Stronger feelings
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Chegamos a casa onde o crime mais recente havia acontecido, o método fora sido o mesmo com as outra vitimas, porém dessa vez o unsub matou um adolescente que estava sozinho dentro de sua própria casa. Apenas Hotchner e eu fomos até lá, Rossi e JJ por estarem mais perto do local foram os primeiros a chegar e enquanto a loira conversava com o amigo do garoto morto, David nos contava o pouco que ele sabia sobre o ocorrido.
— O amigo quem ligou avisando sobre o crime, disse que estava jogando com Jake e viu quando o suspeito se aproximou e o matou. — Rossi nos contou, com certo pesar em sua voz.
— Que tipo de missão envolve matar um adolescente? — Pergunto sem o olhar, vendo a perícia retirar o corpo do jovem de dentro da casa.
O lugar estava movimentado, a polícia entrava e saía de forma constante, alguns tiravam fotos do local para análise.
— Normalmente eu até diria que isto significa uma remissa da psique do nosso suspeito. — Comentou Rossi, porém ele mesmo não parecia acreditar nas palavras que acabara de nos dizer.
— Ele matou Jake em sua própria casa, foi a primeira vez que ele entrou e fez algo assim. Por quê? — Aaron nos olhou ao fazer a pergunta, como se quisesse que nós dois o respondesse; que mostrássemos qualquer teoria que poderíamos ter a respeito.
Dei de ombros, correndo o olhar rapidamente para o local onde estávamos fixando meus olhos por um tempo maior no sofá; onde Jack fora morto.
— Estamos examinando toda a área aonde ele atua e ele provavelmente sabe que estamos fazendo isso, talvez o suspeito esteja apenas se adaptando ao aumento da atividade policial. — Respondo o encarando de volta.
— Ele é uma vítima de baixo risco e que foi morto na sua própria casa — David também responde, seguindo um pouco a minha linha de raciocínio. — E pelo que está parecendo o unsub sabia que ele estaria sozinho hoje, por isso o atacou.
— Então ele não só deve ter perseguido Jake, mas também fez isso com toda a sua família. Assim saberia que ele estaria sozinho nesse horário. — Sugeri olhando rapidamente para o homem ao meu lado, Rossi apenas coçou a barba acenando de forma positiva com a cabeça. — Tal como deve fazer com todas as suas outras vítimas.
O mais velho mantém seu olhar sério sobre nós dois, parecendo estar mais pensativo conforme falávamos nossas teorias. Hotchner então cruzou os braços, sua postura se tornando mais ereta em poucos segundos e seu olhar passando a ser um pouco mais leve que antes também.
— Ele não pode estar em todos os lugares — Ele diz como se tentasse quebrar com nossos argumentos já ditos. Olho novamente para Rossi ao meu lado, tentei pensar em algo que pudesse justificar aquilo, mas no momento minha mente pareceu trair a mim mesma; não deixando-me nenhum outro argumento para ser dito tão de imediato.
Penso mais um pouco, ao meu lado Rossi também pareceu ficar mais pensativo também. Olhávamos ao nosso redor, como se procurássemos por algo que nos ajudasse até que volto meu olhar para Aaron.
— E se, ele já tiver planejado tudo isso a mais tempo do que pensávamos? Claro, ele teria de ser paciente em observar a todos, mas não é tão impossível assim. Só teria de ficar de olhos nas rotinas deles. — O respondo. E ele se cala por um tempo, andamos um pouco pela sala e então paramos ao mesmo tempo. Hotchner ainda na nossa frente, olhando para todo o ambiente ao nosso redor.
— O tempo entre as mortes está diminuindo também, — Comenta Rossi de forma observadora, mudando um pouco o rumo do assunto, mas trazendo uma observação importante também. — Mas nada disso indica que ele possa estar sentindo prazer com elas.
Minha testa de franze.
— Ou ele pode sentir uma necessidade de matar essas pessoas, ou alguém pode estar o forçando a fazer isso — Dou outra sugestão olhando para Dave ainda parado ao meu lado, mas logo a descarto, não acho que possa ser mesmo aquilo.
— Bem, isso faria mais sentido se ele estivesse a ser pressionado por outra entidade. — Aaron finalmente fala algo, virando-se para nos olhar. — Talvez ele tenha um prazo para cumprir. Por isso está matando mais rápido também.
— E por qual motivo ele teria um prazo? — O questiono, cruzando meus braços para encará-lo outra vez.
— É isso o que precisamos descobrir. — Ele apenas responde aquilo e então começa a se afastar, deixando eu e Rossi ali na sala.
JJ aparece e se junta a nós, entra pela porta da frente com passos apressados e Hotchner para de andar no mesmo segundo em que a vê se aproximar de onde estávamos.
— Acabei de conversar com o amigo de Jake e ele me disse que viu um flash quando o assassino se aproximou dele, até me perguntou se levar um tiro dói — Ela parecia confusa ao dizer aquilo.
— Mas Jake não foi morto por ter levado um tiro. — Rossi respondeu com a testa franzida, interrompendo sua fala.
A loira aponta o dedo para ele, como se ele tivesse chegado ao ponto em que ela queria.
— Exatamente. — Ela responde e então olha em direção a Aaron que, já parecia estar pensando em alguma coisa. — Se não era um tiro, só consigo pensar em uma coisa: flash de alguma câmera fotográfica.
Começo a ligar os pontos aos poucos.
— Então o suspeito está tirando fotos de suas vítimas antes de matá-las. — Afirmo a olhando, sabendo que era exatamente aquilo que estava acontecendo.
Hotchner nos olhou.
— Está na hora de passarmos o perfil, sabemos com que tipo de pessoa com quem nós estamos lidando e vamos fazer isso o mais rápido possível!
•••
Todos da equipe nos reunimos na delegacia para assim podermos passar finalmente o perfil para os policiais da cidade logo pela manhã. Em poucos minutos todo o lugar se encontrava parcialmente cheio, todos atentos e prontos para ouvir as informações que já tínhamos.
— O suspeito que estamos à procura é um perigoso voyeur que se alimenta da emoção de saber que as vítimas não estão o vendo enquanto ele as observa. — Hotchner começou, alguns dos policiais começaram a fazer anotações em pequenas cadernetas que tinham em mãos.
— Os voyeurs típicos não são violentos e contentam-se em apenas assistir, este elemento, porém é diferente dos comuns. — Reid deu continuidade. — Está numa missão em que faça com que ele entre em ação.
— E nessa missão ele não hesitou em matar um adolescente — Falo levemente preocupada, afinal ele é uma pessoa perigosa. — Ou seja, qualquer pessoa que esteja entre ele e seu objetivo estarão em um grande risco!
Houve um breve momento de pausa, vi mais alguns policiais fazerem mais anotações e então continuamos a passar o perfil.
— Acreditamos que ele esteja documentando todo seu trabalho — Era Rossi quem estava falando agora. — Ele tem tirado fotografias e levado os pertences pessoas das vítimas como as carteiras e o cabelo.
— É importante para ele ter uma prova de tudo o que ele está fazendo. — Completo o pensamento e então paro de prestar atenção no que acontecia e no que estava sendo dito, minha mente simplesmente me afasta do momento em que estava. Não demoro muito para começar a me distrair com todos os outros pensamentos que já estavam ocupando minha mente antes do caso.
Aquilo já parecia estar perdendo o controle, na verdade era eu quem estava perdendo esse controle; Aaron me disse para esquecer isso, porém eu simplesmente não conseguia fazer isso, não era algo que eu costumava fazer com tanta frequência e ao tentar obtive uma grande falha. Sinto como se alguém me cutucasse e de esgueira olho para o lado, era Taylor me cutucando.
Ele me olha arqueando as duas sobrancelhas como se me dissesse para voltar a prestar atenção; provavelmente ele notou que minha cabeça já se encontrava bem longe dali. Sacudi discretamente a minha cabeça, voltando a prestar atenção no que estava sendo dito. Não por ele ter feito aquilo, mas também para entender melhor o caso que tínhamos.
— Ele terá um emprego que envolva pouca interação social, mas que o coloque numa posição em que ele possa observar os outros despercebidos. — No momento era JJ quem estava falando, ao que pude perceber já parecia estarmos terminando de passa o perfil. — Devemos olhar funcionários de repartição, qualquer um que seja pago para ser invisível. Passo a minha mão por todo o meu braço.
— E precisarão agir rápido. O unsub está aproximando do monte da percepção e quanto mais perto, mais instável e perigoso ele ficará. — Hotchner terminou de falar. — Por enquanto é apenas isso, obrigado.
Começamos a nos retirar e sigo o caminho direto para ir beber um pouco de água, paro de frente para o bebedouro e começo a encher o copo sem me dar conta do que acontecia ao meu redor. Mentalmente começo a contar até dez, respirando fundo e obrigando minha mente a manter-se devidamente concentrada apenas com aquele caso. Se James estava morto eu não deveria permitir que ele continuasse a ocupar minha mente, havia enfim acabado todo aquele pesadelo, eu estava livre dele e não queria mais pensar nele ou em qualquer outra coisa que pudesse ter qualquer tipo de relação com ele.
Paro assim que vejo o copo cheio e então dou três goles, sentindo o líquido pouco gelado descer por minha garganta e tirando um pouco da sede que sentia. Estou pronta para dar o quarto gole quando vejo Taylor se aproximar de mim, sua expressão mostrava desconfiança, porém também percebia o mesmo tipo de deboche que sempre via em rosto.
— Você me pareceu estar muito distraída quando estávamos passando o perfil do suspeito. — Ele fez o comentário pegando também um copo e assim o enchendo com água. Parando numa distância pequena de mim. — Estou a apenas um pouco mais de um mês fazendo perfis com vocês, mas com o pouco que sei e olha que eu aprendi rápido como funciona esse negocio de perfilar, me parece que está acontecendo alguma coisa com você. E isso vem desde o caso em New York.
Arqueei uma sobrancelha, não dando muita atenção para seu comentário.
— Agitada, todo esse estresse e agora esse longo tempo que você ficou distraída... — Ele fingiu pensar em mais alguma coisa; ele não dizia aquilo como alguém que estava preocupado com uma pessoa, parecia fazer aquilo mais para provocar mesmo. — Eu diria que você está escondendo algo, agente Barbosa.
Bufei de um jeito debochado, erguendo levemente o copo como se fizesse um brinde.
— Nossa, que grande profiler você é, agente Walter. — Zombei dando mais um gole na água e logo suspiro. — Olha, eu vou tentar ser o mais breve possível para que você entenda bem o que irei lhe dizer.
Dei um único passo para frente, o encarando diretamente nos olhos. Seu nariz já não estava mais com o curativo de antes, mas ainda parecia um pouco inchado por causa do soco de dias atrás. Não estava com paciência nenhuma para ter que lidar com Taylor novamente, o que houve em New York já fora o suficiente para que eu não quisesse nem mesmo tê-lo por perto; mesmo que tivéssemos de trabalhar juntos por sermos da mesma equipe.
— Você deveria se concentrar bem mais apenas com o seu trabalho do que nas coisas alheiras das quais não lhe diz respeito algum. — Respondi, ainda com meus olhos fixos nele. — Não me faça lhe dar outro soco.
Desviei-me um pouco dele para sair de perto do homem e ao dar as costas para ele, Taylor me segurou pelo braço forçando-me a parar de repente. O aperto foi muito semelhante ao de quando tivemos a conversa em New York, porém aquele me pareceu um pouco mais agressivo.
— Esse estresse todo é por causa do caso que pegou sobre aquele tal de James Sawyer? — Ele perguntou e seu tom só pareceu ficar ainda mais provocativo, seus lábios próximos demais da minha orelha. Causando-me um grande desconforto com sua aproximação não permitida. — Fiquei sabendo que ele foi morto na prisão durante a última noite... Como as coisas são não é mesmo? Num momento o cara está lá: vivo e depois ele aparece morto.
Virei meu corpo o suficiente para tentar livrar meu braço de seu aperto, porém Taylor pareceu segurá-lo com mais firmeza. O que não me agradou nem um pouco, além é claro de me deixar desconfiada e bem incomodada com sua atitude.
— Deve estar muito feliz por saber que ele está morto, quer dizer — Ele pareceu rir. — O cara torturou a sua mãe e depois a matou, você deve estar pulando de alegria, imagino como ficou quando recebeu essa notícia. Gente que faz o tipo de coisa que ele fez com sua mãe e as outras mulheres merece mesmo a morte.
Como ele sabia sobre a morte de James? E principalmente: Sobre a minha mãe e o que ele havia feito com ela? Respirei muito profundamente para manter-me calma, não tentando me soltar dele e nem mesmo tornei a fazer qualquer tipo de movimento.
Apenas fiquei ali parada de frente para ele, encarando-o do mesmo modo que ele o fazia. Porém meu olhar demonstrava frieza. E então, devagar dei mais dois passos para a sua frente, me aproximando mais dele, de modo que eu precisasse erguer meu rosto minimamente para conseguir melhor encará-lo.
Meu braço ainda estava sendo segurado e seu aperto tornou-se um pouco mais firme que antes, não gostava daquele tipo de gesto. Nem mesmo na forma como ele o fazia; como se quisesse me intimidar de alguma forma.
Mas por que fazer isso? Perguntei a mim mesma não obtendo uma resposta plausível ou que pudesse justificar aquilo.
— Só vou falar isso uma única vez e espero que não seja necessário que eu repita. É melhor você me soltar agora mesmo ou pode ter certeza de que dessa vez eu quebro não só o seu nariz, mas também alguns dos seus dentes também. — O ameacei, pendendo minha cabeça rapidamente para a esquerda. — Além é claro de fazer uma queixa sobre assédio e agressão, porque você está me machucando e acredite que esse seu crachá da CIA não o irá ajudar nisso.
Ele não diz uma única palavra, apenas esticou os lábios num sorriso ligeiro e suspeito e então me soltou. Zombando daquilo em seguida. Taylor Walter então começou a se afastar, murmurando algo tão baixo que não entendi muito bem, apenas duas palavras que não fizeram nenhum sentindo para mim no momento.
Vejo-o se afastar, o que raios havia sido aquilo? Eu mesma não fazia a mínima ideia e como ele ficou sabendo sobre a morte de James. Lembrei-me de que ele era um agente da CIA e era óbvio que ele conseguiria qualquer informação que quisesse, mas ainda sim não justificava o que poderia tê-lo levado a vim falar comigo sobre aquilo. Tudo aquilo foi estranho demais, já havia percebido que ele andava muito diferente desde o segundo caso que tivemos com ele já fazendo parte da equipe, mas não havia dado tanta atenção assim para ele ou para suas atitudes. Não achava que isso fosse algo necessário já que, Taylor não tinha importância alguma para mim.
Toquei meu braço na área exata em que seu aperto me segurou, não valia a pena perder tempo com alguém como ele.
— Julia! — Giro pelos calcanhares ao escutar a voz de Morgan me chamar. — Outro corpo foi encontrado, Hotch pediu para que fossemos vê-lo.
Ergui minhas sobrancelhas surpresa, mais uma morte em pouco tempo? Pensei espantada. Começo a andar me aproximando dele, pronta para sair logo daquele lugar e ocupar minha mente com algo bem mais importante.
— Vamos! — Falei me dirigindo até ele para podermos ir até o local, apesar de a minha mente estar com outros pensamentos me atormentando tentei ao máximo me manter o mais focada possível com apenas aquele caso.
Já que ele era bem mais importante no momento.
•••
O local onde a vítima foi deixada ficava um pouco mais afastado de onde o suspeito deixava suas coisas após matá-las. A polícia local já havia cercado todo o lugar próximo, mantendo assim os curiosos longe da cena do crime e também alguns jornalistas que queriam uma matéria.
— Ele matou bem mais rápido dessa vez e mudou bastante desde a última, ainda é de manhã. — Falei olhando para o horário, não era nem mesmo nove horas da manhã ainda. — E Jake foi morto e não tem muito tempo.
Morgan se aproximou do corpo da moça.
— Ela não fazia parte do plano, ele fez questão de cobri-la e ele também moveu o corpo, ela foi colocada aqui. — Ele observou. — Ele a matou, mas não fez isso aqui.
— Isso pode explicar o porquê dele tê-la coberto e também movido seu corpo. — Spencer cobrou o rosto da moça um pouco mais e então nos olhou. — Ele pode ter sentindo remorso pelo que fez a ela.
— Ele não a matou do mesmo jeito que os outros, parece que foi por causa de uma contusão na parte de trás de sua cabeça — Observo, apontando em direção a cabeça da moça. — Ele tentou fazer com que parecesse que foi ele, mas deve ter usado o garrote depois que a matou, não conseguiu encobrir isso tão bem.
Morgan suspirou.
— E não é pra tanto. Ele deve ter entrado em pânico. — Derek respondeu, também olhando para o corpo da moça. — Encontramos onde ele a matou e não irá demorar em encontrá-lo também.
Concordei com a cabeça.
— É, mas ainda não sabemos quem ela é ou qual o tipo de ligação que ela possa ter com o restante do caso. — Falo o encarando, não por querer ser pessimista nem nada, mas porque precisávamos ligá-la aos outros assassinatos. — Ele pode tê-la matado por estar em pânico, mas não acho que tenha sido algo aleatório, não para alguém que aparentemente tem uma missão.
— Precisamos saber quem é ela e logo. — Morgan concordou.
— Ela está sem identificarão, só tem um celular com ela. — Mostrei o telefone que ela carregava, vendo a notificação de que havia uma nova mensagem de voz e então a abro, para que pudéssemos ouvi-la.
— Oi, meu nome é David Rossi, agente do FBI e estou tentando encontrar uma moça, o primeiro nome é Ashley. — Nós três nos entreolhamos. — É de extrema importância que entre em contato conosco.
A mensagem de encerra.
— Essa é a Ashley de quem Scott Delfino falava no telefone antes de ser morto! — Exclamou ele, mantendo seu olhar sobre nós. — Ela saiu com ele antes dele ser morto, é ela quem estávamos procurando!
Voltamos às presas para o carro, Morgan já havia passado o que descobrimos para o restante da equipe e por sorte Garcia conseguira um endereço. Rua Boylston, 2410.
— Espera este não é o mesmo endereço de Colin Kirkland? — Pergunto olhando para Morgan e Reid e depois para o telefone celular mais a frente, por onde estávamos nos comunicando com o restante da equipe. — Aquele garoto que testemunhou o ataque do amigo enquanto jogava com ele?
— Sim, eles são vizinhos, minha querida brasileira espertinha. — Garcia respondeu. — São do mesmo prédio, mas só o andar que é diferente.
Faz-se silêncio dentro do carro, olho de esgueira para Spencer no banco da frente, ele parece estar pensando em algo, mas logo é interrompido.
— Encontramos algo por aqui, na recepção do prédio tem um quarto separado e também bem desorganizado, parece até que alguém tem vivido por aqui — Rossi anuncia pelo telefone. — Tem fotos, recortes e um álbum, com os registros das vítimas... E ele também observado alguém.
— Quem ele está observando? — Pergunto e não tenho uma resposta imediata.
— Não tem como saber direito, — Ele responde. — Mas conseguimos o nome de um dos porteiros do prédio. Tanner Johnson.
— Essa é a ligação das vítimas! — O rapaz exclama. — Todos que foram mortos com exceção de Ashley fizeram contato com os moradores desse prédio e Tanner Johnson sabia sobre essas pessoas porque trabalha como porteiro, as conhece.
— E assim consegue observá-las sem que levante tanta suspeita. — Completo seu pensamento, nos olhamos novamente.
— Tem o endereço dele, baby girl? — Dessa vez é Morgan quem faz a perguntar, com um pouco de urgência. Ainda na linha, Penélope demora um pouco para responder, o que só faz com que eu me sinta um pouco impaciente.
— Sim, encontrei o endereço da casa onde ele vivia com a esposa, mas agora somente ela está morando por lá e... Oh céus! — Ela para de falar de repente. — Hannah Johnson é o nome dela e ela está grávida!
Spencer abre a boca.
— Deve ser ela quem ele tem observado, talvez esteja fazendo isso como se protegesse as pessoas e agora a ex-mulher grávida também. — Rossi nos diz pelo telefone, parecendo surpreso com aquilo.
— Oh, oh eu estou vendo aqui que o bebê é para ontem, ela vai ter a criança a qualquer momento e — Penélope para outra vez de falar. — Meu Deus! Eu estou vendo ela agora mesmo e não é nada bom, Tanner está na casa e parece que está a ameaçando!
— Ai que droga! — Exclamo me arrumando no banco.
— Garcia passa esse endereço agora mesmo para Morgan! — Pediu Rossi com uma urgência em sua voz e certo tom autoritário também. — Vocês três irão chegar primeiro ao local! Tomem cuidado!
Rossi então encerou sua ligação. Garcia nos passou o endereço e então nos fez um pequeno resumo sobre a vida de Tanner Johnson. Ele perdera o filho há um ano por causa de uma brincadeira que envolvia chave de braço, algo que deixaria qualquer pai abalado. Morgan dirigia com muita pressa, praticamente ultrapassando o limite de velocidade que era permitido, mas fazia aquilo por uma boa causa. Tínhamos duas vidas para salvar antes que fosse tarde demais.
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