Submisso
27 Capítulo 27 - Paixão Avassaladora, la petite mort
Notas iniciais
Não vou me estender muito nas notas, a não ser por um pedido: tenham paciência com o doncel grávido!
Sem mais, PAIXÃO AVASSALADORA, LA PETITE MORT
Capítulo 27 – Paixão Avassaladora, La Petit Mort
_Eu te amo. Não sei o que aconteceu e você não quer me dizer, mas vou te fazer compreender, de uma vez por todas, que só existe você, Harry. Eu só vejo você!
Como não se surpreender com as ações desesperadas de Draco? É, eram mesmo desesperadas. Draco não o desnudou apenas, aquilo foi quase uma ação criminosa! As vestes – tão demoradamente escolhidas – foram vertidas em trapos, rasgadas em meio ao frenesi do marido.
Diante de tamanho ímpeto, preferiu se deixar manusear. O veela estava preocupado, irritado, frustrado... Podia sentir. Quem era o culpado da reação exagerada do loiro? Ora, quem mais, além do aclamado “Eleito”? Sabia disso, assim como sabia pegar o pomo de ouro. Não havia segredos entre eles. Ali, na alcova de ambos, na cama na qual compartilhavam as mais impudicas intimidades, não havia barreiras limitando o acesso ao seu dedicado veela. Naquele cômodo tão requintado, era apenas o verde e o cinza, nada mais.
Draco o beijava com tanta intensidade, que se sentia queimar inteiro. A pele ardia, tornando-o brasa viva de desejo. Era surreal experimentar a sensação única advinda do calor da magia veela que, sem nenhuma cerimônia, derretia a sua própria tristeza, vertendo em pó a sufocante frustração que, instantes atrás, quase o fez gritar de dor.
Fechou os olhos. Não queria mais ver, apenas ser dominado pela necessidade de Draco que, agora, se apiedara de sua boca, partindo rápido rumo ao sul de seu corpo, um caminho de saliva delineando o pescoço, o contorno dos ombros até parar num dos mamilos. Ah, o loiro os adorava. Sacana, mordeu e lambeu com esmero cada um deles, assoprando de leve, eriçando até a sua alma naquele processo deliciosamente torturante.
Drago sugava forte, tão forte que agora doía, mas não se importava. Se aquela dorzinha insignificante era a única forma de ter toda atenção dele, então assim seria. Inclusive, se precisasse se submeter a mais desplantes, o faria. Talvez a gravidez o tivesse deixado mais sensível – e imbecil –, afinal, o “herói dos bruxos” não deveria ser assim tão, capacho, deveria?
Ora, ele nunca foi uma “bonequinha frágil”, nem de longe. Ele era Harry Potter, o Eleito, o-menino-que-sobreviveu-para-vencer-o-poderoso-Lorde-das-Trevas. Então, por que, por Circe, por que sentia o coração despedaçar, quando não tinha os olhos acinzentados sobre si? Ou quando Draco falava com outra pessoa que, visivelmente, só faltava se jogar em cima dele?
Por que se sentia tão perdido e inseguro? Não, não aguentava viver naquele desespero, naquela incerteza... Se, para minimizar a dor em seu peito ao ver-se com tão pouca importância para o marido, precisasse engolir o orgulho grifinório... Oh, ele se submeteria. Capacho, florzinha, digno de pena... Até podia imaginar o que diriam dele. O que faria sem Draco? O que faria sem ter mais doses daquela paixão luxuriosa?
Ah, como foi estúpido. Lutou tanto... Resistiu tanto... Tanto esforço para não sucumbir àqueles sentimentos, para evitar ficar do jeito que agora estava... Rendido, totalmente rendido ante seu antigo inimigo de escola. Como a sua vida era patética... A vida de Harry Potter daria um excelente dramalhão, um daqueles bem piegas. O pobre menino órfão, abusado pelos tios e perseguido por um psicopata.
Quando se lembrava de si mesmo, percebia que sempre mendigara por um pouco de atenção. Quando criança, demorou a compreender sua triste condição na casa dos Dursley. E sofreu muito com isso. As marcas deixadas pela rejeição dos tios nunca seriam completamente apagadas. Depois veio a descoberta do que era, de quem era... Um bruxo!
Um mundo cheio de novidades se descortinou bem diante de seus olhos, assim como, pela primeira desde a morte de seus pais, o amor de uma família, os Weasley. E, por um breve período de tempo, chegou a pensar que teria um futuro feliz. Hogwarts, magia, Weasley, Sirius, sapos de chocolate... Ah, era muito mais do que ele tinha sonhado até então, em toda a sua vidinha miserável de garoto-órfão-que-nem-quarto-tinha. Nunca na vida se sentiu tão amado. Mas aí, bem... Aí veio a guerra, lacerando famílias, matando centenas de pessoas... E todos mudaram. Ele mesmo mudou...
Culpava-se sempre por cada uma daquelas mortes, ainda que, racionalmente, soubesse que ele, Harry Potter, era apenas mais um peão no tabuleiro. Um peão com vestes de rainha... Todo um doncel por fora, mas um grande combatente por dentro. Conhecia a sua própria força e determinação, a sua tenacidade... Precisou fortalecer sua mente e proteger seu próprio coração ao longo da dura vida que teve. Já com Draco, sentia-se irrevogavelmente exposto, total e completamente vulnerável.
O sonserino lia a sua alma. Sabia o que estava sentindo com um simples olhar. Desde que se reencontraram, para cursar o último ano de escola, ele soube que Draco Malfoy o afetava, soube que Draco Malfoy destruiria a sua couraça... Algo que nem o amor de Sirius — ou de Molly — tinha conseguido realizar inteiramente.
Por isso lutou tanto, fugiu tanto... Repudiou o sentimento que crescia dentro de si. Mas como foi tolo, não é? Seus olhos sempre buscavam o cinza esnobe e aristocrático... Seus lábios desejavam estar sobre os dele... Seu corpo inteiro clamava pelas carícias daquelas mãos de dedos longos... É, as carícias que agora recebia, bem ali, esparramado naquela cama exagerada.
Sucumbiu ao amor por Draco muito antes da primeira noite de ambos. E como teve medo então. O medo era um sentimento frio, triste, negativo, desgarrador... Morria de medo de ser abandonado de novo. Primeiro foi "abandonado" pelos pais, depois pelos tios e até por Sirius que, num determinado momento, não pode cuidar nem dele mesmo. Era um medo irracional, sabia disso... Mas não conseguia evitar.
Sentia-se tão pouca coisa perto do loiro. O que era ele, Harry, quando comparado ao grande magnata Malfoy, um dos homens mais brilhantes que conhecera na vida? Ah, ele era o Harry, só Harry... Internamente, sentia-se ainda como o “garoto-órfão-que-nem-quarto-tinha”.
Ah, Harry Potter não era nada. A guerra levou sua inocência e o que tinha ficado? Um doncel... Nem profissão ele tinha mais! Não restara nada além de um ex-pegador de quadribol, doncel, casado com um homem que não precisava dele... É, era isso: sentia-se desnecessário para Draco. Gemer de prazer era a única coisa que iria oferecer ao veela?
Contudo, a parte racional de seu cérebro lhe dizia que seu medo era equivocado, que o sentimento poderoso que experimentava pelo marido não era unilateral e sim, por Circe, amor de verdade, forte e verdadeiro. E só deles, deles dois e, em breve, dos quatro. Draco e ele já eram uma família e não havia razão alguma para tamanha dúvida.
Como controlar sua insegurança? Nunca antes tivera tanto amor... E se a parte racional, que lhe afirmava que estava certo em acreditar em Draco, estivesse enganada? O que ele faria, uma vez que entregou o próprio coração, antes tão bem guardado e protegido, numa bandeja? Era covardia de sua parte temer ter a alma lacerada pelas garras do veela? Ah, não sabia... Não sabia de mais nada!
Seus olhos marejavam... Não! Ele não era covarde... Ou era? O poderoso herói do mundo bruxo não passaria de um engodo? Bem, nunca se amedrontou diante dos desafios... Passou fome, apanhou, foi torturado, até se entregou para a morte... Portanto, covarde ele nunca foi. Então, por Circe, por que se sentia assim?
O roçar dos lábios do marido se espalharam pelo seu rosto. Ah, era tão cálido... Tão reconfortante receber as atenções dele. Os beijos se estenderam pelo seu tórax chegando ao umbigo, onde o marido simulou pequenas penetrações com a língua. Afoitas, as mãos de dedos longos percorreram – e apertaram – os seus quadris e, decididas, lhe abriram as pernas. Logo depois o sentiu, o toque íntimo, bem na sua entrada...
O toque de Draco o incendiava, fazendo-o tremer com o roçar dos ágeis dedos na sua pele. Grudou-se ao corpo do veela de tal forma, que até ouviu um risinho convencido. É, talvez esse fosse o seu erro: o maldito sonserino conhecia os seus pontos fracos, os meios de fazê-lo suspirar, os toques que o levavam a – involuntariamente – abrir as pernas e rogar por ele... Draco tinha total poder sobre ele.
Amava com devoção àquele esnobe. Amava o modo como ele conhecia cada detalhe de si... Amava a habilidade do veela em sempre fazê-lo se sentir desejado. No entanto, amar seria suficiente para manter Draco consigo?
Bastou o primeiro dedo dentro de si para perder-se, de vez, nas sensações, ignorando as próprias dúvidas, afastando-as para um recanto longínquo da própria mente. Ser possuído pelo veela desencadeava um desejo irrefreável e perpétuo. Ali, junto dele, sentia-se vivo. Como queria mesclar-se de vez à pele alva e quente de Draco para, assim, aderido a ele, permanecer para sempre, sem mais dúvidas.
Teve a glande lambida, beijada e, deliciosamente, sugada, com mordidinhas de leve, que logo se estenderam do topo até a base se seu membro, chegando aos testículos, habilmente estimulados pelos lábios do marido. Oh, por Circe, quando havia começado a gemer tão alto? Era vergonhoso...
_Draco... Draco... Mais...
A sua ereção foi engolida, beirando a literalidade. Mas nem aquilo era suficiente. Não bastava a fragrância erótica do marido, não bastava o seu toque perfeito e íntimo, não bastava a atuação da sua língua libidinosa... Ele queria tudo de Draco, queria tocá-lo, queria mordê-lo, queria chupá-lo, queria sentir o sabor do gozo dele estalar na própria língua...
Soltando-se dele, inverteu as posições e o lambeu, beijou, arranhou... Deu rédea solta à imaginação. Queria tudo, queria o veela inteiro só para ele. Não estava mesmo no controle pleno das suas funções mentais. Se estivesse, a sua timidez nunca teria permitido aquela cena. Ficou de Draco sobre o esposo, levando a própria entrada até seus lábios. Draco entendeu o recado e continuou a prepará-lo, enquanto mantinha a própria boca bem ocupada, subindo e descendo pelo pênis entumecido, naturalmente avantajado pela herança veela.
Era difícil engolir, mas se esmerou... No entanto, nada o preparou para a provocação de Draco que, sem aviso algum, se dispôs a brindá-lo com o mesmo “servicinho”. Chupar e ser chupado ao mesmo tempo. Morgana bendita! O desejo cresceu... Eram muitos estímulos ao mesmo simultâneos: a boca do esposo, os dedos do esposo, a magia veela envolvendo todo o seu corpo...
Gritou descontrolado, derramando-se longamente, para, ainda arfando, voltar a dar prazer oral ao marido, que pouco depois começou a gemer. Sentia-se endurecer com os sons vindos de Draco. Ele estava causando aquela reação...
_Harry, já chega... Eu estou... Quase...
As mãos de Draco o agarravam, tentando afastá-lo, mas se manteve firme até conseguir o que queria. E foi um prazer imenso ter as mãos de Draco, antes tão firmes, resvalando, vencidas, por sua pele nua e perolada de suor. Sorveu até a última gota, desesperado por cada partícula Malfoy que pudesse ter para si. Queria exauri-lo por inteiro.
Excitado, juntou seus lábios com os do veela, compartilhando o sabor, mordendo a língua do outro, quase a arrancando. Queria comê-lo, devorá-lo... Bem antropofágico, não? Mas não deixava de ser verdade. E então, como sabia que aconteceria, o lado possessivo e dominante do marido voltou ao controle.
_Você me quer tanto assim, Harry? Quer me engolir?
Abrir as pernas foi instintivo, mas, o que disse em seguida: “Ah, sim... Eu quero. Com a minha boca de baixo, Draco. Quero engolir você inteiro”, paralisou o marido por alguns segundos, tamanha a surpresa. Ah, foi bem pensado. Afinal, nem a mente sonserina estava preparada para aquilo. Serviu para deixar o marido mais corado ainda e, decididamente, contribuiu para ter sido empalado de uma só vez, sem delicadeza alguma, mas com uma mestria digna de profissional.
O vai e vem ritmado, os gemidos guturais provenientes do loiro, que, totalmente entregue ao momento, ofegava e empurrava o corpo inteiro contra o seu, o toque incendiário das mãos apertando com muita força as suas coxas, erguidas e abertas no limite máximo... Ah, e a boca, devorando-o em beijos sôfregos e intermináveis... Como não sucumbir?
A magia veela agora eletrizava a ambos, disso tinha certeza, pois gemiam juntos, abraçando-se com idêntico desejo de tornarem-se um só ser. Era intenso, visceral, profundo... Aquela sensação de entrega era arrepiante e assustadora, pois o fazia ignorar o seu próprio bom senso e cair de cabeça naquela paixão desenfreada e avassaladora, naquele sentir necessário e erótico, saindo da sua zona de segurança e indiferença.
Quanto mais sentia o marido se afundar dentro de si, mais enterrava as unhas nas costas dele. Ah, sentia-se desesperado... Estava às lagrimas... O momento se aproximava e ele o perderia. Draco sairia de dentro de si, o abandonaria, deixando-o vazio e frio de novo, relegado à angústia e à insegurança. Estava triste, tão triste.
Estava gotejando quando Draco percebeu sua aflição. Teve as lágrimas lambidas pela língua ardente feito brasa, sendo erguido e sentado sobre o membro duro, que tanto prazer lhe fornecia. As mãos de dedos longos o acariciaram nas costas para, logo depois, descerem até as suas nádegas fartas, apertando-as fortemente, auxiliando no sobe e desce errático, pois os dois se empurravam freneticamente, um contra o outro.
O orgasmo os atingiu em meio à coreografia voluptuosa que dançavam. Passados alguns segundos de desconexão total com a realidade, foi aprisionado entre os braços do veela. Não havia como fugir. Agarrou-se a ele também, apoiando a cabeça em seu ombro. Os toques e carícias prosseguiram, enquanto tentava regularizar a própria respiração. O corpo pulsava avidamente e Draco ainda estava dentro dele. Por que estava chorando de novo?
_Os franceses chamam de “la petite mort”, mas... Com você, nunca é, de fato, morrer... – E teve as lágrimas, mais uma vez, sorvidas pelos beijos do marido. – É renascer, Harry. Meu amor por você renasce mais e mais forte, a cada vez que nos entregamos um ao outro. Eu te amo... Não esqueça... Eu te amo...
As palavras do loiro não fizeram muito sentido. Do que ele estava falando? Ah, sim... Amor... Amor... Era um amor correspondido. Mas não teve oportunidade de afirmar, ou confirmar, pois foi silenciado com outro beijo... Ah, por Circe! Draco voltava a endurecer dentro de si. Seria uma longa noite...
Fale com o autor