Stronger feelings

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Olá meninas e muito bom dia para todas!! Vim bem mais cedo do que eu estava planejando porque eu fui presenteada com a minha segunda recomendação!!!! Debby sua maravilhosa eu amei, amei de verdade mesmo cada palavra citada. Muito obrigada sua linda, capítulo todinho dedicado para você e já aviso para segurar o coração com ele hehehe Boa Leitura amores!

Fiquei praticamente o restante da semana em casa, — não só por recomendação médica, mas também porque Hotchner achou melhor assim até que eu estivesse totalmente recuperada do que aconteceu.

Não achei aquilo muito necessário, pois o máximo que havia acontecido comigo foi ter sido drogada por uma vasta mistura de remédios tarja preta e nada mais que isso.

Mas não pude reclamar desses dias de folga. Pude descansar não apenas meu corpo, mas minha mente também.

A dor de cabeça que me acompanhou por mais dois dias já não se fazia mais presente e podia dizer que estava indo bem com aquela recuperação. Estava pronta para voltar logo a ativa.

O que havia acontecido há algumas noites atrás bem na frente da minha porta continuava fixo na minha cabeça. Era difícil conseguir esquecer do longo tempo que Hotchner e eu ficamos nos encarando, na verdade trocando olhares. Para ser honesta era difícil esquecer da forma como nos olhamos naquela noite.

Era estranho pensar que vez e outra eu me pegava pensando naquilo novamente e como tenho feito, sempre que aquele mesmo pensamento vinha em mente outra vez, eu tentava ao máximo me concentrar em outra coisa.

Aquilo podia muito bem não ter tido nenhum significado, quer dizer, ele era meu chefe, talvez aquilo não passasse de uma preocupação com um membro de sua equipe. Não era nada demais. Ou pelo menos era assim que eu queria pensar.

Era domingo e havia recebido uma ligação de Rossi me convidado para um jantar que ele estava organizando para comemorar o aniversário de casando de JJ e seu marido Will. Assim como os outros membros da equipe, eu também fui convidada.

De acordo com Rossi não seria nada muito grande, apenas familiriares e os amigos mais próximos estariam presentes. Como não sabia exatamente aonde Rossi morava, Morgan se ofereceu para me buscar e aceitei.

A história teria sido diferente se outra pessoa tivesse se oferecido para fazer isso.

Terminava de arrumar, acabei por optar em usar um vestido escuro e simples, nada muito chamativo, até porque nenhuma das minhas roupas eram assim. Ao ficar pronta fiquei na frente do espelho e olhei para o meu próprio reflexo, já estava com uma aparência melhor desde o início da semana.

Como já era esperado, Derek apareceu para me buscar, ele estava igualmente bem vestido.

Cumprimentamos um ao outro de forma rápida, conversando brevemente sobre a longa semana; ele me deixando a par dos dois últimos casos que haviam pegado e de como havia sido trabalhoso para a equipe. Comversamos sobre assuntos diversos durante o caminho, trabalho, vida e claro, a vida amorosa. Porém este último assunto não durou muito visto que, ambos não tinham muito o que falar sobre.

Chegamos na casa de Rossi, na verdade em sua mansão, o lugar estava todo bem decorado, de acordo com a ocasião que estava sendo comemorada ali.

Todos os convidados que ali estavam presentes estavam todos muito bem vestidos; a maioria dos convidados estavam em pé segurando taças algum tipo de bebida. Rossi sabia mesmo como dar uma festa.

Ao chegarmos no jardim, ainda a comemoração estava centrada. Avistei todos da equipe, até mesmo Staruss que se encontrava mais afastada e conversava com um homem provavelmente da mesma idade que ela.

Penélope foi a primeira que nos viu chegar, ela abriu um sorriso alargo ao nos ver e se dirigiu até nós, abrindo os braços para hm abraço.

— Julia você voltou! E também está aqui! — Penélope Garcia me abraçou como se eu tivesse ficado longe durante longos meses. Apesar de seu jeito sempre tão extravagante, o vestido que ela usava era totalmente diferente das costumeiras roupas coloridas que ela sempre usava. Estava belíssima. — Meu Deus menina, você me assustou tanto! Nunca mais, eu estou falando sério, nunca mais na sua vida faça isso comigo!

Balancei minha cabeça.

— E não irei fazer. — A abracei de volta. — Pode ter certeza disso.

Ela se afastou um pouco de mim, olhando agora para Morgan.

— Está gatão meu amor. — Ela o abraçou também. — Você também está Julia.

— Eu me arrumei especialmente para você, baby. — Ele a beijou na bochecha. — Então, onde os outros estão?

Ele perguntou, referindo-se à mesa onde o restante da equipe se encontrava.

— Por aqui meus amores. — Ela falou enquanto nos guiava entre os vários convidados, nos levando até a mesa onde nossa equipe estava sentada.

No momento apenas Spencer estava sentado à mesa e assim que nos viu tratou de se levantar e nos cumprimentar também. Primeiro foi com Morgan e depois, meio sem jeito me abraçou; havia passado apenas alguns dias fora e eles faziam pensar que foram meses. Estava quase me sentando também quando ouvi a voz alta e alegre de Jack — filho de Hotchner — gritou pelo meu nome.

Me assustei ao ouvi-lo, não era como se não esperasse que ele não estivesse presente ali, mas não imaginei que o menino me chamaria. Me virei e então pude vê-lo com seu pai, Jack, porém andava com um pouco mais de pressa até mim.

— Hey garotão! — Fiquei de pé o esperando chegar até mim e logo o cumprimentei, Jack pareceu mesmo se animar ao me ver ali e não negaria que foi bom vê-lo outra vez. — Então, como você está?

— Ótimo! — Ele respondeu erguendo o rosto para poder me olhar melhor. Sua resposta mantendo o mesmo tom animado com o qual ele chamara meu nome. — E o Doug? Você não trouxe ele?

— Dessa vez não pude trazê-lo comigo. — Respondi fingindo estar quase tão decepcionada quanto ele se mostrou estar. — Quem sabe um outro dia não é mesmo?

Jack concordou e olhou para trás assim que viu o pai se aproximar, olhei para Hotchner esboçando um curto sorriso. Porém quando chegou o momento de cumprimentar Hotchner, o que aconteceu foi tudo muito estranho.

Acho que o constrangimento do que havia acontecido algumas noites atrás vinha de ambos os lados, acabamos nos abraçando rapidamente. Os dois tentando mostrar que aquilo não foi nada demais.

Nos olhamos brevemente, os poucos segundos que aquela troca de olhares durou foram o bastante para me deixar ainda mais sem graça que antes.

O mesmo que senti quando aquilo aconteceu bem na minha porta estava acontecendo ali novamente e dessa vez na frente dos outros e precisei me manter firme para não demonstrar nada daquilo.

— Como está se sentindo? — Ele perguntou num tom casual, afastando-se de mim. Apenas dei de ombros.

— Bem melhor. — O respondi desviamos brevemente a direção de meu olhar. — Acho que amanhã mesmo já vou poder voltar a ativa.

— Isso é bom. — Ele apenas disse e concordei silenciosamente.

Senti quando meu rosto pareceu esquentar, assim como todo o meu corpo ao me dar obra de que estávamos fazendo aquilo novamente. Nos encarando como havia acontecido antes. A sensação por mais que estivesse sendo boa, me deixou sem jeito, os outros poderiam perceber isso e eu não me livraria de perguntas.

Precisei agir rápido para que aquilo terminasse logo, voltei para meu lugar sendo seguida por Hotchner e seu filho que sentaram-se na mesma mesa em que estávamos.

De longe podíamos ver Rossi, receber mais alguns convidados. Sentei-me ao lado de Spencer mantendo-me o mais distante possível de Hotchner. Já havia sido estranho o bastante abraçá-lo na frente de seu filho e dos outros, claro que aquilo foi um gesto amigável e nada mais do que isso.

Mas de qualquer forma eu queria evitar qualquer outro tipo de contato durante aquela celebração.

Spencer agora tagarelava, conversando com Morgan e Garcia, fazendo comentários que somente alguém como ele poderia saber, Morgan vez e outra fazia alguma piada com ele e todos riam.

Inclusive Reid que não se mostrava nem um pouco incomodado com aquilo.

— Vocês sabiam que muitos sequestradores de crianças geralmente usam cachorros como uma forma de atrair a criança para si, isso quebra a primeira barreira entre o sequestrador e a vitima logo de cara porque que criança não gosta de um cachorro — Reid começou a falar, espertinho como sempre. Ele então nos olhou, como se estivesse orgulhoso de si mesmo por ter dito algo que aparentemente não sabíamos.

Concordei com a cabeça.

— É o velho truque do cachorro, muito usado com sequestradores amadores de cidades pequenas — Comentei o olhando brevemente. — Dois a cada uns dez registros que recebem sobre esse tipo de sequestros com crianças são com cachorros e esse número cresceu uns vinte por cento nos últimos dois anos.

Todos pararam e me encararam, da mesma forma que encaravam Spencer quando ele falava algo que ninguém sabia.

— O que foi? — Perguntei não entendendo o motivo daquele olhar. — Às vezes eu tenho meu lado de gêniozinho também.

Rimos ao mesmo tempo, Reid balançou a cabeça de forma positiva, o dedo indicador em seu queixo, ele estava pronto para mostrar mais da sua intelegencia para o restante da equipe.

— E vocês também sabiam que ter bichos de estimação, principalmente gatos ou cachorros também pode ser um tipo de escape para pessoas muito solitárias, — Ele olhava para cada um com lentidão. — É uma forma encontrada para conseguir preencher a ausência que essa pessoa possa sentir, ainda mais se ela morar sozinha. — O rapaz então me olhou e todos os outros riram alto outra vez, inclusive eu.

— A sua casa então deve estar bem próxima de um zoológico não é? — Rebati brincalhona também o olhando com o mesmo ar debochado de antes. Jack, sentado ao lado de seu pai riu alto também e não perdeu a oportunidade de zombar de Spencer por ele aparentemente ter um "zoológico" em sua casa.

— Brincadeira gêniozinho. — Me desculpei ainda rindo, Spender apenas balançou sua cabeça fingindo estar magoado. — Mas está bem errado sobre isso, não tenho um cachorro em casa porque sou solitária, Doug foi um presente.

Garcia juntou seus lábios mostrando um sorriso travesso. Percebi que Rossi já havia se juntado à mesa conosco e agora conversava com Morgan, Reid e Hotchner.

— Presente? Geralmente isso vem de um gesto de algum namorado não é? — Ela perguntou dando um gole em sua bebida. — Foi de algum namorado o presente Julia?

Maneei a cabeça concordando e não ao mesmo tempo.

— Não posso dizer que aquilo foi um namoro, — Falei a olhando, Garcia pareceu ficar bem mais curiosa, até puxou a cadeira para ficar mais perto de mim. — Um mês não é tanto tempo assim.

— Só um mês? — Ela perguntou incrédula. — Foi tão ruim assim?

Ri com sua curiosidade quase palpável.

— Digamos que péssimo não seria o suficiente para descrever com precisão esse "relacionamento... — Respondi ainda rindo. — Não é nada fácil namorar uma agente do FBI que passa mais tempo fora do que em casa.

Penélope concordou.

— Ah mas vai você acabar encontrando outro — Ela respondeu despreocupada. — Só continuar se vestido desse mesmo jeito e aposto que um monte irá cair aos seus pés.

Não segurei o riso, nós duas começamos a rir.

— Ok, agora chega de falar sobre mim e a minha vida. — Dei uma leve batida com a palma da mão sobre a mesa. — Eu quero saber o que foi que eu perdi durante essa semana que fiquei fora.

Penélope mudou a direção de seu olhar e eu a segui, notei que ela ficou encarando Hotchner durante poucos segundos e então voltou a me olhar.

— Hotch continua um pouco estranho nesses dias — Ela sussurrou, disfarçando ao falar sobre aquilo, pois ele não estava assim tão longe de onde estávamos sentadas.

Franzi meu cenho, não era bem aquilo que eu gostaria de saber.

— Vocês ja não estavam falando sobre isso no começo da semana? — Perguntei, na verdade eu queria mesmo é encerrar logo aquele assunto.

— Sim, mas está ficando pior que antes. — Ela disse, disfarçando outra vez. — Não percebeu na mudança de humor tão repentina dele?

Peguei a taça da mesa e dei um curto gole no champanhe, sem querer olhei na direção de Hotchner e voltei a encará-la.

— Não, eu não reparei em nada disso. — Respondi de forma sincera.

Garcia estava quase voltando a falar quando Rossi se colocou de pé diante da mesa onde estávamos sentados com sua taça já pela metade com a bebida que estávamos tomando, o homem nos interrompeu chamando a atenção de todos os presentes para si e então começou a falar.

— Eu queria fazer um brinde à uma família da qual eu tenho muito carinho. Jenifer, Will é claro, o pequeno Henry. — Ele gesticulou com a taça apontando-a na direção da mesa onde JJ e sua família estavam sentados. — Tenho muito orgulho de tê-los como parte da minha família.

Levantamo-nos todos ao mesmo tempo e erguemos nossos copos fazendo o brinde. JJ e Will também tiveram a oportunidade de dizer algumas palavras, foi tudo muito simples e belo.

Ambos agradeceram a todos pela presença, disseram tudo o que tinham para dizer e então a festa continuou.

•••

Passada algumas — muitas — horas a festa ainda continuava a todo vapor, animada como antes. Não se podia dizer que havia uma única pessoa ali presente que não estivesse se divertindo.

Rossi sabia mesmo como dar uma boa festa.

O tipo de música mudou, o que era tocado agora era uma mistura de musicas atuais, com várias outras dos anos 70/80, todas bregas, mas que a maioria que estava ali sabiam cantar. Observava tudo de longe, estava me divertindo. Provavelmente mais com boa parte das pessoas já um pouco alteradas com o álcool do que com a própria festa.

Na mesa continuava apenas eu, Penélope, Spencer e Hotchner e diferente de todas as situações nas quais eu e Aaron estivemos, não havia silêncio entre nós sendo formado nem mesmo por um único segundo. Talvez isso tivesse relação por Reid e Garcia também estarem presentes.

Durante todo o tempo que estávamos conversando, vez e outra eu percebia que estava olhando demais para a direção na qual Hotchner estava, só notei que estava fazendo isso quando ele — em uma dessas vezes — também olhou na minha direção.

Foi como se ele soubesse ou sentisse que estava sendo observado, pois seus olhos se fixaram exatamente na minha direção.

E completamente sem graça e tomada por uma vergonha sem igual desviei de seu olhar com rapidez, voltando a prestar atenção nos convidados que cantavam e dançavam as musicas antigas.

Aquilo estava ficando estranho demais para mim, eu estava me sentindo igualmente estanha com o que acontecia ali.

Não sei bem o que estava realmente acontecendo e mesmo que quisesse ter essa resposta, optei por simplesmente deixar aquilo de lado. Talvez tudo aquilo não estivesse passando de apenas uma paranoia da minha cabeça, estava imaginando coisas, criando algo inexistente entre duas pessoas completamente diferentes.

Sacudi levemente minha cabeça para afastar aquele pensamento, precisava parar com aquilo antes que viesse a enlouquecer por completo. Os minutos foram se passando, transformando-se em mais algumas horas, poucos haviam ido embora e alguns insistiam em continuar festejando.

Olhei para a tela do celular, verificado que horas eram é já estava chegando perto das oito da noite.

E por já estar ficando cansada decidi ir embora, não antes é claro de me despedir de JJ e Will e de Rossi também.

Me dirigi até o estacionamento, vestindo o bolero que trouxe quando senti que a temperatura da noite estava aos poucos diminuindo. Senti o cesto gelado soprar em meu rosto fazendo com que os fios soltos do meu cabelo fossem sacudidos, os coloquei atrás da orelha mexendo em minha bolsa para pegar pelo celular e assim poder chamar por algum táxi.

Estava — ou pelo menos eu achava que estava — concentrada no que fazia, mal notei que dois casais passaram por mim para também irem embora.

Só os notei quando já estavam em seus carros. Caminhei mais um pouco pelo grande local onde os carros estavam estacionados.

— Já está indo? — A voz era de Hotchner e parei de andar no mesmo segundo, olhando para o lado e o vendo abrir a porta de trás para colocar seu filho no banco.

— Está ficando tarde e também eu já estou um pouco cansada. — Respondi com pressa, tirando o celular da bolsa, pronta para ligar para pedir um táxi.

Aaron apenas anuiu com a cabeça, não esperei por uma resposta dele nem nada. O vi deitar o filho que já estava completamente adormecido no banco traseiro de seu carro enquanto me afastava um pouco para fazer a ligação.

— Quer uma carona? — Ouvi a pergunta e imediatamente parei de andar.

Não. Respondi mentalmente de prontidão, girando devagar pelos calcanhares para olhá-lo.

— Não é necessário. — Comecei a recusar de forma simpática e educada, não queria ficar sozinha com Hotchner dentro de seu carro novamente. Pelo menos não depois do que houve em seguida. — Dessa vez não estou impossibilitada como da outra vez, posso chamar um táxi. E também não quero atrapalhar você.

Brinquei. Mencionando a noite quando eu praticamente não tive outra escolha que não fosse aceitar a carona oferecida por ele. Porém aquela era outra situação e eu não estava nem um pouco afim de me constranger novamente com ele.

Sabia que por ser um domingo à noite o taxi poderia acabar demorando para chegar, aceitar a carona talvez fosse melhor e eu acabaria chegando em casa mais rápido. Mas eu iria correr esse risco.

— Não será problema algum. — O homem me encarou com um olhar mais leve.

Cruzei os braços tentando disfarçar o frio que estava sentido por ficar ali, apesar de estar vestida com um bolero com mangas longas, por ele ser fino demais ele não me protegia do vento gelado.

— Não quero atrapalhar, — Falei o fitando já estava ficandl um pouco sem graça. — Jack está dormindo e você obviamente também deve estar cansado. Pode ir, eu vou ficar bem.

Agora sim estaga praticamente o expulsando dali. Mesmo que a casa e onde estávamos não me pertencesse.

— Não irá me atrapalhar. — Ele respondeu de forma simples, insistindo disfarçadamente. — É quase caminho.

Cocei o topo da minha cabeça torcendo meus lábios, confesso que parte de mim queria aceitar a carona. Já estava ficando tarde e eu sabia que o taxi iria demorar e como eu já estava mesmo querendo ir embora logo, acabei cedendo. Aceitando a carona de uma vez.

No caminho, o silêncio dentro do carro de Aaron poderia muito bem ser justificado por nenhum de nós querer acordar o garoto deitado no banco de trás. Mas era óbvio que aquele não era o motivo correto.

Porém optaria por usar aquela desculpa para um momento como aquele.

Não me importei muito com aquele silêncio todo, acho que diante do que vinha acontecendo mantermo-nos calados era a nossa melhor opção.

Quando o carro parou bem na frente da minha casa não pude me sentir mais aliviada, respirei fundo o mais discretamente possível, não queria que ele percebesse que estava tensa por estar ali dentro.

Foi quando tirei o cinto de seu fecho que notei que ele já não estava mais ali dentro.

Será que eu estava tão perdida em meus pensamentos que sequer percebi sua saída?

Me virei ao ouvir a porta ser aberta para mim, numa atitude de um cavalheiro e também por educação.

Desci do carro parando numa distância pequena dele, olhando rapidamente para a parte de trás do carro onde pude ver seu filho dormir tranquilamente, não ligando ou prestando atenção no que o rodeava naquele momento.

— Obrigada pela carona. — Agradeci com a voz levemente já alterada, de nervoso.

Novamente não esperei por uma resposta, simplesmente comecei a andar pelo caminho de cimento que me levaria até a porta da frente.

Só percebi que ele estava parado perto de mim quando me virei, vi Hotchner ali parado me olhando com suas sobrancelhas erguidas minimamente, sua expressão um pouco diferente da de antes.

— Amanhã eu devo chegar no mesmo horário de sempre? — Perguntei mudando de assunto, talvez se falássemos brevemente sobre o trabalho todo aquele clima estranho viesse a ter um fim mais rápido.

— Esteja lá um pouco antes das sete e meia, por favor. — Ele respondeu, sua voz mais baixa que o comum.

Franzi meu cenho. Ele nunca havia pedido para que eu chegasse assim tão cedo.

— Vai ter alguma reunião antes? — Perguntei sem entender muito bem. Já estava prolongando demais aquela conversa.

— Strauss marcou uma reunião comigo às sete e como ela me avisou que irá precisar falar com todos logo em seguida também. — Mantendo o ar sério, ele me fitou diretamente nos olhos por um único segundo para logo em seguida olhar para o chão e só então voltar seu olhos para mim. — Boa noite, Julia.

Me senti travar ali mesmo com aquelas palavras, Hotchner não estava usando o tom profissional de antes e muito menos o tom sério de sempre. Era apenas um boa noite, palavras simples e curtas, mas que fizeram-me recordar de algumas noites atrás quando estávamos daquele mesmo jeito olhando para o outro com aquele mesmo olhar.

Que droga.

— Boa noite, senhor... Hotchner. — Respondi tentando, com todas as forças usar um tom profissional e igualmente sério em minha voz.

E infelizmente aquilo não deu certo. Tentei me mover, entrar logo dentro da minha casa e ir dormir para começar um novo dia na manhã seguinte. Porém meu corpo reagia de forma completamente contrária, não permitindo que eu sequer conseguisse mover um único músculo.

Nem mesmo consegui desviar do olhar sempre tão sério e analisador de Aaron Hotchner.

Seus orbes de um castanho tão escuro estavam fixos nos meus, seu olhar era diferente de todos os que ele já me lançara durante todo esse um mês e alguns dias que eu estava fazendo parte da sua equipe.

Era o mesmo olhar de antes, da noite onde ficamos calados encarando o outro. O mesmo nervosismo de antes estava se mostrando presente ali também.

Dessa vez, porém bem mais intenso que antes. Estávamos fazendo exatamente o mesmo que fizemos noites atrás, encarando o outro, esperando por algo.

Não sabia ao certo o que era, mas sentia que eu só estava ali parada por estar na espera de algo. E ele fazia o mesmo.

Uma ansiedade estranha também deu as caras, senti um frio na barriga quando dei um curto passo para frente.

Me assustei ao perceber que ele também avançou o mesmo único passo na minha direção. Já havia o visto olhar-me com um pouco raiva, surpreso, pensativo — como quando ele parecia tentar me perfilar —, mas aquele que estava me lançando era completamente diferente dos demais.

Foi quando ele franziu o cenho e se aproximou mais uma vez de mim que senti meu coração bater mais forte em meu peito enquanto ele inclinou o rosto e me beijou.

Na hora eu não pensei em como reagir àquilo, minha mente gritava alto o bastante para que qualquer um escutasse que aquilo era errado.

Hotchner era meu chefe, trabalhávamos juntos. E também não muito longe dali estava seu filho, adormecido dentro de seu carro.

Aquilo era... Errado em todos os sentidos.

Apenas reagi, deixando-me levar. Levantei meus braços e envolvi seu pescoço, passando uma das mãos em seus ombros e outra em seus cabelos curtos e lisos.

Aaron também se moveu, seguido do passo que fiz ao esticar mais minhas pernas para ficar um pouco mais alta.

Sua mão subiu por toda a região das minhas costas, passando por meu braço e ombro parando finalmente em meu pescoço, seus dedos se enroscando em meu cabelo. Ele segurando-me pela nuca.

Ele então avançou mais um único passo para frente e dessa vez me levando junto com ele, excluindo agora qualquer distância que poderia haver entre nós e colocando-me com as minhas costas grudadas na parede da casa.

Ainda estávamos a nos beijar e mesmo que minha mente estivesse num tipo de procura incessante para encontrar qualquer argumento que me fizesse parar imediatamente com aquilo, uma grande parte de mim simplesmente não queria parar. Nao tão cedo assim.

Fazia apenas o que meu corpo mandava, respondendo as ações de Aaron conforme ele ditava os passos.

Não!

Ouvi minha mente praticamente gritar comigo fazendo-me parar o beijo, minhas mãos o soltaram de imediato. E nossos olhares se encontraram outra vez, ambos calados e ofegantes, sem ter qualquer resposta para ser dita.

Nossos olhares já diziam tudo, nenhum de nós sabia o que dizer ou o que fazer.

Foi automático, ao mesmo passo que ele se afastou eu fiz o mesmo recuando até a porta, ficando dentro da minha casa enquanto ele do lado de fora.

Encaramo-nos mais uma vez, Hotchner voltou com a expressão séria e tão difícil de se ler e eu, surpresa demais para conseguir abrir a boca e dizer algo sobre o que aconteceu.

Não sei o que deu em mim, na minha cabeça aquilo poderia parecer uma grande estupidez, mas foi a única forma que encontrei de quebrar de uma vez aquele contato.

Dei as costas para ele, fechando a porta na sua cara. Eu o beijei. Não, não, não. Ele me beijou e eu apenas retribui. Reagi. Mesmo sabendo que não era o certo, deveria ter parado aquilo.

Mas não parei, nem mesmo me sentir arrependida do que fiz. Fechei meus olhos com força, escorregando minhas costas pela porta até que parei sentada no chão, respirava fundo de forma frenética tentando me recompor. Tentando.

— O que foi aquilo? — Perguntei a mim mesma ainda com meu coração batendo forte e acelerado demais.

Notas finais
~E podem soltar os rojões porque finalmente aconteceu beijo Hotlia (que nome de ship maravilhoso, créditos a Debby essa maravilhosa )