Stuck on Summer
2 Capítulo 2
–Acho que vou fugir para a casa dos meus avós, -eu reclamava aos ouvidos de Esther que parecia me ouvir- lá não é tão quente e eu já conheço todo mundo lá, não preciso fazer todo aquele processo de me desdobrar para ter novas amizades
–Com certeza, de amiga você já tem a mim -dizia Esther, me fazendo rir
Esther era minha amiga já fazia oito anos, amadurecemos juntas. Ela nunca deixou de ter o cabelo cor de mel longo e liso, apesar de ter posto aparelho aquele ano e a fisionomia facial dela ter mudado um pouco.
Nós estávamos na casa de Esther, era sábado e a piscina estava limpa. Conversávamos assuntos de 2 semanas atrás em 20 minutos e em 1 hora já sabíamos tudo o que tinha acontecido com a outra. O Sol e o céu incrivelmente azul eram as únicas testemunhas de que aquilo era, sem dúvidas, verdadeiro. Estávamos sozinhas na casa de Esther, minha irmã e a irmã dela saíram com nossas mãe e nossos pais estavam em seus trabalhos. Por mais que fossemos opostas em tudo, éramos iguais.
–Você pode morar aqui em casa -Esther fez uma proposta tentadora que valia a pena tentar, porém
–Nossas mães nunca iam deixar -Esther concordou com aquilo pensativa então finalmente disse
–Lá não pode ser tão ruim assim, -seu olhar malicioso enquanto pronunciava aquelas palavras me deixou curiosa- se é que você me entende
–Tradução, por favor -eu retruquei, e por mais que eu tentava me fazer de inocente, Esther sabia que eu sabia
–Garotos! -gritou Esther, não acreditando na minha cara de menina sonsa
Eu hesitei, logo pensei no Henrique e ri. Não entendi aquilo, o que foi aquilo?
–Opa -disse Esther, que me fez olhar para ela assustada
Ela ria de canto
–Tem uns garotos legais lá, mas não falei com eles direito -por mais que Esther não acreditasse, essa era a verdade
–Imagino -um tom de decepção na voz de Esther
Mudamos de assunto, rimos mais um pouco e depois saímos da piscina, o sol já estava quase se pondo, perdemos a noção do tempo e água já estava ficando fria.
Então, quando nossas mães chegaram com nossas irmãs, eu tive a ideia mais louca e eu achava que daria certo.
–Mãe, -procurei em minha garganta um tom doce e eis que ele surgiu -quero dizer, mães, a mobília lá do apartamento já está montada, e só falta o piso do banheiro para tudo ficar perfeito -dei uma pausa, olhei para Esther, os olhos castanhos arregalados, então continuei -eu estava pensando, se a Esther não podia dormir lá no apartamento
Naquele momento, até os dedos dos meus pés estavam cruzados
–Por mim tudo bem, -disse a mãe de Esther -mas e você Esther?
–Você sabe que sim -disse Esther, que não tinha outra opção a não ser ir para o apartamento e entender o meu sofrimento
–Mãe? -eu disse meio que implorando
–Claro, a Lori anda sozinha, seria bom para ela -disse minha mãe sorridente, mal podendo acreditar na situação que eu acabara de colocá-la.
Ela não precisava passar a impressão que tinha uma filha anti-social e sozinha, mas eu merecia isso.
Não dizemos uma palavra durante todo o trajeto até o condomínio, Esther ouvia música e eu olhava pela janela, Gio contava histórias que não tinham nada a ver enquanto minha mãe pedia para ela calar a boca pois estava tentando se concentrar no caminho
–Gio, minha filha, quer morrer? -disse minha mãe entre os dentes, com os olhos fuzilando o carro à frente que a fechara no cruzamento
–Claro que não -disse Gio, assustada, e deveria mesmo.
–Então fique quieta ou vou com tudo e jogo esse carro em cima de um poste
Ainda bem que Esther usava fones de ouvido, ela não precisava ouvir aquilo.
Chegando no condomínio, perguntei a Esther se ela estava preparada, ela não entendeu muito bem a pergunta, ela só a entendeu quando subimos 45 degraus de escada para chegar até o meu apartamento que ficava no quarto andar.
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