Sub-Man, o Vingador

5 Capítulos 8 e 9


Capítulo 8

Agora nós mergulharemos num “flash-back” para entender melhor a história do doutor Gary Colt...

Janeiro de 1995. Metro City era uma cidade pequena e sem importância, pois a Biocom era apenas uma pequena rede de farmácias. Porém, William Werner já investia em tecnologias avançadas, junto com um de seus maiores parceiros: o doutor Gary Colt.

Os dois, além de parceiros, eram grandes amigos. Haviam estudado juntos em Harvard e eram considerados dois crânios. Dividiam tudo: o mesmo apartamento, os mesmos livros, o mesmo computador e o amor pela mesma mulher, Dora Albertson. Apesar de já ter tido um caso com a mãe de Blenda Baker, Colt amava Dora com todas as forças.

Dora era uma bela mulher, que trabalhava numa das primeiras filiais da Biocom fora de Metro City como pesquisadora. Ela era o único motivo das raras brigas entre William e Gary.

Apesar de esconder tal coisa, Dora sempre amara Gary Colt, mas este último nem suspeitava dos verdadeiros sentimentos da pesquisadora.

Um dia, William pediu Dora em casamento e esta, como já era de se esperar, recusou. Enfurecido devido à rejeição, o dono da Biocom pressionou a pesquisadora até que ela revelasse quem realmente amava.

Na época, Colt trabalhava sem descanso, tentando provocar mutações em DNA’s de macacos e ratos. Os resultados foram expressivos, apesar de um tanto bizarros. Gary, então, projetou uma grande máquina, que, em pouco tempo, poderia transformar qualquer ser vivo num mutante em potencial. Essa invenção foi batizada como “Máquina”.

William, logo que soube que o alvo do amor de Dora era Gary, demitiu os dois da Biocom. Todas as descobertas de Colt sobre mutações de DNA foram levadas com ele para uma pequena ilha do Pacífico, onde ele continuou suas pesquisas secretamente. Os planos da “Máquina” foram guardados por Colt num cofre em sua antiga casa no Estado do Alabama, e, após cerca de doze anos, eles foram encontrados por dois homens a mando de Werner.

Em 1999, o doutor Mário Petroni, atual Doutor Toxinian, grande amigo de Colt, foi visitá-lo em sua ilha, onde teve contato com as descobertas do ex-parceiro de Werner sobre mutações de DNA. Petroni, então, descobriu como transformar seres vivos em mutantes sem o uso da “Máquina”, criando “genes rebeldes” em laboratório. Segundo Petroni, esses “genes rebeldes” interfeririam na estrutura genética do organismo iniciando um processo de substituição de genes, até que o ser se transformasse num mutante, que poderia ser o cruzamento de um homem com um animal.

Werner transformou a Biocom numa das maiores empresas dos Estados Unidos, sem dar nenhum mérito à ajuda de Colt. Este último permaneceu na ilhota do Pacífico até 2007, quando o grande amigo Petroni pediu que viesse para a América, sem apresentar motivos claros. O ex-parceiro de Werner veio, e o resto vocês já sabem.

Voltando ao tempo atual, na manhã seguinte, Josh Remington acordou bem cedo. Como sempre, o que o despertara foram as batidas de Ana na porta do apartamento.

– Bom dia, Ana – saudou Josh, atendendo à porta. – Quais são as novas?

– O misterioso super-herói ataca novamente, e agora ele tem nome: Sub-Man! – disse Ana, entregando um jornal a Josh, que tinha como manchete a proeza realizada por Sub-Man na noite anterior.

– Esse cara é demais! – disse o ex-tenente da polícia, sorrindo cinicamente.

– Não é coincidência demais o personagem de sua história em quadrinhos ter o mesmo nome e a mesma descrição do herói?

– Quer almoçar comigo hoje? Posso explicar tudo!

– Eu adoraria – respondeu Ana, sorrindo. – Em qual restaurante?

– Que tal no “Casa Metrostate”, na rua principal?

– É o meu restaurante favorito! Pode ser ao meio-dia?

– Claro.

– Ótimo. Ah, já ia me esquecendo... Leve sua história em quadrinhos. Quero terminar de lê-la.

– OK. Ao meio-dia!

– Até logo!

Sorrindo, Ana Newton distanciou-se. Josh, fechando a porta do apartamento, lembrou-se do convite do estranho cow-boy, que, na cidade, estava sendo chamado de Jack Red Kid. Esse estranho personagem já havia assaltado cinco pessoas e, segundo as vítimas, chegava e partia numa motocicleta.

Sentando-se numa das poltronas do apartamento para folhear o jornal, Josh surpreendeu-se ao ler a notícia que se encontrava, em letras vermelhas, ao lado da manchete sobre o Sub-Man: William Werner, dono da Biocom, havia sido encontrado morto em seu escritório, preso a uma enorme teia de aranha numa das paredes, com uma estranha substância roxa escorrendo de sua boca, mais tarde identificada como um estranho veneno aracnídeo. Uma mulher que supostamente trabalhava para a Medicom, empresa farmacêutica rival da Biocom, era a principal suspeita do crime. O dono da Medicom, sediada em Chicago, disse não necessitar de assassinos para superar uma empresa rival.

Naquele exato momento, no prédio da Biocom, vários policiais encontravam-se no escritório de Werner, recolhendo provas e evidências.

– Este é o assassinato mais estranho que já vi em toda a minha vida – disse o chefe de polícia Farfield. – Como aquela mulher pôde fazer isso tudo em tão pouco tempo?

– Vários acontecimentos bizarros estão ocorrendo na cidade – disse um policial. – O senhor soube que aquele estranho herói salvou uma jovem e que, segundo ela, ele se chama “Sub-Man” e tem um coração de ouro?

– Tudo isso é uma grande balela! Não acredito em super-heróis!

– Mas eu sim! – disse um homem de terno e óculos escuros, entrando no escritório.

– Quem é você? – perguntou o chefe de polícia.

– Sou Ernest Adams, FBI – respondeu o homem, mostrando seu distintivo. – Estou aqui para investigar o assassinato de William Werner.

– Eu não chamei ninguém do FBI!

– Mas me mandaram, e aposto que o senhor não entrará no meu caminho!

– Quem pensa que é?

– Posso me tornar seu pior pesadelo!

– Fiquem calmos! – interferiu o policial que conversava com Farfield. – Se o FBI mandou alguém, isso quer dizer que teremos apoio nesta investigação.

– Apoio? – perguntou Jeremias, em tom irônico. – Eles se apoderam das provas e não nos revelam nada, ficando com todo o mérito!

– O senhor se lembra daquele franco-atirador que aterrorizou a região de Washington há cerca de cinco anos?

– Perfeitamente.

– Eu o capturei sozinho, se quer saber!

– Eu acredito...

– Há um carro do FBI parado aí na frente! – informou um policial, entrando no escritório.

– Nós já sabemos – respondeu Jeremias. – Isto virou o “Arquivo X”.

Adams começou a recolher evidências, sob o olhar raivoso de Jeremias, que se retirou pouco depois.

Na hora do almoço, exatamente ao meio-dia, Josh e Ana se encontraram no “Casa Metrostate”, na rua principal.

– Espero que esteja com muita fome – disse Ana. – Vai ter que comer muito até responder todas as minhas perguntas.

– Por favor, não seja tão cruel! – riu Josh, sentando-se com Ana numa das mesas que ficavam na calçada de frente para o restaurante.

– Como me explica o fato do nome de seu personagem ser o mesmo desse estranho herói?

– É uma longa história...

– Temos muito tempo, não?

Um garçom se aproximou da mesa e os dois fizeram o mesmo pedido. Ana perguntou:

– E então?

– É que eu e Sub-Man somos amigos...

– Sério?

– Sim. Ele pediu que eu fizesse histórias em quadrinhos sobre suas aventuras.

– Qual é a verdadeira identidade dele?

– Isso eu não posso revelar. Ele combate o crime há muito tempo, mas, até estes últimos dias, permaneceu anônimo.

– Você pode me ajudar?

– Como?

– Marque uma entrevista entre ele e eu. Seria um sucesso...

– Vou fazer o que puder!

– Trouxe sua história em quadrinhos?

– Sim, está aqui – respondeu Josh, entregando a história à jornalista. – Vai terminar de lê-la?

– Sim, e depois conversarei com um amigo meu que trabalha na Metro Press. Ele poderia ajudá-lo a até, quem sabe, publicar suas histórias!

– Muito obrigado, Ana. Você é demais!

– Obrigada.

Nesse momento, cinco motos, pilotadas por homens em trajes de cow-boy, passaram pela rua em alta velocidade, perseguidas por duas viaturas da polícia.

Uma das motos, pilotada por um cow-boy vestido de uma forma um pouco diferente dos outros, seguia na frente das outras potentes máquinas. As viaturas, em alta velocidade, seguiam no encalço dos prováveis bandidos.

– Duas viaturas no encalço de arruaceiros na rua principal com a McDonald – informou um dos policiais na perseguição pelo rádio de sua viatura. – Necessitamos de reforços!

– Entendido – respondeu a central. – Cinco viaturas a caminho.

Nisso, a moto que liderava as outras plantou uma espécie de mina no asfalto, fazendo com que uma das viaturas perseguidoras explodisse em chamas.

– Quem são esses caras? – perguntou Josh se levantando da mesa, vendo o que ocorrera.

– São bandidos – respondeu um homem que passava. – O líder deles é aquele tal de Jack Red Kid.

– Eu tenho que ir! – exclamou Josh, correndo na direção de um beco.

– Josh, espere! Ainda não comeu a sobremesa! – exclamou Ana.

– Vejo você mais tarde!

Josh já viera precavido e, entrando no beco, trocou de roupa e se transformou no Sub-Man.

Correndo o máximo possível, “Sub” seguiu na direção do fim da rua principal, onde ficava o Banco Metrostate, provável alvo dos bandidos.

A perseguição continuava na rua principal. Os reforços chegaram e fizeram um bloqueio, fechando o caminho. Mesmo assim, as motos não diminuíram a velocidade.

Um dos policiais que fazia parte do bloqueio, com uma espingarda calibre 12, atirou contra a moto do líder dos bandidos, ou seja, Jack Red Kid, quebrando o farol da Windbreaker 8000.

– Estão usando armas, é? – exclamou o cow-boy. – Vou responder à altura.

Apertando um botão, Jack ativou duas metralhadoras, que surgiram à direita e à esquerda do farol quebrado da moto. Apertando um outro botão, Jack abriu fogo com as metralhadoras, fazendo duas viaturas do bloqueio explodirem. As cinco motos, então, voaram sobre as viaturas policiais através de uma rampa que fora formada com a explosão dos dois veículos. O carro perseguidor, então, foi obrigado a parar.

As cinco motos pararam na frente do Banco Metrostate, como “Sub” previra. Jack Red Kid entrou no banco, seguido pelos outros quatro cow-boys, que estavam mascarados.

– Isto é um assalto! – exclamou o cow-boy, apontando seu revólver. – Passem a grana!

Os outros cow-boys, armados com metralhadoras, renderam os funcionários e clientes. Depois, começaram a pegar o dinheiro, que era entregue pelos apavorados trabalhadores do banco. Jack Red Kid supervisionava tudo, rindo.

Nesse momento, Sub-Man entra no banco, apontando sua pistola calibre 45.

– Rendam-se, bandidos! – exclama “Sub”. – Vocês padecerão sob o peso da Lei!

– Sub-Man! – exclamou Jack, rindo. – Que bela surpresa! Vejo que seguiu minhas pistas perfeitamente!

– Larguem as armas, já!

– Ora, Sub-Man, por que assim, tão cedo? A festa só está começando...

O cow-boy, então, com um belo tiro, arrancou a pistola das mãos de Sub. A arma deslizou até os pés de um dos capangas de Jack, que a apanhou.

– E agora, que está sem armas, caro Sub-Man? – perguntou Jack. – O que pensa que vai fazer?

– Isto! – respondeu Sub, dando uma voadora no cow-boy.

Jack Red Kid recuou, cambaleando para trás.

– OK! – exclamou o cow-boy, recuperando-se. – Vamos lutar sem armas!

“Sub” investiu com um soco, errando. Jack, então, chutou o adversário, que voou contra uma parede.

– E você se acha um super-herói... – murmurou Jack, distanciando-se de costas para Sub-Man.

– Sim, eu me acho, desgraçado!

“Sub” chutou as costas do cow-boy, que voou contra uma outra parede, desmaiando. Os capangas partiram para cima de Sub-Man. O primeiro foi pego pelo braço e jogado sobre Jack. O segundo voou pela porta até a rua. O terceiro desmaiou ali mesmo e o quarto foi arremessado sobre uma mesa.

– Alguém quer mais? – perguntou Sub, recuperando sua arma.

– Obrigado, Sub-Man! – agradeceu um dos funcionários.

– Não foi nada! Se precisar de ajuda, me chame!

Sub-Man saiu do banco rapidamente, com ar de triunfo, enquanto a polícia chegava para prender os criminosos...

Capítulo 9

Que destino aguardará Blenda Baker?

Na manhã seguinte, a manchete era a mesma em todos os jornais: “Sub-Man impede assalto ao Banco Metrostate. Os suspeitos encontrados no local foram presos, incluindo o misterioso cow-boy motoqueiro”.

Metro City era uma cidade cortada por dois rios: o Greenshore e o Silver. Numa das margens deste segundo, na área monumental da cidade, mais precisamente perto do Metrostate Park, havia um farol abandonado, tombado como patrimônio histórico.

Os habitantes da cidade mal sabiam que, debaixo do farol, tinha início uma longa rede de túneis subterrâneos que interligava pontos-chave da cidade, como a prefeitura e a delegacia de polícia.

Esses túneis terminavam numa imensa caverna subterrânea situada abaixo do centro da cidade. Ali estava localizado o laboratório secreto do Doutor Toxinian.

Blenda Baker, após passar por uma série de exames, dormia numa espécie de cela. Colt e Toxinian a observavam.

– É graciosa, sem dúvida – afirmou o cientista mutante. – A ama mais do que qualquer coisa, não?

– Sim. Ela é tudo o que tenho.

– Entendo...

– Entende? Você nunca teve ninguém!

– Aí que você se engana!

Colt retirou-se, enquanto o mutante observava Blenda com olhos ambiciosos.

De fato, Mário Petroni já havia tido alguém. O cientista nascera na Sicília, Itália, onde, jovem, conheceu uma tal de Glória Balganha, por quem se apaixonara. A jovem lhe desprezava, mas, mesmo assim, Petroni não desistia de tentar conquistá-la.

Um dia, ele soube que ela se mudara para a América e então, deixando a família na Itália, partiu para os Estados Unidos em busca de Glória. Nos anos seguintes, formou-se em medicina e biologia e tornou-se um dos fundadores da Biocom. Porém, nunca encontrou Glória, e um forte sentimento de angústia contribuía para um mau-humor constante. Nunca mais se apaixonara e havia um grande vazio em seu coração...

Após o acidente no laboratório, a agressividade e a fúria de Petroni dominaram toda a sua personalidade, que antes contribuía para o bem das pessoas. O então “Doutor Toxinian” tinha apenas um objetivo na vida: fazer a humanidade passar por todo o sofrimento que, até aquela ocasião, agüentara sem reagir.

Naquele momento, Blenda acordou e, vendo-se enclausurada, começou a gritar:

– Tirem-me daqui!

– Acalme-se, bela jovem – disse Toxinian. – Logo você sairá daí. Estou apenas verificando o nível de radiação no seu corpo através dessa cela especial.

– Eu me tornei um monstro, não? Logo começarei a me transformar, não é verdade?

– Não se preocupe. Você não sofrerá mutações físicas significativas. Apenas ganhará uma força superior e...

– E o quê?

– Ainda não tenho certeza, mas creio que a sua visão sofrerá mutações.

– Minha visão?

– Sim, mas para melhor, não para pior. Você notou alguma diferença?

– Desde a explosão, tenho uma dor de cabeça constante...

– É o início das mutações. Logo você perceberá que sua visão se tornará muito superior.

– Por que faz questão de me estudar?

– Eu vou lhe contar uma história verídica, que, no campo da ciência, não passa de uma teoria.

– Então conte.

– Desde 1945, quando os americanos jogaram as bombas atômicas sobre o Japão, o arquipélago nipônico vem se industrializando tecnologicamente de uma maneira fora do comum. Você pode me explicar a razão disso?

– Os japoneses são inteligentes?

– Exatamente. Porém, pesquisas revelam que o quociente de inteligência dos japoneses que nasceram após 1945 é bem maior que aquele dos que nasceram antes, principalmente na região de Hiroshima. Isso pode ser provado facilmente se considerarmos que, durante a guerra, os japoneses empregavam pilotos suicidas contra navios inimigos, o que, do ponto de vista intelectual, é amostra de completa ignorância.

– Prossiga.

– Estudos comprovam que pessoas expostas à radiação durante um determinado período de tempo sofrem mutações drásticas no metabolismo celular, como é o caso do câncer. Isso também ocorre no sistema nervoso.

– Você está querendo me dizer...

– Que a população do Japão é mais inteligente por causa das mutações provocadas pela radiação. Claro, isso é só uma teoria...

– Mas faz sentido... E o que tenho a ver com isso?

– Você também está sofrendo mutações.

– Doutor! – exclamou Merezani, se aproximando. – Há dois mutantes que querem falar com o senhor!

– Dois mutantes?

– Venha ver o senhor mesmo.

Toxinian seguiu Merezani até uma salinha onde costumava receber visitas indesejáveis. Lá encontrou o Camaleão e Viúva-Negra que, atentos, observavam o vôo de uma mosca como um cão de caça espreita uma raposa.

– O que desejam em meu laboratório? – perguntou Toxinian.

– Você foi o responsável pelas nossas mutações, não? – perguntou o Camaleão.

– Como sabem?

– Eles me pressionaram... – disse Merezani, temendo a ira de Toxinian. – Detesto aranhas, o senhor sabe...

– Mas aranhas não chegam a ser um grande problema – disse o cientista mutante, se aproximando de Viúva-Negra. – Elas podem ser aniquiladas com uma simples pisada...

Nisso, o Camaleão, com sua língua, fisgou a mosca que voava, engolindo-a rapidamente.

– Patife! – exclamou Viúva-Negra. – Essa mosca era minha!

– Responda de uma vez! – exclamou o Camaleão. – Foi você que nos deixou assim?

– Sim – respondeu Toxinian friamente. – Mandei que Merezani injetasse DNA mutante em vocês quando estavam no hospital.

– Por quê?

– E você ainda pergunta? Não se sentem mais poderosos e mais felizes?

– Temos algo que lhe interessa – disse Viúva-Negra. – Já ouviu falar da “Máquina”, não?

– O maior projeto do doutor Gary Colt? Sim, já ouvi falar.

– Nós temos os planos dessa invenção.

– Vocês mataram William Werner, não?

– Foi ela – disse o Camaleão. – Disfarçou-se como a mais bela das mulheres.

– De qualquer forma, Colt não confia muito em mim, pois nunca compartilhou comigo as conclusões mais significativas de suas pesquisas. E, creio, a coisa que ele mais quer no mundo são esses planos de volta. Portanto, Merezani, faça o favor de lacrar a porta.

– Sim, doutor.

– E o que querem em troca dos planos?

– Queremos nos aliar a você – respondeu Viúva-Negra. – A sua luta também é nossa. Também queremos o mal da humanidade.

– Este laboratório é grande e ninguém o descobrirá tão cedo. Há espaço para vocês dois e...

– Para minha ninhada? – perguntou Viúva-Negra.

– Que ninhada?

Naquele momento, várias viúvas-negras surgiram na sala, perambulando pelo chão, pelas paredes e pelo teto.

– Creio que suas aranhas já estão se ambientando... – murmurou Toxinian.

– E então? – perguntou Viúva-Negra. – Há espaço para minha família?

– Sim. Há espaço para todos. Agora me entreguem os planos!

– Aqui estão!

O Camaleão entregou os planos a Toxinian, e este último convidou os hóspedes a seguirem até os seus devidos aposentos.

Continua...