Submisso
24 Capítulo 24 - Adestrado
Notas iniciais
Ah, para os amados que sempre me brindam com a leitura e os comentários, aviso que estou escrevendo uma nova fic, também de HP. O nome é "Subtraído". (talvez, vcs tb curtam)
Aviso dois: fiz uma pequena alteração no capítulo 19 (no final desse capítulo eu deixei o que foi mudado. Não foi nada demais, na verdade, apenas para acertar uma coisa que tinha esquecido).
Agradecendo muito o carinho de vcs!!!
Sem mais, ADESTRADO.
Capítulo 24 — Adestrado
Aproximou-se da cama, os passos cuidadosos. Por que o esposo dormia daquele jeito? Sirius literalmente se enrolava e se escondia nos lençóis. Lá estava o costumeiro monte de pano. Com delicadeza, puxou o tecido, sendo eclipsado novamente – ah... Sempre seria – pela imagem mais tentadora, a própria maçã que Eva ofereceu a Adão: Sirius... Vestido apenas com a própria pele de seda, convidativa e altamente excitante.
O pocionista salivou em antecipação. Havia apenas um único adorno, algo que combinava perfeitamente com a pele tão alva quanto alabastro: uma coleira de couro negro, dela pendendo uma plaquinha, a definição – óbvia – de quem era o proprietário daquele monumento em homenagem ao desejo...
“Severus Snape.”
Como resistir àquela clara provocação? Sirius estava deitado em posição fetal, com uma expressão muito ingênua e descansada no rosto, os longos cabelos sumindo na junção do ombro com o pescoço. A pele reluzia mesmo na penumbra, ou eram os seus olhos escuros que já estavam enfeitiçados pelo poder de sedução dos donceles? Bem, talvez fosse um pouco de tudo...
Enquanto livrava-se das próprias vestes, obrigou-se a apenas esperar, atrasando o momento no qual o teria entre suas mãos grandes, sendo ele próprio transformado numa pobre vítima da lascívia transpirada pelo grifinório. Como poderiam culpá-lo?
Já desnudo, os olhos negros habilidosos no ato de perscrutar o delicioso corpo adormecido, das melenas escuras aos dedos dos pés. Único, primoroso, impudico e dele, apenas dele... Levou as mãos até seu próprio membro, já doendo de tão duro. O sobe e desce foi inevitável... E ele mesmo mal podia acreditar que estava ali, se masturbando feito um adolescente virgem, na frente do esposo.
Seus gemidos cresceram em volume e intensidade, culminando num grunhido vergonhoso. Sirius acordou confuso na cama, procurando o responsável pelo incômodo despertar. No entanto, sentiu-se tão fresco, que a própria irritação se esfumaçou. E só podia significar uma coisa: sem pelos! Estava finalmente livre da forma animaga. Estava tão feliz que não se importou muito pelo fato de estar completamente nu. Não é que detestasse a forma de cachorro, mas preferia poder optar em ficar ou não em quatro patas.
Sentou-se na cama e levou a mão esquerda até o pescoço. Lá estava ela, a maldita coleira que tanto tentou arrancar de si, sem sucesso algum. Chegou a pedir, ou melhor, latir, para Lupin e Teddy, rogando que arrancarem aquela “indignidade” dele, mas nenhum dos dois tivera sucesso.
Agora, com mãos ao invés de patas, teria sucesso... Não! Impossível... Por que não conseguia se livrar dela? O seboso só podia ter enfeitiçado aquele pedaço de couro. Cretino, narigudo, morcego velho... Iria caçá-lo pela casa inteira. Iria até Hogwarts se necessário. Snape se arrependeria de tê-lo tratado como se fosse um bichinho de estimação. Ah, ele não conhecia a fúria vingativa de Sirius Black! Bem, antes de sair correndo atrás do marido, precisava alcançar o armário e se vestir. E por que, diabos, o quarto estava tão escuro?
Com um feitiço não verbal, fez as cortinas se abrirem, a luz da tarde inundando o quarto. Virou-se com muita rapidez, mas antes que pusesse os pés no chão – Oh, pés, enfim! – parou de chofre, uma expressão confusa a princípio e, em instantes, bastante divertida. Afinal, não era todo dia que se podia contemplar aquela visão: Snape em toda a sua glória desnuda, bem diante dele, a mão melada – sabia bem com o que – e a pele perolada pelo esforço. O maridinho fora pego no flagra!
Mal podia acreditar que o marido estivera ali, se divertindo com os cinco amiguinhos, tendo-o como inspiração. Quis gargalhar, mas se conteve. Rir apenas não seria nada, na divertido... Nem “vingativo”. Snape precisava aprender uma liçãozinha sobre a prática do voyeurismo. E ele não o perdoaria...
Burlesco e aproveitando a situação a seu favor, Sirius decidiu provocar ainda mais, a coleira praticamente aderida a seu pescoço dando-lhe ótimas ideias. Então o marido queria um bater uma punheta olhando descaradamente para um indefeso “cachorrinho”? Então faria esse agrado. Riu-se internamente. Ah, como irir saborear aquele momento!
Umedeceu os lábios lentamente, usando a própria língua de forma bem exagerada. O marido arregalou os olhos, demonstrando estranheza, a princípio, e depois muito interesse. Quando percebeu que obteve total atenção na “ceninha”, pôs-se a engatinhar sobre a cama, emitindo gemidinhos, como se de um filhote – fofo – se tratasse. Evidentemente, precisou controlar os próprios impulsos de se enrolar nos lençóis, ou o de correr e se trancar no banheiro. Não... Tinha que dar uma lição no marido.
Ouviu Severus arfar quando, ainda que bastante envergonhado, parou de quatro, bem no meio da cama, mexendo os quadris e deixando sua entrada bem a mostra. Levantou a cabeça e virou o rosto para trás, incitando-o ainda mais, a plaquinha refletindo a luz do sol.
_A cama não é lugar de cachorro – E viu Sirius sorrir, para depois fingir se esconder entre os travesseiros, o traseiro bem empinado na sua direção.
Merlin, não tinha mais idade para esse tipo de coisa, certo? Seu coração acelerou bruscamente quando o esposo ficou de quadro, aquele buraquinho rosado, quente e apertado convidando-o a entrar bem fundo. Sirius estava brincando com fogo, ah sim...
_Sirius, você tem sido um cachorrinho muito desobediente – e lembrou-se de insonorizar o cômodo e trancar a porta. Não queria arroubos infantis de Teddy naquele momento. – Terei que adestrá-lo... – Concluiu já de joelhos no colchão, uma nalgada bem dada na nádega esquerda.
O doncel se virou para o marido, engatinhando ainda, e se pôs a lamber a mão ainda lambusada, sorvendo os últimos vestígios da brincadeirinha anterior. Em seguida, com muita calma, se projetou na direção do falo dele, lambendo da cabeça até a base, deixando-o lustroso com a saliva para, logo depois, engoli-lo abruptamente, sugando-o com vontade.
Severus apenas se recostou na cama, agradecendo a si mesmo por ter adquirido um modelo trouxa “king size”. Não querendo atrapalhar o seu bichinho, deu livre acesso a Sirius, envolvendo os dedos naqueles cabelos que mais pareciam pura seda. Ditou o ritmo, controlando o sobe de desce do esposo, mas o impediu de fazê-lo gozar.
_Nada disso. Lição nº 01 – e o virou novamente no sentido oposto. – cachorros não bebem leite, só gatos. – Mais algumas nalgadas e Sirius já sentia seu traseiro arder.
Ver aquela pele alva avermelhando-se... Nossa, era divino. Ouvir os gemidos sufocados de Sirius... Ah, era pura satisfação. O feitiço lubrificante foi seguido de um dedo urgente, logo dois e pouco depois três. Sirius já estava se contorcendo na cama, a força nos braços esmorecendo.
Sabia que sua sedução natural de doncel desesperava Snape... Como sabia! O austero professor até que se controlava bem, mas era um varão, no final das contas, como todos os outros. E todos eles, sem exceção, eram suscetíveis ao poder nato de sedução que os donceles tão bem sabiam utilizar.
Gemendo feito possesso devido à habilidade daqueles dedos, desejava apenas se derramar por inteiro, dando vazão ao prazer absurdo que sentia. Pouco se importava se era empalado apenas pelos dedos do marido. Não aguentava mais. E, num gemido gutural, manchou os lençóis. Com o corpo relaxado, já estava prestes a deitar de bruços no convidativo colchão, quando ouviu uma risada satisfeita do narigudo.
_Preciso me esmerar muito no seu adestramento, Sirius – e os dedos de Snape continuaram a invadi-lo sem trégua, o corpo impedido de desfalecer devido à ação dos braços fortes do professor.
As nalgadas prosseguiram por mais alguns minutos, o tempo exato para que o “cachorrinho” voltasse a sentir o próprio pênis duro e desejoso de mais lições. E então, sem avisos, sentiu as mãos grandes do marido deixaram sua entrada. Virou o rosto para trás, confuso e irritado, ganhando apenas um beijo asfixiante como resposta.
_Lição nº 2 – Sirius sentiu um puxão pela cintura, sendo acomodado sentado, bem sentado, em cima do membro duro do marido que, além de segurá-lo bem firme, colou o tórax nas suas costas, o calor aumentando de forma absurda entre eles. – Você só goza, quando eu permito.
Severus o penetrou sem cerimônia alguma, a glande já irrompendo na entrada apertada e sufocante. A outra mão o puxou pela coleira, apertando seu pescoço de leve, com um “você é meu, cachorro... Só meu” de brinde, sussurrado pervertidamente em seu ouvido, enfiando-se nele sem compaixão.
As penetrações massageavam a próstata de Sirius impiedosamente. Era tão intenso que o animago só conseguia gemer. Mas ele se concentrava em controlar minimamente os espasmos pré-orgasmo que o sacudiam. Precisava falar, precisava deixar algo muito, muito claro, ainda que sua mente estivesse nublada pelo prazer.
Ah, e era tanto prazer. Devia ser pecado se sentir assim. Severus era esplêndido na cama. Não que pudesse – ou quisesse – comparar com outros homens, mas nunca experimentara tamanho êxtase com uma mulher. Severus o inebriava... Não conseguia nem raciocinar direito, em especial quando ele lhe brindava estocadas tão precisas, uma mais profunda que a outra, aliadas à ação competente das mãos grandes e varonis ao masturbá-lo.
_Ah, preciso descer e preparar uma poção... hummm... Contraceptiva...
_Esqueça isso... – E começou a se mover no sentido contrário ao do marido, o som dos corpos batendo reverberando pelo quarto. – Ah, Sev...
Desejo, competição, rivalidade, atração, amor... Como não sucumbir a tantos sentimentos? Nunca pensou ser capaz de sentir tanto e ao mesmo tempo. Entregar-se daquela forma, com o marido dentro de si, uma e outra vez... Ser envolvido ele, num abraço acolhedor, carinhoso e transbordando afeto... Ah, tinha que se concentrar... Tinha que falar...
_Sev... Sev... Eu te amo.
Severus se derramou dentro do esposo, sentindo-o sucumbir também, entre os seus dedos. O beijou sem pressa, retirando o a coleira, agarrando-se muito forte aquele ser único que despertava nele sentimentos que nunca imaginou ser digno de experimentar.
_Eu também te amo, pulguento.
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Draco acordou sozinho. Na verdade, acordou porque estava sozinho na cama. Tinha uma reunião na Malfoy C.O., na parte da manhã, mas tinha se programado para sair de casa por volta das nove horas, o que lhe daria tempo para levantar da cama às oito... E, puxa vida, nem eram seis horas ainda! Onde estava Harry?
A luz proveniente do banheiro acesa lhe indicou o caminho. Lá chegando apenas comprovou suas suspeitas: o esposo voltava a ter aquela “relação íntima” com o vaso sanitário. Abaixou-se, já com uma toalha umedecida, ajudando-o e confortando-o na medida do possível. Detestava ver o grifinório sofrendo qualquer incômodo, mas o que ele podia fazer? Nada... Nada além de esperar. E foi o que fez: aguardou pacientemente. Depois o segurou firme, erguendo-o com todo o cuidado. Prestou auxílio para que fizesse uma mínima higiene e o abraçou com todo o carinho que pôde expressar.
_Sente-se melhor?
_Na verdade, não... Continuo muito enjoado. Não me lembro de já ter acordado desse jeito antes... Draco, pode ser o tal suplemento?
_Talvez, contudo, teremos que aguardar um pouco. Uma semana, certo? – E tentou lhe arrumar o cabelo escuro, bem mais macio e convidativo que anos iniciais de escola. – Uma semana com alimentação correta e todos os cuidados e, só então, vamos refazer os exames.
Harry sentiu a boca salgar só de ouvir falar em comida e respirou fundo para não sucumbir às ânsias mais uma vez. Ah, seria um suplício... Mal podia esperar para ter os bebês em seus braços (ainda que suasse frio só de pensar no que faria, então, com eles)... Oh, Circe! Imaginar que ainda teria muitos meses de náuseas e tonteiras, inferno... Deixava-o doente.
_Calma, amor. Os enjoos são apenas nos primeiros meses. Sabia que algumas grávidas nem os sentem?
_Jura?! Bem, parece que, infelizmente, esse não é o meu caso!
O Eleito precisou quase morder a própria língua, para não desatar um sem fim de reclamações contra o marido. Ora, se estava ali, vomitando sem parar, sentindo-se a ponto de cair duro no chão e com, não um, mais DOIS BEBÊS em pleno desenvolvimento, a culpa era do veela, sem sombra alguma de dúvida. Evidentemente, ele participou da concepção... Contudo, era melhor ignorar essa parte.
_Calma, amor. Ficar irritado não vai ajudar.
_Por que acordou tão cedo? – Perguntou o moreno, mudando completamente o assunto. – A sua reunião não é mais tarde?
_Sim, sairei em umas duas horas.
_Então por que não descansou um pouco mais, Draco? Terá um dia cheio, não é?
_É que você não estava na cama. Sem você por perto, como vou relaxar?
_Parkinson não deveria te incomodar nas férias... Semana que vem a sua rotina voltará ao normal e terá que se dividir entre trabalho e faculdade, todo um suplício. Deveria descansar ao máximo enquanto pode.
Draco sorriu feliz. Adorava perceber que o moreno se preocupava com ele. Amava, na verdade, sentir-se cuidado e querido. Ah, seu veela estava nas nuvens. Se o esposo continuasse com aquelas palavras carinhosas, bem... A reunião seria cancelada. Não... Não podia ignorar o compromisso com os administradores das empresas ligadas à Corporação! Pansy o mataria, lenta e dolorosamente.
_Amor, falando na Pansy, pensei em convidá-la para passar um tempo conosco. E também o Blaise e o Theo. Talvez um lanche juntos, ou um jantar... Sinto falta deles e eles estão me cobrando, sabe? Dizem que eu estou escondendo o meu “doncel precioso”, porque sou ciumento demais e não quero dividi-lo com ninguém... Meus amigos desejam conhecer você melhor.
Harry o encarou chocado. Os amigos sonserinos que, durante os anos de Hogwarts, o atormentaram tanto quanto o próprio veela, queriam conhecê-lo melhor? Definitivamente, depois da morte de Voldemort sua vida mudara. Nunca, em hipótese alguma, poderia vislumbrar o que o marido dizia de forma tão natural.
_Seus amigos sonserinos querem me conhecer melhor?
_Sim, amor... Ora, e quem não quer? Vamos escolher um dia, certo? – E o beijou demoradamente.
O beijo se alongou e, em instantes, ambos se encontravam desnudos dentro da banheira, tomando um banho cheio de carícias e muita espuma. Harry já estava esfomeado quando chegaram ao jardim onde, num cuidado especial com o moreno, Dobby tinha arrumado um gostoso café da manhã. Draco, já vestido formalmente com uma de suas túnicas muito custosas, fazia alguns comentários sobre a atenção exclusiva que o elfo dedicava ao esposo e sobre como ele se sentia abandonado.
_A sua reunião vai demorar muito?
_Não creio. Bom, espero que não... Como você lembrou, ainda tenho essa semana para descansar... E é o que pretendo fazer. Se não houver nenhum outro imprevisto, estarei aqui na hora do almoço.
_Eu vou visitar meu padrinho hoje. Possivelmente, devo almoçar por lá.
O loiro arqueou a sobrancelha. Não gostava de Harry cheio de planos que não o incluíam. Ok... Ok... Nem era assim uma programação absurda, ora, não estava ouvindo sobre os planos para uma viagem para o exterior, nem nada do estilo. Sabia que Harry tinha uma natureza muito independente, contudo, não conseguia sufocar o seu próprio instinto possessivo. Queria que aqueles intensos olhos verdes mirassem apenas os seus olhos cor cinza. Desejava que o moreno lhe dispensasse total – e exclusiva – atenção...
_Então, por que você não almoça com o seu padrinho também? Acredito que o professor Snape não desaprovaria. Bem, se der tempo é claro. Não quero atrapalhar o seu trabalho. Sei que você já se ausentou bastante da empresa por minha causa. E não quero ser um estorvo.
_Quer que eu almoce com vocês? Mesmo?
Harry riu da cara do esposo. E, ainda entre gargalhadas, perguntava-se o que o sonserino tinha naquela cabeça... Que tipo de pergunta era aquela? "Quer que eu almoce com vocês? Mesmo?”... E quando é que ele não queria a presença do veela? Draco poderia até irritá-lo ao extremo, ser sufocante em algumas situações, mas não havia maneira e afastá-lo, não quando sentia uma extrema necessidade de tê-lo sempre por perto. Ele era o único alimento do qual seu coração precisava.
_Pensei que você fosse mais inteligente. É claro que desejo sua presença. Na verdade, faço questão... A tinta “loiríssimo platinado” deve estar afetando o bom funcionamento dos seus neurônios.
Draco não respondeu. Apenas deixou-se deliciar pela nova rodada de risadas provenientes daquela boca carnuda e rubra. Era tão magnífico vê-lo feliz. Harry não fazia ideia do quanto era bonito... Do quanto era atraente... Ah, não. Não podia permitir que o desejo o tomasse agora. Tinha uma reunião na Malfoy’s C.O. – inadiável, segundo Pansy.
_Farei todo o possível para estar lá. Me acompanha até a lareira?
Harry o acompanhou sorridente até a sala, sendo beijado com entusiasmo quando o destino foi alcançado. Acenou para o marido, quando este entrou na lareira, uma boa quantidade de pó de flu bem segura na mão direita.
_E só para constar, testa-rachada, toda essa beleza loira é natural – finalizou o esnobe antes de desaparecer nas chamas verdes.
Depois da gracinha e de mais algumas boas risadas, Harry não esperou mais, sendo agora ele mesmo a sumir entre as chamas verdes. A sala de Prince’s House rodopiou, mal pôs os pés nela. E qual não foi sua surpresa ao ser amparado pelas mãos – e não pelas patas – do próprio padrinho.
_Cuidado, Harry. Venha, sente-se no sofá. Severus, por favor, traga um copo d’água – pediu alteando um pouco o tom de voz, ao que, logo depois, uma mais que ágil Severus Snape chegava à sala, trazendo o item solicitado.
_Beba devagar, senhor Potter. Pelo que vejo, o que meu afilhado comentou sobre transportes mágicos é verdade.
O moreno apenas meneou a cabeça positivamente. Procurava acalmar o estômago e, de preferência, manter o delicioso café da manhã dentro dele. Percebeu a proximidade de Sirius, que havia se sentado a seu lado, ajudando-o a segurar o copo d’água. Sentia ainda um suor frio brotar da própria testa, além de mal conseguir conter o tremor das mãos.
_Severus, ele está pálido e tremendo. O que está acontecendo?
_Fique calmo, Sirius – pediu o marido, ao mesmo tempo em que segurava uma das mãos de Harry, constatando que estava gelada. Depois convocou sua maleta e lhe mediu a pressão. – É uma ligeira queda de pressão. Fique tranquilo.
Harry apenas se deixou cuidar, respirando pausadamente. Minutos se passaram sem que ouvisse a voz de ninguém, até o professor voltar a falar, numa clara tentativa de distrair-lhes para outros assuntos. Snape contou um pouco sobre a vida do advogado que chegaria em breve à residência. O nome dele era Adam Taylor, um corvinal extremamente competente, antigo aluno do próprio professor. “Adam é um excelente advogado, Potter. É o mais adequado para o caso. O representará de forma competente”, nas palavras do narigudo.
Uma marcha desenfreada escada abaixo os alertou. “DINDA!” Teddy Lupin voou escada abaixo e correu até Harry, abraçando-o com entusiasmo. Por sorte, Sirius o impediu de pular no colo da “dinda”, lembrando que agora ele teria que ter o mesmo cuidado que teve com Tonks, pois em breve teriam mais dois bebezinhos para cuidar e que ele, que já era tão grande e responsável, teria que ajudar a dinda e ser muito cuidadoso.
_Padrinho, como eles entraram na sua barriga? – Harry ficou mais corado que um tomate. – O papai me contou como aconteceu com a mamãe... – Sirius arregalou os olhos – Foi com um feitiço! – Alívio geral dos presentes, exceto de Snape que não concordava em ficar idiotizando as crianças. – Com você foi igual, padrinho?
_Ah, sim, Teddy, com o seu padrinho aconteceu do mesmo jeito – adiantou-se Snape, vingativo. – Draco usou uma varinha e tudo. Uma varinha bem grande, certo Potter? – E sorriu perverso.
_Severus! – Ralhou Sirius, Harry agora sentindo o rosto pegar fogo.
_Eu também quero ter bebês!
A gargalhada de Snape chocou Harry. Desde quando ele era capaz de rir daquele jeito, tão despreocupado? Nossa, realmente, fosse lá o que fosse que Sirius estava fazendo, deveria continuar. Ouvi-lo rir era tão agradável quanto ouvir a Draco fazer o mesmo. Sonserinos eram, definitivamente, seres estranhos.
_Só quando você for adulto, Teddy. E tiver permissão para usar a varinha... Ha, ha, ha... – E ao reconhecer a expressão de “irritação extrema” no esposo, decidiu se calar. “Mais um comentário desse tipo e será você a ficar sem usar a varinha”, era o que podia ler nos olhos de Sirius. – E o seu pai, Teddy?
_Papai ainda está dormindo.
O pequeno Teddy deu um beijinho de leve na barriga, ainda plana, do padrinho, ao que o foi impossível evitar fazer mais carinhas e gemidinhos de: “oh, que fofo!”, Snape a beira de uma convulsão. Certamente para evitar afogar-se em tanto açúcar, o narigudo tenha mudado de assunto.
_Harry, talvez tenhamos que comunicar a Draco sobre o que pretende fazer. – Ante o rosto de interrogação, Severus apenas prosseguiu. – Você, Harry, não tem legitimidade para demandar, ou seja, você não pode solicitar a reabertura do caso perante a Corte Bruxa. Apenas Draco pode fazer isso ou, com sorte, talvez eu possa. Há uma procuração que me autoriza a representar Draco. Ela foi feita quando vocês estavam no último ano de Hogwarts e Draco precisava de alguém de confiança para administrar as questões jurídicas no lugar dele.
Sirius enviou o copo à cozinha, feliz por ver que o rosto de Harry recobrara çhEDBÇJSD JK alguma cor. Teddy decidiu que, se não podia ficar no colo do padrinho, ficaria bem acomodado no colo de Sirius, ao que Snape olhou com desgosto, por brevíssimos instantes. Teddy Lupin estava, definitivamente, abusando da própria sorte.
_Caso a procuração tenha perdido a validade, Draco terá que ser informado. De fato, não creio ser adequado esconder do seu marido o...
_Não estou escondendo nada, professor. Draco sabe que eu estou aqui a até virá almoçar conosco – teria prosseguido com a história bem elaborada, se não fosse o peso do olhar sobre ele. – Tudo bem, tudo bem! Eu estou deixando de dizer certas informações a Draco, sei disso, mas não estou mentindo... Estou omitindo.
_Oh, Harry Potter, quando ficou tão sonserino ao usar as palavras? Já lhe avisei... Para Draco, omissão é o mesmo que traição.
Snape teria dito mais uma coisinha ou outra a Harry, principalmente porque se sentia na obrigação de fazê-lo compreender que para um Malfoy não havia, realmente, muita diferença entre mentir e omitir, contudo, novas chamas verdes interromperam o momento.
_Bom dia, professor Snape.
O jovem advogado sorriu e saiu da lareira, os olhos abrangendo toda a sala bem decorada para, instantes mais tarde, fixarem-se no amplo e confortável sofá. As duas belezas que lá se encontravam eclipsavam qualquer outra informação visual. De onde saíram tamanhas beldades?
_Merlin! Mais um que insiste em manter o "professor”. Adam, você não é mais meu aluno...
_Sei disso, senhor – e precisou quase bater em si mesmo para responder. – terminei Hogwarts já faz bastante tempo. Uns dez anos? – Severus apenas concordou com um balançar de cabeça. – Apesar de tanto tempo transcorrido, prefiro manter o respeito, professor, se me permite. – E encarando com maior atenção os demais ocupantes do ambiente, prosseguiu com um claro interesse na voz, impelido por algo mais forte que ele mesmo. – Ah, é o senhor Harry Potter? Está definitivamente mudado, senhor. E se me permite destacar, a doncelaria lhe caiu perfeitamente bem – e sorriu cheio de dentes, os olhos estupefatos ante a beleza morena do Eleito.
Sirius ficou de pé, um Teddy bem preso em seu pescoço. Cumprimentou o visitante, colhendo mais uma expressão de puro arrebatamento do advogado – além de uma aura letal do marido –, e depois os deixou a sós com a desculpa de que precisava verificar se Lupin já tinha acordado. Na verdade, bem sabia o animago que Remus não precisava de babá, mas conhecia o conteúdo do assunto que trouxera o advogado à residência de ambos. E não queria atrapalhar a conversa que teriam, ainda mais com uma criança presente.
_Bem, senhor Potter, posso lhe chamar de Harry? – Harry o encarou aturdido. Por que aquele tom de voz tão... Sedutor? Não, não podia ser sedutor... Só podia estar imaginando coisas.
Snape teve vontade de dar um tapa em Adam. Já estava tão acostumado a lidar com Harry e Sirius, que se esquecera completamente do efeito que os donceles causavam em varões. Era quase tão constrangedor quanto lidar com veelas.
_Adam, respire fundo e guarde o seu charme para si mesmo. Não esqueça de que você está falando com Harry Potter que, além de em nada ser um doncel submisso, é casado com Draco Malfoy. Do caráter de Draco tenho certeza de que se lembra, certo?
O homem jovem de quase trinta anos estremeceu. Lidava com Draco há alguns anos e, definitivamente, irritá-lo não era uma opção. Então aquela história de casamento era, de fato, séria? Pensou que não passava de mais um mexerico da Skeeter. Afinal, não era lá muito inteligente acreditar em tudo o que a principal colunista do Profeta dizia. E, assim sendo, imaginando ser o casamento nada mais que uma sandice da jornalista, encheu-se de valor quando colocou os olhos naquela criatura divina bem ali, sentada no sofá.
Taylor tinha plena consciência de que, para um advogado competente, ele era bastante atraente. Alto, corpo bem trabalhado – uma combinação de poções com muito exercício físico numa academia trouxa –, pele acanelada, cabelos pretos brilhantes – levemente desfiados, mas sem deixar o corte muito feminino – e, segundo sua última namorada, dono dos olhos castanhos mais envolventes dos tribunais mágicos do Reino Unido... Uma combinação perfeita, não?
Apesar da perfeição que suas qualidades representavam, seriam suficientes para seduzir aquele banquete? Nossa, como Harry Potter o excitava. O que eram aqueles olhos verdes, intensos e profundos? Oh, por Merlin! Não! Não podia permitir-se sequer pensar dessa forma, não mesmo. Harry Potter estava casado com Draco Malfoy. E nunca na vida se devia tocar, nem sequer fantasiar, com nada que pertencesse a um Malfoy.
_Bem, enfim... O professor Snape adiantou o assunto e eu analisei o processo sobre Lucius Malfoy. Definitivamente, há precedente para revisar o caso dele, em especial quando temos a situação do próprio professor Snape como exemplo, além das provas favoráveis a Lucius...
Harry ouvia tudo com muita atenção. Tirando a parte do “protótipo de aproximação”, o advogado falava com muita desenvoltura e convicção sobre a situação do pai de Draco e, decididamente, Severus não lhe indicaria ninguém incompetente.
_Professor, a procuração que o senhor mencionou continua válida. O senhor Malfoy não a revogou, portanto, podemos sim pleitear a revisão do caso sem envolvê-lo diretamente. Ainda que, num caso polêmico como esse, fatalmente ele será comunicado, pela justiça ou pelos jornais...
_O que desejo é simples, senhor Taylor: transladar o corpo do pai do meu marido para o mausoléu dos Malfoy. Sei que será quase impossível, mas preciso manter o sigilo sobre o que faremos. Não conheço os trâmites legais, nem nada do tipo. Dediquei-me ao quadribol e deixei a parte chata dos contratos e acertos jurídicos para outros resolverem. Entretanto, tenho uma sugestão...
Taylor acompanhou a desenvoltura daqueles lábios carnosos e rosados com extremo interesse. Como aquele doncel o deixava com tesão... Merlin! Precisava se controlar. Qual era mesmo a poção indicada para lidar com donceles e veelas? Sabia que existia uma. Precisaria consultar seu antigo professor de poções, caso, realmente, fosse ter amis encontros com aquela beldade em forma de ser humano.
_Sugestão, senhor Potter? – E percebeu que Snape também não fazia a menor ideia do que se passava pela cabeça do ex-pegador, pois devolveu o mesmo ar confuso.
_Sim, uma sugestão. Prepare tudo, juridicamente falando, é claro. Organize a documentação, preencha os pergaminhos, enfim, faça o que julgar necessário para inocentar Lucius Malfoy. Contudo, antes de acionar a Corte Bruxa, iremos conversar diretamente com Kingsley Shacklebolt.
_Harry Potter irá, descaradamente, solicitar favores ministeriais?
O tom ácido de Snape fez o grifinório rir. Já esperava ouvir algo nesse estilo. E não se importava nem um pouquinho se, seus atos, fossem interpretados dessa forma. Para alguma coisa seus contatos tinham que servir, não é? Na verdade, Kin era seu amigo pessoal, ajudara e muito desde que Sirius fugira de Azkaban. Sabia que o ex-auror e agora Ministro da Magia o entenderia e faria o possível para ajudar.
_Não vou solicitar favores, professor. Apenas pedirei ao ministro que analise a minha solicitação, devidamente documentada, e me ajude a manter tudo em segredo. Draco não pode saber! Não sei se Kingsley conseguirá fazer algo por mim, mas talvez ele...
_Harry Potter, essa ideia é brilhante! – Interrompeu-o o advogado, o castanho dos olhos quase se liquefazendo em adoração. – Nunca pensou em cursar Direito Bruxo?
Severus respirou fundo. Será que o idiota não conseguiria mesmo se controlar sem uma poção para reprimir a libido? Se Draco irrompesse pela lareira e farejasse as intenções do brilhante Taylor, ah... Não seria nada agradável, em especial para o advogado em questão.
_Eu?!
_Sim, claro. É uma ideia bastante adequada que, na verdade, pode solucionar nossa demanda em pouquíssimo tempo. Ao invés de refazer todo o caminho legal, podemos sim seguir a sua sugestão – concordou o corvinal, já num tom extremamente profissional. – No direito bruxo existe o “poder de governo”, exercido pelo Primeiro Ministro, escolhido pela Corte Bruxa, o que lhe confere autoridade. No conjunto das prerrogativas do Primeiro Ministro, encontra-se o “poder de conceder prerrogativa de misericórdia e indulto”, muito requerido quando há condenação ao beijo do dementador, mais também comumente solicitado para corrigir os erros nos cálculos das penas ou para desfazer a coisa julgada de forma viciada.
_Então, pelo que diz, o perdão ministerial pode ser aplicado até aos processos já conclusos? – Questionou o pocionista.
_Sim, podemos apelar diretamente ao primeiro Ministro, desde que existam provas irrefutáveis para o devido requerimento, o que, pelo que conversamos, é o nosso caso.
Harry entendeu minimamente o que Taylor dizia e tão grande foi a felicidade que o dominou, que teve vontade pular e dar vivas! Lucius Malfoy seria transladado para o mausoléu dos Malfoy e Draco, pelo menos, já não ficaria tão triste e rancoroso.
_Contudo, senhor Potter, o ministro pode recusar.
_Isso não vai acontecer – definiu, mais que determinação faiscando em seus olhos verdes. – De quanto tempo o senhor precisa?
_Três ou quatro dias. As provas que o professor Snape mencionou já estão ordenadas, logo, apenas organizarei a apelação. Bem, possivelmente eu vá incrementar o pedido de indulto, coisas de advogado – respondeu Taylor, rindo-se do último comentário.
_Bem, então, entre em contato comigo, Adam. Afinal, eu estarei à frente do pedido, correto?
As chamas verdes da lareira denunciavam a chegada de mais alguém. O visitante, um exuberante loiro platinado, encontrou o esposo trocando um aperto de mão com ninguém menos que Adam Taylor. Conhecia-o há alguns anos. Era um advogado competente que tinha sido de muita utilidade no passado.
_Senhor Malfoy, bom dia.
Draco apenas respondeu ao cumprimento, no entanto, seu veela rugiu com violência. Literalmente, a magia veela identificou um interesse no que era seu, de fato e de direito. Ah, Taylor que não se atrevesse, que não ousasse... Já tinha dado provas da sua obsessão pelo Eleito, do que era capaz de fazer por ele... Num ato bastante possessivo, sentou-se junto do esposo e o beijou.
_Até breve, Adam. Entro em contato – despediu-se Snape, indicando a lareira, ao que o ex-aluno entendeu imediatamente, desaparecendo pouco depois.
Só após o advogado sumir, o loiro “soltou” o moreno, os olhos predadores fulminando a lareira vazia. O que estava acontecendo? O que aquele mequetrefe estava fazendo ali, na casa do seu padrinho, dando em cima do seu esposo?
_Isso foi desnecessário! – Reclamou Harry ao ser, enfim, liberado do agarre do marido.
_Algum problema jurídico, padrinho? – Perguntou, ignorando a reclamação.
_Assuntos de Hogwarts, Draco, nada demais.
O som de passos descendo a escada impossibilitou o veela de continuar com o interrogatório. Remus, Teddy e Lupin se juntaram aos três. Sirius ainda trazia o garoto no colo, mas o deixou no chão assim que chegaram à sala.
_Olá, Draco. Que bom que conseguiu chegar para almoçar conosco – comentou Sirius.
_Sim, foi muita sorte, eu diria. Olá, Teddy – e o garoto sorriu. – E como você está, Remus?
_Estou muito bem, Draco.
Ninguém ali era idiota, logo, todos os adultos – a possivelmente até Teddy – perceberam que Lupin não apresentava uma “boa figura”, por assim dizer. Tristeza e desânimo estavam estampados no rosto outrora bondoso e gentil. Por mais que tentasse esconder, Draco podia sentir. A empatia veela ultrapassava qualquer máscara, fazendo migalhas das falsas palavras que todos costumavam dizer para evitar demasiadas preocupações. O “estou muito bem” em nada correspondia à realidade.
_Primo Draco... – Chamou Teddy, os olhinhos nem piscavam, tamanha a atenção no veela.
_Sim, Teddy. O que foi?
_Me mostra como você usou a varinha para colocar os bebês na barriga da dinda?
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Pequena alteração no capítulo 19 – na verdade, apenas algumas informações foram organizadas. Nada que altere a fic, mas, como vocês sabem, escrever é uma tarefa contínua. Por isso, relendo, verifiquei que precisava reordenar e melhorar essa pequena informação. Agradeço a compreensão de todos os (as) apreciados (as) leitores (as).
“Sabe, querido, Draco ama você de verdade. Caso não saiba, varões com a herança veela podem ter até três parceiros, o mesmo ocorre com as mulheres de herança veela desenvolvida. Esse é um direito assegurado pela lei bruxa. E Draco nunca mencionou ter inclinação para exercer tal direito... Draco só enxerga você, meu amor, apenas você. Então seja mais compreensivo. Ouça primeiro, seja mais maleável...”
Notas finais
"Sirius Black relaxando e curtindo uma musiquinha clássica = "Who let the dogs out / {who, who, who, who}"
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