Querida,

Lembra da tua primeira caçada?

Estava lembrando-me, com uma certa nostalgia, daqueles tempos...

Logo após tua transformação expliquei que deverias matar para sobreviver. Surpreendente como aceitou o fato de levar a morte à sua antiga raça...

Naquela noite de nevoeiro saimos para sua primeira refeição. A excitação lhe saia pelos poros, me embriagava. Uma sensação que a muito não sentia. De fato era uma caçadora nata.

Seus olhos brilhavam, estava mais viva do que jamais esteve. Com seus sentidos aguçados, percebia um mundo novo, uma miríade de fragrancias a provocava. Estava pronta.

Pelos becos escuros de ruas calçadas da velha cidade espreitavamos, acompanhando cada movimento na noite, nada nos escapava. Da meretriz que atraia os homens ao bordel à jovem dama que sonhava com o amado em sua morada, todos estavam à nossa mercê.

Cabia a nos escolher.

-Lhe oferecerei uma iguaria.

-Qual Mi\'Lorde?

-Hoje provará do sangue amantes.

Pois não foi dificil achar. Dois jovens amantes se punham a beijar-se pelas ruas. Bastante impróprio diria.

Assim que viu a presa sentiu a pulsação bater como um sino dentro de seus ouvidos, os olhos fixados nas veias do rapaz.

De fato, estava envolta em desejo.

Como era uma jovem vampira, sua sensibilidade estava à flor da pele, não podia filtrar as sensações. Precioso poder que vem com o tempo.

Somente com minha presença fiz os demais adormecerem, desmaiavam um após o outro, restando apenas nosso jantar.

Não nos perceberiam até ser tarde, como se uma cortina mais negra que a noite lhes impedisse a visão.

-Alimenta-te.

mordeu vorazmente, sugando logo toda a vida do corpo do rapaz.

-Acalma-te, desfruta da refeição.

Mostrei-lhe a jovem, que sob minha influência parecia em tranze.

-Sente o aroma, percebe o perfume do desejo?

-Sim.

-Isso, gentilmente.

Afastou-lhe os cabelos, declinando levemente a cabeça.

Antes da mordida lhe dei um beijo, longo, mordeu-me o lábio levemente, tirando apenas uma gota de meu sangue.

-Morda-a querida.

Então pôde sentir o sabor da luxúria, um toque de pecado, cada sentimento nos dá um sabor diferente ao sangue. Para mim, os melhores são a luxúria, pomposa e picante,

e o medo, fino e doce.

Devolta à nossa morada, lembro que não te conteves. Me atacou de forma abrupta, querendo sentir o pecado, agora através de mim, Explêndido.

Não pura, mas agora selvagem, procurando satisfação. Eu lhe daria toda.

Tu foste magnífica minha cara.

Me pondo como queria, exigindo teu prazer, pondo-te no comando.

Assim ficamos horas, nos amando, envoltos em extase.

Já deitada sobre meu peito disses-te:

-Obrigado pelo presente Mi\'Lorde.

-Pois não sabes que tu és meu presente?

-Pois saibas que teu presente te ama...

-Saibas que amo meu presente.

Notas finais
"Só porque pediste. Obrigado"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!