Stronger feelings
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Foi Hotchner quem me trouxera de volta para a UAC enquanto os outros membros da equipe viriam em outro carro. O que achei ótimo porque se estar com Hotchner já estava sendo bastante desconfortável, além de também receber o tipo de olhar que ele me lançava. Não queria nem pensar como seria caso estivesse com outros da equipe.
Durante todo o trajeto de volta ele não havia dito uma única palavra desde que contei que eu era a décima quinta vítima que estava sendo procurada pelo assassino. A forma como ele me olhou ao ouvir aquilo foi o suficiente para que eu entendesse e percebesse que ele parecia estar com raiva por eu ter escondido aquilo durante boa parte da investigação.
Aaron Hotchner só me dirigiu a palavra quando pediu que eu o esperasse em uma outra sala e nada mais do que isso. Vê-lo calado daquele jeito estava me incomodando profundamente, aquilo já começara a deixar-me bem mais nervosa do que eu já estava.
Dizer a verdade para ele e todos os outros membros da equipe deveria dar-me uma boa sensação, como se um grande peso tivesse sido tirado de mim, mas não foi isso o que senti naquele momento ao revelar algo do meu passado que eu tanto tentava esconder de todos.
A sensação que senti quando aquelas palavras saíram da minha boca foi completamente contrária. Um grande nó na minha garganta se formou, ele não era real, porém a sensação era como se ele realmente estivesse ali. Sufocando-me lentamente, mas sem causar dor ou qualquer tipo de incômodo. Hotchner havia retornado, estava sozinho e ao entrar tratou de fechar a porta, não era necessário olhá-lo para saber que seus olhos estavam fixos em mim, a raiva que ele sentia era palpável.
Não tirava a razão dele, não contar a verdade logo de ara foi errado da minha parte, mas eu sabia o que iria acontecer assim que eu contasse sobre aquilo e eu não estava pronta para o que viria a seguir.
— Você sabe que eu deveria estar pedindo proteção à você não sabe? Você é uma vítima e tem um psicopata que está atrás de você, praticamente um stalker — Ele mostrou a foto que foi encontrada na casa onde estávamos há poucos minutos atrás. — E pelo jeito parece que ele a tem observado durante todos esses anos.
Soltei um muxoxo de desdém.
— Eu não preciso de nenhuma proteção — Respondi com firmeza. — E também não quero nada disso.
O homem suspirou.
— Não está facilitando, Julia. Não estou fazendo isso para te prejudicar, sei que isso não é fácil para você, mas antes ser eu a fazer isso do que outro agente. Não contei para Strauss sobre esse assunto, quero que saiba que estou correndo um grande risco omitindo parte da investigação a ela — Ele parou brevemente. — E é por esse mesmo motivo que eu quero que você conte tudo, exatamente tudo o que sabe e sem mentiras dessa vez, por favor.
Mordi o lábio com um pouco de força, assenti devagar. Ele pediu para que eu sentasse e assim o fiz, ficando de frente para ele de maneira que nossos olhares ficassem fixos um no outro.
Não sabia como começar a contar, era muita coisa e como ele mesmo disse, não podia haver mentiras dessa vez. Eu teria de contar tudo à ele, tudo o que eu tentei esquecer por quinze anos.
— Eu estava viajando com a minha mãe quando ele apareceu, fingiu estar precisando de ajuda com o carro dele e foi quando aconteceu. Meu pai não sabia disso porque iríamos passar quase três semanas fora, então ele nem se deu conta do nosso sumiço. — Respondi de uma vez, sentindo cada palavra sair da minha boca com peso. — Quando ele nos levou para a casa onde mantinha as outras mulheres escondidas já haviam várias lá, meninas e moças e todas machucadas… Como foi visto nas fotos.
Tentei fazer com que minha voz soasse num tom calmo, a última coisa que eu queria naquele momento era que ele percebesse como falar sobre aquilo mexia comigo.
— Você fugiu de lá — Ele me interrompeu, mas sua voz saiu levemente gentil, ainda que mostrasse certa rispidez. — Quero que conte como fez isso, por favor.
Pediu outra vez, seu tom de voz aos poucos se tornado mais gentil que antes.
— Por que? — O questionei, não para desafiá-lo, mas sim por eu realmente querer saber como aquilo poderia ser útil para o caso.
— Você conseguiu escapar dele, foi a única que o fez. De alguma forma ele a está perseguindo e quero descobrir o motivo disso — Ele respondeu fitando-me.
Torci meus lábios por poucos segundos, não queria tocar naquele assunto. Na verdade nem mesmo queria estar em uma situação como aquela, já era ruim demais estar sendo perseguida por um louco e ter que dar detalhes sobre o que aconteceu era difícil.
Principalmente quando praticamente enterrei tudo aquilo na minha mente fundo o bastante para não ter que me lembrar do que houve.
— Eu tinha onze anos, não vou me lembrar de exatamente todos os passos e de como eu consegui escapar dele. — O fitei com um pouco de raiva, porém Aaron sequer se incomodou com isso, pareceu insistir com o olhar para que eu contasse logo. Suspirei ao perceber que não tinha uma saída dali.
Eu teria de contar.
— Eu consegui sair do porão onde ele nos mantinha trancada, eu sabia que a casa ficava toda trancada então procurei pela chave. — Falei. — Foi assim que eu fugi.
— Ele a torturou? — Perguntou de uma vez, ainda me olhando fixamente. Pisquei rapidamente três vezes, travando meu maxilar e fechando minha mão fazendo um punho com ela.
Fiquei com raiva ao ouvir aquela pergunta. Ele foi direto ao me questionar sobre aquilo, não fez rodeios e também não enrolou. Queria ir direto ao ponto.
— Não. — Respondi o encarando por um longo momento, seus olhos escuros estavam me analisando, fixos apenas em meu rosto. Toquei meu braço esquerdo ao responder. — Fugi antes que ele pudesse fazer isso comigo.
Abanando a cabeça ele tirou as mãos de cima da mesa e se remexeu na cadeira, Hotchner e eu ainda encarávamos-nos em silêncio, seu rosto com uma expressão quase indescritível fitava-me com um olhar misterioso, muito difícil de ser decifrado por qualquer profiler.
Até mesmo o mais habilidoso.
— Você sabe que eu não posso permitir que você continue participando desse caso — Quebrando finalmente aquele silêncio, Aaron me surpreendeu ao dizer aquilo. — Você não só tem relação com isso como também está emocionalmente e psicologicamente envolvida em tudo isso.
Ele se afastou da mesa colocando-se de pé, fazendo menção de sair da sala, mas fui mais rápida.
Também fiquei de pé e praticamente corri até ele o segurando pelo braço e fazendo-o parar no mesmo segundo. O soltei rapidamente ao perceber a forma como ele me olhou desaprovando por total aquela atitude, mas não me afastei dele.
— Não! — Dei um passo para frente me aproximando agora bem mais do homem. — Estou há quase sete anos no FBI e em momento algum me deixei levar por sentimentos ou por eu ter alguma relação com o caso. E não será agora que isso irá acontecer!
— Já tomei a minha decisão, Julia. — Ele respondeu ainda me encarando firmemente. — Não é assim que as coisas funcionam por aqui, se eu falei que você não irá participar desse caso, você não irá.
— Não vou deixar você fazer isso comigo, não quando esse desgraçado resolveu reaparecer depois de tanto tempo. — Pude ouvir minha própria voz sair já um tanto alterada. — Eu vou continuar nesse caso sim!
Tinha total conhecimento de como aquela atitude e até mesmo meu tom de voz não era algo aceitável, não estava faltando com respeito a ele e nem mesmo queria passar por cima de sua autoridade, mas eu queria participar daquele caso e não iria permitir que ele me privasse disso.
— Conheço melhor do que todos eles a forma como esse psicótico age, conheço o caso melhor e você sabe muito bem disso! — Com o indicador bati em seu peito da forma mais intimidadora que consegui fazer; não estava me reconhecendo naquele momento.
Hotchner me encarava como se eu estivesse fazendo algo de muito errado e talvez eu estivesse mesmo, porém estava com raiva demais para dar tanta atenção. Estar tão próxima dele daquele jeito como eu estava foi estranho, pois a diferença entre nossas alturas ficou bem mais clara e para encará-lo diretamente nos olhos precisava manter meu rosto levemente erguido.
Havia uma tensão ali entre nós, conseguia sentir aquilo com muita facilidade, um misto de diversos tipos de sentimentos que pareceram deixar todo aquele ambiente menor e apertado demais para que nós dois continuássemos ali.
— Eu sou seu chefe, Julia. Não só posso fazer isso como eu tenho total autoridade para tal — Ele manteve-se firme, não se afastando de mim ao dizer aquilo. Sua voz e sua postura haviam mudado por completo, ele parecia agora estar tentando me intimidar e dessa vez, só dessa vez, ele não estava conseguindo isso. — Não posso permitir que alguém que esteja tão envolvida assim em um caso como você está participe, sabe muito bem o que pode acontecer durante a investigação!
Precisei respirar profundamente outra vez, agora para que eu permanecesse o mais calma possível em um momento como aquele.
— E não é apenas isso — Ele fez outra pausa, essa sendo mais breve. — Ele tem agido como um stalker com você, a fotografou durante todos esses anos e Deus sabe quantas fotos mais ele deve possuir de você. — Ele continuou a falar, seu tom de voz já não era o mesmo de poucos minutos atrás, não estava o reconhecendo naquele momento.
— Se ele esteve por durante todo esse tempo te observando e a seguindo tem um propósito para isso e basta olhar para todas as mulheres e meninas que ele matou até agora — Sua voz soou mais ríspida. — Eu sinto muito, mas você não pode continuar participando desse caso, Julia. E essa é a minha resposta final.
Juntei meus lábios apenas para impedir que eu dissesse qualquer coisa que poderia ofendê-lo naquele momento. Foi preciso me controlar para que eu não fizesse nenhuma estupidez ali.
— Por favor, senhor. — Pedi, recuando meio passo para trás, conseguindo assim olhá-lo sem precisar erguer o rosto para ele. Minha voz saindo quase como uma súplica, eu imploraria a ele se fosse necessário.
— Estou com esse fantasma que está literalmente me perseguindo por quinze anos, eu quero pegá-lo assim como vocês. Só… Não me deixe de fora desse caso, não agora quando temos uma boa chance de conseguir finalmente pegá-lo depois de tanto tempo. — Pedi o fitando diretamente nos olhos. — Por favor, senhor.
Eu praticamente implorei a ele para deixar que eu participasse daquele caso, mas não sabia dizer se isso adiantou ou não.
Aaron fitou-me por um tempo, seu olhar tão fixo e fuzilante em mim não me incomodou ali, tão pouco me senti sem jeito por receber aquele tipo de olhar. Talvez estivesse com tanta raiva do que estava acontecendo que aquilo sequer conseguia me abalar como antes. Eu só queria fazer parte do caso.
— Espere aqui. — Respondeu com pressa e deixando a sala.
Fiz conforme ele havia pedido e esperei, provavelmente cinco ou dez minutos até que ele retornou e dessa vez estava com JJ o acompanhando.
Vi quando os dois entraram na sala onde nos reuníamos quando um novo caso aparecia, a mulher lançou um olhar na minha direção logo o desviou continuando a acompanhar Hotchner até que eles pararam de frente para a mesa.
— Poderá ajudar de outra maneira, Julia — Ele disse gesticulando para que eu me sentasse novamente. — Pode ser que não goste disso, mas se quer nos ajudar nisso, vamos precisar que faça a entrevista cognitiva.
Parei no mesmo instante que escutei aquilo. Olhando para os dois agentes na sala.
— Não! — Cruzei meus braços. — Vocês não me farão reviver esse pesadelo outra vez.
— Você fugiu, foi a única que conseguiu fazer isso, Julia. — JJ me olhou. — Eu sei como isso é duro, mas fazendo irá nos ajudar e muito, qualquer detalhe sobre ele servirá de grande ajuda e você sabe disso. Por favor, Julia.
Olhei para JJ, diferente de Hotchner ela não me olhava como se estivesse insistido para que eu fizesse aquilo. Tenho quase certeza que ele a chamou ali, pois sabia que ela poderia ser convincente sem precisar forçar demais.
— Tudo bem, eu faço. — Respondi puxando uma cadeira e sentando-me de frente para os dois agentes. — Mas eu quero continuar participando do caso depois que isso acabar. Quero ir para o campo junto com a equipe, quero participar como se eu não tivesse relação alguma com isso.
Ao dizer aquilo olhei diretamente para Hotchner, ele fez menção de querer recusar, mas JJ logo o olhou também e ele apenas assentiu, mesmo que parecesse não estar de acordo com isso.
— Irei lhe dar um único aviso e eu espero que você o ouça com muita atenção, agente. — Ele me olhou de volta, usando um tom de voz altamente profissional comigo. — Independente do que acontecer, você seguirá e obedecerá as minhas ordens e se por algum momento eu perceber que está se deixando levar por seus sentimentos estará fora do caso imediatamente. Você me entendeu?
— Sim senhor. — Respondi.
— Bem, Julia agora eu quero que feche os olhos, respire fundo e quero que se concentre exatamente no dia em que fugiu dele — Ela começou. — Você sabe como isso funciona então será bem mais fácil com você, só relaxe entendeu?
Fechei meus olhos conforme ela pediu, sentindo meu corpo relaxar aos poucos, respirei profundamente fazendo com que toda a minha mente voltasse quinze anos atrás para o exato momento onde eu fugi daquele psicótico assassino.
Foi estranho fazer aquilo, já havia feito entrevista cognitiva com outras pessoas, mas estar no lugar delas era completamente diferente.
— Então Julia, onde você está? Conte todos os seus passos até conseguir fugir, todos os detalhes que achar importante. — Ela pediu outra vez, seu tom como sempre gentil demais.
— Estou na casa dele, em um corredor extenso que leva até a sala onde fica a entrada. — Respondi, estava já mais calma que antes, era mesmo incrível como conseguia me recordar bem daquela casa.
— Ele tranca a porta, então eu começo a procurar pelas chaves. — E onde você está procurando por elas? — A ouço perguntar outra vez, sua voz agora parecia estar dentro da minha mente.
— Comecei pelo casaco dele, está pendurado em uma cadeira velha e depois pela estante, vejo varias fotos… Das vítimas — Parei, conseguia ver detalhes que não havia reparado há quinze anos. Detalhes que me preocuparam no mesmo segundo, como as fotos que estava vendo. — Vejo algumas onde eu estou com a minha mãe… Acho que ele já observava todas bem antes de levá-las.
— Está indo bem, Julia, basta continuar, por favor. — Dessa vez foi Hotchner a pedir usando um tom incrivelmente gentil comigo.
Respirei fundo outra vez, a cena continuava, conseguia ver a estante com as fotos das vítimas de quinze anos atrás, uma minha com a minha mãe e outros objetos que não faziam muito sentido, que pareciam ser feitos a mão.
— Tem uma cômoda pequena com um vaso vazio e eu vou até ela — Continuei, sentia um frio na minha barriga ao lembrar-se do que viria a seguir. — Abro uma gaveta e começo a vasculhar, tem muitos objetos pessoais lá dentro, relógios, óculos de grau e anéis de casamento… Barbas falsas, de todos os tipos e jeitos.
Parei outra vez. Sabia que aquilo não estava de fato acontecendo, mas quando ouvi o som da porta ser destrancada na minha mente, foi como se eu tivesse onze anos novamente.
Eu senti o mesmo medo que senti quinze anos atrás.
— Julia? — Ouço a voz de JJ. — Está tudo bem?
Aceno com a cabeça de forma positiva.
— Ele está na porta, está destrancando-a — Digo com a voz um pouco falha, seguro o braço da cadeira com força até meus dedos doerem com aquilo. Foi um ato automático. — Vejo muitas carteiras ali dentro e paro de vasculhar, ele abriu a porta e… Ele me viu!
Minha voz saiu um pouco mais desesperada do que eu esperava, apesar de saber exatamente onde eu estava naquele momento, reviver aquilo mentalmente dava-me a mesma sensação que sentia quando estava naquela situação anos atrás.
Sabia que nada daquilo estava mesmo acontecendo comigo novamente, mas o medo que sentia era real. Ele estava se aproximando de mim, do mesmo jeito que fez quando estava quase escapando dele.
— Julia? — Ela perguntou novamente, sua voz agora parecia estar mesmo dentro da minha mente, lembrando-me do lugar onde eu realmente estava.
— Ele me segura pelo braço! — Exclamei com pressa, minha respiração se alterou. — Ele… Está tentando me tirar dali, mas eu começo a me debater, o chuto na perna, ele cai e então… Eu vejo o rosto dele, mas ele não tenta escondê-lo de mim como antes. É como se ele quer que eu o veja.
Respirei fundo enquanto comecei a contar mentalmente até cinco antes de continuar.
— Ele está com a chave na mão, tento pegá-la, mas ele me empurra para a cômoda, a gaveta cai e eu vejo as carteiras caídas no chão, tem dinheiro e várias identidades — Faço outra pausa, de olhos fechados mesmo eu os forço mais um pouco, tentando conseguir ler um dos nomes que está escrito em uma das identidades.
— Identidades? — Perguntou Hotchner.
— As fotos são deles, mas acho que os nomes são diferentes… Não consigo ver muito bem — Respondo com a voz mais apressada. Minhas mãos acabam apertando com mais força o braço da cadeira em que estava sentada. — Só consigo ler apenas um nome… — Tento lê-lo, mas com ele se aproximando de mim com tanta pressa fica difícil, não consigo pensar direito.
Forço um pouco mais até que finalmente consigo lê-lo, abri meus olhos de uma vez sentindo meu coração começar a disparar novamente. Encosto minhas costas na cadeira, ofegante, minhas mãos levemente trêmulas e os dois agentes me olhando, esperando que eu dissesse alguma coisa.
Levantei-me da cadeira e dou as costas para eles, me xingo sem parar mentalmente por ter sido estupida e tão… Burra. Sinto apenas raiva e um grande ódio.
— O nome é Sawyer — Digo ainda sem olhá-los, tento controlar a mim mesma de não bater o punho na parede e consigo fazer isso, por um tempo. — Sawyer Austen.
Continuo daquele jeito até que ouço a porta da sala ser aberta e fechada novamente, fecho minhas mãos fazendo um punho com as duas e as bato contra a parede sem fazer muita força, tento respirar profundamente para manter-me calma, mas não consigo.
Aquilo parece ser algo completamente impossível para mim no momento. Eu sabia que conhecia aquele homem de algum lugar, algumas coisas começaram a fazer mais sentindo para mim. Era ele na minha casa todo esse tempo.
— Está tudo bem? — Aaron pergunta se aproximando, bato outra vez na parede não dando muita importância para a dor que senti ao fazer aquilo.
— Não, não está! Não está nada bem! — Respondo com raiva o mirando. — Eu deixei que esse desgraçado entrasse na minha casa!
O respondo ainda com raiva. Não esperei por nenhuma resposta, sai da sala de reunião com pressa, me juntando aos outros membros da equipe que me lançaram olhares preocupados, tentei ignorar aquilo, a última coisa que eu queria naquele momento era receber aquele tipo de atenção.
— O que você conseguiu com esse nome, Garcia? — Hotchner quebrou o silêncio da equipe ao fazer aquela pergunta, nem havia percebido que tinha me seguido até ali.
— Algumas coisas, a primeira delas é que esse tal de Sawyer Austen não existe, a identidade usada é falsa e os endereços são inexistentes também, mas como eu não sou de desistir assim tão facilmente, eu ampliei ainda mais a minha busca e acabei encontrando um Austen mas não é Sawyer e sim Jeffrey. — Ela disse nos olhando rapidamente, uni minhas sobrancelhas sem entender aquilo. — Jeffrey Austen, de quase quarenta e seis anos. É divorciado e aposentado, agora cuida de um barzinho num bairro aqui perto.
Continuei calada.
— Encontrei outro da família Austen agora mesmo, na verdade o pai desse Jeffrey. Thomas J. Austen. — Ela continuou falando. — Hoje ele estaria com seus setenta e cinco anos, seria hoje o seu aniversário.
— Ele está morto? — Rossi perguntou curioso.
— Sim. — Garcia respondeu. — As causas são muitas, mas de acordo com os documentos aqui, a causa principal foi por causa de uma facada no peito que ele levou durante uma briga com a ex esposa, Hilarie Austen. Ela não foi presa porque alegou ter feito aquilo para se defender do marido e como ele tinha uma taxa altíssima de álcool no organismo ela saiu impune.
— Podemos falar com a ex esposa e ver o que ela sabe sobre isso, já que o elemento está usando o nome do ex marido. — Morgan comentou cruzando os braços.
— Não, infelizmente não podem porque Hilarie também está morta. — Penélope respondeu num mais baixo. — Foi assassinada com diversas facadas pelo corpo quando voltava de uma confraternização com algumas amigas há um pouco mais de quinze anos, meses antes do elemento começar a atacar mulheres e crianças.
— Hilarie Austen morreu quase na mesma época que as mulheres começaram a serem sequestradas e torturadas. Não acho que isso possa ser só uma coincidência. — Olhei para Rossi assim que ele disse aquilo. — O pai de Jeffrey foi morto pela mãe com uma facada no peito e anos depois ela é morta a facadas.
— Então nos resta falar com o único membro ainda vivo dessa família. Jeffrey. — Morgan falou.
— Podemos considerá-lo como um suspeito? — JJ perguntou olhando para Morgan e depois para Hotchner. — O pai morreu e depois a mãe, ambos com facadas. Meses depois várias mulheres e meninas são sequestradas, torturadas e mortas. Como Rossi disse, isso não pode ser só uma mera coincidência.
Vi quando Aaron balançou sua cabeça de forma positiva.
— Penélope… — Ele começou a pedir, mas não foi necessário continuar. Garcia fez um sinal positivo com a mão e voltou os olhos para a tela de seu computador e então, começou a fazer o que ela fazia de melhor.
Ficou calada durante alguns minutos enquanto fazia a pesquisa até que parou outra vez.
— Além de um endereço de Jeffrey Austen, também encontrei um registro de uma casa alugada no nome do pai dele. — Ela juntou os lábios. — E não foi só isso, há alguns meses atrás ele comprou uma van usando esse nome e sim meus amores, estou mandando os dois endereços para vocês nesse exato momento.
Hotchnher e Morgan foram os primeiros a olhar para seus celulares, já eu fui a última da equipe a receber e olhar para os dois endereços recebidos, conhecia uma das ruas ali citadas, ficava a uns vinte minutos da unidade. A equipe começou a se arrumar, estava pronta para ir com eles quando Aaron me barrou, colocando o braço bem na minha frente, usando-o como um tipo de barreira para que eu não desse mais nenhum outro passo. Virei meu rosto o fitando, tentando esconder a minha surpresa e a indignação ao notar o que ele estava fazendo ali.
— Você vai ficar aqui com Reid e Garcia, — Ele disse fitando-me com pressa, percebi que Spencer também pareceu ser pego de surpresa com aquilo. — Por favor.
Ele não deixou que eu pudesse lhe responder, lançou um olhar como se pedisse aquilo pela segunda vez e então saiu da sala juntamente com a equipe deixando-me sozinha ali com Reid e Garcia.
Não me importei muito com o fato dele ter me barrado e ter meio que mentido para mim; havia sido clara que queria continuar participando daquele caso e isso também envolvia ir para o campo caso fosse necessário. Eu entendia o motivo dele não ter permitido que eu fosse junto, provavelmente temia que acabasse fazendo alguma estupidez ou ele simplesmente achava que eu estivesse mesmo emocionalmente envolvida com aquele caso por ser uma vítima.
Não, eu não estava e nem um pouco e me chateei ao perceber que ele provavelmente estivesse pensando o contrário.
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