Submisso
42 Capítulo 42 - Les Marriages
Notas iniciais
Capítulo 42 — Les Marriages
Ignorando os instintos primitivos e mantendo o seu veela bem controlado, o loiro retirou as vestes e só de cueca escureceu o quarto, juntando-se a Harry na cama, aproveitando para cobrir a ambos. Agarrou-se ao corpo pecaminoso do moreno, perdendo-se em carinhos pela barriga já saliente que ele sustentava.
_Olá, meus amores. É o papai...
Harry se virou, abraçando-se ao marido, os cabelos escuros e macios se espalhando pelo peito tórax definido do loiro. Ainda dormindo, o doncel suspirou desejoso, como se reconhecesse o corpo colado ao seu. Entre sonhos, resmungou...
_Draco... Eu... Eu te amo.
Não havia sobre a terra ninguém mais feliz que Draco Malfoy. Nem mais convencido, deve-se destacar.
_Eu também, meu amor... E deixou a magia veela se expandir, bem de mansinho, apenas mesclando-a a magia de Harry, sem estressá-lo nem alterá-lo.
Incrível como era fácil controlar sua magia, uma vez que sabia exatamente como fazê-lo. Por que não fora instruído anteriormente, desde criança? Ah, teria sido tão mais natural... Teria entendido, desde cedo, como lidar com a selvageria que levava dentro de si, aprendendo a lidar com tamanho poder, crescendo junto com ele.
Harry abraçou-se ao seu corpo e foi tão delicioso sentir o cheiro dele, o toque... Ah, o calor, o calor único que o doncel emanava era algo viciante. Não... Viciante? Não, nada disso... Harry era puro delírio, um pecado em carne e osso e olhos verdes esmeraldinos.
Como se lesse seus pensamentos nada pudicos, Harry se moveu, abrindo os olhos, os mesmos olhos esmeraldinos antes escondidos pelas malvadas pálpebras... Assustado e confuso, quase bateu em Draco, imaginando sabe-se lá o que...
_Calma, amor... Sou eu... Ei, olhe para mim.
_Draco... Como eu...
Draco não o deixou sequer completar a pergunta. Projetou-se contra ele, afundando-o no colchão, os lábios quentes, volumosos e rubros do esposo virando seu alvo mais próximo. O ataque sofrido foi intenso, pois até ar faltou ao moreno. Um ataque relâmpago de beijos e amassos que mal lhe deram tempo para compreender que, de uma forma que não podia sequer vislumbrar, chegara ao Chalé e fora levado direto aos braços do marido...
Harry lembrou-se apenas de estar profundamente irritado com a demora da viagem e na verdade, tinha que admitir, extremamente ansioso também. Além de estar bastante confuso, pois queria e não queria encontrar o marido. Por quê? Bem, o fato de Adam Taylor ser arremessado contra a parede, depois de ter sido praticamente sufocado pelas mãos de Draco, de fato, contribuiu para abalar a sua confiança na capacidade de autocontrole do veela.
Uma poção... Ainda no carro, bebeu uma poção para controlar a pressão arterial, poção esta que nunca o teria apagado daquela forma, não mesmo. Já ingerira litros dela sob os olhos do carrasco Snape, logo, só havia uma explicação para o fato de ter apagado e acordado depois, sabe-se lá quanto tempo depois: Snape e, óbvio, a nada insuspeita Hermione.
O pior de todo esse dramalhão foi o seu desenlace: o esnobe furioso leva o seu parceiro (leva??? Não, arrasta mesmo) para longe das garras do inimigo em potencial (que jazia meio morto) e, no processo, ignora os cuidados necessários com o esposo e desencadeia a via crucis das poções para o controle da pressão arterial... É, de verdade, poderia até escrever uma novela trouxa com tamanhos absurdos.
_Draco... Espera... — Ah, como era difícil falar com uma segunda língua dentro da boca.
_Não, não quero esperar...
Harry tentou empurrá-lo antes de ser beijado novamente, dentro de si a mesma raiva anterior, quando estava lá, sendo alvo dos cuidados de Snape, tinha voltado com bastante rapidez.
_Quero você, Harry... Pare de tentar fugir...
_Pare você de tentar abusar de mim! — E, por algum motivo que nem o próprio moreno soube, suas palavras deixaram Draco tão surpreso, que pôde se afastar minimamente, sentar na cama e respirar.
_Abusar? Eu nunca faria isso... Sabe, acho que vou proibir Pansy de conviver contigo, querido esposo.
_Temos que conversar!
_Ah, Harry... Depois conversamos... Temos algo muito mais interessante para fazer agora. Conversar não...
_Conversar sim, seu loiro de farmácia.
_Fala com desdém, mas bem sei que você gosta — e tentou agarrá-lo mais uma vez, ao que Harry, ágil como quando jogava pelas harpias, lhe presenteou com uma bela almofadada.
_MALFOY!
_Ok, ok... Conversar então, que seja...
Draco não estava irritado, ao contrário. O simples fato de o esposo não fugir dele já era, na sua singela opinião, muito mais do que merecia.
_Antes que me diga qualquer coisa... Desculpe-me. Deixei-me dominar pelo meu veela e isso, eu sei, o prejudicou, assim como prejudicou nossos filhos. Nunca conseguirei me perdoar... Você estar sob tantos cuidados... A culpa é inteiramente minha. Será que toda a sua nobreza e bondade poderão me perdoar, Harry? Um dia?
Harry ficou extremamente surpreso. Nunca poderia imaginar que Draco, o seu Draco, iria ter aquele tipo de reação.
_Escute bem, loiro: eu ainda quero muito te socar. Você quase matou o Dr. Taylor — e percebendo como a pele alva e esnobe enrubescia de raiva, prosseguiu. — Mesmo que ele tenha merecido, por Circe, Draco... E se você for processado? E se você for preso? Como é que eu fico, seu cretino? Você me engravidou! E de dois bebês! Nem se atreva a me deixar sozinho agora. Sou capaz de invadir Azkaban e arrancar as suas bolas com uma colher de chá!
O sermão meio acalorado foi interrompido abruptamente. Sem conseguir se conter ante tamanhos absurdos que a mente do seu moreno criara (quanta ansiedade), Draco o abraçou, afundando o rosto no ombro dele, inebriando-se com o aroma delicioso que brotava daquele corpo.
_Perdoe-me, Harry. Pode me socar se quiser, ou então... Como disse? Ah, sim, claro... Arrancar as minhas bolas... E com uma colher de chá?! Por Merlin, vou mesmo proibir que Pansy ou Blaise fiquem a menos de 100 metros de você!
Sentir o cálido hálito do marido em seu pescoço fez sua raiva se esvanecer. Os dedos longos acariciavam sua nuca... Ah, a nuca... Como se manteria na batalha depois de ser tocado bem ali.
Draco se afastou um pouco ficando de frente para o moreno, o cinza e o verde em contato direto.
_É você... É você, Harry... Tudo o que eu faço, de bom ou mau, tudo é por você. Se há um céu, um lugar idílico e perfeito, longe do sofrimento... Ah, meu amor, o céu é um lugar qualquer, desde que eu esteja contigo. Essa é a verdade, pura e simples. Eu não sou perfeito, mas não duvide do meu amor...
Harry sorriu com serenidade. Duvidar? Duvidar do amor de Draco? Nunca... O loiro renunciara a uma vida livre da sentença definitiva que era a herança mágica dos veelas. E tudo por ele... Já ele mesmo, o famoso Harry Potter, ele sim se negou... Como tentou fugir daquele sentimento estranho que, sem que permitisse, cresceu dentro dele e agora tomara inclusive a sua alma.
_Nunca exigi perfeição, nunca. Por que faria isso com você, quando eu mesmo estou séculos distante de ser assim? Perfeição não existe... O que eu já percebi, apesar de muito negar, é que nós somos perfeitos um para o outro. Somos teimosos e obstinados... Dois cabeças-duras, diria o professor Snape... Só me prometa uma coisa...
_O que quiser... O que desejar...
_Prometa que vai realmente se controlar e que vai me deixar agir. Sou um homem, ora. Eu sei me defender... E eu também vou prometer uma coisa...
O loiro riu internamente ao ouvir seu esposo dizer sou um homem... Ah, Harry realmente não sabia o quanto os donceles eram frágeis. Bem, talvez, ter sido criado como um trouxa e depois como um bruxo comum, enfim, a vida que teve pode ter afetado sua consciência...
_Eu prometo que vou me esforçar ao máximo, Harry. Farei tudo, tudo o que puder e mais alguma coisa. Sabe, se Hermione me deixou ficar aqui com você, sem ninguém vigiando para que eu não tenha um surto veela psicótico, Bem... Algum mérito obtive em controlar a magia... E, amor... Você não precisa me prometer nada.
_Preciso sim... Você se esforçou, certo? Então eu farei o mesmo. Não vou mais esconder nada de você...
Draco sorriu satisfeito. E foi ainda sorrindo que viu o punho fechado do esposo vir em sua direção, rápido e furioso. Fechou os olhos, aceitando a dor iminente, dor esta que não chegou sentir.
Os olhos cinzas piscaram e encontraram o verde esmeraldino que, faceiro, ria-se dele. Ah, aquele moreno não tinha jeito.
_Não vou te bater. Farei pior... — E o beijou na bochecha, fraternalmente, para logo se acomodar na cama com a clara intenção de voltar a dormir. — Boa noite, Draco.
_Espera, Harry... Boa noite? Assim, só com um beijinho?
_É... Estou cansado. E você terá que me mimar muito, loiro, se quiser o que você sabe bem o quê.
As esmeraldas foram ocultadas pelas pálpebras, deixando Draco mais que frustrado. Afinal, o loiro contava com um delicioso sexo de reconciliação... Contava e precisava dele.
_Amor, vamos, só mais uns beijinhos...
Ignorando os pedidos do marido e ainda bastante cansado do trajeto e sob o efeito das poções, Harry se entregou ao sono para, pouco depois, sentir os braços de Draco o puxarem. Meio dormido, meio acordado, aconchegou-se junto ao loiro, onde finalmente, sentia que estava em casa.
As horas passaram voando. Harry foi acordado algumas vezes para ingerir as poções prescritas por Snape, mas só conseguiu mesmo vencer a sonolência no meio da manhã, dando de cara, por algum estranho motivo, com Pansy Parkinson, Hermione Granger e Gina Weasley. As três sustentavam um olhar misterioso, o que anunciava que, fosse o que fosse que estivessem aprontando, era algo grandioso.
_Oh, finalmente! Bom dia, Harry.
_Bom dia, Hermi. Bom dia, meninas...
Gina deu um pulinho de excitação, cochichando algo no ouvido de Pansy para, na sequência, deixar o recinto, sem perder o andar saltitante.
_Está acontecendo alguma coisa? Onde está Draco?
_Está tudo bem... E Draco foi aprimorar seu controle sobre a magia veela. Ele e Fleur estão mais ao norte, na praia. Devem chegar logo, logo — respondeu prontamente a loira.
Mal o moreno sentou na cama, uma bandeja, com variados quitutes matutinos, apareceu na frente dele.
_Café da manhã, como o meu carrasco chefinho orientou, por inúmeras vezes, que deveria ser.
_Draco Malfoy carrasco? Ah, Pansy, sem pleonasmos... — Devolveu Hermione, fazendo o moreno rir daquela intimidade que não sabia existir entre elas.
A castanha se sentou na cama, observando o amigo se servir de um pouco de pão integral, frutas e queijo. Quando a bandeja já chegava perto de ser esvaziada completamente, Harry a afastou, respirando fundo para controlar o súbito enjoo.
Como se estivessem coordenadas, Hermione puxou a varinha com agilidade e, em segundos, a bandeja evaporou, enquanto Pansy juntou-se aos dois na cama, aproveitando para acariciar a barriguinha de Harry.
_Calma, meninas. Não façam isso... A mamãe precisa se alimentar corretamente, ou seja, o alimento precisa ficar aí dentro...
As gargalhadas de Hermione serviram de distração e o enjoo foi embora tão rápido quanto chegou. O carinho de Pansy era sincero e alguma coisa lhe disse, naquele momento, que a sonserina já fazia parte da sua vida, querendo ou não.
_Meninas, Pans? De onde você tirou essa ideia? Ainda é muito cedo para sabermos o sexo deles — ditou a sabe-tudo, com ar de futura medimaga.
_Eu simplesmente sei, ora. Não erro nunca!
Harry aproveitou para se espreguiçar gostosamente, esticado os braços e parecendo tão terno que Pansy, sem nenhum pudor, o beijou na bochecha, alegando ter sido estupidificada pelo indefensável ataque de fofura.
_Harry, antes de você sair do quarto, precisamos conversar. Temos uma grande celebração em andamento.
_Celebração? Do que estão falando?
_Depois de tudo o que seu padrinho sofreu, bem... Tivemos a ideia, na verdade, Gina começou com tudo isso...
_Não se perca nos detalhes, Pansy. Harry é extremamente curioso e não vai aguentar muito mais tempo esse suspense.
_Certo, enfim... O senhor Sirius Black e o professor Snape estão tão bem juntos... Até esperam um filho. Por que não presenteá-los, depois de tudo o que passaram, com um enlace? Combinamos com o juiz e ele celebrará o casamento dos dois. Sabemos que o vínculo marital já existe, então seria mais uma espécie de confirmação do ato contratual mágico existente, o que não tira em nada a pompa da situação. Um Black se casando? Ora, não é sempre que podemos presenciar tal acontecimento — e antes que a eficiente funcionária da Malfoys C.O. se perdesse novamente contando, com detalhes, como tinham preparado até os docinhos, a sabe-tudo tomou as rédeas da conversa.
_Preparamos tudo às escondidas: decoração, quitutes e convidados. Tudo mesmo foi executado com precisão. Os convidados chegarão mais tarde. Queremos que o pôr do sol na praia sirva de cenário. Lupin se encarregou de trazer o casal Black-Snape.
Harry se surpreendeu com a notícia.
_E eles sabem sobre o enlace?
A loira sorriu de um jeito tão sonserino que o não, que não ouviu como resposta, foi tão claro quanto à água mais cristalina.
_Hermione, então o meu padrinho não sabe que está vindo para o seu próprio casamento? Nem Snape? Morgana bendita! E se um deles não concordar?
_Tecnicamente, Harry, eles já estão casados. E Sirius vai adorar, pode ter certeza.
_E com o senhor Black entusiasmado, o professor Snape anuirá, pode ter certeza. Não reparou como ele está até menos rabugento?
_Menos rabugento?! Só se for contigo, Pansy. Enfim, ainda acho que estão brincando com fogo. De qualquer forma, o casamento é só mais tarde, certo? E ao que as duas confirmaram, prosseguiu. Então Draco e eu podemos ir praia e...
_Claro que não! Os dois precisam se arrumar.
_Pansy está certa, Harry, agora é hora de você se preparar. Tome um banho e volte para o quarto. Deixarei as vestes de gala sobre a cama. Nós vamos dar uma volta pela casa e acertar os últimos detalhes, não se pode confiar muito e Gina, não quando Theo anda tão... Manhoso.
_O que Gina tem a ver com Theo, Hermione?
_Depois te conto... Vá tomar um banho. Voltamos em seguida para ajudar você a se arrumar.
_Não preciso de ajuda para isso, Hermi. Sou apenas mais um convidado... Não vou me casar.
_Oh, meu amado amigo... Você nunca seria só mais um. Você será o padrinho... Na verdade, você e Draco serão os padrinhos, Harry. Devem estar impecáveis. Agora, por favor, tome o seu banho, sim? Voltaremos logo.
Harry foi deixado sozinho no quarto, a curiosidade crescendo absurdamente. O que, afinal, Theo e Gina... Ah, era melhor esquecer, afinal, teriam um enlace... Não, não era qualquer enlace, era o enlace de Sirius.
Pouco depois, já munido de uma nova muda de roupas, Harry se dirigiu ao banheiro e só então sentiu a euforia no ambiente. O chalé parecia vivo, tamanha a profusão de aromas e vozes.
_Eu quero estar bem perto quando o professor for informado sobre o enlace e ainda com esse feliz pensamento na mente, chegou ao banheiro, mas antes que pudesse abrir a porta, a mesma se abriu, revelando um rosto pálido, cujo dono mal parecia poder se sustentar.
_Theo! O que aconteceu? E se apressou em segurá-lo, tamanho era o medo de que despencasse de cara no chão.
_Harry? Oh, calma... Calma... Eu estou bem... Pode me ajudar a chegar ao meu quarto?
Harry seguiu a indicação e logo chegou a mais um dos pequenos cômodos do Chalé. Acomodou Theodore sobre a cama uma cama, notou, anormalmente grande e ficou mais tranquilo ao notar um pouco mais de cor no rosto dele.
_Como está se sentindo? Quer que eu chame alguém? Um médico?
_Não, não precisa. Fique tranquilo, Harry... Eu só exagerei nos biscoitos amanteigados e...
_Theo! — Chamou Gina, entrando no quarto apressada. — Tudo bem?
Theodore revirou os olhos, enquanto a ruiva sentava ao lado do sonserino e lhe dava um selinho, num misto de carinho e preocupação.
_Está tudo bem, Gina. Não precisa ficar assim...
_Mal posso esperar o professor Snape chegar aqui!
_Não vamos recomeçar com isso, vamos?
Harry se afastou dos dois, sentindo o clima de briguinha conjugal esquentar. Voltou ao banheiro e dedicou-se a relaxar, pensar em Draco e em seus bebês e, obviamente, na cara de surpresa que Snape colocaria quando, arrebatado, descobrisse que estaria ali para o seu próprio enlace.
Certo tempo depois, batidas na porta o tiraram de seu devaneio particular. Ele se secou e vestiu antes de abrir a porta, dando de cara com Hermione já pronta, belíssima num vestido cor salmão tão delicado que a deixava muito mais feminina. A castanha literalmente o puxou para fora, conduzindo-o para o quarto que compartilhara com Draco. Não estava conseguindo compreender o motivo do nervosismo da amiga, o que só aumentava a sua própria curiosidade.
Sábia como só ela, Hermione se dispôs a contar sobre Theodore, Gina e Gabrielle, o que deixou o moreno super atento às informações, esquecendo até mesmo de questioná-la sobre o que, afinal, a fazia sentir tanta preocupação. Ela se esmerou nos comentários sobre a reação do senhor Weasley que, estupefato, anunciou que talvez não lhe restassem mais cabelos até o próximo aniversário. Nesse longo bate-papo, Harry até ingeriu mais um lanche e nem sentiu o tempo passar.
_Hermione, essas vestes não estão exageradas? — perguntou à amiga, enquanto mirava a si mesmo num espelho (na verdade, a porta do armário transfigurada por Hermione). O tom esverdeado combinava com os seus olhos e o corte fino e elegante o fazia se sentir... Diferente. — E onde está Draco? Ele já deveria ter voltado.
_Draco já chegou faz algum tempo. Pansy e Rony estão cuidando para que esteja pronto o mais rápido possível. Sirius deve chegar em mais alguns minutos. E suas vestes, meu caro, estão mais que apropriadas. Até parece que não conhece o seu marido... — E olhando o relógio, se assustou. — Oh, por Merlin, por que devolvi aquele vira-tempo à professora McGonagall?
A porta se abriu, dando passagem a Sirius e Theodore, os dois muito bem arrumados. Sirius numa túnica cor prata esbanjava felicidade pelos poros. Ah, Black estava radiante. E Theo, então? Não havia nenhum vestígio da palidez anterior, ao contrário. O sonserino parecia estar se sentindo muito, muito bem.
_Oh, Harry, que bom que você já está melhor... E então... Passou bem a noite?
_Sirius! — Ralhou Harry,enquanto o padrinho ria do rosto corado e envergonhado do afilhado.
_Sirius, se comporte. E você também, Harry.
_Certo, certo... Eu só não sei para que Remus fez tanta questão de que nos vestíssemos assim. — Comentou o animago, indicando as próprias vestes... — Disse apenas que era uma grande surpresa para Molly e Arthur.
_Ah, é que... — Começou Theo, mas emudecendo em seguida, por pura falta de criatividade.
Pansy Parkinson, a salvadora, adentrou o recinto, sorridente e mais que exuberante em um modelito azul, com fenda lateral que deixava boa parte da perna à mostra, além de deixar, segundo a própria em confissões posteriores, Blaise rastejando.
_Vamos descer? Está tudo pronto... Os convidados já chegaram. Na verdade, todos estão muito excitados. Blaise então — e se mexeu levemente, como se fosse a última cereja do bolo.
Pansy liderava o grupo, sendo seguida por Hermione, Theo, Sirius e Harry. Na pequena sala, o grupo foi acrescido de Gina que, iluminada em seu vestido dourado e preto, parecia mal se conter de felicidade.
_Preparamos tudo na praia, ah... Está divino — contou Gina, agarrando-se ao braço de Theo.
Pansy se perdeu deles, sumindo de suas vistas. O que estava acontecendo?
_Vamos? Chamou Hermione, sorrindo para todos.
Pisar na areia da praia foi mais que mágico. Como conseguiram montar tudo aquilo? E de onde saíram tantas pessoas? Uma massa gigantesca de ruivos só lhe fazia imaginar que toda a família Weasley estava presente... Nossa, até tia Muriel! E aqueles loiros... Ah, Harry os vira antes, no casamento de Fleur... Eram os Delacoir... E havia ainda um desfile grifinório, seus amigos de casa e alguns do ano inferior ao seu, amigos de Gina. Sonserinos também, é claro, os amigos de Draco e Theo.
Papoula Pomfrey, Minerva McGonagall, Hagrid, Podmore e alguns aurores, até o Primeiro Ministro estava presente. Hermione então se virou... Ah, os olhos dela estavam brilhando de lágrimas...
_Gina, Theo, Harry e Sirius...
A voz da castanha estava embargada... Ela estava muito emocionada, embora Harry não soubesse o motivo. E então viu Draco, mais que perfeito na sua túnica azul celeste, todo um Deus disposto ao fundo de um grande... Altar?
_Vocês irão se casar hoje... Bem, para Harry e Sirius será uma reafirmação do enlace...
Gina e Theodore sustentavam a mesma expressão de choque, estando muito mais surpresos que Harry e Sirius. Era evidente que eles sabiam de parte da surpresa, pois o imenso tapete vermelho que seguia numa linha reta até o altar, no qual Draco, Snape e Gabrielle aguardavam seus parceiros.
Snape parecia levemente atordoado, para puro regozijo de Harry. O pocionista, como costumeiro, vestia vestes escuras, mas notava-se que a mesma era requintada. Já Gabrielle, ah... A veela esbanjava sedução, tal como Draco. Vestia um delicado vestido cor púrpura, que fazia sua pele alva se destacar.
Olhando bem para o grupo, percebia-se que, coincidentemente, apenas ela não demonstrava o menor vestígio de estar admirada pela situação. Na verdade, a veela apresentava uma expressão de domínio e autoridade como se, simplesmente tudo, estivesse saindo de acordo com os seus planos mais íntimos.
_Hermione, isso é sério?
A sabe-tudo sorriu afirmativamente, rumando para o altar e, pouco depois, parou ao lado de Ronald. Além deles, estavam no altar o mesmo simpático juiz que realizara os vínculos de Harry e Sirius, Blaise e Pansy, Remus e Molly e Fleur e Bill... Seriam os padrinhos?
_Está tudo tão... Perfeito... E não havia como discordar de Sirius.
Havia uma linda árvore atrás do altar, cujos galhos floridos e iluminados se estendiam por todo o altar que, por sua vez, também fora todo enfeitado com flores. Bem longe de dar um ar sinistro ou fúnebre, a escolha das delicadas margaridas fora mais que acertada. E colado ao altar, um pequeno tablado trazia instrumentistas... Estava mesmo tudo perfeito.
Gina murmurou um terno Gabrielle, bem baixinho, enquanto Theo erguia o rosto para o altar, encontrando o olhar da veela, anuindo em silêncio ao pedido mais que arrebatador de casamento.
Teddy e Madeleine se posicionaram na frente deles. Ah, eles estavam umas fofuras... Sorridentes, iniciaram a caminhada assim que os instrumentistas, habilidosos, brindaram a todos os convidados com a marcha nupcial. Harry Potter mal conseguia acreditar que estava ali, de pé diante, prestes a caminhar para o altar, uma linha reta e sem obstáculos, direto para os braços de Draco Malfoy.
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