Stubborn Fools
4 Capítulo 4 - Batman salva Gotham
Notas iniciais
Eu estava desesperada, na verdade, magoada e desesperada. Magoada, porque o pilantra do Luke tinha me enganado. E desesperada, porque eu estava louca para sair daquela loja e não podia. Assim que estava saindo daquele antro do pecado, que alguns costumam chamar loja erótica, eu vi Josh (meu ex namorado) e Makenna (sua atual namorada, com quem ele me traiu).
Se eles me vissem, com toda certeza, achariam um absurdo meus atuais trajes, me sequestrariam, fariam perguntas, mesmo se eu relutasse em contar (eles conseguem arrancar qualquer informação de qualquer um) e isso demoraria, mais ou menos, uma hora para chegar aos ouvidos do meu pai, que por sua vez, me levaria para morar com ele a força. Pegaram o raciocínio?
Por esse motivo, eu estava presa no provador, com a desculpa de experimentar aquele vestido indecente, há mais ou menos vinte minutos. De repente, eu comecei a escutar barulhos vindos do lado de fora da loja. Mas não barulhos normais, mas, sim, barulhos de coisas sendo destruídas. Pensei em sair e ver o que estava acontecendo, mas fiquei com medo de Josh e Makenna passarem em frente à loja exatamente no momento em que eu saísse. Com a sorte que eu tenho, não poderia nem pensar em desgraças, que elas já aconteceriam.
– Aaaaaaaaaah! – escutei um grito e o barulho de algo se chocando contra a porta do provador onde eu estava. – Rose, faça alguma coisa. – escutei a voz desesperada de Luke. Espera, aquele grito também tinha sido dele.
Mais barulhos de coisas quebrando.
– Pelo amor de Deus, James. – a voz de uma mulher. Se não me engano, aquela voz era da atendente pelo qual Luke estava babando feito cachorro. – Largue esse pobre homem.
O pobre homem no caso... Oh, meu Deus. Luke estava encrencado ou eu havia entendido mal? Olhei por de baixo da porta do provador. Roupas indecentes estavam esparramadas pelo chão. Luke estava correndo em volta de uma arara cheia de vestidos transparentes, sendo perseguido por um moreno musculoso cheio de tatuagem, que possuía uma barra de ferro preta em mãos.
– Esse moreno não me é estranho... – olhei bem para a cara dele, tentando me lembrar de onde eu o conhecia, enquanto o mesmo, que agora conseguira alcançar Luke, largara a barra de ferro no chão e o estava socando. Ignorei totalmente a última parte.
Lá fora, pessoas começavam a se amontoar na frente da vitrine para ver a briga. Ou, melhor, ver Luke apanhar.
Luke conseguiu se livrar, com muita dificuldade, das mãos do moreno e agora está correndo para trás do balcão, na tentativa falha de se proteger.
– Eu conheço esse cara... – eu ainda tentava me lembrar de onde conhecia o moreno.
Agora o musculoso havia dado a volta no balcão e estava batendo Luke contra o mesmo.
– Céus, se Luke morrer antes de eu arrumar dinheiro para a outra metade, quem vai rachar o apartamento comigo? — Disse para mim mesma, mas ainda concentrada no rosto do moreno. Eu conhecia aquele cara de algum lugar.
Luke conseguira se livrar das mãos do fortão outra vez e agora estava batendo freneticamente na porta do provador onde eu me localizava.
– Sophie, abre essa porta. – ele gritava desesperadamente. Eu até iria abrir, só que nesse momento, o outro o puxou pela gola da camisa e o lançou em cima de dois manequins. Ai. Essa devia ter doido.
A atendente loira estava gritando loucamente para que, pelo que consegui entender, o namorado largasse Luke. Na mesma hora que escutei a palavra namorado, entendi o porquê de Luke estar apanhando. Certamente mexeu com a mulher dos outros. Se esse fosse mesmo o caso, eu deixaria o moreno musculoso matá-lo para que ele aprendesse a nunca mais mexer com o que não era dele. Principalmente na minha frente. Respeito é bom, e eu gosto. Não posso deixar Luke apanhar mais. Pensei, já que eu era uma pessoa muito boa.
O namorado da loira estava prestes a pular em cima de Luke, que já estava quase inconsciente, sem forças para levantar de cima dos manequins. Quando eu me lembrei quem era o moreno. Seu nome era James Salvatore e eu o havia conhecido em uma festa no Brooklin. Olhei para a as pessoas em volta da vitrine e rezei para que Josh e Makenna não estivessem entre elas.
Luke Daggehorn, você vai ficar me devendo essa.
– James Salvatore. – irrompi a porta do provador gritando. – Nem pense em pular em cima deste homem.
__________________
– Ai. — Luke gritava de dor e mexia, toda vez que eu tentava limpar um de seus ferimentos. – Ai.
– Fique quieto. – disse enquanto tentava limpar o corte no canto da boca dele, mas ele se mexeu de novo. – Se não ficar quieto, vou lhe dar outra surra. – ameacei-o.
Estávamos no sofá do nosso apartamento. Luke estava com os olhos roxos, o nariz aparentemente deslocado, o canto da boca ferido e inúmeras marcas e ferimentos espalhados pelo corpo. Eu, como a ótima pessoa que sou me ofereci para levá-lo a um hospital, mas ele recusou veemente. Quando chegamos em casa, ele se atirou no sofá e ficou lá, com cara de dor. Mas sem reclamar. De certa forma, fiquei incomoda com aquilo.
Peguei a caixinha de primeiros socorros, sentei ao lado dele e comecei a limpar e fazer curativos nas feridas dele. Agora me diz, eu sou ou não sou uma ótima pessoa? Se existisse prêmio Nobel para bondade, eu certamente ganharia.
– Cara. – fiz uma pausa. – Parece que você foi atropelado por um caminhão. – comentei rindo. Essa foi uma tentativa falha de descontração. Luke não respondeu ao meu comentário. Manteve-se impassível, encarando o relógio na parede da sala.
Ele não estava conversando comigo desde que saímos do shopping. Parecia emburrado, como se tivesse feito algo de extremamente grave, ou como se eu tivesse culpa por ele ter apanhado. Tentei me lembrar exatamente o que havia feito a partir do momento em que saí do vestiário para salva a vida dele. Quem sabe, assim, descobriria o motivo pelo qual Luke estava agindo daquela forma fria comigo.
_____________
– James Salvatore. – irrompi a porta do vestiário gritando, como uma verdadeira heroína. – Nem pense em pular em cima deste homem.
A multidão em volta da vitrine da loja fez um “oooooh”, quando eu surgi de dentro do provador.
– Sophie Buckhard?!- James balbuciou amedrontado.
– Eu mesma. – coloquei as mãos na cintura e o encarei de maneira assustadora. Ao menos, no me ver, foi de maneira assustadora.
– Desculpe, Sophie. — ele começou. – Mas a partir do momento que ele mexeu com minha garota. Eu perdi minha honra.
James cerrou os punhos e olhou para o chão. Se estivéssemos em um anime, nesse instante o vento bateria em nossos cabelos, seria dado um zoom em nossos olhares e começaria uma música dramática.
– James. – coloquei a mão sobre seu braço. – Estamos em pleno século XXI. Quem liga para honra?
– Eu ligo. – gritou ele de maneira irritada – E vou matá-lo para recuperá-la.
– Vai mesmo matá-lo?- perguntei exaltada.
– Lógico que não, Sophie. – ele revirou os olhos, entediado. – Mas vou espancá-lo até ele perder a consciência. – disse James, voltando sua atenção para Luke, que até agora não havia conseguido se levantar. Lerdo.
– Não vai, não. – eu disse segurando a camisa dele, de maneira a impedi-lo de andar.
Eu poderia até ter o deixado espancar Luke até o mesmo perder a consciência, se Luke já tivesse pagado a parte dele do apartamento. Mas como não havia pagado, e eu precisava entregar o dinheiro até o final da semana, não poderia deixar Luke ficar inconsciente. Vai que ele entra em coma. E meu apartamento? Como fica?
– Sophie, me larga. – ele gritou me empurrando, de maneira que eu cai de bunda no chão.
Agora sim, James Salvatore havia comprado a maior briga da vida dele.
Levantei em um salto, e me pus em frente ao Luke, de maneira que eu e James ficamos cara a cara. Ele iria me empurrar outra vez, mas antes que o fizesse, proferi um soco no meio do rosto dele, que por sua vez levou a mão até o nariz urrando de dor. Minha mão estava latejando.
– SOPHIE!- ele gritou. E não demorou muito para que suas mãos envolvessem meu pescoço (ok, talvez eu tivesse comprado a maior briga da minha vida).
Sempre me imaginei morrendo velhinha, em uma cama quentinha, com muitos filhos e netos, igual a Rose de Titanic. Não mesmo que eu iria morrer nas mãos de um cara monstruoso, no meio de uma loja erótica, ainda por cima por culpa do Luke.
Fiz a única coisa que estava ao meu alcance para me livrar daquele ser, chutei o “ponto fraco” dele. Ele por sua vez, caiu no chão rolando de dor. Essa era minha deixa. Corri até Luke, e tentei ajudá-lo a se levantar. Se antes eu queria sair daquela loja por causa das roupas, agora eu queria sair dali para me manter viva.
– Vamos seu idiota. – disse para Luke. A meu ver, aquilo havia sido uma forma de incentivo. – Antes de morrer, você tem que pagar a metade do apartamento
– Isso é hora para pensar em dinheiro?- Luke respondeu em um fio de voz.
Dei de ombros.
Com muito custo, consegui colocar Luke em pé. Passei o braço dele em volta do meu pescoço e sai caminhando em direção a porta da loja, onde uma multidão nos aguardava. Claro que, como eu estava carregando metade do peso dele comigo, não conseguiríamos sair antes que James percebesse.
Quando estávamos quase na saída, eu já acreditando que iríamos conseguir, senti duas mãos fortes me puxando para trás. Eu e Luke caímos no chão.
Olhei para cima, James estava prestes a pular em cima de mim. Fechei os olhos. Era meu fim. Esperei um minuto. Dois. Nada aconteceu. Apalpei meu corpo, ainda estava inteiro. Tomei coragem e abri os olhos. Dois seguranças de shopping estavam segurando os braços de James, de maneira que ele não conseguia se mexer. Suspirei aliviada, me pus de pé e ajudei Luke a se levantar novamente.
– Vamos embora, rápido. – sussurrei enquanto passava o braço dele ao redor do meu pescoço. – Se conheço bem essas brigas, primeiro eles vão prender a gente, para depois ver se somos inocentes ou não.
Saímos da loja de fininho. Os seguranças estavam muito ocupados prendendo James e ligando para policia, de maneira que não sentiram nossa falta. Bom, ao menos não a princípio.
Ah, é. Enquanto voltávamos para casa, eu dirigindo e o Luke agonizando no banco de trás, fiz uma nota mental: Nunca mais ir a um shopping com o Luke, principalmente se a atendente for uma mulher.
____________________
– Luke. – tomei coragem para perguntar. – Você está bravo comigo?
– Não. – respondeu, sem tirar os olhos do relógio.
Revirei os olhos e comecei a limpar os machucados do braço dele. Ele gemendo baixinho de dor, mas dessa vez sem se mexer. Quando terminei de limpar o braço dele, todas as feridas visíveis já estavam limpas e com curativos.
– Tem mais algum lugar machucado? – resolvi perguntar.
Não que eu estivesse louca para acabar logo com aquilo, tomar um banho e me atirar em cima da cama. Não, eu queria ficar cuidado das feridas de Luke, como se tivesse obrigação.
Ele não respondeu. Apenas tirou a camisa e virou de costas para mim, de maneira que eu pude ver o corte nas costas dele. Espera... Tirou a camisa? Flores voltem para mim. Droga Luke, você fica tão sexy com esse jeito frio, e agora ainda tira a camisa para piorar a situação. Você está querendo o que?
Que eu te agarre? Oh-oh, que pensamento foi esse? Focaliza a tática, Sophie. Flores não músculos. Flores não músculos... Fiquei dizendo isso mentalmente, enquanto fazia um curativo no corte das costas de Luke. Digamos que eu não fiz questão de fazer aquele curativo tão rápido quando os outros.
– Pronto. – eu disse quando terminei.
Luke virou-se para mim, seu olhar parecia distante, talvez até triste.
– Obrigado. – respondeu frio, enquanto colocava a camisa.
Suspirei. Eu não iria perguntar o que ele tinha. Não mesmo. Não era da minha conta. Não...
– O que você tem Luke? Parece distante... Talvez triste... Se for por causa da surra, saiba que essas coisas acontecem. – Eu não queria ter perguntado, eu não queria consolá-lo, mas saiu sem querer. O que eu posso fazer se minha língua tem vontade própria?
– Eu... – ele fez uma pausa, me encarou e por fim resolveu desabafar. – Isso nunca acontece... Isso nunca aconteceu.
– Sabe Luke... — comecei. – Quem sabe agora o senhor Daggehorn não aprende a ficar longe de mulheres comprometidas?
Ele ficou em silencio por um tempo, como se estivesse refletindo o que eu havia dito.
– Sophie. – chamou.
– Hm?- respondi sem encará-lo.
– Você é uma mulher comprometida? – ele perguntou sorrindo maliciosamente.
Quer sabe de uma coisa? Acho que Luke pode levar mil surras, que nunca vai deixar de ser pervertido, ou cantar uma mulher quando tiver uma oportunidade.
Luke Daggehorn é um oportunista pervertido que não pode ver uma mulher passando na frente que já está pedindo o telefone. Revirei os olhos.
– Boa noite, Luke. – disse por fim, e sai andando em direção a meu quarto. Uma boa noite de sono era disso que eu precisava.
– É comprometida ou não, Sophie?
Não respondi.
Fale com o autor