Submisso
62 Capítulo 62 – Coincidências
Notas iniciais
Capítulo 62 – Coincidências
“_Não há ninguém... Vivo.
_Por Merlin... O que aconteceu aqui? – Questionou David Nulan, apesar de ninguém ser capaz, naquele momento, de responder.
Instantes depois viram Tonks correr até eles. A mulher estava mesmo usando uma camisola por baixo da capa?
_Nulan, Drake, Weasley... Que bom que receberam o alarme. Ainda não consegui contatar a todos os disponíveis. Não pude encontrar Mumford, Cabot, nem Baden. Devem estar em missões... Mantive apenas os que estavam em guarda avançada. Todos os demais estão aqui ou a caminho, inclusive os novatos. Mal tive tempo de passar pelo Departamento. A equipe de plantão não conseguiu estabelecer contato com Azkaban. Realizaram o procedimento de emergência e, novamente, nenhum contato. Quando tentaram chegar aqui pelas lareiras, perceberam que foram bloqueadas. Estamos tentando entrar ainda... Temos feitiços potentes para todo lado e, por Morgana, temo que tenha havido um genocídio. As varreduras não indicam vida alguma.
A movimentação ficou maior, pois, enquanto conversavam, mais e mais aurores chegavam. Alguns, Ronald notou, ainda estavam vestidos como Tonks... Alarmes sacudiram a todos os aurores e aspirantes a auror naquela madrugada, pois viu todos os seus colegas de quartel chegaram numa grande massa compacta e temerosa, conduzidos pelos instrutores. E então, a voz que mais temiam ouvir os acordou de vez.
_NULAN, DRAKE, WEASLEY! POR MERLIN, O QUE ACONTECEU AQUI?
Podmore. Por Merlin, aquela seria uma longa noite, ou melhor, um longo dia… O que estava acontecendo? Precisava de uma coruja! Precisava alertar Hermione!”
_Senhor, acabamos de chegar e...
_É verdade, chefe – confirmou Tonks. – Eles chegaram nesse instante.
_As investigações de vocês fizeram o foco se voltar para Azkaban, Drake – e era incrível que Podmore não estivesse gritando. – Então agora, por Merlin, eu quero respostas! Não sabemos o que aconteceu. Não sabemos nada além do funesto fato de que não há ninguém vivo lá dentro. É a maior desgraça desde a vitória da luz.
_Calma, chefe. Estamos trabalhando... Poderia me dar um minuto – e encarou Podmore de um modo que era, para todos os efeitos, impossível de ignorar.
Nymphadora puxou o chefe pelo braço, levando-o para alguns metros longe do trio. Murmurou algo como: “com quem a deixou?”, ao que Estúrgio apenas respondeu: “ela está segura”.
_Senhor! Conseguimos, senhor. Já podemos entrar!
O anúncio feito por um dos aurores colocou a todos em estado de alerta máximo. Drake, Nulan e Weasley correram atrás de Tonks que, antes que eles pudessem dar dois passos, já estava correndo até o portão que dava acesso ao interior da fortaleza.
_PRIMEIRO O CHOQUE, DEPOIS A PERÍCIA – Podmore mandou, voltando a se esgoelar.
Vinte aurores graduados foram destacados para entrar. Os demais permaneceram do lado de fora, protegendo o local de possíveis ataques. Alguns novatos acompanharam os aurores que já iniciavam a entrada em Azkaban. Podmome espumava de raiva quando, liderando seus subordinados, apertou a varinha entre os dedos e iniciou a penetração no mar de sangue que se transformara a prisão.
_ATENÇÃO AOS FEITIÇOS E MALDIÇÕES. O FATO DE NÃO HAVER NINGUÉM VIVO É IRRELEVANTE AGORA. VAMOS NOS DIVIDIR POR SETORES. NÃO ESQUEÇAM: PRESERVEM TODO O LOCAL PARA OS PERITOS.
Tonks organizou a divisão e logo os aurores estavam se espalhando pelos corredores da prisão. “Conservare Site” foi, sem dúvida, o feitiço mais usado naquele instante, preservando todas as possíveis evidências.
_TONKS, VÁ! LEVE-OS COM VOCÊ! – Berrou novamente o chefe.
_Francis, David e Rony... Venham comigo – Pediu Tonks, enquanto se apartava dos demais. – Vamos até o setor de maior periculosidade, a Ala Maldita como costumam chamá-la.
_Oh, sim. A Ala Maldita. Baden ficou responsável por ela durante sua temporada por aqui – relembrou Francis, enquanto seguia para.
Nulan, Drake e Weasley se mantiveram colados à Tonks. Tudo ali dentro cheirava a carne podre. Ronald se perguntava que tipo de maldição teriam usado. Quanto mais penetravam em Azkaban, maior a náusea.
No caminho que traçaram não encontraram nada. A prisão parecia estar em perfeitas condições, caso não fosse o cheiro insuportável e nauseabundo que parecia transpirar pelas pedras compactas. Não foram parados por ninguém, o que já era esperado, muito menos por maldição alguma, fato que os deixou ainda mais... Atentos.
_Estamos chegando às celas – e parou em frente a uma nova grade que separava o corredor no qual estavam de uma nova ala. – Conservare Site.
A ala de alta periculosidade mantinha os prisioneiros mais apavorantes do mundo bruxo, em especial os ex-comensais. Daí a necessidade de verificar com urgência a condição da mesma. E o trajeto até ela seria bastante tenso, dada a situação.
Os corredores de Azkaban eram muito diferentes do que um trouxa poderia imaginar, tendo em vista que a fortaleza era uma prisão. Na parte interna, havia um grande átrio central (um antigo pátio de armas), cujas ramificações (os corredores labirínticos) terminavam em alas com celas.
Os corredores de acesso às alas do centro prisional eram de tamanho médio, possibilitando que até seis magos caminhassem lado a lado. Alguns tinham pequenas frestas, pelas quais entrava a luz solar, outros nem isso. No geral, a iluminação era realizada com tochas, o que dava ao local um aspecto ainda mais sombrio.
O frescor do Mar do Norte conseguia penetrar nas paredes antigas, deixando-as tão frias quanto o efeito dos dementadores. Na verdade, toda e qualquer parede em Azkaban era composta de fileiras duplas de pedra, tendo sido reforçadas por inúmeros feitiços ao longo dos anos. Apesar de não contarem mais com os dementadores, fugir dali ainda era um delírio, excetuando-se a fuga de Sirius Black, evidentemente.
Percorrer aqueles labirintos sufocantes era desagradável. E então, quando o corredor chegava ao fim, via-se uma grossa barreira de grades de ferro encantado, que só se abria ao toque das autoridades competentes. Eram verdadeiros portões que apenas quando abertos, davam aos funcionários do ministério acesso às alas, moradas dos criminosos do Mundo Bruxo.
_Bem-vindos à Ala Maldita. Mantenham a varinha bem firme, garotos – brincou a auror após os longos e tensos minutos do trajeto.
Nulan empurrou a grade de grossas barras de ferro encantado que, sem resistência alguma, se abriu ao seu toque. Com cautela, os quatro prosseguiram.
_Esse cheiro... – Reclamou Nymphadora, a varinha em riste. – Parece que entramos numa cova reaberta.
_Exatamente – concordou David. – Novato, quem exatamente cumpria pena nessas celas?
Ronald tinha um esquema no bolso, por isso Nulan perguntou diretamente a ele. Quando foi acordado pelo chamado de emergência, mal teve tempo de trocar o pijama. Entretanto, antes que aparatasse, David conseguiu entrar em contato com ele e solicitou que levasse consigo tido o material que venham analisando com relação à Azkaban.
_Na primeira metade do corredor, alguns estupradores em série, assassinos, dentre outros seres grotescos. Já ao fundo, temos todo um rol de comensais da morte. Isso no chão... É sangue.
Ronald se antecipou e logo chegou a linha das celas, o som dos pés afundando nas poças de sangue ecoando pela ala de alta periculosidade. O restante do grupo se surpreendeu com a reação do novato. A face do ruivo se contorceu num esgar de puro nojo e, em seguida, se contraiu mais ainda...
_Oh, por Merlin, novato – e foi até Ronald que colocava pra fora até o café da manhã não ingerido. – Não estrague a cena com... – O que mais Nulan diria ficou em suspenso.
O mais que habilidoso auror não conseguiu sustentar o olhar no interior da cela por mais que alguns segundos. Afastou-se como pôde e começou a, literalmente, abocanhar o ar. Fosse o que fosse que houvesse lá dentro, descompensou Ronald Weasley e fez David Nulan tremer.
Nymphadora e Francis, ambos ainda sem contato com o que deixara dois homens adultos vomitando como criancinhas após ingerir doce em excesso, se entreolharam temerosos. O que poderia ser pior do que aquele cheio e daquele sangue pintando o chão?
_O que há aí dentro, ruivo?
Ronald corrigiu a sua postura, ao mesmo tempo em que respirava com lentidão para tentar controlar as ânsias de vômito. Demorou alguns segundos para se recompor, odiando-se por não ter se preparado para aquilo. E só falou depois de lançar um feitiço de limpeza sobre si mesmo.
_Um maldito picadinho, Drake. O corpo... Oh, por Merlin! O corpo foi mais que mutilado... É impossível realizar qualquer identificação visual.
_Filhos da puta! – Resmungou com raiva Tonks, enquanto, já mentalmente preparada, se aproximava da primeira cela. – Vamos verificar as celas dos comensais. Caso não possamos identificar ninguém agora – e se calou, pois finalmente havia ficado de frente com o cenário grotesco que a primeira cela exibia. – Morgana bendita!
A cela estava rubra de sangue. O cheiro de carne podre prosseguia, parecendo mais forte agora que, infelizmente, conheciam o seu fundamento.
_Não acredito que as outras celas apresentem um panorama diferente. Foi intencional, Tonks. Mutilaram os corpos para nos atrasar.
_Filhos da puta! – Rosnou a auror.
_Concordo contigo, Drake... Foi feito para nos atrasar – disse o ruivo com renovado ânimo. – A nossa investigação deve ter deixado alguém bastante apavorado.
_É, novato... A questão é: quem? quem ficou tão apavorado que foi impelido a isso?
Nymphadora prendeu a respiração e, com a cabeça cheia de possibilidades, penetrou no interior da ala, os olhos arregalados ante a tanto sangue e pedaços de carne humana. Ah, era um caos.
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Gina realmente precisava admitir: sua mãe sempre sabia como acalmá-la com um bom pedaço de bolo. A situação não estava realmente boa, pois deixara Bistrol com o marido ainda com uma incerteza acerca da própria saúde. Contudo, sabia que precisava contar à Molly. Já adiara tempo demais.
Incrivelmente, mão a chamou ao adentrar a sala da toca, a mãe viera a seu encontro. Molly sustentava um a expressão de grande surpresa, mas ao mesmo tempo, era como se já soubesse que a veria. Estranhou, é óbvio, mas nada disse, apenas deixou a mãe a par das últimas novidades. Gravidez? Neto? Quase aborto? Ah, Molly foi do céu ao inferno, para depois se equilibrar num tenso purgatório.
_E como ele está agora?
_Quando deixei o hospital, ele estava estabilizado. Mamãe, foi repentino. E eu não pude vir mais cedo. Gabi está com ele no momento. Vim aqui para conversar pessoalmente com a senhora. Já com os meus sogros, somente poderei mandar uma coruja internacional expressa. Com a Toca sob tamanha vigilância dos aurores, terei que ir ao beco diagonal para mandar a coruja. Resolverei isso agora mesmo e voltarei para Bristol.
_Então, resolva a questão da coruja. Eu vou arrumar minha mala e irei com você.
_Não é necessário, mãe.
_Claro que é necessário. É do meu neto que estamos falando, Gina. Vá agora mesmo. Pedirei a Hermione que venha e fique com Madeleine.
_E o papai? E os meus irmãos?
_Nenhum deles é mais criança. Agora vá logo, filha – e se dirigiu à lareira, ignorando qualquer outro questionamento da filha.
Madeleine observava a conversa de ambas com muita atenção e acenou para Gina, quando esta se despediu rumo ao beco diagonal. “Vou preparar a minha mala, querida. Volto já, sim?”, explicou a senhora Weasley antes de subir os tortuosos degraus que levavam aos andares superiores.
Madeleine tampouco se surpreendeu quando, pouco depois, Hermione chegou. A castanha trazia uma pequena bolsa de contas, na qual havia lançado um indetectável feitiço extensor. Ela estava tão tensa que até a garotinha notou.
_Oi tia Mione... Tá tudo bem?
_Oh, sim... Sim, meu amor – mas os seus olhos gritavam o contrário. – Não se preocupe... Nada demais aconteceu. E a tia Molly?
_A tia Molly está lá em cima.
_Ah, certo. Vou um instantinho lá fora e já subo para falar com ela.
Madeleine foi atrás dela, parando no batente da porta que dava acesso ao jardim. Atenta, viu Hermione ir de encontro aos autores, ao menos aos que se deixavam ver. Não pôde ouvir o que conversaram, mas as expressões em seus rostos pareciam bastante com a que sua mãe usava quando ela fazia algo errado.
_Prontinho! – Anunciou Molly ao retornar à sala, alguns minutos depois, com uma maleta nas mãos. – Algumas mudas de roupa, escova de dente... – E falava consigo mesma, conferindo mentalmente se havia colocado ali dentro tudo o que necessitaria.
Hermione adentrou a sala no exato instante em que a senhora Weasley concluía a sua verificação dos pertences para, em seguida, reduzir a maleta com um feitiço. A castanha estranhou a maleta. Para onde Molly iria com o mundo vindo abaixo?
_Oh, Hermione, que bom que já está aqui. Desculpe ter interrompido as suas aulas da tarde.
_Oh, tudo bem... Draco está lá agora. As nossas últimas quatro aulas são de uma temática... Ah, não importa. E eu também recebi uma carta de Rony antes de deixar a faculdade...
_Bom, espero realmente que não tumultue a sua vida acadêmica, querida. Pensei em Fleur, mas ela saiu com Victoire hoje. Bill e Fleur levaram Victoire para uma tarde em família. Enfim, preciso que fique aqui na Toca, ao menos até Arthur voltar do trabalho. Tentei falar com ele via flu, mas as lareiras do Ministério estão temporariamente fora de serviço, segundo fui informada.
_A senhora vai... Sair? – Perguntou enquanto se aproximava, a bolsinha de contas sendo enviada para o sofá.
Hermione estava com a mente cansada por tentar processar tantas reviravoltas num só dia. Teve um lindo desjejum com Harry e Draco, seguido de um almoço divertido. Depois, aulas e mais aulas... Passou os dois breves intervalos na faculdade enchendo os ouvidos do amigo acerca do trabalho do professor Voronin. E então, quando as últimas aulas da tarde se iniciavam foi bombardeada com uma urgência da senhora Weasley e com o relato tenebroso de Ronald. Saiu com pressa da sala de aula, sem nem ao menos conversar com Draco. E, pelo visto, a senhora Weasley não fazia ideia do que estava acontecendo.
_Sim, preciso sair hoje, querida. Serei vovó! Vejam só, não? Mais uma vez, vovó. Gina e Gabrielle me abençoaram!
_Gina e Gabrielle estão grávidas? – Hermione perguntou, beirando o choque. Oh, por Merlin... O dia estava mesmo tumultuado.
A futura medimaga mal estava tentando imaginar duas mulheres grávidas, ao mesmo tempo e do mesmo homem. Tendo em vista o casamento do trio, as possibilidades eram vastas, contudo... Ao mesmo tempo? Nossa...
_Oh, não... Theodore está grávido.
Madeleine sorriu divertida, pois agora Hermione estava mesmo em choque. Um trio com duas mulheres e o varão terminava... Grávido? Por Merlin!
_Gabrielle é uma veela dominante – esclareceu Molly, ao que a castanha murmurou um “percebi”. – Gina já deve estar voltando do Beco Diagonal. Preciso ir a Bristol, querida. Theodore teve um princípio de aborto. Eu bem sei como é a gravidez em varões. Meu falecido irmão se apaixonou por uma veela dominante, mas não é o momento de relembrar isso. Agora preciso cuidar do meu genro. Gina e Gabrielle são muito jovens e o vínculo triplo é muito intenso.
_Sim, é verdade. E ainda mais com uma veela dominante.
_Poderia então, por favor, ficar aqui com Madeleine.
_Claro que sim. Posso ficar aqui até a senhora retornar.
_Oh, obrigada, Hermione.
A ruiva foi até a castanha e a abraçou com carinho e gratidão. Sabia que ela tinha vida atribulada, devido á faculdade de Medimagia.
_Obrigada mesmo – e se afastou do abraço. – Eu não posso levá-la comigo, não com toda a vigilância. Deixei uma carta para Arthur, ele saberá o que fazer. Que infelicidade a comunicação com o ministério não funcionar justamente hoje.
_Senhora Weasley... Não é exatamente uma “infelicidade”. Na coruja que Rony mandou... Bem, o Ministério interrompeu intencionalmente as vias de contato. Apenas o pessoal credenciado tem acesso às vias de flu ministeriais. Ninguém entra e ninguém sai do ministério, tampouco podemos estabelecer contato via flu. Apenas corujas e, até elas, estão sendo fiscalizadas. Deve ficar assim até o fim do dia.
_Por que fizeram isso? Aconteceu alguma coisa? – E os olhos de Molly se ficaram no relógio, para depois respirar aliviada. – Nem Arthur, nem Rony estão em perigo.
_Bem, eles não... – E olhou rapidamente para Madeleine, fazendo Molly se voltar para a menina e, docemente, pedir um favorzinho.
_Madeleine, querida... Eu não guardei meus chinelos na maleta. Poderia trazê-los, por favor? Creio que os deixei lá fora, quando fui alimentar os porcos.
Tendo Rita Skeeter como mãe, a garota conhecia quando os adultos desejavam ter uma conversa de adultos. Logo, não perdeu tempo e as deixou sozinhas. Já Molly foi até o sofá e sentou, sendo acompanhada por uma Hermione bastante tensa.
_Não é o momento adequado para sair da Toca.
_Ora, Hermione. Eu vivi duas guerras terríveis, portanto, não se preocupe. Agora, conte-me de uma vez por todas o que aconteceu. O que fez Rony sair de casa antes que até o pobre galo pudesse trocar o pijama?
_Azkaban... Azkaban foi invadida durante a madrugada. O Departamento de Aurores foi convocado em peso, inclusive os recrutas. Por isso Rony saiu de casa tão cedo... Ele contou que os funcionários alocados em Azkaban... Oh, por Merlin, todos foram mortos.
_Mortos? Como assim mortos? – E a ruiva se sentiu enregelar.
_Assassinados, Molly. E os prisioneiros também... Não sobrou nenhum ser vivo em Azkaban. E, por Merlin, quando Harry souber... Estive com ele hoje. Ele está tão grávido... Como vai receber essa notícia? Mortos em Azkaban!
_Mortos?! – Indagou Gina ainda da porta entreaberta. – É por isso que o Beco Diagonal está apinhado de aurores?
_Apinhado de aurores? – Devolveu Hermione, agora visivelmente preocupada. – Não sei... Rony não mencionou nada acerca do Beco Diagonal.
Gina entrou apressada, sentando-se ao lado da mãe. Explicou que precisou de redobrado empenho para dará notícia aos sogros. O beco diagonal estava, literalmente, um caos, em especial o trecho no qual ficava a sede do Profeta Diário, a Floreio e Borrões e a Madame Malkin.
_Não pude me inteirar, mas parece ter sido algo muito ruim, Hermione. Alguém ficou gravemente ferido.
_Oh, Merlin! Creio que Ronald demorará mesmo a chegar... Justo hoje que preciso viajar.
_Mamãe, eu tenho que voltar para ver Theo. A senhora deve ficar aqui e...
_Não, eu vou com você filha.
Gina simplesmente desistiu. Não havia modo de dissuadir a senhora Weasley.
_Hermione, por favor, mantenha-me informada, sim? Estarei com Gina, mas preciso estar informada.
_Certamente. Não se preocupe.
Molly ficou de pé, agradeceu mais uma vez a Hermione, aproveitando para pedir que a mantivesse informada sobre os acontecimentos.
_Ah, Gina, parabéns... Mamãe.
_Obrigada – e a ruiva sorriu, embora em sua cabeça o termo “mamãe” ainda não se encaixasse muito bem. – Embora, creio que Theo está mais para mamãe do que eu.
_Oh, filha, não diga essas coisas na frente do seu marido. Theodore deve estar bastante sensível no momento.
_A senhora nem imagina o quanto, mãe. Já peguei ele chorando copiosamente, só porque não podia comer o que os elfos preparam para o almoço. Ah, nossa, quase esqueci. Hermione, posso te pedir um favor também?
A castanha apenas assentiu, a cabeça ficando mais e mais repleta de pensamentos.
_Eu deveria ter enviado uma coruja para o professor Snape. Ele cuidou de Theo até agora e, sem dúvida, deve ser avisado sobre o quase aborto – e o pesar na voz da ruiva denunciava o quanto se importava com o marido e o filho. – Theo foi estabilizado pelos medibruxos de Bristol, contudo...
_Contudo os medibruxos não são Severus Snape, certo? – Brincou a sabe-tudo. – Eu me comunicarei com Severus, pode ficar tranquila.
_Obrigada. Não precisa ser imediatamente, mas é bom que ele saiba. Ele pode até negar, mas se preocupa muito com Theo.
_Ótimo, filha. Vamos então? Preciso passar numa loja de ervas antes de irmos para Bristol.
_Loja de ervas? Mamãe! Não temos tempo para isso.
_É para o bem do meu neto. Hermione querida, até breve. Despeça-se de Madeleine por mim. Vamos Gina.
Mãe e filha rumaram para a lareira, onde sumiram nas chamas verdes pouco depois. Já Hermione apenas alcançou a sua bolsa de contas, começando a retirar dela um sem fim de livros. Os volumes versavam sobre a elaboração de feitiços.
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Os gritos de dor enchiam o local, incessantemente. Nada parecia deter a fúria do mago em disparar cruciatus contra o amontoado de carne trêmula que, sem chance de fugir, apenas se encolhia mais e mais.
_Ele já está muito fraco.
_Crucio!
O aviso de nada serviu e as maldições prosseguiram até o alvo das mesmas, muito ferido, entrar na inconsciência.
_Ele deveria apenas trazê-lo até mim, Cuffe. Nada mais.
_Quando o vi, não compreendi o motivo de não termos utilizado os meios comuns de contato, senhor.
_Precisamos evitar corujas e lareiras por enquanto, devido ao Ministério, só por precaução. E esse ser obtuso e degenerado nada mais fez além de seguir seus instintos primitivos... Enervate... Crucio!
Uma nova rodada de gritos arrepiou o homem de vestes impecáveis. Estar ali, encarando a cena grotesca não era o que esperava para a sua tarde. Pretendia agora estar apenas verificando a pauta do dia seguinte, nada mais. No entanto, parecia que não teria mesmo alternativa a não servir de plateia para as constantes torturas.
_Caso continue, vai matá-lo, senhor.
O ser “obtuso e degenerado” caiu na inconsciência mais uma vez. A capa e o capuz que usava o abandonaram, revelando um corpo visivelmente ferido, embora ainda forte e resistente.
_É o que ele merece. É o que todos os que me desobedecem merecem.
_Mas por que justamente ele? Ela poderia ter entrado em contado comigo, mestre... Ou os demais.
_Ela precisou manter a máscara, Cuffe, assim como você. Os demais estão ocupados com os que resgatamos na madrugada. Esse monte de lixo era quem estava em melhores condições para trazê-lo.
O mestre se agachou para contemplar bem de perto o estrago que ele mesmo havia causado no seu servo.
_Ele me informou do local seguro para vir a seu encontro e, então, eu o segui. Estávamos quase na travessa do tranco quando ele, simplesmente, surtou – e a voz de Cuffe saiu monótona, como se explicasse o clima. – Olfateou o ar feito um animal e correu em direção ao beco diagonal. Fui atrás para evitar que fosse visto. Ele adentrou a loja da modista e, se eu não chego a tempo, o estrago teria sido maior. Precisei nocauteá-lo e aparatei. Consegui carregá-lo até o local indicado e encontrei a chave de portal. Ele está vivo?
_Esse monte de merda não morrerá assim, tão facilmente. Quando a lua cheia chegar, ficará melhor. Nunca mais desobedeça as minhas ordens – sussurrou antes de se levantar.
Cuffe o encarou bem de perto, sentido o peso daqueles olhos frios sobre si. Sabia que estava ali por um motivo grave.
_Tenho olhos em você, Cuffe. Você falhou comigo... Sabe que não tolero fracassos.
_Fiz tudo o que mandou. Não tenho culpa se aquele traidor identificou o feitiço e...
_Cale-se! Não quero ouvir desculpas, Cuffe. Quero ações. Já sujei as minhas mãos com muito sangue... Chegou a hora de você sujar as suas.
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_Papai... Ha, ha, ha... Tá se parecendo um pouquinho com a Dinda agora... Ha, ha, ha... Quero ver a cara da mamãe quando ela te encontrar!
Severus se controlou para não acompanhar as risadas de Teddy, até porque não havia motivo algum para ir, mas a reação do menino foi bastante inusitada. Remus deixou o filho no chão, no rosto uma expressão indefinível.
_Edward, lembra-se do que conversamos mais cedo?
_Ah, tá... – Começou ele, já sem qualquer vestígio de graça na voz. – Não tem problema não, papai. Mesmo um pouquinho diferente, você é o meu papai. E eu te amo muito, muito, muito...
Remus sorriu feliz. Seu filho era mesmo um encanto. Teve vontade apertá-lo e nunca mais soltar. Ah, como Teddy conseguia ser tão fofo? Sentiu então as mãozinhas do filho tocando a sua barriga.
_Papai, é aqui que o meu irmãozinho vai crescer, né?
Severus só observava a reações dos dois amigos. Ah, nunca imaginou que ter a casa repleta de hóspedes pudesse ser tão gratificante e divertido.
_É aí mesmo, Edward – respondeu Lucius, antes mesmo que o noivo pudesse negar. Ele sabia, podia sentir. Remus estava sim grávido. – Seu irmão ou irmã já está crescendo no ventre de Remus.
_Ah, isso é bom, não é? Bem, então... Como é que o meu irmãozinho vai sair? – Perguntou o menino cheio de curiosidade, não dando tempo para Remus se recompor da emoção que o comentário anterior e a resposta de Lucius lhe causaram.
Severus não conseguiu mais se controlar. Até Sirius ouviu as suas gargalhadas.”
_Lucius Malfoy! Como assim “já está crescendo no ventre de Remus”?
O esnobe apenas sorriu cheio de si. Já Severus ainda tentava se controlar, embora fosse quase impossível.
_Como o meu irmãozinho vai sair, tio Severus?
A pergunta redirecionada serviu, ao menos, para que o professor de poções conseguisse parar de gargalhar da situação. Oh, aquele garotinho sabia como animar o dia de todos na casa.
_E ainda nem entendi direito como é que ele entrou lá...
_Teddy, depois o papai te explica direitinho como tudo aconteceu – disse Remus, a voz intencionalmente doce que em nada combinava com a fúria refletida nas íris douradas. – Agora, vá lavar as suas mãos para que possamos almoçar.
O almoço transcorreu sem maiores transtornos. Frederick foi capaz de chegar a tempo da sobremesa. Ele já tinha traçado um belo double cheeseburguer, mas nunca deixaria de lado o delicioso bolo da sua amam avó.
_E Andreas não voltou mais? – questionou Lucius, curioso.
_Não. Um amigo meu o viu se encontrando com um cara, ainda na faculdade.
Severus arqueou uma sobrancelha.
_Um cara? – Questionou Remus.
_É, um homem. Pela descrição que fizeram dele, bem... Creio que Andreas se encontrou o Dr. Taylor.
_Por Merlin! – E Lucius precisou se conter para não proferir uma longa sequência de impropérios, afinal, Teddy estava com eles.
_Papai, posso ir brincar agora?
_Pode sim, mas não se esqueça de escovar os dentes – recomendou Remus, antes que seu filho pulasse da cadeira e corresse pela casa, estranhamente indo na direção de um dos elfos domésticos.
_Lucius, mantenha a calma. Adam Taylor não fará nada com o jovem – disse Severus, enquanto degustava o bolo feito por Esther.
_Não fará nada? Taylor é um pervertido!
_Bem, eu verificarei isso agora mesmo – revelou Remus, já de pé.
O lupino estava reluzente nas novas vestes e, por que não destacar, na nova aparência também.
_Como assim?
_Ora, Lucius, é simples: eu vou até o escritório dele. E vou aproveitar a viagem para ter uma séria conversa com Madame Malkin. Ela nunca mais fará roupa alguma com as minhas medidas, não sem que eu mesmo tenha autorizado.
_Remus, creio que esteja exagerando... Não vejo motivos para recusar as vestes. A não ser que prefira andar por aí... Como veio ao mundo – e Frederick ficou vermelho com a última parte da fala de Lucius.
Severus apenas sorriu antes a mais nova briguinha de casal. Lucius não fazia a menor ideia do quanto estava se tornando uma diversão certa. Apreciou por mais alguns instantes o interagir do casal. Depois, dedicou-se a cortar mais uma generosa fatia de bolo, pois tinha certeza de que Sirius adoraria se fartar com mais um pedaço daquele delicioso bolo.
_Frederick, tente não se assustar muito com os dois – aconselhou o pocionista antes de deixar a sala de jantar. Afinal, tinha prometido passar o dia com Sirius e não o decepcionaria.
_Vi o armário mais cedo – continuou Remus, ignorando o fato de que o amigo e futuro parceiro de trabalho tinha, explicitamente, se burlado da sua condição. – Você não queimou as minhas vestes...
_De fato, ainda não tive tempo de queimar... Todas elas.
Frederick sentiu o clima pesar. Nossa, a atmosfera ficara tensa em segundos. Caso o bolo não estivesse tão saboroso, já estaria no jardim. Bem, sempre se podia fazer como dono da casa, não é? Afinal, o senhor Snape tinha – sem sutileza alguma – fugido depressinha dali.
_Frederick, por favor, avise a Teddy que precisei sair.
_Não permito que saia sozinho, Remus.
_Oh, não permite, Lucius? Mesmo? Supostamente isso deveria me manter aqui, certo? – E aparatou simplesmente, deixando Lucius bufando de raiva.
O patriarca ficou de pé e, caso não precisasse muitíssimo manter-se oculto, ah... Teria ido atrás do ômega rebelado que tinha como parceiro. Quando Remus voltasse teria uma nada grata surpresa.
_Lucius, acalme-se – pediu o neto de Esther, preocupado com a saúde do homem mais velho.
O loiro apenas o mirou com carinho, embora seu coração palpitasse furioso dentro do peito.
_Fique tranquilo, Fred. Eu estou bem... E se Adam Taylor fizer alguma das dele com Andy, ah, aquele advogado mequetrefe vai desejar nunca ter lido uma lei sequer na vida!
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_Mamãe, eu quero uma capa vermelha!
_Meu amor, você já tem tantas capas...
Bill apenas sorriu. Achava graça da fixação que a filha ainda tão pequena tinha por capas.
_Mas eu não tenho uma vermelha – e fez um beicinho tão fofo que a própria madame Malkin veio até a ela.
A modista trabalhava com afinco para todos os tipos de fregueses, mas aquele casal era um primor. E aquela menininha era muito fofa, para seus padrões de fofura, obviamente.
_Oh, eu tenho a capa perfeita para você. Venha comigo – e Victoire nem ao menos pestanejou, dando a mão à gentil senhora e sumindo no interior da loja, que também funcionava como ateliê.
_Bill... Você deveria me ajudar a contê-la e não ficar aí, sorrindo – reclamou Fleur, seguindo o mesmo caminho liderado pela dona do estabelecimento.
O filho mais velho dos Weasley apenas resmungou qualquer coisa sobre “mulheres” e se sentou num cômodo sofá. Tinha experiência suficiente em sair com a esposa e a filha, logo, sabia que poderia calmamente tirar um cochilo. Contudo, embora a ideia lhe parecesse tentadora, não pôde nem ao menos bocejar.
O som da porta se abrindo lhe chamou atenção. E mais do que isso. Um aroma adocicado e muito atraente lhe prendeu os sentidos. O seu olfato já era mais desenvolvido que o normal, assim como demais sentidos. Inclusive sua estrutura física foi alterada devido ao ataque que sofrera do cretino Fenrir Greyback. Segundo os especialistas em licantropia, ele teve muita sorte. A maldição não o atingira, ao menos de verdade.
O ataque do lobisomem lhe forneceu, além da cicatriz na face – que Fleur achava bastante sexy – inúmeros benefícios. Ele ficou mais forte, mais rápido e com uma libido sem limites, ainda segundo a sua amada esposa. No mais, aprendia a cada adia a como lidar com os seus “dons”. Um bom exemplo ocorria agora: um simples aroma o convulsionava. Ágil, seus olhos logo encontraram o motivo de tamanho frisson.
_Oh, Bill... Eu diria que esta sim é uma grata coincidência.
_Lupin... É mesmo você?
Bill ficou de pé e foi até o mais que belo ser a sal frente. O delicioso aroma... Ah, era divino! Estendeu a mão para o bondoso homem, aproveitando para analisar bem de perto todas as mudanças visíveis.
_Sim, sou eu... Um pouco diferente, mas sou eu – e apertou a mão que aguardava a sua.
_Está bem... Muito bem. Coisa de lobos, certo? – E Remus ruborizou, fazendo Bill rir. – Fleur vai adorar vê-lo assim. Incrivelmente, ela sabe muito mais de criaturas mágicas do que muitas pessoas. Já eu, bem... Eu posso perceber o motivo mais claramente porque tenho algo de lobo de mim.
_Oh, sim... Verdade.
_Está passeando, Lupin? Veio com Teddy? Victoire está lá dentro com Fleur.
_Eu vim sozinho. Passei no escritório do Dr. Taylor, mas não o encontrei. Então, vim aqui porque... – Contudo, a explicação não se completou.
A porta se abriu bruscamente, captando a atenção e ambos. Aconteceu rápido demais, não lhe dando tempo algum de reação. As araras com roupas voaram em sua direção, impedindo que enxergasse a origem do recente caos.
As vestes se espelhavam, por todos lados quando um borrão correu até eles e arremessou o filho de Arthur no fundo da loja. O som da pancada retumbou pelo estabelecimento, sendo seguido de alguns gritos femininos.
_Oh, Mon Dieu! Bill!
Tendo os gritos ao fundo, viu o que lhe pareceu ter sido um homem um dia. Com toda a confusão de vestes esvoaçando e gritos de crianças, mal pôde identificar se era, de fato, um homem. Viu apenas parte de um rosto, pois o restante estava coberto por um espesso capuz.
Tentou enfrentá-lo, mas ele era extremamente veloz. E então sentiu seu corpo inteiro gritar em protesto, ao ser levado ao chão. A varinha lhe escapou quando teve as mãos estavam presas firmemente acima da cabeça. O aperto em seus pulsos foi tão forte que, enquanto gritava dor, jurava poder ouvir o som dos próprios ossos se estilhaçando. E quase vomitou ao ter o pescoço invadido pelo contato com aquele ser violento.
_QUEM SE ATREVEU?
Quem o prendia tinha um corpo avantajado e estava furioso. A mordida desferida contra si foi lacerante. Sentiu o sangue jorrar, quente e contínuo, ao mesmo tempo em que mais mordidas lhe eram destinadas. Suas mãos foram soltas, mas já não prestavam para nada. Foi virado de costas para ter a pele rasgada...
_ QUEM SE ATREVEU?
O que era aquilo? Garras? Como aquele homem podia deixa-lo assim, rendido, ferido e se esvaindo em sangue, com... Mordidas e arranhões?
_Desmaius! – E o peso do corpo sobre o seu sumiu.
Não havia mais ninguém sobre si, lhe ferindo. Contudo, estava esgotado... Percebeu a aproximação de outra pessoa, mas não tinha forças para tentar identificar quem era. Antes de desmaiar pôde ouvir característico “crack” (aparatação) e a voz doce de alguém, aflita, perguntando como ele estava... Como ele estava? Não fazia ideia...
_Pode me ouvir? – Perguntou a veela, sem obter mais qualquer resposta.
_Mamãe... – A menina tentava se soltar dos braços da modista, sem sucesso.
_Calma, meu amor. Fique com a madame, por favor. Tudo vai ficar bem. Não há mais ninguém na loja... Só ele.
_Por Merlin! Quem é esse?
_Creio que é... O senhor Lupin – e o aroma adocicado e envolvente lhe atingiu. Oh, percebeu na hora do que se tratava. – Monsier Lupin, vous me entendez? Oh, mon Dieu... Ele desmaiou.
A veela pegou a varinha e fez um feitiço que aprendera com a mãe. Deveria conter a hemorragia dos cortes, mas não estava funcionando como deveria.
_ Não consigo estancar o sangue. Madame, vite! Chame os medibruxos! – apressou-a Fleur. – BILL WEASLEY, LEVANTE LOGO! VOCÊ ESTÁ ÓTIMO!
Madame Malkin tinha Victoire nos braços e correu com ela de volta ao interior do ateliê. Antes, quando ouviram um barulho seguido de vários outros, acionaram os aurores. Fleur pegou a própria varinha e corajosamente iniciou a busca da origem de tamanho barulho. Victoire tentou seguir a mãe, mas madame Malkin a impediu, correndo com a menina até a lareira e acionando os aurores. Só então deixou o ateliê para se unir a Fleur.
No caminho viram o jovem pai. Bill estava apoiado numa das paredes. Uma das mãos estancava um ferimento na testa, as nada fatal. “Papai”, choramingou então Victoire, ainda bem presa nos braços da modista. “Ele está bem, querida. Vamos ver a mamãe”. E assim encontraram Fleur, a veela autoritária e mais corajosa que muitos varões.
Bill precisou se apoiar nas paredes para chegar até a esposa. Realmente não teve nenhum ferimento fatal, mas estava bastante atordoado.
_O que aconteceu, Bill? – O jovem encarou a esposa.
Fleur agora usava as vestes de luxo Madame Malkin para conter o fluxo contínuo de sangue que, teimosamente, prosseguia abandonando o corpo do bondoso Lupin.
_Eu... Eu não sei... Vocês estão bem?
Antes que pudesse ser respondido, a loja da modista foi invadida por medibruxos e aurores. Bill foi minimamente tratado ali mesmo, pois se recusava em ser internado para uma avalição mais apurada.
_Deveria sim ir a St Mungus, Bill – disse Fleur, os olhos atentos nos medibruxos que atendiam Remus Lupin.
_Eu estou bem – reclamou, enquanto via a filha correndo em sua direção, com madame Malkin preocupada em seus calcanhares.
Com rapidez, pegou Victoire no colo e a afastou dali. Fleur usou um feitiço sobre si para limpar os vestígios de sangue, mas nada parecia aliviar seu coração. Estava preocupada. A filha e o marido estavam bem, mas Remus... Os medibruxos concentravam os esforços nele e nada parecia surtir um resultado positivo.
_Não conseguimos conter o sangramento. Termos que levá-lo – e logo levaram Remus para St Mungus. Havia certa urgência na voz deles que deixou o coração de Fleur pequenininho.
_Senhora Malkin, poderia nos informar o que aconteceu aqui? – E a pergunta do auror era, na verdade, a mesma pergunta que se passava na mente de todos: o que havia acontecido, afinal?
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