Stronger feelings
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Rossi, Reid e eu chegamos no endereço de Linda Van Carter depois de quase vinte minutos de viagem.
A residência dela se encontrava um pouco afastada da cidade o que dificultou um pouco para que pudéssemos conseguir encontrá-lo tão rapidamente. Rossi ficou na nossa frente, já estava preparado para entrar, porém esperou.
Chamou por ela três, quatro vezes e não obtemos nenhuma resposta, o que nos preocupou bastante, pois sabíamos o que aquilo poderia significar. Ele tentou então abrir a porta, porém ela pareceu estar trancada.
Precisamos recorrer a opção de arrombar a porta para que assim pudessemos entrar, o lugar estava silencioso demais, clamo demais.
— Linda Carter, somos agentes do FBI! — Ele gritou assim que entrou e entramos logo em depois dele.
Nos dividimos para procurar por ela pela casa e não havia nenhum sinal dela, entrei em seu quarto e o cômodo estava bagunçado. A cama desarrumada, seu guarda roupa estava com todas as portas abertas e suas roupas jogadas pelo chão.
Havia também caco de vidro pelo chão o que indicava que uma briga aconteceu ali dentro.
— Rossi? — Sai do quarto de Linda descendo para o primeiro andar.
Havia chegado na sala quando vi Spencer mexendo nos papéis que estavam jogados pelo chão, David apareceu logo em seguida dizendo que não havia encontrado Linda em nenhum outro cômodo e contei a ele sobre o que tinha visto no quarto.
Reid porém parecia mais concentrado nos papéis do que em nós dois.
— Ele esteve aqui — O rapaz falou mostrando o que estava escrito nos papéis encontrados. Eram os mesmo versículos deixados com os outros homens sobre adultério, alguns que citavam o pecado também.
— Richard chegou aqui mais cedo que nós e levou Linda — Complentou o mais velho tirando o celular do bolso. — Precisamos avisar os outros sobre isso.
O homem se afastou para fazer a ligação e enquanto isso Spender e eu continuamos com os papéis, lendo todos os versículos que Richard havia deixado na casa.
Dentre os papéis que estavam no chão alguns eram fotos, boa parte delas relatando o casamento de Linda e Richard num tipo de celeiro, havia outras fotos também deles juntos mostrando os dois numa casa de campo com aquele mesmo celeiro.
— Olha só isso. — Mostrei uma foto deles, mais atrás a mesma casa de campo. — Todas as fotos que estão jogadas são somente deles nesse lugar.
— Richard também não está na casa dele — Rossi no avisou assim que retornou.
Spencer e eu nos entreolhamos brevemente e logo em seguida para as fotos que tínha em mãos.
—Acho que sabemos para onde ele a levou. — Reid falou. — Ligue para a Garcia e peça para ela procurar por uma casa de campo, onde o casamento deles aconteceu, Richard levou Linda para esse lugar.
Saímos sa casa da mulher e enquanto isso Rossi ligava para Garcia para pedir o endereço da casa de campo, no meio do caminho encontramos com o restante da equipe e então seguimos o endereço todos juntos.
O recebemos depois de dois minutos e precisamos nos apressar bem mais, pois estava claro que Richard iria querer matá-la também.
A casa de campo se encontrava ainda mais afastada da cidade, o frio parecia até mesmo ser mais intenso naquela parte. Nos separamos em grupos pequenos, de forma que quando finalmente encontramos Richard Follen o deixássemos cercado.
Linda estava amarrada em uma árvore e ele já estava pronto para atirar a primeira pedra nela.
— Richard Follen, FBI! — Morgan e Hotchner gritaram ao mesmo tempo, chamando a atenção do homem para eles.
O restante de nós ficamos bem atrás dele, fazendo um cerco perto da árvore onde Linda havia sido amarrada. Pude notar uma vala que havia sido cavada, provavelmente onde ele a coloria depois de matá-la.
Ao lado de Richard havia um grande saco cheio de pedras, todas estavam sujas de sangue, deduzi que ele usava as mesmas pedras para matar suas vítimas.
— Saiam daqui! Todos vocês! Saiam daqui agora! — Ele esbravejou com raiva. — Ela é uma pecadora, assim como os outros e também precisa pagar por seu pecado!
Ele fez menção de erguer a mão que segurava a pedra e quando fez isso Hotchner, Morgan e Rossi avançaram ao mesmo tempo, dando um único passo para mais perto dele.
— Se você atirar essa pedra nela, pode ter certeza de você irá morrer! — Aaron o ameaçou num tom severo. — A escolha é toda sua.
Richard olhou para todos nós, a raiva estampada em seu rosto.
— Ela é uma pecadora, droga! E pecadores como ela e os outros merecem morrer também! — O homem gritou novamente.
— Vou dizer só mais uma vez, Richard! — Hotchner de forma discreta deu mais um passo para frente. — Atire essa pedra em Linda e você levará um tiro!
Richard olhou na direção de Hotchner, a pedra ainda em suas mãos e seu rosto mostrando que ele estava mais enfurecido que antes. Ele olhou novamente para a ex esposa amarrada, Richard por um segundo pareceu pensar em sua situação, mas então reagiu.
— Não! — Follen gritou e então aconteceu rápido, ele curvou minimamente seu corpo para frente e esticou a mão, lançando a pedra exatamente na direção da mulher e no segundo seguinte, Hotchner atirou nele.
O agente mais velho lhe deu um tiro no ombro, fazendo com que ele caísse no chão por causa do ferimento que ganhou. O sangue em seu ombro aos poucos manchando o casaco que ele usava.
A pedra havia acertado Linda, felizmente não foi tão grave assim, claro que a dor que ela sentiu ao ser atingida fora o suficiente para que ela soltasse um grito alto e agudo por causa da dor.
JJ e eu corremos para poder finalmente desamarrar a mulher da árvore aonde Richard a prendeu. Tiramos a corda que envolvia seu corpo e a levamos para a ambulância, para que ela pudesse receber os cuidados necessários.
Richard Follen foi preso e aquele caso foi devidamente encerado. Fiquei feliz por Linda não ter acabado morta, apesar do que ela havia feito, não acho que matá-la serviria como punição.
De longe observei a cena de Richard sendo levado por Hotchner e Ross para o carro da polícia, ele reagia, não queria ser preso e tentava se soltar das algemas a todo custo. Suspirei.
Queria voltar logo para casa e ficar bem longe daquele frio.
•••
Dentro do avião estávamos finalmente voltando para casa, o ambiente ali dentro era calmo e quieto demais, a maioria da equipe estava dormindo, já que se passava das duas da manhã e estávamos todos esgotados e exaustos.
Ele não havia sido assim tão complicado como outros que já havíamos pegado, claro que também não foi tão fácil, mas foi um tanto cansativo.
Depois que enceramos aquele caso e deixarmos Sitka afastei da minha mente qualquer tipo de pensamento que possuísse relação com o caso ou qualquer outro tipo de assunto.
Só queria esvaziar minha mente e chegar logo para casa.
Tinha a cabeça levemente inclinada sobre a poltrona, meus olhos estavam fixos no teto claro do jatinho e lentamente fui os fechando relaxando um pouco enquanto a música que tocava através do meu celular continuava.
Não estava prestando muita atenção no que estava sendo tocado, infelizmente minha mente se encontrava voltando a um assunto do qual eu não queria pensar.
Respirei fundo e desliguei a música, aquilo não estava adiantando de nada. Era como se, quanto mais eu tentava não pensar naquilo, mais aquele assunto se mostrava insistente na minha mente.
De olhos ainda fechados pude ouvir o som de passos, continuei daquele mesmo jeito até que o mesmo som dos passos que escutei pareceu estar se direcionando até onde eu estava sentada.
Abri meu olhos de uma vez quando ouvi uma movimentação e acabei encontrando com a figura de Hotchner se sentado na poltrona, ficando assim de frente para mim.
Como aconteceu na delegacia nos encaramos em silêncio por um longo tempo — como já vínhamos feito antes — e mesmo sabendo que aquilo não iria acontecer, esperei que ele começasse a falar alguma coisa.
Uni minhas sobrancelhas mantendo meu olhar sobre seu rosto que, mostrava-me uma expressão clara de tensão.
Como se houvesse algo que o estivesse incomodando.
Continuei calada, esperando que ele dissesse alguma coisa já que, fora ele quem viera até mim.
Porém aquela espera acabou por se mostrar até que bastante desnecessária, estava claro para mim de que ele não iria dizer nada.
— Acho que nós dois temos um assunto em aberto para ser tratado, não acha? — Perguntei pendendo minha cabeça levemente para o lado e arqueando uma sobrancelha.
Ele pareceu ficar tenso ao ouvir aquilo, mantive meu tom o mais baixo possível para que ninguém mais escutasse aquela conversa.
Com todos já especulando o que acontecia com ele, a última coisa que eu queria que acontecesse era que aquilo começasse a acontecer comigo também.
Aaron travou o maxilar mudando sua postura, era como ver alguém que estava encurralado por causa de uma simples pergunta feita.
— Sim, — Ele respondeu baixo. — Nós temos.
Balancei lentamente a minha cabeça de forma positiva, esmaga pronta para dizer algo quando ele abriu novamente a boca para voltar a falar.
— O que aconteceu não tornará a acontecer, Julia. — Disse de uma vez. Surpreendendo-me de início. Sua voz também soando bem mais baixa que a minha. — Sinto muito por ter tido aquele tipo de atitude, foi um grande erro da minha parte e posso lhe garantir de que esse erro não irá se repetir.
Ao terminar de falar ele permaneceu sentado na minha frente durante alguns poucos segundos e então, da mesma maneira de como ele chegou e sentou-se na minha frente, ele simplesmente se levantou sem dizer mais nada e voltou para o lugar onde estava sentado.
Em silêncio eu apenas segui seus movimentos, o acompanhei com o olhar enquanto o via de pé e se afastar de onde estava.
Até vê-lo sentar-se sobre um conjunto de poltronas que ficavam de frente para outro conjunto do lado esquerdo do jatinho. Bem mais afastado e fora do meu campo completo de visão, conseguia ver apenas parte de seu rosto.
Cruzei meus braços totalmente tomada por uma grande insatisfação com aquilo, mantive meu olhar sobre ele, não ligava se ele acabaria me olhando de voltar ou não.
Só queria entender o que havia sido aquela conversa tão breve e tão insatisfatória ao mesmo tempo.
Estava praticamente o fuzilando com meus olhos e não dava a mínima se ele iria perceber isso ou não, eu queria apenas conseguir entender como alguém como Aaron Hotchner conseguia ser tão... Complicado.
Mordi o lábio com força e sem que eu percebesse comecei a bater meu pé no chão de forma frenética e constante. Aquilo não era uma mania frequente minha, costumava apenas fazer aquilo quando estava com raiva de algo ou ansiosa demais. Eu sabia que não estava ansiosa ali, talvez até estivesse mas o que estava me predominando era apenas raiva. Mas não era esse o sentimento exato do momento. Frustração, talvez?
Instintivamente levantei-me da poltrona na qual estava sentada, não estava nem um pouco satisfeita com a conversa curtíssima que Hotchner e eu tivemos.
Não me importava se ele achou que aquilo de noite atrás foi um erro ou deixou de ser, ele não podia dar uma desculpa tão esfarrapada e medíocre como aquela e achar que tudo ficaria bem outra vez.
Andei até ele, meus passos mais silenciosos do que era de capture; afinal, todos os outros estavam afirmando e eu não queria acordar ninguém.
Ao me aproximar o suficiente dele, parei bem diante da fileira onde Aaron encontrava-se sentado.
Respirei profundamente pela segunda vez, mirando-o de forma direta. No momento eu queria apenas poder entender o que raios foi aquilo que acabara de aconteceu.
— Por favor, eu quero que você me explique. — Ordenei com raiva e chamando a sua atenção.
Aaron ergueu o rosto me olhando de cima abaixo e mostrando que não estava entendendo o que estava acontecendo ali.
Precisei fechar meus olhos e respirar fundo pela terceira vez dentro daquele avião, vê-lo se fazendo de sonso como ele estava se fazendo no momento não combinava e nem um pouco com o tipo de homem que ele era.
— Não vamos ter essa conversa aqui, agente. — Ele respondeu de forma profissional até demais. — Não agora, pelo menos.
Balancei minha cabeça de um lado para o outro; ainda insatisfeita. Era provável que se eu fosse esperar por ele, não teríamos aquela conversa nunca.
— Então porquê não vamos pegar um café, o que acha? — Perguntei de forma irônica ainda o fitando séria.
Continuei parada na sua frente até que o vi se levantar, dando-se por vencido e então nós dois nos afastamos dos demais agentes que dormiam em suas poltronas, usando a péssima desculpa de pegar um café para poder ter aquela conversa.
Parei bem de frente a cafeteria e o fitei outra vez, meus braços ainda cruzados enquanto eu esperava que ele começasse a falar. Mas eu já deveria esperar que não seria ele a pessoa que iria quebrar o silêncio.
— Você acha mesmo que depois de me beijar bem na frente da minha própria casa e vindo agora me dando uma desculpa como aquela vai deixar tudo normal outra vez? — Perguntei o olhando diretamente nos olhos, esperando que ele também o fizesse. — Eu só quero entender o que raios foi aquilo e depois se você quiser que seja desse jeito, podemos simplesmente esquecer tudo isso e fingir que nunca aconteceu nada.
Esperei por sua resposta, Aaron finalmente me encarou e no segundo que ele fez isso senti como se estivesse presa naquele pequeno espaço. Encurralada de tal forma que mesmo se eu saísse dali ainda estaria me sentindo da mesma maneira.
Aquilo era puro silêncio.
Ele não dizia uma só palavra e muito menos eu. Talvez ele nem fosse me responder e eu estava sendo idiota o bastante por estar esperando que aquilo viesse a acontecer.
Desviei meus olhos encarando a cafeteira e comecei a preparar um pouco de café, Aaron continuava ali parado perto de mim mantendo o seu silêncio como resposta.
Decidi esperar mais um pouco, dissera a mim mesma que não me contentaria com uma resposta meia boca, mas pelo que pude notar ela seria a única que eu teria.
O café já estava quase pronto quando me enfureci de vez, bati a mão sobre a mesinha me arrependendo logo em seguida de ter feito aquilo.
Os outros poderiam acordar com aquilo e felizmente nada aconteceu.
— Ok. Eu já entendi como será as coisas. — Quebrei novamente o silêncio voltando a mirá-lo.
Suspirei lentamente depositando um pouquinho mais de fé de que ele iria dizer alguma coisa, mas não houve uma única palavra dele.
— Eu vou tentar me contentar com o "Foi um erro e não se repetirá." Afastei-me dele para pegar um copo e o enchi pela metade. — Mas, por favor, pelo menos comece a disfarçar melhor do que aquilo — Bati com o indicador em seu peito evitando descontar minha raiva naquela atitude.
Não queria fazer nada que pudesse acabar me prejudicando profissionalmente.
— Como assim? — Questinou, sua voz saiu extremamente baixa, como se parecesse que ele temesse que alguém nos ouvisse.
— Está numa equipe com ótimos perfiladores, acha mesmo que eles não perceberam em como você está agindo de forma estranha? — Arqueei uma sobrancelha mirando-o. — Eles estavam especulando sobre o que poderia ter lhe deixado assim.
Passei a mão por meu pescoço sentindo-me estranhamente tensa e nervosa ao dizer aquilo, não queria levar a sério ou acreditar de que ele só estava agindo daquele jeito por causa de um beijo.
Hotchner uniu suas sobrancelhas como se estivesse pensando em alguma coisa, fez-se silêncio entre nós dois outra vez. Aquilo já começando a me deixar um pouco impaciente.
— Me responda uma coisa, o que você acha que foi aquilo que aconteceu? — Perguntei sem pensar duas vezes, me arrependendo logo em seguida daquilo. — Acha mesmo que foi, como você mesmo me disse lá atrás: Um erro que não irá se repetir? — Repeti suas palavras em tom de pergunta, encarando-o de forma curiosa.
— Eu vou facilitar um pouco — Falei outra vez, o interrompendo antes de que alguma palavra saísse de sua boca. — Por que você fez aquilo?
O mais velho demorou um pouco para me responder.
— Eu não sei. — Ele respondeu tão baixo que não tive tanta certeza se havia o escutado direito. Seu rosto se ergueu um pouco, ele agora estava a me encarar. Pareceu dizer aquilo com honestidade. — Não foi uma atitude correta da minha parte...
— Você... Você está mesmo se desculpando pelo que fez? — Pareci supresa ao perguntar, seja lá o que estava dando em mim eu mesma não sabia o que era.
E aquilo foi motivo para que Aaron me olhasse com curiosidade e dúvida ao mesmo tempo.
— Por que você parece estar tão surpresa com isso? — Ele me questionou. — Não concorda com isso?
Ao perguntar aquilo ele pareceu dar um único passo para frente, mas não tive muita certeza daquilo.
Estava concentrada demais em continuar a fuzilá-lo ali. Franzi meu cenho sem conseguir compreender o que ele queria dizer com aquela pergunta, de imediato a minha mente por vontade própria pareceu lhe responder um baixo e convicto "não", mas de meus lábios nenhuma resposta saiu.
— O q-quê? — Gaguejei ao questioná-lo de volta, havia notado que ele pareceu mesmo estar bem mais perto de mim naquele instante.
Sua presença estava apenas deixando com que aquele pequeno espaço onde nós dois estávamos se tornasse ainda menor que ele já era.
— Eu quero saber se você concorda com o que eu lhe disse. — Respondeu abaixando um pouco mais seu tom de voz e só me deixando com mais dúvida sobre a que ponto ele queria chegar.
Engoli seco ao sentir meu coração bater um pouco mais acelerado, segurei os dois copos com mais firmeza sentindo-os quentes em contato com minhas mãos. Tentei desviar meus olhos do olhar tão severo e sério de Aaron Hotchner, mas sequer conseguia me mover ali e quando tentei recuar meio passo logo desisti, pois não senti que houvesse alguma firmeza nas minhas pernas naquele momento para que eu pudesse conseguir fazer aquilo sem cair.
Fiquei em dúvida sobre o que deveria responder a ele, minha mente já tinha uma resposta, porém meus lábios tinha outra completamente contrária.
— Não. — Meu corpo só pareceu travar ao soltar aquele não, minha garganta secou por completo e as batidas do meu coração só aumentaram sua velocidade. Tensa, travada... Nervosa.
O que acontecia dentro de mim era uma grande mistura bagunçada de sentimentos. Podia dizer que também estava confusa, mas aquilo seria uma grande mentira que estaria dizendo.
Com dúvida? Nem pensar, a resposta que lhe dei veio cheia de certeza, o que me causou estranheza.
— Quer um pouco de café David? — Inclinei a cabeça para a esquerda de repente encarando o homem de pé recém despertado que estava parado no meio do corredor. — Acabei de fazer.
Hotchner também olhou para trás vendo o amigo que agora estava a se aproximar do espaço aonde nós dois estávamos, da forma mais rápida que pude e também para disfarçar, entreguei o corpo para Hotchner avisando que ele estava sem açúcar.
E como Rossi acabou aceitando o café enchei mais um copo e logo em seguida me afastei deles dois, voltando para o meu lugar de antes.
Segurei o corpo com as duas mãos, olhava para a escuridão do lado de fora através da pequena janela do jatinho e mesmo com tentativas de conseguir esquecer o que havia acontecido, minha mente parecia ter vontade própria e de maneira alguma afastou o pensamento que eu tanto queria que fosse apagado da minha cabeça.
Tomei dois goles seguidos de café me vendo ali nervosa como nunca estivera antes, nem Hotchner nem Rossi haviam passado por mim o que só me fez pensar que ambos ainda estivessem no mesmo lugar; provavelmente conversando entre si, não me importava.
Pensei em olhar para trás, mas eu bem sabia que se eu fizesse aquilo só iria deixar tudo ainda pior. E eu sabia que se fizesse isso eu só iria terminar de estragar tudo.
Perguntei a mim mesma o que havia acabado de fazer, na verdade o que eu havia dito. Abri minha boca dizendo a resposta que minha mente me dissera e ao ouvi-la ser dita com a minha própria boca foi como se eu tivesse dito uma grande mentira.
Tomei mais um gole de café, continuando a pensar sobre a conversa recente que terminou poucos minutos atrás e também sobre o que foi dito por nós dois. O que havia dado em mim para ter dado aquela resposta? Eu mesma não sabia, não entenda o que levou-me a fazer aquilo, mas de qualquer forma já era tarde demais para voltar atrás.
Minha resposta foi totalmente sincera, mesmo que em meu interior o que eu deveria ter respondido fosse o contrário. De fato, não havia mais volta.
Fale com o autor