Submissão

15 Capítulo 14


Notas iniciais
Desculpem pela demora, tive váááários assuntos para resolver, mas o capítulos está aqui prontinho. E adivinhem quem está narrando? kkkkk

POV Dexter

Encontrar Harper e Chris Evans no cinema foi uma surpresa tanto para mim quanto para Morg. A meu ver, eles estariam em algum quarto de motel, fodendo feito coelhos. Mas não. Morgan revirou os olhos, certamente tendo os mesmos pensamentos que eu. Taylor tinha um sorriso de orelha á orelha enquanto se aproximava de nós. Segurei o capacete e sorri.

“Hey, Taylor.”, cumprimentei. “Hey, Chris”

Chris Evans revirou os olhos azuis, mas apertou minha mão.

“Taylor, podemos conversar ali por um segundo?”, Morgan perguntou pegando sua amiga loira pelo braço. Parando apenas para sorri para Chris. “Hey, Anthony.”

Ah é. O nome dele era Anthony.

E ele tinha transado com Morgan.

E agora iria transar com a melhor amiga da Morgan.

Eu poderia abraça-lo naquele exato momento. Porque esse cara era meu ídolo.

“Pensei que você e Harper estariam em outro lugar.”, eu disse sincero, me recostando na moto. Chris – quero dizer – Anthony levantou uma sobrancelha. Mas em seus olhos havia entendimento. “Sei que Harper é difícil, mas...”

“Fui eu quem a chamou para o cinema.”, Anthony me interrompeu.

Assenti comigo mesmo, divagando sobre a atitude dele. Não poderia reclamar, afinal, eu tinha feito a mesma coisa com Morgan. E pretendia fazer mais coisas. Desviei meu olhar para onde Morgan e Harper conversavam e sorri.

Mesmo tentando manter a calma, estava gesticulando feito louca, enquanto a loira apenas sorria e assentia. Os cabelos negros da minha colega de apartamento se balançavam conforme ela tentava convencer sua amiga e seus olhos escuros brilhavam contra a luz do cinema. Dei um meio sorriso, percebendo o quanto eu gostava daquele jeito meio desesperado dela.

“Acho legal você e Morgan terem se acertado.”, Anthony disse chamando a minha atenção de volta para ele. Tinha os braços cruzados, como se quisesse se defender de algo. Estava sério. “Não queria que ela se prendesse á uma coisa sem fundamento, como uma vingança. Se esse Alexander realmente gostasse dela, nunca teria pedido a mão de outra. E teria ido atrás dela á mais tempo.”

Ele suspirou e olhou na direção das meninas.

“Gosto de Morgan, sabe? Ela é divertida, engraçada e extremamente sexy.”, meneou a cabeça. “Mas tem um problema sério com relacionamento passados. Com você, eu ainda consigo enxergar um futuro. Vocês se conhecem bem, se entendem e se gostam.”

Franzi o cenho.

“É cedo demais para falar sobre sentimento.”, eu disse lentamente. Mas quando meus olhos pousaram em Morgan, algo estranho se agitou em mim. Fechei os olhos por um segundo. “É muito cedo ainda. Ela tem que perceber sozinha as escolhas que tem. Se ela quiser continuar com essa vingança e ficar com Alexander.”, dei de ombros. “Eu não ligo.”

Anthony ergueu uma sobrancelha.

“Não liga mesmo?”, descruzou os braços. “Como você se sente sabendo que pode perdê-la para sempre? Vocês nunca mais vão acordar e tomar café juntos. E nem rirem um da piada do outro, por mais que seja ruim. E nem reclamarem do péssimo gosto para acompanhantes. Cacete, Dexter. Se eu estivesse no seu lugar, estaria me coçando para não me socar só de lembrar que fui para cama com ela duas vezes.”

“Isso foi antes.”, respirei fundo. “Mas, você tem razão. Só que eu sei que Morgan não vai se libertar do passado enquanto não terminar essa maldita vingança.”

Percebi que elas estavam voltando. Mas antes que chegassem até nós dois, Anthony abaixou a voz e deu seu último comentário.

“Você tem que dar ás opções para ela. Porque, nesse momento, tudo o que ela enxerga é a possibilidade de ter sua vingança executada.”

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Acordei, reparando que metade da minha cama estava vazia. Por um segundo, fiquei aliviado. Isso me dava alguns segundos para poder divagar sozinho. Maldita hora em que eu prestei atenção no que o Chris Evans disse. Ontem, todas as vezes que eu olhava para Morgan enquanto transávamos, só conseguia pensar o quanto queria que ela fosse inteiramente minha.

Passei a mão por meu rosto, sentindo a barba por fazer roçando nas palmas e soltei o ar enquanto me sentava. Estava ficando cada vez mais confuso. Mas bem feito para mim. Quem mandou transar com a colega de apartamento gostosa, ex-namorada e quebrar o maldito contrato? Agora teria que arcar com as consequências. Deveria agradecer a Deus que ainda tinha um lugar para morar.

Arrastei-me até o banheiro e tentei abandonar um pouco mais a sonolência enquanto mijava. Sorri, me sentindo sortudo por ter pegado folga no trabalho no mesmo dia em que teria paralisação na faculdade. Assim, poderia levar Morgan para jantar fora. Claro que seria uma surpresa.

Mas, surpresa foi a que eu tive quando entrei na sala.

E dei de cara com a minha mãe sentada no sofá.

“Mas que porra!”, exclamei.

Morgan e minha mãe estavam sentadas no sofá conversando e rindo juntas. Assim que soltei minhas educadas palavras, as duas me encararam. Morgan, com um sorriso no rosto. Mas minha mãe parecia pronta para me enfiar um sabão goela á baixo.

“Bom dia também, Dexter.”, Christina Moore disse.

Incrível como os anos não haviam atingido minha mãe. Os olhos azuis tinha perspicácia e pareciam atentos a cada detalhe da sala. Os cabelos tão claros quanto os meus estavam presos em um rabo de cavalo, deixando o rosto jovial exposto. Nunca diria que minha mãe tinha passado da casa dos quarentas. Meus amigos filhos da puta também.

“O que você está fazendo aqui?”, perguntei ainda em choque.

Ela bufou.

“Uma mãe não pode mais visitar o filho?”, ela se levantou e me abraçou. Eu retribuí, consciente que sentia saudades dela. Morgan permaneceu sentada no sofá, sorrindo. Percebendo que a tinha visto, desviou o olhar para a televisão, corando. “Seus irmãos estão com saudades também.”

Esse comentário me bambeou um pouco. Eu era o mais velho de quatro irmãos. E eles sempre me viram como o exemplo masculino, já que o nosso pai havia morrido á alguns anos. Sair de casa havia sido uma decisão difícil por conta disso, mas Christina e meus irmãos haviam me apoiado, dizendo que eu precisava da minha própria vida.

“Desculpe.”, disse sinceramente. Balancei a cabeça. “Andei muito disperso e...”

“Não se desculpe, querido.”, ela beijou minha bochecha, mesmo sendo quase quinze centímetros mais baixa. “Apenas me leve para almoçar. Morgan estava me contando que tem um ótimo restaurante italiano aqui por perto. Assim poderei te contar as novidades.”

Escutamos um barulho leve e nos viramos para Morgan.

“Vou me vestir.”, anunciou e saiu da sala.

Era incrível o quão educada ela poderia ser na frente de minha mãe e o quão safada ela era entre quatro paredes. Nem parecia a mesma garota que estava implorando para que eu metesse com mais força na noite anterior. E não tinha ouvido nenhum palavrão saindo de sua boca. Pelo menos ela não tinha nenhum sabão na boca.

“Estou feliz que vocês tenham se acertado.”, ela disse me seguindo até o quarto. Dei-lhe um olhar severo e ela riu, baixo. Fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama. Por um segundo isso me deixou um pouco incomodado. Minha mãe estava sentando no exato lugar em que coloquei Morgan de quatro. “Espero que não faça a mesma coisa da última vez.”

“Do que você está falando?”

Passei o dedo pelas roupas do meu armário e puxei uma camisa polo azul. Virei-a Christina, que fez uma careta, desaprovando. Peguei uma vermelha de botões. Ela olhou por um tempo e se levantou, andando até o meu armário. Minha mãe era tão rígida com roupas quanto eu. Continuou falando sobre as suas teorias enquanto passa os dedos por minhas calças jeans.

“Eu estou falando de que na última vez em que disse algo sobre você estar gostando de alguém, ficou tão assustado que terminou por telefone no minuto seguinte.”, puxou uma calça jeans escura e analisou, entregando-me em seguida. “E veja as coincidências da vida. Era de Morgan que eu estava falando.”

Fiz uma careta.

“Assim eu me sinto um monstro.”, comecei a vestir a calça. “Eu terminei com ela porque não estava funcionando. Ela estava muito dependente de mim naquela época. Mãe, tínhamos dezessete anos.”

Ela deu de ombros, inflexível.

“Foi com essa idade que eu conheci seu pai.”, suspirou. “E, se me lembro bem, não demorou dois meses e você foi atrás dela que nem um cachorrinho ferido. Você não consegue viver separados. Admita que desde que começou a morar com Morgan, sua vida melhorou bastante.”

Parei um segundo de abotoar a camisa. Minha mãe continuou o trabalho com os botões.

“Ela é inteligente, bonita e gosta de você.”, disse passando a mão pela camisa para tirar os amassados. “E você também é bonito, meu filho. Suas notas na escola não foram as melhores e sinceramente, odeio esse cabelo longo. Mas te amo e quero que seja feliz, querido.”

Ela me deu outro beijo na bochecha, no exato momento em que Morgan bateu na minha porta timidamente. Assim que a porta se abriu, me peguei pensando nas palavras de minha mãe de Anthony. Os dois tinham acertado. Morgan era bonito e extremamente sexy. Ainda mais quando usava um vestido de verão azul que combinava tanto com sua pele e seu cabelo solto e despojado ao redor de seu rosto.

“Vamos?”, perguntou.

“Claro, querida.”, minha mãe respondeu.

Eu apenas assenti e as segui. Caralho, com Morgan vestida daquele jeito, eu a seguiria até o inferno.

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Tinha uma coisa interessante sobre aquele restaurante que Morgan indicou para a minha mãe. E não estava falando da grande estrutura ou das mesas bem organizadas. Muito menos da ótima comida que serviam. E nem arriscarei dizer sobre o fato de estarmos sentados na melhor mesa de lá.

O que tinha de interessante era que aquele restaurante pertencia á Raymond Night.

O pai de Morgan.

Quase nunca íamos até ali para não enjoarmos da comida. Mas, sinceramente, era quase impossível disso acontecer. Tudo era feito com tanto cuidado e tanta prática que eu poderia comer ajoelhado. E do jeito que Morgan gemia baixo a cada mordida, imaginava que ela poderia fazer a mesma coisa.

“Sabe, quando me disseram que minha filha estava almoçando aqui, pensei que tinha confundido, porque não recebi nenhuma ligação avisando.”

Nos viramos para encarar os grandes olhos castanhos claros de Raymond Night. Ele era um carinha bem humorado e quando eu namorava com Morgan, parecia gostar bastante de mim. Ele era um pouco mais baixo do que eu e tinha o rosto redondo com os cabelos totalmente grisalhos. Tinha uma barriga avantajada, talvez de tanto comer em seu próprio restaurante.

“Pai.”, Morgan reclamou, mas sorriu assim que recebeu um beijo na testa. “Essa é Christina Moore, mãe de Dexter. E tenho certeza que ainda lembra de Dexter.”

“Claro que sim.”, ele apertou minha mão. “Tudo bem, rapaz?”

“Claro, Senhor Night.”

“Por favor.”, ele fez uma careta. “Não me chame assim. Ray para os íntimos.”, antes que eu pudesse me corrigir, aqueles olhos de águia de focaram em minha mãe. “E essa bela dama é a sua mãe?”

Pensei que minha mãe falaria alguma piada ou o dispensaria. Mas ela riu. Como uma adolescente de quinze anos. Revirei os olhos, arrastando a cadeira para perto de Morgan. Sentir sua presença me deixou menos enjoado. E a julgar pela sua testa franzida, podia sentir que ela tinha a mesma sensação.

“Meu pai está flertando com a sua mãe, ou estou completamente doida?”, perguntou.

Balancei a cabeça.

“Acho que teremos que planejar outra separação, futuramente.”

Notas finais
Até a próxima, flores.