Sua, Sempre sua.
1 Capítulo 1: Amor á primeira vista.
Notas iniciais
P.O.V. Conde Felipe.
Assim que chegamos á mansão de Campo Belo todos os empregados nos esperavam em frente a mansão.
–Bons dias Condessa, Conde Felipe.
–Bons dias Zilda.
–Espero que tenham feito boa viagem.
–Sim. Fizemos sim.
A minha tia viu uma moça.
–Você? O que está fazendo aqui?
–Só vim trazer os mantimentos que a Zilda pediu.
Zilda pergunta:
–Alguém viu a Lívia?
–Ela está terminando de arrumar o quarto do menino.
Então, uma garota que imaginei ser a tal Lívia vem descendo apressadamente ás escadas.
–O que está fazendo aqui Lívia?!
–Consegui o emprego mama.
–Lívia?
–Sim senhora?
–Quem é o seu pai?
–Eu não sei. A mama não quis contar, disse que a minha avó era uma mulher malvada e que ela o matou.
–Lívia, leve os mantimentos para a Rosa.
–Certo.
Ela pegou a cesta das mãos de sua mãe e entrou.
–Ah, sejam bem vindos de volta.
–Essa menina, ela é minha...
–Não lhe interessa. Deixe a minha menina em paz.
Lívia. Que lindo nome, quase tão lindo quanto ela.
–Felipe.
–Felipe!
–Sim tia?
–Vamos entrar filho.
Nós entramos na mansão e ouvimos:
–Pode ficar um pouco com as panelas Lívia? Eu só preciso ir ao banheiro.
–Claro Rosa, vai tranquila.
–Obrigado.
Ela ficou sentada na mesa descascando batatas e cantando bem baixinho.
–Sempre a cantar maravilha, sempre a brincar, sem preocupações maravilha...
Quando Lívia terminou de cantar mencionei:
–Você tem uma bela voz.
Ela deu um pulo.
–Me desculpe. Eu não pretendia assustá-la.
–Tudo bem. Em que posso ajudá-lo senhor?
–Você pode apenas ficar ai. Exatamente como está e cantar pra mim.
–Tudo bem. O que quer ouvir?
–Você escolhe.
Ela estava entoando uma doce melodia e descascando as batatas.
–Pronto Lívia.
–Melhorou Rosa?
Disse rindo.
–Sim. Oh, Conde Felipe.
–Olá Rosa. É um prazer.
–O prazer é meu.
Era como se o mundo tivesse parado, eu não via nem ouvia mais nada que não fosse ela.
Seus lindos olhos verdes, sua voz doce, seus cabelos castanhos. Nada mais existia, só ela.
Quando acabou de descascar as batatas começou a cortá-las.
P.O.V. Rosa.
Estou aqui na cozinha olhando a cena a minha frente com incredulidade.
Lívia está cantando e cortando as batatas e o Conde Felipe olhando pra ela sem nem piscar, como um cego que vê o sol pela primeira vez.
Lívia no entanto, parece nem perceber.
Eu é que não vou me meter. Continuei mexendo as panelas e fingindo que não estou vendo nada.
–Papai!
–Oi Alex. Senti sua falta filho.
–Eu também senti.
–Quem é você moça bonita?
–Eu?
–Sim.
–Sou Lívia.
–Onde está a Dona Severa?
–Ela morreu.
–Morreu? E quem cuida da sua educação?
–Bom, eu. Se você é o filho do Conde Felipe eu sou sua nova tutora.
–Que idiomas você fala?
–Búlgaro, Inglês, Espanhol, Francês e obviamente Português.
–Você tem algum irmão ou irmã?
–Não, mas tenho a minha prima Jane Anne.
–E onde mora essa sua prima?
–Dividimos o aposento. Jane é responsável por ajudar a dona Zilda a fiscalizar os empregados.
–Bom, eu tenho que ir Rosa.
–Vai lá.
–Bom Alex, me mostre os seus aposentos.
–Vem!
Ela pegou o menino no colo e saiu andando.
P.O.V. Lívia.
Fui contratada para substituir a senhora que morreu. Ela era responsável pela educação do filho do Conde, Deus me perdoe a ousadia mas, aquele Conde é lindo demais.
–Você vai me ensinar a falar Búlgaro?
–Se sobrar tempo. Afinal, eu nasci na Bulgária, a primeira língua que aprendi foi búlgaro.
–É muito difícil?
–Pra mim não. Mas, depois que repassarmos a aula de Inglês e a de Francês te ensino algumas palavras.
–Tá bem.
–Muito bem Lívia. Sempre responsável.
–Sempre Jane.
P.O.V. Alex.
Estou aqui ouvindo a Lívia e sua prima conversarem numa língua que eu não conheço.
–Vai ensinar o menino a falar Búlgaro irmã?
–Sim.
–Vocês não são primas?
–Sim, mas como fomos criadas juntas somos irmãs.
–O meu pai tem uma noiva. Lady Melissa.
–Uma noiva.
–Algo errado senhorita Lívia?
–Não querido. Sou Lívia Di Fiori.
–É italiana?
–Sim, bom sou descendente de italianos.
–E nasceu na Bulgária?
–Sim. Minha mãe era cigana, ela é cigana, mas agora ela estabeleceu residência aqui em Campo Belo.
–Os ciganos são servos do Diabo.
–Shh! Morda essa sua língua menino! Você não sabe nada sobre os ciganos ou a cultura deles, então não se atreva a falar nada sobre eles!
Ela virou um tapa no meu rosto.
–Ai!
–Para que assim você aprenda a nunca acusar ninguém de nada e muito menos de ser servo do demônio.
Fui falar com o meu pai e ele a interrogou.
–Porque bateu no meu filho?
–Porque ele gosta de falar coisas que não são de bom tom.
–O que você falou?
–Que os ciganos são servos do diabo.
–E desde quando isso é mentira?
–Desde sempre. Eu e a minha mãe somos ciganas!
–Eu nunca...
–Nunca pensaria isso? É, eu escuto isso bastante.
–Se os ciganos são servos do diabo eu me orgulho em ser serva do diabo. Vocês nada sabem sobre nós e ainda assim estão sempre nos difamando.
–Você é uma cigana?
–Sou.
–Aquela saltimbanco! Alegra.
–Como sabe o nome do antigo personagem da minha mama?
–Eu conheço a sua mãe de outros tempos. Sabe como ela conheceu seu pai menina?
–Quando ela estava se apresentando na praça da cidade.
–Ela já disse o nome dele?
–Bernardo.
–Você, uma cigana. Uma saltimbanco é minha neta!
–O que? A senhora se sente bem?
–Acho que eu sempre soube.
A minha tia chegou perto de Lívia e tocou o cabelo dela, enrolando uma das mechas no dedo.
–Bernardo tinha cabelos assim. Pretos.
P.O.V. Lívia.
Sou neta da Condessa? Meu Deus!
–Esses olhos são da sua mãe. A mulher que tirou meu filho de mim. A mulher pela qual, ele me trocou.
Soltei-me dela e voltei correndo para o quarto que dividia com Jane Anne.
–Jane! Jane!
–O que foi?
–Ela é minha avó. Ela é minha avó.
–Quem Lívia?
–A Condessa. Ela é minha avó.

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