Subaquático
3 Tua mão na minha
Notas iniciais
A primeira impressão que Suga teve sobre cachorros foi que eram animais meio assustadores, com aquelas quatro patas e peludos e dentes grandes. Mas quando aquele vira-lata fofinho pulou em cima dele e o lambeu inteiro no rosto, ele percebeu que, na verdade, cachorros são coisas bem legais.
Suga também adorou a sensação da grama no pé descalço e como vários pequenos humanos brincavam em estruturas de metal montadas no parquinho.
— São crianças — Daichi o explicou. Mas aqueles mini humanos eram meio assustadores; gritavam e corriam de um lado para o outro, várias vezes brigando entre si, todos sujos e fedidos. Suga definitivamente não tinha gostado muito dessas tais de "crianças". Eu, hein.
Depois do almoço, Daichi levara Suga para dar uma volta no parque perto de sua casa. Eles brincaram com os cachorros e observaram as crianças de longe. Tomaram sorvete e tiraram um cochilo à sombra de uma das grandes árvores do parque.
— Normalmente as pessoas têm cachorros como bichos de estimação. Eles são companheiros e adoram brincar.
— Consigo ver! Eu queria um cachorrinho pra mim... Por que você não tem cachorro, Daichi?
— É muita responsabilidade. E na maior parte do tempo estou fora de casa, contigo.
Suga não consegue decidir se o que sente é positivo ou negativo, mas sorri do mesmo jeito. Daichi pega em sua mão e o guia para dentro de casa mais uma vez. Eles sentam no sofá.
— Temos tempo de ver um filme antes de irmos jantar. O que você quer assistir?
— Não sei... — Suga morde a boca enquanto pensa — Gosto muito das histórias sobre os humanos que as baleias contam. Elas sabem muitas coisas.
— Acho que deveríamos ver um filme de romance, então.
— Romance?
— É. Uma história de amor.
— Ah... — Suga quase se sobressalta ao ouvir essa palavra. Ele se sente estranho por um momento — Ok.
— Vamos ver algo engraçado. — Daichi pega o controle remoto e liga a TV, e aproxima-se de Suga — Acho que você vai gostar desse: o nome é Sorte no Amor. Espero que você goste.
Daichi coloca o filme para rodar e puxa Suga para seus braços. Eles se ajeitam confortavelmente um no outro, de mãos dadas.
O filme conta a história de uma garota muito sortuda e um cara de muita má sorte que se encontram em uma festa e acabam por "trocar" suas sortes — tudo começa a dar errado para a menina, e tudo dá certo para o rapaz. A garota tenta encontrá-lo novamente para "destrocar" as sortes, mas tem toda aquela comédia engraçadinha e aquele amor bonitinho que fazem o filme super agradável de se assistir.
Suga tinha conversado algumas vezes com as tartarugas — especialmente as mais velhas — sobre como não sabia muito bem o que fazer na frente de outras pessoas. Quer dizer, Suga passou 20 de sua vida no meio dos animais marinhos, sem nenhum contato com qualquer coisa que sequer se assemelhasse a ele. O mundo humano era um tabu para ele. Agora, está aqui, pés firmes no chão, em sociedade com seres que se parecem muito com ele, apesar de não totalmente iguais. Suga não entende direito sarcasmo, dificilmente sabe quando alguém está mentindo, e nunca experimentou sentimentos como aqueles que sente aqui, agora, sentado no sofá da casa de Daichi. Suga não sabe explicar as coisas que sente.
As tartarugas, apesar de centenárias e muito, muito sábias, não são boas nessa coisa chamada sentir. Em geral, todos os animais com quem conviveu não entendem direito essa enorme variação de sentimentos que um ser como Suga ou Daichi conseguem sentir. Talvez seja a parte meio-humana de Suga, aquela que chamava por alguém com quem pudesse compartilhar e conhecer coisas novas, explorar aquela infinidade de jeitos de sentir.
E vendo o filme, Suga sente-se um pouco confuso. Ninguém nunca lhe explicou o que era aquilo que ele via na tela. Suga imagina que deva ser um pouco daquilo que sente com seus amigos mais próximos, mas não exatamente. Suga amou antes — ele ama algas roxas, explorar cavernas, brincar com os golfinhos, colecionar conchas —, mas acha que aquilo que vê não é a mesma coisa. É maior, e parece mais intenso também. Aparenta estar fora do plano físico... É confuso. Os protagonistas se olham, mas a sensação que sai deles não é a mesma de quando Suga olha para vossa mãe, por exemplo. Talvez seja um pouco do que ele sente ao olhar para Daichi.
Olhar para Daichi é uma sensação totalmente diferente de tudo que Suga experimentou na vida. Principalmente agora, que estavam juntos, pertinho um do outro. Suga fica nervoso, mas ao mesmo tempo calmo. Quando Daichi faz alguma coisa legal, o coração bate muito rápido. E a barriga sempre dói quando Daichi se despede. A pele dele é macia, e Suga quer estar junto dele, e conversar, e rir, e nadar. E beijar. E fazer aquela coisa super gostosa na areia da praia, sem ninguém por perto.
Suga encolhe-se no braços de Daichi. Seu rosto pega fogo.
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Daichi olha para as duas figuras no espelho. Ele e Suga estão de bermuda jeans, camisetas mais ou menos arrumadinhas, e tênis. Suga olha para baixo, confuso.
— Odiei essas coisas — ele ergue um dos pés — É apertado. Não posso ir descalço?
— É melhor não andar pela cidade descalço, você pode acabar se machucando.
Suga faz uma careta de descontentamento e ergue o olhar para o reflexo de Daichi. Eles se olham novamente — Daichi, um pouco mais alto; Suga, com as roupas um pouco largas e odiando a ideia de um negócio nos pés, com o cabelo mais comprido do que normalmente gostava. Daichi sorri, Suga responde.
— Aonde vamos?
— Você vê quando chegarmos lá.
— É legal? Você disse que ia me levar num lugar legal.
— É legal, prometo.
Eles saem de casa e caminham pela orla da praia. Apesar de já ser hora do jantar, o sol ainda está se pondo. A areia da praia reflete a luz alaranjada nas pessoas que ainda curtem o resto do verão. O vento morno sopra do mar, trazendo o cheiro de água salgada. Passarinhos cantam nas árvores e as pessoas riem. Suga está surpreso em ver como as coisas são bonitas do lado de fora.
Daichi o leva até um lugarzinho simpático no topo de uma colina, de frente para a praia. É todo de madeira, com um deque grande e espaçoso cheio de mesinhas. O lugar começava a ficar cheio. É um ponto famoso da cidade. Suga sorri ao ver tantas pessoas juntas e ao sentir cheiros diferentes e gostosos.
— Gostou?
— Gostei. — Suga dá um enorme sorriso para Daichi, ainda olhando ao redor — O que tem de comida?
— É uma hamburgueria. Servem hambúrgueres.
— O que é isso?
— Você vai ver.
Daichi e Suga sentam na mesa na ponta do deque. Um garçom chega com os cardápios e Daichi pede um milkshake para ambos.
— Você não come carne, né?
— Ah. — Suga encolhe os ombros — Eu já provei e é bom... Mas a ideia de comer outro ser vivo me parece meio estranha... Sabe, eu vivo com eles e tal. De vez em quando são meus amigos.
Daichi solta uma risada.
— Vamos comer o vegetariano, então.
Daichi apoia o rosto na mão e deixa o olhar vagar no rosto de Suga, que olha curiosamente para as pessoas das mesas do lado, de boca meio aberta, tentando absorver tudo o que consegue desse mundo que não conhece. O cabelo prateado de Suga reflete a luz quente do sol, e a pele dele brilha sutilmente. Daichi consegue ver a marca das guelras agora fechadas, logo abaixo das orelhas, como linhas finas vermelhas na pele dourada de sol. Suga diz que gosta de ter o cabelo mais curto para poder nadar sem ser atrapalhado, mas ele definitivamente fica bem com o cabelo levemente mais comprido, um pouco acima dos ombros.
— T-Tá olhando o quê? — Suga fica envergonhado quando percebe que Daichi o olhava fixamente. Ele desvia o olhar e sorri de leve.
Daichi senta na beiradinha da cadeira e coloca uma mão gentilmente na nuca de Suga, puxando-o e beijando-o delicadamente. Daichi volta ao lugar com o rosto completamente vermelho, e eles riem.
Suga adorou esse negócio chamado hambúrguer. A explosão de sabores diferentes é estupenda, e o cheiro é tão bom. A textura é totalmente diferente do que ele normalmente come — algas, no caso —, e é muito gostoso. Suga tomou quase todo o milkshake sozinho e talvez tenha passado um pouco mal de ter comido rápido demais, mas valeu a pena.
— Então isso é um encontro? — Suga diz, segurando na mão de Daichi enquanto eles caminham pela orla. O sol já encosta na linha do horizonte, e começa a ficar um pouco mais fresco. As gaivotas voam e gritam perto de algumas pedras, ciscando pequenos animais — Estou gostando. É divertido.
— Poxa, que bom que você tá gostando — Daichi ri de nervoso. Eles sentam na muretinha para ver o sol se pôr — Eu tô muito feliz de você estar aqui — diz baixinho, corando. O coração de Suga dispara como se ele tivesse apostado uma corrida com os peixe-espada. Daichi aproxima-se e aperta seus dedos — Que foi?
Suga abre a boca para falar, mas não sabe muito bem o que dizer. O clima entre eles muda um pouco; ambos estão meio constrangidos, tentando manter o olhar firme um no outro.
— Posso perguntar uma coisa...?
— Pergunte — as orelhas de Daichi queimam.
— Qual a diferença daquele amor do filme pro amor normal?
— Ah, nossa... — Daichi suspira e morde o interior da boca, tentando pensar no que falar.
— Porque... Porque eu amo meus amigos, eu amo nadar, eu amo cuidar dos peixinhos bebês... Mas eu acho que esse não é o tipo que eu sinto, sabe, por você...
— E como é?
— É uma coisa grande, abstrata. N-Não sei dizer... Eu fico nervoso, e meu coração bate rápido, e meu peito dói um pouco... E eu quero ficar contigo, passar tempo contigo, eu quero te tocar e te beijar... É confuso.
— Você se sente assim? — Daichi pergunta, abaixando os olhos para as mãos dos dois.
— ...Sim — Suga abaixa um pouco a cabeça para tentar olhar nos olhos de Daichi — Por quê?
— P-Porque eu sinto exatamente a mesma coisa...
Suga sente uma pressão estranha sair de seu peito, e ele respira fundo, tremendo levemente.
— E-E isso é aquele amor do filme?
— Acho que sim...
Daichi arrasta-se um pouco mais pra perto de Suga e apoia o rosto quente no ombro dele. Suga sobe a mão para o cabelo dele e esconde o rosto também. Daichi respira alto, completamente envergonhado e vermelho. Eles ficam alguns minutos em silêncio, abraçados um no outro. Daichi fecha os olhos e sorri para si mesmo. Suga encosta o nariz e os lábios no pescoço de Daichi, inalando o cheiro suave de sabonete; e se sente, pela primeira vez desde que consegue se lembrar, completo.
— Nossa... — Suga até ri um pouquinho — Que sensação de... De...
— De alívio? Porque eu tô totalmente aliviado.
Eles riem juntos.
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Suga aperta seus lábios entre o indicador e o polegar, observando Daichi do outro lado da casa colocando roupas para lavar e limpando brevemente o fogão. O sol já havia se posto, mas a luminosidade do céu, em tons bonitos e suaves, ainda iluminava o suficiente. Suga, sentado no sofá, balança as pernas impacientemente. Ainda estava com aquela sensação quentinha no peito e ele se policiava para não ficar sorrindo feito bobo toda hora.
Daichi guarda o produto de limpeza no armarinho debaixo da pia e vira-se para Suga, apoiando as costas no balcão e com as mãos na cintura.
— E aí, quer fazer o quê?
Suga se ajeita no sofá e coloca o cabelo para trás da orelha.
— Me beija?
Daichi solta uma risadinha e se move na direção do sofá.
— Claro que beijo.
Suga afasta-se um pouco para dar lugar a Daichi. Ele senta, puxando as pernas de Suga para mais perto de si. Os dois se olham, pertinho um do outro, encostando levemente os lábios.
— Esse foi o melhor encontro que eu já fui.
— Foi o único encontro que você já foi.
Suga beija o sorriso de Daichi, segurando o rosto dele com a mão. Descendo os olhos para a boca dele, Suga passa o polegar gentilmente entre os lábios rosados. Daichi vê de pertinho as sardas no nariz de Suga e a pinta perto do olho, e como os cílios dele são grandes e claros. Daichi pega os dedos de Suga e os segura em sua bochecha, beijando a boca dele com a sua.
Suga inclina a cabeça levemente, lambendo os lábios de Daichi. As duas línguas se encontram, tocando-se devagar e cuidadosamente por minutos e minutos afim. Eles se afastam, os lábios mal se tocando, e se beijam de novo, com mãos no cabelo e no rosto e no pescoço, toques suaves, como um carinho.
Daichi sobe a mão por dentro da camiseta de Suga, tocando a pele macia e quente de suas costas, seguindo a linha de sua coluna até os músculos dos ombros, arrepiando-o de leve. Suga afasta-se brevemente e tira a camiseta, aliviado por finalmente se livrar daquilo. Daichi também tira a que usa — honestamente, era estranho eles estarem vestidos. Suga sobe as pontas dos dedos pelo peito de Daichi, beijando-o devagar, passando pela clavícula e pelos ombros bronzeados, parando na nuca, encaixando os dedos nas mechas de cabelo preto. Daichi o envolve com os braços, pele na pele, lábios nos lábios. Suga era sempre tão quente...
Quando eles abrem os olhos — os rostos ainda próximos —, já está totalmente escuro. O sol tinha se posto e a casa estava nas sombras, mas eles ainda conseguiam ver o castanho nos olhos um do outro.
— Acho que esse foi o beijo mais gostoso que alguém já me deu... — a voz de Daichi é até meio falha, e Suga concorda levemente com a cabeça — Suga...
Suga ergue o olhar dos lábios de Daichi para seus olhos, as pálpebras meio caídas, a boca um tanto aberta.
— Eu amo você.
— Eu amo você, Daichi.
Daichi junta a boca na de Suga de novo, dessa vez com um pouco mais de paixão. Ele segura firme na nuca do outro; o sangue ferve nas veias e o calor sobe pelas costas. Sem se separar, Suga sobe para o colo de Daichi, pernas ao redor de seu quadril, e afunda a boca na dele até perder o fôlego.
Daichi beija o pescoço de Suga enquanto ele retoma o ar. Os lábios úmidos passeiam sobre o lugar onde ficariam as guelras e Suga se arrepia inteiro, soltando um gemido do fundo da garganta. Ele sente a barriga ficar quente e alguma coisa estranha acontecendo debaixo de seu shorts. Suga volta a beijar a boca de Daichi e segura suas bochechas com firmeza. Daichi desabotoa o shorts de Suga e segura na parte da frente de sua cueca.
— Meu Netuno — Suga suspira, murmurando — Que sensação estranha...
— O quê? Seu pinto pra fora ou a gente se pegando sem estar na água?
— Os dois.
Eles se beijam ainda rindo.
— Suga, tem uma coisa que eu quero fazer.
— Me fala.
— Levanta. Vamos pro meu quarto.
— Não pode ser aqui?
— Bom... — Daichi tira Suga de cima de si e o coloca no sofá — Até pode, mas é meio apertado. Minha cama é maior.
Oh... Daichi estava convidando-o para ir para a cama dele... "Heh. Ele quer fazer aquilo... Eu como humano e tudo". O coração de Suga até dá um pulinho. Daichi tenta manter uma cara casual, mas Suga sabe que ele está fingindo. De repente, a ideia parece muito, muito boa.
— Ok.
Daichi levanta e pega Suga pela mão. Eles passam pela cozinha e entram na primeira porta do corredor.
O quarto de Daichi não tem nada demais. Tem a cama no centro, uma mesinha com alguns livros e um computador, um armário e alguns pôsteres na parede. Na mesinha de cabeceira tem um abajur, um despertador, um chaveiro e uma caixinha de música. Mesmo sendo tão simples, Suga fica meio nervoso. Daichi já estivera várias vezes em seu barco, e agora ele estava aqui. Suga sempre se perguntou como seria o lugar que Daichi vive. Parece que teve sua resposta.
Ele coloca Suga sentado na beirada da cama e ajoelha no chão entre as pernas dele, puxando a bermuda até os calcanhares. Suga não entende muito bem o que está acontecendo, mas gosta e até sente as pontas das orelhas queimando.
— O quê... — Suga franze a testa quando Daichi tira sua cueca — O que você tá fazendo?
Suga suspira com a sensação gostosa de Daichi colocando seu pinto na boca e esfregando a língua nele. Ele se arrepia por inteiro e tenta falar, mas só gagueja. Daichi passa as mãos por suas pernas e segura em seu quadril, e Suga solta um barulhinho de prazer. Ele é gentilmente empurrado e cai de costas no colchão, olhando o teto enquanto tenta se concentrar ao máximo nas novas sensações que sente.
O quarto está escuro, exceto pela luz da cozinha que entra pela porta semi aberta, criando uma faixa de luz na parede oposta à porta. Suga tenta focar nela e nela somente. Suas mãos tremem segurando os ombros de Daichi.
— Por que você tá tão quieto? — Daichi pergunta baixinho.
— E-E se... Alguém ouvir... — Suga tropeça nas palavras e quase engasga na própria saliva.
— Não tem ninguém em casa, só a gente. Ninguém vai ouvir.
— Ah, meu Netuno do mar...
Suga aperta os ombros de Daichi novamente, abrindo a boca e gemendo gostoso bem alto e claro. A boca de Daichi faz maravilhas lá embaixo, e Suga só consegue focar no quente que cresce em sua barriga e se espalha por suas pernas. Ele chama o nome do outro com a voz trêmula.
Daichi senta ao lado de Suga e se debruça sobre ele, olhando-o de perto.
— Me beija.
Ainda com a respiração meio falhada, Suga passa uma mão por trás do pescoço de Daichi e o puxa para baixo, juntando a boca na dele desajeitadamente. Eles se amassam um no outro, pele na pele, beijos e apertões.
— Posso tentar aquilo? — Suga pergunta. Daichi ergue as sobrancelhas em surpresa, o coração disparado no peito — Não deve ser muito difícil...
Suga está com o rosto vermelho e as pontas do cabelo grudadas na testa por causa do suor. Apesar de humano, ele continuava muito quente. Daichi morde o lábio brevemente e balança a cabeça, voltando a sentar no colchão.
— Deita.
Daichi encosta a cabeça nos travesseiros e vê Suga se ajeitando no meio de suas pernas. Uma gota de suor escorre pelo seu pescoço.
— Apoie-se nos seus joelhos — Daichi orienta, tentando manter um tom uniforme na voz — E cuidado com os dentes...
Suga lambe os lábios e Daichi respira fundo, soltando o ar vagarosamente quando Suga começa a chupá-lo. Ele fecha os olhos e se rende à sensação gostosa, passando os dedos pelas mechas do topo da cabeça de Suga, puxando-as ocasionalmente, e soltando gemidos roucos que preenchem o quarto todo. Sua respiração acelera e a barriga formiga, e Suga parece estar gostando tanto quanto ele. Ele chama Suga baixinho, dizendo que já está bom.
Daichi segura-o pelos braços e o deita em cima de si, abraçando-o e beijando-o apaixonadamente. Suga segura o rosto de Daichi com uma das mãos enquanto junta o quadril dele com o seu, movimentando-se devagar. Os dois se separam, gemendo um nos lábios do outro, os olhos semicerrados.
— M-Mas como a gente vai fazer isso...? — Suga ergue-se brevemente — Não tem água...
Daichi ergue-se também e se estica na direção da mesinha de cabeceira, e de lá abre a gaveta e puxa um tubinho transparente. Ele senta e espreme o tubinho, e esfrega o gel transparente no pinto de Suga, que não entende muita coisa, mas deixa-se levar.
— Ok, chega de brincar. Vamos logo — a impaciência era evidente na voz de Daichi, e Suga se diverte com aquilo.
Suga empurra Daichi de volta para o meio dos travesseiros e beija-lhe o pescoço ardentemente, arrancando suspiros do outro. Daichi aperta os ombros de Suga e lança a cabeça para trás, gemendo alto quando Suga realmente para de brincar.
Tem alguma coisa diferente e um tanto especial em eles estarem fazendo isso na casa de Daichi, e não em uma caverna ou na praia. Não há risco de serem pegos, eles não estão na água ou perto dela, o ar não cheira a sal, e eles estão confortáveis numa cama. Não tem ninguém por perto. Daichi e Suga estão completamente sozinhos pela primeira vez.
Daichi levou Suga para passear pela cidade. Eles andaram de metrô, comeram comidas gostosas, foram ao pequeno zoológico da cidade e no jardim botânico, e se divertiram no fliperama. Nesse final de tarde, estão sentados na areia da praia, observando os surfistas pegarem ondas e algumas pessoas tirando fotos.
— O que eu quero dizer é: as arraias são muito imprevisíveis, é verdade, mas as enguias são bem mal-humoradas. Principalmente as mais velhas. As bebês são de boa, gostam de abraços e carinho. Todo ano tem aquela migração em massa das arraias para o sul, mas nunca me deixaram ir...
— Ah, sim. Eu vejo na televisão. É bem bonito.
— Sim. Elas vão e levam suas oferendas para o lugar sagrado delas. Não me pergunte, não sei o que é nem onde fica. Não me contam muita coisa.
— Que saco.
— Nem me diga.
Suga apoia o queixo na mão e olha para o mar. As ondas quebram com força ao fundo, mas chegam ao raso como leves ondulações na água. Seus amigos peixes devem estar preocupados, ele pensa. Disse que voltaria logo, mas mesmo assim... Nunca tinha saído do mar antes...
— Tá com saudades? — Daichi pergunta, encostando o braço no dele.
— Hm... — Suga lambe os lábios — Um pouco. Não consigo me mover tão rápido quanto debaixo da água.
— Isso é verdade.
— Mas estou feliz de estar aqui contigo.
Suga sorri, e Daichi sorri também.
— Também estou feliz.
Daichi continua sorrindo, olhando para frente. Suga passa os olhos nas linhas do rosto de Daichi, tentando tatuar na memória essa lembrança. Daichi ergue uma mão e acena para alguém. Suga vira o rosto.
— Oi, Daichi!
— Tudo bem, Yumi?
Suga está olhando para uma pessoa muito, muito bonita. As pernas dela são longas, e têm curvas que ele nunca vira. Está usando também algum tipo de cueca, mas muito menor. Suga vai subindo os olhos boquiaberto. Daichi não tem uma cintura tão fina, nem o peito tão grande. Por algum motivo ele sai do corpo e está apoiado em um pedaço de tecido... Há uma prancha de surf debaixo de um dos braços. O cabelo é longo e está grudado nos ombros, e a água do mar escorre corpo abaixo. O rosto é arredondado, com linhas suaves. Os lábios são mais cheios e os olhos são maiores.
Suga não consegue parar de olhar o rosto da pessoa. É bonito. Ele só se dá conta do que está fazendo quando vê os grandes olhos azuis nos seus, e seu coração dá um salto.
— Oi! Prazer, sou a Yumi! — a voz é mais fina e harmoniosa do que ele está acostumado. A pessoa estica uma mão na direção dele, mas Suga sequer consegue respirar direito.
— Esse é o Suga. É um amigo de outra cidade — ele ouve Daichi dizer, e sente uma pontada nas costelas. Ele olha rapidamente para Daichi, que olha para a mão esticada, e se dá conta de que deve responder ao cumprimento.
— O-Oi...
A mão molhada aperta a de Suga amigavelmente. A boca fica seca.
Daichi diz mais alguma coisa e logo mais a pessoa está indo embora. Suga vira para trás, olhando por cima do ombro. É bonito. Ele sente um toque na mão e vira, encontrando os olhos com os de Daichi.
— Ahn... O que foi isso? — Daichi pergunta, as duas sobrancelhas erguidas — Suga, não é educado encarar as mulheres desse jeito.
— Mulheres?
Daichi franze as sobrancelhas.
— Sim...
O rosto de Suga pega fogo e o coração dispara.
— Eu não sabia... Que... N-Nossa, eu...
— ...Você nunca viu uma mulher antes? — Daichi pergunta cuidadosamente, com certo medo de ouvir a resposta.
— Bom... Já... Vi no parque, e quando fomos comer, mas... Mas não assim. E nem tão perto...
— Calma aí, você está dizendo que aqui fora foi a primeira vez que você viu uma mulher na vida?
Suga respira fundo e esfrega as mãos.
— Daichi, você foi o primeiro e único ser humano com quem eu tive contato na minha vida. Eu não sabia... Bom, óbvio que todas as espécies têm diferenças físicas entre macho e fêmea... Mas não, eu nunca tinha visto uma mulher. Pelo menos não desse jeito... P-Por que ela estava p-pelada?
Daichi tem um riso divertido na boca, vendo Suga todo constrangido.
— Ela não estava pelada. Estava usando biquíni.
— E-E...? — Suga coloca as mãos sobre seu peito e simula um volume.
Daichi dá uma gargalhada.
— Suga, mulheres têm peitos. Você sabe, que nem todos os mamíferos. Baleias têm, golfinhos têm...
— Mas não assim! E só ficam grandes quando elas estão amamentando... Aquela mulher tem um bebê?
— Não. As mulheres têm peito grande a vida toda, menos quando crianças. Coisa da evolução e tal.
— Ah...
— Pelo visto você gostou das diferenças físicas entre macho e fêmea na minha espécie — Daichi o provoca, uma sobrancelha levantada e um sorriso de canto na boca.
— É bonito... — ele diz baixinho, afundando a cabeça entre os ombros.
— É mesmo.
Daichi percebe que Suga está agarrando a frente do shorts e cai na risada, rolando pela areia.
— Não tem graça, isso é constrangedor. Odeio essa coisa. Vocês realmente precisam de um bolso interno pra colocar isso ou sei lá. Não é legal.
Daichi puxa Suga para baixo e beija a boca dele, ainda rindo. Ele o olha apaixonadamente.
— Suga, eu me divirto muito com você... — o coração de Suga dispara de novo e ela sua na nuca — Deixa eu te levar em outro encontro?
— D-Deixo...
Nenhum corpo de mulher é mais bonito que o sorriso apaixonado de Daichi.
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