Hotchner me conduziu em completo silêncio até a sala de reuniões, onde toda a equipe já estava reunida. Durante o curto trajeto, não trocamos uma única palavra, mas eu não estava particularmente preocupada com isso.

Desde que o conheci anos atrás, a expressão sempre séria e sua postura mais reservada indicava que ele não era o tipo de pessoa que se envolvia em conversas triviais. Tão pouco alguém que tinha o costume de estar sempre conversando. Então, durante o curto trajeto até a sala de reuniões, foi fácil lidar com sua personalidade.

Ao chegarmos e entrarmos na sala, Hotchner se posicionou mais à frente, quase ao lado da loira com roupas coloridas que havia entrado em sua sala minutos antes. Os demais já estavam acomodados em seus lugares e imediatamente senti os olhares curiosos sobre mim, a novata da equipe.

Rapidamente reconheci David Rossi entre os rostos, ele também me reconheceu e esboçou um sorriso de boas vindas com um aceno breve com a cabeça.

— Antes de começarmos, gostaria de apresentar de forma oficial a agente Julia Barbosa, — Aaron gesticulou em minha direção. — A partir de hoje ela fará parte da nossa equipe.

Além de Rossi — que já conhecia —, Reid e Garcia. Fui encarada por outros dois agentes.

— Estes são Derek Morgan, Jennifer Jareau, Doutor Spencer Reid, Penelope Garcia que já conheceu momentos atrás e claro, David Rossi.

— Olá. — Fiz um aceno rápido com a mão cumprimentando a todos de uma vez.

Era estranho ser apresentada a uma equipe em que todos já conheciam e claramente possuíam um vínculo entre si. Sentia como se estivesse invadindo o espaço pessoal deles, sendo uma verdadeira intrusa.

Todos me cumprimentaram, a moça loira cujo nome era Jennifer Jareau disse que eu poderia chamá-la apenas de JJ e assim como ela, o homem negro e alto não escondeu o olhar surpreso.

— Imagino que tenham perguntas e que estejam surpresos com sua chegada, mas peço que apenas tratem a agente Barbosa normalmente. — Hotchner se adiantou antes que perguntas fossem feitas.

Soltei um suspiro breve de alívio. A última coisa que eu queria era receber tratamento especial por causa do nome que carrego.

Assim que as apresentações foram feitas e encerradas, sentei-me em uma cadeira qualquer, ficando apenas a um braço de distância de David Rossi. Ele então, empurrou em minha direção uma pasta, o arquivo do caso.

— Vocês irão para o sol quente de San Diego, a polícia encontrou quatro mulheres mortas na semana passada e duas esta manhã. — Assim que Garcia terminou de falar, quatro fotos apareceram na tela ao seu lado, mostrando todas as seis vítimas. Eram todas mulheres jovens, provavelmente na faixa dos vinte e tantos anos.

Seus corpos foram fotografados da forma como foram desovadas, largadas como se fossem lixo. A falta de empatia ou qualquer sentimento em deixá-las largadas não era um bom sinal.

— Alguma ligação entre as vítimas? — Derek Morgan perguntou, seu olhar fixo no arquivo que tinha em mãos.

— Só que todas elas foram raptadas saindo de lanchonetes próximas a área de desova — Garcia respondeu com a voz levemente baixa. — E foram desovadas no mesmo lugar em que aconteceu o rapto.

— Elas foram sequestradas em lugares públicos, mas não há nenhuma testemunha — JJ comentou um pouco apreensiva.

— O unsub é discreto, — Comentei ainda com o olhar nas fotos das mulheres. — Conseguiu raptar seis mulheres sem chamar a atenção para si.

— Não só isso, mas também conseguiu desová-las no mesmo lugar, alguém assim tem muita habilidade para o que está fazendo e conhece a região muito bem. — O comentário veio de JJ novamente, ela agora lia o arquivo em suas mãos. — A rua é movimentada e tem tido patrulha desde a quarta vítima, como isso é possível?

— Talvez ele esteja disfarçado no momento da desova, — Completo sua linha de raciocínio — Talvez saiba da troca de turnos.

— Isso o torna muito ousado e inconsequente. Uma pessoa não teme o que pode lhe acontecer e provavelmente não tem nada a perder. — Rossi concorda.

Instantes depois o alerta de um celular tocou, vi quando Hotchner tirou o aparelho de seu bolso e encarou a tela durante alguns segundos, seu rosto ganhou uma feição tensa e ainda mais carrancuda.

— O chefe do caso acaba de informar que mais uma vítima foi encontrada, — Com a nova revelação houve uma reação em cadeia, todos reagiram com pesar. — As demais considerações podemos fazer durante o voo para San Diego, se o elemento já fez a desova de mais uma vítima é questão de tempo até a próxima ser morta e outra ser raptada. Não temos muito tempo. Vamos!

●●●



Seguimos viagem para Chula Vista, San Diego e durante parte do percurso, continuávamos a fazer novas observações sobre o caso que tínhamos em mãos.

Reid estava sentado na poltrona ao lado da minha e segurava as quatro fotos das vítimas olhando-as todas com muita atenção, como se as estivesse estudando-as.

— O padrão das vítimas é simples, são mulheres jovens e morenas, Juliet Miranda, Samantha Jones, Karen Lincoln e Kate Greene estão entre 26 e 27 anos…

— E trabalham no centro — Morgan completa. — Fora isso, não há mais nada que as ligue.

— Um homem com uma preferência bem específica. — JJ solta o comentário com certo rancor.

— Homem?

A loira dá com os ombros.

— Não querendo ofender, mas uma mulher não conseguiria feri-las dessa maneira — A loira exibe uma foto onde o destaque é um dos vários hematomas no corpo de uma das moças. — Além disso, mulheres não fazem esse tipo de ataque a alguém.

— Homem branco, entre os trinta e quarenta anos… está em boa forma, só assim ele conseguiria render as moças. — Concordo.

— Ele tem uma preferência e está evoluindo rápido demais, seis corpos em menos de duas semanas? — Foi Hotchner a fazer o comentário. — Não vai demorar para que ele se torne um risco à população e a si mesmo.

— O padrão nas moças indica que ele tem um alvo e está direcionando a crueldade a alvos secundários — aponto para as fotos dos corpos. — Vejam só, marcas nos punhos e calcanhares indicam que foram amarradas, elas foram torturadas e mortas depois, há muita raiva envolvida. Uma pessoa assim é uma bomba relógio que irá explodir logo.

Vejo Reid, Rossi e JJ concordando comigo antes do bip do celular de Morgan tocar. Ele o atende e diz que está no viva voz bebê antes de direcioná-lo a nós.

— Hey pessoal, consegui mais informações sobre as quatro vítimas que foram encontradas na semana passada, as quatro trabalhavam em lojas pequenas no centro e estavam no horário de almoço quando foram levadas, segundo testemunhas que trabalhavam com elas parece que nenhuma estava se envolvendo amorosamente com alguém — A loira fez uma pausa. — Mas Kate Green estava inscrita nesses sites de relacionamento.

— Ele pode ter encontrado Kate assim… — JJ comenta, seus lábios levemente retorcidos.

— Mas não as demais… — Rossi a lembra.

— E quanto a vítima mais recente? — questiona Hotchner.

— Mandy Hetler, 27 anos… trabalhava numa loja de roupas de grife no centro. Também estava em seu horário de almoço quando foi sequestrada.

— O elemento pode ter um trabalho também, isso explica o horário dos sequestros acontecer sempre no horário de almoço. — Derek diz pensativo. — E provavelmente deve conhecê-las, só assim ele saberia de seus horários.

— Isso não explica como ninguém viu os sequestros, — observo. — É estranho que seis moças foram levadas em um horário movimento e ninguém tenha notado.

— Não, só isso, mas com toda essa raiva acumulada, como ele consegue manter o emprego? Quero dizer, olhe só o que ele fez com elas… — JJ gesticulou para as fotos e todos as encaramos.

As moças estavam gravemente feridas, cortadas e com hematomas por todo seu corpo, o nível de violência ali visto era tenebroso. Repulsivo.

— Não acredito que ele seja empregado de alguém, uma pessoa assim não suportaria ser subordinado a outro.

— Talvez seja isso que o segure nesse emprego, ele está direcionando a raiva de seu alvo para outras pessoas, — todos me encaram. — Com tanta raiva assim, seu real alvo pode ser sua chefe, imagine uma pessoa desse tipo recebendo ordens de quem ele mais odeia. Ele não aguenta, precisa extravasar essa raiva e encontrou um meio de conseguir.

— A pergunta é até quando ele vai se contentar com alvos secundários. — David Rossi complemente meu pensamento. Suas palavras deixam o ar dentro do avião pesado e tenso.

Faço essa mesma pergunta mentalmente pelo menos mais duas vezes antes de sentir um arrepio incômodo percorrer minha espinha. O tempo estava correndo.

— Nos atualize se encontrar mais informações sobre as vítimas e a última que foi sequestrada, Garcia.

— Sim senhor. — Dizendo ela desliga.

Casos daquele tipo — envolvendo mulheres sequestradas e mortas logo depois — sempre me incomodavam profundamente, pois em minha antiga unidade, lidamos com muitos casos desse tipo. Geralmente com moças mais jovens, o que tornava tudo ainda muito pior. Principalmente quando o elemento acaba matando a mulher de forma tão brutal como havia acontecido com essas quatro moças. Olhando-as pelas fotos senti um grande aperto no peito, era estranho pensar que todas elas estavam na mesma faixa etária que eu.

— O elemento é agressivo do jeito que pode, facadas e golpes violentos, ele não abusa delas então não há nada de sexual em seu crime. — Rossi diz.

— O legista falou algo sobre sinais de abuso? — questiona JJ.

— Não, recebemos poucas informações sobre as moças porque aparentemente o legista queria conversar conosco pessoalmente sobre elas. — explica Aaron, a feição ainda carrancuda em seu rosto. — Reid e Rossi, vocês irão falar com o legista, já que ele quer falar sobre as vítimas pessoalmente, Morgan e Julia vocês irão para o local do sequestro e desova; eu e JJ vamos falar com os policiais e ver o que conseguimos sobre a moça que ainda está desaparecida.

O agente Hotchner olhou rapidamente na minha direção ao falar meu nome e fez o mesmo com os outros agentes.

— Se ele continuar nesse ritmo teremos mais uma vítima e quero evitar ao máximo que isso aconteça.

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Quando Morgan e eu chegamos ao local de desova e onde o elemento sequestrava as vítimas, fomos recebidos por vários polícias e uma multidão curiosa que era contida por três homens fardados e uma fita amarela.

Mesmo que fosse um lugar movimentado, percebo que há uma esquina a alguns passos, um lugar com sacos de lixo e caixas de papelão espalhados pelo chão. A lanchonete estava mais adiante e havia cinco pessoas conversando com alguns policiais. Um deles se mostrava muito apreensivo e falava alto sobre o crime estar afetando seu sono e seu comércio.

— São do FBI? — Um homem alto e um pouco barrigudo se aproximou de nós dois, a mão direita esticada para que ele pudesse nos cumprimentar. — Vincent Hall.

— Agentes Derek Morgan e agente Julia Barbosa. — Morgan nos apresentou com um pouco de pressa, o homem apertou sua mão e logo em seguida fez o mesmo com a minha, sacudindo-a com um pouco mais de rapidez. — Então o que temos aqui?

O homem fez um gesto para que o seguíssemos até o local exato da desova e quando chegamos vimos manchas de sangue pelo chão, indicando que o unsub as desovava logo depois de matá-las.

— Todos os corpos estão sendo encontrados aqui, uns trinta passos da entrada da lanchonete — Vincent apontou para o único espaço limpo em meio aos sacos de lixo e papelão.

— Tem câmeras de segurança? — Derek Morgan o questiona.

Vincent Hall aponta para a nossa esquerda e mostra a direção exata em que há um poste com uma câmera. Contudo seu ângulo está voltando para a rua e não para a fachada da lanchonete. Não nos ajuda muito.

Torço meus lábios.

— Ponto perfeito para o suspeito, um ponto cego. — Observo.

— O dono disse que a rua fica parada depois das onze horas, — o policial nos informa. — O desgraçado pode ter se aproveitado disso.

Concordamos.

— Pode ser. — Morgan assente. — Vamos verificar se há outras câmeras nas proximidades, talvez possamos encontrar alguma pista ou qualquer coisa que possa nos ajudar. — Derek sugere de forma avaliativa. Olhando aos arredores.

Começamos a andar pelo local, corro meus olhos por cada ponto em busca de qualquer pista ou de algo que possa nos ajudar. Seguimos juntos pelo beco onde os corpos foram encontrados e percebo que mesmo naquele ponto ainda há movimento, apesar de ser somente policiais e a perícia a caminhar pelo local, qualquer pessoa que estivesse passando por perto conseguiria ver o sequestro.

— Estamos em um local movimentado e mesmo assim ele conseguiu trazer sete mulheres mortas para cá, ele deve conhecer muito bem a área e sabe qual o melhor horário para trazê-las sem que alguém o veja.

Derek concordou com a cabeça.

— O que é estranho é ele continuar desovando os corpos nesse local, mesmo depois da polícia começar com as rondas.

— Talvez sinta que isso seja um desafio. — dou com os ombros. — A patrulha e toda a ação da polícia em pegá-lo provavelmente esteja o incentivando a continuar.

— Provavelmente. — ele aponta em direção a entrada da lanchonete. — Algo que está me incomodando, de tantos restaurantes, porque este aqui?

Encaro a fachada da lanchonete, o lugar não tinha nada de diferente e tão pouco parecia um lugar de glamour. Era apenas um restaurante simples, ponto ideal para que qualquer um fosse almoçar ou simplesmente lanchar.

— Será que ele conhece o dono? — questiono. Ao mesmo tempo olhamos na direção do dono do restaurante, ele não parece uma pessoa com segredos ou alguém que possa despertar a raiva de algum criminoso.

Sua aparência é simples, na verdade, vejo apenas um homem simples que ganha a vida com um restaurante no centro da cidade.

— Será que ele aceitaria conversar conosco?

— Se ele quiser que seu ganha pão deixe de ser um ponto de um crime horroroso como esse, acredito que sim.

O moreno assente.

— Falamos com o Hotch sobre isso depois.

Ao terminarmos de fazer aquelas observações resolvemos nos reunir com o restante da equipe, como a delegacia não ficava muito longe de onde estávamos decidimos ir a pé mesmo, o caminho não era tão longo, mas também não era tão curto assim. Com isso conseguiríamos ter uma noção melhor de como os sequestros aconteceram e como o movimento naquele ponto do centro era.

— Me diz uma coisa — Derek puxou assunto. — Não quero ofender, mas o que uma agente como você faz por aqui? Quer dizer, seu pai é conhecido por todos do FBI e você consequentemente também, por que a transferiram para a nossa unidade?

Ri brevemente.

— Acredite, eu não tenho ideia. Tudo bem, estou mais perto de casa e talvez isso tenha influenciado a decisão, mas nunca pedi por uma transferência. Principalmente para a mesma unidade em que meu pai trabalhou por tantos anos. — Confessei.

— É, faz sentido. — responde. — E em que setor estava antes de vir para cá?

— Digamos que eu tinha duas funções, trabalhava em campo como vocês, mas também fazia entrevistas psicológicas.

O rosto de Derek ganha feições de dúvida no mesmo instante.

— Sou formada em psicologia criminal, então eles me usam para certos diagnósticos. — Explico de forma simples. — Principalmente para aqueles que se dizem com problemas psicológicos ou tidos como psicopatas ou sociopatas.

— Uau! Isso é novidade. — exclama impressionado. — Então, seu diagnóstico pode ou não influenciar nos julgamentos…

— Às vezes — respondo.

— Imagino que tenha feito alguns inimigos.

— Muitos.

— E o que seu pai acha disso? Provavelmente não deve gostar.

— Por ele, eu ficava só dando assessoria, mas gosto do que faço. Claro, não sei se agora com essa transferência vão permitir que eu continue com as entrevistas, o que faria com que ele pulasse de alegria. — Solto um riso breve. — Ele já não gosta da ideia de eu estar em campo, com as entrevistas então…

— O lado protetor surge. — Derek completa por mim.

— É isso aí.

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Na delegacia reunimos todas as informações sobre o suspeito, ainda não eram tantas para conseguir um nome ou qualquer outra referência que poderia ajudar a identificá-lo, mas com o que tínhamos já poderíamos começar a traçar um perfil. Ou pelo menos nos guiar para algo que pudéssemos usar e repassar aos policiais.

Reid organizava as fotos das vítimas e como já havíamos notado antes, todas eram muito semelhantes em suas aparências.

— Alguém com essas características deve ter feito alguma coisa com o unsub. — Comento enquanto me aproximo do quadro. — Todas são morenas, cabelos escuros e pele morena. A mesma faixa etária…

— Um coração partido, talvez? — É Rossi quem comenta.

Dou com os ombros.

— Faria sentido pela violência.

Spencer se virou para a mesa onde os outros agentes estavam discutindo sobre o caso, ele me olhou durante alguns segundos e depois voltou o olhar para as fotos, notei que seus olhos se estreitaram levemente como se estivesse pensando em algo e senti um tipo estranho de frio na barriga com aquilo.

— Elas se parecem com a Julia — Ele simplesmente soltou a observação, fazendo assim com que todos me encarassem, pois, além de Spencer, eu era a única ali de pé. — Acho que poderíamos usar essa semelhança para atraí-lo.

Fiquei sem resposta, porque minha mente decidiu parar de trabalhar durante alguns segundos. A surpresa por sua fala e ideia me pegaram desprevenida.

— Nem pensar. — Hotchner foi o primeiro a discordar daquilo com rapidez. — Não temos tempo para arriscar a vida de uma agente dessa forma.

Sentados ao seu lado estavam Rossi e Morgan, os dois pareciam pensativos sobre o assunto, mas logo também discordaram disso.

Antes que qualquer novo comentário pudesse ser feito, Vincent Hall interrompeu a sugestão que sequer ganhou força ao adentrar a sala. Sua expressão já nos dizia tudo e novamente senti um frio na barriga.

Não seria uma boa notícia.

— Acharam mais um corpo, mas dessa vez não foi no restaurante de sempre. — Sua voz sai com urgência e ansiedade. Os olhos saltados.

Não precisamos de novas informações, com pressa deixamos a delegacia nos preparando para o novo corpo e tudo o que viria com ele. A imprensa estaria em cima, as pessoas estariam aguardando por qualquer resposta ou parecer. Um caos.

A polícia local já havia cercado o local, pessoas cercavam a rua em busca de alguma resposta ou de conseguir bisbilhotar o que estava acontecendo. A perícia já havia removido o corpo e o carregava para dentro do veículo.

— Reid e Julia, quero que falem com o legista, vão com ele se precisar, precisamos de qualquer informação que consigam tirar dele.

Não esperamos pelo restante das orientações de Hotchner, Spencer e eu seguimos em direção ao legista que, com muita dificuldade carregava o corpo para dentro do furgão.

O homem nos olhou assim que nos aproximamos, seu olhar demorou um pouco mais em minha direção, mas deu com os ombros.

— Sei o que querem e terão que vir comigo se quiserem conversar.

— E iremos. — Afirmo.

— Ótimo — diz de forma simples. — Preciso apenas da autorização dos policiais e já retorno.

O legista nos deixou com o corpo, Spencer encarava o lugar ao nosso redor como se buscasse por algo.

— O movimento aqui é diferente — comenta. — Encontraram um corpo e veja só, não há tanto movimento como no centro.

Percorro o olhar ao redor e noto exatamente isso. Apesar de haver pessoas ansiosas para entender o que aconteceu, a quantidade de curiosos não se comparava com a quantidade que vi no centro — onde a polícia tinha grande dificuldade em conseguir contê-los.

— Será que foi por isso que o suspeito mudou o local da desova? A polícia cercando o lugar deve tê-lo deixado apavorado, matou mais cedo…

— Ele mudou o local de desova — O rapaz observou olhando ao seu redor, estava pensativo novamente. — E também a matou mais cedo, ele está ficando mais confiante e isso pode ser um problema, ficará descontrolado.

— Ficou bem mais ousado, a desovou durante o dia, não está mais tão preocupado assim em ser visto. — Respondo.

Antes que eu conseguisse completar minha linha de raciocínio, algo envolve minha cabeça e tudo se torna um breu de repente. Abro a boca para gritar quando percebo o que está para acontecer, mas o baque dolorido na minha nuca me apaga de uma vez.