente agredido. Eu preciso voltar ao hospital agora, com licença.

_Estúrgio... – E Dora o encarou, mordendo de leve o lábio inferior. – Severus precisa da minha presença em St. Mungus, imediatamente. Ele está no quarto com Remus, mas há um – e voltou os olhos para a cara, lendo em voz alta as palavras do pocionista – “um grotesco inconveniente, na forma de ser humano, que apenas a sua presença pode dissipar”.

_Certo, vá e leve o ruivo com você.

_Tudo bem – concordou a auror, afastando-se, mas sendo contida em seguida pelos braços do chefe.

_Tome uma poção para enxaqueca quando chegar lá, Dora. Não pense que eu não notei – recomendou Podmore para, em seguida, beijá-la, descaradamente, bem nos lábios.

Nymphadora Tonks se desvencilhou do chefe, vermelha até as orelhas, e caminhou em direção ao elevador.

_Essa você não viu, certo, Weasley? – Brincou Podmore. – Vá de uma vez atrás dela! – Ao que Ronald correu, mesmo que bastante atordoado pela revelação.

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“_Não duvido da sua capacidade, senhor Snape. Contudo, o senhor Lupin não é um caso comum. Ele é um varão lobisomem grávido. Não posso liberá-lo nessas condições. Se for necessário, deveremos avaliar a possibilidade de manter o senhor Lupin aqui durante toda a gestação. Não há casos registrados na medicina bruxa acerca de lobisomens varões gestando. Não posso afirmar que o feto esteja bem, por exemplo.

O tom de voz daquela medibruxa começava a irritá-lo. O que ele estava pensando? Que Remus era algum bichinho de laboratório, que ela poderia ficar “estudando”, ao longo de uma gestação inteira? Ela estava louca! Fez bem em manter Lucius em casa... Caso o loiro estivesse ali, teria enforcado aquela medibruxa com as próprias mãos.

_Pelas informações que a senhora gentilmente nos passou, Remus está estável, os ferimentos estão em processo de recuperação e a cicatrização dos mesmos depende apenas dos cuidados indicados que, ora veja, qualquer profissional gabaritado pode realizar. Já quanto ao feto, bastaria monitorar seu desenvolvimento... Eu estou equivocado, doutora?

_Não senhor Snape, de forma alguma.

_Então, assine à alta. Eu o levarei para casa.

A doutora sorriu cinicamente.

_Assinar a alta é o grande problema, senhor? Pronto... – E assinou o formulário, indicando não apenas a alta do paciente, assim como todos os detalhes do tratamento que deveria seguir.

Severus estreitou os olhos para Morse. Não estava gostando nadinha daquele sorriso besta.

_Ótimo. Posso levá-lo então.

_Evidentemente... Que não, senhor Snape. Além da minha assinatura, uma segunda assinatura é necessária para formalizar a alta. O paciente está inconsciente e não poderá, ele mesmo, fazer isso. Relembro que a alta é condicionada a uma série de especificidades, que apenas os familiares responsáveis pelo senhor Lupin poderão empreender. Ah, bem... Tome aqui – e entregou a ficha com a alta do paciente e uma longa lista de cuidados, afastando-se em seguida.

Caso pudesse, Severus teria rasgado aquele pergaminho. Ou então, teria feito com que fosse engolido pela medibruxa. As mãos habilidosas do pocionista tremiam de raiva.

_Professor, qual é o problema?

_O problema, Bill, é de simples solução. Enquanto Remus não acordar, só quem poderá levá-lo daqui é a esposa dele, Nymphadora Tonks.”

Fleur observou o resto da conversa e, mesmo distante, percebeu que algo não ia bem. Pediu a Victoire que ficasse sentadinha na poltrona e voltou a se aproximar dos dois homens, sendo logo colocada a par da “novidade”.

_Preciso da presença de Tonks – e correu até a recepção. – Por favor, senhorita, preciso utilizar uma lareira.

_Desculpe-me senhor, mas nossas lareiras estão temporariamente bloqueadas, seguindo uma determinação do ministério.

_Bem, uma coruja então – e pegou um pedaço de pergaminho e a pena da recepcionista, sem nem ao menos perguntar se podia. Perdeu alguns segundos ali, rabiscando algumas palavras. Quando se deu por satisfeito, lacrou magicamente a “carta”. – Eu apenas não posso deixar o hospital – continuou Severus, mal notando que tinha Bill e Fleur em seus calcanhares.

_Tampouco é possível enviar qualquer coruja agora, senhor. Creio que o ataque ao senhor Lupin colocou o hospital sob intensa segurança.

O professor bufou frustrado, amassando de leve o pergaminho numa das mãos. Não podia sair do hospital e deixar Remus sozinho, indefeso ante a loucura da tal Morse.

_Um dos aurores que esteve comigo na Madame Malkin está aqui, na emergência. Certamente está fazendo a segurança de Remus. Vou procurá-lo — avisou Bill, enquanto saía à procura do tal auror.

Os dois se afastaram da recepção, mas ainda distante o suficiente da pequena Victoire que, mais calma, divertia-se com ir e vir agitado de todos. Alguns minutos tensos se passaram, mas a busca de Bill trouxe resultados, ou melhor, um auror.

_Senhor Snape? Sou o auror Bacchi. O que houve?

_Contei a ele que precisamos entrar em contato com Tonks – disse Bill, enquanto levava uma das mãos à cabeça. Começava a se sentir enjoado.

_Auror Bacchi, eu preciso que a auror Tonks venha até aqui. O senhor Lupin está estável e se recuperando, mas ela é esposa dele. Precisamos da presença dela, imediatamente. Faria o imenso favor de trazê-la?

_Senhor Snape, eu não posso deixar o meu posto junto ao senhor Lupin, não com um potencial lobisomem por aí. O chefe comeria o meu fígado!

_Eu ficarei ao lado de Remus, até que o senhor retorne. Não sou de solicitar qualquer tipo de favor, contudo, é urgente, auror Bacchi. Por favor, entregue essa carta a ela. Tentaria enviar por outros meios, mas fui informado de que...

_Ah, o senhor não conseguiria, não hoje – e guardou o pergaminho no bolso das vestes. – Estamos todos em nível 5 de segurança. Azkaban – e sussurrou – foi atacada hoje.

Fleur agarrou o braço de Bill, ao passo que Snape apenas estreitou os olhos.

_Digo-lhes isso, porque sei quem vocês três são. Lutaram contra o Lorde, assim como nós aurores. Não tenho maiores detalhes, mas o Departamento está em polvorosa. Bem, como o senhor se compromete em guarnecer o quarto no qual o senhor Lupin se encontra, irei pessoalmente comunicar a auror Tonks. Com licença...

_Professeur – começou Fleur, assim que o auror se afastou. – Faremos assim: o senhor fica aqui com o senhor Lupin. Eu levarei Bill e Victoire para casa e, em seguida, irei a sua residência para avisar a Sirius de que o senhor está bem e de que em breve retornará.

_Seria uma ajuda única e muito bem-vinda. Por favor, peça aos elfos que esvaziem a casa de qualquer obstáculo que possa interferir na chegada de Remus. Certamente, algum auror irá me acompanhar – e lançou um olhar significativo à veela que, arguta, entendeu de forma clara e precisa o motivo do pedido.

_Não se preocupe, professeur. Não haverá nada que possa interferir na chegada do senhor Lupin. E eu ainda preciso entrar em contato com Gabrielle para saber sobre Theo. Até breve. Vamos Bill, você também precisa descansar.

_Obrigado, Fleur e Bill.

_Não há o que agradecer – devolveu Bill.

Severus respirou fundo e se dirigiu ao quarto no qual se encontrava o amigo, de acordo com o que a documentação a alta informava. Naquele curto espaço de tempo, Remus fora transferido para a ala mais próxima da emergência, apenas por questões práticas. Ele estava estável e em franca recuperação.

Procurando se acalmar, Severus caminhou com tranquilidade, ainda que seu cérebro privilegiado lhe bombardeasse de possíveis explicações para o cenário que se apresentava diante dos seus olhos: Azkaban atacada, Remus atacado... Nada bom, nada bom mesmo.

Teria questionado o auror Bacchi acerca do ataque à prisão, mas não havia tempo. Já na porta do quarto, voltou a desejar a presença de Tonks, o mais rápido possível. Sabe-se lá o que...

_O que a senhora está fazendo? – Os olhos escuros fulminavam a mulher que, astuta, sorria de forma amedrontadora.

_Então, o senhor não pretendia me dizer nada, certo?

Remus Lupin jazia sobre a cama, inconsciente e completamente alheio ao que lhe era feito. Ah, aquele víbora!

_Remus Lupin está de alta médica, assinada pela senhora, doutora Morse – e num chicotear de varinha, cobriu o corpo do amigo.

_Sim, de fato eu mesma assinei à alta. Entretanto, foi toda uma dádiva eu ter atinado para uma remotíssima possibilidade. Foi necessário realizar um exame complementar, mas minhas duvidas foram esclarecidas, senhor Snape. Pretendia manter esse fato em segredo de mim, a profissional mais gabaritada para atuar com magos dotados de habilidades especiais?

_Não sei ao que a senhora se refere. A esposa do senhor Lupin está a caminho. Logo o levaremos para casa e então a senhora poderá retornar aos seus afazeres rotineiros, adequados a uma profissional tão gabaritada.

_O senhor Lupin é um lobo ômega.

A voz da mulher alertou o coração de Severus.

_Alterarei os registros médicos dele, senhor Snape. A gestação dele será acompanhada por mim, bem de perto, como exige o Ministério. Com os donceles, as regras são mais frouxas, tendo em vista que não são potencialmente perigosos. Contudo, um ômega gestando? Não temos um caso como esse em mãos a, pelo menos, 120 anos.

_E continuarão sem ter. Não fará nenhuma alteração nos registros médicos de Remus. Ele seria ainda mais perseguido do que já é.

_O senhor está solicitando o meu... Silêncio?

Severus quis sacar a varinha e lançar um obliviate naquela impertinente, contudo, estavam no hospital. Havia diversos sensores de magia, sem mencionar a infinidade de funcionários que poderiam perceber algo estranho. Não... Não podia fazer nada, ao menos não naquele momento.

_Estou, doutora Morse. A senhora não conhece Remus. Ele é bondoso e amoroso com todos, não merece mais essa reviravolta na vida. Quando criança, Remus foi atacado por Greyback. Viveu uma vida terrível, repleta de preconceitos e olhares acusadores, como se ele fosse culpado pela maldição que o consumiu... – É, Severus Snape estava mesmo apelando para o sentimentalismo. – Não é justo que, mais uma vez, ele seja alvo da maldade da hipócrita sociedade bruxa.

_Senhor Snape, não sou vilã. Estou sinceramente preocupada com o senhor Lupin. Ele terá uma gestação dos infernos, desculpe a expressão. Não nego a minha curiosidade de pesquisadora. Eu sou competente e tenho um vasto conhecimento na área. Meu currículo fala por mim... Posso ser de grande ajuda para o senhor Lupin.

_Percebo o seu ponto, doutora.

_Creio que podemos chegar a um acordo benéfico para ambas as partes, não?

_Severus? – A voz de Tonks fez com que ambos se voltassem para a porta.

A auror entrou no quarto, a enxaqueca enfim aliviada devido à poção que lhe fora ministrada instantes antes, por uma gentil enfermeira.

_Imagino que a senhora é a esposa do senhor Lupin? – Questionou Morse, estendendo a mão em direção à recém-chegada.

_Exatamente, sou Tonks – adentrou o quarto de vez. Respondendo ao cumprimento.

_Deixo-os para que conversem. Senhor Snape, irei avisar aos enfermeiros para que iniciem o procedimento de transferência. Temos que levar o senhor Lupin à entrada do hospital. Nossas lareiras estão, temporariamente, bloqueadas.

_Obrigado, Dra. Morse. Entro em contato para que possamos acertar alguns detalhes do tratamento.

_Aguardo a sua coruja até amanhã, senhor Snape. Oh, quase esqueci – e retirou um pacote reduzido do bolso, passando-o ao professor. – As vestes reparadas e higienizadas do senhor Lupin. Com licença.

Nymphadora nem prestou muita atenção ao desenrolar da conversa, pois tinha os olhos fixos em Remus. Não pôde conter as lágrimas, pois, apesar de tudo, nunca deixara de amá-lo, ainda que esse amor tenha se adequado a outro tipo de amor, talvez, o amor que sempre devessem ter professado um pelo outro: o amor da amizade.

Bem, ela sabia que havia sido uma cretina com Remus. Ela o traíra da forma mais vil possível e para isso não havia desculpa. Contudo, não poderia ser de todo culpada, poderia? Não quando Remus não lhe dava aquilo que ela tanto necessitava. Sabia que deveriam ter conversado, que havia agido mal... Mas ela não queria perdê-lo também.

Tudo ficou tão confuso que, quando a bebê nasceu, mais aparecia que haviam jogado uma tonelada de areia em cima da sua cabeça. Então Podmore pressionou mais, exigindo uma definição. E ela o fez. Contou a verdade ao marido, quer dizer, ainda eram marido e esposa? Em especial depois que Remus havia, sabe-se lá como, rompido o vínculo que os unia?

_Um lobisomem... Por Merlin, Remus!

_Nymphadora?

_Oh, desculpe-me, Severus... Olhando-o assim, por Merlin, ele está mesmo bem?

_Está estável, mas bastante machucado. Eu cuidarei dele, pode ter certeza disso.

_É, eu sei que ele está morando contigo. Teddy... Teddy me disse e Remus não pôde negar. Sabe, Severus, sei que você não vai me contar quem é, mas fico feliz que Remus já tenha alguém que cuide dele para variar, alguém que ele ame. Ainda mais quando eu... – E secou uma lágrima traiçoeira. – Quanto a Teddy, eu...

_Por favor, Nymphadora, não separe os dois.

_Teddy também é meu filho, Severus. E eu quase não o vejo...

Severus não queria acreditar que estava tendo aquele tipo de conversar com a auror. Por Merlin, só faltava agora também exigirem dele especialização em “conselhos sentimentais”.

_Vocês dois precisam conversar seriamente, como os adultos que são. Creio que a guarda compartilhada é o melhor, para ambos. Contudo, esse não é momento de debater sobre esse ponto. Teddy continuará a ser bem cuidado por mim, enquanto Remus se recupera. E você, como mãe, tem livre acesso a minha residência. Ninguém está impedindo que fique com o seu filho, peço apenas que, no momento, deixe a situação como está – e estendeu a ela a documentação da alta. – Assine, por favor. Preciso levá-lo para casa. Aqui ele está mais que vulnerável, ainda mais depois do ataque a Azkaban.

_Como soube? Ah, esqueça. Bacchi deve ter contado. Severus... Você será inteirado dos detalhes, mas não por mim – e assinou a documentação. – Rony está lá fora e deve estar preocupado... Sabe, não seria melhor que, pelo menos por hoje, Teddy ficasse comigo? Amanhã, com calma, conto a ele o que ocorreu e o levo de volta para a sua casa.

_Sem dúvida alguma é melhor assim – e Severus confiava que Fleur tivesse realmente entendido a necessidade de ocultar Lucius.

_Então vista Remus, por favor, Severus. Vou chamar os enfermeiros – e saiu do quarto, dando tempo para que Severus pudesse vestir o amigo com as vestes caras escolhidas por Lucius.

Apesar do feitiço que reparou as vestes, as mesmas apresentavam visíveis áreas danificadas. Não havia mais sangue nem nada do tipo, mas ainda assim ficava claro: havia sido um ataque brutal.

_Um veela ciumento e possessivo, uma medibruxa obstinada em fazer de você seu alvo de pesquisa e um lobisomem em seu encalço... Ah, Remus, já estou sentindo pena de você, meu amigo.

Mal o vestiu, dois enfermeiros entraram no quarto, acompanhados por Ronald. Deixaram o quarto e com cuidado, os enfermeiros levaram Remus até a entrada hospital. Havia uma saída sim, é óbvio, contudo, os aurores optaram por deixar uma única via de acesso livre.

_É seguro aparatar, senhor Snape – disse-lhe a voz da Dra. Morse. A mulher estava mesmo perseguindo Remus, por Merlin.

Snape então ergueu Remus e aparatou, sendo acompanhado pelos dois aurores. O jardim de Prince´s House já havia sido tomado pelo entardecer.

_Ronald, eu vou para o fundo da casa. Você e Nymphadora vão pela entrada principal. Levem Teddy para a cozinha e o distraiam.

_Por que não aparatamos na sala?

_Não queremos que Teddy saiba de nada dessa forma, Rony. Vamos lá. Cuidado, Severus.

Toda a ação não durou mais que alguns minutos. Severus entrou pelos fundos e, assim que ouviu a voz de Teddy num alto “mamãe”, soube que era a oportunidade de subir escada acima e levar Remus ao quarto. Mal o deitou sobre a cama, Esther apareceu. Poderia jurar que a mulher tinha aparatado.

_Severus, o que aconteceu? Uma jovenzinha com um belo sotaque francês veio aqui e nos disse para manter Lucius escondido. Achei melhor que Fred, Andreas e eu também ficássemos escondidos aqui em cima.

O professor sorriu diante da mente ágil e sagaz da bondosa senhora.

_Fez muito bem.

_O que houve com Remus?

_Eu contarei, mas fique tranquila. Ele está medicado e estável. E Sirius?

_Está impossível – e sorriu, ainda que preocupada. – Logo, está muito bem.

_E Lucius?

_O senhor Taylor está com ele.

_Ótimo. Fique aqui, por favor. Teddy passará a noite com a mãe dele. Assim que ela for embora, contarei a vocês tudo o que aconteceu. Na verdade, imagino que após uma longa conversa com Ronald Weasley, deverei enviar muitas corujas ainda hoje.

Notas finais
_Adam, o que foi? Por que me chamou? – E sentou na cadeira ao lado do jovem advogado. Adam estava tenso, o corpo inteiro tremia. A xícara de chá caiu sobre a mesa da cozinha e, por muita sorte, não se rompeu em pedaços. _Nada, Andy... Nada mesmo. Podemos ir? _Achei que fôssemos passar a noite aqui. O senhor Snape foi categórico quanto aos possíveis autores, quer dizer, aurores, que podem estar monitorando a casa hoje, devido ao ataque. _Bem, eu prefiro ir. Você estará seguro comigo, portanto... _ADAM TAYLOR! A voz de Lucius irrompeu cozinha adentro e, dessa vez, a pobre xícara não teve a mesma sorte. Adam ficou de pé com muita pressa, a varinha bem segura na mão direita. _ONDE ESTÁ ESSE ADVOGADOZINHO MEQUETREFE? – Ao que Adam se escondeu debaixo da mesa, toda dignidade de mago indo pelo ralo. O som de passos descendo a escada fazia o coração de Adam bater mais forte. Por baixo da mesa, ele segurou a mão de Andy. _EU VOU ENSINAR A AQUELE ESTÚPIDO COMO É QUE SE INCAPACITA ALGUÉM! _Andy... Vamos! – E o esconderijo sob a mesa foi deixado, ao passo em que Andreas sentiu a si mesmo ser puxado cozinha afora. A porta da cozinha se abriu. Por ela, lentamente, entraram Severus e Lucius. O loiro sorria maldoso, já Severus o recriminava fortemente com o olhar. _Adam Taylor é jovem, mas pode ter facilmente um ataque cardíaco. Deveria agradecê-lo por ter te impedido de sair, não assustá-lo. Lucius convocou uma xícara e, já sentado na cadeira, se serviu de uma boa dose de chá. _Ora, Severus, eu estou agradecendo... Afinal, ele fugiu, mas levou Andreas com ele, certo? O professor arqueou uma sobrancelha, imaginando toda a perversão que um veela era capaz de armazenar na mente.