Sua Garota
15 Quatorze - Festa de arromba!
Notas iniciais
A mulher olha para a loira saindo das Corporações Queen, e a segue com o olhar. Suspirava, enquanto esperava o momento certo para entrar em ação. Mas antes que ela possa se sentir realmente relaxada e pronta para atuar, pode ver uma pessoa se aproximando. Era... Ele! Ele coloca uma mão carinhosamente no rosto dela, e dá um leve beijo em sua boca, enquanto conversam. Antes que possa se conter, focaliza seu aparelho na conversa, e logo consegue escutar o que falam.
– ... Eu não sei, Bruce. – diz a loira. Ela já o chamava de Bruce. Ela pode sentir a raiva ferver dentro dela.
– Tem vergonha de aparecer comigo em uma festa? – fala Bruce, se aproximando de forma provocadora.
Mas antes que ela fale, ele a puxa para mais um beijo longo. Ela podia sentir as lágrimas escorrendo pelo seu rosto, desprotegido pelo sol. Ela fora traída. O único homem que já amou na vida estava apaixonado por outra mulher. Ela se perguntava como é possível tanta frieza. Ele a deixou apodrecer naquela cela, sabendo do que ela sentia. Ela não estava ficando maluca... Estava apaixonada. Estava amando o cara que a chamou de maluca, e que a trocou por uma nerd. A loira nunca fora muito do seu estilo. Bruce Wayne era provocador, e ela... Uma simples trabalhadora. Sabia que não podia culpá-lo por sentir coisas por outras mulheres, mas precisava entender como ela havia atraído a atenção do seu homem.
Ela fecha seu punho, irritada demais para ter qualquer ação.
– Paciência. – diz outra voz feminina, e Selina se vira para encarar sua chefe. – Todas temos contas a acertar com Felicity Smoak. Mas não agora. – Isabel se inclina sobre a cadeira de praia e pega uma garrafa d’água. – Acho que seria bem mais interessante fazer com que Oliver e Bruce vejam sua amada morrendo, eles não podendo fazer nada.
Selina volta seu olhar para os dois, que se encaram romanticamente, e volta a fitar Isabel, que tinha um sorriso provocador estampado nos lábios.
– Concordo. – fala sorrindo, e passa a língua no batom vermelho. – Mas devemos enviar um sinal.
Isabel parece se alegrar com a idéia. Logo deixa a garrafa de lado, e se foca na morena a sua frente, com um sorriso maléfico.
– Continue...
P.O.V. Felicity
Já havia passado a hora de meu expediente, e Oliver nem sequer apareceu para trabalhar, mas de certa forma me sentia culpada por ter saído logo após o almoço, e ter passado a tarde recebendo os mais diversos mimos em um salão que cobrava uma casa por uma hidratação. Tinha sido muito romântico e fofo Bruce me arrastar até aqui com a justificativa de que “estaria honrado em acompanhar a mulher mais bonita do mundo na festa”.
Se eu era a mais bonita do mundo, por que me arrastar logo para um salão de beleza
Ok, eu não reclamava. Fazia tempo que precisava fazer a unha, já que miseravelmente eu as pintava em casa, e uma hidratação, seguida por uma limpeza de pele, depilação – bem dolorosa, para deixar claro -, manicure, cabelo e maquiagem. Saí do salão como nova de fábrica, com o cabelo ondulado modelo vintage e as unhas muito bem feitas pintadas da cor nude – não que importasse a cor, mas eu estava tão animada... – e uma maquiagem com os olhos bem marcados por um delineador e um batom vermelho claro. Me sentia verdadeiramente uma princesa, até descobrir que essa princesa nem sequer tinha pensado: não tenho motorista.
Entro no carro, e jogo minha bolsa para o lado, junto com alguns produtos que “ganhei” para manter a pele e o cabelo assim. Dou partida no carro, e sigo para casa. Infelizmente, o trânsito de Starling era caótico nesse horário, então demorei mais do que eu queria para chegar em casa. Nem sequer havia escolhido alguma roupa, e precisava urgentemente de alguém que me ajudasse. E como um mandado do céu, olho para a portaria do prédio, e vejo Thea, segurando algumas malas olhando meu carro estacionar.
– Meu Deus, Felicity! – diz boquiaberta, e não posso evitar corar. – Isso deve explicar a maldita demora. Não que eu tenha ficado com raiva... – tenta se redimir. – Mas você ficou incrível.
Sorrio para ela, e entramos no prédio.
– E o que faz aqui? — pergunto, só para então me tocar o quanto estava sendo mal-educada com ela. – Quero dizer... E a festa?
Eu nem acredito que aquilo estava acontecendo. Quero dizer, os Queen fazem muitas festas, mas não daquele estilo. Era uma festa especial, e eu de certa forma me sentia enciumada com a idéia de fazerem uma festa pela volta de Sara, e Oliver se ocupar de todos os preparativos. Ninguém chega: “hey, Felicity. Você é um gênio que ajuda o Arqueiro!”, mas é só sumir por seis anos, e ganha uma festa?
Ok. Eu estava sendo infantil e egoísta, mas eu me sentia mal em estar no meio dos Queen. Não de Oliver ou Thea, mas Moira não parecia gostar de mim, da mesma forma que os amigos da sua família. Laurel? Nem se fala! Ela gosta de me colocar no chão, com o papo de que “entrei para a promotoria, viva eu!”. Eu era simplesmente uma deslocada. Até Diggle se socializava melhor. E olha que ex-soldados não são conhecidos por sua simpatia.
– Está uma bagunça lá em casa, então vim me arrumar aqui. – ela me olha enquanto me acompanha para dentro do elevador. – Tem problema?
Penso um pouco, até perceber que ela estava falando, enquanto eu divagava em Nárnia.
– Oh! Sim. – digo e sorrio para ela que me encara com uma sobrancelha arqueada. – Pelo menos tem quem me ajude com a roupa.
Ela sorri, e entra animada em meu apartamento. Luto com as caixas, e por fim coloco as coisa em cima do sofá e posso me focar nela que se perdeu no meu quarto.
– FELICITY! – me chama. GRITANDO!
Levo uma mão a testa, contando a dor de cabeça causada pelo cheiro de química, e ando em direção ao quarto, onde só vejo uma porta entreaberta. Só então me vem a mente que poderia ter um “monstro” – termo que escolhemos para nos referir aos cara de super-força – lá dentro. Acelero meu passo, mas antes que eu possa me assustar realmente, a vejo andando com um vestido extremamente lindo enquanto faz pose para mim.
– Acho que não teremos problemas com seu figurino. – diz mostrando a peça de roupa para mim.
Era realmente um belo vestido. Era listrado diagonalmente entre azul marinho e preto brilhante, com as listras se encontrando no meio, formando um ótimo gráfico. Era frente única, mas não era tão curto quanto eu temia que fosse. Batia no meio do joelho, e melhor: era com lantejoulas, mas nada exagerado. Thea pareceu associar aquele vestido perfeito a meu guarda-roupa, e logo está vasculhando todas as minhas roupas atrás de algo para vestir.
Vou para o banheiro, e troco de roupa, me analisando no espelho. Retoco o batom – que eu ganhei no kit, sendo da mesma cor que o usado na maquiagem – e vou para o quarto, onde Thea me encara maliciosamente.
– O que foi? – pergunto tentando prestar atenção no ponto extravagante no meu vestido. – Está muito decotado ou curto?
Não estava decotado, mas o comprimento me fazia ter certas dúvidas sobre usá-lo.
– Depende. A quem você quer provocar? – pergunta com o mesmo semblante. – O meu irmão ou o Wayne?
Não entendo a pergunta no princípio, até que ela pega uma blusa masculina em cima da cama. Observo a blusa, e fico observando o quanto eu era burra e sortuda. Burra por continuar com aquela blusa no armário, e sortuda por ter uma blusa do Oliver Queen em casa. Se bem que as lembranças daquela blusa não fossem tão agradáveis. Vamos se dizer que não gostei da experiência de levar um tiro.
– Isso não é o que parece. – tento explicar, mas ela revira os olhos.
– Nunca é, Felicity. – diz e se levanta andando em direção a sala trazendo suas caixas. Pude ver vestidos ali. Até que ela finalmente me olha séria, mas em sua expressão tinha zombaria implícita. – Mas o Oliver adoraria viajar nas suas curvas nesse vestido.
Fico corada, e tento mudar de assunto, e Thea dá o braço a torcer. Não estava nem um pingo confortável com esse assunto, e ela por sorte percebeu.
Suspiro aliviada.
Estou quase pronta, vestindo um salto preto quando a vejo sair do banheiro com um vestido creme perfeito no seu corpo. Era preso em cima, com pedrinhas brilhantes – foi o mais próximo que eu conseguia descrever – com um sapato vermelho. Estava belíssima, e eu sorrio por vê-la nessa situação.
Vou para a sala, mas antes que eu gire a maçaneta, escuto alguém tocar a campainha, e aproveito por estar perto e abro a porta. Roy estava do outro lado, com um sorriso gigante no rosto, que logo muda para espanto. Mas não o espanto medo, mas o espanto “você...”. Me viro, e percebo que Thea se aproxima, com um leve sorriso no rosto, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Eu sei que ele a via todos os dias, mas era lindo ver o quão apaixonado ele estava por ela. Ela dá um leve beijo em seu rosto, e ele a puxa para beijar sua boca. Depois disso, ele me olha com uma sobrancelha arqueada.
– Está arrumada assim para... – começa a pedir explicações, e eu sorrio pela sua preocupação. Mas antes que eu possa dizer “ninguém”, para escapar da situação constrangedora, Thea toma meu lugar e entrega o jogo. – Bruce Wayne?
Coro no mesmo instante. Era estranho receber um olhar avaliador de Roy, que até um dia desses estava metido em encrenca. Fico feliz por ver que ele está bem, mas eu não conseguia imaginar o quão maduro aquele garoto estava. Nem sequer imaginava ele me interrogando pelos meus namorados. Sempre o tratei como meu irmão mais novo, e ele fez o mesmo, mas nunca havia pensado em quão íntimo aquilo estava. Eu o amava, e daria minha vida por ele, mas ele estava realmente se preocupando comigo. E sua expressão dizia o mesmo.
– Eu gosto dele. – sorri me reconfortando, e eu não posso evitar sorrir de volta. – Quer carona? Por que eu acho que estamos atrasados.
Olho para o relógio, e percebo o quanto ele estava certo. Já eram nove horas, e a festa já deveria ter começado. Olho para o corredor, e o mesmo estava vazio. Fiquei tentada a aceitar, mas de certa forma, não poderia imaginar Bruce chegando aqui e não me encontrar em casa. Estávamos caminhando para algo mais sério, e se eu queria que desse certo, teria que inspirar confiança. Sei que ele deveria fazer o mesmo, mas com a vida que ele levava, com o Batman e tudo mais, pressão era algo que eu não podia fazer. E além do mais, tem as Indústrias Wayne, onde ele é o presidente. Não conseguia nem manter um peixe vivo, quanto mais ser um vigilante e um CEO ao mesmo tempo.
Olho para Roy.
– Vou esperar Bruce. – digo e sorrio. – E além do mais, aposto que queira saber o tecido do vestido da Thea.
Ele percebe meu tom e olha para Thea que sorri maliciosamente o encarando.
– Adoraria. – afirma, e me olha, antes de virar e levar Thea para o carro, onde eles fariam sei lá o quê. Só sabia que meu coração começa a acelerar.
Sentia falta de Bruce, e de certa forma, eu estava sentindo coisas intensas por ele. Não era amor, contando que amor era algo forte demais, mas não era só atração. Não sabia explicar, mas eu queria cada vez mais que isso entre nós dois desse certo. Eu ainda sentia quando Oliver nos observava desconfortável, e aquele maldito aperto no coração ainda estava lá, mesmo quando eu acreditasse que havia desaparecido, mas mesmo ainda sabendo que meus sentimentos sobre ele não morreram, e de certa forma nem chegaram perto disso, era bom ter Bruce, que estava comigo, e nem que por alguns segundos, me fazia esquecer completamente da minha vida, e só pensar em seus olhos pousados sobre o meu.
Sento no sofá, e antes que eu possa imaginar relaxar, escuto o barulho do elevador ser aberto, e logo me levanto sentindo meu coração pulsar mais rápido por imaginar Bruce.
Antes que eu chegue a porta, ouço a campainha tocar, e quando abro a porta, observo o moreno sorrir enquanto me olha de cima a baixo.
– Nunca pensei que pudesse ficar mais linda do que é. – diz quando consegue abrir a boca para falar.
Tento não corar.
– Não vi o por que de me tirar do trabalho mais cedo e me levar para um salão. – digo o provocando, o que não era muito bom, contando que era óbvio o motivo.
– Eu também não, mas Alfred me afirmou que mulheres gostavam disso. – diz finalmente me olhando nos olhos intensamente, enquanto se aproxima. – Mas acho que ele não se referia a uma mulher como Felicity Smoak.
Sorrio mais uma vez.
Para falar a verdade, não sabia nem se eu havia deixado de sorrir, mas preferia pensar que sim. Não queria parecer meio boba. Ele usava um smoking impecável, com uma gravata borboleta bem alinhada, e um sobretudo preto.
Nem me lembrei de perguntar sobre a demora. Mas ele não percebe, ou ignora o horário, e cruza rapidamente o espaço existente entre nós dois e sela nossos lábios. Suas mãos vão direto para minha cintura, e eu seguro seus cabelos o trazendo mais para perto, sentindo urgência em meus lábios de tocá-lo. Ele me puxa mais para perto, enquanto sua língua invade minha boca. Nos separamos apenas para dar espaço para o ar. Mas ao invés de voltar para o beijo, colamos nossas testas, e ele me fita.
– Acho que estamos atrasados. – diz enquanto me analisa.
– Eu sei. – afirmo, mas antes de sairmos, ele me dá mais um beijo rápido.
***
A festa estava realmente muito bem organizada. Nunca pensei que Oliver teria tanto trabalho para pensar em colocar folhas de menta dentro dos cubos de gelo. Isso seria o tipo de coisa que uma mulher se preocuparia.
Saímos do carro, e já havia pessoas nos servindo do lado de fora. Bruce preferiu não pegar nada, mas tive que me render a um suco de laranja.
Antes de termos entrado, Bruce segura minha mão. Eu sabia bem o motivo daquilo. Eu não iria como a secretária de Oliver, e sim como acompanhante de Bruce Wayne. Só tinha medo do que aquilo causaria naquele ambiente. Algumas pessoas me conheciam, e acredito que Moira não gostaria nem um pingo da situação, mas por mais que eu tenha tentado convencer ele sobre isso, entrei de mãos dadas com um dos maiores e mais lindos CEO’s do país.
– Sr. Wayne. – diz Moira se aproximando. – Que prazer imenso tê-lo aqui. – ela passa o olhar por ele e para em mim, me analisando. – E Srta. Smoak. Que surpresa!
Suspiro tentando conter a vergonha e o constrangimento, e agradeço quando Bruce intervém de modo incrível.
– Não poderia imaginar ninguém mais incrível que alguém de sua equipe. – diz cortês, mas eu sabia que seu tom não deveria ser aquele. – E além do mais, se não fosse ela, não teria vindo com mais ninguém.
Moira me analisa, e antes que solte mais uma das suas, Oliver aparece, segurando um copo de whisky na mão, com um olhar interrogativo. Mas logo se transforma em alguém agradável com a presença de sua mãe na roda.
– Que bom que veio, Bruce. – diz para Bruce, e me encara, com algo escondido atrás de seu olhar. – Está muito linda, Felicity!
Observo ele sair, mas percebo seu olhar parar em nossas mãos dadas antes de se virar. Queria me esconder, mesmo sabendo que eu não poderia fazer aquilo toda vez que algo desse tipo acontecer, mas lá estava o aperto em meu coração que eu havia dito.
– Oliver! – diz uma voz conhecida, e observo Laurel se aproximar dele. – A festa está ótima. Ainda bem que teve uma boa ajuda.
Observo a reação de Oliver quando ela lhe dá um beijo na bochecha, e sai para falar com os outros convidados. Mas em minha mente, só pude pensar em uma coisa, mesmo estando com muito ciúmes desnecessários: cadê Sara?
Mas antes que eu possa tirar minha dúvida com Bruce, a porta é aberta, e todos ao redor se viram para encarar a loira que entra, acompanhada do capitão Lance e de uma mulher muito parecida com ela.
Há murmúrios na sala, e todos parecem ter visto um fantasma. Sara sorri para todos, algo que ilumina a sala, e observo as pessoas se aproximarem para cumprimentá-la. Olho Bruce que observa a cena, e ele percebe a questão em meu olhar.
– Ninguém sabia o verdadeiro motivo da festa. – fala e me encara. – Nem mesm...
Mas antes que ele sequer pense em terminar a frase, um copo de vidro cai no chão. Observo ao redor, e percebo que um corredor foi formado entre Sara e alguém.
Laurel.
Ela parece aterrorizada, e mais que tudo, há um sentimento que não deveria estar ali: ódio. Ela encara a irmã, e sua expressão parece nojo, enquanto se aproxima lentamente. Tento me aproximar para apoiar Sara, mas Bruce me impede ao segurar meu braço.
– Ela não vai tratar Sara assim. – afirmo para ele de certa forma irritada. Eu sabia que ninguém ali sabia das verdadeiras intenções de Laurel, contando que nenhum deles tinham que interrogar criminosos todas as noites. – Eu sei o que ela quer fazer, Bruce.
– É um caso de família. – diz e acena para a cena, e eu me viro para olhar. – Não devemos interferir.
Laurel já estava na frente de Sara, e eu observo a raiva em seu olhar.
– Não acredito! – diz Laurel, mas não havia sinal de felicidade em sua voz. Era... Raiva. – Você passa todo esse tempo fora, e volta assim?
– Laurel, eu sinto muito. – Sara sim parecia abalada. Ela havia visto Laurel antes, uma alcoólatra problemática, mas não poderia imaginar que a irmã tivesse nessa situação.
– Não sente nada! – grita Laurel. – Nem sequer pensou em ligar e dizer para todos nós que estivemos sofrendo todos esses anos pelo menos para dizer: “eu Laurel, sinto muito por estragar a sua vida, mas estou viva, ok?”! Você nem sequer imaginou nossa reação quando voltasse, imaginou? Nem sequer procurou saber se queríamos que você voltasse. Mas vou te dizer uma coisa, irmã, eu não queria. Estava muito melhor aqui sem você. Todos estávamos. E que saber de uma coisa? – diz e olha para o detetive Lance para a mulher que parecia a mãe da Sara. – Você destruiu a nossa vida! Eles nem sequer estão mais juntos. Sabia que eles se divorciaram quando você “morreu” ? Claro que não.
Sara permanecia calada, fria. Mas eu sabia que havia algo mais se passando no íntimo dela. Me solto de Bruce, e corro em direção a minha amiga, a defendendo daquela cobra que ela chamava de irmã.
– Talvez devesse ter pelo menos educação de não surtar em uma festa desse tamanho. – falo encarando séria Laurel. Bruce observa de longe, hesitante em se aproximar, mas faço sinal para que não. – O que quer? Mais um show da Laurel Lance, pessoal!
– Não se meta! – ela exclama, gritando.
– Laurel... – vejo Oliver se aproximar de Laurel, segurando o braço da garota. Me sinto de certa forma traída, principalmente quando ele me lança um olhar de advertência. Posso ver também pela primeira vê Diggle. – Vamos conversar.
– Quem convidou você, Smoak? – ela tinha nojo na voz, e pela primeira vez eu não tinha argumento válido. Dizer que havia sido convidada por Bruce Wayne?
Olho para Oliver.
– Eu. – diz Bruce se aproximando.
Eu queria chorar. Meu amigo não havia dito nada. Só olhava para longe.
– Laurel, vamos embora. – tenta novamente.
Mas antes que eu possa me virar para sair, os vidros das janelas e do teto explodem, e os estilhaços todos caem no chão, fazendo com que todos gritem desesperados. Me jogo para o lado, evitando que caiam em cima de mim, e olho para Sara, que acena com a cabeça e desenha um “fuja” com os lábios. Não vejo mais nada, mas observo Oliver me analisando. Viro o rosto, e observo Bruce ajudar uma mulher ferida. Ele também me fita me analisando. Aceno com a cabeça, e ele faz o mesmo que Sara, me mandando fugir. Levanto, e corro em direção ao único lugar não tumultuado: a escada. Luto contra o salto, enquanto subo rapidamente as escadas. Não posso mais ver o teto, mas instintivamente coloco as mãos na cabeça quando passo perto da vidraça na escada. Os corredores mais uma vez me confundem, mas não tive muito tempo para pensar, então viro para a esquerda. Deixo os saltos no meio do caminho, e abro a primeira porta que vejo, dando de cara com um escritório.
Aquela era a mansão Queen, né? E os Queen e seus segredos... Deveria haver alguma arma ali, para defesa pessoal. Corro em direção as gavetas, e tiro tudo de lá, procurando qualquer sinal de fundos falsos e coisas assim. Nenhuma das três gavetas tinham nada, então logo eu passo para a quarta, que era mais funda que as demais. Mas era uma gaveta de arquivos. Bufo enquanto escuto passos pelo corredor, e procuro mais rápido, sentindo minhas mãos tremerem enquanto procuro qualquer coisa. Uma faca, machado, martelo, bastão de baseball, nada. Mas um arquivo me chama a atenção.
Escuto uma porta distante ser chutada, e ela faz um estrondo quando abre.
Olho o arquivo rapidamente, parando quando observo algo. Uma foto. Uma semelhança. Suspiro pesadamente, observando a imagem.
Outra porta escancarada.
Olho para a janela, e observo que a queda seria dolorosa, mas nada mais me vinha a mente. Uma queda. Olho para a porta, e me levanto abrindo a janela. Olho para baixo, e percebo que nem sequer grama havia para afofar a queda. Apenas algumas pedras.
A porta é escancarada.
Me viro rapidamente, e um sorriso me faz estremecer. Uma mulher. Vestida de gato. Mulher Gato? Sem momentos para nomes, Felicity! Só olho da mulher para a janela.
– Felicity Smoak. – diz com uma voz de perua, e me viro para encará-la. – Não faz idéia do quanto eu esperei por esse momento.
Continua...
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