Stronger feelings

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Olá amores, boa noite! Capítulo novinho e fresquinho para vocês! Boa Leitura!

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

— Oscar Wilde

Estava decidida a sair do carro quando parei de repente por um único segundo, minha mente se voltou para um único pensamento; o mesmo que havia feito com que eu passasse o resto da noite anterior em claro. Fechei meus olhos respirando fundo várias vezes e contando mentalmente até dez. Não fazia ideia do tempo que estava dentro daquele carro, mas precisava sair dali e logo.

Havia passado a maior parte da noite me preparando para começar mais um dia de trabalho, o ocorrido da noite passada com Aaron Hotchner ainda continuavam na minha mente, fresco; como se tivesse acontecimento momentos antes de eu chegar ali. E por mais que eu tivesse tentado — de todas as maneiras e jeitos possíveis — esquecer-me do que havia ocorrido entre nós dois, era quase impossível. Seria estranho olhar para ele sem que eu me sentisse estranha por causa do beijo entre nós, quer dizer, como iríamos ficar depois daquilo?

Algo como aquilo não era assim apagado de sua mente com tanta facilidade e muito menos esquecido.

Sai finalmente do carro com pressa, entrando no elevador e apertando o botão para me levar até o andar desejado. Foi complicado manter-me focada em outra coisa que não possuísse nenhum tipo de relação com ele ou com a noite anterior.

Era ainda mais estranho pensar que, por mais que aquilo tivesse sido errado, uma parte de mim, uma grande parte de mim havia de fato gostado daquilo. Da forma como seus lábios tocaram os meus com tanta facilidade e gentileza que era difícil acreditar que o beijo veio do homem que sempre se mostrou sério e tão carrancudo que eu chamava de chefe.

Eu sabia que era uma perda total do meu tempo pensar naquilo, pois nada significou. Pelo menos eu queria acreditar naquilo. Porém mesmo que eu me esforçasse ao máximo para afastar qualquer pensamento relacionado a aquela noite, acontecia o contrário.

Era inevitável, minha mente encontrava um caminho para voltar a pensar naquilo. O elevador parecia subir até o quarto andar com lentidão, provavelmente aquilo estava acontecendo apenas na minha cabeça, e conforme o andar desejado se aproximava, uma ansiedade bastante incômoda crescia dentro de mim.

Ganhando mais tamanho e mais força, tirando o pouco de concentração que eu tinha ali.

Precisei pensar em diferentes maneiras de conseguir olhar para Hotchner sem que me lembrasse daquela noite e esse não era meu único problema, temia que os outros notassem algo de estranho em mim e começassem a me perfilar até descobrirem que eu escondia algo.

Quando vi o número quatro no pequeno painel elétrico acima da porta, senti como se meu coração fosse sair da minha boca ali mesmo. Nem mesmo quando estava ali pela primeira vez me senti tão nervosa como me sentia naquele momento.

A porta se abriu e fui com passos lentos até demais sai, segui o mesmo percurso de sempre com muita calma, torcendo para não me encontrar com Hotchner ali. Quando cheguei vi todos da equipe sentados no mesmo lugar, apenas Spencer e Rossi estavam de pé e todos olhavam para uma única direção.

— O que vocês estão olhando tanto? — Perguntei claramente curiosa enquanto me aproximava dos demais ao perceber que todos pareciam vidrados demais naquela mesma direção. Não entendi o motivo de toda aquela atenção na direção da sala, olhei para a hora na tela do meu celular, ainda era sete e quinze da manhã. Hotchner ainda estava em reunião com Strauss.

— Hotchner está naquela sala com Strauss e um homem desconhecido desde a hora que chegamos — Começou Garcia, sua voz saindo quase como se ela estivesse sussurrando. — Ele chegou bem cedo, depois de mim e Spencer e está agido de forma muito estranha e suspeita.

— Na verdade, — Reid a corrigiu sem tirar os olhos da sala. — Hotch está muito agitado, parece ansioso demais com alguma coisa, ou seja, aconteceu alguma coisa e ele está tentando esconder isso.

Engoli seco ao ouvir aquilo, pude sentir um pequeno nó na minha garganta se formar, cocei a parte detrás da minha orelha me sentindo mais nervosa que antes. Se eles haviam percebido algo de errado em Hotchner poderiam facilmente perceber isso em mim também, o que significava que eu teria de saber esconder todo aquele turbilhão de sentimento e confusão o melhor que eu pudesse.

— O que será que ele está fazendo ali dentro com Strauss e o outro? — Morgan perguntou curioso, a mão em seu queixo e como todos os outros, seu olhar estava fixo diretamente para a sala dele.

— Ele não disse que ela queria falar com ele? Com toda certeza não estão falando sobre nenhum caso porque eu estou com ele bem aqui comigo — Garcia mostrou várias pastas na mesa ao seu lado. — Eu o recebi hoje bem antes de ele chegar.

— Se não é nada relacionado a algum caso então deve ser algo relacionado a UAC. — Rossi comentou pensativo, me afastei um pouco deles. — Se a Strauss está com ele só pode ser sobre isso.

Me atrevi a olhar para a sala dele também, ao fazer isso ele abriu a porta de uma vez assustando a todos os curiosos que tentavam saber o que estava acontecendo com ele, abaixei minha cabeça nomeia rápido que pude. A última coisa que eu queria era receber ou ter qualquer tipo de contato com Aaron, fosse ele visual ou não. Bem atrás dele, pude ver Strauss sair de sua sala juntamente com o homem desconhecido que foi mencionado antes.

Os dois seguiram para uma direção oposta enquanto Aaron se aproximava de nós.

— Bom dia. — Hotchner nos cumprimentou de forma geral, sua voz soou mais próxima o que me imaginar que ele já estava bem perto de onde estávamos.

Ergui meu rosto por um tempo, criando coragem para conseguir olhá-lo nem que fosse por alguns segundos, seu jeito sério e carrancudo estava ali, talvez tentando disfarçar para os outros agentes. Ele me olhou brevemente, porém virei o rosto para um lado qualquer evitando que aquele contato durasse mais.

Porém aquilo foi o bastante para que eu me sentisse bem mais nervosa, precisava dar um jeito naquilo porque isso não poderia continuar daquele jeito.

— Quero falar com todos antes de falarmos sobre algum caso. — Ele disse no mesmo tom de voz. Não foi necessário dizer mais nenhuma palavra, todos nos dirigimos até a sala de reunião, cada um sentando em seu lugar.

Escolhi uma cadeira que ficasse afastada de Hotchner e que não permitisse que nos olhássemos ou que tivéssemos qualquer tipo de contato. Penélope sentou-se também e apenas ele se manteve de pé, diante de todos da equipe.

— Strauss conversou comigo hoje e anunciou que recebemos um acréscimo na equipe. — Ele disse de uma vez, evitando olhar muito para a direção na qual eu estava. — Um agente da CIA.

— CIA? — Perguntou Morgan mostrando espanto, assim como todos nós. — Por que um agente da CIA entrará na equipe?

— Eu também não entendi muito bem o motivo disso, Strauss disse que isso será temporário, mas a conhecendo não posso dar essa certeza no momento. — Ele respondeu, não pareceu gostar nem um pouco daquilo.

Percebi que a maioria deles não pareceu gostar da notícia, nem mesmo eu gostei de ouvir aquilo. Ouvi boatos de outros agentes que conhecia que já tiveram de trabalhar com agentes da CIA e todos os comentários e os vários cochichos eram muito semelhantes; são agentes orgulhosos, metidos e difíceis de se lidar. Comentários sobre eles era o que não faltavam e acho que seria um desafio e tanto ter que lidar com um deles fazendo parte da nossa equipe.

— E quando que esse novo agente irá começar? — Rossi questionou, girando a cadeira na qual sentava para poder olhar na direção de Hotchner. O homem mais velho suspirou.

— Ela não disse, mas é possível que ele comece na equipe na próxima semana — Respondeu com certo pesar. Ainda mostrando seu descontamento com aquilo. — Strauss praticamente exigiu que ele iniciasse nesta equipe hoje, mas como ainda tem toda a papelada para ser resolvida consegui adiar.

Ninguém disse mais nada, pela forma como todos estavam era óbvio dizer que a notícia não havia agradado a ninguém. A porta da sala se abriu e Strauss e o novo agente se fizeram presentes ali, entrando na sala nos olhando.

— Bom dia agentes, — Ela nos saudou de forma severa e ríspida. — Quero apresentar o agente especial Taylor Walter, ele irá fazer parte desta equipe a partir da próxima semana.

Ela se afastou um pouco dando espaço para que o novo agente se apresentasse. Taylor Walter aparentava estar perto de deus trinta e cinco anos, um moreno alto com cara daqueles galãs de novelas. O homem fez um aceno rápido com a mão, cumprimentando a todos de uma só vez.

— Sei que estão achando isso confuso, mas acho que o agente Hotchner já deixou claro que esse acréscimo será temporário. — A mulher continuou a falar, num tom sério e mais firme. — Iremos nos falar novamente depois, sei que já tem um caso então deixarei que trabalhem. Obrigada.

Strauss nos deixou a sós saindo com o novo agente que faria parte da equipe. Corri os olhos para os outros agentes, ninguém ali pareceu feliz com aquilo.

— Garcia pode começar, por favor. — O mais velho pediu. Hotchner andou e pude sentir a presença dele passar bem atrás de mim e de esgueira o vi sentar na primeira cadeira. Ficando assim na mesma fileira que eu, sendo separados apenas por Reid e JJ.

Penélope nos entregava o arquivo sobre o caso e antes de ela começar a falar sobre ele dei uma rápida espiada sobre o se tratava e me espantei ao ver a primeira foto da vítima.

Fechei o arquivo rapidamente por não querer mais ver a foto, apoiei uma mão sobre a mesa, batia o indicador sobre a sua superfície num ritmo acelerado e nervoso, enquanto esperava que ela começasse a falar. Sequer reparei que estava fazendo aquilo e só parei quando Rossi ergueu seu rosto na minha direção, olhando-me durante um tempo e de forma pouco desconfiada.

Provavelmente notando meu nervosismo.

Ele só parou de me fitar quando Garcia começou a apresentar o caso para nós, disfarçou voltando o olhar para o arquivo que tinha em mãos. Pelo menos sete fotos de homens apareceram na tela, todos muito bonitos. Não possuíam nenhum tipo de semelhança, além da bela aparência.

— Meus queridos combatentes do crimes é melhor preparem seus casacos mais grossos porque o lugar para onde irão hoje é frio, bem frio mesmo. Sitka, no Alaska. — A tela continuou mostrando as fotos dos sete homens. — Esses sete bonitões que estão vendo aqui, foram encontrados mortos, todos apedrejados até a morte e enterrados até a cintura. Foram quatro na semana passada, mais especificamente na terça-feira, um no sábado e os outros dois encontrados durante a madrugada por um guarda.

Olhei para as fotos no arquivo, as marcas bem visíveis por todo o corpo dos quatro. Vi a mesma que havia visto antes dela apresentar o caso e tive a mesma reação de antes. Uma cena horrível.

— Eles foram mortos por apedrejamento? Isso é tão arcaico e muito incomum também. — Comentei ainda olhando para as fotos. Fechei o arquivo não podendo e nem mesmo aguentando olhar para aquele tipo de brutalidade.

— Lapidação ou apedrejamento é uma forma de execução para pessoas condenadas à morte. É um meio de execução bem antigo, consistente em que os assistentes joguem pedras contra o réu até finalmente matá-lo. — Spencer falou rapidamente, como sempre. — E como uma pessoa é capaz de conseguir suportar os golpes sem perder a consciência tão rapidamente, a lapidação pode produzir uma morte bem lenta e dolorosa. E também é uma prática usada no judaísmo, cristianismo e Islã.

Ele completou o pensamento.

— Isso está previsto na lei islâmica, a Sharia, para punir tanto mulheres como homens adúlteros e homossexuais. — Falei o olhando rapidamente e depois para os outros membros; exceto por Hotchner. — Alguns países muçulmanos, como o Irã, Sudão e a Nigéria instituíram esta visão radical do Islã em seu sistema judicial. E essa prática resiste também no Afeganistão e no Paquistão, que já aboliram esta pena.

Reid se inclinou sobre a mesa.

— Algo curioso também é no que o elemento fez com as vítimas, — Ele começou a falar, atraindo a atenção da equipe para si. — O artigo 102 do Código Penal Islâmico iraniano determina que os homens que serão apedrejados devem ser enterrados até a cintura, enquanto que as mulheres devem ser cobertas até a altura do peito.

Uni minhas sobrancelhas de forma pensativa.

— E não é apenas isso — Garcia mostrou mais algumas fotos, focadas apenas nas mãos deles. — Todos eles tinham isto escrito na palma da mão, um diferente do outro.

Fixei meu olhar nas fotos.

— Ao que parecem são todos versículos bíblicos. — Reid respondeu. — Só não consigo entender muito bem o que está escrito na ultima vítima.

— Tiago 04:17. — Respondi olhando para a foto que Penélope nos mostrava. — “Portanto, pensem nisto: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz comete pecado.”

— Então o elemento é mesmo religioso? — Rossi questionou de forma pensativa. — Isso explica o modo que ele os matou e também por ter enterrado esses homens.

Aaron fechou o arquivo que tinha em mãos e nos olhou.

— Vamos continuar a discutir sobre o caso a caminho para Sitka — Hotchner anunciou, pude vê-lo se levantar da cadeira com um pouco de pressa. — O voo será longo e teremos mais tempo para discutir melhor sobre ele.

•••

No avião escolhi um lugar que ficasse longe o suficiente de Aaron e de seu olhar, pude notar que ele também parecia tentar evitar ficar no mesmo campo de visão que o meu, o que não me importei, pois fazendo isso facilitaria e muito em como as coisas estavam.

— O nome da cidade deriva de Sheet’ká, uma contração da palavra Tlingit Shee At'iká, que significa “Pessoas de fora de Shee”, — Spencer falava aquilo olhando para o arquivo do caso em mãos. — Sendo Sheet’-ká X'áat'l o nome Tlingit para a Ilha BaranofIlha Baranof. O olhei rapidamente vendo que Reid mais dissera aquilo como se tivesse comentado algo sem muita importância para nós.

— Uma violência como esta é bem preocupante, o elemento foi extremamente violento com todos os sete homens. — JJ também fechou seu arquivo. — Uma pessoa tão violenta dessa forma e também religiosa não mata por acaso, tem um motivo para isso.

— O que sabemos sobre casos desse tipo? — Hotchner perguntou olhando diretamente para Spencer.

— É bem raro e difícil de acontecer pelo país, pelo menos nos tempos de hoje — Ele respondeu erguendo seu rosto o suficiente para conseguir nos encara por poucos segundos. — Em países onde a religião islâmica é quase predominante até faria sentindo, mas aqui… É difícil dizer.

Fez-se silêncio dentro do avião por poucos segundos, todos pareciam pensar sobre o caso que tínhamos em mãos.

— O elemento foi paciente também, não só os matou, mas também fez questão de enterrá-los — Morgan comentou mostrando as fotos das vítimas e de como elas foram encontradas. — E para alguém conseguir fazer hematomas como estes aqui só sendo uma pessoa com muita raiva e força.

Concordei mentalmente.

— Um homem teria essa força e esse tipo de raiva — Rossi comentou o olhando. — E ao termos esses dois fatores juntos o resultado é terrível.

Antes que alguém pudesse fazer qualquer outro tipo de comentário, Garcia retornou, com algumas novidades sobre os quatro homens mortos.

— Olá pessoal, fiz algumas descobertas sobre nossos sete homens mortos — Ela fez uma pausa rápida antes de continuar. — Todos eram divorciados e não para por aí, em todos os casos quem fez os pedidos para se divorciar foras as esposas porque seus maridos foram infiéis para com suas esposas.

— Na Bíblia Maria Madalena seria apedrejada até a morte por ter sido pega em um caso de adultério — Fiz o comentário olhando diretamente para a tela onde Garcia estava. — E os versículos encontrados nas mãos são relacionados a isso e ao pecado do homem.

Rossi concordou.

— Mas não houve alguém para interferir dessa vez — Ele comentou fazendo uma rápida menção ao momento em que a mulher seria apedrejada e Jesus entra em cena para parar aquilo. — Quem não tem pecado atire a primeira pedra e ele fez exatamente isso.

— Se eu conseguir encontrar mais informações sobre eles faço contato. — Garcia se despediu rapidamente e logo desligou.

— As mortes aconteceram em um intervalo curto demais, — Morgan se pronunciou também. — Isso não é nada bom.

Suspirei.

— E a violência ficou maior e pior também — JJ mostrou as quatro fotos dos homens mortos para nós. — Vejam como os são os hematomas das primeiras vitimas e compare com os outros, ele está evoluindo rápido.

— Ele está com raiva e seu ritmo para matar está acelerando também, — Ouvi quando Horchner também começou a falar, não virei meu rosto e nem mesmo pensei em olhar na sua direção, me esforcei ao máximo para manter meu olhar fixo apenas no arquivo que tinha em mãos e nada mais que isso. — Se esse elemento está com um complexo de fazer justiça por conta própria, ele só irá se tornar cada vez mais violento e irá matar mais rápido também.

Ele disse ao passo que fechei o arquivo e o deixei em meu colo, passei a mão por meu cabelo jogando uma mecha para detrás da minha orelha. Ergui minimamente meu rosto, porém me mantive forte em não olhá-lo. Sabia muito bem o que poderia acontecer se fizesse isso e a última coisa de que eu precisava naquele momento era ficar nervosa.

— Reid e Rossi vocês irão falar com o legista sobre os quatro homens, Morgan e Barbosa conversem com a família da última vítima Steven Collen e vejam o que descobrem — Frazi levemente meu cenho ao ouvi-lo dizer meu sobrenome, havia algo de diferente em seu tom que me incomodou um pouco, mas deixei passar. — JJ e irá comigo para a delegacia, quero que converse com a mídia, não podemos deixar que a mídia vaze notícias sobre o caso. Se o unsub ver que estamos atrás dele poderá ficar nervoso e irá matar mais pessoas.

•••

Como Garcia havia nos avisado, o clima em Sitka era de extremo frio. E mesmo que estivéssemos usando casacos grossos para nos proteger da baixa temperatura que fazia ali, aquilo não pareceu dar muito certo para mim. O clima frio e quase congelante dali parecia não ser contido pelo casaco grosso que eu usava.

Derek estava no volante e nos levava para o endereço da ex mulher de Steven Collen, havíamos chegado em Sitka havia quase vinte minutos e eu já queria ir embora daquele lugar gelado. Gostava do clima frio, mas não daquele em que estava quase sendo congelada.

— Então o que você acha que está acontecendo? — Ele perguntou de supetão, quebrando o silêncio de dentro do carro. Virei meu rosto um pouco para o lado olhando-o.

— O que eu acho sobre o que? — Perguntei de volta por não entender o que queria dizer com aquela pergunta feita. Ele fez uma curva e então logo me respondeu.

— Sobre Hotch, ele também estava um pouco estranho quando estávamos no avião vindo para cá. Você não reparou nisso? — Ele disse sem me olhar, tinha os olhos atentos na rua.

Reparar eu até tinha reparado, mas não fiquei tão vidrada naquilo como os outros. Afinal, eu sabia o motivo dele estar daquele jeito e eu tinha um certo envolvimento e culpa nisso. Mas não podia deixar que ele e os outros soubessem disso, o que aconteceu três noites atrás não fora nada, uma atitude tomada por puro impulso, talvez. Mas que não significou nada para nenhum de nós. Pelo menos era nisso que eu queria acreditar.

— Acho que ele está bem mais sério que antes — Comentei apenas para disfarçar, voltando meu olhar para a rua também. — Eu fiquei uns quatro ou cinco dias ausente, não sei o que andou acontecendo nesse meio tempo. Hotchner já estava estranho?

Morgan fez outra curva segundos antes de me responder.

— Sim estava — Confessou, parecia que estava rindo. — Rossi é mais próximo a ele então irá conseguir tirar alguma coisa dele, logo vamos saber o que anda acontecendo com ele.

Cruzei meu dedos mentalmente em segredo torcendo para que aquilo não acontecesse.

— E tem essa história do novo agente também, achei muito estranho esse acréscimo assim do nada. — Ele parecia mesmo intrigado com aquilo.

— Eu também cheguei do nada na equipe — Falei um pouco num tom leve e também brincalhão. — Você acha que isso é estranho também?

Ele riu em resposta.

— Com você foi diferente, eles nos avisaram que teríamos uma nova agente na equipe. — Respondeu me olhando rapidamente. — Acho que tem dedo da Strauss nisso.

— Confesso que eu também achei isso estranho, — Admiti. — Ainda mais por ele ser um agente da CIA, isso não me parece algo assim tão normal. Não imagino alguém fazendo isso sem que não tenha alguma razão para isso.

— Nos resta apenas esperar e ver o que acontece — Morgan bufou ainda descontente. — E ficarmos espertos porque isso coisa boa não é.

Quando chegamos na casa da ex mulher de Steven Collen, fomos recebidos por uma mulher mais velha, provavelmente mãe da moça.

— Quem são vocês e o que querem? — Ela nos questionou usando um tom seco e um tanto arrogante em sua voz.

— Somos os agentes Derek Morgan e Julia Barbosa do FBI — Ao mostrarmos nossas credenciais a mulher nos olhou com desdém. — Gostaríamos de conversar com a Vanessa Collen e fazer algumas perguntas a ela.

A mulher cruzou os braços.

— O que vocês do FBI querem com a minha filha? — Seu tom só ficou mais ríspido.

— Estamos num caso de assassinato no qual Steven Collen está envolvido e a sua filha por servir de grande ajuda para nós. — Dessa vez fui eu a responder, a mãe de Vanessa me olhou de cima abaixo torcendo os lábios mostrando sua insatisfação por nos ter ali.

Ela bufou, ao ouvir o nome do homem e isso não passou despercebido.

— O que foi que esse cafajeste fez dessa vez? — Ela perguntou. Morgan me olhou rapidamente e depois para a mulher parada na porta.

— Ele foi brutalmente assassinado não tem quase um dia, senhora. — Ele respondeu de forma lenta, ainda a fitando. — Ele e mais seis homens também.

— Deus! — Seus olhos se arregalaram, mas ela não parecia assim tão surpresa. — Mas o que a minha filha tem a ver com isso? Ela não tem nenhum tipo de envolvimento ou ligação com o que houve com aquele cretino!

Aquilo já estava tirando a minha paciência, aquela mulher e a forma como ela estava nos tratando começara a me incomodar. Estava pronta para respondê-la quando uma moça centímetros mais alta que a mulher na porta apareceu, ela se apresentou como Vanessa Collen e nos olhou levemente assustada assim que explicamos quem éramos e o motivo de estarmos ali, ela segurou o choro e nos deixou entrar.

Vanessa se mostrou bastante abalada com a notícia da morte de seu ex marido, diferente da mãe que manteve a atitude seca e olhar desdenhoso, a moça sentada na nossa frente não parecia acreditar naquilo.

— E… E vocês sabem quem fez isso com ele? — Ela nos fitou com seus olhos marejados.

— Infelizmente não. — Respondi num tom calmo e baixo. — Mas é por isso que estamos aqui, qualquer informação que tiver sobre ele irá nos ajudar e muito a resolver este caso.

— Bem… O que eu posso dizer sobre ele é que depois do nosso divórcio ele ficou muito diferente — Ela me olhou com suas sobrancelhas levemente unidas, parecia estar pensando em algo ou lembrando de alguma coisa. — Ele… Não sei dizer ao certo, ele ficou mais agitado que antes, disse que começou a ir em uma palestra e que sabia como fazer com que o seu pecado fosse perdoado e depois disso não o vi e nem tive mais nenhum contato com ele.

— Saberia dizer qual o tipo de palestra que ele começou a ir? — Perguntei a olhando. Vanessa apenas negou mantendo seu silêncio.

— Quando foi que conversou com ele pela última vez? — Morgan a questionou.

Vanessa Collen demorou alguns segundos para respondê-lo.

— Não lembro ao certo em que dia da semana foi isso, mas o vi pela última vez ainda vivo na semana passada. — Disse, alternando seu olhar entre mim e o outro agente.

Ficamos na casa de Vanessa por quase uma hora para conseguirmos mais informações sobre Steven Collen, porém o que estava mesmo nos deixando intrigados era a mãe de Vanessa; que não saiu de perto da filha por um único segundo. A mulher que não mostrou nenhum tipo de sentimento ao saber da morte do homem e que durante a entrevista deixou claro seu posicionamento sobre aquela investigação.

— Não conseguimos muita coisa com a ex esposa. Na verdade quase nada que sirva para o caso. — Morgan comentou enquanto retornávamos para a o carro. — Ela me pareceu ficar abalada demais com a notícia.

Assenti entrando no veículo e colocando cinto de segurança.

— Acho que qualquer um ficaria, mas o que me incomodou mesmo foi a mãe dela — O olhei brevemente. — Percebeu como ela ficava sempre que falávamos sobre Steven? Não posso ter sido a única a estranhar aquilo.

Derek assentiu em concordância.

— É, eu também percebi isso. — Falou. — Vamos pedir para Garcia fazer uma pesquisa sobre ela e ver o que encontramos.

Morgan deu partida no carro e assim fizemos o trajeto para chegar a delegacia da cidade e passar para os outros da equipe as informações que tínhamos.

Notas finais
~"Climão" entre Julia e Hotchner hehe vem coisa por aí galera, não pense que só ficará por isso mesmo. ~Todas as informações sobre apedrejamento e essas leis dos países citados neste capítulo foram retirados de diversos sites, só avisando. Nos vemos nos comentários. Beijinhos meus amores!