Subentendido
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Dizem que depois da tempestade vem a calmaria, mas isso parecia algo tão utópico de se pensar para Anita. Seu castelo havia ruído, seu conto de fadas estava fadado ao fim e ela ainda não sabia direito como lidar com isso. Ela havia conseguido evitar Ben durante o final de semana, mas agora se via impossibilitada desse encontro, e uma parte dela, por mais que odiasse admitir queria encontrar os olhos verdes do seu príncipe nos seus, confirmando que aquilo era só um terrível pesadelo, mas, ela sabia, que não adiantaria negar, ela estava acordada, teria que aceitar os fatos, e talvez, desde o princípio, ela não fosse a princesa dele, a escolhida, a qual ele amava.
– Ei, que carinha é essa? – Serguei pergunta fitando a melhor amiga com preocupação enquanto entra na sala de aula, ainda com poucos alunos – Achei que tínhamos conversado sobre isso e que você iria dar a volta por cima – ele complementa, odiando ver sua melhor amiga assim. Sempre soube das intenções da Sofia, e era fato que a loira sempre teve inveja da irmã mais velha, mas nunca pensou que o Ben pudesse ser capaz de trair a Anita. Tinha um carinho de irmão pela amiga, e por mais que tivesse certeza que isso se tratava de mais uma das armações da Sofia, teve vontade de esculachar o príncipe sapo da amiga.
– Eu vou – a morena sussurra incerta, coçando os olhos sonolentos com desanimo – Só que não é fácil...
– Eu sei, mas você precisa fazer uma forcinha – o ruivo disse compreensivo, sentado em frente a amiga e tocando em sua mão. Anita se sentiu reconfortada pela presença do amigo e sem conseguir conter as lágrimas, se permitiu chorar.
– Ei – ele chamou a atenção da amiga, tocando no rosto da amiga – Eu não quero mais te ver assim, lembra do que a gente conversou ontem?
Ela acenou afirmativamente com a cabeça e sorriu para o amigo. Um sorriso triste, mas que aqueceu o coração de Serguei. Júlia, que observava a cena de longe se aproximou dos amigos e os abraçou forte. E por alguns minutos, eles conversaram sobre amenidades, coisas sem importâncias, até Ben entrar na sala. Anita observou Ben vir na sua direção, e desviou o olhar assim que seus olhos se encontraram. Ela estava péssima emocionalmente, e o rosto cansado e com olheiras abaixo dos olhos não ajudava em nada. Pode ver seus amigos lançarem um olhar cauteloso um para o outro assim que Benjamim sentou atrás dela, e torceu para que João Luiz aparecesse logo para começar a aula.
– Anita – Ben sussurrou para a ex-namorada, enquanto João Luiz entrava na sala e dava bom dia a seus alunos. Ben odiou ter se atrasado, queria ter um tempo a mais para conseguir falar com Anita, quem sabe se explicar... Não, ele refletiu consigo mesmo. O que tinha feito, não tinha explicação, ou talvez tivesse, mas parecia tão ridículo. tal possibilidade. E por Deus, nem em pensamentos ele queria pensar que realmente estava apaixonado por Sofia. A princesa plebeia era o seu amor, e mesmo que precisasse ficar longe dela, sempre seria assim – A gente precisa conversar...
Anita sentiu a respiração do ex-namorado próximo da sua e achou que não resistiria. Sabia que se encarasse os olhos do namorado por alguns segundos e ele lhe pedisse perdão, ela o desculparia... Porque ela o amava, e esse sentimento parecia ser maior que tudo, maior que o amor que ela sentia por ela própria.
– Eu não tenho mais nada para conversar com você Ben – ela respondeu, mantendo o tom baixo e frio.
– Nem se eu pedir desculpas de novo?
– Desculpas não vão livrar a sua cara.
– E se eu dizer que estou com saudades?
– Assim como tá com saudades da Sofia? – Anita indagou observando a lousa a sua frente. Ben bufou e soltou um longo suspiro. Anita tentou se concentrar no que o professor falava, mas parecia algo impossível de se fazer, com a respiração do Ben tão próxima de si.
– Podemos não falar da Sofia?
– Impossível, já que você fez questão de me trair com ela.
– Anita, eu já falei que estou arrependido, você nunca vai me perdoar não é?
– O que você queria que eu fizesse? – Anita indaga com desdém, alterando o tom de voz sem perceber – Batesse palmas e achasse bonitinho ver você me... – ela hesita e baixa o tom de voz – Traindo com a minha irmã?
– Eu sei, você tem razão, de estar magoada, mas... Olha Anita, eu só estou preocupado – Ben se justificou se aproximando ainda mais – Tá acontecendo alguma coisa que eu não sei não é?
– Eu não quero falar sobre isso com você – Anita replica tentando ignorar os olhos marejados e a imensa vontade de chorar.
– Tudo bem – Ben hesitou por um momento – Eu só quero que você saiba que eu me arrependo do eu fiz, eu sinto muito, em nenhum momento eu queria te machucar.
– Ben, Anita – João Luiz chama a atenção dos alunos, cruzando os braços na frente do corpo – Vocês podem compartilhar com a turma o que estavam discutindo com tanto afinco e emoção para o resto da turma?
– Não era nada de importante – Anita justifica-se enquanto o resto da turma murmura um “Hum” animado – Desculpa professor!
– Foi mal João Luiz, desculpa, não vai se repetir – Ben discursa se afastando da ex-namorada. Teria que aprender a esperar se queria ter a confiança da Anita novamente, e sabia, que provavelmente ela não o perdoaria pela traição, mas não conseguia suportar a ideia de deixar de falar com ela. Havia se acostumado a ter Anita como seu porto seguro, já que a garota havia se tornado sua confidente nos momentos difíceis que enfrentou assim que voltou para o Brasil. Ele sentia saudades dela em casa e estava disposto a fazer o que estivesse no seu alcance para consertar as coisas.
______________________________
Sofia jogou o cabelo para o lado, tentando ignorar um grupo de garotos do terceiro ano que a “secava” descaradamente. Estava acostumada com isso, e sabia lidar com essa situação melhor do que ninguém, mas algo a estava tirando do sério hoje. Talvez fosse o esbarrão que teve mais cedo com quem menos esperava, Ben. Eles não falaram nada, e apesar da intensidade, Ben a fitou com repulsa, antes de partir. Seus olhos frios a fitando com desprezo era uma daquelas lembranças que ela fazia questão de esquecer.
– Perderam alguma coisa aqui seus desocupados? – comentou irritada, fitando o grupo de garotos com altivez.
– Tá com a macaca hoje hein Sofia! – Flaviana observou tirando os olhos do tablete, o que ela julgou, segundos depois não ter sido uma boa ideia, uma vez que teve que ver Serguei e Anita, abraçados, mais uma vez – Impressionante como a Anita tá precisando de abraços hoje né?
– Ciúmes do cabelereiro é?
– Não, eu só estou achando demais toda essa comoção pra ela – a morena negou, tentando se desvencilhar da sua imagem puxando o cabelo e esbofeteando a Anita.
– Até que enfim, alguém que me entende – a loira falou olhando para a melhor amiga com empatia, enquanto ajeitava uma mecha do cabelo atrás da orelha – Eu não consigo entender o porquê de toda essa comoção para ela, como se ela fosse mais importante que qualquer um.
– E olha o jeito que ela está tocando nele agora, aquilo realmente é necessário? – Flaviana continua e Sofia percebe que está sendo ignorada.
A morena continua discursando sobre os dois e ver Flaviana se lamuriando por causa de ciumezinho do Serguei estava deixando Sofia entediada. Não conseguia entender o porquê da amiga em perder tempo com ele, quando ela podia conhecer algum cara da Barra, ou de qualquer outro lugar que tivesse um pouco mais de glamour do que o Grajaú. Ele era só um cabelereiro, que futuro ela teria com ele? Talvez ela estivesse se apaixonando por ele, Sofia pensou, consigo mesma, ela própria não havia se apaixonado pelo garçom psicopata de Miami, que por sinal era o mesmo cara que a sua irmã amava? Eles haviam terminado, mas, isso não era garantia de nada, uma vez que o ódio que Ben sentia por ela era inversamente proporcional ao amor que ele sentia pela princesa plebeia. Ela era a peça que sobrava e estava cansada de fazer parte desse triângulo amoroso. Ela só queria amar alguém que a valorizasse, a aceitasse do jeito que ela é, e sabia que encontraria alguém algum dia assim, ou talvez, já tivesse encontrado, ela sorriu, lembrando do moreno abusado que a chamava de magrela e havia sido o melhor amigo da sua irmã. Observou o visor do celular a procura de algum sinal de vida, algo que pudesse comprovar que sua sexta não havia sido um sonho mirabolante com um cara incrível e lindo, mas tudo que conseguia ver uma triste realidade. Matheus não havia ligado, e muito menos a procurado... Nem uma mísera mensagem, ela pensou, tentando não ficar insegura. Não era acostumada com isso e não gostava dessa sensação de impotência e fragilidade. Claro que tinha o Ben, que depois de se encantar pela princesa fazia questão de ignora-la e humilha-la sempre que podia, mas, francamente, o príncipe sapo de sua irmã não era um bom comparativo, uma vez que ela achava que no fundo ele só não queria admitir que se sentia atraído por ela. Talvez ele sentisse atração por ela e fosse apaixonado pela Anita, o que o elevaria a posição de garçom psicopata surtado a garçom psicopata surtado e tarado. Pensar nisso a fez se sentir enjoada, e o calor do Grajaú não estava ajudando em nada, assim como Flaviana, que não parava de falar sobre seu “peguete”.
– Sofia! – Flaviana deu um gritinho indignado – Sofia!
– Ai Flaviana, o que foi? – a loira indagou com azedume, fitando a amiga – Eu não to surda não!
– Não é o que parece... Eu to aqui falando a horas sobre o meu problema e você nem para me escutar, poxa, que consideração não é? – a morena retruca levantando uma das sobrancelhas.
– Problema? – Sofia ironiza fitando a amiga – Só vi você com um ciumezinho ridículo do Serguei.
– Não é ciúme, é cuidado do que é meu, ou você acha certo, o que ele tá fazendo comigo?
– Vem cá Flaviana, desde quando o Serguei é seu mesmo? – a loira continua achando engraçado a reação de sua melhor amiga.
– Desde nunca... É só uma maneira de falar!
– Pra mim isso tem é outro nome.
– Você tá viajando!
– Ah, to é?
– Acontece que ele passou o final de semana inteiro me ignorando pra ficar correndo atrás da Anita.
– Bem vinda ao meu mundo! – Sofia fala de maneira sarcástica se referindo as milhares de vezes que Ben a havia deixado para trás para ir atrás da sua irmã mais velha – Todos sempre correm atrás da Anita... Agora que você sabe como eu me sinto, vamos conversar sobre questões mais importantes, tipo, o Matheus não ter dado sinal de vida até agora?
– Achei que a ficada com o Matheus não tivesse sido importante –Flaviana fala, esquecendo-se um pouco da sua insegurança e se concentrando na melhor amiga.
– E não foi – a loira fala sem convicção, enquanto Flaviana revira os olhos, incrédula – E nem adianta me olhar assim.... Foi legal tá, se você quer saber, beijar alguém que não seja o tosco do Sidney ou o príncipe sapo apaixonado pela minha irmã, mas, eu não quero nada sério, ainda mais com o Matheus... Só que, eu não posso levar um toco dele né, não agora que a Anita e o Ben terminaram.
– Ah claro, só por causa da Anita e do Ben... Sofia, fala sério, o cara é um gato, muito mais gato que muitos príncipes sapos por aí e você só está preocupada de tomar um toco dele por causa do Ben e da Anita? – Flaviana hesita fitado a melhor amiga — Não é por nada não, mas você pode acabar machucando alguém com essa sua ideia de se vingar do Ben e da Anita.
– Ai Flaviana, até parece que o que eu to fazendo é algo tão grave assim – Sofia fala se justificando – Eu só quero me divertir um pouco, algo que você deveria fazer também.
– Eu sei me divertir, mas sem machucar as pessoas que gostam de mim.
– Ai Flaviana, tá parecendo uma versão de luxo da Anita, e tanta chatice eu não sou obrigada a suportar não.
– Não vou considerar isso um insulto porque você é a minha melhor amiga.
– Obrigada pela compreensão – a loira sorriu — Eu não vou machucar quem você tá pensando, você sabe, ele é galinha, não é como se estivéssemos tendo algo sério.
– E disso eu entendo bem – a morena concorda fitando o ruivo de longe, parecendo triste, quando as micas o cercam.
– Você deveria parar de se preocupar tanto com o Serguei.
– E se eu não quiser?
– Eu vou começar a achar que você tá apaixonada por ele – a loira retruca sem conter uma risada divertida e sarcástica.
– Talvez eu esteja mesmo – Flaviana admite, sem se sentir honrada ou feliz por isso. Sofia se sensibiliza com a situação da amiga e a abraça, pensando que a amiga, diferente dela, tinha sorte, era tão óbvio que o Serguei era doido por ela.
– Então porque não assumir isso de uma vez?
– Você sabe, ele é cabelereiro – ela respondeu, simplesmente, e Sofia entendeu o dilema da amiga.
– Flaviana, qual é, eu sei que o Serguei não é o cara ideal, mas, ele é louco por você...
– Você acha mesmo? – Flaviana pergunta incerta.
– Eu tenho certeza, e se esse idiota fizer você sofrer ele vai ter que se ver comigo – Flaviana se emociona com a declaração da amiga, e Sofia para descontrair, continua — Francamente Flaviana, tinha que ser um cabelereiro do Grajaú? – ela brinca arrancando um sorriso da melhor amiga – Não podia ser um da Barra não?
– Olha quem fala... O garçom psicopata mandou lembranças!
– Ei, ei, meu caso foi diferente... Sem falar que já é passado – a loira aponta o dedo na direção da amiga, que revira os olhos sem acreditar, e quase tem uma síncope nervosa quando observa Matheus andando na direção das duas, parecendo despreocupado e bonito demais para estar ali, em um colégio do Grajaú. Tentou controlar sua ansiedade assim que o garoto pousou o dedo nos lábios, em pedido de silêncio, parando atrás de Sofia – É sério. E quer saber, eu não estou nem aí para o Matheus também, que é outro ridículo que fica se achando, e sinceramente ele nem é tudo isso.
– Então você não sentiu nem um pouquinho de saudades do Matheus? – a morena continua, sorridente, observando Matheus. Ela ri quando ele fez gestos com a mão, algo como “Ela é louca por mim”. Sofia percebe a agitação da amiga, mas, como estava acostumada a suas maluquices, achou que deveria se tratar de mais alguma delas.
– Ah, eu não sei, sabe, ele foi só um passatempo – ela falou e vendo que a amiga não parava de fazer sinais esquisitos como se estivesse tendo um ataque nervoso ou algo do tipo, ela virou-se, e para a sua surpresa encontrou Matheus a fitando com os olhos maliciosos e um sorriso torto no rosto. Ela sentiu o sangue se esvair do seu rosto em questão de segundos, e ao mesmo tempo, o rosto esquentar. Um misto de raiva e alegria fez seu coração bater descompassado.
– Ridículo que fica se achando é? – ele fala com um sorriso nos lábios, que deixa ela nervosa, pensando da onde ele havia surgido.
– Amiga, eu vou procurar o Serguei... Foi um prazer falar com você, de novo Matheus – Flaviana falou acenando de maneira simpática. Depois, volta-se para Sofia, fazendo sinais nada discretos que indicavam que a loira devia agarrar o garoto e o beijar. Sofia pensou seriamente em matar a melhor amiga assim que saísse daquela situação, mas, o olhar de Matheus a fitando com intensidade a fez esquecer das mais cruéis e fáceis maneiras de matar uma amiga traidora.
– Vem cá, qual é a sua de ficar ouvindo a conversa dos outros? – ela rebate, ignorando a pergunta dele, ainda surpresa e com as bochechas rosadas – Sabia que isso é falta de educação?
– Mentir também é falta de educação e no entanto, você faz isso tão bem Sofia, que eu quase acreditei... Espero que eu tenha sido pelo menos um passatempo bem gostoso!
– Tá fazendo o que aqui? – ela pergunta, na defensiva, ignorando as colocações dele e não entendendo como o garoto havia entrado na sua escola na hora do intervalo. Não que uma escola do Grajaú tivesse uma segurança muito boa, mas sabia de como a Raissa era chata com essa coisa de acessos a estranhos nos intervalos de aulas.
– Vim te ver – ele estreitou os olhos, risonho – Tive que subornar o guarda, e dar uns beijinhos na diretora, mas, sabe – ele deu um suspiro cansado – Eu faria tudo de novo por você... Apesar de que, você não parece ser alguém que estava com saudades de mim não é? Talvez seja melhor eu ir embora!
– Não, eu só estou confusa... Você sumiu por, sei lá, dois dias – ela cobra, ignorando o que ele havia acabado de falar e até o seu próprio orgulho. Havia sentido saudades dele, porque negar a si mesma.
– Dois dias? – ele zombou, fazendo Sofia se irritar ainda mais.
– Acredite ou não para uma garota isso é uma eternidade.
– Eu sei, pra mim foi uma eternidade também, eu só não queria acelerar as coisas, vai que eu era só mais um passatempo para você?
– Vai ficar jogando isso na minha cara agora é?
– Só até você admitir que sentiu falta de mim... Vamos lá Sofia, não é tão difícil assim, e eu prometo que esse será o nosso segredo – ele pisca um dos olhos e joga charme, o que faz ela rir.
– Você é patético sabia?
– Um patético que você sentiu saudades?
– Talvez... – ela responde não querendo se comprometer.
– Acho que essa ainda não é a resposta mais adequada a se dar para um cara que se arriscou tanto para te ver.
– Ai meu Deus, não acredito que vou falar isso, mas, lá vai... Eu senti sua falta – ele dá um sorriso convencido e se aproxima perigosamente dos lábios da loira, que precisa de todo seu autocontrole para virar o rosto.
– Tá louco, aqui no colégio – ela rebate, em retaliação, pronta para ir embora assim que escuta o sinal tocar.
– Eu já te falei que eu subornei o guarda e dei uns beijos na diretora?
– Seu idiota – ela ri e levanta a mão em direção ao peito de Matheus, mas seu pulso é envolto no meio do caminho pela mão do moreno. Ele a puxou para perto de si, e antes de a beijar sussurra baixinho “Senti sua falta”. Ela queria realmente disser que não sentirá falta dele, mas estaria mentindo, para si mesma, e agora, que estava nos braços dele, o beijando, sem se importar com as consequências, sabia disso mais do que nunca.
___________________________________
Ben observou Anita sentada conversando com Serguei e Júlia e achou melhor não intervir no momento entre os amigos. Sabia que poderia conversar com Anita assim que chegasse em casa, e isso o tranquilizava. Pediu um suco de maracujá e enquanto esperava ficar pronto, observou Junior vindo na sua direção parecendo eufórico.
– Ei Ben, você viu o Sidney? – Junior perguntou, quase atropelando Ben. Ele estava acompanhado pelo Minhoca e mais dois garotos, que Ben não conhecia.
– Eu vi ele há poucos minutos atrás, saindo da biblioteca – Ben fala estranhando a agitação nos olhos do Junior – Tá acontecendo alguma coisa Junior? É algo com a dona Maura?
– Não é nada com a dona Maura – Junior olha para os colegas e ri – A gente só precisa comunicar que ele perdeu uma aposta aí... A gente precisa marcar aquelas aulas de parkour, o Sidney fala que você pega mulher pra caramba com essa parada aí.
– O Sidney tá por fora das coisas – Ben ironiza, achando engraçado a imagem que seu amigo de infância fazia de quem praticava parkour – Tá meio corrido para mim agora, mas assim que der um tempo eu aviso vocês, mas, já vou avisando, não chamem o Sidney, ele é muito ruim, já tentei dar umas aulas para ele.
– Bom saber... Valeu Ben, vou procurar ele!
Ben se despede dos garotos e ri quando Junior tropeça e quase se esbabaça no chão. Ainda achando engraçado, ele bebe um gole do suco e vai em direção ao pátio. Seu sorriso murcha assim que seus olhos capturam um casal se beijando no meio do pátio e ele acaba deixando o copo com suco cair no chão. Os olhos arregalados e surpresos em poucos segundos se transformam em raiva e dor ao ver Sofia beijando outro cara.
Fale com o autor