Submisso
20 Capítulo 20 - Refeições & Latidos
Notas iniciais
Eis que volto, com mais um cap dessa fic que me divirto tanto em escrever.
Obrigada pela moralzinha de vcs, ok? Adoro os comentários: mandem mais e mais, sempre!
E olha só, sexta-feira!!! UHU!!! Prazos mantidos... Viram?
Obs 1: Madeleine é fofa!!!
Obs 2: Estou preparando o terreno para as futuras novidades, então, nem pisquem!
Obs 3: Acho que, em breve, aGina deveria vender as fotos que anda tirando... KKKKK
Bjks a todos, sem mais: Refeições & Latidos
Capítulo 20 – Refeições & Latidos
A cozinha dos Weasley cheirava muito bem. Fosse o que fosse que Molly tivesse preparado para o jantar, fazia a todos salivar em antecipação. Harry entrou no recinto com bastante cuidado, cauteloso mesmo, as mãos entrelaçadas às mãos de Draco. Tinha medo de que o mundo começasse a rodopiar mais uma vez.
Os passos bem firmes foram acompanhados por olhos atentos nos ruivos. Senhor e senhora Weasley, Gina (de onde ela tinha saído?), Rony e... Opa! Aquela ali não era ruiva... Era castanha. Até as íris eram da mesma cor dos cabelos. Seu coração estremeceu quando a viu, transbordando em bons sentimentos. O par de olhinhos castanhos vidrados, emoldurados pelo rostinho mais fofo que Harry havia visto na vida, devolveu a mesma sensação quente, amistosa e íntima. E o que eram aqueles cachos castanhos volumosos, que pareciam macios até de longe? Nossa, a pequena era toda uma preciosidade.
A menina ignorou Rony e correu para Harry, que mal teve tempo de segurá-la. Oh, ela era tão linda! Sentiu um amor imediato por aquela criança. Quem era a pequena bonequinha? Não a conhecia... Seria parente dos Weasley?
_Harry, você não pode carregar peso. Coloque-a no chão.
Madeleine levantou o rosto para ver o dono daquela voz com tom de reprovação e encontrou o sonserino, que a mirava entre curioso e preocupado. Enquanto Harry a colocava no chão, Draco se manteve perto, bem perto. Estava igualmente curioso sobre a garota, mas a preocupação com seu herdeiro era bem maior.
Já a garotinha parou até de respirar. Ficou pálida e, sem motivo aparente, começou a chorar. Harry se agachou de imediato, a face se contorcendo em incompreensão. Por que a menininha começara a chorar? E por que começara a tremer?
_Ei, minha linda. O que foi?
Ronald se aproximou, colando-se na mesma altura do amigo. Seus olhos iam da garota a Malfoy, mesclando curiosidade e uma centelha de compreensão.
_O nome dela é Madeleine – (e cochichando) – filha da Skeeter. Passará uma temporada aqui conosco. Explicações mais tarde. – E acariciou as costas da pequena, que finalmente desgrudou o rosto do Eleito. – O que foi? Por que está chorando?
Sob os olhos atentos de Ronald, a mais nova protegida do Ministério da Magia encarou Draco, os lábios tremendo de leve.
_E o que esta criança está fazendo aqui? – Perguntou o loiro, a voz decididamente irritada.
_Jantar! – A voz de Molly exclamou. – Conversas ficam para mais tarde, certo?
_Madeleine? Esse é o seu nome? – Começou Harry, encantado com a menina que, sabia, estava se sentindo desconfortável por algum motivo, mas que agora tinha a atenção nele. – Combina mesmo com você. Você sabe quem eu sou?
O balançar positivo de cabeça foi seguido de um sorriso, tudo bem infantil, e o Eleito quase se derreteu. Ah, que lindo sorriso.
Tamanha foi a doçura, daquela cena que nem a senhora Weasley ousou interromper. Harry e Madeleine juntos... Uau, era digno de se registrar (E Gina o fez, obviamente). Para Draco, a doçura daquela cena era única. A compatibilidade dos dois foi imediata e ele, todo um veela, podia sentir. Era quase como se uma luz os envolvesse, conectando-os... Draco gostou e não gostou da novidade.
Os donceles tinham especial afinidade com crianças, disso todos sabiam, mas com muito poucas a relação se aprofundava tão imediatamente. É, era exatamente isso o que presenciavam. A filha da megera Skeeter já tinha Harry em suas mãos. Santo Merlin!!! Logo a filha da Skeeter? Preferia que fossem, sei lá, os filhos não tidos da sua tia Belatrix!
_Madeleine não está muito falante – explicou Rony, fazendo um sinal que deixou algo bem claro para o moreno: não deveria tocar naquele assunto, não no momento.
Harry apenas meneou a cabeça e tentou se dirigir à mesa, sendo impedido pelas mãozinhas delicadas da garota, que se agarrou a ele e lançou olhares temerosos a Draco. Era medo? Ah sim, era sim. Todos ali compreenderam perfeitamente o que estava acontecendo. A criança estava com medo... Medo de Draco. Será que tinha deixado assim tão evidente sua irritação por aquela melação toda entre a filha da Skeeter e o seu esposo?
_Olha, esse aqui é o meu marido – e puxou Draco, que precisou quase se apoiar em Ronald. – O nome dele é Draco.
Draco a encarava com uma expressão distante e, irremediavelmente, fria, enquanto Rony observava com atenção as reações da pequena que, ao voltar-se para o loiro, tensionou todo o corpo. Era mais que óbvio que algo em Malfoy (ou seria o próprio Malfoy?) a desagradara. Bem, desagradar era suave demais, um eufemismo bem forçado, pois a menina parecia estar morrendo de medo.
Com jeitinho, demonstrando que o sonserino era de confiança, afinal, era o seu marido, Harry conseguiu fazer com que Madeleine deixasse de tremer e até se tranquilizasse minimamente. Contudo, aquela reação instintiva continuava lá, bem no fundo dos olhos castanhos.
Outro pedido de Molly foi necessário para que, enfim, todos se sentassem para degustar a refeição. O jantar transcorreu tranquilamente, desde que, claro, se ignorasse a carranca sustentada por Draco cada vez que olhava para Harry grudado na filha de Skeeter.
Ela já era grandinha, certo? Então, precisava mesmo ser alimentada, como se de um bebê se tratasse? E por aí ia o pensamento do sonserino, enciumado e rabugento, sem, no entanto, deixar de sustentar um olhar glacial, indiferente. Depois faria Harry entender que a única pessoa, a quem as mãos dele podiam dar porções de comida na boca, era a ele mesmo, ora!
O prazer de ter se reconciliado com o moreno já tinha se esfumaçado por completo. Tentando ignorar a ceninha do esposo, procurou se concentrar no próprio prato e nas demais pessoas a sua volta. E então, mais espanto... O que era mirada vidrada de Gina? Estranho... A ruiva parecia suspirar de leve, olhando dele para Harry... E suspirar mais vezes ainda, quando Madeleine tinha os cachos acariciados pelo esposo.
Pouco depois do jantar, uma Madeleine adormecida foi desvencilhada de Harry e levada escada acima por Arthur e Molly. Dormira nos braços do moreno, que também não desgrudara dela um instante sequer. Queria, inclusive, tê-la posto para dormir, mas Draco o proibiu de carregar uma “criança tão grande, por Merlin, você está grávido!”. O veela e o excesso de zelo! Nossa, daria para escrever um bom conto.
Estando sozinho com os dois – Gina se despedira logo após o chá ser convocado da cozinha –, Ronald pôde explicar com calma o porquê de Madeleine estar sob a guarda dos Weasley. Os olhos arregalados – e assustados – de Harry contrastavam com os até, de fato, contentos olhos de Draco.
Enquanto ouvia o relato, o loiro pensava no que fizera com relação à Skeeter. Talvez, e muito remotamente talvez, tivesse exagerado um pouquinho. Mas, ora, ela mereceu cada uma de suas ações. Ninguém, ninguém mesmo, que prejudicasse seu esposo sairia impune.
Evidentemente, por fora Malfoy nada demonstrava. Malfoys não compartilhavam debilidade. Malfoys não se sentiam culpados. Malfoys não chafurdavam em remorso. E, lógico, Malfoys nunca erravam. Fez sim a coisa certa com relação àquela mulherzinha. Todos ganhariam com o fim das falácias publicadas, disso tinha certeza. Ele deveria ser condecorado e não recriminado.
_E ela nada disse. Nada de nada, nenhuma palavrinha sequer. Enquanto estávamos no Ministério, o histórico médico de Madeleine chegou. A mãe a levava regularmente a St. Mungus para acompanhamento médico de praxe, logo, não foi realmente tão difícil obter essas informações. Como imaginávamos, no histórico não havia nada que apontasse a mudez que agora a acomete. Logo, em breve teremos que procurar um psicomago.
_A Skeeter foi... Assassinada? – Perguntou Harry, a voz tão carregada de dor que até Draco sentiu seu pesar.
_Na verdade, amigo, não. Foi uma tentativa de homicídio. Ela ainda está viva, mas muito mal.
_Ora, estamos falando da Skeeter! Então, eu me pergunto, por que essas caras de enterro? Ela teve o que mereceu, por Merlin!
_Draco! Ninguém merece isso! E... Ela tem uma filha... Madeleine estava junto dela, quando aconteceu. Como pôde dizer algo tão pavoroso?
_Desculpe, Harry, se o que eu disse te incomoda. Entretanto, ter uma filha não muda o caráter de ninguém. Quer exemplo melhor do que o do meu próprio pai? – E respirou fundo, o silêncio quase se transformando em mais um ocupante da sala. – Estando ou não agonizando, a Skeeter continua sendo uma cretina. Deve estar colhendo o que plantou, como dizem os trouxas.
A declaração deixou os grifinórios pasmos. Principalmente porque havia uma raiva profunda, tenebrosa, contida em cada fonema pronunciado pelos lábios do loiro. Harry nunca imaginou que o marido guardasse tanto ressentimento, nem que ainda alimentasse sentimentos tão negativos. Nunca era bom guardar tanto rancor.
_Skeeter fez uma ampla campanha contra meus pais. Talvez... Talvez os acontecimentos pudessem ter sido... Ah, enfim, não importa mais o que fizeram a minha família. Minha família agora é você, Harry. E, lembre-se: a Skeeter te expôs, não só uma vez, mais repetidas vezes, ao longo desses anos. E colocou a sua segurança em risco com a última gracinha. A cada dia que eu elimino as ameaças que recebo, as corujas que chegam...
_Ameaças?
Ronald sacudiu a cabeça, frustrado. Era óbvio que logo, logo teria que evitar mais uma chuva de azarações. Ah, não estava com nenhuma paciência para isso. Na verdade, o que mais desejava era correr para o quarto e destrinchar o precioso caso, com toda a atenção possível.
_Sim, Harry, ameaças... Além de cartas amorosas, presentinhos... A lista é grande. Dobby separa nossa correspondência pessoal e o resto é eliminado. Pensei que soubesse disso. Não é como se eu estivesse tentando ocultar informações de você...
O ruivo olhou para o relógio: 22:00. É, teria muito pouco tempo para dar uma olhadinha no caso e ainda dormir um pouco. Na verdade, se bem conhecia seus superiores, amanhã seria um dia cheio.
_Filhos de pais como a Skeeter são os únicos a... – Respirou fundo mais uma vez, a dor pela sua própria experiência de vida era profunda – Sofrer.
_Draco, seu pai se arrependeu. Meu pai me contou que ele até colaborou com a Ordem e...
_Deixe isso para lá, Ronald. O que foi feito, ou não, não pode mais ser mudado, não é? – E encarou o ruivo que aprendeu a respeitar para, estranhamente, confessar algo que nem a Severus tinha tido coragem de dizer. – Sabe, depois de tudo, o que eu gostaria mesmo era poder, pelo menos, enterrar o meu pai dignamente. A minha família inteira, gerações e gerações, descansa no mausoléu dos Malfoys. A guerra finalmente acabou e minha mãe está lá, esperando por ele.
Novamente o silêncio. Draco pensou que um constrangimento inumano o dominaria, entretanto, nada disso aconteceu. Ser alvo dos olhares compadecidos de Ronald e Harry não lhe causou nenhum incômodo. Na verdade, foi bom... Foi muito bom desabafar daquele jeito.
_Nossa, já está tarde. Harry é hora de irmos. Amanhã todos têm muitos afazeres. Até breve, pobretão – e sorriu sacana.
_Até breve, doninha albina – e, para estarrecimento de Harry, os dois se abraçaram.
O moreno nada disse. Despediu-se e o seguiu muito quieto até a lareira, chegando à mansão pouco depois. Ainda pensava nas palavras do marido quando notou que já estavam no quarto de ambos, Draco parado a sua frente quase acenando para ter alguma atenção.
_Harry, o que foi? Está sentindo mal de novo?
_Eu... Eu sinto muito pelo seu pai, Draco.
_Meu pai, mas o que... – E então seu cérebro perspicaz lhe deu a resposta. – Esqueça isso. Meu pai pode até sim ter se arrependido no fim, como bem disse Ronald, e procurado contornar, como pôde, a situação, mas já era tarde demais, não é? Alguns pais fazem as escolhas erradas, outros fazem as escolhas certas... Afinal, você está aqui, não é? Os seus pais, benditos Potter, o salvaram para mim – e sorriu.
_Não se esqueça da sua mãe. Narcisa Malfoy me salvou também – e devolveu o sorriso, embora mais triste por relembrar a quantidade de sangue que havia em seu passado. Detestava aquilo, todo aquele rio vermelho que o conduzira aos dias de hoje.
Draco lhe estendeu a mão e Harry se aproximou, abraçando-o em seguida, encontrando nos braços fortes do seu veela o conforto que buscava. Já Draco apenas lhe acariciou, estreitando-o num abraço quente e demorado.
_Eu vou tomar um banho. Está mesmo tudo bem?
_Sim, Draco. Fique tranquilo.
Harry tirou os sapatos e sentou na cama, logo depois o ambiente se encheu com o barulho da água que enchia a banheira. Não sabia que o seu esposo sofria tanto. Era sempre “o Harry e os seus problemas”. Reverteria isso, cuidaria de Draco, só para variar um pouco. E começaria amanhã mesmo, ainda que fazê-lo significasse mergulhar de cabeça nas dolorosas recordações da luta contra Voldemort.
Contudo, assim que viu Draco sumir com a porta do banheiro sendo trancada, foi tomado por uma sensação devastadora. Chegou a salivar... E não era pelo loiro, não mesmo! Pouco antes de quase ficar viúvo (pelos próprios méritos, diga-se de passagem), fora tomado, pelo mesmo ímpeto devastador.
Foi assim que deixou o quarto, a cabeça congestionada com o estranho sentimento – que já nem era mais tão estranho assim – e com as possíveis ações que empreenderia para surpreender o marido, antecipando até quem teria que procurar para atingir seu objetivo... Ah, era impossível! Era impossível manter as maquinações da sua mente, não dava... Não quando sentia aquela necessidade tremenda.
Já Draco apenas arqueou a sobrancelha, confuso, ao sair do banheiro. Onde estava o esposo? Ele tinha que estar ali (de preferência na cama, trajando apenas a própria pele e aguardando por ele). Como era difícil ser marido do moreno... Será que ele não entendia como a sua simples presença o provocava, o endurecia? Ah, teria que fazê-lo entender, bem profundamente, que nunca se deixava um veela esperando.
A magia veela se expandiu com voracidade e logo encontrou sua presa, no andar de baixo da mansão. Com passos firmes e necessitados, chegou ao destino. Oh, novidade: a cozinha. E lá o encontrou – pelo menos dessa vez não estava sentado no chão –, de pé, apoiado na mesa, segurando uma enorme taça nas mãos.
_Veio salvar o sorvete dos perigos da noite, grande herói?
Harry apenas lhe deu um sorrisinho matreiro.
_Você, realmente, consegue comer mais, depois de jantar na Toca? – E olhando bem para o que o esposo comia com avidez, completou. – Ah, Harry... Isso é mesmo o que eu estou pensando?
Comer... Comer foi a única resposta dada. Não queria brigar com Draco, nem pensar... Mas ele que não ousasse destruir sua refeição dessa vez! Não sabia se seria capaz de manter a classe e não azará-lo... De novo...
_Por favor, me diga que “isso” não são azeitonas pretas? Oh, não acredito – e olhou do balcão para o esposo. – Você comeu todo o pote de sorvete?
_Se tanto te incomoda, metidinho, o que veio fazer aqui? Aliás, se eu estou comendo “isso”, como você definiu de forma tão espetacular, a culpa é toda sua! – Reclamou Harry, apoiando-se na mesa, ainda deliciando-se com o restinho da exótica combinação que jazia no fundo da taça.
Draco riu da expressão indignada que o moreno sustentava, furioso, em sua glória esverdeada. Hum... Era inevitável desejá-lo tanto. Era impossível de controlar... Será que o grifinório, realmente, não fazia ideia de como o deixava excitado?
_Ora, vamos... A culpa não é minha – começou de mansinho, aproximando-se felinamente. – É sua, toda sua, testa-rachada.
O som da taça batendo forte no tampo da mesa reverberou pela coxinha, alto, forte e tão intimidante quando quem o provocou. Ah, era tão divertido – e fácil – irritá-lo. Sempre foi demasiado fácil, desde a escola. Como adorava ver aqueles olhos esmeraldinos faiscando em sua direção.
_Escuta bem, seu loiro tingido, se eu soubesse que você não conseguiria se controlar, teria, sei lá me trancado no banheiro ou feito uma poção contraceptiva! – O dedo lhe apontando acusatoriamente.
_Você fazendo uma poção que, realmente, funcione? Eu gostaria de ver.
Antes que o dedo se fechasse com os demais e lhe atingisse num punho fechado, preferiu agir: o imprensou contra a mesa, os lábios bem pertinho do lóbulo direito do seu doncel.
_A culpa é sua sim. Você é irresistível, viciante e tão, tão saboroso – e o ergueu de forma apressada, sentando-o sobre a mesa e encaixando-se entre aquele cobiçado par de pernas –, que quero te devorar inteirinho, uma e outra vez, sem parar, para sempre – e o beijou sem pena alguma, para em instantes chupar firme, num ponto específico, o pescoço do esposo.
O gemido veio em seguida, irreprimível. O cheirinho delicioso do sabonete e do perfume natural do veela. Ah, aquela língua safada, que agora delineava o seu pescoço. Entregou-se completamente a ela. Se o marido queria tanto assim devorá-lo, ele, um esposo tão zeloso, atenderia o desejo com todo o prazer – e sentiria muito prazer também, é obvio. Queria degustá-lo? Ótimo... Ansiava verdadeiramente saciar aquela fome.
_Draco...
_O dicionário – começou o sonserino, assim que arrancou a roupa de ambos com um feitiço – deveria passar por algumas alterações, sabia? – E se afastou um pouco, os olhos realizando um escrutínio daquele corpo de infarto, bem ali na sua frente, totalmente entregue aos seus desmandos.
_Draco... Huuum – o maldito tinha lhe presenteado com mais um chupão.
_A palavra lascívia deveria ser trocada, urgentemente, para Harry Potter.
_Draco, vem... Mete em mim, agora.
Sorriu safado, o corpo roçando no do esposo que, pelo que via, estava ampliando o vocabulário sexual. Boca na boca, língua na língua... Ah, incrível! A pobre mesa não suportaria o excesso de desejo que transbordava daqueles corpos, definitivamente, sucumbiria e se verteria em pedaços.
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Severus Snape, dedicado professor de poções, meticuloso e de olhar glacial nunca imaginou que, ao acordar, se veria numa situação como a que, no momento, o atormentava: seu esposo, um delicioso doncel, encontrava-se preso numa transfiguração zoomórfica e, por algum motivo, o julgava culpado. Precisou se proteger para não levar uma bela mordida.
_Sirius, será que pode parar de latir? – Pedia pela enésima vez, mas o animago em questão não parecia lhe dar muita atenção.
O enorme cão negro, um belo exemplar, diga-se de passagem, tinha os dentes agora perigosamente perto do pocionista que, não encontrando outro modo de fazê-lo voltar à razão, usou da influência dominadora que tinha sobre ele.
_Sirius, quieto! – O tom grave de voz fez o silêncio voltar ao quarto, quase que imediatamente. – Mais uma sequência desses latidos ensurdecedores e vou brincar de cão e adestrador com você, entendeu?
Sirius, por sua vez, deitou na cama e cruzou as patas, o olhar completamente transformado: de furioso cão raivoso, para um cãozinho fofo, deveras amoroso. Ah, não... Severus não resistiu. Sentou ao lado do cão anormalmente grande e acariciou o pelo lustroso e macio para, logo depois, afagar atrás das orelhas atentas, extasiando o esposo, que se deixava fazer como se, de verdade, fosse um dócil bichinho de estimação.
_Muito bem, Sirius, um latido para sim e dois para não. Consegue encerrar a transformação?
Dois latidos.
_Você quis se transformar em cachorro?
Mais dois latidos.
_Sente-se mal?
Outros dois latidos foram ouvidos, ao que o alívio inundou seu rosto. Bom, pelo menos não havia nada errado. Ora, mas o que estava pensando... É claro que havia algo errado! Sirius estava preso na forma animaga, o que já era ruim o suficiente.
Sirius se aproximou e lambeu seu rosto, um claro agradecimento pela preocupação para consigo. Voltou a acariciá-lo. Será que não teriam um descanso sequer? E se ele tentasse finalizar a transformação, ele mesmo? Bom, talvez desse certo. Obviamente, conhecia algo sobre animagos. Sabia que era um dom, realmente, difícil de desenvolver e que, de forma bem simplificada, era uma qualidade restrita ao bruxo animago em questão. Não custava tentar, certo?
_Sirius, você me permite tentar encerrar a sua transformação? Talvez, com um Finite Incantatem?
Um latido, varinha em riste, feitiço pronunciado e... Absolutamente nada, nenhuma alteração. Frustração era pouco para definir o semblante de Severus, ao que lhe foi oferecida – sem direito a qualquer recusa – uma nova rodada de lambidas. E então, a atenção do cão se perdeu, todo contemplativo, olhando pela janela. O céu estava claro e de um azul brilhante pouco comum. Ora, como se segurar? Sirius, simplesmente, correu nas quatro patas quarto afora.
_Sirius! Espere! Volte aqui agora!
Dois latidos, mais dois latidos... E muitos mais se perderam pela casa, sendo ouvidos na parte exterior da propriedade instantes depois. O professor esfregou o rosto com irritação. Detestava não conseguir resolver os problemas. Detestava ficar daquele jeito, a mercê do acaso. E agora, teria que lidar com um esposo-cachorro que, certamente, corria enlouquecido pela grama! Ah, não queria nem imaginar. Sirius só podia estar fazendo de propósito.
_Se voltar cheio de pulgas, mando você para um pet shop trouxa!
Devia existir um manual em algum lugar que pudesse ajuda-lo. Sei lá, algo do tipo, “Controle um Black em 10 lições”, ou então “Adestrando o seu Cãozinho, um guia fácil para você e seu bichinho”, ou qualquer idiotice do gênero. Era isso ou, literalmente, acorrentar Sirius a uma das árvores do jardim. Bem, a não ser que... É claro! Ele conhecia sim alguém que podia ajudar.
Correu escada abaixo e chegou à sala. Enquanto jogava pó de flu na lareira e bradava o endereço desejado, rogava para que o encontrasse acordado, afinal, o dia mal começara. E qual não foi a sua surpresa ao vê-lo bem ali, com um rosto arrasado, sem nem perceber que a própria lareira se acendera.
_Remus?
Lupin parecia atordoado quando o encarou de volta, os olhos outrora tão claros, cor de mel, agora estavam vermelhos e irritados. Por Merlin, o que estava acontecendo?
_Oh, Severus... Tudo bem?
_Acredito que devo perguntar o mesmo. Entretanto, a resposta é tão óbvia que nem vou me dar ao trabalho. Pode, por favor, permitir a minha entrada?
O pedido foi atendido imediatamente e lá estava Severus, de pé, bem no meio da sala da casa do lupino. Estranhamente, tudo parecia silencioso demais para quem tinha uma criança em casa e mais uma a caminho. Nada daquilo lhe trazia bons vislumbres sobre os motivos de tamanha tristeza. Fosse o que fosse que deixara o seu recente amigo tão depressivo, parecia ser algo catastrófico.
_Sirius piorou?
_Sim e não. A febre já não é mais um risco, fique tranquilo. Contudo, surgiu um... Imprevisto.
Ah, o bondoso Remus... Sempre colocando os problemas dos outros na frente das próprias adversidades. Verificar uma preocupação sincera para com o seu esposo, enchia Snape de felicidade. Realmente, aprendeu a admirar aquele homem que, mesmo tendo sido uma vítima em potencial dos desmandos da vida, nunca, nunca mesmo deixara a cortesia de lado.
_Então me diga o que aconteceu, Severus. Talvez eu possa ajudar, não é?
_Fique calmo, Remus. Não é nada tão urgente. Bem, talvez até seja. Contudo, não é nada que um bom banho frio e uma coleira não possam resolver. Bom, talvez a carrocinha também ajude...
_Coleira? Carrocinha? – E a sua expressão confusa fez Severus rir.
_Por alguma razão que ainda ignoro, meu esposo acordou hoje preso na sua forma animaga. No entanto, não falaremos sobre isso por enquanto – e o encarou profundamente, para logo em seguida, perguntar. – Conte, Remus... O que aconteceu? Algum problema com a sua esposa e o bebê?
Então Lupin desabou, chorando sentido, bem ali, aos pedaços, sem nem se importar que estivesse caindo em ruínas bem na frente de Severus Snape.
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