Stubborn Fools
11 Capítulo 11 – Luke deve ter feito faculdade de moda
Notas iniciais
– Você é uma maluca. — falei, assim que a porta do apartamento se abriu, e Sophie entrou. Eu estava frustrado, irritado, nervoso e querendo estrangulá-la. Havia ficado o dia todo preso no apartamento vendo TV. Grande dia. Argh. E tudo culpa da infantilidade da criatura.
– Agora que descobriu?- ela respondeu amargamente, seu olhar de ironia me irritando ainda mais.
Fiz uma careta para ela em resposta (no meu íntimo, minha vontade era de enforcá-la). Ela, por sua vez, jogou a chave do carro em minha direção, peguei-a no ar. Suspirei aliviado por ter minha chave de volta. A partir daquele dia, nunca mais deixaria minha chave em um lugar que Sophie pudesse ver.
Voltei minha atenção para Sophie, que jogou a bolsa em cima do sofá e entrou no banheiro. Escutei o chuveiro sendo ligado. Não tinha certeza se ela havia levado uma toalha, mas não estava me importando, eu esperava que ela não tivesse destruído meu carro.
Meia hora se passou e nada.Ela continuava trancada naquele banheiro.Passou mais meia hora até que a porta do banheiro se abriu, Sophie enrolada em uma toalha branca.Ela começou a gritar nervosamente, indo em direção ao quarto.
– RATO!- escutei ela gritar desesperada.
Ah claro, eu não havia matado o pobre ratinho, mesmo porque, o coitado do Freddy (nome carinhoso que eu dei ao rato) tinha sido minha única companhia o dia todo.
– Seu imprestável, você não o matou. — Sophie gritou irritada do quarto.
– Não vou matar o Freddy. — respondi rindo.
–Argh, Luke. Eu te odeio. — ela disse, sem sair do quarto.
– Eu sei, eu sei, — balbuciei para mim mesmo. Que ela me odiava não era mais segredo.
O silêncio permaneceu na casa até que, outro grito da Sophie ecoou pela mesma. Cara estava pensando seriamente em mudar de apartamento, ou então, comprar tampões de ouvido. A segunda opção era mais viável.
Revirei os olhos, fechei a porta do banheiro, onde o Freddy se localizava, e caminhei em direção ao quarto de Sophie para ver o motivo do chilique. Bati na porta (já que eu sou educado e não saio entrando assim), e esperei pacientemente por palavras agressivas juntamente com frases do tipo Vá embora!. Para minha surpresa, ela me recebeu com menos má educação do que eu imaginava.
– Matou o rato?- Sophie perguntou enquanto abria a porta.
– Não. — respondi, e em seguida Sophie fechou a porta na minha cara. — Mas o tranquei no banheiro. a porta se abriu novamente.
– Ao menos isso. — ela comentou. — O que quer?
– Por que estava gritando?- perguntei curiosamente.
– Hoje eu tenho um encontro com o Daniel e não tenho roupa. — Sophie respondeu manhosa, me deixando boquiaberto. Porque, primeiramente, tinha me esquecido completamente do encontro dela com o Daniel, e "segundamente" "ela não tinha roupa"? Ah, me poupe. As madeiras do guarda-roupa dela estavam quase quebrando da tanta roupa. Claro, isso depois que ela as lavou.
– Claro que tem. — falei. — E muitas roupas, só para constar.
– Mas nada fica bom... — Sophie falou nervosa. — Céus. Eu preciso ficar bonita.
Detalhe: ela já era bonita.
– Pra quem disse "eu não quero mais o Daniel na minha vida", você está querendo ele na sua vida até demais. — ao dizer isso, Sophie me arremessou um cabide na cara, acertando em cheio meu nariz. — Ai. — murmurei levando a mão até onde o cabide havia acertado.
– Não me provoque ao menos que queira perder o nariz. — Sophie falou de maneira tão ameaçadora, que realmente me assustou muito.
– Desculpa, desculpa. — falei apressadamente, antes que perdesse verdadeiramente meu nariz.
Sophie voltou sua atenção para o guarda-roupa e começou a tirar vestido sobre vestido de dentro do mesmo e jogar na cama enquanto balbuciava não, não, esse não, muito menos esse. Ver Sophie dando uma de patricinha que não tinha um encontro há século era realmente muito divertido. Por tal motivo, me sentei na cadeira em frente à escrivaninha, e fiquei observando-a juntamente com o seu desespero.
– Céus, Luke. — ela começou. — Vai realmente ficar aí, parado, enquanto eu tenho um aneurisma aqui?
– Vou. — respondi na cara de pau, ainda observando-a.
Sophie me encarou em desespero e se jogou na cama, por cima de vestido, calças jeans, cabides e blusas. Ela pegou um travesseiro e tampou a cara, soltando gritinhos nervosos em seguida.
Minha vontade era de rir, mas se fizesse isso, ela me mataria com toda certeza. Levantei, e me aproximei dela, retirando o travesseiro de cima da cara da mesma. Ela me encarou apreensiva.
– Você não deveria estar no meu quarto. — Sophie falou, e eu tenho quase certeza que ela só disse aquilo porque não tinha mais nada para falar.
– Você não deveria roubar meu carro. — respondi na mesma moeda. — Estamos quites.
Ergui a mão em sua direção para que ela segurasse e eu ajudasse a se levantar. Ela segurou minha mão e assim o fiz. Guiei-a em direção a cadeira e a coloquei sentada na mesma. Sophie me encarou sem entender, mas não perguntou nada. Eu, por minha vez, apenas sorri. Fui em direção às roupas, que estavam jogadas em cima da cama. Averiguei cuidadosamente peça por peça, sentindo a todo minuto o olhar de Sophie sobre mim, em seguida retirei de cima da cama um vestido preto e um azul.
– Toma. Experimente isso. — entreguei a ela os vestidos.
– Mas eles são... — ela começou a falar, mas foi interrompida por mim.
– Não diga nada. Apenas experimente. Pode ir até meu quarto, se não quiser que o Freddy, ou eu, te veja pelada. — brinquei com ela, recebendo uma careta como resposta.
Assim que ela saiu, comecei a procurar os sapatos de Sophie. Os encontrei com facilidade em uma espécie de sapateira dentro do guarda-roupa. Analisei um por um, separando duas sandálias, que a meu ver combinavam com os vestidos. Abri a outra porta do guarda-roupa, e me deparei com o lugar onde Sophie guardava os acessórios. Havia três bolsas. Retirei a melhorzinha. Abri uma caixinha em forma de coração, estava cheia de brincos, pulseiras, colares, e etc. Retirei um brinco e um colar preto. Coloquei os acessórios em cima da escrivaninha. Escutei um pigarro, e me virei em direção à porta. Sophie estava parada, com o vestido azul.
– Mas esse vestido é ridículo, não dá... — ela tentou argumentar outra vez, mas a interrompi novamente.
– Não fala nada. Coloque o vestido preto agora. — ela revirou os olhos mas me obedeceu.
Esperei pacientemente, e em menos de cinco minutos, Sophie estava parada na porta, só que dessa vez com o vestido preto. Guie-a cuidadosamente em direção a cadeira da escrivaninha e a empurrei (também delicadamente) para que ela sentasse. Peguei uma das sandálias, me ajoelhei no chão em frente a ela. Ergui o pé dela para cima, e coloquei a sandália. Fiz a mesma coisa no outro pé.
– Pronto. Agora se levante. — ela sorriu, agora achando graça naquilo e se levantou, rodopiando. — Muito melhor. Agora só faltam alguns detalhes. — quando Sophie iria abrir a boca para falar — Não fale!
Peguei o colar, arredei o cabelo dela para colocar o colar em seu pescoço. Assim que minhas mãos encostaram-se à nuca dela, percebi que seu corpo todo se arrepiou. Não disse nada. Terminando isso, entreguei os brincos a ela.
– Coloque-os, e passe maquiagem escura. Preta de preferência. E não diga nada até estar pronta. — falei apressadamente.
Sophie começou a soltar risadinhas, como se não soubesse o que pensar sobre tudo aquilo. Pegou um bauzinho de dentro do guarda-roupa e se sentou em frente à escrivaninha. Em seguida, abriu uma das gavetinhas da mesma, retirando de lá um espelho de duas faces, uma côncava e uma convexa. Observei-a se maquiando por um bom tempo. Quando finalmente acabou, ela se levantou e sorriu.
– Posso falar? — perguntou.
– Ainda não. — falei apressado. — Falta uma coisa. — entreguei a bolsa para ela. — Agora você pode falar.
– Como estou? — ela perguntou.
– Linda. Mas preferiria você sem o vestido. — falei pervertidamente.
– Seu idiota. — ela respondeu risonha. — O que te deu na cabeça?
– Ah, para, eu te ajudei a arrumar uma roupa, e agora você está linda. — falei, segurando a mão dela, e fazendo com que ela rodasse. Divinamente linda. — E adivinha só? Eu não vou cobrar nada por isso.
Sophie riu e me abraçou. Por um bom, bom, mas muito bom tempo. E quando finalmente retirou a cabeça de cima do meu ombro, ela me encarou, e ficamos no encarando por um bom, bom, mas um bom tempo. E então, ela começou a se aproximar, e me deu um beijo na bochecha. Controlei todas as células do meu corpo para não virar o rosto e beijar aquela boca linda.
– Agora você entende de moda. Ainda acho que você é gay. — ela sussurrou em meu ouvido. Revirei os olhos.
– Eu tive um caso com uma estilista. E adorávamos discutir moda no ateliê dela. — confessei me lembrando da minha ex-namorada. Bons momentos passamos naquele ateliê...
– Ah, sei. — Sophie falou sorridente. — Obrigada. Sabe, você pode até ser um... Não acredito que vou dizer isso, mas... Você é um bom amigo, Luke. — ela fitou o chão envergonhada. — Desculpe-me por tudo de ruim que eu te fiz. Mesmo.
– Estou acostumado. — falei também fitando o chão.
Ergui meus olhos lentamente, me deparou com os dela. Sua respiração ofegante. A campainha tocou. Ela continuou me encarando sem perceber.
– A campainha. — falei, sem tirar os olhos do dela.
– Eu sei. — ela respondeu ainda me olhando. — Luke, me desculpa pelo seu carro.
E foi a ultima coisa que a ouvi dizer ainda que ela saísse correndo em direção à porta, não sem antes pegar algumas maquiagens e colocar dentro da bolsa. Ela passou por mim, me deu outro beijo na bochecha e saiu. Soltei um suspiro. Droga, porque tinha que ser o Daniel e não eu? Que... Droga.
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