Queridos pais

Após o "acidente" seguimos de mãos dadas para escola. O que era incrível, eu adorava ir para a escola, gostava de estudar, e todo aquele tempo que estive no hospital perdi muitos trabalhos e deveres, mas graças aos Deuses Percy me passou tudo. Mas no final eu o ajudei com tudo já que ele dedicara todo seu tempo pra mim.

Hoje seria um grande desafio, como sempre encarar certas pessoas que me atormentam, por eu não ser igual a elas, e bom, por namorar o Percy. Entendam, desde que começamos a nos beijar nos intervalos e andar de mãos dadas sempre as garotas começaram a reparar em nós. Repararam em como ele é bonito, forte, esguio, enfim, tudo. Então começaram a ter inveja por que pelo menos eu tenho uma certa felicidade, ou seja, começaram a colocar defeitos em mim onde não tem.

–Relaxa, eu não gosto de nenhuma delas — ele me conforta — Só de você.

–Tá, mas, elas estão sempre querendo dar uma voadora na minha cara desde que começamos a namorar. Eu não quero que elas me machuquem — disse e olhei para baixo envergonhada por ter medo de uma coisa tão boba.

–Ah, minha Sabidinha — ele disse manhoso e me abraçando — não precisa ter medo, você sabe que isso é sé inveja, não sabe? Quer dizer, essas pessoas nunca repararam em nós, e agora que somos felizes eles reparam. Não entende amor, eles não gostam que tenhamos felicidade, eles só se sentem melhores fazendo as outras pessoas se sentirem piores.

Eu assenti e fingi que entendi, mas a verdade era que eu não sabia por que tinham que fazer pessoas se sentirem mal para se sentirem bem.

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Chegamos na escola, e por mais incrível que pareça, chegamos bem cedo, e como sempre Rachel e sua "legião" estavam sentados no banco onde sentavam todos os dias, e ninguém que não fosse igual a eles poderiam sentar ali.

–E aí nerd!? — perguntou uma das seguidoras da Rachel, acho que se chamava Drew, mas isso não me interessava. Eu só queria sair dali.

Continuei andando de mãos dadas com Percy, eu não queria confusão com aquele pessoal.

–Ei, dona do brecho!!! — gritou alguém que adivinhei ser um tal de Jason Grace — Olha gente, a órfã pobre tá de namoradinho novo. Deve ser pra pagar as contas delas!!! — todos riram

Percy ficou vermelho, nunca o vira com tanta raiva. Antes de eu ir confortá-lo e falar que estava tudo bem ele pulou em cima de Jason e foi lhe dando vários murros em seu rosto que em poucos segundos já estava sangrando.

–SEU DESGRAÇADO, QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FALAR ASSIM COM ELA ? EM ? NÃO VAI RESPONDER SEU VAGABUNDO!!!! — ele continua dando murros nele -ACHA MESMO QUE É MELHOR QUE ALGUÉM? POIS NÃO. NÃO É -ele teria continuado se Jason não estivesse quase morto de tantos murros.

–Percy.... — eu sussurrei contendo as lágrimas.

Ele saiu de cima do garoto com a cara vermelha de tanto sangue, Percy pegou minha mão e chutou Jason mais uma vez, ele deu um gemido e continuou deitado no chão.

–Nunca mais fale com ela — ele estava quase espumando de raiva — VOCÊ OUVIU ?- Percy o chotou mais uma vez e o garoto que antes branco agora estava vermelho assentiu.

Eu ainda estava assustada com tudo aquilo, ainda tentava processar o que tinha acontecido, se Percy não tivesse me puxado para o jardim da escola, que era onde ficávamos todos os dias, eu teria ficado olhando para o garoto deitado no chão.

–O-o que foi isso? Está maluco? Você vai ser expulso seu bobão!! — esbravejei com ele

–Eu não podia deixar aquele idiota falar daquele jeito com você !!! Você merece respeito Annabeth, sabia disso ? — ele com certeza estava bravo. Eu só não sabia com quem ele estava.

–Eu sei Percy, mas eu aguentei isso por anos e nunca me importei sabe? Eles sempre me zoaram por eu ser pobre e não poder comprar roupas direito ou por que agora eu ser órfã, eu sei conviver com isso, e eu vou te falar a verdade, não é bom, claro que não mas eu sobrevivo com isso todos os dias e eu não dou a mínima.

Ele ficou calado olhando para os próprios pés, ainda tinha a expressão de raiva e ódio, mas também mantinha a expressão de vergonha.

Eu caminhei até ele e segurei seu rosto com minhas pequenas mãos que me cabiam em seu rosto. Levantei sua cabeça e o forcei a olhar para mim, encostei nossas testas e direcionei meu olhar para o dele.

–Eu não ligo — disse pausadamente — Entende? Eu tenho você, e se eu quisesse acabar com eles eu acabaria. Certo?

–Certo — ele falou um pouco mais seguro — Mas se aquele otário tocar em você ou falar qualquer coisa que te deixe triste eu juro que enterro ele vivo ou morto, você pode escolher

–Hahahaha, não brinque com isso, mas sério Percy, não precisa bancar o herói pra mim, você já é e não precisa provar tudo bem?

–Tudo bem.

Agora estava tudo bem.

Com amor , Annabeth