Stronger
6 Remédios.
Notas iniciais
Sleep will not come to this tired body now
- In The Arms Of SleepArtemis sentou-se a frente de Apolo ao mesmo tempo em que jogava a terceira carteirinha sem muito valor de um dos caras que havia acabado de pegar.
O loiro mal ergueu os olhos do livro que lia, completamente absorto.
- Consegui. – disse Artemis, com um sorriso de canto, jogando os cabelos ruivos para trás. – Te falei que conseguiria.
- Hum... Já transou com três caras hoje?
Ignorou a pergunta dele.
- Você perguntou se eu conseguia pegar algum documento dos caras que fiquei. Aqui estão.
- Foi brincadeira, Artemis – e ele finalmente abaixou o livro. – Não era uma apostar.
Artemis deu de ombro.
- Você duvidou de mim, virou pessoal.
- E você resolveu dar pra três caras? Poxa, deve ter sido difícil.
- Difícil é falar com você, idiota. – e Artemis puxou uma pílula do pote que tinha no bolso, ignorando por completo o olhar de Apolo. – Dor de cabeça filha da puta.
- Só parar de usar drogas.
- Hey, você não tem um livro pra ler? Vai ler, vai!
E incrivelmente ele fez isso.
Mas agora ela não queria aquilo. Ela era realmente difícil de entender e talvez um piranha mesmo... E daí?... Seus olhos verdes encararam o rosto de Apolo, o álcool tornando tudo um pouco confuso e louco.
Mas ela sabia o que perguntar.
- Apolo...
- Hum...
- Você me acha mesmo uma vagabunda?
Na mesma hora os olhos azuis dele saíram da pagina que lia e encarou os seus verdes que ela sabia que mostravam um pouco da mágoa. E que ela também sabia que era tudo do álcool por estar sendo tão fraca.
Ficaram assim, se encarando, sabe-se lá por quanto tempo, até que ele suspirou e fechou o livro, colocando-o sobre a mesa.
- Artemis o fato de...
Mas antes que ele pudesse terminar de falar, o vidro se espatifou e então se encontrava no chão com Apolo sobre seu corpo, tornando-se seu escudo enquanto as paredes pipocavam com balas e mais balas.
- Apolo...
Mas ele estava em outra sintonia, puxando a arma e testando pente.
- Apolo...
- Artemis, fica quieta ai.
- O que é isso?
- Sem entrar em pânico agora. FICA DEITADA.
E ela o viu se erguer até janela, tomando o máximo de cuidado, para olhar por cima do vidro quebrado e atirar.
Se Artemis sabia em que merda de seriado ela estava, ela não fazia a mínima idéia. Mas um tiroteio no meio do velho oeste era a ultima coisa da qual precisava naquele instante.
- VOCE POR ACASO É DA MÁFIA, PRINCIPE?
Ele riu, mesmo que estivesse colocando a arma pra fora da janela.
-NÃO QUE EU SAIBA, MAS SEI QUE TO VALENDO PRA CARAMBA NO SETOR PETROLEIRO.
- QUEM MANDOU NASCER RICO, PORRA?
- ELES TAMBEM VÃO TE QUERER, QUERIDA!
E Artemis sabia que era verdade.
Ela valia ouro.
Então, assim como começara, tudo acabou e o silencio preencheu todo o local.
Artemis tinha certeza de que muitas pessoas deviam estar machucadas, de balas perdidas e por um momento tudo o que podia fazer era o que Apolo mandava, segurando sua pessoa pelo braço. Apolo apontava para todos os lados, tomando cuidado.
- Quem eram eles?
- Artemis, tem muita coisa que ainda deve aprender sobre o velho oeste, garota. E um deles é que mercenários vem para matar uma pessoa, mas que se divertem mandando bala no resto.
- Isso não me deixou nada feliz.
- Não é pra deixar mesmo, é pra ficar de olho. Anda, entra no carro... – e Artemis teve de aceitar ser praticamente jogada dentro do carro. Logo Apolo estava dando a partida. – Fica o mais abaixada possível.
- Isso tá parecendo filme policial.
- Triste é que aqui você morre de verdade, então fique quieta que eu preciso dirigir, ok?
Artemis calou-se a partir daí. Somente pode voltar a se sentar direito quando Apolo teve a certeza de que não estavam sendo seguidos ou que poderiam receber tiro de qualquer lugar.
E pela primeira vez, não precisou de remédios, simplesmente apagou no instante em que a adrenalina desceu e com todas as forças tentou não cair no sono, mas já era tarde demais.
[...]
Calor, conforto, macio.
Poseidon suspirou ante essas três percepções. Como era possível estar tão bom assim? Aproximou-se mais do daquele paraíso, o cheiro de morango adentrando deliciosamente seus pulmões e havia algo quase como seda perto de seus lábios.
Aquilo era... Maravilhoso.
Mas tudo que é bom dura pouco, certo?
E foi isso que Poseidon constatou, puxando sua arma que estava embaixo de sua almofada, ao primeiro toque na porta.
Apolo encontrava-se parado, um sorriso nos lábios, provavelmente não esperando que ele estivesse acompanhado e pouco ligando para a pistola apontada em sua direção.
E foi ai que Poseidon compreendeu o porque.
Atena, apenas enrolada na roupa de cama, encontrava-se encolhida ao seu lado, deitada sobre seu peito, completamente adormecida e tudo ele se lembrou da noite passada.
Os cabelos loiros e cacheados se enrolavam em seu braço esquerdo, uma perna dela sobre a sua e totalmente em paz.
Poseidon voltou seus olhos para Apolo e fez um sinal com a pistola para que o garoto fosse embora sem acordar a mulher ao seu lado.
Assim que esteve sozinho com ela mais uma vez, o moreno, com todo cuidado o possível, afastou-a, deitando-a de bruços e levantou-se para vestir sua calça jeans.
Deviam ser por volta das três da manhã, pelo modo como a lua batia em sua janela, mas ele não tinha certeza. A única certeza era a de que Apolo jamais o acordaria sem mais nem nos no meio da madrugada ou mesmo acompanhado.
Poseidon fechava o cinto do coldre no momento em que notou um par de olhos cinza lhe encarando.
E ele sabia que não devia assustá-la.
- Algo errado? — sussurrou ela com uma voz sonolenta, a jogar o cabelo pra o lado.
- Um contratempo no rancho, vou lá ver o que é.
- Hum... – ronronou, voltando a fechar os olhos – Volta pra cama depois.
Ouvindo essas ultimas palavras, que atacaram alguma coisa em Poseidon, ele saiu do quarto calçado e vestido, só para dar de cara com Apolo assim que fechou a porta atrás de si.
- Espero que tenha uma boa explicação para me tirar da cama essa hora, garoto.
O rosto do homem de olhos verdes se fechou.
- Mercenários fizeram bagunça pela cidade hoje, acho que estavam esperando que eu ou você estivéssemos por lá, só me surpreende que eles tenham descoberto sobre minha chegada.
Com o cenho franzido, Poseidon cruzou os braços.
- Cronos?
- Talvez, ou talvez Zeus, não reconheci quem atirava.
- E você tá inteiro, garoto?
- Sempre fui bom tiro, Poseidon, sabe disso. – revirou os olhos. – Acho que estão atrás do xerife dessa cidade.
Foi a vez de Poseidon faz cara de escárnio diante daquele apelidinho que eles deram para sua pessoa quando começou a cuidar do rancho e afastou todos os chamados coiotes, saqueadores de mais alta patente, botando medo neles.
- Não me surpreenderia, eles ficaram muito tempo quietos. O pior tipo de caçador é aquele se mantém calado, vamos fazer uma varredura mais tarde, atrás de algum indicio. Enquanto isso, mantenha nossos convidados bem acomodados, garoto. Não queremos pânico aqui, certo?
Apolo assentiu.
- Vai sair agora?
- Agora volta pra minha cama, de manhã vou a cidade, mas qualquer barulho, não hesite.
- Ok.
- Agora vai dormir.
Sabendo que o garoto sorria da sua frase, Poseidon voltou para o quarto escuro, a porta se fechando as suas costas, e olhou para a linda mulher deitada em sua cama.
Ela havia adormecido outra vez, um sono profundo.
Poseidon desejava muito deitar-se ali, aceitá-la em seus braços, mas reconhecia um erro quando cometia, e dormir com Atena havia sido um deles.
Como se não pudesse piorar, pessoas o caçavam enquanto sua casa estava cheia de visitas.
Poseidon deixou-se cair na única poltrona do cômodo, de frente a cama, e ficou a fitar os contornos daquele belo corpo. Como ele conseguiria dormir assim?
Aquela noite seria longa.
[...]
Apolo assistiu a garota se erguer, a bolsa sendo revirada com tudo, atrás de algo que ele não sabia o que era, o corpo dela suado, as mãos tremendo durante esse processo.
- O que você tá procurando? — perguntou ele, após alguns segundos, um pouco pasmo pela forma que ela acordara, completamente assustada, ainda que tudo que demonstrasse era uma falsa curiosidade.
Os olhos verdes com as pupilas muito dilatadas encararam seu rosto.
- Você viu um potinho azul? Ele parece de Yakult.
Apolo franziu o cenho, deitando o livro que lia sobre a mesa, uma vez que a ruiva encontrava-se na sala de estar, outrora esparramada no sofá em um sono calmo.
-Não, por que?
- Eu preciso dele... AGORA! – e ela saiu tremula, atrás do tal potinho. – Me ajuda, Apolo!
Ainda surpreso com aquele ataque por tão minúsculo potinho, Apolo começou a ajudar, revirando todos os cantos da casa junto dela, mas nada encontravam.
- Você deixou em algum lugar, garota?
- Seu carro... – ela o encarou. – Vê lá se caiu no seu carro, porra! Eu... Eu...
E, para a perplexidade de Apolo, a garota ruiva que já estava muito pálida, caiu de quatro no chão, a sua respiração se tornando um ruído estranho, entremeado por tosses.
- Artemis! – sem saber muito o que fazer, puxou-a para seus braços e a viu apertar a gola de sua blusa, o peito dela quase não subindo. – O que faço?
- Potinho...
Não perdendo tempo, principalmente ao notar como ela encontrava-se lutando para respirar, Apolo compreendeu o que teria que fazer.
Deitou o corpo dela no chão, correu para pegar as chaves e foi revirar o carro.
Voltava segundos depois, o tal pote que ela havia dito em suas mãos enquanto sua mente se perguntava se ela havia morrido. Parecia sombria aquela idéia, mas o que mais ele poderia pensar depois do modo que a deixou no chão?
Por algum milagre a garota estava acordada, quase sem ar, contudo, viva. E engoliu com avidez os dois comprimidos que Apolo deu como havia visto ela fazer outra vez.
Demorou, mais do que ele pensou que demoraria, pro efeito se fazer.
A garota ruiva quase se afogando em sua própria respiração, até tudo se normalizar e ele vê-la se encolher um pouco.
E algo que ele jamais pensou que pudesse sentir por aquela garota atirada, apareceu: Compaixão.
De um modo que ele jamais imaginara.
- Artemis... – sussurrou, a tocar de leve o cabelo da ruiva. – Você está bem?
Mas ela nada disse.
- Quer dormir?
Só ai ele percebeu que ela tremia, não por frio, ou por medo.
Ela estava... Chorando? Sim, aquilo só podiam ser lágrimas.
- Artemis?
- Vai embora – um pequeno soluço. – Sai daqui.
E mesmo conhecendo-a por poucos dias, sabia que aquilo ia diretamente ao orgulho dela vê-lo chorar.
- Só vou te colocar no sofá. – avisou antes de pegá-la devagar nos braços.
Assim que o fez, afagou mais uma vez o cabelo ruivo meio embaraçado e deixou-a sozinha na sala de estar, como ela havia pedido.
Mas enquanto se afastava, uma peça daquele quebra cabeça não era achada e ele ficou curioso em saber o que havia acontecido. Só precisaria de mais um tempo, mas descobriria, disso não havia dúvidas.
Notas finais
Beijinhos,
Nívea ;*
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