Notas iniciais
O Conde Felipe agora é o Gabriel e a Lívia é a Alice. Ela dança My Heart Beats For Love da Miley Cyrus. Clara é a Melissa.

P.O.V. Gabriel.

Eu estava na academia. Testando a sala nova, correndo na estera quando ela chegou.

Vestida de bailarina, com os cabelos presos num rabo de cavalo alto.

Ela se aqueceu e começou a dançar.

Fiquei completamente fascinado, até saí da estera pra ver ela dançar.

–Gabriel? O que está fazendo?

–Quem é ela?

–Não sei. É a primeira vez que a vejo por aqui.

–O nome dela é Alice Di Fiori. Ela vem aqui toda quarta á tarde.

–Que susto Marcela!

–Desculpa, Bento.

–De onde ela saiu?

–Ela é garçonete no Café da mãe dela. O novo Café que abriu ali em baixo.

–Ouvi falar. Como ela paga por isso?

–Não paga. A Dona Amélia é a fornecedora daqui e pediu como pagamento apenas as aulas de Alice.

–Então ela toma aulas apenas porque a mãe é fornecedora?

–Isso.

Quando acabou de dançar ela saiu da sala bebendo água.

–Olá.

–Oi. Quem é você?

–Gabriel. E você?

–Sou Alice. Já nos vimos antes?

–Talvez numa outra vida.

–É. Bom, foi um prazer conhecê-lo Felipe, quer dizer Gabriel.

–Também foi um prazer te conhecer Lívia, digo Alice.

–Ela te chamou de Felipe?

–É. Chamou.

–Qual o problema Biel?

–O que você diria se eu te contasse que eu já a vi antes e que ela já me chamou de Felipe antes?

–Diria que precisa consultar um médico.

–Eu sonho com ela cara, desde antes de conhecê-la.

–Com certeza precisa de um médico.

P.O.V. Alice.

Ele existe. O Conde dos meus sonhos, existe.

–Mama! Mama!

–O que foi Alice?

–Ele existe. Encontrei com ele hoje na academia.

–Ele quem Alice?

–O Conde dos meus sonhos.

–Tudo bem. Você sabe que eu acredito em reencarnação não é?

–Sim mama.

–Agora, banho mocinha. O jantar está quase pronto.

–Tudo bem.

Tomei banho e os flashes da minha vida anterior, os beijos dele vieram com força total.

–Alice! Tá tudo bem ai encima?

–Sim mama! Estou descendo.

Me perdi nas lindas lembranças do meu amor e esqueci completamente até da hora.

Jantei, sequei meu cabelo e foi dormir.

–Boa noite mama.

–Boa noite querida.

Levantei antes do sol nascer e fui de ônibus até a faculdade.

Hoje é o meu primeiro dia. Vou cursar Medicina.

P.O.V. Gabriel.

Acabo de chegar na universidade. Eu faço medicina, hoje é o primeiro dia de aula.

–Ainda bem que você vai fazer direito.

–Porque?

–Assim tenho ela só pra mim.

–Ela?

–Ela.

Bento olhou e disse:

–A mina da academia.

–O nome dela é Alice.

–E ela parece mesmo vinda do país das maravilhas. Olha só como ela é sorridente e saltitante.

–E ela é fodidamente gata.

–E quanto a Clara?

–Terminamos á anos, cara.

–Mas, ela parece não se dar conta disso.

–Nem me fale.

–Te falei que ela era meio louca, como aqueles caras da ilha deserta que falam com bolas de vôlei.

–Aff! Palhaço.

Disse dando um empurrão nele.

Meus olhos nunca a deixaram, nem ao menos um segundo.

Ela usava um lindo vestido romântico meio anos 60.

Quando me viu ela acenou pra mim e eu retribui. Pouco depois Clara esbarrou nela de propósito.

–Ai. Não olha por onde anda?

–Mas, foi você que esbarrou em mim. Mas, eu perdoo você.

Não sei o que Alice falou, mas deixou Clara chocada e sem resposta.

Ela saltitou em minha direção.

–Oi. Eu me lembro de você. Gabriel certo?

–Sim. E você é Alice certo?

–Nossa! Que raridade.

–O que é raridade?

–Alguém guardar o meu nome. Acho que eu tenho um rosto comum, sempre me confundem com alguém.

–Vai por mim, você não tem nada de comum. Então, o que vai cursar?

–Medicina e você?

–Também.

–Nossa! Que coincidência.

–Talvez seja destino.

–Talvez.

O sinal toca.

–Tudo bem se eu te acompanhar?

–Claro.

–Ótimo.

P.O.V. Alice.

Imagine a minha cara quando encontro ele no campus da universidade. Bom, isso prova a mim mesma que não estou louca e que a minha teoria está correta.

Ele voltou pra mim e eu pra ele.

Quando a moça esbarra em mim eu tenho uma visão da minha antiga vida. Ela era minha rival.

–Melissa.

Depois de uma breve discussão, volto a minha atenção para ele.

Qual a minha surpresa quando ele me reconhece e acerta meu nome.

–Alice, certo?

–Sim.

No intervalo das aulas nós ficamos conversando.

–Qual o seu sobrenome Gabriel?

–Castelini.

–Que nem o do banqueiro?

–Essa ai é o meu pai.

–Nossa! A diferença entre nós é gritante.

–Não vejo diferença alguma.

–O meu pai é soldado, ele está lutando lá na faixa de Gaza e o seu pai é um banqueiro podre de rico.

–Lamento.

–Tudo bem. Mas, e a sua mãe?

–O nome dela é Leila. Ela é uma socialite.

–Minha mãe Amélia é dona de um café e eu sirvo mesas pra ajudar ela a pagar as contas.

–E a faculdade?

–Bolsa integral.

–Uau! Super gênio.

–Por ai.

–Metida.

–Não sou metida.

–Tem razão. A minha ex é metida, você é humilde demais comparado com ela.

–Melissa?

–Clara na verdade.

–Ah.

P.O.V. Gabriel.

Ela acaba de chamar Clara de Melissa. O mesmo nome que ela tem nos meus sonhos.

–Gabriel?

–O que?

–Você está bem?

–Sim. Estou.

–E ai, Biel. Beleza.

–Você é o Bento certo?

–Sim. Encantado, madamoseile.

–Vous parlez Français?

–O que?

–Perguntei se você fala francês, mas obviamente não.

Comecei a rir.

–Ela te destruiu cara. Foi querer dar uma de esperto e se ferrou.

–Pelo menos ele tentou.

Nas aulas eu sempre fazia par com ela. E quanto mais a conhecia, mais eu gostava dela.

Alguns meses depois...

P.O.V. Alice.

Assim que o sinal do intervalo tocou Gabriel me puxou pelo campus até um lugar que eu nunca tinha visto. Era tipo um patio, só que maior e com um carvalho centenário no meio.

–É permitido ficar aqui?

–É. Esse é o antigo patio, mas depois do incêndio ficou abandonado.

–Incêndio?

–Sim. Em 1874 alguns anos depois da fundação da universidade aconteceu um incêndio cuja causa ainda é desconhecida e queimou tudo menos o carvalho. Os sobreviventes afirmam que um tipo de barreira física se formou entre o carvalho e o fogo.

–E quem plantou o carvalho?

–Melissa Delgado. Filha do fundador Charles Delgado.

–Melissa.

–É. Como ela morreu?

–Foi queimada por bruxaria.

–Foi ela. Ela me matou.

–O que?

–Nada, deixe pra lá. Mas, o que estamos fazendo aqui?

–Eu estou ficando louco.

–Louco?

–Sim. Completamente louco, penso em você o tempo todo desde a hora que abro os olhos até o segundo em que eles se fecham. Você reina sob os meus sonhos desde antes de eu te conhecer. A minha Lívia.

–E o mesmo acontece comigo. Você é o meu Conde Felipe.

–Senti a sua falta meu amor.

–Não mais do que eu.

Pude finalmente beijá-lo outra vez.

–Oi.

–Oi. Eu te amo sabia?

–Sabia. Eu também amo você Alice, mais que a minha própria vida.

–Acha que devemos nos assumir em público?

–Você não quer?

–Quero. Mas, do momento em que nos assumirmos em diante Melissa fará de nossa vida um verdadeiro inferno.

–Eu sei. Mas, o amor suporta tudo sem rima, sem razão dura para sempre jamais acaba não.

–Lindo poema.

–Obrigado. Na verdade é uma fala de filme.

–Que filme?

–A mansão mal assombrada. Um dos meus filmes preferidos.

–Filme de terror?

–Não. É romance e comédia.

–Meus gêneros preferidos.

–Verdade?

–Sim.

–Somos tão parecidos e tão diferentes ao mesmo tempo que chega a ser assustador.

–Nós dois somos reencarnações de duas almas gêmeas e você acha isso assustador?

–É.

–Você é uma figura Alice.

Ele riu.

P.O.V. Gabriel.

Fiquei namorando ela por um bom tempo, mas não tempo suficiente.

Enterrei o meu rosto nos cachos de seu cabelo. O cheiro de dama da noite continuava o mesmo.

–Onde consegue esse perfume de dama da noite?

–Na própria flor. Passo o pólen no cabelo, ás vezes misturo no shampoo que é de gardênia.

–Onde compra o shampoo?

–Eu faço. E vendo sob encomenda.

–Como assim sob encomenda?

–A pessoa diz de que flor ela gosta e eu faço o shampoo com aquela determinada flor. Posso fazer, creme, óleo ás vezes porque certas plantas não soltam óleo, mas sou herbologista.

–Especialista em plantas?

–Isso. A medicina foi um passo a frente.

–Sabe fazer veneno?

–Sei porque? Tá com medo?

–Um pouco.

–Seu bobo!

Todos os dias assim que toca o sinal do intervalo nós vamos para o mesmo lugar.

–Eu me sinto meio que observada nesse lugar.

–Claro, nunca vou me cansar de olhar pra você.

–To falando sério Gabriel! Sinto que alguém que não é você está me olhando.

–Sinto isso também.

–Temos que arrumar outro lugar pra ficar. Isso me incomoda e muito.

–Eu sei de um lugar. É mais embaixo, ninguém sabe que existe.

–Ótimo.

–Vem.

De repente estávamos no antigo jardim. Que ainda estava florido, super florido.

–Que lindo. Veja! Um coelho!

Ela correu e rolou na grama.

–Vai se sujar toda.

–Nem vai ter aula hoje mesmo. O professor está com gripe suína.

–Como pode saber?

–É um dom.

Me deitei ao lado dela na grama.

–Eu consigo sentir o jardim. É algo inexplicável, é mágico.

–Sentir o jardim?

–As bruxas naturais como eu conseguem literalmente sentir a vida que emana das coisas. É mágico.

–Tá me dizendo que é uma bruxa.

–É. Sou uma descendente de Amara Petrova

–Amara. E a Clara?

–Ela é descendente de Qetsyah Bennett. A rival de Amara.

–Então você e ela...

–Somos de clãs inimigos. E tudo começou em dois mil antes de Cristo, elas eram melhores amigas, mas um cara chamado Silas se meteu e acabou com a amizade delas.

–Uau!

–Eu sei. Dizem que Silas trocou Qetsyah por Amara e esta ficou furiosa e criou uma nova dimensão de sofrimento, um purgatório para prender as alma deles.

–E acredita nisso?

–Sei lá, tudo é possível.

–Amara era criada de Qetsyah. Ela sabia todos os seus segredos e roubou uma receita. Um elixir que faria ela e Silas imortais, mas eles morreram antes de preparar o elixir.

–E?

–Dizem que a receita era protegida por magia e não se desfez com o tempo e ela ainda está escondida em algum lugar na mansão Salvatore.

–Salvatore?

–De Silas Salvatore.

–Sabe onde fica?

–Sei.

–Quer ir procurar?

–Muito.

–Se ninguém a encontrou em dois mil anos porque seriamos nós a encontrá-la?

–Porque eu sou uma bruxa da linhagem de Amara. Ela tinha que amarrar o feitiço de ocultação á algo e provavelmente usou o próprio sangue.

–Você é um gênio meu amor!

–Eu sei.

Comecei a beijá-la e quando cheguei ao pescoço ela começou a gemer e me afastou.

–Não! Não aqui e nem agora.

–Porque não? Você não gosta deste lugar?

–Não é assim que funciona. Não comigo.

–Como assim não com você?

–Se uma bruxa se entrega para um homem eles estarão ligados pela eternidade. Dividem a alma.

–Literalmente?

–Literalmente. Uma parte da alma dela reside nele e visse versa.

–Isso é assustador.

–Nem tanto.

O coelho veio pulando até o colo de Alice.

–Oi. Ela disse que o nome dela é Lola.

–Fala com coelhos?

–Com animais que nem o doutor Dolittle.

–Como?

–Bruxas são servas da natureza. Usamos cem por cento da nossa capacidade cerebral.

–Uau! Estou oficialmente muito impressionado.

Dito e feito. O professor estava mesmo com gripe.

–Uau! Pode ver o futuro?

–Sim. Cortesia do sangue de Amara.