Sua, Sempre sua.
8 Ravi Ananda.
P.O.V. Ravi.
Hoje eu chego ao Brasil. Vou passar o Natal com Shanti e sua família.
Vou vê-la ao vivo pela primeira vez e quero estar muito bem vestido.
Depois de um voo exaustivo passei pelo portão de desembarque e encontrei Shanti esperando por mim. Assim que me viu ela acenou animadamente.
–Shalom Shanti.
–Shalom Ravi. Vem, deixa eu te ajudar.
Ela começou a pegar as malas e então pegou a minha mão.
–Shanti!
–Relaxa, é permitido fazer isso aqui. Agora, vamos.
Ela dirigiu até sua casa. E abriu o enorme portão de ferro e nós entramos.
Shanti estacionou o carro e nós entramos na mansão.
Mal entramos passaram duas garotinhas exatamente iguais correndo e rindo. Então, vem uma senhora loira com um terno que lhe caia muito bem e grita:
–Meninas! Não corram dentro de casa!
Ela então notou nossa presença.
–Oh! Você deve ser Ravi. É um prazer conhecê-lo, eu sou Leila.
–É um prazer senhora.
–Me desculpe pela cena. É que crianças dão um trabalho lascado.
–Tudo bem senhora. Eu tenho duas sobrinhas e um sobrinho bebê, lá também é uma confusão.
–Obrigado.
–De nada.
–Shanti, leva o menino lá pra cima. Toma uma atitude!
–Tá mãe. Vamos lá, você deve estar cansado da viajem.
Nós pegamos as malas e subimos.
–Aqui é o seu quarto. Gostou?
–É lindo.
–Minha mãe me fez o favor de pendurar essas coisas no teto.
Ela desceu e veio carregando uma escada.
–O que vai fazer?
–Tirar essas coisas.
Depois de tirar tudo o que a mãe tinha pendurado e guardar numa caixa ela me trouxe uma toalha e me ajudou a desfazer as malas.
–Esquerda é água fria e direita é quente. Tanto na pia como no chuveiro.
–Ótimo.
–Não se esqueça de ligar a fria primeiro, liga tudo e depois vai ligando a quente devagar até chegar na temperatura que você quer. Tá?
–Tá.
–Se precisar estarei lá embaixo.
Depois de um bom banho eu me vesti e decidi descansar um pouco.
Quando Shanti me acordou já estava escuro. Ela fez uma típica comida brasileira, arroz com feijão e uma salada bem colorida.
Ao vê-los comer a carne da mãe vaca eu fiquei chocado.
–Você não vai comer bife moço?
Perguntou a menininha.
–Como pode comer isso?
–Colocando na boca, mastigando e engolindo.
Disse ela como se fosse óbvio. O choque cultural é enorme.
Aqui eles entram de sapato dentro de casa, comem a carne da mãe vaca, as moças se casam e se divorciam umas quatro ou cinco vezes.

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