Suas Suaves Palavras
1 E eu te vi...
Notas iniciais
:Eram quase dez da noite e eu continuava sentada na minha secretária, fazendo o trabalho final para Francês. Só que algo não me deixava concentrar… Debaixo do meu apartamento, uma voz doce e melodiosa cantava. A princípio, não reconheci a canção mas, aos poucos, fui “percebendo a letra”: I never had the words to say, but now I'm asking you to stay. For a little while inside my arms…Tinha a certeza que já tinha ouvido aquela música em qualquer lado. Mas onde? “Ok… Para alguma coisa criaram a net e o Google”, pensei, pegando no meu PC e começando a digitar na barra de pesquisa o bocado da letra que consegui decorar. Apareceram vários resultados mas eram todos praticamente iguais: ONE DIRECTION – MORE THAN THIS (letra e vídeo), MORE THAN THIS – LYRICS. Resultado: quem estaria a cantar era, com certeza, um fã qualquer a tentar imitar aquela tal banda.
Sinceramente, nunca a apreciara; haviam vários motivos: começando por um dos membros… E, também, o estilo deles não era o meu.
O meu telemóvel começou vibrando e algo me disse que…
- POSSO SABER ONDE VOCÊ ESTÁ?! – gritou Viola, mal atendi – VOCÊ DEVERIA ESTAR NA MINHA FESTA!!
A festa de final de ano… Sumiu completamente da minha mente!
- Me perdoa, Viola! – respondi-lhe, tentando parecer nervosa com o seu telefonema – Eu estou mesmo agora a ir para aí!-
ESPERO BEM QUE VOCÊ SE DESPACHE!! – gritou de novo e, logo a seguir, desligou.Ela deveria estar mesmo furiosa comigo!
Enquanto pensava na roupa que ia levar para a festa de final de ano (toda preparada pela Viola), a canção que ecoava no andar debaixo foi substituída por um grito.
- AAAAH!! Esqueci-me completamente!! Estou aí em quinze minutos.
Não me mexi, de todo. Aquela voz não poderia ser de quem eu pensava que era… Eu juraria que poderia reconhecê-la em qualquer lugar. Não era de espantar; eu convivera com ela tanto tempo.
Estava abrindo o armário enquanto relembrava aquele grito. Tirei o meu vestido preto com lantejoulas preferido, uns sapatos de cunha pretos e os primeiro All Star que me vieram parar às mãos.. Olhando-me ao espelho, penteei o meu cabelo negro como a noite e dei uma cor aos olhos pintando-os com um pouco de sombra prateada e passei lápiz preto. Se me tivesse lembrado da festa mais cedo, estaria com melhor aspeto do que aquele.
À pressa, calcei meus All Star e, dentro da minha mala com a bandeira de Londres estampada, pus os sapatos de cunha, as chaves de casa e a minha carteira. Saí desalmadamente de casa e nem me lembrei de fechar a porta com a chave. “Boa! Agora é que me assaltam a casa!”. Aquele pensamento era quase nulo, pois, vivendo na zona onde vivia, era praticamente impossível até um simples café ser assaltado.
Já estava a cinco quarteirões do local onde iria decorrer a festa e, logo para piorar a minha situação, tropeço à conta dos meus atacadores desapertados. Ao meu lado, oiço o barulho de um carro a parar.
- Você está bem? – perguntou-me o dono do carro. Não podia. Lá estava outra vez aquela voz doce e aveludada que ouvira no meu prédio.
- Acho que sim… — hesitei um pouco antes de olhar, pois não queria deparar-me com ele…
À minha frente, estava mesmo ele: cabelos escuros e rebeldes, as suas feições mais amadurecidas do que quando o vira pela última vez e o seu olhar cor de mel a brilhar intensamente.
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