Submissão

14 Capítulo 13


Notas iniciais
Esse é o POV Alex. E está coberto de revelações. Estou postando hoje, porque amanhã vou dedicar meu tempo aos textos da faculdade de psicologia (que são enormes) então tirei hoje para dar atenção ao maravilhoso triângulo amoroso da vingança. Recém-feito e me desculpem os erros. Ah, leiam as notas finais.

POV Alexander

Parecia que o passado estava me dando um soco na cara diariamente. Era exatamente assim que eu me sentia toda vez que eu encarava os orbes negros que um dia brilhavam quando sua boca rosada afirmava o quanto me amava. Era assim que eu me sentia quando desejava passar as mãos pelas curvas tentadoras de seu corpo definido que não tinha pudor ao demonstrar sensualidade ao dançar. Era assim que eu me sentia quando escutava a voz que tanto gemeu em um tom baixo no meu ouvido.

Era exatamente assim que eu me sentia desde que reencontrei Morgan Night.

E, mesmo amando Rachel, tinha uma parte teimosa de mim que ousava em repetir em minha mente que eu só teria minha paz de espírito de volta, quando tivesse minha ex-namorada – e minha primeira – em minha cama mais uma vez. Eu tentava ignorar aquele desejo e conseguia a maior parte do tempo. Mas às vezes em que eu perdia era desconcertando. E quando menos esperava, estava ligando para o seu celular, ansiando para escutar sua voz.

Claro que nem tudo era maravilhoso. Em minhas mais ocultas e perigosas fantasias, Morgan estaria me esperando e faria de tudo para que não me casasse com Rachel. Talvez dissesse que ainda me amava. Faríamos amor mais uma vez. Como uma despedida. Só que a realidade não era bem assim. Ela estava morando junto com um cara. Um cara que me fazia ter uma vontade inconsciente de socar.

Sabia que só o pensamento de trair Rachel era cruel. Ela era muito boa para mim. Era mais do que eu merecia, mas eu não conseguia me ver em uma vida sem ela. Ou talvez só tivesse medo de sentir a mesma dor de quando Morgan me trocou. A lembrança daquele dia, me trazia um gosto amargo na boca. Tinha sido tão súbito.

“O que há entre você e Morgan?”, Dante perguntou.

Eu desviei o olhar de Morgan enquanto ela subia as escadas. Nem havia parado para me cumprimentar ou coisa parecida. Franzi o cenho estranhando. Ela nunca foi de fazer isso, a não ser que eu tivesse feito alguma coisa.

“Não sei.”, deixei minha mochila ali. “Vou descobrir agora.”

Subi as escadas, me deparando com o corredor estreito com inúmeras salas. A sala de Morgan ficava do lado oposto á minha. Foi fácil encontra-la. Harper e ela estavam sentadas do lado de fora. Harper segurava a mão de Morgan e tocava suas costas, como se a tivesse consolando. Um mau pressentimento me tocou.

“Morgan”, chamei.

Ela levantou os olhos escuros, assustada. Harper sussurrou alguma coisa no ouvido dela e saiu. Não me dirigiu a palavra. Não me importei. Nós dois nunca tínhamos nos gostado. Tudo o que importava era Morgan. Seu silêncio fazia meus ouvidos queimarem. Sua dor me fazia sentir ferido. Caminhei lentamente até ela, e a vi abaixando os olhos. Prendeu os cabelos em um coque desarrumado. Fiz uma careta, sempre preferi seu cabelo solto.

“Alexander.”, ela tocou meu rosto assim que me senti á sua frente.

Antes que eu pudesse respondê-la, ela se inclinou na minha direção e me beijou. Retribui prontamente, mas alguma coisa se apertou dentro de mim. Soltei o seu cabelo, sentindo macio em minha mão. Ela gemeu, se afastando e desviou o olhar.

Vi uma lágrima deslizando por seu rosto.

“O que houve, Morgan?”, tentei limpar a lágrimas, mas ela desvencilhou de meu toque. Engoli a seco. Alguma coisa estava muito errada.

Obviamente, todos os sinais estavam bem diante do meu nariz, mas ela era a minha primeira em tudo. Meu primeiro amor. Minha primeira namorada. Minha primeira na cama. E aquela distância que ela estava impondo, me machucava. Eu queria que ela falasse algo. Qualquer coisa, apenas para que eu me acalmasse. Ela levantou os olhos negros para mim e vi que seu rosto estava tomado de lágrimas.

“Eu te amo.”, ela sussurrou. Respirei aliviado e deixei meus ombros relaxando. “Mas...”, ela balançou a cabeça e agarrou os cabelos. Era como se tivesse lutando consigo mesma. “Eu quero terminar. Não te amo como antes.”, me encarou com dor. “Você é meu melhor amigo, Alex. Mas é só isso. Não, não é só isso. É muito complicado.”

Fiquei em estado de choque por alguns segundos, apenas observando-a. Sinceramente, minha vontade foi de ajoelhar e pedir para que não fizesse isso. Me sentia despedaçado por dentro. Mas uma coisa que Morgan me ensinou em nosso relacionamento, era a ser orgulhoso. Por isso que minha dor rapidamente foi substituída por raiva. E ressentimento.

“É por causa dele, não é?”

Arregalou os olhos e sufocou um soluço. Tive que me controlar para não consolá-la. Aquilo estava destruindo a nós dois. Porra, por que ela estava fazendo aquilo? Ontem estava dizendo o quanto me amava e hoje era isso? Levantei, querendo me afastar dela e toda aquela mentira. Mantive o olhar frio.

“Alexander, espere.”, ela me segurou pelo braço. Imitando seus movimentos, me desvencilhei de seus dedos. Os mesmos dedos que tocaram meu rosto com amor. “Você não entende... Ele foi o meu primeiro amor.”, olhou para baixo, envergonhada. “E parece que sempre vai ser ele.”

“Você também foi o meu primeiro amor, caralho!”, gritei com raiva. Respirei com força. Ela não tirou os olhos do chão. “Quer saber? Ok. Fique com ele e seja feliz. Quero que os dois se fodam.”

Me virei e me afastei, ignorando o som de seu choro.

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“E como foi o seu dia, Alex?”

Tive que piscar algumas vezes para me focar nas palavras de Rachel. Estávamos na casa de meus pais, jantando todos juntos e comemorando meu retorno á cidade. Eu tinha trancado a faculdade no último semestre. Estava com saudades de tudo em Chicago e tinha que dar um passo á frente com Rachel. Era isso o que se fazia depois de cinco anos de relacionamento, certo?

“Foi bom.”, dei de ombros, brincando com a comida. Todas aquelas lembranças haviam tirado totalmente meu apetite. Rachel assentiu e percebi que tinha a magoado pela resposta curta e indiferente. Forcei um sorriso. “E a prova do vestido? Estou louco para vê-la usando-o.”

Isso a fez rir.

“Você irá adorar.”, ela se virou para minha irmã, Christina. “Não é mesmo, cunhada?”

Christina apenas assentiu e voltou a comer. Suspirei, mas aquilo não era surpresa para ninguém. Christina não gostava de nenhuma de minhas namoradas. Rachel apenas trocou de assunto e foi debate-los com minha mãe. Sabia que Morgan teria enfrentado minha irmã e depois teria mandado todos irem para o inferno. Mesmo sendo bastante indelicado e mal educado, eu teria gostado. Porque, diferente de mim, ela tinha peito para enfrentar minha família.

“Minha irmã não gosta de você.”, eu disse assim que cheguei a sua casa. Ela estava lendo um livro, tirou os óculos de leitura e levantou uma sobrancelha. “Disse que você é sonsa, mentirosa e manipuladora.”

Ela se sentou e deu de ombros.

“Eu sou isso mesmo.”, disse e riu. Arregalei os meus ombros. Morgan bufou. “Alex, somos amigos á quase dois anos, você me conhece. Sabe que sou exatamente assim. Mas você está comigo.”

Sentei-me ao seu lado e toquei em seu rosto.

“Porque eu sei que por baixo dessa garota sonsa, mentirosa e manipuladora, existe a mulher que ganhou o meu coração.”, pus sua mão em meu peito, para que ela sentisse meu coração batendo com força. Ela sorriu e me deu um beijo leve, sentando-se em meu colo. “Caramba, você realmente é muito manipuladora.”

Nós dois rimos.

“Eu sei.”, ela disse tirando alguns fios de cabelo do meu rosto. Sabia que ela gostava quando ele ficava desordenado. Mas minha mãe odiava. “Além disso, eu também não vou com a cara de sua irmã.”

Assenti comigo mesmo.

“Não gosta do tipo que tem vontade de bater nela a qualquer segundo ou não gosta do jeito feminino?”, perguntei. Ela franziu o cenho, confusa. “Sabe, aquele tipo: Você não gosta de mim, eu não gosto de você.”

“Ah, não.”, ela meneou a cabeça e pressionou o seu corpo no meu. Apertei sua cintura, sentindo que estava REALMENTE sendo manipulado. “Eu não gosto dela do tipo que adoraria chama-la de obesa na frente de todos.”

Antes que eu pudesse recrimina-la por falar mal de minha irmã, ela me beijou com paixão. E eu esqueci todas as barreiras que minha família tentava impor.

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“A gente podia sair hoje.”, Rachel disse.

Estávamos no meu carro dirigindo pelas ruas quase desertas de Chicago. Olhei-a de canto, e percebi que estava tão perdida em pensamentos quanto eu. Só que eu duvidava que ela estivesse pensando em algum de seus ex-namorados. Apertei minha mão ao redor do volante, me recriminando por pensar tanto em alguém que não poderia ter.

“Estou cansado, Rachel.”, eu disse.

Ela cruzou os braços e focou seus olhos claros em mim.

“Sabe, eu também estou ficando cansada.”, ela ralhou e foi como se uma bomba explodisse. “Desde que você voltou á Chicago, sempre me deixa em segundo plano. E nem vou comentar das suas reações ridículas de quando encontramos Morgan.”

Ela disse o nome de minha ex-namorada como se fosse o mais sujo do mundo.

Fechei os olhos por um segundo.

“Eu disse que estou cansado, fisicamente e mentalmente.”, mantive os olhos na estrada e tive o reflexo deles. Via a mentira estampada. “Sabe como eu fico depois de passar muito tempo com os meus pais.”

Isso a fez hesitar nas próximas palavras. Até que resolveu se calar.

“E não tem nada a ver com Morgan.”, continuei mentindo. Então era assim que começaria minha vida de casado? Que fosse. “Eu te amo.”, isso era verdade. “Meu tempo com Morgan já acabou. Ela está com outro. E deixou isso bem claro quando quase transou com ele na nossa frente ontem.”

Dizer aquelas palavras me fez sentir uma dor semelhante á de quando terminamos pela primeira vez. Sempre existia alguém entre nós. Alguma coisa sempre nos impedia de ser feliz. Com Rachel era tudo limpo. Preto no branco. E eu me sentia seguro. Sabia que nada poderia dar errado se eu dançasse conforme a música.

Mas antes, eu precisava fazer só mais uma coisa.

Tinha que dar um ponto final no meu passado.

E isso incluía ter Morgan Night em minha cama pela última vez e saber se aquele sentimento era recíproco. E se fosse... eu estaria muito fodido.

Notas finais
Então, pessoinhas. Estou pensando comigo mesma que tem dois personagens importantes que nunca apareceram. A mãe de Dexter e o pai de Morgan. Então, eu quero colocá-los, mas apenas um em destaque. Qual deles vocês preferem? Lembrando que, se for a mãe de Dexter, o capítulo será POV Dexter e se for o pai de Morgan, será POV Morg. Então?