Stronger feelings

35 Capítulo 35


Notas iniciais
Olá amores, demorei um pouco para postar o capítulo porque estava assistindo a finale de criminal minds e precisei de um tempo para me recuperar desse episódio insano e devastador, não direi spoilers, relaxem. Boa Leitura!

Após resolvermos o caso e prender Tanner arrumamos nossas coisas para voltarmos para Virgínia. Durante o voo Rossi anunciou que estava convidando a todos para ir a um bar que ele conhecia e todos toparam, inclusive eu.

Acho que com as coisas que vinham ocupando a minha mente seria bom para mim me divertir um pouco.

Esquecer-me um pouco de certas coisas. Fomos direto para o bar assim que pousamos e quando chegamos metade da unidade estava ali presente também.

E isso já incluía Penélope Garcia.

— Pensei que só viria a gente para cá. — Comentou JJ olhando ao redor, vários agentes estavam ali presentes. Todos com copos em suas mãos.

— Bom, quando eu coloquei no quadro de avisos que todas as bebidas seriam por conta de David Rossi ninguém ousou recusar. — Brincou Garcia, mostrando seu copo pela metade e rindo. — E eu aproveitei também para já pedir bebidas para vocês.

Ela mostrou a mesa onde nossas bebidas já se encontravam e então cada um segurou um copo.

— Antes de começarmos a beber acho que devemos brindar ao nosso garoto prodígio que agora pode acrescentar parteiro a sua grande lista de qualificações e também a Julia que foram os responsáveis ajudar a senhora Jonhson a trazer mais uma criança linda para este mundo. — Morgan gesticulou o copo parava minha direção e de Spencer também e todos fizeram o mesmo.

— Spencer não se contenta em apenas saber de tudo como também precisa ter em seu currículo a qualificação de parteiro também. — JJ brincou também, fazendo com que todos nós rissem.

— Isso não teria sido possível se a Julia não tivesse me ajudado e muito com o parto — Ele tocou meu ombro de forma amigável. — Foi ter uma ajuda em um momento como aquele.

Juntamos os copos uns aos outros e então brindamos, dando um longo gole em nossas bebidas logo em seguida.

— Só uma pergunta antes de começarmos a beber mesmo — Ergui o dedo, olhando para o rapaz um pouco mais a minha frente. — Aonde foi que você aprendeu a fazer um parto?

— Bem, quando a JJ engravidou de Henry eu li diversos livros que explicavam como fazer um, para no caso dela entrar em trabalho de parto quando estivéssemos em campo — Respondeu de forma simples, como se aquilo não fosse nada demais. — Claro que, a teoria em nada se compara com a prática.

JJ deu leves batidas em seu ombro como se o parabenizasse pelo trabalho que ele fez.

— Mas eu tenho de admitir que você mandou muito bem — Ela o parabenizou com um sorriso em seu rosto. — Os dois, na verdade.

— Agora já sabemos a quem recorrer caso seja necessário — Brincou Rossi, dando uma piscada para Reid.

Começamos a conversar, todo o lugar estava quase cheio; a maioria dos presentes eram apenas agentes. A falação logo pareceu se sobressair sobre a música antiga é brega que tocava de fundo, deixando o ambiente mais leve e também alegre. Algo do qual eu realmente estava precisando.

— Ok, agora eu gostaria de falar algo, o real motivo pelo qual marquei com todos aqui justo nesse dia e nesta noite — David ergueu novamente o copo, olhava para todos, mas então parou seu olhar exatamente na minha direção. — Já se passam da meia meia noite então acho que todos aqui sabem que dia é hoje não é mesmo? Não estamos aqui para apenas celebrarmos o nascimento de uma nova vida, mas também de um outro alguém que também nasceu nessa mesa data, porém há vinte e sete anos atrás.

Fechei meus olhos assim que ele disse aquilo, coçando a parte de trás do meu pescoço me vendo ficar levemente sem graça com aquilo. Imediatamente eu me lembrei em que dia estávamos. Era dia 16 de abril, ou mais especificamente, o dia do meu aniversário.

— Um passarinho de roupas coloridas e sempre tão vibrantes me contou mais cedo que entre nós há alguém que está fazendo aniversário e é claro que não podíamos deixar essa data passar em branco não é mesmo? — Rossi gesticulou o copo em minha direção e então todos os olhares se direcionaram a mim, exceto por Garcia que foi quem passou a informação, todos pareciam surpresos com aquilo.

Segundos depois de David Rossi nos dizer aquilo uma mulher se aproximou da mesa onde nos encontrávamos, segurando uma bandeja com um bolo em cima e duas velas que formavam o número vinte e sete. Ambas já acesas.

Eu não consegui esconder a minha surpresa ao ver aquilo, não iria mencionar que andava tão cheia de coisa na cabeça que sequer me dei conta de que já estávamos em Junho, havia meio que me esquecido do meu aniversário também, mas eles não precisavam saber daquilo.

A moça colocou a bandeja com o bolo sobre a mesa deixando-o bem na minha frente e então saiu. Segundos depois eles começam a cantar a canção do parabéns pra você, batendo palmas numa tentativa de conseguir acompanhar o ritmo da música, porém aquilo não parecia dar muito certo. Apaguei as dia velas assim que eles terminaram de cantar, tirado deles um uníssono “viva”. Era mesmo incrível que com eles tudo poderia virar motivo para ser comemorado.

— Agora trate de vir até aqui aniversariante! — JJ foi a primeira a abrir os braços e a me abraçar. — Feliz aniversário Julia!

A agradeci a abraçando de volta, logo me afastando um pouco dela para então ser abraçada por Spencer que, meio sem jeito também abriu seus dois braços os fechando em volta de mim, desejando-me as felicitações por ser meu aniversário.

— Olha ainda bem que eu sempre vasculho as fichas de todo mundo porque se não fosse por mim ninguém iria saber que é seu aniversário — Garcia começou a se justificar enquanto eu me dirigia até ela, para então receber um forte abraço dela. — Feliz aniversário, Julia!

Ela passou as duas mãos pelo meu rosto, sorrindo como se eu fosse uma criança pequena e então deu espaço para que Rossi viesse até mim. O homem segurou o meu rosto com as duas mãos e então beijou minhas bochechas, dando um curto beijo em cada uma delas.

— Parabéns, menina! — Ele me abraçou logo em seguida. Morgan veio depois, tirando o sarro é claro do meu tamanho não ser assim tão compatível para a minha idade e depois me abraçando. Quase fazendo com que eu fosse erguida do chão.

— Está ficando velha, já tem até algumas ruguinhas — Troçou de forma brincalhona, passando a mão por meu cabelo e o bagunçando.

— Não tão velha como você está — Devolvi a brincadeira erguendo uma sobrancelha ao me afastar dele. Rimos os dois ao mesmo tempo enquanto ele se distanciava de mim para então ser a vez de Hotchner.

Precisei disfarçar e muito o grande nervosismo que senti quando o vi se aproximar. Não queria que ninguém percebesse aquilo, mas acho que disfarçar não deu muito certo naquele momento. Tive tempo de apenas respirar fundo para então receber o seu abraço. Ao ser envolvida por ele todo o meu corpo reagiu de forma imediata, um forte calor as fez presente em mim aquecendo-me quando seus braços me cercaram.

Fechei meus olhos por exatos dois segundos quando notei que as batidas do meu coração se tornaram aceleradas demais. Aaron provavelmente perceberia aquilo.

— Feliz aniversário, Julia. — Ele disse, usando um tom de voz descontraído; que se encaixava perfeitamente para aquele momento. Apesar de ainda tentar parecer o chefe sério de sempre.

O abraço entre nós não durou tanto assim, mas na minha cabeça, ser envolvida daquela forma por seus braços foi como se aquele momento durasse por longas horas. Ao nos afastarmos um do outro sentia que meu rosto esquentar, denunciando o quão sem graça eu havia ficado ao nos abraçarmos. Suspirei da forma mais discreta que consegui e me virei de uma vez para os outros, batendo as duas palmas das minhas mãos uma na outra.

— Então… Vamos cortar esse bolo ou vamos só ficar passando vontade? — Perguntei, olhando para todos os outros agentes numa falha tentativa de conseguir me livrar do curto momento de constrangimento.

Aquilo provavelmente sendo causado por termos feito aquilo na frente deles.

Nos ajuntamos a mesa e como dito, cortei o bolo. Servindo para cada agente ali um bom pedaço, o bolo não era assim tão grande, apenas simbólico para que a ocasião não passasse em branco, mas fiquei aliviada em ver que todos conseguiram comer pelo menos dois pedaços do bolo. Após o momento aniversariante ser encerrado, voltamos a apenas passar o tempo ali, conversando e tomando goles e mais goles da bebida fraca com a qual éramos servidos.

A música se tornou mais alta, alguns a cantavam, desafinados e totalmente fora do tom correto. No meu bolso meu celular vibrou, era meu pai me ligando e me apressei para atender. Avisei para eles que iria apenas para fora do bar para atender a ligação, conseguindo assim um pouco menos de barulho.

— Hey pai! — Falei, precisando cobrir a orelha livre com a mão para conseguir escutar melhor sua voz do outro lado da linha.

Oi Julia. — Ele estava falando comigo no português do Brasil. — Eu ia ligar antes, mas não sabia se ainda estava trabalhando em algum caso e também eu não queria te atrapalhar então… Feliz aniversário!

Estiquei meus lábios sorrindo da forma mais larga possível.

— Sei que não é a mesma coisa pelo telefone, mas ...

— Pai. — O interrompi de forma gentil. — Não tem problema, o que realmente importa é que você sempre liga quando passa da meia noite. Ele ficou em silêncio por um momento.

E então, como está indo a vida de uma profiler? Está tudo indo bem? — Perguntou com clara curiosidade, ainda não havíamos falado sobre aquilo.

— Olha, eu estou gostando bastante. — Falei. — Mas se você me achava um gênio é por quê não conheceu um dos agentes da equipe, Doutor Spencer Reid. Ele é seu fã.

Brinquei e pude ouvir que ele riu daquilo, não era a primeira vez que ele ouvia de mim que alguém que eu conhecia era seu/sua fã. Ainda mais quando ele era agente tão conhecido.

Marcarei um encontro para a próxima vez que eu for visitá-la — Ele disse. — Sendo eu um aposentado e com quase sessenta e dois anos posso viajar de graça para qualquer lugar sem me preocupar.

Rimos ao mesmo tempo e então a conversa pareceu ser encerrada ali mesmo, infelizmente ainda precisávamos melhorar nossa relação no quesito diálogo entre pai e filha.

Eu vou desligar, pelo barulho que estou ouvindo no fundo deve estar festejando o aniversário — Falou. — Já mandei o presente, deve chegar daqui dois dias na sua casa.

— Sabe muito bem que você não precisava fazer isso, sabe que eu não sou do tipo apegada em presentes. — O lembrei e ele riu outra vez.

Você diz isso todo ano, Ju. — Respondeu ainda rindo, um pouco mais baixo dessa vez. — Mas você sabe que eu gosto de fazer isso, é um bom gasto com o dinheiro da aposentadoria. E eu sei que irá gostar bem mais do presente dessa vez.

— Está bem. — Cedi, como sempre acontecia. — Eu vou ficar esperando por ele. Espero que nesse ano seja um carro novo, estou esperando por ele desde os dezoito. Ele soltou uma gargalhada do outro lado.

E vai continuar esperando, menina. Mas acho que irá gostar, chega bem perto de um carro. — Ele respondeu ainda rindo. — Agora é sério, aproveite bastante a festa.

Assenti.

— Eu vou sim, pai. — Respondi.

Tchau filhinha. — Seu tom sofreu uma leve mudança ao dizer meu nome, era uma forma gentil e paterna demais. Até na forma como ele me chamou de “filhinha”, exatamente do mesmo jeito que ele costumava me chamar quando eu ainda era criança.

— Tchau papai. — Respondi imitando uma voz infantil e então depois de exatos três segundos ele desligou.

Voltei para o interior do bar onde a festa só parecia ter começado, no pequeno palco que existia mais à frente estavam David, Penélope, JJ, Morgan e Spencer, cantando uma música no karaokê. Nenhum deles estavam afinados, mas nem pareciam ligar muito para aquilo no momento, entre cada verso cantado alguém ria alto e então todos os agentes presentes logo estavam cantando junto.

Alguns com seus copos erguidos enquanto balançavam conforte o ritmo pouco lento da música. Sentei-me no mesmo lugar de antes, Hotchner estava de costas para mim, pois fazia questão de filmar aquele momento dos outros agentes.

Com toda certeza aquela seria uma boa lembrança futuramente. Dei um curto gole na minha bebida, voltando a prestar atenção neles ainda no palco enquanto cantavam, a música sequer estava em sua metade. Ao se dar por satisfeito, Aaron parou de filmá-los, guardando o celular no bolso e então voltando-se para a mesa, tomando um curto gole do resto de sua bebida.

— E então, como você está? — Ele perguntou de forma discreta, mantendo seu rosto na direção do restante da equipe.

— Estou bem melhor agora, depois de quase três dias com um caso como este acho que isso me ajudou a esquecer um pouco de algumas coisas — O respondi, dizendo aquilo sem olhá-lo. — Acho que eu só precisava de um momento para me organizar de novo e aceitar de uma vez o que aconteceu. Mesmo que tenha sido um pouco mais complicado do que eu esperava.

Pisquei várias vezes antes de virar o rosto para olhá-lo, mesmo que aquilo tenha durado por meros segundos.

— Isso é bom. — Ele disse, seu tom apesar de baixo e com toda a bagunça do lugar mais alta, ainda o consegui escutá-lo com clareza. — Esse tipo de negação pode acabar nos consumindo muito devagar, sem que percebamos que isso está acontecendo.

— Não era de fato a negação em si, — Confessei abaixando meu rosto rapidamente. — Eu não sei exatamente o que foi, mas acho que já superei isso. Será bom viver sabendo que ele não irá mais me atormentar ou me provocar.

Suspirei aliviada, finalmente havia aceitado que James estava mesmo morto. Havia acabado.

— Fico feliz em saber disso — Ele disse num tom mais alto para que eu conseguisse entendê-lo melhor. — De verdade.

Sorri.

— É, eu também. — Mordi o lábio inferior. Voltamos ao silêncio assim que a música foi terminada, nos encaramos por poucos segundos, tempo suficiente para que eu sentisse algo dentro de mim parecer queimar-me por dentro, causando em seguida uma sensação muito boa.

Foi algo muito semelhante com o que senti quando nos abraçamos antes, dessa vez, porém foi um pouco mais intenso.

— Sabe, seus olhos ainda estão com aquele mesmo brilho que vi desde que fez o parto. — Ele comentou como se fizesse uma observação qualquer, seus olhos nem por um início segundo se desviaram dos meus.

Sorri completamente sem jeito com seu comentário, acho que poderia considerar aquilo como um tipo de flerte, já que ele pareceu aproximar seu rosto um pouco mais do meu.

— Acho que aquela experiência toda de segurar uma vida tão frágil como a de um bebê em mãos é algo realmente único — Abaixei meu rosto ao respondê-lo. — Foi assustador, mas ao mesmo tempo algo muito revigorante é maravilhoso.

Ele sorriu e então assentiu.

— Você tem um grande fraco por crianças. — Ele afirmou ainda me encarado, obviamente havia conseguindo aquilo ao me perfilar.

Assenti devagar, acho que isso não era um segredo.

— Não vou perguntar como você conseguiu descobrir a minha “fraqueza” porque eu sei que você me perfilou, então eu acho que é justo que eu tente descobrir a sua também — Rebati voltando a encará-lo erguendo uma sobrancelha como se aceitasse aquele desafio tão complicado que era conseguir perfilar aquele homem.

— Isso não será muito difícil de se conseguir já que, para uma profiler tão boa uma delas é meio óbvio demais. — Ele respondeu, aqueles olhos castanhos e tão profundos encarando-me com um olhar um tanto sugestivo demais; como se ele explicasse o que ele quis dizer com sua resposta.

Pisquei após entendê-la e logo sentir que meu rosto esquentou de uma forma sem igual. Engoli em seco, tentando disfarçar o quão sem jeito fiquei com sua resposta.

— Hum… Então quer dizer que eu posso usá-la contra você? — Perguntei, arqueando novamente uma sobrancelha, agora, porém de forma pouco provocativa.

Ele apenas riu, seu humor se mostrando semelhante ao de quando saímos para jantar.

— Se achar que isso irá dar certo — Deu com os ombros. — Pode tentar. Apenas anui com a cabeça, desviando nossos olhares um do outro quando percebemos que todos já estavam descendo do palco, alegres e animados.

Acho que aquilo veio em uma boa hora já que, eu não tinha mais o que dizer para ele.

Pelo menos por hora.

— Vamos fazer uma segunda rodada? — Perguntou Morgan com clara animação, olhando para todos nós.

Olhei para o celular verificando o horário, estava ficando tarde.

— Não temos que levantar cedo daqui algumas horas? — O lembrei. Garcia fez uma careta.

— Não teremos de fazer isso se um chefe maravilhoso nos liberar — Sugeriu Penélope, fazendo com que todos rissem junto.

Todos olharam na direção de Aaron, ele levantou um pouco a manga da camisa social escura que usava olhando para o relógio em seu pulso e então nos olhou.

— Acho que posso liberá-los até as nove e meia. — Respondeu, surpreendendo Garcia que arregalou os olhos.

— Eu não esperava que fosse mesmo concordar, senhor! — Ela exclamou surpresa.

— Vocês ouviram o chefe, não vamos perder tempo! — Morgan levantou o copo animado.

Como sugerido continuamos a pequena festa ali, nos divertindo ao máximo antes de decidirmos ir embora porque, ainda tínhamos de acordar cedo pela manhã. Agradeci a Rossi pelo bolo e a pequena surpresa ali feita e então começamos a nos despedir um do outro para irmos logo embora.

•••

Ao chegar em casa depois da pequena comemoração do meu aniversário, fiz exatamente tudo o que tinha de fazer, deixando uma muda limpa de roupa para o dia seguinte e tomei um banho rápido.

Vesti uma camisola para finalmente poder ir dormir, com o clima um pouco mais abafado e quente escolhi uma que não me deixasse com tanto calor durante a noite. Deitei-me de uma forma que ficava encarando o teto claro do meu quarto e por estar tomada pelo cansaço em poucos segundos já estava sentindo meus olhos pesarem por causa do sono, meu corpo aos poucos foi relaxando e então adormeci.

Acordei de repente ao escutar o latido algo de Doug, seguido pelo barulho de panelas caindo ao chão. Despertada olhei para o relógio no criado mudo ao lado da minha cama, já havia se passado das duas e quarenta da madrugada. Não ter me assustado com aquele barulho foi inevitável.

Sai de minha cama caminhando em direção à cozinha, de onde o barulho e o latido de Doug haviam vindo. Continuei calada, caminhando o mais silenciosa possível até chegar no cômodo, me deparei com um armário aberto e as cinco panelas que eram guardadas nele caídas no chão.

Doug estava parado próximo a mesa, olhava para panelas agora completamente calado. O olhei desconfiada, ele não teria sido o autor daquilo, o cachorro não alcançaria aquele armário. Tentei não pensar no pior, como na possibilidade de ter um ladrão ali dentro.

Aproximei-me delas e comecei a recolhê-las do chão, as colocando sobre o balcão logo em seguida. Abri mais a porta do armário para finalmente guardá-las. Empilhei duas e as ergui, colocando-as ali dentro e foi quando meus dedos tocaram em algo. Na ponta dos pés tateei mais o algo que toquei sentindo que parecia ser algum papel dobrado e o puxei.

Ao desdobrá-lo, meus olhos se arregalaram no mesmo segundo em que vi a foto. Para a minha surpresa aquela foto havia sido tirada quando ainda estávamos com o caso em New York.

Engoli seco, notando que todo o meu corpo se tensionou. Minhas pernas travaram e então, vindo bem detrás de mim, uma música começou a ser tocada. Não era uma canção qualquer porque era a mesma que escutei quando James me ligara dias atrás.

O mesmo trecho era tocado naquele momento, preenchendo toda a minha cozinha.

“I’m not braggin’ on myself, Julia… But I’m the one who loves you, and there’s no one else! No… One else, Julia!”

Minha respiração falhou quando ao dizer meu nome a voz era a dele, não parecia ter sido gravada nem nada disso. Era dele a dizendo, sua voz soando pela cozinha trazendo consigo a velha sensação de que o ambiente todo pareceu diminuir.

Assim como eu também parecia diminuir e deixando-me sem uma saída. Fechei meus olhos, aquilo só poderia ser um sonho e eu queria acordar logo. Os abri, não era um sonho.

Ele não estava morto, pensei enquanto ia sentindo que a força das minhas pernas estavam me deixando em um momento no qual eu queria sair correndo o quanto antes.

A sensação de que eu fosse cair se fez presente e no segundo que achei que aquilo fosse realmente acontecer, fui mais rápida em me segurar no balcão.

Queria que aquilo fosse apenas um sonho, mas estava tudo real demais.

— Eu sei que quer me olhar, Julia. Quer ter certeza de que não está sonhando e não está. — Ele disse como se debochasse de mim e ele realmente estava. Quando havia de fato acreditado que ele estava mesmo morto, a vida se mostrou ainda cheia de surpresas desagradáveis. — Sou eu mesmo bem atrás de você, minha querida.

Fechei meus olhos mais uma vez, pensando em algo. Obrigando meu corpo a encontrar uma forma de reagir, procurando forças internas. De esgueira olhei para Doug, ele não era treinado e tão pouco era um cachorro agressivo, infelizmente não tinha como eu recorrer a ele.

Respirei profundamente, aos poucos me virando e ficando no caminho certo para sair dali. Sequer o olhei, sai correndo antes mesmo que minha mente ou minhas pernas falhassem. Corri até a sala, minha arma estava lá, dentro da bolsa que havia jogado sobre o sofá.

Era só daquilo que eu precisava para acabar de vez com todo aquele pesadelo.

Estava quase chegando ao sofá quando James envolveu-me por completo com seus braços, que se fecharam em mim, fazendo com que meus braços ficassem presos ao meu próprio corpo.

— Você não vai fugir de mim dessa vez. — Ele sussurrou antes de conseguiu me erguer do chão, porém usando toda a força que poderia haver dentro de mim, uni minhas pernas as erguendo e fazendo o mesmo com meu corpo para então jogar todo o meu peso sobre ele.

Conseguindo fazer meus pés voltarem para o chão, usei novamente meu corpo para me defender e dessa vez o joguei para trás, empurrando nós dois em direção a parede. James, porém acabou sendo bem mais rápido que eu e me soltou, segurando-me agora pelos ombros e então me empurrando para o outro lado onde a mesa de centro de encontrava.

Tombei em meus próprios pés e aí de frente para ela, batendo toda a extensão do meu rosto e corpo no vidro que se quebrou em centenas de pedaços. Alguns me ferindo durante a queda. Deitada no chão, de costas para ele e com milhares de cacos de vidro em meu rosto e corpo ele me virou usando seu pé para fazer isso, tirou meu cabelo de meu rosto para que assim eu pudesse olhá-lo.

E então eu pude vê-lo, era mesmo James Sawyer bem ali, vivo e com a mesma marca em seu pescoço do que deveria ser a causa de sua morte. Ele estava ali, diante de mim e sorrindo de uma forma vitoriosa. James aproximou-se um pouco mais, não iria deixá-lo vencer novamente, não dessa vez. Uni minhas pernas a jogando em direção a ele, dando-lhe uma rasteira que o derrubou no chão.

Aproveitei a deixa para acertá-lo uma segunda vez e assim o fiz, dei um chute entre seu joelho e coxa tirando dele um urro de dor.

Comecei a me levantar, correndo de forma atrapalhada até meu quarto — onde meu celular estava — fechei a porta e logo a tranquei; sabia que aquilo não o seguraria por tanto tempo, mas eu só precisava de uma chance. O primeiro número que disquei foi o de Penélope e só percebi que era ela quando a voz sonolenta e cansada dela me atendeu.

— Penélope me ajuda — Pedi a interrompendo antes que ela pudesse dizer alguma coisa. Ouvi quando ele começou a tentar arrombar a porta de meu quarto, os chutes constantes e fortes a forçando para frente. — Ele está aqui!

Foi tudo o que consegui gritar quando ele conseguiu adentrar em meu quarto, praticamente avançando até mim como um animal costuma fazer.

Sawyer tirou o celular da minha mão o jogando para o chão, me bateu com força no rosto e praticamente me jogou na cama, segurando meus braços deixando impossível conseguir reagir.

— Feliz aniversário, Julia. — E aquelas foram as últimas palavras que escutei dele antes de sentir uma forte pancada em minha cabeça.

Notas finais
~Tava morto nada! O cara tá vivão e voltou para atormentar a Julia!!