Stuck in a Hidden world
4 Happy Birthday
Notas iniciais
Christopher estava com um belo problema em suas mãos e completamente irritado. O James tinha dado um jeito de interceptar uma de suas cargas que estava sendo direcionada para o porto e pronta para ser distribuída na América do Sul. Como se não bastasse o prejuízo de aproximadamente 5 milhões de dólares ele tinha uma reunião com o seu pai e ele detestava aquelas reuniões.
Passou a mão em seus cabelos loiros e suspirou frustrado. Colocou o cotovelo direito na mesa de mogno e apoiou sua cabeça na mão. Não tinha como argumentar com o seu pai, fora um incompetente e sabia disso. James era o único que estaria feliz naquela situação. Sua vida sempre fora um jogo de trapaças e armações, uma eterna caçada e ele definitivamente odiava isso.
Foi então que a porta do escritório se abriu subitamente como anos atrás. Seu pai surgiu furioso exatamente como no dia 22/04 de 2006. O dia em estava completando seus 10 anos de vida.
Ele estava naquele mesmo escritório com Cassidy, sua babá que chamava carinhosamente de Cassy. Ela tinha preparado um pequeno bolo de chocolate e espetado uma pequenina vela azul. Era uma comemoração pequena, mas ele se sentia o menino mais especial do mundo. De alguma forma, a mesma tinha colocado um pouco de chantilly e alguns granulados coloridos, provavelmente tragos de sua própria casa. Se fosse nos dias atuais diriam que era um cupcake devido o seu tamanho, mas na verdade era tudo o que ela poderia fazer sem seu pai saber.
Ela fechou a porta e as grossas cortinas vermelhas a fim de deixar o ambiente propício para se cantar os parabéns, apagou a luz e se dirigiu sorrindo a mesa que estava o bolo. Ele, por ser pequeno diante da mesa de seu pai que estava trabalhando fora naquele dia, subia na cadeira e a olhava ansioso. Ela aproximou o fósforo que carregava a chama e fazia com que ele visualizasse o seu rosto magro do pavio. A vela se acendeu e a sala explodiu em um ritmo contagiante e solitário das palmas de Cassy, para ele aquele era o melhor som, era mágico.
Começou a acompanhá-la, de forma animada e determinado a fazer o seu pedido. Ia pedir que seu pai pudesse deixar de trabalhar e cuidasse dele, não que ele não o fizesse, mas para o seu pai tudo o que importava eram os treinos, e ele não queria a vida que seu pai planejava. Desejaria que seu pai lhe entendesse e lhe amasse do jeito que era.
A tradicional musiquinha de parabéns tinha acabado, ele enchia os pulmões de ar e se posicionava para "soprar a velinha", mas o abrir da porta fez o serviço por ele. A vela se apagou e seu pai surgiu numa áurea de fúria.
– Mas que diabos é isso?
– Senhor Magnus... E-Eu não sabia que já estava a caminho de casa- Tentou argumentar Cassidy.
– Isso não é justificativa! Quer dizer que na minha ausência você fica enchendo a cabeça do menino de bobagens?
– É só um bolinho, senhor, Christopher é uma criança- Soltou a voz no tom mais submisso que ele já ouvira.
– Pai, é o meu aniversário — O loirinho pronunciava-se pela primeira vez na tentativa de ajudar sua babá. Ela era tão boa com ele, sempre cuidou e o consolou quando precisou. Ela sempre fora a sua mãe.
– Pai? Já disse que não pode me chamar assim, moleque! Para você é Magnus, para você e qualquer outra pessoa. Você acha que é diferente de alguém? Melhor do que os outros?
– Não papai eu....
– Já chega! — Disse o senhor Sawyer com os olhos repletos de ódio- Deixa de ser insolente menino! Está surdo? Não escutou o que eu acabei de falar?
Christopher estava assustado demais para falar qualquer coisa. O escuro que antes deixava que o ambiente fosse iluminando pela chama mágica que já não existia desde a chegada do seu pai estava perturbador. A penumbra fazia com que tudo parecesse um filme de terror.
– Não vai me responder? Não percebeu que lhe fiz uma pergunta?
– Eu escutei o senhor, todas as vezes que se pronunciou. Não me acho melhor do que ninguém, mas quero terminar de comemorar o meu aniversário. — Disse o pequeno menino com a voz embargada pelo choro e olhando para o seu bolo.
– Veja se cresce primeiro e faz alguma coisa útil da sua vida! Aí sim você terá motivos para comemorar- disse Magnus ascendendo brutalmente a luz e fazendo com que O pequeno rapaz que completava dez anos fechasse e os olhos e desviasse o olhar devido ao incômodo da nova luminosidade- Você está chorando? Olhe para mim, Christopher! Eu estou falando com você e não sou seu empregado.
Cassidy tinha os olhos marejados e o coração repleto de pena do menino que se virava lentamente para encarar o pai.
– Agora para de chorar, deixa de besteira e se ajeita porque temos um treino diferente hoje. — Disse puxando o menino pelo pano que cobria o seu obro e fazendo sair de cima da cadeira aos tropeços.
– Eu não estou chorando, mas eu não entendo... Hoje é sábado, não deveríamos ter nenhum treinamento.
– Você não queria comemorar o seu aniversário? Pois, então, vamos lá! Um treino. O especial em sua homenagem- Ele se aproximou do Christopher, segurou seu queixo e continuou- Lide com as conseqüências de ser mais velho, agora tem idade o suficiente para sair do estúdio- soltou o rosto do menino em um movimento que lançava o mesmo para o lado e se dirigiu a porta.
– Sair do estúdio? Como assim? O que você quer fazer? — A cabeça do aniversariante estava processando várias emoções e não conseguia identificar qual seria o castigo que seu pai estava planejando.
– Não entendeu ainda?!? Seu treinamento de mira será na floresta agora. Já atingiu todas as etapas na sala de treinamentos, mas é muito fácil ter êxito quando o alvo não se mexe ou tem movimentos computacionais, agora eles serão movimentos verdadeiros de um alvo real.
– Não! Eu não quero matar nenhum alvo vivo- Disse à seu pai horrorizado com a idéia.
– São apenas animais selvagens- desdenhou Magnus- Estará fazendo um bem ao mundo.
– Como isso pode ser bom? Não tem lado bom nisso.
O Homem olha para o seu filho, se aproxima novamente e diz em um tom nocivo:
– Está vendo porque você não pode comemorar? Você ainda não entende nada, agora vamos. Temos um treino pela frente. — Seguiu pela porta e parou apenas para dar um último pronunciamento, dessa vez para Cassidy- E você terá o que merece por enchê-lo com suas idiotices.
Quando seu pai foi embora, a mesma pegou o menino e deu um forte abraço.
– Vai lá, menino Sawyer.
– Eu não quero Cassy! Não quero matar nenhum animal e não quero te deixar sozinha aqui.
– Ei, eu vou ficar bem- Disse enxugando as lágrimas do Loirinho- Vou guardar o seu bolo e quando voltar o comemos, está bem? Mas você tem que terminar o que seu pai quer logo para podermos comemorar o quanto antes.
– Christopher! Não me faça voltar aí- Soou a voz de Magnus pelo escritório.
E soltando o "seu menino" do abraço ela disse:
– Vai! Quanto antes terminar melhor, e não demore aqui, ele vai perceber nosso combinado- Ao receber um beijo de boa- sorte O jovem sai correndo do escritório na expectativa de voltar para a sua babá tão rápido quanto a deixara.
A floresta não era densa, não tanto quanto o silêncio que se estabeleceu no carro durante todo o percurso. Tinha algumas clareiras e diversos tipos de animais. Seu pai havia dito que era melhor ele pegar um terrestre para começar.
– Vamos Lá! Não vi você focado em nenhum animal, escolha o seu alvo e acerte! — Magnus explicava como se nada tivesse acontecido anteriormente em seu escritório. Ele estava perto de uma árvore, escondido atrás de um tronco grande que estava caído. Usava a madeira como escudo e deixava apenas o necessário da sua cabeça de fora para observar.
– Qual minha meta de hoje?- Perguntou para ter certeza de que se abatesse um dos animais poderia ir direto para casa.
– Qual sua meta? Quer dizer quantos precisa matar? — Perguntou casualmente.
– Isso! Mato um e vou embora.
– Tudo bem- disse concordando com o filho, mas feliz por tê-lo convencido de praticar sua habilidade em um ser vivo- mas, tem que ser um bom bicho e um bom tiro. Como aquele veado ali- Apontou cautelosamente para não espantar o animal.
O menino se posicionou, mirou pensando em como seria agradável chegar em casa e poder comer o bolo que " Cassy" tinha feito enquanto ela lhe fazia cafuné, e foi com esse pensamento que apertou o gatilho. Bang!
– Não está me vendo aqui não? — A voz grave de seu pai trouxe
Christopher de volta à realidade, uma realidade que não era mais agradável que sua lembrança. Seu pai estava ali, diante dele em uma roupa esporte fino. Os tons claros contrastavam com os olhos escurecidos pela raiva.
– Desculpa, não o vi entrar — A reunião já não tinha começado muito bem e o grande rei da máfia não sabia como reverter à situação. A questão era que quando se tratava do seu pai nunca se ganhava. Se você começava em vantagem ia perder e se já começasse perdendo nunca conseguiria reverter a situação.
– Sabe, Christopher, você não tem visto muitas coisas- Disse andando pelo escritório- tem andado distraído e perdendo mais coisas do que deveria. A propósito, achou a minha mercadoria que foi, digamos, extraviada do seu destino?
– Não. James não a tem em nenhum de seus galpões — seu pai fingia ouvir tudo com muito interesse, muito impressionado.
– Então, imagino que estava pensando nisso quanto cheguei. — Ele estava quieto demais, estava preparando a armadilha.
– Creio que o Malboni tenha aproveitado que a carga estava pronta para ser entregue e a vendeu para outro destino. — Suspirou cansado.
– E eu, como fico? Quero saber do prejuízo que você me deu com a sua incompetência!
– Eu não tive culpa! Sempre soubemos que James tinha interesse em controlar o porto para fazer o escoamento, e sempre o mantive em nosso domínio. Agora eu não esperava ter que deixar homens apostos pelo caminho também. Sabe quantas rotas temos? Muitas! E todas as mercadorias são acompanhadas por uma equipe. Não esperávamos um ataque de 50 contra 5.
– Como ousa se dirigir a mim neste tom, moleque? — Disse apoiando as duas mãos na mesa do filho e o encarando friamente- Estou aqui para resolver um problema que você me causou!
– Se está preocupado com o seu prejuízo, saiba que isso não ficará assim. Terá os 5 milhões na sua conta o quanto antes. — Respondeu Christopher se levantando da cadeira e apoiando as mãos no mesmo gesto do pai.
– Acha que é apenas como o prejuízo que me preocupo? Sabe que isso causou a nossa imagem? Agora acham que o império Sawyer está indefeso, sujeito a ataques e saqueamentos!
– Vou mostrar a nossa força, James não terá uma carga interceptada, e sim todas. Sabe que armações e trapaças circundam qualquer um que esteja nesse meio. Nós mesmos já aplicamos dezenas, não estávamos imunes.
– Não seja um tolo impulsivo! Acha que ele não espera uma vingança? O que lhe faz pensar que deve dar o troco da mesma maneira que ele lhe deu o golpe? Isso não foi bom para a nossa imagem, não agora e não sobre a sua administração. Era algo pelo qual poderíamos ter passado no princípio, não agora que estamos consagrados.
– Farei com que pague. Eu juro — Disse olhando nos olhos do pai — Vou fazer com Que se arrependa de ter mexido com os Sawyers.
– Assim espero — disse dando as costas e se dirigindo a porta- Não é um mal comandante, e como tal precisa de um ótimo conselheiro em momentos que exigem decisões mais amplas.
Nunca tinha sido elogiado pelo pai e antes que pudesse lhe responder alguma coisa a porta se abre e surgi Mandy.
– Ah! Desculpa, eu não sabia que estava ocupado. — Disse a moça sem graça.
– Não há problema, eu já estava de saída. — Respondeu Magnus passando pela porta.
– Sente-se temos um assunto a tratar — Ordenou Christopher com a mesma voz grave e sedutora do telefone.
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