Stronger feelings

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá, como prometido voltei com a postagem dupla dessa semana porque vocês minhas queridas leitoras estão merecendo e muito. Obrigada a todas que estão comentando e fazendo com que Stronger feelings esteja crescendo. Obrigada mesmo meninas ♥♥ Um agradecimento super especial para a minha querida leitora Debby Winchester que está sempre aparecendo e deixando seu carinho mega especial nos comentários. Boa Leitura!

Enquanto o restante da equipe ainda se encontrava fora, Spencer e eu juntávamos as peças do complicado quebra cabeça que aquele caso era. Apesar de conhecer e saber muito bem diversos detalhes sobre o homem que fazia aquela monstruosidade com as mulheres, o que tínhamos não parecia ser o bastante.

Apertei o play pela terceira vez seguida deixando que a mensagem encontrada no gravador tocasse novamente. Não sabia ao certo o que estava procurando nela, nem mesmo entendia o motivo de eu estar a ouvindo tantas vezes, reparei que Spencer vez e outra me olhava, ele não fez nenhuma pergunta que estivesse relacionada ao meu envolvimento com o caso e que também tivesse algo a ver com o assassino.

Só ousou tocar nesse assunto quando viu que seria necessário e não passou de uma única pergunta. Era possível notar a grande curiosidade estampada em seu olhar, mas ele pareceu se controlar e em momento algum tocou naquele assunto. Não que aquilo fosse me incomodar, já que todo mundo sabia sobre meu envolvimento.

Voltei a prestar atenção na gravação, a voz do homem cujo nome ainda era desconhecido soava de forma ameaçadora. As frases que estavam sendo ditas no momento não combinavam nem um pouco com o tom, ele só queria me provocar e eu sabia muito bem disso.

Era desconfortável saber que ele fez questão de aprender a falar em português, ele queria que somente eu recebesse e ouvisse a mensagem que ele queria passar e estava conseguindo aquilo.

Pausei a gravação e tentei voltar um pouco, não foi muito fácil, pois aquele aparelho era um pouco velho, mas acabei obtendo sucesso naquilo. A frase que me chamou a atenção estava sendo dita novamente e dessa vez passei a prestar mais atenção nela, deixei o restante dela tocar.

— Ele sabe da UAC. — Falei olhando diretamente para Spencer e Garcia que me olharam espantados. — Ele não só sabe sobre vocês como também sabe da outra equipe da qual fiz parte antes de vir para cá.

— Oh meu Deus! — Exclamou Penélope levando a mão até sua boca a cobrindo.

— O que ele disse? — Perguntou Reid ainda me fitando, sua expressão sofreu uma pequena mudança. Ele parecia pensativo.

— “A nova equipe parede menor que a anterior, também estão se tratando como uma grande família feliz e sem segredos, Julia?” — Respondi dizendo as palavras exatas que foram ditas por ele na gravação. — A gravação toda é toda direcionadas a mim, faz algumas ameaças, mas quando ele cita vocês e a outra equipe e então elas param.

Ele franziu o cenho.

— Pode colocar a gravação desde o início e ir traduzindo para mim tudo o que ele está falando, Julia? — O rapaz pediu com gentileza. Assenti lentamente e deixei que a gravação se encerrasse e então, pela quarta vez apertei o botão que indicava ser o play e novamente a mensagem estava sendo dita.

Olhei para Reid e o vi com uma caneta e papel em mãos, já sabia o que ele iria fazer.

Está ficando nervosa com tudo isso Julia? Aposto que sim, deve estar sendo muito difícil para você ter que reviver tudo isso outra vez não é? Aposto que está pensando em mim nesse exato momento. — Fiz a pausa assim que ele também parou de falar. — Eu sei que você é bem espertinha e vai acabar conseguindo me encontrar e quando isso acontecer… Farei questão de matar você como eu deveria ter feito há anos!

Spencer anotava tudo enquanto eu continuava a tradução para ele. Sentindo-me desconfortável com as próximas palavras que viriam.

Acho que vir para Virgínia fez bem a você, está ainda mais bonita que antes… Parede que até mais magra também. Sabe que eu sempre gostei daquelas que eram mais bonitas sabe disso, não sabe? — Me movi na cadeira, até mesmo Garcia me olhou, fazendo uma careta ao me ouvir dizer aquilo e soltou um “homem nojento” enquanto eu ditava para Spencer. — É claro que sabe, eu sempre deixei que você soubesse disso… Da forte ligação que você tem comigo. Mas isso não irá me impedir de matá-la, afinal, eu estou esperando por isso faz muito tempo.

Suspirei.

A nova equipe parede menor que a anterior, também estão se tratando como uma grande família feliz e sem segredos, Julia? — Outra pausa. — Estou ansioso para encontrá-la de novo, espero que esteja usando o mesmo perfume de antes… Aquele que o frasco parede com uma flor e com aquele cheiro forte é maravilhoso de rosas. Ele é importando não é? — Ao dizer aquilo foi como se estivesse ouvindo pela primeira vez, não havia reparado que dizia aquilo durante a gravação e fiquei tão surpresa que acabei me perdendo um pouco do restante da gravação.

Eu irei te matar, minha querida! Farei de um jeito bem especial, até porque você merece algo especial, não concorda? — Meu corpo se tencionou com a ameaça. Por sorte Reid já parecia satisfeito com o que tinha e pediu para que eu desligasse o áudio.

— É estranho a forma como ao mesmo tempo que ele parece ser um tanto narcisista ele também se mostra às vezes interessado demais em você. — Ele me olhou rapidamente, voltando sua atenção para o papel. — Quando ele fala que vocês possuem uma ligação… Acho que ele possa ter desenvolvido um tipo de feição por você, Julia.

Garcia estremeceu na cadeira.

— E apesar dele ter ameaçado te matar várias vezes, parece que ele não quer fazer isso — Ele voltou a me olhar, parecia confuso assim como eu. — Quando está falando sobre você e até mesmo sobre ele seu tom é firme e decidi, porém quando se trata das ameaças…

Sacudi a cabeça.

— Ele gosta de atenção e de estar no controle. — Sacudi meus ombros, falando um pouco sobre o perfil dele.— Ele ser um narcisista não faz parte do seu perfil.

Penélope bufou.

— Mas isso não ajuda muito, já vimos e sabemos que ele é muito esperto, não quero ser pessimista nem nada, mas não acho que o perfil dele irá nos ajudar a encontrá-lo. — Ela olhou na minha direção.

Bati a porta do dedo na superfície plana da mesa, concordando com ela, no momento precisávamos de muito mais do que apenas o seu perfil.

— Esperem! Eu acho que vamos avançar mais nessa investigação. — Disse erguendo meu rosto para poder fitá-lo. Spencer me olhou, seus olhos mostrando um pouco de dúvida. — Eu vi ele! Quando ele esteve na minha casa há um mês, eu o vi!

Levantei-me de uma vez da cadeira batendo as mãos sobre a mesa ainda olhando para o rapaz, Reid imediatamente pegou uma folha qualquer e uma caneta, não tínhamos muito tempo a perder.

Ele me entregou a folha, antes que eu pudesse começar Garcia recebeu uma ligação, provavelmente era de alguém da equipe querendo falar com ela, a loira atendeu e pela forma como estava falando com a pessoa do outro lado da linha, se tratava de Morgan.

— Sim ela está aqui sim, chuchu, quer falar com ela? — Perguntou. — Ok, está no viva voz agora, meu amor.

Julia. — Ouvi a voz de Morgan me chamar. — Julia estamos no endereço de Sawyer Austen é preciso saber se você possui alguma câmera de segurança na sua casa?

Estranhei aquela pergunta.

— Não, só alarme, telefone fixo e uma cerca elétrica que… O Saywer instalou. — Respondi me aproximando do aparelho para ouvi-lo melhor e ao mesmo tempo temendo pelo que viria como resposta. Havia me esquecido completamente de que ele esteve na minha casa para instalar um sistema de segurança. — Por quê?

A resposta demorou a chegar e aquilo me preocupou ainda mais, olhei para Reid e depois para Garcia temendo pela resposta que viria de Derek. Aquele dia já estava sendo cheio de surpresas desagradáveis e eu não queria mais nenhuma.

Minhas mãos começaram a suar e sem perceber já estava ficando ansiosa com o que Morgan diria.

Penélope meu amor, faça o que sabe fazer de melhor — Morgan retornou, mas sem responder a minha pergunta. Estava bem mais preocupada que antes.

Garcia estalou os dedos e então começou a entrar em ação, parecia concentrada no que estava fazendo enquanto Morgan continuava do outro lado da linha apenas esperando, podia ouvir mais vozes no fundo, estavam conversando sobre algo, porém era impossível conseguir ouvi-las com muita clareza.

— Prontinho. — Ela terminou e então seus olhos se arregalaram, sua expressão mudou de repente e agora ela olhava para a tela de seu computador com uma preocupação nunca vista antes. Spencer e eu nos aproximamos, ficando atrás da cadeira onde estava sentada e também olhamos para o conteúdo na tela.

Aproximei-me um pouco mais, a tela mudou e então pude ver um dos cômodos da minha casa, a sala. Doug estava deitado no chão, em cima de um tapete pequeno que tinha próximo da minha porta, vez e outra ele se levantava, andava pela casa e depois retornava para o mesmo lugar.

A cena mudou novamente e veio outra gravação, agora pude ver eu mesma ali, saindo de casa para ir até a unidade. Outra cena apareceu, também comigo nela e o mesmo foi se repetindo até que Garcia mudou de tela, provavelmente não querendo que eu continuasse a ver aquilo.

— Foi ele. — Falei alto o bastante para que Morgan também me escutasse pelo telefone. — Sawyer veio instalar o sistema de segurança na minha casa, — Ao falar comecei a me recordar daquele dia, lembro-me de ter olhado bem para ele e não tê-lo reconhecido naquele dia. — O nome da empresa era… TES!

— Já estou procurando pelo endereço — Garcia se pronunciou. — Ok, estou mandando ele para vocês.

Morgan desligou e me afastei, sentando-me no mesmo lugar de antes. Olhei para a folha onde pouquíssimos traços já se faziam presentes nela, tentei continuar o retrato, mas antes mesmo que eu pudesse pegar a caneta não senti vontade alguma de fazer aquilo.

Minha cabeça estava cheia demais naquele momento, havia muito na minha mente fazendo com que meus pensamentos ficassem bagunçados; como conseguiria manter-me focada quando acabo de descobrir que aquele desgraçado esteve me vigiando em casa por quase todo um mês inteiro?

A mensagem que ele havia deixado na casa também continuava em minha mente, cada palavra e cada ameaça feita por ele. Escutava sua voz como se ela estivesse dentro da minha mente e continuava sendo repetida várias e várias vezes. Me atormentando.

— Julia? — Garcia me chamou, ergui meu rosto na sua direção a encarando, ela parecia preocupada comigo, mas não havia necessidade para tal. Eu estava bem, ou pelo menos estava melhor do que imaginei que estaria diante de tudo o que estava acontecendo.

Apesar de saber sobre a câmera na minha casa não fiquei assim tão alterada, claro que teria de tirá-la de lá e me assustava pensar que eu sequer reparei naquilo durante esse mês todo que se passou.

— Eu estou bem. — Garanti a ela mostrando um sorriso curto voltando meu olhar para Spencer. — Vamos continuar? Preciso me manter ocupada com alguma coisa.

Disse aquilo para mim mesma também, com minha cabeça tão cheia como estava e meus pensamentos a mim do jeito que estavam, eu precisava mesmo me convencer de que estava realmente bem.

•••

O restante da equipe retornou para a unidade depois de quase quarenta minutos fora e pela expressão em seus rostos, não haviam conseguido muita coisa com as informações que tinham.

Por sorte Reid havia conseguido me convencer a continuar com o retrato falado e pelo menos assim, teríamos uma chance maior de conseguir localizá-lo.

— Jeffrey Austen não sabe de nada disso que está acontecendo. — Morgan falou entrando na sala. — Nem sobre as mortes ou com a perseguição.

David entrou logo em seguida seguido pelos outros.

— E ninguém chamado Sawyer trabalha naquela empresa que mencionou Julia. — Rossi nos informou enquanto puxava uma cadeira para sentar-se. — Falamos com o verdadeiro técnico que deveria fazer a instalação na sua casa, ele disse que estava no caminho quando um homem o abordou e o prendeu no porta malas do veículo, por sorte ele ainda se lembrava dele e conseguiu nos passar alguns detalhes a mais sobre ele.

— Julia também o viu e fizemos o retrato falado dele — Spencer mostrou a folha com o rosto dele desenhado para Rossi que passou para o restante da equipe que havia chegado. — Garcia está procurando por alguém que se encaixe no desenho.

— Estou achando tudo isso está muito estranho. — Hotchner comentou olhando fixamente para a folha que tinha em mãos. — Ele se mostrou até agora ser um homem incrivelmente esperto e bastante organizado, não acho que ele deixaria que Julia e o técnico visse seu rosto, está fácil demais.

— Talvez ele tenha se descuidado. — JJ comentou sentando-se também. — Todos cometem erros, até mesmo alguém tão esperto como ele. O agente mais velho balançou a cabeça de um lado para o outro com lentidão.

Ele parecia ter algo em mente.

— Não — Respondeu, parecia agora pensativo. — Ele a está vigiando por todos esses anos, tomou o máximo de cuidado para que ela não soubesse ou sequer desconfiasse disso. Usou o nome de um cara morto sem ligação alguma coisa ele ou sua família. Não acho que ele tenha deixado que duas pessoas — dentre elas o seu principal alvo — o veja assim.

— O que quer dizer com isso Hotch? — Perguntou Rossi o fitando.

— Ele se tem mostrado um homem que gosta de estar no controle de tudo, é organizado demais… Quase um stalker. — Falou encarando o amigo de volta. — Não acho que alguém assim deixaria que duas pessoas o visse assim, não se ele não tivesse um propósito com isso.

Todos ficaram pensativos. Arqueei uma sobrancelha ao ouvir Hotchner mencionar quase tudo o que havia dito quando mencionei o perfil que montei sobre ele.

— Ele não escondeu o rosto quando veio até a minha casa, deixou que eu o olhasse bem, mas não o reconheci — Comecei, apesar de ainda me sentir estranha por compartilhar aqueles detalhes com os outros agentes, fazia aquilo de bom grado. — Deve ser por isso que ele não se preocupou em esconder o rosto de mim ou do técnico, eu não o reconheci… Talvez a pessoa que entrou na minha casa não seja ele…

Peguei o desenho que fiz dele minutos atrás e fiquei olhando-o, dessa vez com mais calma e até mesmo um pouco mais de tranquilidade também. Tentei me recordar do homem que havia visto durante a merecida cognitiva, tive sorte por ter essa lembrança ainda fresca na minha cabeça e ao ver a imagem dele praticamente se formar com facilidade na minha mente encarei o desenho tentando comparar os dois.

— Já temos o desenho do técnico? — Perguntei encarando os outros agentes.

— Por enquanto só detalhes da sua aparência, por que? — Olhei na direção de Aaron quando ele perguntou aquilo.

— Eu e ele o vimos, quero comparar o desenho com o que ele disse para ver se são a mesma pessoa que vimos. — Respondi ainda o olhando. — Sei que pode parecer loucura pensar assim, mas como você mesmo disse, ele não deixaria que o víssemos assim, não sem um propósito.

Morgan entregou a caderneta para mim, já na página onde continua os detalhes passados pelo técnico sobre a aparência do homem. Comecei a ler e já comparando com o desenho, era pouca coisa que ele havia dito, mas foi o suficiente para que não houvesse nenhuma semelhança entre o desenho e o que foi dito por ele.

— Não batem, nenhum deles. — Falei colocando a caderneta e a folha sobre a mesa. Notando que o homem que havia me sequestrado há quinze anos não era o mesmo que havia ido até a minha casa.

Percebi que não havia ficado assim tão surpresa com aquilo, talvez uma parte de mim já estivesse esperando por uma notícia ruim.

— Então são dois suspeitos? — Reid também se pronunciou com duvida. — Ele sendo um homem tão bem organizado e preciso não parece precisar de alguém como parceiro.

— Na verdade três. — O corrigi. — O que sequestrou as mulheres, o falso técnico que veio na minha casa e o homem que foi visto pelo técnico da TES.

Vi quando Morgan soltou um longo suspiro mostrando não ter gostado nem um pouco daquilo.

— Ele pode estar querendo nos confundir — JJ observou. — E fazendo isso pode nos fazer procurar pela pessoa errada, atrasando a investigação.

Suspirei cansada, aquele caso estava ficando ainda mais complicado do que esperava.

— Pessoal encontrei alguém que bate com a descrição dada por Julia, Albert Platten, homem branco, 42 anos e divorciado. — Garcia começou a passar as informações sobre ele. — Ele é formado em eletrônica, mas não seguiu carreira nisso e está desempregado já tem um bom tempo e… Oh isso não é nada bom.

— O que foi Garcia? — Hotchner perguntou se aproximando da mulher. Ela passou a língua pelos lábios fazendo uma careta, nos alertando que a noticia que viria não seria nem um pouco boa.

— Ele foi encontrado morto já tem duas semanas — Respondeu num tom que nos mostrava certo desapontamento. — Aqui diz que ele levou um único tiro na cabeça que acabou o matando na hora.

Levei as duas mãos para meu rosto a fim de cobri-lo para que ninguém visse que eu estava rindo, não por achar graça, mas ver que ele estava na nossa frente. Ele era realmente esperto e ter que admitir isso foi difícil.

— Essa é a foto dele. — Penélope apontou para o telão e então a foto de Albert Platten apareceu. E lá estava ele, o mesmo homem que havia entrado na minha casa no mês passado, era por isso que não o reconheci.

— Não é quem estamos procurando. — Falei em voz alta, olhando bem para a foto que era exibida. — Foi ele quem foi na minha casa, mas não é o mesmo de quinze anos atrás.

— Então nós estamos de volta à estaca zero? Não temos uma identificarão correta dele… Não temos mais nada sobre ele então? — Morgan perguntou mostrando um pouco de impaciência em sua voz

— Espere um segundo. — Spencer se pronunciou novamente, girando a cadeira para que ela ficasse virada na minha direção. — Na gravação deixada na casa para Julia ele falou sobre o perfume que ela usa, “Estou ansioso para encontrá-la de novo, espero que esteja usando o mesmo perfume de antes… Aquele que o frasco parede com uma flor e com aquele cheiro forte é maravilhoso de rosas. Ele é importando não é?”.

Olhei para o rapaz inteligente sendo pega de surpresa com aquilo.

— Se ele sabe exatamente sobre o perfume que usa, como o frasco é e até mesmo o cheio dele, não quero assustá-lá, mas acho que ele tem feito bem mais do que apenas te observado através de uma câmera e fotos tiradas. — Reid manteve seu olhar fixo no meu.

— Ele também disse que está ansioso para te encontrar de novo, — Rossi também me olhou. — Em algum momento ele a viu, talvez até mais que uma vez.

— E ele deve ter entrado na minha casa também — Falei dando de ombros. — Eu guardo esse perfume no meu guarda roupa, dentro da caixa dele para ser mais exata. A câmera instalada pega apenas a sala, não teria como ele saber disso sem ter entrado.

Foi estranho reparar que minha voz não pareceu sair alterada conforme eu ia dizendo aquilo. Claro que estava preocupada por saber que ele pode ter feito muito mais do que apenas me observado por fotos e vídeo, mas acho que aquele monte de notícia ruim já não me abalavam mais tanto assim.

— Acho que já sabemos qual passo dar agora. — Derek comentou, novamente impaciente com aquele caso.

— Vamos. — Hotchner anunciou ao mesmo momento que a equipe se levantou para se preparar e sair dali, não sai do meu lugar, não sabia que ele iria deixar que eu participasse daquilo também e Spencer pareceu pensar da mesma maneira. — Vocês dois também.

•••

Dois agentes haviam entrado na minha casa antes e logo liberaram caminho para que pudéssemos entrar. Passei pela sala vendo-os procurar pela câmera escondida que havia sido instalada na minha sala e enquanto isso, continuei seguindo.

Doug já havia sido tirado de dentro e estava com outro agente que ficou cuidando dele enquanto estivéssemos ali dentro.

Me senti estranha ao entrar na minha casa, saber que aquele cretino poderia ter estado ali me assustava e isso crescia conforme eu tentava imaginar como ele conseguiu ter acesso a ela. Morgan estava bem na minha frente e então parou, pedindo para que eu fizesse o mesmo.

— O que é isso no chão? — Ele perguntou apontando para uma trilha de bolinhas escuras pelo chão. Me agachei pegando uma na mão.

— É a ração do Doug. — Respondi acompanhando com os olhos o restante da trilha e vendo que ela ia até meu quarto.

Seguimos a trilha até pararmos na frente da porta fechada do meu quarto, pedindo a minha permissão para entrar Morgan a abriu com lentidão, adentrando no cômodo logo em seguida.

A luz estava acesa e a trilha continuava, passando por minha cama e indo até meu guarda roupa, no chão havia dois porta retratos caídos. Um deles com uma foto minha de quando me formei em psicologia e outra que estava com meus pais. Ambas as fotos estavam riscadas, apenas uma delas — a que estava na minha formatura — se encontrava limpa.

— Ele entrou aqui. — Falei pegando os dois porta retratos do chão e olhando para Morgan. — Essas duas fotos não ficam aqui e sim em um álbum que eu guardo.

Derek suspirou.

— Ele está ficando ousado demais, — Comentou se dirigindo até meu guarda roupa onde a trilha de ração de cachorro terminava. As duas portas estavam fechadas. — Posso?

Assenti lhe dando permissão para abrir meu guarda roupa e de uma só vez ele abriu as duas portas.

Minhas roupas estavam cobertas por um plástico transparente, foram arrumadas de forma a deixar um grande espaço ali dentro. Me aproximei vendo o que ele havia feito ali dentro, havia uma foto minha impressa ali e colada na parede do móvel.

Reconheci aquela foto, não sabia exatamente quando ela havia adoro tirada, mas ela era recente, pois me recordava perfeitamente da roupa que estava usando. A foto era de três dias atrás.

Havia também um bilhete grudado perto da foto, Morgan o pegou e logo o abriu, porém me entregou ao ver que estava escrito em português.

— “Está esquentando.” — Li o recado em voz alta olhando para o homem ao meu lado. — “Sei que pode fazer melhor do que isso, agora pense como eu querida. Quer me encontrar não quer? Então procure pelo algo a mais. É uma mulher inteligente, vai conseguir fazer isso rapidinho.

Morgan girou pelos calcanhares olhando ao redor, o quarto estava exatamente do mesmo jeito que havia o deixado quando sai para ir trabalhar. Tudo arrumado e intacto. Não havia nada a mais ali dentro, pelo menos não no quarto.

Saímos dali e então seguimos para a cozinha onde o restante da equipe já se encontrava, o rastro de ração também estava ali e fazia uma trilha curta até o armário maior. Fui até ele e o abri, me arrependendo de ter feito isso logo em seguida.

Havia outra foto minha ali, diferente da que estava no meu quarto. A puxei dali rasgando uma parte dela e vi que havia alguma coisa escrita em seu verso.

— O que está escrito? — JJ perguntou olhando para a foto em minhas mãos, as palavras escritas ali também estavam em português.

— “Nem chegou perto. Ande, faça melhor que isso, meu bem.” — Li, virando o papel da foto para olhar a fotografia. Aquela era focada apenas no meu rosto.

Olhei a minha volta, procurando por algo do qual eu mesma não sabia o que era. Estava já ficando cansada de tudo aquilo, irritada.

— Ele está brincando com a gente, — Rossi olhou diretamente na minha direção. Eu sabia que ele estava dizendo aquilo especialmente para mim porque ele provavelmente percebeu como fiquei irritada com tudo aquilo. — Quer nos deixar irritados.

Bufei já sem paciência.

— E ele está conseguindo isso. — Falei irritada, saindo da cozinha e caminhei até a porta da frente da minha casa.

Não haviam muito agentes do lado de fora, contei apenas sete fora os que estavam dentro da minha casa. De longe vi Doug com um agente, ele conversava com um outro homem que parecia ser alguns anos mais velho que ele. Provavelmente comentavam sobre aquele caso.

O labrador olhava na minha direção, latiu uma única vez quando dei mais um passo para frente pisando no curto caminho de cimento. Ouvi passos vindo detrás de mim e olhei de esgueira para ver quem era, fitando-me com o mesmo olhar sério de sempre Hotchner vinha na minha direção, parecia pronto para falar alguma coisa quando meu celular tocou.

O tirei do bolso o atendendo com rapidez.

— Barbosa. — Falei num tom profissional já que de acordo com a identificação a ligação vinha de algum escritório da UAC.

Você sabe que eu dispenso formalidades, Julia. Estou um pouco decepcionado, você não encontrou o verdadeiro presente que deixei para você, isso é realmente muito triste. — Arregalei meus olhos ao ouvi-lo, era ele do outro lado da linha. — Posso te confessar algo? Você fica… Como vocês brasileiros costumam falar mesmo? Ah, um pedaço de mau caminho usando esse colete do FBI. Sabe que o azul sempre combinou perfeitamente com você não sabe?

Assim que ele disse aquilo olhei para os lados, se ele sabia como eu estava vestida então ele estava por perto e me observava. Voltei na direção de Hotchner apontando com a mão livre para o celular e de um jeito simples e rápido pedi para que ele ligasse para Garcia para que ela pudesse rastrear a ligação.

O homem com você é o agente Aaron Hotchner não é? — Ele perguntou do outro lado da linha, parecia mesmo curioso.

— O que você quer com ele? — Perguntei de volta, ainda fitando o agente mais velho. Pude ouvir uma risada curta e breve.

Com ele? Eu não quero nada com ele, você é mais o meu tipo, Julia. Sempre foi. — Torci meus lábios ao escutá-lo, seu tom era carregado de malícia e aquilo me deixou incomodada.

Hotchner fez um gesto para que eu continuasse conversando com ele, provavelmente já estava com Garcia na linha.

Por que não solta o cabelo Julia? Poderia também voltar com a franja, aquela que costumava usar quando tinha onze anos… — Ele praticamente sussurrou aquilo de uma forma mais nojenta e pervertida. Sabia o que ele estava fazendo, ele queria me provocar e não iria conseguir aquilo. — Você ficava uma graça daquele jeito.

— Cala essa boca! — Gruni com raiva, dando as costas para Aaron e novamente procurando por ele.

Estou ainda mais ansioso para te ver novamente minha querida, quero poder sentir o seu perfume antes de matá-la. — Ele disse aquelas palavras em português, causando-me um longo arrepio desconfortável na espinha.

Ao dizer isso ele desligou. Fiquei alguns segundos tentando digerir e esquecer de uma vez tudo o que ele havia me dito.

— Garcia conseguiu dois endereços ao rastrear a ligação — Aaron tirou-me de meus pensamentos fazendo com que eu voltasse a olhar para ele.

— Vou falar com os outros sobre isso. — Ele disse quase se afastando, mas logo o interrompi.

— Eu quero ir junto. — Pedi, não deixando que ele saísse dali tão rápido assim. Apesar de já ter pedido aquilo queria apenas me certificar de que ele não iria me deixar de fora como havia feito mais cedo. — Eu sei que não vai querer concordar com isso, mas eu lhe garanto que não vou me deixar levar pela emoção e se isso acontecer pode fazer o que lhe vier na mente. Só não me deixe de fora, por favor.

Aaron apenas mirou seus olhos nos meus, encarando-me de forma pouco pensativa. Era possível ver que ele parecia já ter tomado uma decisão bem antes do meu pedido, mas acho que não custava nada pedir. Se um daqueles endereços nos levasse para onde aquele cretino estava, eu queria estar por perto para vê-lo sendo preso.

— Fará exatamente o que eu disser para fazer e nada mais. — Ele cedeu. — Entendeu? — Balancei minha cabeça de forma positiva. — Sim senhor.

Notas finais
Será que agora vai? Eles vão conseguir pegar ele? Beijos e até os comentário!