Submersa
1 Prologo
Notas iniciais
É apenas o inicio, por isso não me aprofundei em detalhes.

O mar sempre foi cheio de mistérios, seres curiosos e muitas vezes taxados de perigosos, mas o oceano não carrega no colo o perigo... Por isso o ser humano não consegue viver nos braços das ondas, elas sempre irão soltá-los.
O Planeta terra é constituído mais por água do que por terra, acha mesmo que esses seres terrestres são os únicos? Não, e estão longe de ser. Por detrás das lendas e histórias para crianças dormir, o mar tem seu povo, sua raça e sua vontade de viver.
Me chamo Liana e sou mulher de água, sereia, mas me considero apenas mais uma Submersa nesse imensidão azul que é o oceano. Nosso povo mora na parte inexplorada dos mares, no desconhecido e gostemos que continue sempre assim, não queremos ser descobertos; seria terrível virarmos animais ou experiências científicas.
O ser humano julga tudo que é diferente dele como novo, e que precisa ser estudado, porque não seguem apenas a natureza? E deixam essas curiosidades de lado? É o que me pergunto sempre, e o que me perguntava naquela manhã tão cinza em Atlantida.
Era a época de caça baleias, o passar dos dias que mais apertava o meu peito e o de todo povo de Atlantida. As baleias são seres tão adoráveis e tem funções incríveis aqui no mundo submerso, vê-las indo embora e não poder fazer nada era como uma estaca no peito. O governante declarou que desde o contato dos nossos antepassados com os humanos ( o que gerou vários filmes, assim como a pequena sereia da Disney e diversos mitos sobre sereias) Nunca mais poderíamos ter contato com um homem, caso alguém quebrasse essa regra seria morto. Por isso, ninguém podia interferir ou derrubar os barcos desses assassinos sem coração!
Como eu havia feito dezoito anos a poucos dias, perante a lei podia ir até a superfície para olhar a luz do dia. Muitas sereias sonham em ver a superfície, mas é preciso chegar a maioridade antes de tudo.
Eu admirava aquele lugar, achava fascinante ver o clarão do sol iluminar meu rosto e até pensava o quanto os humanos são sortudos, eles tem esse sol incrível cuidando deles até a lua chegar e trocar o turno. Lá embaixo não sabemos quando é dia e nem quando é noite, é sempre o mesmo cinza.
Sentei numa pedra, deixando minha calda submersa pela metade, havia prometido algo a uma pessoa muito querida, minha irmã Luna que com apenas oito anos já sonha em ver a superfície. E ela me pediu algo lá de cima e então, prometi levar algum presente mesmo que estejamos em uma época perigosa.
Ainda sentada eu olhava para todos os lados e só via o mar, não fazia ideia do que levar. Desci da rocha e nadei um pouco, e encontrei algo como uma isca no meio do mar, me afastei depressa e me escondi atrás de uma pedra. Pude ver um grande barco se aproximar e ficar pela redondeza. Pelo movimento das águas eu senti um ser aproximando-se, para ser mais direta uma baleia.
Eis então que a baleia surgiu do meio das águas e nadava diretamente até a isca.
Meu coração se apertou, pra piorar era uma filhote tão pequenina. Pude ouvir um dos homens dizendo
— Veja é filhote, vamos deixar pra lá, quero uma bem grande.
Um deles disse, e meu coração se aliviou, mas um senhor de idade insistia na ideia
— Não, conheço um cara que empalha as filhotes, ficaremos ricos.
Eu as vezes fico impressionada com a ganância desses seres, tenho até vergonha de dizer que sou metade humana.
A baleinha ia chegando, e então eu decidi que devia fazer algo, mas se fizesse estaria colocando minha vida em risco. Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho de dor agudo. Quando pude ver eles a furaram e lhe enrolaram uma rede.
E é nessas horas que eu senti meu coração chorar, mas queria que só eu tivesse chorado... Quando um ser aquático é morto ou levado, todo o mar chora e morre um pouquinho, e era assim que eu me sentia. Totalmente desanimada eu mergulhei entristecida.
Passei pelo centro de Atlantida e pude ver algumas amigas minhas festejando numa Algaria próxima, o que os humanos chamam de bar, chamamos de Algaria. Elas estavam rindo e ao me verem passar me chamaram
— Ei Liana, vai passar reto mesmo? Vem tomar algumas com a gente.
Pérola, uma das minhas melhores amigas disse exibindo uma concha cheia de sal. Sim, nós sereias ao bebermos muito sal temos o mesmo efeito de bebidas alcoólicas. Mas acalme-se, aquele sal não era o original sal marinho, pois se não todas nós viveríamos bêbadas.
— Foi mal Pérola, não estou no clima. Fica pra próxima!
Passei reto e não escondi a minha tristeza, a cena da pequena baleia sendo perfurada não saia da minha mente, queria tanto que o mundo melhor, queria fazer alguma coisa a respeito.
Cheguei até a minha colônia, pra ser mais clara o que chamam de apartamento na superfície. Uma enorme rocha submersa que perfurada por nós tornou-se moradia, não querendo me vangloriar mas uma moradia muito bonita e iluminada.
Nadei até a minha entrada que era no último andar e Luna já havia aberto a porta pra mim.
— Liana! Trouxe pra mim algo de lá de cima? Por favor diz que sim!
Ela estava tão animada e rodopiou com sua calda cor de rosa por toda a sala. Seria muito triste dizer o verdadeiro motivo do meu desânimo a procurar.
— Eu sinto muito meu golfinho cor de rosa, mas infelizmente eu não pude procurar muito, espera só passar essa época de caça... Ok?
Ela ficou chateada eu percebi, mas seus olhinhos ainda brilhavam em esperança.
— Promete que depois vai trazer algo da superfície pra mim?
Perguntou com aquele seu único jeito, esbugalhou os olhos fofos e castanhos e fez um bico do tamanho do palácio de Atlantida.
— Eu prometo!
— Promete em nome dos golfinhos felizes?
— Ei, eu já disse que prometo! Não envolva meu desenho favorito nisto.
E então eu a enchi de cócegas, até fazê-la dormir em seu quarto.
Li umas duas histórias pra ela e então seus olhos fecharam-se, levando ela para seu mundo cor de rosa, enquanto eu me afastava pude ouvir sua voz sonâmbula.
— Liana... Me conta como é a superfície?
Olhei pra ela com um semblante sorridente, mas por dentro estava chateada em contar a verdade e acabar com essa magia que ela vê lá em cima.
— A superfície é muito bonita sim, mas nessas épocas é muito perigosa, agora a sereinha vai dormir!
— Você pode me levar? Por favor, eu sempre sonho em conhecer lá em cima, e a lei permite que nós podemos ir apenas acompanhadas.
Ela havia me feito aquela pergunta absurda e é claro que eu disse não, mas não resisti aos seus pedidos. Quando eu era uma pequena sereia, sempre quis fazer varias coisas e não podia, por um momento me vi ali, e eu vivia frustrada por sempre estar lá embaixo.
— Tudo bem, mas a mamae não pode nem sonhar com isso! Está me entendendo?
— SIM SIM, EU TE AMO LIANA!
Ela esticou os braços e me abraçou, então virou ao lado e dormiu.
No outro dia fomos até a superfície, mas infelizmente, nada correu da maneira que previa.
Fale com o autor