Submissão

18 Capítulo 17


Notas iniciais
Oi, flores. Sei que o dia de postar seria amanhã, mas estou tão ansiosa que resolvi postar hoje. Nossa, pouquíssimas pessoas ficaram com pena de Alex. Contando comigo, acho que foram 4, no máximo, kkkkk. O restante acha que ele fez por merecer. Então, nesse capítulo vamos fechar mais um mistério.

Tomei meu terceiro copo de uísque e mesmo assim não consegui atingir o meu objetivo inicial. Estava sorridente. Estava eufórica. A música ligada no último volume e meu corpo se mexendo ao som dela. Mas ainda sentia culpa. Sentia-me com raiva de mim mesma. Sentia-me a pior pessoa do mundo. E quanto mais eu bebia, mais parecia lembrar as palavras de Alexander.

Não me faça implorar.

Morgan, eu ainda te amo.

Eu quero ficar com você.

Cinco anos querendo escutar essas palavras e tudo o que eu senti foi desprezo. Por isso, a primeira coisa que fiz ao chegar a meu apartamento, foi pegar a garrafa de uísque que Dexter tinha guardado em seu quarto – talvez escondendo de mim. Tudo com a intenção de esquecer aquelas palavras.

Porque, junto com a revelação de não sentir mais nada por Alex, me surgiu outra coisa. Uma coisa que eu ainda não estava totalmente pronta para aceitar. Sentindo minha cabeça começando a latejar, desliguei a música e me sentei no sofá, suspirando. Olhei para a garrafa em minha mão com desprezo e a soltei no chão. Arrastei meu corpo até minha bolsa e catei meu celular.

Passei pela lista de contatos. Queria contar o que tinha acontecido para alguém. Alguém que me dissesse que eu tinha feito a coisa certa e que eu não era a criatura mais fria e infeliz no mundo. Eu precisava de alguém que me abraçasse e dissesse que Alexander tinha provado do próprio remédio. Passei direto pelos nomes de Harper, Roxy e de minha própria mãe.

Porque eu precisava de uma pessoa específica.

Precisava de Dexter.

“Dex.”, minha voz se arrastou assim que ele atendeu. Passei os dedos por meus cabelos e senti meus olhos se enchendo de água. Minha garganta se fechou e eu solucei. “Dex.”

“Morgan, o que houve?”, ele perguntou urgente. Pareceu se afastar para um lugar fechado e todo o barulho ao seu redor foi reduzido para um leve zunido. “Você está bêbada? E chorando? Morgan me responde!”

“Eu sou uma péssima pessoa.”, solucei. “Meu Deus, eu sou uma péssima pessoa.”

Ele suspirou. Sua voz se amassou como se estivesse falando com uma criança ou com um animal assustado. Naquele momento, eu estava me sentindo os dois. Respirei fundo, contendo os soluçou e senti meu peito se aliviando com suas palavras.

“Morgan, você é a melhor pessoa que já apareceu na minha vida. O que quer que tenha feito, foi para se proteger.”, ele pausou, hesitante. Então, pareceu repensar e ficou preocupado de novo. “Estou indo para casa. Fique onde está.”

“Ok.”, respondi com a voz fraca.

Mas nenhum de nós dois desligou. Escutar sua respiração do outro lado da linha foi o que me fez parar de chorar e me levantar. Fiquei aturdida por um segundo. Não deveria ter ligado para ele. Não deveria ter chorado. Deveria estar orgulhosa, certo? Tinha conseguido fazer Alex sentir tudo o que eu senti em cinco anos. Só que...

“Vai ficar tudo bem, eu prometo.”, Dexter sussurrou. Fechei os olhos, me sentando no chão e assentindo, mesmo que ele não pudesse ver. “Morgan...”, hesitou novamente. Escutei-o engolir a seco. “Me espere.”

Então desligou.

Fiquei olhando para o celular por mais alguns segundos, como uma idiota. Eu era uma idiota. Estava caindo naquela armadilha de novo. Cinco vezes não foi o suficiente. Balancei a cabeça com força e me obriguei a levantar. Fui até o banheiro e lavei o rosto, tentando manter o mínimo de dignidade. Encarei meu reflexo e soltei o cabelo.

Um capítulo da minha vida tinha se fechado completamente.

Saindo do meu momento de reflexão – e um pouco depressivo – escutei a campainha tocando. Franzi o cenho. Dexter tinha a chave e, a não ser que os vizinhos tivessem chamado a polícia por conta do barulho excessivo, não estava esperando ninguém. Tive a decência de esconder a garrafa antes de abrir a porta e beber um copo de água rapidamente. Ajeitei o corpo e tentei parecer o mais sóbria possível.

Senti o restante do álcool se esvaindo totalmente de meu corpo assim que encarei os olhos mel esverdeados de Rachel. Minha expressão surpresa me rendeu um sorriso e um olhar convencido. Rapidamente me recuperei e cruzei os meus braços. Olhei-a de cima a baixo, como se não fosse grande coisa. Na verdade, realmente não era.

“Posso entrar?”, ela perguntou educada. Mas nós duas sabíamos que era forçada.

“Você sabe a resposta.”, disse mantendo a voz fria.

Ela olhou para os lados, como se tivesse medo de alguém aparecer e aproximou o rosto, sussurrando.

“Acho que seus vizinhos iriam amar um barraco na sua porta, certo?”, foi a vez de ela me olhar de cima a baixo. Franziu o nariz. “Ainda mais com você nesse estado.”

Forcei um sorriso e deixei que entrasse. Ela avaliou meu apartamento com um desprezo e repensou ao sentar no sofá. Fechei a porta lentamente e esperei que ela se pronunciasse. Passou os dedos pelos cabelos loiros, apreensiva. Permaneci em silêncio e levantei uma sobrancelha, incentivando-a á falar.

“Como você está?”, ela disse sorrindo.

“Vai se foder.”, sorri de volta.

Rachel pôs uma mão no peito, teatralmente.

“Morgan, é assim que você trata uma velha amiga?”

Imitei sua expressão, vendo-a ficar irritada.

“Não, Rachel.”, disse seu nome com o máximo de desprezo que pude. “É assim que eu trato cobras venenosas que se fingem ser sua amiga e no primeiro momento de vantagem, roubam seu namorado.”

Eu estava naquele maldito Box á quase quinze minutos. Harper tinha que ter um ótimo motivo para ter quase me implorado para esperar ali. Eu só queria ir embora e chorar. Depois de tudo o que eu tinha feito – finalmente terminar de vez com Dexter – Alexander simplesmente terminou comigo. E sem dar nenhuma explicação.

Escutei uma agitação e reconheci a voz de Harper. Ela estava com alguém. Demorei um tempo para reconhecer a voz de nossa “aprendiz”, Rachel. Ela era caloura na nossa escola e nós tínhamos adotado-a. Ela acabou se tornando nossa amiga e ás vezes saía conosco. Pensei em apenas sair e perguntar o porquê de ainda estar presa naquele Box, mas as palavras de Rachel me pararam.

“Harper, foi muito fácil.”, ela se gabou. “Morgan estava tão distraída por causa daquela indecisão entre aquele Dexter e Alexander, que nem percebeu que eu estava copiando as suas mensagens para o meu celular e enviando para Alex.”, ela gargalhou, orgulhosa.

“Pensei que você gostasse dela.”, Harper murmurou, surpreendida.

Rachel bufou.

“Cansei de ficar em segundo plano. Se ela não conseguiu dar o valor que Alexander merecia, eu darei.”, ela parou por um segundo. Sua voz ficou mais alegre. “Essa cor ficou boa? Agora que Alex está triste, vai precisar de um ombro para chorar.”, ela pausou. “Hey, não me olhe com essa cara. Estou apenas tentando sobreviver. Isso é uma guerra. Se Morgan não sabe brincar, não descesse para o play.”

Antes que eu tivesse a chance de digerir tudo, escutei seus passos se afastando. Sabia que Harper tinha ido com ela. Esse era o papel dela. Agente duplo. E me prendendo naquele Box estava provando á quem devia confiança. Mas eu estava ardendo de raiva e tudo de ruim que uma pessoa poderia ter.

Tudo despedaçado. E perdido. Por causa de uma criança de dezesseis anos.

Fechei os olhos e respirei fundo.

Sabia que teria a minha vingança.

“Você nunca soube dar o devido valor ao que teve, Morgan.”, ela disse andando ao redor da minha sala e passando a mão pelos móveis. “Não fez isso com Alexander. E não está fazendo isso com Dexter. Sabia que ele foi atrás de mim na igreja?”, levantei uma sobrancelha. Ela sorri, pensando que tinha me afetado. “Pensou que ele ficou em casa o dia inteiro te esperando?”, gargalhou. “Você ainda é tão iludida, Morgan.”

Pressionei os lábios juntos, contendo o meu riso. Na verdade, ela era a iludida. Estava andando na direção que eu queria e nem sabia. Balancei a cabeça e ri. Ela franziu o cenho, confusa. Não consegui parar de rir imediatamente. Alexander e Rachel realmente faziam um casal hilário. Passei a mão por meus cabelos e respirei fundo, me acalmando.

“Querida, a única iludida aqui é você.”, eu disse.

Ela deu um passo para trás, atingida por minhas palavras.

“Vamos ver se você vai dizer isso quando Dexter aparecer e disser que você não é nada na cama comparada comigo.”, ela tentou passar por mim, indo em direção para a porta.

Só ela pensou que iria embora tão fácil. Segurei em seu antebraço, deixando a raiva contida de cinco anos retornar com força. Tinha conseguido combater aquele sentimento com toda a minha força de vontade, mas isso tinha sido porque não tinha precisado enfrentar o causador do problema. Agora ali estava ela. Tentando me ameaçar de novo.

Aproximei o meu rosto do dela e sussurrei as palavras mais verdadeiras de toda a minha vida.

“Se você tocar em fio de cabelo de Dexter, eu juro que será a última coisa que você fará nessa vida.”, a soltei, vendo-a bambear. “Além disso, duvido que Dex vá se atrair por uma pirralha. Porque é isso o que você é e sempre vai ser Rachel. Minha sombra. Aquela que pegou o que eu não quis mais.”, dei de ombros. “Seja feliz assim.”

Estava satisfeita com a minha calma. Pena que Rachel não estivesse assim também. Ela respirava com força e seu rosto estava completamente vermelho. Sabia que tinha atingido um nervo e sentia prazer ao tê-lo feito. Sorri e ela tentou jogar um trunfo inexistente.

“Dexter tentou me beijar.”, ela disse, sua voz subindo duas oitava.

Meu sorriso se ampliou.

“Alexander me beijou há....”, olhei para o relógio da sala e voltei a encará-la. “Uns vinte minutos. Acho que se você chegar perto ainda consegue sentir o perfume dele.”

Ela surtou. Simplesmente soltou a bolsa no chão e veio em minha direção, gritando, como um animal. Não queria admitir, mas era exatamente o que eu queria – o que eu esperava. Nós rolamos no chão e eu pude descontar toda a raiva que carreguei por esses anos, dando-lhe bons tapas em seu rosto.

Rachel iria se casar. Mas não do jeito que queria.

Levei a vantagem, mas não sem ganhar alguns golpes. Tive uma leve noção de que tinha sido arranhada e levei alguns tapas. Mas nada comparado ao estado de Rachel. Sorri maléfica ao ver uma quantidade significativa de seu cabelo em minha mão. Seu lábio inferior estava sangrando e eu quase tinha certeza de que ela ficaria pior se não tivessem nos separado.

“Morgan, pare.”, Dexter disse me erguendo no ar.

Demorou um tempo, mas parei de lutar contra ele. William estava com ele, segurando Rachel e impedindo-a de vir na minha direção. Ele não estava fazendo um bom trabalho, mas conseguiu mantê-la longe de mim. Will era um pouco mais alto que Dex e sua massa corporal quase a mesma, então não demoraria para que Rachel recobrasse a consciência e desistisse de tentar fugir.

“Vem.”, Dexter me puxou para fora do apartamento.

Alguns vizinhos punham suas cabeças para fora querendo ver o que estava acontecendo. Só que eu não prestava a atenção nisso. Estava focada no olhar decepcionado de Dexter. Ele não botou os olhos em mim nenhum segundo enquanto dirigia noite á fora. Só fui perceber onde estávamos indo, quando reconheci o caminho do apartamento de Will.

Toda a satisfação que senti ao bater em Rachel se esvaiu de meu corpo. Dexter pisou duro até entrarmos e fechou a porta do quarto atrás de si, se certificando que ninguém mais ouvisse o que iria acontecer. Mas, o que diabos iria acontecer?

Para o meu alívio, ele finalmente me olhou. A tensão que exalava de seu corpo se suavizou e ele passou os dedos carinhosamente por meus cabelos, arrumando-os. Então pegou meu braço e viu o rastro de arranhão que Rachel tinha deixado. Ele balançou a cabeça, decepcionado. Seus olhos estavam triste quando ele voltou a me encarar.

Tentei tocar em seu rosto, mas ele se afastou. Não muito, apenas para me evitar. Sua avaliação silenciosa continuou e aquilo estava me matando. Aquele suspense. Preferia que ele apenas gritasse comigo. Ao invés disso, se sentou na cama – que deveria ser de Will – e colocou as mãos no rosto. Sua voz saiu abafada, mas suas palavras me atingiram com mais força do que os golpes de Rachel.

“Por favor, não me diga que aquela briga estúpida foi por causa do Alexander?”

Notas finais
E agora, Morgan? Parece que a vingança não tem um gosto tão bom quanto você esperava, hem.