Submisso

16 Capítulo 16 - Madeleine Skeeter Voronin


Notas iniciais
>>>AH, AGRADECENDO À xYUMEx pela nova capa da fic!!!<

OLÁ!!! Eis que Núbia Chaud ressurge do limbo, brevemente, apenas para postar um novo cap. Queridíssimos leitores (ras), é com profundo pesar que anuncio a inxistência de lemon nesse cap, em compensação,acredito que o último ainda deixou mts narizes sangrando (KKKK).
OBRIGADA pelos comentários!!! Eles me deixaram:
1-mais metida (nossa, e eu achando que não seria mais possível!)
2-mt mt mt mt mt feliz, obrigada mesmo por acompanhar!
3- cheia de novas ideias. Mandem mais sugestões!!!
4- pensando que eu deveria escrever um... ah, deixa pra lá! KKKK
ENFIM: VAMOS LÁ!!! CAP. 16, com novos personagens e uma distanciada dos casais! Calma, de leve!!!
>>>ATUALIZAÇÔES FUTURAS: sexta, sábado ou domingo! (fds)

Capítulo 16 – Madeleine Skeeter Voronin



_Continent Fumus! – E a poeira se dissipou instantaneamente. – Revelat Comminatio! – Nenhuma reação. Logo, não havia nenhuma ameaça em potencial, o que não os excluía de examinar a casa com cautela.

_Excelente, Weasley! Pensamento rápido, muito bom! Lacrou o ambiente, já solicitou o registro do local e agora mais uma ação oportuna. Ah, estou gostando cada vez mais de você! Francis, temos que pegar esse garoto pra nós!

A risada de Francis encheu o local. Rony estava com eles há uma semana e já aprendera tanto. É claro que ele intercalava o estágio com as aulas e o treinamento (geralmente, ficava cinco horas no estágio e depois rumava para o quartel). No final da semana, desmaiava de cansaço, mas nem se importava. Estava cada vez mais convicto de que fizera a escolha certa. Ser auror era realmente o que preenchia a sua vida, além de Hermione, é claro. E que sorte tivera: ser subordinado da dupla mais requisitada pelo Departamento de Execução das Leis da Magia! Bem, exceto no primeiro dia...

Francis Drake e David Nulan eram aurores há alguns anos. Além de serem extremamente competentes, os dois eram lendas vivas. Mas o primeiro dia com eles foi... Horrível. Os dois o fizeram de idiota várias vezes, além de deixar claro, bem claro mesmo, que não estavam lá muito felizes por ter que servir de “babá para um novato, mesmo que o novato em questão fosse um herói de guerra”, nas palavras cruas de Drake.

A dupla em questão ainda o provocou de forma significativa ao mencionar certo caso, muito importante, envolvendo um possível reagrupamento de antigos comensais da morte, afinal, nem todos foram trancafiados em Azkaban. Ronald, por motivos óbvios, se interessou e quis se envolver no caso, mas os dois o ignoraram solenemente. O máximo que disseram foi que, com sorte, quando tirasse as fraldas, ele até poderia acompanhá-los nas investigações.

Os aurores são um grupo de bruxos de elite, que vive perigosamente, combatendo as Artes das Trevas. Trabalham diretamente para o Ministério da Magia, vinculados ao Departamento de Execução das Leis da Magia. Tornar-se um auror é algo extremamente difícil, devido ao treinamento ao qual qualquer novato é submetido, perfazendo um total de três anos de “tortura física, moral e emocional”, segundo Hermione.

Sem mencionar as exigências curriculares para postular a entrada no Quartel-General dos Aurores: o candidato ao treinamento deveria ter no mínimo cinco N.I.E.M's, sem notas abaixo de Excede Expectativas. E nessa qualificação deveriam estar incluídas as disciplinas “Feitiços”, “Poções”, “Transfiguração”, “Herbologia” e “Defesa Contra as Artes das Trevas”.

Quando aceito, o candidato era testado todo o tempo, literalmente, todo o tempo. Cursavam também disciplinas específicas ligadas á carreira pretendida: "Esconderijos”, “Disfarces e Ocultamento", “Identificação de Venenos”, “Azarações e Maldições”, "Vigilância e Rastreamento", dentre uma infinidade de assuntos ligados ao combate da Arte das Trevas.

Harry Potter tinha tudo para ser Auror (e ainda tem), mas se negou rotundamente a seguir Ronald na dura empreitada. E, na verdade, todos o compreenderam – ainda que no começo Sirius tenha reclamado horrores. Os ouvidos de Rony e Hermione chagaram a doer com os rosnados do padrinho de Harry: “Como, por Circe... Ele vai abrir mão de uma carreira ministerial!”

Mas, foram tantas as vezes que venceu a morte, tantos terríveis momentos nos quais encarou o homicida lunático-mor do Voldemort, tantos amigos que viu morrer para protegê-lo... Bem, Harry adquiriu horror a qualquer violência direta, aos crimes... Enfim, todos o compreenderam quando disse não ao Ministro. Kingsley Shacklebolt, Ministro da Magia, queria colocá-lo diretamente no Quartel-General de Aurores e já estava enviando o currículo do garoto para lá quando, tomando as rédeas do assunto, o moreno colocou a vassoura nas costas e foi ser feliz jogando Quadribol.

Por outro lado, Ronald Bilius Weasley abraçou a profissão com gosto e se destacava, devido a seu emprenho e dedicação. E foi assim que reverteu o jogo a seu favor, ganhando o respeito de Drake e Nulan, já no segundo dia de estágio, quando conseguiu resolver sozinho um caso que, por falta de provas, estava para ser arquivado.

Na verdade, os estagiários ficavam encarregados desses casos que, a princípio, o Departamento julgava em processo de arquivamento. Eram pilhas e pilhas desordenadas de laudos técnicos, provas testemunhais, perícias mágicas... Uma imensidão de pergaminho que se acumulava com o passar do tempo, a Caixa de Pandora, segundo os aurores, que sempre riam quando um dos estagiários se dirigia até ela e de lá tirava um “mal para o mundo”.

Bem, assim que chegou, Ronald se dirigiu a caixa e de lá puxou uns três volumes de pergaminho empoeirado. O inquérito datava do meio da guerra, como uma boa parte dos que ali jaziam. Ora, namorar Hermione tinha lá as suas vantagens quando o assunto era: “informação merecendo análise”.

Tanta foi a ajuda de Hermione nas suas noites infindáveis de estudo, que pegara o jeito da coisa, surpreendendo a todos com excelentes notas e uma perspicácia digna da própria Granger.

O ruivo analisou novamente o inquérito, refez os passos dos suspeitos e reordenou todo o conjunto de provas. Demorou e exigiu bastante dele, mas ele identificou o problema. Um erro grosseiro, na verdade, mas que estava muito bem camuflado em meio às falhas de interpretação de aurores mais preocupados em salvar vidas das garras de comensais da morte.

O erro? Ah, algo simples, justamente na coleta de informações com as vítimas. Uma delas não havia sido convocada para testemunhar e, devido a esse erro procedimental, todo o caso estava beirando o arquivamento por falta de provas contundentes para, de fato, incriminar os suspeitos. Ele então solicitou extensão do prazo, convocou a testemunha e o inquérito voltou ao seu desenvolvimento natural.

O caso foi resolvido na mesma semana e os suspeitos foram denunciados, como deveriam ter sido há algum tempo. Desde então, Drake e Nulan pararam com as rabugices e o olhavam com certo... Orgulho? É parecia ser, mas Ronald não queria se animar demais e continuava atento a tudo, perguntando sobre cada procedimento, sugando a experiência dos dois aurores que aprendeu a gostar de verdade, em pouquíssimo tempo.

_Calma David, o ruivo ainda está no penúltimo ano e...

O que mais Drake ia dizer ficou para depois. Em meio a móveis destroçados e blocos de concreto, identificou duas pessoas e meneou a cabeça para os demais. Uma mulher estava deitada no chão, inerte, ao que não tardaram em ouvir a voz de Ronald mandar um comunicado urgente A St. Mungus. Junto a ela, na verdade, agarrada a ela, havia uma criança, possivelmente uma menina devido às longas melenas cacheadas.

Nulan apontou a varinha e fez um sinal para que os demais o seguissem. Ronald já conhecia a formação e seguiu a risca as ordens do oficial. Enquanto os dois aurores vasculhavam o restante da casa, ele se dedicava a se aproximar lentamente, sem fazer barulho.

“Conservare Site”, proferiu o ruivo, até chegar bem perto e perceber, chocado, quem era a mulher. Instantes depois ouviu aparatações, as únicas autorizadas além dos aurores: medibruxos de emergência, que logo se lançaram sobre a jornalista. Tiveram trabalho para afastar a menina que, mesmo parecendo estar em estado de choque, não queria ser removida dali, de jeito nenhum.

Um dos medibruxos a puxou com força, o que irritou o ruivo. Até entendia que havia uma necessidade urgente de verificar as condições vitais da odiosa colunista, mas era uma criança, por Merlin!

_Tenha cuidado com a criança, entendeu? Veja se ela está bem e deixe-a comigo – falou rudemente, deixando claro não ter gostado da ação que presenciara.

Drake e Lunan já estavam de volta, sem nenhum outro indício. O resto da casa estava limpa, ou seja, não havia nenhum rastro, mágico ou não, que pudesse lhes ajudar a desvendar o porquê daquela cena grotesca.

_Oh, céus! Deixou St. Mungus entrar, garoto? – Perguntou inutilmente ao ver os medibruxos partirem com uma maca, logo depois de um deles dizer alguma coisa e passar a menina, já adormecida, aos braços de Rony.

_Calma, Francis. Eu preservei tudo antes. Fique tranquilo.

Francis sorriu mais que satisfeito. Teria beijado o ruivo, mas preferiu continuar a perguntar.

_E a mulher?

_A mulher, Francis, é ninguém menos que Rita Skeeter. Nem vamos mais precisar do registro do imóvel com tanta rapidez. Ela não está morta, mas o medibruxo deu poucas esperanças.

_Oh, por Merlin, a Skeeter? – Reclamou exasperado.

_É Francis, o garoto está certo. Também descobri que essa casa é da Skeeter.

_Nossa, isso vai se transformar num verdadeiro inferno! – Resmungou Drake já antevendo o caos.

_A menina foi revisada, mas teve que ser adormecida para isso. Ela está bem, em choque, mas bem. Não nos disse nem seu próprio nome. Devemos acionar a área de registros civis e solicitar a custódia, caso não haja um responsável habilitado, depois...

_Weasley, calma! – Nulan apontou para o final do corredor e prosseguiu. – Tem um quarto infantil lá, deixe-a na cama. Ela vai dormir por um tempo ainda, certo? E não precisamos ter tanto trabalho. Tem fotos da menina com Rita Skeeter pela casa toda. Só pode ser filha dela. O nome é Madeleine – e ante a cara estupefata de Francis, explicou. – Tem uma placa na porta do quarto: “Madeleine, a filha mais amada”.

Drake riu e disse algo sobre “dons da vidência se aflorando”. Já Ronald foi e voltou muito rápido do quarto, aproveitando para acionar o registro civil via coruja, com extrema urgência. Estava furioso por algum motivo e, na verdade, os dois sabiam bem o porquê.

_Aprenda mais uma coisa a partir de hoje, ruivo: por mais odioso que seja ver uma criança chorando agarrada ao corpo da mãe semimorta, não nos envolvemos pessoalmente nessa merda. Nosso trabalho requer afastamento, entendeu?

Rony apenas assentiu. Já conhecia de cor e salteado aquela recomendação, o que não significava que deixaria de sentir a bílis lhe subir pelo esôfago, quando presenciava cenas como aquela.

O trabalho começou assim que a perícia mágica chegou. Os três auxiliaram em tudo, coletando dados e indicando possíveis locais nos quais a perícia deveria dispor maior atenção. Antes de acabar o trabalho, outra notícia os surpreendeu: ingressara em St. Mungus, quase uma hora antes de Rita Skeeter, um homem, com aproximadamente 40 anos, nas mesmas condições físicas da jornalista.

Esse homem, Ivan Voronin, era um dos professores mais renomados Universidade de Letras Mágicas, sendo um especialista doutorado em Feitiços Complexos, com ênfase na Elaboração de Feitiços. Era um homem reservado, que vivia com filha, Madeleine Skeeter Voronin, cuja guarda era compartilhada com a mãe, Rita Skeeter.

Pai e filha foram vistos numa localidade trouxa, há algumas horas, quando deixavam a aula de dança da menina, antes que a mesma terminasse. Os aurores do caso não encontraram nenhum rastro mágico específico, apenas o corpo agonizante do referido bruxo, largado numa ruela da Londres trouxa. Havia sinais de tortura, mas o homem não morrera, embora seus sinais vitais estivessem bastante enfraquecidos e declinando com rapidez.

O relatório de St. Mungus sobre Ivan Voronin e os dados preliminares dos aurores do caso, os chocou. Já era terrível, imaginar um potencial assassino solto... Pior ainda era imaginar um potencial assassino, em série, solto. Ah, já podiam antever o inferno que seria.

_Já temos os filhos da puta, sanguessugas cruéis, lá fora – reclamou um dos peritos, referindo-se aos repórteres que se aglomeravam na porta da casa da sanguessuga-mor, Rita Skeeter.

_É, a vida não deixa de ter um pouco de ironia, não é mesmo? Vamos ter que sair daqui e enfrentar essa matilha esfomeada, que vai nos sugar e anotar tudo o que dissermos! Talvez, a própria Skeeter tenha se recuperado e já esteja lá fora, com a sua língua ferina nos irritando até os ossos, anotando feliz cada um de nossos erros – completou Drake, enquanto mirava, curioso, Ronald, que revirava com as mãos alguns blocos de pedra e pedaços de madeira. – O que você está fazendo aí, ruivo? Já analisamos esse lado da sala.

Nulan se aproximou e viu o que o estagiário resgatara do meio dos escombros. Agora, ele também desejava beijar o garoto. Santa Morgana! Que faro era aquele?

_Pode nos ser muito útil... Como você encontrou isso?

_Bem, eu vi uma pena esverdeada... Lembrei que a Skeeter sempre usava uma dessas – e indicou a pena de repetição rápida, quebrada. O bloquinho também fora resgatado, em melhores condições. – Ela aprontou poucas e boas conosco... Quer dizer, comigo, Harry e Hermione, sabe... Quando éramos da escola, enfim... – e bateu com a varinha no bloquinho que permaneceu intacto, demonstrando que somente havia nele as digitais da própria dona.

Tendo verificado a ausência de impressões do assassino em potencial, pôs-se a folhear o bloco e a cara de espanto que fez assustou até o humor negro de Francis.

_O que foi, ruivo? O que você encontrou aí?

_Está tudo aqui. Rita Skeeter transcreveu os últimos momentos dela nessa sala.

_Ruivo, essa foi incrível!

A satisfação com a qual Drake e Nulan lhe olhavam era estranhamente constrangedora. Ele apenas viu algo esverdeado e associou a sua memória da jornalista. Não tinha sido nada demais.

_Er, acho que... Foi sorte – disse em um tom baixo, entregando o bloquinho a Nulan a contragosto. Queria lê-lo já!

O auror recebeu o bloquinho com cuidado quase reverencial, guardando-o juntamente com outras provas, mas classificando-o com um feitiço identificador de prioridades. Deixou claro aos peritos para copiar a prova e deixar a cópia na sua mesa, a qual pretendia alcançar em menos de 10 minutos.

_A sorte sempre ajuda, garoto – começou Nulan. – Mas apenas a quem é competente. Fez um excelente trabalho.

_Obrigado, senhor...

Uma coruja entrou na sala, deixando uma carta cair nas mãos doe estagiário. Os dois aurores sabiam, devido ao selo e ao papel timbrado, que era uma carta oficial do Departamento de Registro Civil.

_Solta logo, ruivo... O que o Registro Civil tem que possa nos ajudar?

_Nada, senhor. Não há ninguém. Ela tem apenas o pai e a mãe, que foram casados e se separam, faz dois anos. O registro deixou claro que foi uma separação amigável e que ambos decidiram compartilhar a guarda da menina. E agora? Acionamos o Serviço de Custódia?

Ah, a garotinha... Drake tinha se esquecido dela, tão concentrado estava em esbravejar contra os malditos jornalistas. O procedimento padrão já tinha sido ventilado pelo próprio Weasley: a área de registros civis era acionada, para verificar se havia algum responsável habilitado, caso não houvesse, o Departamento solicitava a custódia. Contudo, essa criança poderia ser uma testemunha chave, o que demandava proteção.

A comoção do lado de fora da casa já começava a incomodar. E qual não foi a surpresa de todos ali presentes, incluindo os peritos que já se preparavam para deixar a casa, ao verem ninguém menos que Estúrgio Podmore, atual Chefe do Quartel-General dos Aurores, adentrando a sala e visivelmente irritado — e quando é que ele parecia não estar irritado?

Podmore, um bruxo poderoso, de queixo quadrado e cabelo fino cor de palha, assumiu a direção dos aurores assim que Kingsley Shacklebolt ascendeu ao cargo de Ministro de Magia. Era um auror deveras competente e justo, mas dava medo quando sustentava certa expressão no rosto... A mesma que podiam, infelizmente, identificar agora.

_Drake, Nulan, Weasley, falem logo de uma vez: o que aconteceu aqui? – E já mais incisivo – POR QUE EU ESTOU SENDO INCOMODADO POR TODOS OS JORNALECOS DO REINO UNIDO E PELO PRÓPRIO MINISTRO, EM PESSOA?

_Estamos concluindo a – e o olhar do chefe fez Francis mudar o andamento da conversa, desistindo de contar que já acabavam a análise da casa e voltar no tempo, esclarecendo tudo com cautela. – Senhor, Rita Skeeter foi encontrada aqui, agonizando. Recebemos uma chamada no quartel: gritos e explosão, portanto, viemos o mais rápido possível. Quando chegamos, encontramos a casa assim como pode ver. A jornalista e a filha dela, que se encontra bem estavam aqui, no meio dos destroços. No momento, a menina, Madeleine, está dormindo no interior da casa.

_Quem fez isso não se importou muito conosco, senhor – prosseguiu Nulan. – Possivelmente, há conexão com o outro crime, ocorrido mais cedo. Ivan Voronin, ex-marido de Skeeter. Ele também se encontra em St. Mungus, agonizando. Não temos muita certeza do que os atingiu, mas a mulher parecia ter sido alvo de uns bons cruciatus.

Podmore resmungou qualquer coisa, indignado com a situação. Problemas, problemas... Não dava para ter uma semana tranquila, não é mesmo? Dois possíveis assassinatos, num mesmo dia e uma garotinha praticamente órfã. Fantástico! Como adorava o seu trabalho...

_A menina... Madeleine, certo? Ela disse algo? – Continuou com o interrogatório, a mão desembaraçando os cabelos cor de palha. – Ela pode nos ajudar a descobrir o que aconteceu?

_Senhor, a criança está em choque. Foi preciso separá-la à força da mãe. A pequena não disse nada, nem o próprio nome. O medibruxo optou por um desmaius para examiná-la – e a voz de Ronald quase falhou. Ele simplesmente detestava ver criancinhas em situações como aquela. Lembrava-lhe a guerra. Lembrava-lhe Hogwarts destruída e todo aquele sofrimento, devido aos alunos (amigos) perdidos.

_Vamos tentar, sim? Levem-me até ela – e Ronald se dirigiu ao quarto, com os três aurores em seus calcanhares. Parou de chofre ao chegar à porta do quanto infantil, dando passagem aos demais.

Os aurores entraram, mas ele preferiu ficar mais afastado. Não concordava com esse tipo de ação: interrogar uma garotinha em choque (ou pelo menos tentar), embora soubesse que era mais que necessária. Precisavam saber o máximo possível sobre o estranho crime. Se um reles bloquinho lhes parecia a última garrafa d’água no deserto, o que seria Madeleine, então?

Madeleine dormia sob o efeito de um desmaius, o que foi resolvido facilmente com um finite incantaten. Os olhos escuros se abriram. O pavor estava lá, bem evidente em toda a sua escura profundidade.

_Madeleine? – Começou Podmore num tom de voz nunca ouvido por Weasley. Então aquele filho da mãe sabia lidar com crianças? Surpresas, surpresas... – Como se sente?

Madeleine apenas o olhou, mas não esboçou reação alguma. A garotinha era a imagem da desolação.

_Querida, está machucada?

Silêncio.

_Sua mãe, nós a levamos ao hospital, Madeleine...

Reação nula.

_Viu quem machucou a sua mãe?

A garota começou a chorar. Silenciosamente. Apenas lágrimas, nada além de lágrimas. O auror ainda tentou por mais meia hora, mas a reação foi igual, ou seja, nenhuma. Cansado e já imaginando o que ouviria dos medibruxos — “não pode forçar uma criança nesse estado”, “aurores não são medibruxos, nem psicomagos” e um sem-fim de recomendações que se aplicavam muito pouco à prática, desistiu.

Afastando-se de Madeleine, que agora decidira que os próprios sapatos eram muito mais interessantes que continuar a ouvi-lo, Estúrgio Podmore chamou os dois aurores, que se aprofundaram no interior do quarto, deixando Weasley bem visível, encostado no batente da porta.

_Nulan, comunique ao Serviço de Custódia: a criança será alocada na casa de uma família, até a situação se normalizar.

_Sim senhor.

_Obviamente, a família receberá proteção 24 horas por dias. Portanto, temos que designar aurores para a guarda – e Nulan apenas assentia.

_E qual família a receberá, senhor? – perguntou Drake, já impaciente. Tinham que analisar as provas, por Merlin! – O próprio Serviço de Custódia pode designar uma...

O chefe o cortou imediatamente. Não podiam confiar a criança ao Serviço de Custódia, ao menos até que o criminoso fosse pego. Fariam o aviso, obviamente, mas nada além disso. Madeleine teria a proteção direta do Quartel-General de Aurores.

_Não, David. Usarei da prerrogativa que temos. Os aurores escolherão a família, com nível 5 de segurança.

_Certo, senhor – concordou David, o bloquinho com informações preciosas cada vez mais distante. Nível 5 de segurança... Ah, todo um inferno, em especial, levando-se em conta que existiam 5 níveis de segurança! Varreduras e inúmeros feitiços protetores. – E qual família escolherá, senhor?

A resposta não foi dada. Num segundo, a garotinha inerte na cama reagiu: desviou os olhos dos sapatos e olhou para frente, encontrando a saída do quarto. Madeleine olhou para a porta como se tivesse encontrado o mais delicioso Sapo de Chocolate. Sorriu aliviada e correu até Ronald, pulando sobre ele, que a segurou surpreso, mas não a afastou.

Madeleine passou os braços pelo pescoço do ruivo e se agarrou a ele com força, afundando a cabeça em seu ombro. O corpo da menina tremia, mas, ao mesmo tempo, era perceptível que se sentia segura com ele.

_Shiii... Shiii... Calma, Madeleine... Calma. Eu não vou deixar ninguém te machucar.

Os três aurores se calaram ante a cena inesperada. Mas o silêncio durou muito pouco.

_Ora, Nullan – e Podmore riu, encarando Ronald. – A família da Molly, é lógico. Não confiaria em nenhuma outra.



Notas finais
Bem, estamos caminhando para um novo lado, mais obscuro. Contudo, sempre haverá espaço para os nosso lindos... próximo cap = SevXSir.
BJKS!!!XD