Submisso

63 Capítulo 63 – Código Morse


Notas iniciais
>Olá!!!! >Eu sei, eu sei... Tá lento o meu ritmo de postagens, mas tá difícil mesmo gente! Tô conseguindo uma vez por mês! Palmas para a Núbia! >Cap tenso, escrevi hj... Poucos aparecem, já aviso logo! >Agradecendo a fofíssima e linda recomendação da gabysfagundes! Amei, amei, amei!!! Ah, ela chegou em mais que boa hora! Eu já disse e repito: recomendações e comentários são meu combustível! Adoro bater papo com vcs e só o faço por aqui! >Agradecendo a minha amiguinha que continua digitando pra mim, mas essa semana eu me livro disso! >Aos erros, cuidado! >Respondendo aos comentários em 3, 2, 1! >Obrigada pelo carinho de todos! Submisso é para o deleite de vcs,seus lindos e lindas! >Sem mais, CÓDIGO MORSE!

Capítulo 63 – Código Morse

Optou por aparatar numa rua paralela a casa do professor Snape, pois assim poderia acertar os últimos detalhes antes de levar o belo jovem grego até Lucius. Por últimos detalhes entenda acordá-lo com um enervate. Evidentemente, aproveitaria até o derradeiro instante. Beijou-o enquanto Andreas, atordoado, abria os olhos.

_Hum... Delicioso... – Sussurrou o advogado, antes de voltar ao beijo.

Andreas sentia o corpo ser acariciado. Já nos lábios, bem... Não poderia dizer que se tratava de um simples caricia. A carne dos lábios ardia com os movimentos feitos contra ela, mas era um ardor bom, quente e molhado. Estava sendo beijado... E a explosão de sensações dentro de si o desconcertava.

Mal percebeu que, além de se entregar ao ósculo, contribuía para torná-lo mais abrasador. Como? Simples, ao invés de se afastar, ele abriu a boca permitindo a passagem da língua voraz que, sem qualquer barreira, o invadiu.

Com os braços, rodeou o pescoço de quem o segurava e gemeu prazerosamente, rendendo-se ao forte aperto dos braços em torno de si. Não precisou abrir os olhos para saber quem o apertava e erguia levemente do chão. A fragrância era única, só a sentira nele... Adam Taylor.

_Aaaah, Andy... – Sussurrou novamente o advogado, mais que excitado por obter alguma colaboração. – Isso significa que eu tenho uma chance?

_Não sou nenhum adolescente estúpido, doutor Taylor... Sei que fez algo para que eu ignorasse meus próprios freios e me jogasse em seus braços.

Adam sorriu maliciosamente, colando-se ainda mais ao grego, a língua traçando desenhos indefiníveis sobre o lóbulo da orelha esquerda de Andreas, ao que o mesmo suspirava.

_Não fiz nada, Andy. É apenas a minha sensualidade natural.

_Por Deus! Você supera qualquer ser humano em arrogância, egocentrismo e metidez.

_Posso parecer um Deus, mas sou apenas humano, Andy. Já você... É todo um Adônis.

Andreas se soltou dele e olhou ao redor, o belo rosto se contraindo numa expressão de dúvida.

_Estamos numa das ruas próximas à da casa do senhor Snape.

_Então você caiu em si e desistiu daquele joguinho no escritório? Puxa, agora você subiu mesmo no meu conceito.

O advogado riu e estendeu a mão para o jovem que, de bom grado, aceitou o cuidado. Instantes depois, ambos sentiram sob os pés a grama fofa do bem cuidado jardim de Prince's House. E Taylor manteve certa distância ao conduzi-lo casa adentro.

_Oh, finalmente doutor Taylor. Pensei que teria que pedir a Severus para rastreá-lo.

_O que, sem sombra de dúvida, eu acharia deveras divertido de fazer, devo acrescentar.

Andreas sorriu com a gracinha para, em seguida, cumprimentar o dono da casa e o ilustre hóspede, Lucius Malfoy. O loiro estava mais que bem. Não sabia a ciência exata do tratamento que lhe estava sendo ministrado, mas era bom o bastante para revitalizá-lo e até mesmo rejuvenescê-lo.

Lucius parecia ter ao redor dos trinta e poucos, o que o assemelhava em aparência aos demais homens maduros da residência. Qual seria a verdadeira idade de Severos, Remus e Lucius?

_Venha cá, Andy. Sente-se ao meu lado.

Andreas fez o desejado, sentando-se entre os dois sonserinos. Magicamente, uma xícara de chá surgiu diante dele.

_Taylor, deseja um pouco de chá? – Perguntou o senhor da casa.

_Não, obrigado. Preciso voltar ao trabalho. Por favor, avise ao senhor Lupin que amanhã mesmo entrarei com o pedido oficial de separação.

_Assumi que Tonks já havia entrado com o pedido de separação.

_Bem, professor... Quer dizer, senhor Snape, ao que tudo indicava, sim, contudo, o senhor Lupin não foi oficialmente demandado. Como há certa urgência em solucionar a celeuma acerca da guarda do menor, devemos ser proativos. E, claro, entrando com o pedido, poderemos acelerar o rompimento do vínculo mágico que ainda une o senhor Lupin à ex-companheira.

Andreas sorvia o chá quando sentiu a mais que visível mudança na atitude de Lucius... Por que o homem ficara irritado?

_Remus já não mais está vinculado à Nymphadora Tonks, que fique claro – soltou Lucius, enquanto inspecionava o futuro psicólogo. – Nunca deveria ter ocorrido tamanha aberração. Edward representa o único beneficio de tamanho absurdo. Lupin e Tonks não tem mais nenhum tipo de relacionamento.

Adam Taylor era um homem mais que perspicaz. Ali havia fumaça e onde havia fumaça... Divertindo-se com as reações tão pouco Malfoy, resolveu se aprofundar nas próprias divagações.

_Devo assumir então que o senhor Lupin está envolvido magicamente com uma nova parceira? E ela deve ser realmente poderosa, para romper o vínculo sem necessitar do auxilio ministerial. Preciso então dos dados da senhorita em questão, para possíveis fundamentações do pedido de separação. Pelo que constava, a ex-companheira dele, apesar de viver com outro varão, não desfez o vínculo de forma unilateral.

_Bem, será impossível fornecer os dados da pessoa que está com Remus num processo.

_Senhor Snape, creio que devo insistir nesse ponto. A auror Tonks pode utilizar essa informação a favor dela e taxar o senhor Lupin de imoral, o que seria deveras prejudicial ao deferimento do pedido de manutenção da guarda do filho de ambos.

_Imoral? Remus imoral? – Lucius estava vermelho de raiva, as palavras saindo como lanças dos seus lábios. – Doutor Adam Taylor, meça as suas palavras!

_Aprendi com o senhor a analisar as tendências jurisprudenciais, logo, posso afirmar que nossos tribunais ainda são muito conservadores. Evidentemente, eu não considero o senhor Lupin imoral, muito pelo contrário. Ele foi enganado por essa senhora durante uma gestação inteira e, convenhamos, sabe-se lá por quanto tempo antes disso. Contudo, sou advogado e devo me ater aos fatos. O senhor Lupin rompeu o vínculo sem a permissão legal, independentemente de ter sido traído pela esposa antes disso. Esse simples fato faz com que percamos imensa vantagem sobre um possível deferimento acerca da guarda a nosso favor, sabe disso. Não sou quem o taxará de imoral, os nossos magistrados o farão.

Lucius ficou de pé e deu alguns passos em direção ao advogado. Severus se apressou e acompanhou Lucius, pois queria evitar uma possível carnificina bem ali, no meio da própria sala. Curiosamente, o jogo de chá desapareceu. Ah, os cuidadosos elfos domésticos.

_Remus é a pessoa mais bondosa que conheci. Não merece ser considerado um imoral... – Revelou o veela, a magia estalando a seu redor.

_Vocês não vão brigar, não é?

_Brigar? Claro que não, Andy. Eu nunca cometeria tal desatino. Conheço bem o meu lugar e já tive experiências negativas para uma vida, quando o assunto é lidar com um Malfoy irritado.

_Tampouco Lucius faria algo tão deselegante – mas se via que Snape, embora afirmasse o contrário, não parecia realmente convicto das próprias palavras.

_Lucius, o doutor Taylor precisa saber o que está acontecendo – recomendou o pocionista, o tom de voz pausado e sem chance de ser contrariado.

O loiro apenas assentiu, encarando Taylor com resignação. Teria que contar a ele. Não queria sair por aí divulgando o fato de que Remus, o seu Remus, era um lobo ômega, ainda mais colocar tal informação num pedido judicial. Os velhacos do tribunal exigiriam comprovação, disso nem ele, nem Severus tinham dúvida alguma. E só de imaginar Remus sendo constrangido a provar o que era, ah... O sangue de Lucius fervia.

Já o advogado em questão percebeu que o assunto, fosse qual fosse, era por demais particular e delicado. Algo misterioso envolvia a identidade da parceira do senhor Lupin e agora ele mesmo estava pessoalmente interessado em saber a verdade.

_Andreas, poderia ir ao andar de cima? – Pediu o patriarca Malfoy. – Frederick ficou bastante preocupado com o seu aparente sumiço. Temos feitiços sobre você, por isso sabíamos que não estava em real perigo, contudo, todos nós ficamos preocupados.

_Lucius, eu acho melhor ficar aqui mesmo – e pousou os olhos em Adam, a face demonstrando preocupação e temor.

_Andy, suba – recomendou o doutor, o rosto explodindo de felicidade ao perceber que sim, Andreas se importava com ele. – Fique tranquilo, pois nós apenas conversaremos. Creio que o senhor Malfoy tem um assunto privado a tratar, algo que requer todo o meu sigilo profissional. Eu o conheço demasiado para estar equivocado, certo?

_Se não fosse um corvinal tão inteligente, já teria sido vertido num inferi, tamanho e o seu atrevimento – ralhou o loiro, embora não houvesse de fato muita raiva em seu tom de voz.

Andreas, apesar de desejar permanecer na sala, percebeu que os três nobres senhores não falariam mais nada, ao menos não enquanto ele estivesse por ali. Dessa forma, subiu a escada.

_Andreas estava comigo – esclareceu Adam, assim que o grego sumiu das vistas de todos. – Fui encontrá-lo mais cedo e passamos um tempo juntos. Ele está me mostrando um lado do mundo trouxa que eu não conhecia.

_Adam Taylor, eu o respeito enquanto profissional. Sempre foi ladino, escorregadio e deveras inteligente. Entretanto, tenho em conta seus outros atributos. Esqueça Andreas. Não quero você perto dele. Conheço-o bem o suficiente para saber o tipo de interesse que o move e, sinceramente, desde quando se tornou tão entusiasmado com o Mundo Trouxa?

Severus respirou fundo, buscando encontrar dentro de si um pouco mais de paciência. Hoje estava sendo um dia particularmente complicado. Sirius havia dormido, mas esteve bastante exigente de sua atenção até conciliar o sono. E agora, Adam e Lucius bancando duas crianças melequentas do primeiro ano... Por Merlin!

_Lucius e Adam, por favor, podemos voltar à conversa que sustentávamos? Aquela acerca de Remus e da guarda de Teddy?

_Edward... Chame-o pelo nome, Severus.

_Ora, que seja! Podemos deixar de lado as distrações? – E lançou um abaffatio.

_Certamente – concordou Taylor. – Creio que o senhor Malfoy iria me explicar o porquê de termos que ocultar a identidade da nova parceira do senhor Lupin.

O nobre patriarca conteve a vontade de exigir que o doutorzinho contasse tudo o que havia feito com Andreas, mas optou por voltar à temática anterior. Afinal, a guarda de Edward era muito mais importante, no momento.

_Remus não tem uma parceira.

_Então como conseguiu romper o vínculo?

_Deixe Lucius terminar – pediu Severus.

O pocionista já estava cansado de tentar apaziguar os ânimos. Quando percebeu que ambos retornaram à normalidade, voltou ao sofá, afastando-se de ambos. Então esfregou o rosto com uma das mãos e, após alguns segundos, encarou o amigo. E o que viu o fez se preocupar. O veela, subitamente, havia empalidecido uns 50 tons.

_Lucius, o que foi? O que está sentindo?

_Senhor Malfoy?

O patriarca arfou de forma profunda, levando a mão ao pescoço. Não era exatamente dolorido, contudo a sensação na própria carne era terrível. Sentiu-se sendo lacerado. O que estava acontecendo?

_Senhor Malfoy, não quer se sentar? – Perguntou Adam, os olhos indo de um sonserino ao outro.

O patriarca rosnou. A magia veela que tinha em si se avolumou, ao mesmo tempo em que uma das mãos ia ao bolso das vestes, um movimento realizado milhares de vezes numa longa vida.

Severus sacou a varinha, antes que Lucius fosse bem sucedido. Ele sabia... Ele conhecia cada trejeito do esnobe que tinha como melhor amigo. Aquele modo ansioso de mover os dedos só poderia significar uma coisa. Por alguma razão, Lucius esteve a ponto de aparatar!

_Não, Lucius! Você não vai a lugar algum!

Lucius sentiu a magia de Severus sobre si. Um feitiço antiaparatação. A magia de Lucius reagiu, a onda de choque empurrando Taylor para longe. Já Severus foi derrubado do sofá, mas se manteve empenhado em impedir que o loiro cometesse uma loucura. Com pressa, voltou a apontar a própria varinha na direção dele.

_AAAAH!

O grito proferido pelo veela sacudiu a casa. Ele caiu no chão, enquanto Severus foi rápido o suficiente para lançar uma barreira de proteção no andar de cima. Contudo, uma nova onda mágica o arremessou no outro lado da sala. Oh, doeu. Como doeu. Mas não tinha tempo para chafurdar no próprio sofrimento, pois precisava impedir que o amigo fizesse uma tremenda bobagem.

_O que está fazendo? Está cruciando o senhor Malfoy? – E Adam estava de boca aberta, o corpo dolorido do baque sofrido pela magia do loiro.

_Expelliarmus! – E Severus, ainda caído no chão, conseguiu lhe tirar a varinha, embolsando-a em seguida.

Na verdade, ele mal podia acreditar que toda aquela magia vinha do patriarca Malfoy. Ele quase havia sido projetado no jardim!

Lucius foi então tomado por uma atroz agonia. Oh, por Merlin! Estava sufocando... Estava se esvaindo... Não, não ele... Ele estava em perigo! Gritou novamente, curvando-se em sofrimento numa postura semelhante à de quem era ferozmente açoitado.

_Senhor Malfoy! – Chamou Adam, finalmente conseguindo se aproximar. – Professor, por que está fazendo isso? – E se agachou, tentando compreender o que ocorria.

_Não sou eu! – Esclareceu o pocionista, ao mesmo tempo em que conseguia ficar de pé.

Então Lucius se incorporou, os olhos faiscando em direção à lareira.

_ADAM, IMPEÇA-O! ELE NÃO PODE SAIR DESSA CASA!

O comando de Snape foi prontamente atendido. Adam buscou prendê-lo entre os braços, mas a magia do veela o repeliu. Algo o impelia a agir por instinto, disso os dois espectadores daquela cena tinham certeza. Lucius se movimentou felinamente, desvencilhando-se do advogado, assim como do feitiço do corpo preso lançado pelo professor em franca aproximação.

_LUCIUS, NÃO! – E Severus literalmente se jogou entre ele e a lareira.

_Incarcerous!

De forma rápida e precisa, o feitiço de Adam prendeu o patriarca Malfoy, impedindo sua iminente “fuga”. Firmes e sem folga alguma, as cordas foram, mais que eficazes, pois deram tempo a Severus de se recompor. O professor ficou de pé e conduziu o amigo para o sofá.

_Mobile corpus...

_Desfaça esse feitiço! – E a voz de Lucius beirava a súplica.

_Não até que me diga o que está acontecendo – definiu Severus com a varinha em riste. Já a outra mão massageava o próprio abdômen. – Você está bem, Adam?

O doutor Taylor apresentava a respiração agitada. Enquanto se sentava num dos sofás, sustentava no rosto, era mais que perceptível, uma expressão de puro horror por ter precisado lançar um incarcerous contra o seu guru intelectual.

_Estou bem. Senhor Malfoy, perdoe-me por...

_Desfaça agora! Severus... Severus é Re...

O que mais Lucius diria foi interrompido pelas chamas verdes. Péssimo! Péssimo mesmo! Não teriam como esconder Lucius e já era tarde demais para bloquear a lareira.

_Professeur Snape! C’est moi, Fleur... Oh, mon Dieu! Le pére de Draco!

A veela saía apressada da lareira, pouco se importando com a fuligem recém-adquirida. Estava estarrecida ao encontrar o senhor Malfoy ali, amarrado e imobilizado no sofá da sala de Prince’s House.

_Je pensé qu’il est mort! – Disse novamente a mulher, ainda em negação ao que os seus olhos registravam.

_Alguém vai realmente morrer se não desfizer o incarcerous, entendeu Adam?

_Il est vraiment vivant!

_Senhora Weasley, por favor, sem faniquitos em francês. Não estou com humor para qualquer tipo de embate linguístico no momento. Por Merlin, terei que obliviá-la! – Resmungou Severus, indignado consigo mesmo por não ter bloqueado a lareira para o acesso da veela.

A lareira havia sido bloqueada ara tantas pessoas, contudo, os Weasley nunca foram uma ameaça e tinham conseguido mantê-los afastados até o momento. De fato, ter bloqueado a todos eles teria indicado que havia algo a esconder, exatamente o oposto do que pretendiam. Não tinha dúvida alguma: a única forma de manter a presença de Lucius sob sigilo era apagar a mente da esposa de Bill.

_Espere professor! Não será necessário um obliviate. Não sei o que está havendo, mas Bill me disse que o papai de Draco foi inocentado, mesmo depois de morto. Bem, mas ele agora está vivo e...

_TAYLOR! – E Adam desejou que tivesse ignorado a ameaça de Remus e passado o dia inteiro com Andy.

_O que a trouxe aqui, Fleur? E, por Merlin... Isso é sangue nas suas vestes?

_O feitiço de limpeza que fiz não foi muito eficiente... E também, havia muito sangue.

A magia de Lucius se elevou de forma brutal, pulverizando as cordas. Fleur sentiu o poder selvagem vindo dele. Ah, como não identificar a origem daquela magia? Os olhos dela encontraram os olhos cinzas que, chocados, mal puderam piscar ao se fixar em tanto sangue.

_Esse sangue... – E o loiro estendeu a mão para a jovem francesa, num ato de súplica.

A máscara de frieza de Lucius já havia ido para o buraco há séculos. Todos os seus sentidos lhe diziam que aquele sangue – e tentou se controlar para não pensar repetidamente em “o sangue dele” – era de...

_É do senhor Lupin – confirmou Fleur, bem baixinho e cheia de sentimento, todo e qualquer possível questionamento sobre a presença de Lucius Mallfoy naquela casa esquecida.

Ah, ela compartilhava daquela dor. Ela poderia não ser uma veela dominante, mas era uma veela enfim. Percebia que o senhor Malfoy não era tão poderosos quanto Draco, contudo, também era um veela. A relação que estabelecera com o senhor Lupin era por demais especial para ser, simplesmente, ignorada. Ainda no chão da Madame Malkin ela notou... Quem com sangue de criaturas mágicas não perceberia?

_Remus... Esse sangue é de Remus? Por Merlin, o que aconteceu? – E a voz de Snape sair genuinamente preocupada alertou Fleur: ela precisa ser rápida nas explicações, ou aqueles homens iriam acabar nem St. Mungus também.

A bela francesa ignorou os efeitos perniciosos da magia veela e se aproximou de Lucius, para, em seguida, abraçar-se a ele com vigor. Era visível o resultado. A magia de Fleur controlou a de Lucius, fazendo-o verdadeiramente se acalmar. Bem, pelo menos se acalmar o suficiente para que ela pudesse explicar os desenlaces na loja de Madame Malkin.

_Ocorreu há poucos minutos – e se soltou do loiro, mas manteve o olhar fixo nele. – Eu estava com Bill e Victoire, na Madame Malkin. Não sabemos ao certo por quem, mas o senhor Lupin foi atacado. Eu o encontrei caído no chão da loja da modista, em meio à confusão de vestes. Ele estava muito ferido e perdia muito sangue. Os medibruxos chegaram quase que instantaneamente. Estão tentando estabilizá-lo enquanto conversamos. Ele é o seu parceiro, não é, senhor Malfoy? O senhor é um dominante e ele é um... Submisso, um ômega. Senti o aroma adocicado nele... E ele está... – Lucius apenas assentiu.

Taylor não ficou tão surpreso com o fato de Lucius estar ligado ao lupino, contudo, ouvir a mulher proferir “ômega”, fez seus olhos se arregalarem em espanto. Ora, ele era demasiado corvinal para não saber do que se tratava. Agora entendia a negativa de Lucius em explicitar a natureza do vínculo de Remus. Um ômega era ainda mais desejado que um doncel. Por Merlin, tinham um gigantesco problema nas mãos.

_Ele está mal, muito mal... Eu posso sentir em minha magia – disse o loiro coma voz trêmula.

Snape lançou feitiços à lareira, bloqueando-a por tempo indeterminado. Não permitiria que Lucius se colocasse em risco, não depois de tudo o que aconteceu. Como definir a expressão que o amigo sustentava? Ah, era impossível definir com clareza, pois agora os olhos cinzas refletiam desespero, angustia, medo, dor, tristeza, ansiedade e amor, tudo ali, bem diante deles, sem que nem ao menos tentasse disfarçar.

_Severus, por favor... – E dos olhos tempestuosos praticamente precipitavam lágrimas. – Eu preciso ir até lá. Você não pode me prender aqui, não com Remus...

_Absolutamente fora de cogitação! Você não sairá de Prince’s House, Lucius. Eu vou agora para St. Mungus. Prometo entrar em contato, mas você ficará aqui.

_Você não entende? Ele é meu... Meu ômega.

_Sou bastante arguto, meu caro amigo, portanto compreendo claramente o que significa ser um ômega. Eu sei há anos... Entretanto, ele é um lupino, por natureza mágica mais resistente que qualquer outro mago. Eu tenho certeza de que Remus ficará bem. Agora, procure se acalmar, ou até mesmo Draco perceberá a instabilidade na sua magia e virá até aqui atrás de explicações. E creio já ter lidado com veelas demais em choque, para toda uma vida.

_Então me devolva a minha varinha – pediu com a voz pausada, falsamente calma, disso qualquer tinha se dado conta.

_Não. Desculpe-me, Lucius. No momento, eu não confio muito na sua capacidade de julgamento.

_ELE É O MEU ÔMEGA!

Fleur o agarrou novamente, contendo-o enfim no sofá. A habilidade da jovem em manipular a magia selvagem e animalesca era, de fato, impressionante. Agora Severus entendia o porquê de Draco ter conseguido tão rapidamente se controlar. Fleur era poderosa... Imaginava o que ela a irmã não eram capazes de fazer.

_O que fez ao senhor Malfoy? – E a voz de Adam ecoou de forma quase irreal, tamanha tensão do ambiente.

_Nada demais. Eu apenas o induzi a uma espécie de torpor. Ele acordará em algumas horas. Professor, eu voltarei com o senhor para St. Mungus. Bill está lá, sendo atendido também. Não comentarei nada com Bill, mas preciso saber como o senhor Malfoy ressuscitou – e já estava de pé, pois tinham que agir rápido.

Antes mesmo que Severus concordar, uma coruja adentrou a sala, deixando a sua carga cair nas mãos do pocionista. Cansado de tantos problemas, Severus identificou a letra de Hermione Granger.

_Oh, por Merlin!

_O que aconteceu agora? – Questionou Adam, já imaginando que boas notícias não seriam acompanhadas pela careta grotesca sustentada por Snape.

_Theodore... Ele agora está bem, mas houve um princípio de aborto, hoje mais cedo.

_Oh, mon Die!

_Adam, por favor, preciso que fique aqui até que eu retorne. Vigie Lucius e explique a Sirius que eu precisei sair rapidamente.

_Claro, professor – e se sentiu na escola novamente, devido ao tom de concordância imediata com o qual falou. – Digo a ele algo sobre o senhor Lupin?

_De forma alguma. Leve Lucius para o quarto e vigie-o até que eu retorne. Caso Sirius pergunte, diga que precisei tratar de assuntos de Hogwarts. Entro em contato assim que tiver notícias de Remus. Fleur, vamos?

A loira apenas assentiu. Estava ainda atordoada pela informação da carta de Hermione. O que teria acontecido com Theodore para que ele quase abortasse? Gabrielle deveria estar devastada.

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“_Oh, Bill... Eu diria que esta sim é uma grata coincidência.

_Lupin... É mesmo você?

Bill ficou de pé e foi até o mais que belo ser a sal frente. O delicioso aroma... Ah, era divino! Estendeu a mão para o bondoso homem, aproveitando para analisar bem de perto todas as mudanças visíveis.

_Sim, sou eu... Um pouco diferente, mas sou eu – e apertou a mão que aguardava a sua.

_Está bem... Muito bem. Coisa de lobos, certo? – E Remus ruborizou, fazendo Bill rir. – Fleur vai adorar vê-lo assim. Incrivelmente, ela sabe muito mais de criaturas mágicas do que muitas pessoas. Já eu, bem... Eu posso perceber o motivo mais claramente porque tenho algo de lobo de mim.

_Oh, sim... Verdade.

_Está passeando, Lupin? Veio com Teddy? Victoire está lá dentro com Fleur.

_Eu vim sozinho. Passei no escritório do Dr. Taylor, mas não o encontrei. Então, vim aqui porque... – Contudo, a explicação não se completou.

A porta se abriu bruscamente, captando a atenção e ambos. Aconteceu rápido demais, não lhe dando tempo algum de reação. As araras com roupas voaram em sua direção, impedindo que enxergasse a origem do recente caos.

As vestes se espalhavam, por todos os lados quando um borrão correu até eles e arremessou o filho de Arthur no fundo da loja. O som da pancada retumbou pelo estabelecimento, sendo seguido de alguns gritos femininos.

_Oh, mon Dieu! Bill!

Tendo os gritos ao fundo, viu o que lhe pareceu ter sido um homem um dia. Com toda a confusão de vestes esvoaçando e gritos de crianças, mal pôde identificar se era, de fato, um homem. Viu apenas parte de um rosto, pois o restante estava coberto por um espesso capuz.

Tentou enfrentá-lo, mas ele era extremamente veloz. E então sentiu seu corpo inteiro gritar em protesto, ao ser levado ao chão. A varinha lhe escapou quando teve as mãos estavam presas firmemente acima da cabeça. O aperto em seus pulsos foi tão forte que, enquanto gritava dor, jurava poder ouvir o som dos próprios ossos se estilhaçando. E quase vomitou ao ter o pescoço invadido pelo contato com aquele ser violento.

_QUEM SE ATREVEU?

Quem o prendia tinha um corpo avantajado e estava furioso. A mordida desferida contra si foi lacerante. Sentiu o sangue jorrar, quente e contínuo, ao mesmo tempo em que mais mordidas lhe eram destinadas. Suas mãos foram soltas, mas já não prestavam para nada. Foi virado de costas para ter a pele rasgada...

_ QUEM SE ATREVEU?

O que era aquilo? Garras? Como aquele homem podia deixa-lo assim, rendido, ferido e se esvaindo em sangue, com... Mordidas e arranhões?

_Desmaius! – E o peso do corpo sobre o seu sumiu.

Não havia mais ninguém sobre si, lhe ferindo. Contudo, estava esgotado... Percebeu a aproximação de outra pessoa, mas não tinha forças para tentar identificar quem era. Antes de desmaiar pôde ouvir característico “crack” (aparatação) e a voz doce de alguém, aflita, perguntando como ele estava... Como ele estava? Não fazia ideia...

_Pode me ouvir? – Perguntou a veela, sem obter mais qualquer resposta.

_Mamãe... – A menina tentava se soltar dos braços da modista, sem sucesso.

_Calma, meu amor. Fique com a madame, por favor. Tudo vai ficar bem. Não há mais ninguém na loja... Só ele.

_Por Merlin! Quem é esse?

_Creio que é... O senhor Lupin – e o aroma adocicado e envolvente lhe atingiu. Oh, percebeu na hora do que se tratava. – Monsier Lupin, vous me entendez? Oh, mon Dieu... Ele desmaiou.

A veela pegou a varinha e fez um feitiço que aprendera com a mãe. Deveria conter a hemorragia dos cortes, mas não estava funcionando como deveria.

_ Não consigo estancar o sangue. Madame, vite! Chame os medibruxos! – apressou-a Fleur. – BILL WEASLEY, LEVANTE LOGO! VOCÊ ESTÁ ÓTIMO!

Madame Malkin tinha Victoire nos braços e correu com ela de volta ao interior do ateliê. Antes, quando ouviram um barulho seguido de vários outros, acionaram os aurores. Fleur pegou a própria varinha e corajosamente iniciou a busca da origem de tamanho barulho. Victoire tentou seguir a mãe, mas madame Malkin a impediu, correndo com a menina até a lareira e acionando os aurores. Só então deixou o ateliê para se unir a Fleur.

No caminho viram o jovem pai. Bill estava apoiado numa das paredes. Uma das mãos estancava um ferimento na testa, mas nada fatal. “Papai”, choramingou então Victoire, ainda bem presa nos braços da modista. “Ele está bem, querida. Vamos ver a mamãe”. E assim encontraram Fleur, a veela autoritária e mais corajosa que muitos varões.

Bill precisou se apoiar nas paredes para chegar até a esposa. Realmente não teve nenhum ferimento fatal, mas estava bastante atordoado.

_O que aconteceu, Bill? – O jovem encarou a esposa.

Fleur agora usava as vestes de luxo Madame Malkin para conter o fluxo contínuo de sangue que, teimosamente, prosseguia abandonando o corpo do bondoso Lupin.

_Eu... Eu não sei... Vocês estão bem?

Antes que pudesse ser respondido, a loja da modista foi invadida por medibruxos e aurores. Bill foi minimamente tratado ali mesmo, pois se recusava em ser internado para uma avalição mais apurada.

_Deveria sim ir a St Mungus, Bill – disse Fleur, os olhos atentos nos medibruxos que atendiam Remus Lupin.

_Eu estou bem – reclamou, enquanto via a filha correndo em sua direção, com Madame Malkin preocupada em seus calcanhares.

Com rapidez, pegou Victoire no colo e a afastou dali. Fleur usou um feitiço sobre si para limpar os vestígios de sangue, mas nada parecia aliviar seu coração. Estava preocupada. A filha e o marido estavam bem, mas Remus... Os medibruxos concentravam os esforços nele e nada parecia surtir um resultado positivo.

_Não conseguimos conter o sangramento. Termos que levá-lo – e logo levaram Remus para St Mungus. Havia certa urgência na voz deles que deixou o coração de Fleur pequenininho.

_Senhora Malkin, poderia nos informar o que aconteceu aqui? – E a pergunta do auror era, na verdade, a mesma pergunta que se passava na mente de todos: o que havia acontecido, afinal?”

_Infelizmente, eu não sei. Eu estava lá atrás – e indicou o local – com as duas, pois fomos ver uma bela capa infantil. Então ouvimos um barulho e alguns gritos.

_Viemos ver o que tinha acontecido, quando os encontramos – completou Fleur.

_E eu estava aqui esperando a minha esposa – começou Bill, encarando Fleur e percebendo que apesar, do feitiço de limpeza, as vestes dela apresentavam sangue em vários lures.

Os aurores já tinham iniciado os procedimentos de preservação, enquanto mantinham os ouvidos atentos ao relato do jovem.

_O seus nomes, por favor?

_Ela é a minha esposa, Fleur, esta aqui é minha filha, Victoire, e eu sou Bill, Bill Weasley.

_Oh! É um dos garotos do Arthur – disse um dos aurores, sorrindo. – Por favor, prossiga.

_Eu conversava com o Remus, quando alguém entrou na loja.

__Remus Lupin? Por Merlin, o marido de Tonks?

A pergunta do auror foi respondida com um aceno de cabeça. Que ele soubesse, Lupin ainda era, ao menos oficialmente, marido de Dora.

_Ele mesmo. Eu não consegui ver nada. Fui arremessado longe e com a confusão de roupas esvoaçando, pouco pude identificar. Bati a cabeça e, não sei, devo ter pagado por alguns instantes. Contudo... – E o ruivo precisava expressar suas suspeitas, mesmo que ninguém acreditasse nele.

_Contudo?

_Bem, eu não tenho como confirmar, mas o cheiro que ainda está presente aqui...

_Cheiro? Qual cheiro amor?

_Fleur, use seus instintos. Não percebe? Há o cheiro de Remus, ainda que um pouco mudado, e...

A veela olfateou profundamente e concordou com o marido.

_É verdade, há um cheio distinto.

_Cheiro? Do que estão falando? – Questionou o auror, já pensando que a bela jovem loira também tinha batido cabeça.

Bill apertou a filha entre os braços e expressou de vez suas suspeitas.

_Procurem por vestígios mágicos de lobisomem. Creio que Remus foi atacado por um deles.

Até Madame Malkin se assustou. Um ataque de lobisomem, em pleno beco diagonal? Não precisavam lidar com isso desde os tenebrosos dias de poder do lorde das Trevas.

_Bem, posso levar meu marido ao hospital? Não creio que possamos ajudar em mais nada agora... Madame, obrigada por cuidar de Victoire.

_Ora, minha jovem, por nada, por nada...

Diante do tom definitivo e, evidentemente, por concordar com Fleur, os aurores autorizaram que deixasse o local. Instantes depois, um Bill resmungando era atendido por uma enfermeira, já dentro do hospital.

_Pronto, ficará como novo em breve – brincou a enfermeira, finalmente liberando-os dos cuidados. – Beba essa poção, por favor.

_Certo... – E não pôde evitar a careta de desagrado ao fazê-lo.

_O ideal seria que ficasse em observação até amanhã, senhor Weasley.

_Oh, não, não... Não é necessário. Fleur, deixe Victoire comigo. Vá até Prince’s House.

_Sim, eu vou. Filha, fique com o papai, sim? Mamãe sairá por uns minutos apenas... E quando eu voltar, discutiremos se você ficará ou não no hospital, amor – e o beijou, saindo com pressa.

Um ruivo ruborizado pelas ações da esposa mandona, assim ficou Bill. Pegou a filha nos braços, acariciando seu delicado cabelo amarelo claro. Orientado pela enfermeira, chegou a uma sala com uma pequena recepção e algumas poltronas. A sala ficava próxima à emergência. Estava cansado e ainda sentia dor, mas a urgência em saber acerca de Remus o impeliu a perguntar.

_Boa tarde, senhorita. Há alguma informação sobre o senhor Remus Lupin? Ele acabou de dar entrada na emergência.

A recepcionista fez que não e lhe passou um pergaminho. Ninguém havia preenchido ainda o formulário de entrada do lupino e essa tarefa acabou ficando ao encargo de Bill.

_Aqui está, ao menos o que sei – e devolveu o pergaminho, preenchido apenas com informações elementares.

O ruivo não deu maiores detalhes sobre o endereço, por exemplo. Afinal, não sabia o que colocar nele. No campo “Estado Civil”, indicou “casado”, preenchendo ainda com o nome do cônjuge.

_Obrigada, senhor...

_Bill Weasley.

_O senhor não deveria estar de pé! – E ele se virou para encontrar a mesma enfermeira que havia lhe enfaixado a cabeça, instantes antes. – Sente-se, ou vou mesmo solicitar ao medibruxo de plantão que o interne.

_Preciso saber como o senhor Lupin está.

_Vou verificar. Ele foi redirecionado para a doutora Morse. Ela é especialista em veelas, lupinos, metamorfomagos e uma infinidade de outros magos... Especiais, portanto, o seu amigo está em boas mãos. A doutora Morse segue o código procedimental específico desses casos especiais, portanto, não se preocupe. Agora, por favor, sente-se.

Por alguns instantes, dedicou-se a esperar por notícias sobre Remus. Logo viu um dos aurores que havia conhecido na Madame Malkin. Certamente, fazia parte do trabalho de rotina dos mesmos. Afinal, não deixariam o hospital desguarnecido, não logo após um atentado contra um dos heróis de guerra.

Sentado na poltrona, Bill dedicou-se a aguardar por longos minutos. A poção estava fazendo efeito e uma leve letargia o dominava. Sentir o doce perfume da filha também ajudava a acalmá-lo.

_A mamãe vai demorar?

_Não, meu bem. Ela já está chegando. Olha, fique aqui sentadinha. O papai vai até ali – e indicou a recepção – fazer uma pergunta àquela moça de branco. Você espera aqui.

A pequena Victoria assentiu e Bill a sentou sozinha na poltrona. Percebeu que poção o relaxara bastante, tornando um pouco difícil andar. Focando em dar passos precisos, logo estava lá, mais uma vez, fazendo a mesma pergunta.

_Alguma notícia do senhor Lupin? A enfermeira não retornou.

A voz de Bill era forte, quase um rosando, todo o contrário da moleza que sentia no próprio corpo. Ele estava cansado de perguntar e não ter resposta alguma.

_Senhor Weasley, ainda não temos nenhuma alteração. O senhor Lupin está sendo atendido pela medibruxa Morse. Ainda estão tentando estabilizá-lo. E o senhor deveria se sentar um pouco. Foi uma forte pancada na cabeça – ralhou a recepcionista que, alertada pela enfermeira que atendeu o belo ruivo, estava preocupada com a crescente ansiedade dele.

_Eu estou bem...

_Papai! – Ouviu ao mesmo tempo em que sentiu as mãozinhas da filha puxando-lhe pela calça.

Bill a ergueu nos braços.

_Sente-se senhor Weasley. Sei que é difícil aguardar, mas estamos fazendo todo o possível. A doutora Morse é uma sumidade na área, além de ser pesquisadora. Com sorte, hoje mesmo o seu amigo receberá alta.

Com passos lentos, porém firmes, Bill voltou à mesma poltrona na qual estivera sentado pelos últimos minutos. St Mungus tinha muitos quartos, corredores, enfermarias... Uma infinidade de profissionais trabalhando para salvar vidas... E uma delas era a de Remus. Caso suas suspeitas estivessem corretas, não deveria também alertar os medibruxos? Bem, talvez não fosse necessário... A tal doutora poderia identificar na fora o que o atacara.

_Dói, papai?

_Não, meu amor. Está tudo bem – e retirou os dedinhos de Victoire do curativo que agora lhe adornava a testa. – O papai só teve um arranhão. Tudo vai ficar bem.

_A mamãe também se machucou?

Victoire ficou bastante nervosa com tudo o que havia presenciado. Por sorte, Madame Malkin foi ágil e evitou que a pequena se ferisse, contudo, como impedir que visse o estado no qual ficou o “tio Remus”.

_Não, a mamãe está bem, fique... – Parou de falar, pois vira a enfermeira que o atendera.

A mulher de rosto austero vinha em sua direção. Ela estava acompanhada de outra mulher, provavelmente, a medibruxa. A tal Morse era uma mulher de estatura mediana, magra e de cabelos castanhos. Antes que ambas chegassem às proximidades da poltrona, Fleur e Severus adentraram a pequena sala, indo também a seu encontro.

_Mamãe!

Victoire pulou do colo do pai, sendo recebido pelos braços de Fleur. A loira tomara o cuidado de refazer o feitiço de limpeza sobre as próprias vestes, antes de adentrar a emergência.

_Senhor Weasley – começou a enfermeira, já nas imediações. – Essa é a doutora Morse. Ela é a medibruxa responsável pelo senhor Lupin.

Bill ficou de pé e a cumprimentou, aproveitando o momento para apresentar o preocupadíssimo Severus Snape, assim como Fleur. A enfermeira os deixou sozinhos, dando total espaço à medibruxa.

_Senhor Snape, é um prazer conhecê-lo. Uma pena que seja nessas condições, não é?

O professor nada disse, aguardando ansiosamente as palavras da doutora. Não pode evitar os olhos atentos às informações do jaleco da doutora: “A. Morse, Chefe Dep. Magos Especiais”.

_O senhor Lupin deu entrada na emergência a menos de uma hora – disse de forma diligente, analisando a ficha que trazia numa prancheta. – Desde então, estamos lutando para conter a hemorragia. Finalmente, conseguimos estabilizá-lo. Não há muitas informações acerca do que ou de quem o feriu. Pela análise dos ferimentos e dos vestígios mágicos deixados, acreditamos que tenha sido um ataque de lobisomem...

Severus empalideceu. Lobisomem? Mais que lobisomem atacaria a outro lobisomem? Se bem que, Remus era agora todo um troféu...

_Professeur, je... Eu esqueci de contar sobre a possibilidade de ter sido um lobisomem.

_Tudo bem... O que mais, doutora?

_Ele teve lacerações médias e profundas na região do pescoço e também – seguindo-se toda uma cantilena de termos anatômicos que, na verdade, não interessavam muito a nenhum deles.

_Como está o feto?

Fleur sorriu de leve, enquanto Bill engasgou com nada além do próprio ar.

_Não podemos avaliar ainda a extensão dos danos causados pelo ataque ao feto. No momento, a gravidez se mantém. Contudo, teremos que refazer o registro médico do senhor Lupin, em especial devido à gravidez, pois sendo um varão – e isso a medibruxa confirmou na ficha do paciente –, toda gestação é bastante penosa. Na verdade, como o senhor Lupin engravidou? Qual foi o procedimento que utilizou? Pelo que consta, ele é casado com uma mulher... Como então, eu me pergunto, ele engravidou? Estou muito surpresa!

_Não vejo o motivo de tamanha surpresa... – E a voz de Snape soou tão fria que Bill se encolheu.

_Oh, mas é sim todo um logro e admito: algo bastante inusitado também.

_As questões particulares da vida dos pacientes não dizem respeito aos medibruxos.

Fleur não conseguia compreender o porquê das falas tão abusadas da doutora, mas optou por se calar. O clima já estava bastante tenso.

_Evidentemente que não, senhor Snape, contudo, devem ser esclarecidas quando podem levar os mesmos ao óbito. Nos últimos anos, temos poucos casos registrados de varões grávidos. E menos ainda os casos de varões grávidos que levaram a gestação até o final. O processo já se iniciou e, fatalmente, mudará o corpo dele para sempre. Além do fato de que ele é um lobisomem. Devemos cuidar para que a maldição que o atinge não prejudique o feto. Temos poções específicas para tal.

_O senhor Lupin já utiliza poções específicas para controlar a sua condição e, posso assegurar, continuará a utilizá-las.

_O lobisomem que o feriu o fez com extrema violência. O senhor Lupin está enfraquecido e bastante machucado, além de ser necessária bastante magia para levar a gestação adiante. Os ferimentos demorarão a cicatrizar, particularmente o do pescoço..

Victoire ouvia a tudo com tamanha atenção que Fleur optou por se afastar. As crianças bruxas eram muito diferentes das crianças trouxas. Elas se desenvolviam mais rápido e amadureciam mais rápido também. Ou seja, a pequena Victoire entendia muito bem o que estava acontecendo.

_Quando Remus terá alta?

_No momento ele está sob o efeito de fortes poções e feitiços de monitoramento, não devendo acordar até amanhã, na parte da tarde. A condição dele é particularmente delicada... Sigo o regramento específico nesses casos, além do meu próprio código ético-profissional. Temo que não receberá alta tão cedo. Ele precisa de atendimento médico especializado.

Um alarme acendeu na mente de Severus. A medibruxa estava mesmo sugerindo que Remus ficaria desprotegido, naquele mesmo hospital, à mercê de um novo ataque? Não mesmo! Nem por cima do próprio cadáver! Quanto mais tempo Remus permanecesse em St Mungus, mais fácil seria para aqueles medibruxos enxeridos descobrirem sobre a sua condição e ômega. E Lucius demoliria sua casa, caso ocorresse.

_Doutora Morse, eu sou um profissional gabaritado para tratá-lo. Sou um notório pocionista, contudo, poderia atuar na área médica se quisesse. Não o faço por não desejar. Caso o paciente esteja fora de perigo e estável, a família gostaria de tratá-lo em casa. É nosso direito. Assumimos a responsabilidade, já que no momento Remus está inconsciente.

_Senhor Snape, a gravidez dele é um caso complexo. Devo recomendar fortemente que ele permaneça aqui, em St mungus. Assim, ele se recuperará dos sérios ferimentos com todo o apoio médico e...

_O professor Snape cuida da gestação de Harry. Ele pode perfeitamente tratar a de Remus também – esclareceu Bill.

_Não duvido da sua capacidade, senhor Snape. Contudo, o senhor Lupin não é um caso comum. Ele é um varão lobisomem grávido. Não posso liberá-lo nessas condições. Se for necessário, deveremos avaliar a possibilidade de manter o senhor Lupin aqui durante toda a gestação. Não há casos registrados na medicina bruxa acerca de lobisomens varões gestando. Não posso afirmar que o feto esteja bem, por exemplo.

O tom de voz daquela medibruxa começava a irritá-lo. O que ele estava pensando? Que Remus era algum bichinho de laboratório, que ela poderia ficar “estudando”, ao longo de uma gestação inteira? Ela estava louca! Fez bem em manter Lucius em casa... Caso o loiro estivesse ali, teria enforcado aquela medibruxa com as próprias mãos.

_Pelas informações que a senhora gentilmente nos passou, Remus está estável, os ferimentos estão em processo de recuperação e a cicatrização dos mesmos depende apenas dos cuidados indicados que, ora veja, qualquer profissional gabaritado pode realizar. Já quanto ao feto, bastaria monitorar seu desenvolvimento... Eu estou equivocado, doutora?

_Não senhor Snape, de forma alguma.

_Então, assine a alta. Eu o levarei para casa.

A doutora sorriu cinicamente.

_Assinar a alta é o grande problema, senhor? Pronto... – E assinou o formulário, indicando não apenas a alta do paciente, assim como todos os detalhes do tratamento que deveria seguir.

Severus estreitou os olhos para Morse. Não estava gostando nadinha daquele sorriso besta.

_Ótimo. Posso levá-lo então.

_Evidentemente... Que não, senhor Snape. Além da minha assinatura, uma segunda assinatura é necessária para formalizar a alta. O paciente está inconsciente e não poderá, ele mesmo, fazer isso. Relembro que a alta é condicionada a uma série de especificidades, que apenas os familiares responsáveis pelo senhor Lupin poderão empreender. Ah, bem... Tome aqui – e entregou a ficha com a alta do paciente e uma longa lista de cuidados, afastando-se em seguida.

Caso pudesse, Severus teria rasgado aquele pergaminho. Ou então, teria feito com que fosse engolido pela medibruxa. As mãos habilidosas do pocionista tremiam de raiva.

_Professor, qual é o problema?

_O problema, Bill, é de simples solução. Enquanto Remus não acordar, só quem poderá levá-lo daqui é a esposa dele, Nymphadora Tonks.

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Traduções:

“Professeur Snape! C’est moi, Fleur... Oh, mon Dieu! Le pére de Draco! Je pensé qu’il est mort!” / “Professeur Snape! Sou eu, Fleur... Oh, meu Deus! O pai de Draco! Eu pensei que ele estava morto!”

“Je pensé qu’il est mort!” / Eu pensei que ele estava morto!”

“Il est vraiment vivant” / “Ele está vivo de verdade!”

“Oh, mon Dieu!”/ “Oh, meu Deus!”

Notas finais
“_Fred? _Aqui, Andy! – E a voz de Frederick o guiou. Andreas adentrou o cômodo, encontrando Frederick e Teddy. O garotinho se divertia com o neto de Esther. Os dois estavam sentados no chão, montando um grande quebra-cabeça. _Olá, sumido. _Olá Fred. Como vai, Teddy? – Perguntou o grego, já se sentando junto dos dois. _Muito bem, tio. Eu vou ganhar um irmãozinho, sabia? Frederick sorriu ante o entusiasmo do garoto. Ele sempre quis ter um irmão, afinal, a sua vida familiar se resumia aos dois, a avô e ele. Não que não gostasse, ao contrário, mas com um irmão tudo teria sido mais divertido. _Que bom, Teddy. Então sua mamãe vai te dar um irmãozinho? _Não. Minha mamãe me deu uma irmãzinha. Ela é muito fofa. Quem vai me dar um irmãozinho é o meu papi. Ele até me deu um novo papai! _Lucius... – Revelou Frederick, o rosto corando. _Lucius e o senhor Remus? _Aham... Teddy, tente com essa peça. _Severus e Sirius... O filho de Lucius e o herói... Lucius e Remus... Nossa, acho que o Mundo Bruxo também é gay, não é? – Concluiu Andreas, imaginando que todo o Mundo Bruxo tinha sérias tendências homossexuais. Frederick riu com gosto, para depois encarar o amigo. _Ora, você se esqueceu de outro casal: Adam e você! Teddy ficou de pé e de alguns pulinhos de excitação! _Teddy, o que foi? Ainda falta muito para acabar o quebra-cabeça – indagou Fred, não entendendo o motivo de súbita alegria. _Tio, você também vai ter um bebê? – E Andreas arregalou os olhos, emudecendo diante da pergunta do garotinho. As gargalhadas de Frederick encheram o quarto e demoraram a cessar.” **************************** Gente, Remus está... Não digo! hehehehe