Notas iniciais
E aqui acaba essa fic. O último capítulo dedicado aos dois pais que quase infartaram ao verem as filhotas arrumadinhas! Só digo uma coisa, Jack é um fofo! Boa leitura!

Aaron Hotchner

Mas é claro que Aaron iria fazer hora com a minha cara. Ele só se esqueceu de um mísero detalhe, eu não sou a Elena.

— Aaron Hotchner, você me ouviu? Eu ainda estou te esperando!! – Falei mais alto.

Ele até veio, quando quis. Ainda tinha o rosto vermelho e a expressão taciturna. Estava conversando com alguém no celular.

— Eu espero que você não esteja mandando ninguém, absolutamente ninguém, ir atrás da Elena hoje à noite.

Ele levantou a sobrancelha. Sim, ele estava mandando alguém.

— Aaron, pelo amor de Deus, quem?

— Jack.

— Jack? O Jack?

— Sim, ele, assim como eu está preocupado com o bem-estar da Elena.

— Ele, assim como você está cheio de ciúmes. E é sobre o seu ataque de ciúmes que eu quero conversar com você.

— Emily, nós não temos o que conversar. A Elena mentiu para nós.

— Ela não mentiu, ela omitiu um fato, e cá entre nós, eu também esconderia de você que estava namorando. Você quase a deixou traumatizada na segunda-feira à noite, e hoje quase matou o namorado dela! Precisava disso tudo?

— Estou protegendo a minha filha.

— Isso não é proteção, Aaron. É exagero.

— E o que você queria que eu fizesse? Que recebesse o garoto de braços abertos e o deixasse levar a Elena para longe de mim? Ele quer levá-la para a Califórnia!

Respirei fundo. Ele tinha distorcido tudo.

— Elena não vai para a Califórnia. Ela não vai jogar o futuro dela pela janela! Ela disse que gostaria de ir visitá-lo na UCLA, mas nem sabemos se ele vai para lá ou não.

— Você foi toda condescendente com isso desde o primeiro momento! – Ele me acusou. – Olhe o vestido que você comprou para ela!

— O vestido não tem nada demais, não exagere.

— É vermelho, e ela está se equilibrando em um salto enorme.

— É o primeiro baile dela. Deixa-a ser feliz!

— Ela está indo para se mostrar, e aquele rapaz vai se aproveitar disso. – Aaron acusou.

— Fico muito chateada de saber que você não confia na educação e criação que demos para nossa filha.

E aí ele parou.

— Nós a educamos e a criamos direito. Mas não sabemos quem educou aquele moleque.

— Se você confia na educação e na criação de Elena, dê a ela uma chance de provar que está fazendo a escolha certa.

— Ela escondeu de nós um namoro por seis meses!

— Nós também escondemos o nosso namoro da equipe por quase um ano. E eu duvido que você contou aos seus pais sobre todas as suas namoradas e que as suas namoradas contaram para os pais delas que elas estavam com você. Eu tenho certeza de que meus pais não conheceram todos os caras com quem saí.

Aaron me encarou.

— Tá vendo. E Elena, apesar de ter atrasado a notícia do namoro, nos contou sobre o namorado, não negou te passar as informações que você pediu e nem a foto dele. E ele veio até aqui em casa para se apresentar E pediu a sua permissão para namorar a sua filha! Ele pediu a sua permissão!!! Aaron, isso tem valor! Sua filha não vai sair por aí com qualquer maluco e fazendo qualquer coisa, Elena é um tanto avoada, estabanada, desorientada, já bateu o carro porque confundiu os pedais e vive se estatelando no chão, mas ela não é boba. Ela conhece os limites dela e sabe que há o mal no mundo. Nossa filha não vai se jogar de cabeça em um relacionamento que pode ser prejudicial a ela.

— Isso não muda o fato de que ela nos enganou.

— A notícia poderia ter sido muito pior. Imagina se ela tivesse falado que estava namorando e estava grávida.

Aaron ficou lívido. E teve que se sentar.

— Viu, há coisas muito piores. É claro que nós vamos conversar com ela sobre isso, mas fazer um escândalo na porta de casa não vai resolver nada. Como você adorou frisar, ela tem dezesseis anos, e qualquer coisa que nós fizermos de errado agora, ou que ela achar demais, por mais que nós estejamos certos, pode arruinar a nossa família. Além do mais, quando Jack chegou com a Lara aqui em casa, todos nós a recebemos de braços abertos, como se ela já fizesse parte da família, por que é tão difícil para você fazer o mesmo com o Christopher?

— Jack é homem.

— E Elena é a sua filha do mesmo jeito que Jack é seu filho e a sociedade igualou homens e mulheres, não precisa ter tratamento diferente.

— Elena é a minha garotinha.

— Um namorado não vai mudar isso. Mas o seu comportamento pode mudar. A forma como Elena vai te ver daqui por diante vai depender de como você vai reagir e agir com ela. Vá por mim, eu sei o que estou falando! Uma palavra errada sua, Aaron, dita em um momento de raiva, pode mudar toda a forma como a sua filha te vê e como vai ser a relação de vocês.

— Eu não quero que ela se afaste.

Então seja um pai, não um carrasco. Diga a ela que você está na vida dela para o que ela precisar, que ela sempre pode contar com você, não a afaste de você, ouviu bem? Ou você vai se ver comigo! – Aaron não tinha culpa, mas eu não deixaria que ele fizesse com Elena o que meu pai tinha feito comigo.

— Eu não vou fazer isso, Em.

— Ótimo, agora que você entendeu o meu ponto, só mais uma coisa.

— Que é?

— Christopher te pegou de guarda baixa quando ele pediu a sua permissão para namorar a Elena, eu vi que você ficou petrificado. – Deixei o ar mais leve.

— Não fiquei! – Ele negou rápido demais.

— Você realmente vai fazer isso, Aaron, eu sou tão perfiladora quanto você. – Cruzei os braços e o encarei.

— Eu não esperava por essa. – Ele confessou por fim.

— Eu vi que não. Nem eu. E muito menos a Elena.

— Ela arregalou os olhos e eu quase a vi se engasgando. – Aaron riu da reação da própria filha.

— Isso mostra que o seu genro, sogrão do ano, não é tão ruim assim. – Pisquei para ele e Aaron fez uma careta para o apelido.

— Sabe qual foi a pior parte?

— Depois que você pegou a arma e apontou para o menino? Teve uma pior do que essa?

— Essa foi a melhor.

— Pelo amor de Deus, Aaron, se aquele menino abre a boca, você está preso.

— Ele faz isso e nunca mais vai ver a Elena. Escolha dele. – Ele tinha um sorriso triunfante no rosto.

— Qual foi a pior parte? – Cortei a ideia dele de ver o garoto longe de Elena.

— Ele disse que a amava.

Eu quase caí do sofá.

— Pega de surpresa, Emily Prentiss? – Meu marido zombou de mim.

— Eu não li isso nele! Talvez na Elena, mas não nele.

— A Elena te disse que ama aquele moleque?

— Lá vem você! E não, mas Aaron, leia a sua filha, ela é bem legível quanto algumas coisas.

Ele andou pelo escritório passando a mão pelo rosto. Depois se sentou do meu lado, suspirando pesadamente.

— Por que ela teve que crescer? – Ele perguntou triste.

— Para fazer você pagar por todos os seus pecados. – Brinquei com ele. E Aaron me lançou o olhar. – Sabe de uma coisa, tem quanto tempo que não temos uma noite só nossa?

— Você está querendo me distrair do fato de que a minha filha está em um baile, usando um vestido vermelho, com um par de sapatos exageradamente altos, dançando ao lado de um moleque que se diz apaixonado por ela, justo hoje? Não. Eu vou fazer serão até ela chegar, a uma da manhã porque a mamãe coruja deixou. – Ele se levantou do sofá e foi para a sala.

Eu comecei a rir da cara dele.

— Terão outras noites, muitas!

— Mas ela não vai sair com aquele vestido nunca mais.

— Dá próxima vez pode ser um vestido curto.

— Emily, pare de aumentar a minha dor de cabeça.

Não resisti e fui atrás dele. Seria uma forma divertida de passar a noite. Ainda eram onze horas. Elena só chegaria em duas horas.

— Aaron... – Cantarolei o nome dele e ele se virou na minha direção. – E quando for o vestido de noiva?

Ele se viu obrigado a sair da sala e me deixou sozinha.

— Ótimo, vou ver um filme! Paizão Ciumento do Ano! – Falei na direção dele.

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Longe da casa dela, Elena se divertia dançando com o namorado. Nada demais, ela sabia até onde poderia ir e, mesmo que estivesse chateada com o pai, ela não queria desapontá-lo.

— Uma moeda pelos seus pensamentos. – Chris sussurrou no ouvido da namorada.

— Só pensando na reação de papai. Será que ele vai reagir diferente quando o tempo passar?

O garoto enrugou a testa ao olhar para a morena de vermelho nos braços dele.

— Não sei, você que o conhece.

— Eu torço para que sim. Não gosto de brigar com ele.

— Você não tem irmãs, tem?

— Não, só um irmão.

— Agente do FBI, também?

— Sim. Ele também é agente e... – E a garota parou.

— Lena, o que foi? – Chris seguiu o olhar da namorada.

— E ele está parado lá fora. Eu vou arrancar a cabeça dele! – Ela se soltou dos braços do garoto e partiu para onde o irmão estava.

Acho que ninguém nunca tinha visto uma garota andar tão rápido em saltos altos, até naquele momento.

— O que você está fazendo aqui, Jack? – Elena disparou para o irmão.

— Só checando.

— Caia fora! – Ela sibilou.

— Você está achando que eu não vou ficar de olho em você, Elena? – Jack disse preocupado.

— O papai já fez a cena da noite. E eu fiquei calada. Mas em você eu bato. E se você pensar em ficar me espionando, Jack, seja por sua conta ou porque o papai mandou, eu vou arruinar o seu namoro! – Elena disparou furiosa.

Jack olhou para a irmã.

— Você realmente gosta daquele jogador de basquete, né irmãzinha? – O rapaz disse sem nenhuma acusação ou brincadeira na voz.

— Gosto. – Elena se acalmou. — Muito.

— Então vai lá dançar, e Leninha, se precisar de qualquer coisa, eu estou sempre do seu lado, tá?

E Elena fez o impensado. Em uma batida de coração correu e abraçou o irmão mais velho.

— Eu sei, irmãozão. E eu sempre vou estar aqui quando você precisar também!

Depois disso, Jack foi embora. Não sem antes mandar uma mensagem para um certo paizão que estava agoniado em casa.

Elena vai ficar bem. Eu sei que vai.

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Aaron andava de um lado para outro dentro de casa, o relógio tinha acabado de marcar meia noite e meia.

— O combinado foi uma da manhã.

— Eu sei. – Ele me respondeu.

— Então por que você não se senta, eu detesto ver filme de terror sozinha. – Pedi.

— Você só quer uma desculpa para me usar de travesseiro, Em. – Ele falou indo dar uma olhada na janela.

— Isso também. Você é meu marido, eu tenho esse direito.

Ele me olhou e eu bati a mão no sofá indicando o lugar ao lado do meu.

— Ela vai ficar furiosa se te ver bisbilhotando atrás da cortina. Achei que a mensagem de Jack tinha te acalmado.

— Jack e Elena operam em outra página, diferente da nossa.

— É claro, são mais novos que nós e são irmãos. Brigam às vezes, mas se entendem no final. Agora quer parar de falar e vamos voltar ao filme?

— Se você não gosta de filme de terror, por que escolheu esse?

— Não é óbvio? – Sorri para ele.

— Sabe qual é o maior problema?

— Não. – Respondi me aconchegando nele.

— Por noventa minutos você conseguiu me distrair.

— Então consegui meu intento.

Voltamos a ver o filme, ou melhor, ele voltou, eu toda vez que sabia que a cena iria me assustar, fechava os olhos.

Antes da uma da manhã um carro parou na rua. Tive que agarrar o braço de Aaron para segurá-lo no lugar, mas foi em vão. Lá foi ele para a janela.

— Ela vai te ver!

— Não vai não!

— Sua filha não é cega! A luz da sala vai clarear o jardim da frente.

Mas eu também sou curiosa e queria saber como ela se despediria do namorado.

— Você não era a “senhora contra espionar a filha”?

— Fica quieto. Vamos só ver.

Os dois estavam dentro do carro.

— Por que ele não parou debaixo do poste?

— Você parava embaixo do poste, Aaron?

— Estamos falando da minha filha, Emily!

Nossa filha. E larga de ser puritano!

E ficamos nós dois atrás da cortina tentando ver Elena se despedir do namorado.

Depois de uns cinco minutos, ela desceu do carro, Chris desceu também e a trouxe até a porta de casa.

— Isso foi fofo! – Eu falei. Aaron só faltou revirar os olhos.

Elena virou a chave e entrou. Nos pegando atrás da janela.

— Vocês também querem se despedir do Chris? – Ela perguntou com um sorriso no rosto.

— Não. – Respondemos juntos.

— Bom... então ele já está indo embora.

Escutamos uma porta ser fechada e um carro ser ligado. E ficamos nós três nos encarando.

Eu estava sem graça por ter espionado minha filha, Aaron ainda a encarava como que tentando ver se a garotinha do papai ainda era a mesma menina que estava parada na nossa frente, com um vestido elegante e saltos. E Elena, ela nos encarava de volta, olhos brilhando e um semblante de alegria que ela não conseguia esconder.

Eu ia perguntar como fora o baile. E me desculpar pela espionagem, quando ela começou a rir.

— Depois do Jack ter aparecido no meio do baile, eu deveria esperar que vocês dois fossem ficar atrás da cortina. Mas quer saber?

Nós dois a encaramos e ela andou na nossa direção.

— Eu os amo por isso! Muito! – E correu para nos abraçar. Lógico que quando ela chegou perto de nós ela acabou escorregando e tivemos que segurá-la. – E seu sei vocês sempre estarão com os braços estendidos para me pegarem! – Ela terminou de nos abraçar.

— Nós também te amamos, filha! – Beijei o topo da cabeça e ali eu soube, nada nos separaria.

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Leroy Jethro Gibbs

— Como você deixou a Liz usar aquele vestido? Não, melhor, como você comprou aquele vestido para ela? – Jethro ainda não tinha se conformado com a roupa da filha.

— Vamos parando com o ataque? O que conversamos na quinta à noite? – Eu pedi, ainda calma.

— Mas a nossa conversa não incluiu vestidos de festa com as costas de fora, Jen! Isso nós não conversamos.

Encarei o meu marido.

— Como eu fui me casar com alguém que veio da idade média?

— Eu não vim da idade média, Jen. Só não gostei que a minha filha saiu de casa com o namorado de dezoito anos dela, com as costas de fora.

— Tem um casaquinho de renda por cima do vestido, então ela não está com as costas de fora.

— Dá para tirar aquilo?

— Mas é claro, está por cima do vestido.

— Então ele pode colocar a mão por baixo do casaquinho e apoiar na base da coluna dela, onde não tem roupa nenhuma, Jen!

— Jethro, são as costas dela! as costas!

— E um pedaço da cintura.

Revirei os olhos.

— Você faz isso o tempo todo comigo, Jethro, seja razoável.

— Você é a minha esposa, Jen! E eu te conheço há mais de vinte anos!

— Não precisa falar quanto tempo tem! E pare de levar tudo para o outro lado, Jethro. É um vestido de festa.

— Onde você comprou aquela coisa abominável? – Ele tinha a pior das expressões.

— Em Londres. Naquela conferência que eu a levei comigo.

— Como você deixou que ela usasse aquilo? – Ele era o inconformado.

— Como eu te disse, não tem nada demais ali, e era um baile onde até representantes da Realeza Britânica iam. Minha filha não iria de qualquer jeito.

— E você a deixou usar aquele vestido para um baile de escola. A Realeza Britânica não vai estar lá.

— Jethro, troca o disco. É o primeiro baile que ela vai com o namorado dela, deixe-a aproveitar a noite. Nenhum dos dois reclamou das regras que você impôs. Nem quando você reclamou do batom. Liz foi até muito calma com toda a sua falação na quinta. Agora pare. Eles são novos, e vão aproveitar isso.

— É esse o problema Jen. Aquele garoto está em um treinamento dos infernos. Eu sei o que se passa na cabeça dele nessa noite. Eu já tive a idade e estive na mesma situação.

— Então confie na sua filha. Já que confiar em um Marine é difícil para você.

— Quanto a sair com namoradas, não é difícil de se confiar, Jen. É impossível!

— Pare de exagerar. A Liz não está morta, esta apaixonada, o que é quase o mesmo problema, mas ela sabe o que faz.

— Você era bem passional, Jen. E não pensava muito...

— Você vai se matar de tanto pensar nisso. E está exagerando quanto a tudo. Um vestido não pode causar a terceira guerra.

— Um vestido seu causou.

— Jethro, pare! Separe a Liz e o Sean de nós dois. Nós dois somos exceção a todas as regras.

— Eu só estou dizendo...

— Você tem que parar de pensar. Acho que eu vou te embebedar até você desmaiar, ou melhor, eu vou arremessar uma garrafa na sua cabeça, assim você fica desmaiado até a Liz voltar. Seu ciumento incorrigível.

— É a minha ruiva.

— E eu sou o que? Loira?

— Jen... é diferente.

Eu sabia que era diferente. Só queria tirar ele dessa linha de raciocínio.

E ele começou a andar de um lado para o outro.

— Ainda falta muito tempo para ela chegar, por que você não pega um livro e vai ler? Posso sugerir o dicionário? – Sorri, ironicamente, na direção dele.

Jethro ignorou a minha sugestão.

— Então vai terminar a estante.

— Terminei e montei no seu escritório.

— Obrigada. – Mandei um beijo para ele. – Então vai construir outra coisa, um baú, outra estante para o quarto da Liz, ou alguma coisa para a Tali ou para os gêmeos.

— Estou sem minha ajudante.

— Mas você é teimoso, hein?

— Já deveria ter se acostumado, Jen.

— Não me acostumo nem que com a dor de cabeça que você me fá, imagina com a sua teimosia.

Ele me olhou torto.

— Eu não te dou dor de cabeça, Jen. Não trabalho mais sobre as suas ordens.

— Jethro, você é a minha dor de cabeça ambulante desde que eu te conheci. Agora, pelo bem da minha paciência, pare de ficar andando de um lado para outro, você vai me enlouquecer!

Foi aí que ele resolveu andar pela casa inteira.

— Se você acha que me irritando, a esse ponto, vai conseguir me fazer ligar para a Liz para ela voltar mais cedo para casa, está enganado. A única coisa que você vai conseguir é ser colocado para fora do quarto! – Gritei na direção dele que estava irritantemente andando sobre uma tábua que range no segundo andar.

Isso pareceu fazer efeito e ficamos em silêncio.

Estava concentrada no meu livro. Até que Jethro surgiu do nada e falou bem no meu ouvido:

— Já que te irrita tanto o fato de eu andar pela casa, eu vou me sentar do seu lado e falar na sua cabeça. – E ele tomou o meu livro sem nem marcar a página.

— Você não fala, Jethro. É um mudo funcional. Agora me devolve o meu livro.

— Jen. Eu quero a minha filha de volta em casa agora!

— Meu livro! – Tentei alcançá-lo, mas com a diferença de altura entre nós eu fui obrigada a pular e mesmo assim não alcancei o bendito.

— Minha filha. Liga pra ela!

— Não. Deixe a Liz se divertir.

— Ela já está lá há quase duas horas, Não tem que dançar tanto tempo assim.

— Jethro, ela vai ficar no baile até que dê a hora que ela deva voltar para casa. Aceite isso.

Ele me encarou e eu o encarei de volta.

— Mande-a voltar.

— Não. E nem você vai fazer isso.

— Ótimo, vou ligar para a Abby, e dizer que você foi chamada para uma missão em campo e tem que ir partir em duas horas. Abby vai ligar para Liz e a minha filha vai voltar correndo para casa.

Eu tomei o celular da mão dele.

— Invente outra coisa absurda dessas e eu vou arremessar esse celular obsoleto no fogo, e nem o McGee vai ser capaz de te arranjar outro desses. Deixe a Liz em paz e curtindo o namorado.

Jethro cruzou os braços e bufou algo ininteligível na minha direção.

— Você parece uma criança mimada que está fazendo pirraça. – Falei dando um peteleco no nariz dele.

Ele tentou afastar a minha mão.

— Ótimo, agora ele virou o mudo funcional e taciturno que conheço. Toda aquela falação estava me matando! – Passei por ele e peguei o meu livro, tinha que achar a página onde estava.

Foi eu começar a ler e Jethro soltou.

— Falta uma hora, se ele a deixar em casa com um minuto de atraso, ele jamais vai ver a minha filha de novo, e eu vou me certificar que aquele moleque vai ficar de plantão em todos os finais de semana até que ele saia da Corporação.

Decidi que era melhor ignorar a falação sem sentido dele. Parece que Jethro tinha feito o download do DiNozzo.

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— Que horas meu pai disse que eu tinha que estar em casa? – Perguntei para Sean quando demos um intervalo na dança e estávamos sentados em uma mesa mais afastada.

— Meia noite. São onze e quinze, o que você quer fazer?

— Só o meu pai para dar um toque de recolher tão cedo.

— É melhor do que nada. – Ele falou e me deu um beijo.

— Pensando por esse lado... – Retribui o carinho.

— E então, o que quer fazer?

— O quão rápido você pode nos levar para casa sem nos matar?

— Quinze minutos. – Ele respondeu confiante.

Quis brincar com a cara dele.

— Eu duvido disso!

— E o que você vai apostar? – Ele respondeu brincalhão.

— Não sei... – Fingi pensar. – Na minha bolsa não tem lá muita grana agora. Mas como eu tenho certeza de que vou ganhar, acho que posso fazer uma aposta mais alta.

— Eu te deixo em casa, em quinze minutos, Liz. Você vai perder o que não tem para apostar.

— Então eu só posso apostar um beijo. – Dei de ombros.

— Eu aceito essa. E seu você ganhar?

— Quanto de dinheiro tem na sua carteira?

— Acho que sou mais quebrado que você! – Ele respondeu rindo.

— Que sina! Por que não escolhi um namorado rico, meu Deus? – Perguntei em um falso desespero.

Sean virou o meu rosto para a pista de dança.

— Pode escolher, ali tem um monte....

Fingi prestar atenção nos meninos da minha escola.

— E então, já escolheu o Riquinho Rico? Aquele ali de terno azul parece ser bem de vida.

— Ele é baixinho.

— E aquele ali de gravata vermelha? – Ele continuou já rindo.

— Muito magro.

— E aquele que está..

— Muito bêbado! – Eu comecei a rir junto.

— E tem aquele que está se achando ali...

— Vish, não! Ele tentou dar em cima de mim uma vez, e me chamou de Elena!! Dei o fora nele antes que percebesse o que tinha feito.

— Então ele merece um soco na cara.

— Nossa, acho que tenho o meu cavalheiro em uniforme cintilante do meu lado. Escolho você para ser meu namorado! – Falei para ele.

— Boa escolha!

— Seu convencido!

— Sou o seu convencido favorito, Elizabeth!

— Nossa, sou sua dona agora? – Ele me pegou pelo braço e me levantou de súbito.

— Depende...

— Eu tô gostando disso, vou ter um escravo particular!

Ele começou a rir. E, sem eu perceber, Sean colocou algo em torno do meu pescoço.

— O que?! – Olhei assustada quando o metal frio encostou na minha pele.

— Dizem que dá sorte deixar uma parte da dog tags com quem se ama. – Ele falou sem me olhar.

Peguei a tag na minha mão. É claro que eu já conhecia o que era e o que estava escrito, eu tinha a do meu pai biológico comigo e tinha a do meu pai adotivo também.

— Você vai ser mandado para algum lugar, não vai? Por isso essa folga e a sua insistência em se apresentar para os meus pais.

— Sim. Eu vou. – Ele me respondeu, secando uma lágrima minha.

Eu não podia pedir para ele não ir. Era o dever dele. Mas meu coração estava apertado.

— Quando? – Sussurrei a pergunta.

— Na quarta-feira.

— Tão perto?

— Infelizmente.

Olhei para ele.

— Pode me levar para casa agora, por favor. E não precisa correr. – Pedi.

— Seu desejo é uma ordem. – Ele enlaçou a minha cintura e me guiou com uma facilidade incrível pelo meio do pessoal que dançava. Por todo o caminho eu fiquei olhando para a corrente em meu pescoço.

Como eu tinha pedido, ele foi o mais devagar possível, sua mão direita sempre segurando a minha esquerda.

— Pare aqui. – Pedi.

— Mas ainda não chegamos na sua casa.

— Eu sei, tenho plena consciência de que meus pais devem estar acordados e assim que ouvirem o seu carro sendo estacionado, papai vai chegar na porta. – Falei.

— E. – Sean começou a me perguntar algo, mas eu o calei com um dedo.

— Me prometa uma coisa. Uma única coisa. – Pedi olhando nos olhos dele.

— Qualquer coisa. – Ele falou solene.

— Volte vivo. Não importa quanto tempo leve a sua ronda. Volte vivo. Eu não vou deixar de usar essa tag por nenhum dia, mas você tem que me prometer que vai voltar para mim. – Falei segurando o rosto dele nas minhas mãos.

— Eu vou voltar, Liz. Eu prometo.

Eu não sei de onde veio a minha coragem, mas eu o beijei de uma maneira que nunca o tinha beijado. Ainda bem que estava longe de casa.

— Que horas você embarca na quarta? – Perguntei sem ar, sem descolar a minha testa da dele.

— Logo pela manhã.

— Eu vou com você até o seu embarque.

— Seu pai vai deixar?

— Ele, melhor do que ninguém, vai entender. – Eu garanti.

Sean olhou para o relógio.

— Temos dez minutos.

— Faça meu pai feliz e me deixe mais cedo em casa. – Disse.

Ele arrancou o carro e terminou de descer a rua. Como eu tinha dito, as luzes da casa estavam todas acessas, eles estavam me esperando.

Dei um selinho rápido em Sean e fiz menção de abrir a porta do carro, mas ele me impediu. Desceu primeiro e depois de dar a volta, abriu a porta para mim.

Nessa hora papai já tinha aberto a porta. Sean me levou até os degraus da entrada e me estendeu uma mão para que eu não caísse.

— Obrigada. – Agradeci quando cheguei na porta. — Boa noite Sean! – Falei e entrei correndo ou o mais rápido que os meus saltos me deixaram.

Pude ouvi-lo cumprimentar papai. Não ouvi resposta vinda dele, mas sei que ele deve ter dado alguma.

Quando apareci na sala, mamãe soltou o livro que estava lendo e me olhou, ela tinha um olhar de expectativa, queria saber os mínimos detalhes de tudo, porém quando leu a minha expressão, só bateu no sofá ao lado dela e me estendeu o braço.

— O que foi? – Ela perguntou assim que eu me sentei do lado dela e afundei a minha cabeça em seu ombro.

— Ele vai embora. Foi designado não sei para onde! – chorei.

Senti papai me abraçando também.

— Se ele tivesse escolha, Liz, tenho a certeza de que ele não iria. – Ele falou para me reconfortar.

— Eu sei, pai. Mas mesmo assim... Eu não quero que ele vá, mas sei que ele tem que ir. – Recomecei a chorar.

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Era disso que tinha medo. Não queria que ela passasse justamente por isso.

A incerteza de ver a pessoa ir para a designação e não saber se ela voltar.

Jen olhou na minha direção. Ela tinha noção do que a filha estava passando. Eu também tinha. E sabia que não tinha nada que eu pudesse fazer.

— Filha, — Jen a chamou. — Sean vai ficar bem. Ele vai voltar.

Liz levantou a cabeça do ombro da mãe e a encarou.

— Eu quero acreditar nisso, mamãe. Eu quero. – Ela começou a soluçar.

Se eu pudesse eu voltava no tempo, para quando Liz era apenas uma criança que ficava jogando videogames com a equipe nessa mesma sala.

— Liz. – Chamei-a. Ela se virou na minha direção, seus olhos verdes já vermelhos. – Quanto mais você acreditar que ele vai voltar, maior é chance disso acontecer. Acredite em mim. – Eu repeti as palavras que tantas vezes falei para Kelly.

Ela só teve forças para balançar a cabeça em concordância e me abraçou com força.

— Eu fico feliz de saber que o senhor não tem mais que ir. – Ela murmurou.

— Eu jamais deixaria as minhas Ruivas, Liz. – Aproveitei e puxei Jen para o abraço. E ficamos assim até que Liz se acalmou um pouco.

— O que seria de mim sem vocês dois? – Ela perguntou.

— Não filha, a pergunta que eu faço é o que seria de mim sem você! – Falei para ela.

Ela nos deu boa noite e subiu as escadas carregando os sapatos na mão. Jen foi com ela, mas antes de subir para ajudar a filha, me olhou e perguntou.

— Você vai fazer alguma coisa para o Sean não ficar muito tempo no exterior, não vai?

— Jen, por você e pela Liz eu faço qualquer coisa.

— Eu sei que faz, e ela também sabe, Jethro. E nós duas fazemos qualquer coisa por você.

— Somos família Jen. E família é muito mais do que DNA.

— São pessoas que se importam e cuidam umas das outras. – Liz continuou por mim do alto da escada. – E é por isso que eu amo vocês dois!

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Eu não consegui impedir que Sean fosse para o Oriente Médio, mas consegui fazer com que, pelo menos uma vez por semana, Liz pudesse vê-lo, desde que não comprometesse a posição e a localização da tropa.

Sim, eu fiz isso. E quando dei por mim, o namorado dela já era parte da família, mesmo que ele ainda não tenha conhecido a todos.

Como Lizzy disse, a família tinha ganhado mais um membro. A família dela, a minha família. E como eu tinha dito, eu faria qualquer coisa para ver a minha menina feliz, até mesmo aturar o namorado machucado dela dentro da minha casa durante o verão... mas se fosse para vê-la feliz, eu não me importava. Jamais me importaria.

Notas finais
E aqui eu acabo! Muito obrigada a quem leu, de coração. Não vou prometer que essas duas não vão voltar, porque elas devem reaparecer por aí. Só não sei quando! Então, até a próxima história! xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!