Student Council Work
1 Capítulo 1 - Abrindo as portas
Notas iniciais
As pétalas das cerejeiras voam na entrada do colégio. Gosto do balanço das folhas das árvores que ocupam o jardim. O barulho do vento entre elas... As folhas, as pétalas e os folhetos caem delicadamente...
F-folhetos?
Sim, folhetos. Folhetos voando por toda a entrada do colégio. Não entendo nada do que está acontecendo.
Pego um dos folhetos e nele está escrito "Re-abertura do concelho estudantil! Entre para está nova jornada!".
– Nessa escola não tem conselho estudantil? Isso é um pouco diferente... Não, é totalmente diferente das escolas normais. — E um folheto bate no meu rosto fazendo tudo ficar escuro — O-o que é isso? "Eu sei que você quer entrar para o conselho estudantil! Não negue a si mesmo!"... Prefiro continuar a me negar então. Muito obrigada pela oferta. Eu passo!
...
– Olá pessoal! Bem-vindos ao seu novo ano de desafios! — Esse é meu novo professor, Nishijima, que parece ser doidinho de pedra. Fazer o que?
Todos escutam alguém correndo no corredor. Alguns fingem que não estão escutando nada. Outros ficam cochichando "Quem será o idiota que se atrasou?". Os passos chegam mais perto da minha sala e param. A porta se abre fazendo um barulho estrondoso.
PAAF!
– M-me desculpe... pe-pelo o atraso... — Aparece uma garota na porta toda esbaforida, respirando fundo como se tivesse acabado de correr uma maratona. Ela tem o cabelo rosa e duas maria-chiquinhas que mais parecem dois pompons. — Estava terminando de falar com o diretor!
– O que você fez? — pergunta o professor
– Nada.
– Então porque você foi chamada para conversar com o diretor?
– Eu não fui chamada. Eu fui lá porque eu vou re-abrir o conselho estudantil. — Ela fala "Re-abrir o conselho estudantil" com um sorriso e toda a empolgação que ainda lhe restava depois de toda a corrida.
– Foi você quem espalhou aqueles panfletos pelo pátio de entrada? — pergunta um dos alunos.
– Foi. Algum problema? Eu preciso de publicidade para conseguir deixar aquilo aberto.
– Você fez uma bagunça imensa na entrada. — pergunta outro aluno. — Você vai limpar tudo sozinha?
– Eu pretendo... mas, sabe... sozinha é difícil. Então, se tiver alguém interessado em entrar é só me avisar.
– Já que você já está aqui na frente, que tal começar com você se apresentando? — pergunta o professor com um sorriso no rosto.
– E-eu? Mas...
– Por que não? Depois é só você sentar na cadeira e relaxar por já ter passado o constrangimento.
– O-ok... — Ela deu uma limpada na garganta e começou a falar — M-meu nome é Yayoi. Asahina Yayoi. Eu irei abrir o conselho estudantil, pretendo cuidar dessa escola como se fosse minha própria casa e cuidar dos alunos como se fossem minha família. Por favor, me aceitem bem aqui!
...
– Finalmente acabou — digo enquanto me espreguiço na cadeira. — O que será que a Nade fez para mim de almoço? Ah, arroz frito com ovo. Ela só sabe fazer isso?
– Por favor, entre no conselho estudantil! — Aparece um folheto na minha frente e uma voz que implora piedade. Levo um susto.
– Meu pai! De onde você surgiu?
– Eu estava aqui na sua frente a um tempo... Pensando em como te pedir isso...
– Não tem outra pessoa para você pedir isso não?
– Você é a última pessoa que eu estou pedindo. Você senta no último lugar da fila da janela, não reparou?
– Pensando bem, não...
– Então, pedindo para a última pessoa, por favor, me salve.
– Desde quando você é a princesa do Mario para ser salva?
– Mas, eu estou realmente em apuros. — Ela se ajoelha e olha com olhos de cachorro pidão — Por favor! Eu imploro!
Fico calada por um instante e olho para sala. Todos estão olhando para nós. Eu pego o braço dela e saio da sala correndo.
...
– Porque você me trouxe para dentro dessa salinha? Aqui fede. — Diz a garota com a mão no nariz, tentando se livrar do cheiro.
– A-aqui... deve ser... a... sala o-onde guardam... as co-coisas... de l-limpeza... — Digo, inspirando e aspirando todo o ar que tinha nos pulmões. Agora sei como ela se sentiu depois de correr tanto.
– Por que você me trouxe aqui?
– Porque você precisa de uma lição.
– Por que?
– Por que? Porque você se fez e me fez passar vergonha na frente da sala inteira se ajoelhando daquele jeito! Eu nunca passei tanta vergonha na minha vida! — disse soltando toda a raiva que tinha. Meu rosto já era outro. Eu nunca tinha ficado tão furiosa daquele jeito.
A garota ficou em silêncio olhando para o chão. De repente, ela levanta a cabeça e diz:
– Ei...
– O que foi?
– Posso sair daqui? Aqui fede.
– Você escutou alguma palavra do que eu disse? — disse mais furiosa ainda.
– Você disse alguma coisa? — disse fazendo cara de desentendida.
– Não... brinca... com... a minha... cara...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!
...
Tocou o sinal da última aula. Enquanto arrumava minhas coisas, escutei duas garotas conversando: "Ei, você viu o que aconteceu?" "Não. Eu lanchei na cantina. O que aconteceu?" " Aquela menina que quer fazer um novo conselho estudantil ajoelhou aqui no meio da sala!" "Não brinca! Que idiota!" e riram bem alto como se ninguém estivesse vendo. A garota se levantou e foi embora como se não tivesse ouvido nada. Fez igual quando chegou. Abriu e fechou a porta com força. Escutei aquela mesma corrida de mais cedo. As garotas voltam a comentar: "Ela escutou a gente falando?" "Com as risadas que nós demos, com certeza!" e voltaram a rir.
...
Saindo da escola, vi a menina varrendo o pátio de entrada com a cabeça baixa. Parei por um instante. Ela parou de varrer e colocou o braço na frente do rosto. Escutei seus soluços. Ela estava chorando.
– Por-por que? — escuto ela falando pausado, por causa dos soluços. — Por que isso só acontece comigo? Foi igual antes. Eu fiz alguma besteira, eles começam a falar de mim, as pessoas começam a me ignorar e eu fico sozinha até o fim. POR QUE??
Dava dó de ver ela falando daquele jeito, como se Deus estivesse contra ela.
– Deus... Eu tenho um pedido! Por favor, me traga amigos pelo menos uma vez!
Tentei sair de fininho para que ela não me visse. Acabou que, no primeiro passo, tropecei e cai com a cara no chão. Ela virou rápido, assustada e correu para me ajudar.
– V-você está bem? — diz ela com o rosto espantado
– Droga... — Reparei o rosto dela. Estava vermelha, constrangida porque eu ouvi o que ela estava falando. — Ah, m-me desculpa se eu ouvi algo que não devia...
- N-não... Tudo bem. — ela sacudiu a cabeça bem rápido e depois começou a olhar para o chão.
Ficamos em silêncio por um instante.
- Ei...
- O-o que foi?
- Posso ir embora? Esse chão está sujo!
- Tá de brincadeira, não é?
- Por que eu estaria? Você fez a mesma coisa comigo antes!
- M-mas... — ela ficou em silêncio por um instane — OK. Isso foi o troco. Satisfeita?
Dei uma risada, sorrindo pelo canto da boca.
- OK — me levantei logo após de ter falado e estendi minha mão para ela — vamos limpar esse pátio logo.
- Mas... Você não é do Conselho...
- Então eu entro!
- Que?
- Eu disse que eu entro para o conselho. Você vai demorar muito se for limpar esse pátio sozinha.
A expressão de surpresa que tinha no rosto dela mudou para um enorme sorriso. Os olhos dela brilhavam de satisfação.
- M-muito... MUITO OBRIGADA! — ela começou a chorar e pulou em cima de mim.
- E-ei. V-você... está... me... su-sufocando...
Mesmo ela me sufocando, eu me sentia feliz por ela estar feliz. E agora, eu tenho um clube para trabalhar.
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