Strongholds: Os Pontos Cardiais
1 Prólogo
“–Rápido, rápido – a menina gritava na porta de casa – Papai, eu juro que era um garoto!
Tomas correu para a garota e seguiu o caminho de seu dedo apontado. Toda a vila havia saído de suas respectivas casas para se juntarem ao riacho da floresta. Como dito, havia um garoto que estava mesmo caído no riacho. As roupas esfarrapadas, o cabelo coberto de sujeira e pó, o sangue que escorria da testa estava seco. As pessoas queriam e tentavam se aproximar, mas o medo de o garoto acordar e ser uma ameaça as impedia. ”Um garoto do sul” Elas sussurravam, Então George, o pai de Loa o levantou e começou a caminhar. As pessoas os seguiam, querendo mostrar que não tinham medo de acompanhá-lo, quando na verdade estavam amedrontadas por dentro. George o deitou na mesa de sua oficina e ordenou que Josh, seu filho mais velho, cuidasse de seus ferimentos. Como devido, sua mãe retirou Loa do estabelecimento e a ordenou que a ajudasse no jantar. Os dias passavam e nada do garoto do sul acordar. Ele continuava deitado, e seus ferimentos cicatrizavam. Às vezes Loa descia do quarto para observá-lo, nunca vira um alguém do sul tão perto. Seus pais costumavam dizer que os habitantes do terreno de Carlos Flages eram violentos, roubavam e matavam, por causa da fome. Porém aquele garoto ali, magro e pequeno, não parecia ser ameaçador. Tinha os cabelos escuros e a pele branca, seu rosto era jovial, sem marca ou cicatriz. Ele devia ter a sua idade, uns sete ou oito anos. As roupas de Josh teve que ser redobrada muitas vezes para que coubessem em seu corpo, mas mesmo assim, continuou largo e folgado. Aquela noite, Loa trouxera um copo d’água para o garoto, mesmo sabendo que ele não acordaria. Sentou em um banco e se pôs a observá-lo novamente. Ficou de bruços por um tempo, inquieta, imaginando se ele estaria morto. Mas não podia, ele respirava. Será que dormia? O que estaria sonhando? Milhões de pensamentos corriam pela sua mente que Loa nem percebeu quando o garoto acordou e deu um suspiro alto de dor. Ao ver o ato, ela correu para o fim da sala, tremendo com o susto que levara. Eles se encaravam por vários segundos, minutos até, o que parecia uma eternidade para os dois.
“E-eu não vou te machucar” disse o garoto, se levantando com dificuldade, levando a mão à testa. “Você quem cuidou de mim?”
“Não” Loa respondeu, ainda com medo ”Meu pai e meu irmão fizeram isso”.
O garoto encarou e depois deu um sorriso inocente. Loa se aproximou e ofereceu o copo d’água. Ele sorriu e pegou o copo, agradecendo.
“Qual seu nome?” perguntou, observando seus olhos, exatamente do jeito que imaginara, azuis como o céu. Com a fumaça da fortaleza de John, era bom ver um pedacinho dele nos olhos do menino.
“Eu... não consigo me lembrar, só sei que caí e agora estou aqui” seus olhos marejaram, ele iria chorar?
“Desculpe a pergunta, é que você é do sul, e dizem que são violentos” ela baixou a cabeça, envergonhada. Ele de repente segurou a cabeça com força e depois a encarou.
“ Meu nome... meu nome é Sam, ah, eu lembro do meu nome! ”ele sussurrou, alegre. “E o seu?”
Loa hesitou, mas o que poderia fazer? Ele tentou lembrar o nome para respondê-la, não é? Tinha sido mesmo por ela, ou por ele mesmo? Ela balançou a cabeça, tirando os pensamentos sem futuro e voltou-se para o garoto, Sam.
“Loa Denyle, prazer” o garoto a observou e tornou a sorrir.
“Podemos ser amigos?” Sam perguntou, num tom sofrido. Será que no Sul ele tinha amigos? Ou alguém que sentiria sua falta? Era triste demais para alguém de oito anos ou mais.
“Claro que podemos” ela sorriu. Então Sam, seu “amigo”, voltou a deitar-se. E Loa fez o mesmo, pensando em Sam. “Tenho um amigo”, e dormiu com esse pensamento.
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