Stronger feelings
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Depois daquilo que eu não chamaria exatamente de uma bronca, diria mais que aquilo serviu como um aviso. Por assim dizer. Morgan e eu voltamos para a sala onde toda a equipe já estava reunida, ainda tínhamos que discutir sobre o caso e as vítimas que foram encontradas.
Além é claro, de montar um perfil.
— Se o elemento está filmando as mortes e as colocando na internet ele poder estar tentando ou querendo chamar a atenção de alguém. — Sugeriu Morgan enquanto se sentava à mesa, correndo os olhos pelos arquivos sobre ela.
— Ou ele apenas quer que as pessoas vejam do que ele é capaz, talvez esteja querendo ganhar reconhecimento. — Falei também me sentando.
— Isso me faz lembrar de alguns casos parecidos com este de uns anos atrás, — Spencer se pronunciou. — O método para matar é bem diferente, mas o tipo de vítima é o mesmo; garotas de programas que foram brutalmente assasinadas.
— Acho que me lembro deste caso, a mensagem que o elemento queria passar era quase a mesma, limpar a cidade das mulheres "sujas e corrompidas" — Rossi fez o gesto de aspas ao dizer aquilo, tinha um dos arquivos em mãos enquanto falava. — E este elemento está com a mesma missão. Ele quer linpar as ruas.
— Mas por que filmar e depois postar na internet? E por que fazer isso com apenas uma morte? — Questionou JJ. — Se ele quer reconhecimento ele teria feito isso com os outros vídeos também, não acham?
— Ele pode estar se exibindo — Dei de ombros. — Por isso ele nem parede fazer questão de tentar esconder o rosto, mas ainda sim dificultou em fazer o reconhecimento facial.
— Ele quer que a gente o veja e saiba sobre ele. — Rossi completou, apontando o dedo em minha direção.
Reid se levantou de sua cadeira e caminhou até o painel onde havia um mapa de toda a cidade, ele parou na frente dele e então pegou um canetão e começou a fazer alguns traços, ligando todos os locais de desova e por fim, fazendo um grande círculo em volta deles.
— O unsub possui uma zona de conforto, todas as moças foram deixadas em locais próximos a hotéis e casas noturnas. — Spencer mostrou no mapa os dois últimos locais de desova. — O elemento deve viver perto daqui e por isso só as desova nessa área.
— E ele deve trabalhar durante o dia, já que ele mata as moças somente a noite e as desova pela madrugada. — Morgan assentiu. — Ou está as desovando nesses lugares para passar alguma mensagem.
— Nessa "zona de conforto" do elemento há muitas casas noturnas, — Robert Greene, o agente que nos convidou pessoalmente para participar daquele caso se pronunciou. Apontando para o mapa e mostrando a área circulada.
— Todas elas foram vistas pela última vez na mesma casa noturna? — JJ perguntou pegando o arquivo sobre a mesa.
— Apenas Anna Williams e Hanna Tanner que não. — Respondeu o agente. — As outras moças frequentavam a mesma casa onde foram vistas pela última vez.
Garcia nos ligou de volta depois de exatos dez minutos; através do celular de Aaron, estávamos discutindo ainda sobre o caso, fazendo inúmeras teorias e principalmente tentando montar um perfil do assassino.
Hotchner a atendeu logo avisando de que ela estava no viva voz.
— O que conseguiu Garcia? — Ele perguntou, sua voz saindo com um leve tom de pressa.
Seus olhos vez e outra se voltavam para a tela onde a contagem ainda continuava.
— Uma dessas casas noturnas pertencia a um homem chamado Leonard Petrelli de 56 anos e ex-detento. Porém depois da sua prisão ela foi vendida para um cara chamado... Eric Potter. — Ela parou de falar por um tempo.
— Leonard Petrelli? Por que esse nome parece ser tão familiar? — Perguntei coçando meu queixo, já havia ouvido falar sobre aquele nome alguns anos atrás, só não me recordava de onde, exatamente.
— Entre os anos de 1997 e 1999 ele matou várias garotas de programa, fazia isso para "limpar" as ruas de gente como elas. Foi preso no final de 2005 após ele mesmo se entregar à polícia, dizendo que já havia terminado com a sua missão. No total foram cinquenta moças assassinadas. — Reid nem precisou recuperar o fôlego após falar brevemente sobre o homem.
Abri a boca minimamente surpresa, sem ter o que responder, acho que eu ainda não estava cem por cento acostumada com Spencer e sua vasta inteligência.
— Foi este o caso semelhante que vocês pegaram anos atrás? — Perguntei outra vez, o olhando.
— Não. O caso mencionado antes era de um tipo de imitador. — Ele respondeu.
Assenti.
— Como o nosso gênio acabou de dizer é exatamente isso, também descobri que as duas últimas moças assassinadas tinham contato pcom esse tal de Eric Potter. — Ela fez uma rápida pausa. — Ligações e umas centenas de mensagens, todas para o número desse Eric. E tem um detalhezinho bem interessante nisso também, horas antes de Anna Williams e Hanna Tanner serem mortas ele mandou duas mensagens para as duas, todas contendo um mesmo endereço residencial.
— O que tem nesse endereço, Garcia? — Rossi perguntou coçando a barba.
— Bem, é uma casa que foi hipotecada há uns meses e quem está vivendo lá é Nathan Petrelli, filho de Leonad Petrelli. — Garcia pareceu supresa ao dizer aquilo.
— Conseguiu mais alguma coisa Garcia? — Hotchner perguntou outra vez.
— Além desse endereço também consegui o de Eric Potter, — Ela respondeu. — Mas tem um outro endereço antigo no nome dele, estou mandando todos os três para vocês agora mesmo.
Assim que recebemos a mensagem de Penélope ela encerrou a ligação.
— Isso está ficando confuso demais — Morgan comentou coçando a cabeça. — Leonad era o dono da casa noturna, ele vai preso e Eric compra dele. Mais tarde pelo menos oito mulheres são assassinadas e duas delas recebem mensagens contendo o endereço do filho de Leonad.
O agente Greene olhou diretamente para Morgan.
— Eles podem estar trabalhando juntos. — Sugeriu ele. — Não me espantaria em saber que o filho acabasse seguindo os mesmos passos que o pai.
— Acha mesmo que é isso? — Taylor questionou. — Quer dizer, qual o sentido de matar essas mulheres?
— Assassinos não procuram sentindo em suas mortes, em casos como o de Leonard ele fazia o que fazia pelo simples fato de considerar essas mulheres como a escória da sociedade. — Rossi o respondeu. — E ele as matava porque achava que assim estaria limpando a cidade delas.
— Ou seja, ele não vê nenhuma dessas mulheres como realmente são; seres humanos. — Movi meu rosto o encarando.
— Para homens como Leonard elas não são nada além de lixo ou apenas um objeto, as mata por prazer próprio. — Morgan também respondeu.
— Mas nesse caso fosse ser um pouco diferente, — Voltei a falar. — Ele escolhe as garotas de programa porque elas são vítimas de baixo risco, fáceis de serem pegas porque estão sempre nas ruas.
Taylor me fitou, não pareceu gostar do tom que usei, mas não me importei nem um pouco com aquilo.
— Reid e Taylor quero que conversem com Eric Potter e tentem descobrir algo com ele sobre as mortes. — Hotchner se levantou. — Morgan, JJ, Julia, agente Greene e eu iremos até o endereço de Nathan Petrelli.
•••
Dentro do furgão todos vestiram seus coletes a prova de balas e nos certificávamos de que nossas armas estavam todas carregadas e prontas.
Hotchner e Robert Greene passaram mais algumas instruções de como iríamos fazer aquilo, por se tratar de uma rua parcialmente movimentada apenas alguns agentes entrariam na casa enquanto o restante ficaria do lado de fora. E eu estava no meio desse segundo grupo que ficaria do lado de fora juntamente com Morgan.
Eles saíram do furgão levando consigo vários policiais, e alguns outros saíram conosco logo mantendo o local cercado.
— FBI! — Assim que Hotchner anunciou a chegada, dois policiais abriram a porta e entraram logo em seguida.
Nós dois continuamos do lado de fora apenas esperando e acompanhando tudo o que acontecia. E enquanto isso observei a rua ao nosso redor, algumas pessoas passavam e olhavam curiosas querendo saber o que estava acontecendo, outras que se mostravam mais ousadas simplesmente paravam do outro lado da rua para assistir toda a cena.
— Ninguém aqui dentro. — Ao voltar para o lado de fora depois de quase cinco minutos dentro da casa, Hotchner nos olhou rapidamente voltando-se na direção da casa vazia.
— Ele pode ter fugido, talvez soubesse que iríamos prouver por ele. — Morgan olhou para o outro agente.
— MAs encontramos isso na sala — O mais velho mostrou um álbum pequeno contendo várias fotos de muitas moças, principalmente das que foram mortas. — Também tinha várias roupas femininas lá dentro.
— Meu Deus! — Exclamei assustada, no álbum havia centenas de fotos, todas elas mostrando inúmeras garotas com roupas curtas e fazendo poses sensuais.
— Hey, venham aqui, por favor. — Rossi apareceu na porta da casa e nos chamou, passamos pelo curto quintal seguindo em direção à entrada e então já estávamos ali dentro.
O cômodo estava bagunçado, vários colchões pelo chão e roupas femininas. Algumas rasgadas e outras apenas sujas. Rossi no guiou até outro cômodo, entramos num quarto vazio, a única coisa que existia ali dentro era uma cama onde algumas peças de roupas estavam dobradas sobre ela.
— Estava esperando por alguém. — Falei olhando para a cama. — Acho que Anna e Hanna viriam para cá.
— E não é apenas isso. — Rossi se agachou e então ergueu o colchão tirando dali dois notebooks.
Um deles estava ligado e assim que teve sua tela levantada se acendeu, uma pasta estava aberta e nela continha vários vídeos. Todos bem semelhantes com o que fora postado na internet. Arregalei meus olhos ficando espantada com aquilo.
— São mais vitimas do que pensávamos — JJ falou com sua voz levemente mais baixa, parecia ainda mais surpresa do que eu. — E olhem as datas, parecem que isso acontece já tem um bom tempo. Como não ficamos sabendo disso antes?
— O suspeito deu algum jeito de conseguir esconder isso por um tempo sem que percebêssemos ou fossemos alertados — Greene nos olhou.
— Com o que estamos lidando aqui? — Perguntei apontando para as roupas, as várias fotos jogadas pelo chão. Enfim, tudo o que tínhamos ali ao nosso redor.
— Acho que estamos lidando com algo ainda pior do que nós pensávamos — Comentou Rossi nos olhando.
— Esse álbum com as fotografias... Acho que estamos deixando algo passar que não estamos percebendo — Comentei cruzando os braços, me sentindo um pouco desconfortável.
— Precisamos falar com Leonard e rápido, ele pode estar envolvido nisso ou pode estar sabendo de alguma coisa. — Hotchner olhou para Rossi. — Tudo isso se assemelha e muito com o que ele costumava fazer anos atrás, apesar do método ser completamente diferente ele pode acabar servindo para algo.
Saímos todos da casa voltando para o quintal, do outro lado da rua notei que mais pessoas haviam chegado para tentar xeretar o que acontecia. Todos curiosos demais.
— A prisão onde ele está não fica muito longe daqui — o agente Greene falou, nos parando perto do furgão onde viemos. — Leva em torno de uns vinte a trinta minutos de viagem.
— Nós podemos falar com ele. — Sugeriu Morgan apontando para ele mesmo e depois para mim. — Ainda temos que verificar o terceiro endereço no nome de Eric e estamos com pouco tempo.
Hotchner suspirou parecendo querer respondê-lo, mas então notamos uma movimentação estranha do outro lado do quintal da casa, praticamente vindo da casa vizinha.
Ouvimos um barulho alto de algo caindo e então um rapaz saiu correndo ao perceber que foi descoberto.
— Ei! — Derek esbravejou o mais alto que pôde ao ver o rapaz correndo. — Ei você!
Ao correr ele acabou tropeçando em uma lata de lixo que estava no meio do caminho, fazendo assim com que ele caísse, mas aquilo não o fez parar. Ele voltou a correr.
— Morgan! — Exclamou Hotchner de repente ao ver que Derek também saiu correndo e fez o mesmo que ele, saindo em disparada atrás do agente assim que o vou correr atrás do rapaz.
Sem pensar duas vezes sai correndo também, seguindo os dois agentes e também o suspeito.
— Suspeito fugindo pelo quintal dos fundos! — Falei gritando em minha escuta para os demais agentes, nem mesmo liguei quando percebi que passei por Hotchner que logo ordenou que eu voltasse.
Quando vi o suspeito e Morgan pular o muro do quintal corri ainda mais rápido e fez o mesmo, pulando com menos facilidade o mesmo muro. Cai do outro lado quase me machucando por ter pulado errado e jogado todo o peso do meu corpo somente nas pernas. Tive sorte em conseguir me equilibrar da forma correta ao passar pelo muro.
— Julia vá pelo outro lado! — Hotchner berrou logo atrás de mim, virei meu rosto minimamente para poder vê-lo, Aaron estava a uma pouca distância de mim e precisou correr bem mais para conseguir me acompanhar e também pular o muro.
Morgan e o suspeito corriam pela rua completamente numa velocidade da qual eu não estava conseguindo acompanhar, fiz o que Hotchner pediu e mudei a direção entrando num beco que me levaria para outra rua. Eu corria o mais rápido que conseguia, forçava as minhas pernas ao máximo para correr cada vez mais rápido.
Atrás de mim Hotchner gritou novamente, porém não prestei muita atenção e nem mesmo consegui entender o que ele havia me dito. Não parei de correr, era como se eu estivesse ligada no modo automático, passava por algumas pessoas e gritava para que elas me dessem licença e abrissem caminho.
Acabei esbarrando em alguém e isso acabou me parando, pois eu quase havia a derrubado. A mulher em quem esbarrei me xingou com um palavrão que eu mesma desconhecia e pedi desculpas por isso, quando percebi Horcher já estava ali também.
Vimos quando o suspeito e Morgan passaram do outro lado e voltamos a correr imediatamente. Seguimos outro caminho entrando em outro beco, ao saírmos parecia que estávamos em outra rua, não víamos nem mesmo qualquer sinal de Morgan ou do suspeito.
— Para que lado eles foram? — Perguntou Horcher ao meu lado, ele já estava ofegante assim como eu.
Olhei para todos os lados os procurando e não vi nenhum deles.
— Eu não sei... — Respondi os procurando também. Ficamos perdidos daquele jeito por poucos minutos, até que Aaron apontou para outra direção onde pude ver os dois correndo.
— É um lugar com muitos becos, vamos continuar seguindo por esse lado e então o cercamos — Ele gesticulou para a mesma direção na qual iríamos seguir. Parecia evitar me olhar muito durante aquilo. — Vamos!
Estávamos correndo novamente, seguindo a direção sugerida por Aaron para que assim nós pudéssemos pegar o rapaz que fugir de nós, atravessamos a rua mantendo o mesmo ritmo e por muito pouco não fomos atropelados.
Aaron gritou novamente algo desconexo para mim e como foi na vez anterior, não consegui compreender o que ele me falou. Estava concentrada demais em conseguir alcançar aquele rapaz que nem mesmo percebia o caminho que estava fazendo. Pareci despertar daquele transe apenas quando vi que o suspeito estava atravessando a rua vindo exatamente na minha direção, apressei o passo forçando bem mais as minhas pernas para pegá-lo, porém antes que eu pudesse continuar senti meu braço ser puxado com força para trás fazendo com que eu parasse de correr. Era Hotchner me puxando para trás.
Cambaleei perdendo o equilíbrio, mas não cheguei a cair no chão, ele me segurou para que isso não viesse a acontecer. Ao ser parada na calçada, um caminhão passou buzinando alto na rua, quase atropelando o rapaz que corria de nós. Porém não tinha como ter tanta certeza assim do que realmente aconteceu ali.
Olhei para a cena com os olhos arregalados, do outro lado da rua, Morgan olhava igualmente assustado, o caminhão já havia parado também fazendo com que parte do trânsito também parasse. Podia dizer que havia certa expectativa ali, queria que o rapaz estivesse vivo, pois ele poderia ser útil para o caso.
— Ali! — Hotchner apontou para frente assim que avistamos o desconhecido sair correndo, pensei em usar a arma e ao ver o que eu iria fazer Aaron apenas anuiu de forma negativa, soltou finalmente o meu braço e saiu correndo.
O segui. Morgan do outro lado, atravessou a rua, passando na nossa frente e atravessando por um beco. Seguindo o garoto.
Hotchner e eu continuamos em linha reta, virando uma rua e passando na frente de um açougue e descemos a rua. Não sabia exatamente para onde estação indo, mas de longe pude ver Morgan e o rapaz.
— Ele entrou naquele beco! — Berrei bem atrás de Hotchner e apontei com pressa para a direção na qual ele havia ido. Viramos novamente entrando exatamente no mesmo beco, ao avistarmos mais à frente o garoto vi Aaron tirar sua arma do coldre e a apontá-la para frente. Fiz o mesmo que ele, parando de correr aos poucos.
— FBI! — Ele gritou com um pouco de raiva e autoridade. — Saia de onde estiver com as mãos em sua cabeça!
Hotchner imediatamente parou quando viu o garoto mostrar o dedo do meio para nós, ele se escodeu novamente, não estava muito longe do local onde estávamos parados.
— Saia com suas mãos na cabeça. Agora! Não irei pedir pela terceira vez! — Ele esbravejou pela segunda vez, parecendo agora um pouco mais irritado que antes.
Avançamos mais alguns passos, eu já estava praticamente ao lado de Hotchner quando ele gesticulou para que continuássemos seguindo em frente. Com nossas armas já prontas contei exatos três passos até que fomos surpreendidos.
O garoto apareceu de repente segurando algo que parecia ser um tipo de balde usado e então jogou todo o seu conteúdo em nós dois. O cheiro era forte, parecia ser uma mistura de água suja com algum produto forte de limpeza e o seu líquido grosso demais. Mas tinha como ter tanta certeza do que seria aquilo, tudo o que podia dizer com certeza era que o cheiro era forte e ruim a um ponto em que incomodava demais.
Ele estava quase fugindo de novo quando Morgan praticamente se jogou sobre ele, fazendo com que ambos caíssem no chão.
— Aonde pensa que vai agora, hein? — Perguntou Morgan com um pouco de raiva, notei que ele tinha um pequeno corte perto da testa, não era nada tão grave, mas sangrava um pouco.
— Me solta! — O garoto tentava lutar para se livrar do agente, se debatia constantemente, mas nada daquilo estava adiantando. Passei minha mão por meu rosto, tirando um pouco do conteúdo dali e fiz o mesmo com minhas roupas.
Olhei para mim mesma e logo vi que iria precisar de um banho e logo. Assim como Hotchner também precisaria.
Com o restante da equipe já estando no local e com o rapaz sendo Morgan estava sendo cuidado por um paramédico por causa de um pequeno corte que ele ganhou na testa durante a perseguição e enquanto isso eu e Hotchner estávamos dando nosso depoimento sobre o que aconteceu.
Aquilo não demorou muito, pois como nós dois havíamos presenciado toda a perseguição, nosso depoimento acabou sendo praticamente o mesmo.
Fomos dispensados assim que terminamos de relatar o que aconteceu, meu rosto já não estava mais sujo, mas ainda me sentia incomoda por ter aquele líquido desconhecido e de cheiro forte impregnado em mim.
O cheiro forte que vinha de nós dois já estava me incomodando bastante.
— Sinto em informar isso a vocês, mas os dois estão com uma aparência péssima. — Brincou Rossi e JJ nos olhando enquanto se aproximavam de onde estávamos.
— Os dois estão bem? Robert Greene o agente que nos convidou também estava com eles dois e olhou diretamente para mim e Hotchner não disfarçando nem um pouco a careta que fez por causa do cheiro forte de vinha de nós.
Pela forma como ele nos olhou pude logo perceber que nosso estado era péssimo.
— Vamos ficar bem. — Horcher respondeu por nós dois em seu tom sério e costumeiro. Ele terminava de tirar o excesso do que foi jogado nele.
— Só preciso trocar essa roupa suja, seja lá o que tinha naquela água está com um cheiro horrível... — Falei num tom baixo, virando meu rosto para Hotchner, pois querendo ou não fazer aquele contato, como ele era meu chefe precisava avisar sobre a minha saída. — Tudo bem se eu for até o hotel?
Ele apenas assentiu em silêncio jogando o lenço usado numa lata de lixo próxima.
— Você deveria ir também, Hotch. Está até bem mais sujo do que a Julia. — Ao escutar aquilo olhei imediatamente para Rossi, o homem apenas lançou um olhar discreto na minha direção. — Já que vão para o mesmo lugar você poderia levá-la.
Pude perceber pelo olhar que ele lançou que David Rossi sabia de alguma coisa.
Foi impossível não sentir todo o meu corpo se tencionar. JJ apenas concordou com ele e diferente dele ela fez aquilo de forma inocente. Eu sabia que se recusasse iria acabar me complicando e consequentemente acabaria ficando sem graça também, então simplesmente decidi aceitar.
Afinal seria apenas uma carona até o hotel que iríamos nos hospedar, nada de mais iria acontecer.
— Bem, se isso não for te incomodar eu vou aceitar. — Dei de ombros, voltando meu olhar na direção de Horcher que, pareceu um pouco incomodado com aquilo.
— Tudo bem então. — Ele simplesmente respondeu.
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