Stronger feelings
44 Capítulo 44
Notas iniciais
...Um mês depois...
Voltar para casa depois de quase um mês inteiro no hospital foi estranho, apesar de muita coisa estar completamente diferente de antes, sentia-me um pouco estranha por voltar. Era como voltar depois de anos longe. Como meu pai já havia me dito, ele reformou e mudou algumas coisas, tirou tudo o que sabia que me faria lembrar-me de Sawyer.
Sentia até como se estivesse entrando numa casa diferente; apesar de ser a mesma de sempre. Assim que entramos Doug correu até onde estava, latindo alto como sempre fazia, seu rabo balançando rapidamente; me mostrando que estava feliz. Agachei-me apoiando um joelho no chão e esperei por ele, sentia falta daquele cachorro e vê-lo novamente — depois de quase dois meses — era muito bom.
— Eu também senti sua falta garoto — Falei em meio a um sorriso, passando a mão em sua cabeça numa carícia demorada. Hotchner fechou a porta assim que entrou, com o canto do olho vi quando ele parou ao meu lado olhando-me de forma curiosa.
Coloquei-me de pé novamente, recebendo um pouco de ajuda ao fazer aquilo; ainda sentia um pouco de dor onde levei os pontos. Percebi que não havia dado um único passo desde que entrei em casa, apesar de já fazer um bom tempo que não entrava lá, dizer que estar parada praticamente no mesmo lugar onde James me feriu não trouxe algumas lembranças desconfortáveis à tona seria mentira. Mesmo quando fui recebida pelo labrador não me movi, permaneci no mesmo lugar apenas olhando ao meu redor.
— Tudo bem? — Perguntou, a mão parando levemente em minhas costas como se de alguma forma ele me segurasse caso eu caísse.
— Estou é que parece estranho voltar aqui, é como se eu tivesse ficado anos longe daquele lugar. — Admiti coçando o topo da minha cabeça. Poder ouvir novamente minha voz era ótimo, ainda que sentisse minha garganta doer um pouco sempre que a forçava. — Agora só preciso me acostumar com a ideia de ficar por mais três meses e meio aqui. Suspirei ao lembrar da licença de quase quatro meses.
Tinha certeza de que não iria aguentar todo esse tempo em casa, ‘me conhecia bem, detestava ficar presa em casa. Ele riu muito brevemente e começamos a andar em direção ao sofá, ele mantendo a mão em minhas costas. Novamente recebi sua ajuda, dessa vez para sentar-me sem que eu precisasse forçar demais o corpo. Aaron sentando-se ao meu lado.
— Aproveitando que toquei nesse assunto de caso, você não deveria estar cuidando de um nesse exato momento? — Perguntei virando o rosto na direção de Hotchner. Olhando-o de verdade agora.
Ele deu com os ombros, como se a resposta que me daria não fosse assim tão importante. O que me espantou bastante, pois sabia como ele era comprometido com o trabalho.
— Disse ao Rossi para que avisasse aos outros que eu não participaria deste caso — Contou simplesmente.
Ergui as duas sobrancelhas ao ouvir aquilo ser dito por ele, surpresa demais. Aaron não era assim; de acordo com o que havia escutado sobre ele, não era de seu feito faltar sem que fosse realmente necessário.
— Quem é você e o que fez com o antigo Aaron Hotchner? — Me inclinei para perto dele e levei minha mão até o topo de sua testa, como se medisse a temperatura de seu corpo. Ele pareceu não entender muito bem aquilo, franziu o cenho e estreitou os olhos. — Você está bem? Perguntei outra vez, deixando-o mais confuso que antes.
— Como assim? — Questionou-me com dúvida.
— Não vou mentir em lhe dizer que estou achando que você anda muito estanho nesses últimos dias — Confessei. — Você ficou comigo no hospital por uns cinco dias enquanto meu pai não chegou e agora não vai participar do caso que tem? Tem certeza de que não está doente nem nada assim?
O canto de seus lábios se curvou muito discretamente, algo que percebi apenas por estar o encarando. Caso contrário nem teria reparado que ele fez aquilo.
— Eu estou bem, Julia. — Ele me respondeu com um tom pouco descontraído. — Só achei que seria bom se a trouxesse de volta para casa.
Arqueei uma sobrancelha.
— Você está mesmo faltando no trabalho só por minha causa? — O questionei outra vez, juntando os lábios evitando sorrir; algo que acabou se mostrando inevitável naquele momento.
Aaron se arrumou no sofá, a posição agora lhe permitia que ele ficasse com todo o corpo de frente para mim. Ele levou a mão até a lateral do meu rosto, a ponta de seus em contato com meu rosto agora levemente ferido causou-me uma sensação boa.
— Talvez — Respondeu com seu rosto se aproximando do meu. — Vê algum problema se eu fizer isso? — Perguntou abaixando seu tom de voz.
— Problema nenhum — Sussurrei minha resposta contendo um breve riso. Seus lábios então tocaram os meus com certa cautela num beijo gentil demais.
A mão aos poucos descendo e tocando por breves segundos a cicatriz ali presente, foi como se um botão tivesse sido apertado. De forma quase imediata todas as lembranças do inferno que passei com James por semanas vieram de uma só vez em minha mente, aquele turbilhão de pensamentos e sentimentos vividos veio como uma grande onda que caiu sobre mim; fazendo com que eu recuasse e me afastasse dele.
— Desculpem-me. — Disse ao perceber o motivo, sem que eu notasse tinha a mão cobrindo aquela parte de meu pescoço, tocando o mesmo lugar onde a cicatriz estava. O corte longo e visível servindo como uma lembrança real de que James ainda estaria por perto mesmo depois de morto.
Um mês havia se passado desde sua morte, desde que me livrei dele e a tarefa de conseguir superar tudo o que aconteceu se mostrava algo que ainda era muito complicado para mim.
— Está tudo bem… É que — Me interrompi suspirando alto. — Ainda é um pouco estranho tocá-la e lembrar que ela continua aqui. Suspirei, sentindo-me uma tola.
— Julia, — Ele chamou-me, a mão segurando-me pelo queixo de forma gentil, fazendo com que nos olhássemos. — Com o que passou e aconteceu, é normal que esteja se sentindo dessa maneira; iria me preocupar caso não estivesse. Mordi o lábio com força antes de respondê-lo.
— Mesmo morto ele conseguiu encontrar uma forma de me fazer carregar mais dele comigo — Cerrei o punho com raiva.
Ainda existiam algumas marcas em meu braço dos dias que passei amarrada, já não estavam mais tão visíveis como antes, porém era possível vê-las ali. Mas as marcas existentes em meu corpo como pernas e barriga eram as que de fato me incomodavam, principalmente as novas cicatrizes que consegui.
— Ele me disse que mesmo não querendo eu o carrego comigo — Dei de ombros. — E eu acho que é mesmo verdade.
Uma coisa que eu disse a mim mesma logo após sair do hospital, foi que eu não iria deixar que James me traumatizasse como eu sabia que ele tentaria fazê-lo. Ele não havia conseguido isso há quinze anos e não iria conseguir fazer isso comigo agora que estava mais velha e na fase adulta.
Porém isso mudou quando sem querer toquei a cicatriz deixada por ele em meu pescoço pela primeira vez; ouvi o médico me dizer que tive sorte pelo corte não ter sido assim tão profundo, mas acho que essa tinha sido a real intenção dele. Talvez ele nunca tenha planejado de fato me matar como ele disse que o faria e mesmo quando este diante de tal oportunidade decidiu apenas me marcar.
Como ele já havia feito antes. O carregaria para sempre comigo mesmo que eu não quisesse isso. Inevitavelmente eu ainda levava um pouco dele em mim, dessa vez sendo um pouco mais do que antes. Aaron pareceu se indignar no mesmo segundo em que me ouviu dizer aquilo em voz alta.
Aquela era a primeira vez que mencionava o nome dele depois de passar um mês no hospital e a sensação ainda era a mesma. O mesmo desconforto sentido de antes; mesmo que ele já não estivesse mais vivo.
— Você não o carrega com você, Julia! — Ele me garantiu, seu olhar voltando-se novamente para mim. — James Sawyer morreu e tudo o que ele tinha foi com ele, essas marcas que você tem não é por estar carregando um pouco dele em você, elas são para que se lembre de que mesmo diante de tudo o que aconteceu com você e com tudo o que ele lhe fez, você conseguiu sobreviver e em momento algum deixou que ele vencesse.
Ele segurou minha mão com firmeza.
— Ele tentou tirar essa força de você de todas as formas possíveis, fez até o impensável só para brincar com a sua mente e olha só… É você quem está de pé e viva e não é ele. — Seu aperto mudou levemente, era mais leve e caloroso. — Você mostrou ser a mulher forte de quem seu pai tem tanto orgulho, a mesma mulher por quem me apaixonei e também tenho orgulho de ser chefe.
Diante de suas palavras não obtive outra reação que não fosse apenas piscar e abrir minha boca sem conseguir dizer uma única palavra de imediato. Quer dizer, o que eu poderia lhe responder? Não fazia ideia se existisse alguma resposta para ser dita.
— Se o seu objetivo era me deixar sem palavras, pode ter certeza de que acabou de conseguir fazer isso — Respondi com um meio sorriso muito discreto. Não sabia ao certo o que lhe responder por que eu não sabia se depois do que ouvi de sua boca dar-lhe uma resposta era algo necessário.
— Qual das partes? — Hotchner tocou meu rosto com a mão quente, acariciando-o bem devagar aquele simples toque fazendo com que todo o meu corpo se enrijecesse. Seu rosto se aproximou do meu outra vez, porém seus lábios se dirigiriam até a minha bochecha onde ele deixou um beijo demorado. — A que lhe disse que é uma mulher forte?
Perguntou mudando a direção de seus lábios para a outra bochecha onde um segundo beijo foi deixado.
— Ou a parte em que disse sobre estar apaixonado por você? — Questionou outra vez, seus lábios agora parando bem de frente aos meus numa distância minúscula que poderia ser quebrada a qualquer segundo.
— As duas — Respondi movendo meu rosto de forma mínima, de maneira que as pontas de nossos narizes se tocassem. Estávamos exatamente no mesmo campo de visão do outro.
— Quando a trouxemos para o hospital Rossi ficou comigo por um tempo e ele ficava repetindo sempre a mesma coisa — Ele fez uma pausa rápida. — "Julia é forte, vai passar por isso" e depois que você fez aquela ligação e conseguimos uma localização sua, encontrei com James lá também e sabe o que ele me disse?
Não respondi.
— Eu perguntei sobre você e ele fez questão de dizer que você é forte e que estava bem — Continuou. — Isso já era algo bem óbvio para mim, ficou logo na primeira vez que lidamos com ele…
— Aonde quer chegar com isso, Aaron? — Perguntei sem entender muito bem o rumo daquela conversa.
— O que eu quero dizer é que, James tentou de tudo para te derrubar, mas ele mesmo sabia e reconhecia o quão forte você é — Disse. — Ele tentou te abalar com isso, mas não conseguiu. Antes que ele pudesse continuar levei a mão livre até seus lábios o cobrindo e impedindo que ele continuasse a falar.
— Se continuar a dizer isso estará alimentando demais o meu ego — Disse, ainda cobrindo sua boca, as a livrando da minha mão em seguida
. Ele apenas sorriu e concordou, arrumando-se outra vez no sofá. Ficamos em silêncio, encarando o outro de vez em quando, deixando que nossos olhares conversassem um com o outro como sempre acontecia entre nós.
— Sabe — Virei o rosto na sua direção, quebrando todo aquele silêncio entre a gente. — Já que temos o dia todo, acho que deveríamos fazer alguma coisa, não acha? Ele também me olhou, arqueou uma sobrancelha como se aprovasse a ideia.
— O que você quer fazer? — Ele perguntou ainda com o olhar sobre mim. — Lembre-se de que não pode fazer esforço. Dei com os ombros, arrumando-me numa posição mais confortável no sofá escuro.
— Não sei, ainda não tive tempo de planejar minhas atividades para ficar um pouco mais de três meses em casa. Ter você aqui não estava em meus planos — Ele riu. — Deveríamos aproveitar esse tempo que temos antes que o seu celular toque. Porque eu sei que eles vão te chamar uma hora ou outra.
— Confio que Rossi não deixará que isso aconteça — Garantiu. — Ele sabe que estou com você então acho que não teremos interrupções por todo um dia, pelo menos é isso o que posso garantir.
E foi daquele jeito que passamos parte do dia, ele ficou comigo por um bom tempo e até mesmo trouxe Jack para me visitar, o que achei ótimo, pois estava mesmo com saudades daquele garoto e vê-lo depois de meses foi muito bom. Fez-me bem vê-lo tão alegre e animado como sempre, mesmo que parte de toda aquela alegria fosse um pouco mais direcionada para o labrador.
•••
...Quatro meses e meio depois...
Mesmo com quase três meses de terapia — sessões obrigatórias por causa do caso traumático que vivi — havia uma pequena parte de mim que ainda não conseguira superar o que houve e olhar e tocar a marca deixada em meu pescoço fazia com que eu sentisse como se nunca fosse conseguir passar por cima disso. Foram quatro meses e meio longe, me recuperando daquele infortúnio e buscando de alguma maneira esquecer-se de James e do que ele me fizera. Mesmo tendo Horchner ao meu lado, essa tarefa não foi tão fácil assim no começo, faltava muito pouco para que eu estivesse cem por cento e continuaria trabalhando nisso.
Percebi que não seria capaz de deixar meu pescoço exposto como antes, pelo não enquanto eu não me sentisse cem por cento pronta para encarar aquela marca. A manteria coberta até que me sentisse pronta para aceitá-la em mim. Arrumei pela quinta vez a echarpe de tom pastel em meu pescoço de maneira que ele escondesse toda a pele que pudesse ficar exposta, sabia que não iria poder me recorrer àquele luxo para o resto da vida, mas só iria parar de usá-lo quando eu me sentisse confortável a olhá-la sem que me lembrasse de todo o pesadelo que me aconteceu.
Talvez quase quatro meses tenham sido muito pouco para uma recuperação, até poderia pedir mais tempo até que eu estivesse realmente pronta. Cem por cento livre de qualquer lembrança ruim sobre o ocorrido de meses atrás, mas eu me conhecia. Se por obrigação eu já não queria mais ficar em casa, quem diria por vontade própria. Não aguentaria nem mesmo mais dois dias.
Respirei profundamente numa falha tentativa de afastar aqueles pensamentos da minha mente, só queria me concentrar em uma única coisa: A minha volta na equipe depois de tantos meses que passei longe. O elevador parou e abriu a porta assim que cheguei ao andar de sempre, passei direto por vários meses e alguns agentes.
Poucos me cumprimentando com um simples “bom dia” e nada mais que isso. Segui direto para a sala de Erin Strauss já que, ela me ligara pela manhã dizendo que gostaria de conversar comigo. Como ela havia me dito pelo telefone, assim que eu chegasse era só entrar em sua sala que ela já estaria esperando por mim e foi exatamente isso que fiz.
— Bom dia agente. — Ela ergueu o rosto assim que entrei seu tom já não era mais o mesmo das vezes anteriores em que havia conversado com ela. Poderia dizer que ela parecia estar de bom humor. — Por favor, sente-se.
Afastei uma cadeira de sua mesa e me sentei de frente a ela, Strauss guardou os papéis que estava preenchendo os colocando em uma pasta bege e então voltou seu olhar apenas para mim.
— Primeiro de tudo eu queria dizer que fico feliz em vê-la bem e totalmente recuperada do que lhe aconteceu. É bom tê-la de volta. — Assenti. Ela estava mesmo de bom humor e isso era de fato uma grande novidade. — Mas obviamente não é apenas isso que quero lhe dizer.
Ela suspirou e então seu semelhante mudou em questão de poucos segundos. Ela não estava séria como sempre, mas parecia… Entristecida?
— A diretoria do FBI fez contato comigo meses atrás fui informado que eles gostariam de iniciar uma unidade para análise comportamental no Brasil também, já estão montando turmas para o treinamento e querem montar uma equipe o quanto antes para que o trabalho já comece de forma imediata — Ela fez uma pausa, mesmo que breve aquilo pareceu durar mais tempo do que pareceu. — E eles foram bem específicos quando disseram que gostariam que você não só desse suporte para o treinamento de novos agentes, mas que fosse também uma das agentes da equipe.
Ergui minhas sobrancelhas com espanto, não estava esperando por uma noticia como aquela. Não quando não fazia nem duas horas que voltei oficialmente a trabalhar.
— Espera um segundo, eles querem que eu… — Não consegui terminar a frase sem abrir a boca com tamanha surpresa.
— Quando falam que tem um nome muito conhecido pelo FBI não é uma mentira ou apenas para puxar corda para o seu lado, Julia. — Não sei pelo que eu fiquei mais surpresa, pela proposta ali feita ou por Erin me chamar pelo primeiro nome pela primeira vez desde que fui transferida. — Como chefe eu não tenho qualquer dúvida de que é uma excelente agente, seus relatórios mostram isso e o seu trabalho em campo também, somente um tolo não reconheceria isso.
Encostei-me na cadeira, ainda não conseguia acreditar que recebi uma proposta como aquela. Surpresa? Espantada? Dentro de mim era um grande misto de emoções se iniciava ali. Sequer sabia como reagir ou como pensar direito.
— Tudo bem, então vamos supor que eu acabe aceitando essa oferta, o que iria acontecer depois? — Ao fazer a pergunta ela pareceu se espantar, talvez por não esperar por isso.
— Bem, quando fui informada sobre isso, você ainda estava no hospital em recuperação, mas como eles já querem iniciar essa equipe a partir do mês que vem, caso aceite terá de ir para o Brasil dentro de duas semanas, no máximo. — Erin Strauss usou um tom de voz estranhamente gentil ao me responder. Sua postura se alterando levemente sobre a cadeira na qual estava sentada.
— É uma oportunidade e tanto, agente. — Ela continuou, porém de forma pouco sugestiva. — Não é necessário dar uma resposta nesse exato momento, mas se possível gostaria de obtê-la no máximo até a próxima semana, assim poderei fazer todos os preparativos caso realmente aceite.
Assenti abaixando o rosto um pouco.
— E se eu já tiver a minha resposta nesse momento? — Pergunto voltando a fitá-la.
Erin está lá, sentada bem na minha frente com um olhar já muito por mim; o mesmo olhar que Aaron usava quando tentava ler-me apenas com seus olhos. Não iria dizer a ela que notei a breve hesitação de sua parte ao questioná-la caso aceitasse. Ela parecia me encorajar a aceitar ao mesmo tempo em que parecia me encorajar a não aceitar a proposta. O que me deixou bem confusa.
— Não deveria pensar melhor sobre esse assunto, agente? É uma grande oportunidade para você, não precisa dar-me uma resposta assim tão imediata. — Falou agora ela parecia novamente me encorajar; mesmo que tentasse fazer isso secretamente. — Eu realmente quero que pense bem na resposta que me dará. Não quero que se arrependa da escolha que fez, pense bem e volte quando a tiver para me dizer o que acabou decidindo. Tudo bem?
Eu pensei em começar ali um rápido debate, mas ela estava certa. Eu precisava pensar é muito sobre aquilo, para não me arrepender depois, como ela mesma me dissera; apesar de eu já saber o que lhe responder.
— Tudo bem então, a senhora tem mesmo razão. — Respondi dando-me por vencida. Talvez fosse melhor mesmo pensar sobre aquilo com mais delicadeza antes de tomar qualquer decisão. — Eu vou pensar melhor sobre isso.
Sai de sua sala depois daquela conversa e como já esperava tinha meus pensamentos mais confusos do que nunca. Dirigi-me até minha mesa; ela se encontrava quase ao lado da de Reid. Vi um tabuleiro de xadrez ali com um jogo pela metade e sequer me dei conta de que passei a encarar aquele mesmo tabuleiro por um longo tempo. Pensativa demais sobre aquela proposta que, de fato era excelente.
Começar uma equipe de perfiladores no Brasil era uma grande novidade e seria ótimo também, não apenas na minha careira como agente, mas também para uma segurança melhor no país. Uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada assim.
Mas… Bufei comigo mesma. Sempre existia um “mas” em tudo e naquele caso não era tão diferente assim. Esse “mas” fazendo-me ficar bem mais pensativa que antes. Suspirei pesadamente inclinando minha cabeça para trás, fechei meus olhos pensando sobre tudo o que foi conversado entre mim e Strauss.
Só me dei conta que havia passado tempo demais ali quando meu celular vibrou por causa de uma mensagem do meu pai. Não a li de imediato, pois me distrai ao ver que já se passavam das cinco da tarde. Havia ficado quase quatro horas ali daquele jeito pensando se eu queria ou não aceitar a proposta de ir para Brasil. De voltar para lá. Levantei-me para ir embora, apesar de ter sido liberada uma semana mais cedo, só poderia mesmo voltar ao campo a partir da outra semana e isso me daria tempo para pensar melhor sobre aquilo, o que eu realmente precisava fazer.
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