Stronger
21 Realidade.
Notas iniciais
And this old world is a new world
And a bold world
For me
Feeling Good
[...]
Artemis mal podia se conter de tanta felicidade.
Fazia nove meses, noves malditos meses que ela não via Atena. Aquilo era um crime absurdo e depois da ligação que recebera tudo havia ficado ainda pior.
Tremia de excitação, ficava andando de um lado para o outro e mesmo ler livros em voz alta não estava a ajudando.
Apolo foi o primeiro a notar seu estado, dois depois de ter falado Hades, do jeito que ficava pra lá e para cá, ou que tivesse ido escovar o cavalo mais de uma vez naquele dia.
E ela sabia que aquilo também o atrapalhava, assim como a Poseidon, ambos sentados na mesa da piscina, trabalhando e mexendo nos números que definitivamente estava levando aquele Rancho à falência.
Como isso era possível? Bem, Artemis sabia muito bem.
– Garota, se você andar mais uma vez pra lá, eu juro que te amarro nessa cadeira, te amordaço e não te deixo sair até acabar essa papelada aqui. – disse Apolo, os olhos azuis nervosos ao passar pela vigésima vez ao lado dele.
– Vai trabalhar, vai.
Poseidon ia dizer algo, mas antes que ele pudesse abrir a boca, a campanhia tocava e Artemis via os dois cowboys trocarem olhares confusos. Artemis sabia que eles jamais esperavam uma visita, mas dessa vez, não era visita para eles.
Era para ela.
Foi assim, dando um grito de pura felicidade, que a ruiva saiu correndo pela casa, como uma criança, e abriu a porta.
E o que a esperava lá fez seus olhos se encherem de lágrimas. Mesmo sua visitante sorriu em sua direção, daquele mesmo modo.
– Puta que pariu! Loooooira! – e a abraçou. Logo, a ruiva sentia que Atena também chorava boba como ela, as duas nos braços da outra. – Sua filha da puta louca que me deixou maluca! Voce está aqui!
– Art... Art... Voce está me sufocando, retardada.
Artemis soltou-a para encarar aqueles olhos cinza. Eles brilhavam de pura felicidade. E Artemis tinha certeza de que nunca havia a visto mais linda do que daquele modo. Mais viva.
– Caralho, como você conseguiu ficar mais gata?
– Eu que to querendo saber isso, você tá bronzeada! O que eles fizeram contigo, ruiva?
A ruiva só sorriu, completamente feliz.
– Fiz a maior merda da minha vida, Atena... Me fudi legal, mas quero falar disso depois, agora, cadê a coisa mais pequena do mundo?
E foi como dizer que o sol nascia naquele dia. O rosto de Atena se iluminou e chamando uma moça, ela pegou um embrulho pequeno nos braços.
– Como eu sabia que você ia pular em mim que nem uma cadela, eu pedi pra minha assistente segurá-lo... Artemis, conheça seu novo sobrinho, Perseu Danniels.
Sim, Artemis sabia que estava chorando, sua visão muito embaçada, ao delicadamente aceitar aquele peso perfeito em seus braços e acomodá-lo contra seu corpo. E ver aquela minúscula criatura, toda encolhidinha, de olhos fechados e de cabelos muito pretos, em seu colo, fez Artemis sentir-se grandiosa.
Era aquilo. Era exatamente aquilo um milagre da vida, um milagre que ela aprendera a ver com seu gado Xerife. E que agora via em seu sobrinho.
Seus olhos verdes se ergueram para encarar os de Atena e teve que rir ao ver que ela chorava também.
– Por que você tá chorando, sua louca?
Atena só sorriu.
– Eu ando emocional, me deixa... E ver você com ele... Art, isso perfeito.
– Iiih, sem melosidade ou seu filhote vai ficar diabético.
A loira ria quando Artemis abaixou o olhar para a pequena criatura.
– Voce é bonito pra caralho, Perseu, vai deixar as garotas aos seus pés... – segurou delicadamente uma mãozinha do garoto. – E sua tia Art vai te ajudar a levar todas elas pra cama sem precisar namorá-las... Vai ser o pegador da titia. Bem vindo a essa família louca, Perseu.
E Artemis ria junto de Atena no instante em que uma voz bastante conhecida chamou seu nome e Artemis virou somente a cabeça para encontrar surpresos olhos azuis.
– Artie...
– Atena chegou, vai falar com ela, mal educado.
Revirando os olhos, Apolo foi abraçar a loira e ia dizer alguma coisa, mas aquele par de olhos azuis parou exatamente naquilo que havia em seus braços.
E Apolo todo travou.
Era claro que Artemis sabia que Apolo jamais desconfiaria que Atena estivesse grávida, até porque a ultima coisa que eles assistiam naquela casa era canal de fofoca.
Então, teve que ser Atena a trazê-lo de volta a vida.
– Apolo, esse é Perseu Danniels. Art, quer parar de ficar com ele só pra si? Passa pro garoto aqui.
E, claro, sem jamais deixar de soltar uns leves xingamentos, Artemis passou delicadamente aquele seu pequeno embrulho pros fortes braços do loiro, que soube perfeitamente aninhar seu sobrinho contra o peito.
E aquela era a cena mais bonita que Artemis havia visto.
Apolo demorou em acreditar, somente deslizando os olhos azuis pelo rosto do recém-nascido, até que sorriu, um sorriso perfeito ao segurar uma mãozinha.
– Hey, garoto, eu conheço você de algum lugar, sabia?
E Artemis e Atena soltaram uma risada baixa compreendendo muito bem do que ele falava.
Bem ali, com Apolo sorrindo e falando com o garoto, que apareceu quem Artemis mais esperava que chegasse. E também ficou clara a confusão naqueles olhos verdes ao ver Atena ali.
– Senhorita Danniels?
– Chama ela de Atena, né, xerife! – Artemis revirou os olhos. – Dois frescos.
– Artemis, fica quieta ai... Olá, xerife.
E Apolo sorria, muito, assim como Artemis ao olhar em seus olhos verdes antes de se virar para Poseidon e deixar ver o que ele segurava nos braços.
Os olhos geralmente frios e focados de Poseidon se abriram em surpresa ao ver aquele garoto, e todos podiam prender as respirações assim que ele retirou o chapéu da cabeça e encarou aquele rostinho. Entao, encarou Atena, muito sério e nervoso.
Mas Apolo não permitiu que ele falasse.
– Vamos, xerife, segura ele.
Claramente por tanta pressão daqueles olhos, principalmente por um par cinza, o cowboy suspirou e com cuidado e com firmeza, segurou o garoto com as mãos, erguendo-o um pouco acima dos olhos, como se fosse um cachorrinho.
Isso fez Artemis sorrir do modo completamente velho oeste daquele cara.
Mas o grande impacto veio no instante em que Perseu resmungou um pouco, talvez por frio, Artemis não fazia à mínima idéia, e um par de inocentes e pequenos olhos verdes se abriu devagar e Perseu encarou o rosto de um pasmo Poseidon.
Era impossível negar. Eram iguais.
E viram os olhos verdes do xerife ir procurando explicação para os de Atena.
A loira sorriu.
– Poseidon, esse é Perseu Danniels, seu filho.
E Artemis sabia que aquela era a cartada final.
[...]
Foi um minuto de puro silencio, somente com Perseu choramingando nas mãos de um indecifrável Poseidon, esse que fitava com seriedade os olhos cinza de Atena.
– Artemis...
– Sim, xerife?
– Pega o garoto, eu e Atena precisamos conversar... Atena, no meu escritório.
E Artemis não perdeu nenhum segundo, assistindo Atena passar calma e confiante ao lado de Poseidon enquanto sua pessoa pegava com cuidado o pequeno garoto.
Apolo encarou seus olhos, os azuis preocupados e curiosos.
E a ruiva sabia que aquele garoto em seus braços era seu passe para perder o loiro, pois conhecia o plano. De repente, vendo Poseidon ir a passos seguros atrás de Atena, não queria ter participado daquilo.
Só queria...
Só queria...
Olhou para o rosto do loiro. Talvez, só quisesse Apolo.
– Vem, Artie, vamos entrar. Tem muita claridade pra ele aqui fora.
Ela não chegou a demorar em seguir o que ele pedia, tanto por estar louca pra sumir quanto a mão no final de suas costas que a guiava para a sala de estar.
E pela primeira vez, Artemis não sabia o que conversar com Apolo.
Sentaram-se lado a lado, os seus olhos verdes sobre os verdes da criança meio perdida.
– Garotão, você vai ser a melhor dor de cabeça que Atena já teve.
E, podia aposta, ele seria.
[...]
Atena parou de frente a mesa de carvalho do escritório interno de Poseidon enquanto tirava suas luvas sem qualquer pressa.
Já tinha alguma noção do que viria, crescera com ele, o conhecia muito mais do que ele imaginava. E naquele instante, quase podia tocar a raiva que emanava dele, em ondas, principalmente ao ter aqueles olhos verdes que seu filho herdara sobre os seus.
Mas a loira não estava ligando.
Era um novo dia. E ela de fato se sentia muito bem.
Seu filho nascera saudável, seu plano estava nos trilhos, mesmo as borboletas estúpidas que sempre apareciam ao estar em algum lugar com aquele cowboy já não a atrapalhavam assim. O mundo podia ser dela naquele instante.
E seria.
Poseidon jogou o chapéu sobre o computador e cruzou os braços, naquela posição que a loira denominava de "mandante": pernas um pouco abertas, os bíceps travados e aquela mandíbula travada. E ela podia estar morrendo, mas jamais poderia deixar de admirara como aquele homem era maravilhoso.
Só que aquele não era o foco da vez.
– Acho melhor começar a se explicar, Atena.
Só o que ela realmente fez foi começar a andar pelo espaço dele. Tudo ali gritava Poseidon. Madeira, couro. Estava tranqüila, em sua roupa formal, sabia muito bem que chamava a atenção dele.
Sorriu.
– Em qual parte quer que eu comece? Antes ou depois de termos feito sexo sem qualquer prevenção há nove meses?
– Não seria possível você ter engravidado naquela noite.
– Está duvidando de sua própria potencia, cowboy? — e fitou de forma divertida os olhos verdes dele. – Porque eu não duvidei daquilo em momento algum.
– Atena...
– Voce é um alazão de raça pura, Poseidon. Forte, inteligente, rápido. E que soube muito bem o que fez naquela madrugada. Que se eu bem me lembro, foram três vezes... Voce sempre teve todas as qualidades pra ser um bom procriador, e foi. – sorriu para ele sexymente. – Meu filho saiu perfeito.
Poseidon ergueu uma sobrancelha.
– Eu sempre estive certo, você queria dinheiro.
– De começo... Não. Mas algumas coisas me fizeram mudar, uma mãe sempre precisa se preocupar com o futuro de seu filho, não acha?
– E desde quando você sabia?
Dessa vez, sentou-se em cima da mesa, de pernas cruzadas com toda a graciosidade e estilo de um Danniels, sem jamais deixar de fitá-lo.
Havia um sorriso desafiador em seu rosto.
– No dia do brunch. Eu iria te contar. Mas imprevistos acontecem.
– E assim, você resolveu esconder de mim que estava grávida?
Ela somente deu de ombros para o tom raivoso do xerife.
Ela lembrava-se do quão importante a família era para ele, o mesmo era para os Danniels. Era questão de honra. E se ela não estivesse errada, aquele a sua frente era tão orgulhoso quanto si mesma.
– Voce resolveu me humilhar pela segunda vez, acontece.
– Voce se humilhou. Não deveria ter colocado o garoto no meio dessa nossa briga.
– O garoto tem nome, é Perseu. E você sabe muito bem que não estamos falando somente dessa vez... – e seus olhos se semicerraram, batendo de frente com a raiva dele. – Só coloquei em pratica o que você havia me ensinado tão bem, Poseidon. O que você me ensinou por dois anos.
De repente, o viu passar as mãos nos cabelos, extremamente estressado.
– Isso é passado.
– Só se for para você, Poseidon, eu nunca havia sido tão humilhada em toda a minha vida quando você fez aquilo.
– Atena...
– O que foi, querido? Não quer recordar de Anfitrite?
E Poseidon se virou com tudo, segurando seu pescoço, o rosto a centimentros do seu. Ela admitia a si mesma que temeu ele naquele instante, aqueles olhos verdes selvagens, mas tudo o que ela transpareceu foi calma, aproximando-se mais.
Sabia que ele jamais a machucaria, não daquele modo. Poseidon podia ser muitas coisas, jamais assassino.
– Não fale dela, Atena – o tom era gelado. – Não ouse.
– Por que eu não deveria?
– Atena...
– Poseidon, querido... – colocou a mão sobre a barba que ele tinha. — ... Nunca te contaram que tudo o que você faz para uma mulher, ela lhe entrega em dobro. E, pode ter certeza, jamais vou esquecer aquilo. Voce me ensinou algo que ninguém poderia ter me ensinado... Jamais confie nos outros. Principalmente nos mortos.
Ele apertou as mãos um pouco mais em seu pescoço.
– Atena, eu juro que...
– Cala a boca, Poseidon! – e agora tremia de raiva. – Voce não foi humilhado, em momento algum. Estavamos noivos! NOIVOS! E você começou a sair com aquela desgraçada. Saiu por DOIS ANOS com ela, fez UM FILHO nela e terminou nosso noivado UMA SEMANA antes do nosso casamento para se casar com ela... Então, mantenha essa porra de boca calada, você me humilhou na frente do meu pai, na frente do seu pai, quando disse que precisava de um tempo, que não era aquilo que queria fazer, seu desgraçado! VOCE CASOU COM AQUELA VAGABUNDA DUAS SEMANAS DEPOIS! DUAS! E AGORA VEM ME AMEAÇAR?
E ela sabia que havia tocado no machucado certo, que o faria sangrar.
Só que ela também sabia que doeria nela também, muito. Por isso, não se mostrou com vergonha ao encarar aqueles olhos verdes culpados com lágrimas caindo dos seus.
– Estavamos bem, você sempre havia dito que se casar comigo era seu sonho. Eu acreditei, eu era a melhor namorada do mundo com você! Pareciamos felizes, você me ajudava com o casamento, eu já haiva mesmo vindo morar com você, se lembra disso, seu desgraçado? Se lembra que naquele dia antes de você me deixar você disse que amava? Lembra-se? E você esteve mentindo. MENTINDO DURANTE ANOS, ME ENGANANDO! ME TROCANDO POR AQUELA IDIOTA!
– ELA ESTÁ MORTA, ATENA!
Então, o empurrando para o lado, ergueu-se.
Precisava se controlar. Relaxar, respirar... Seu médico já havia a avisado que não devia ficar estressada.
Mas eram tantas emoções, tanta raiva, tanto ódio... Por si mesma, por ele, por Anfitrite. Estava difícil de manter seguras elas. E jamais deixaria ele ver que estava um pouco ruim.
Por isso, somente respirou fundo, duas vezes, antes de virar-se para encará-lo. Poseidon encontrava-se com as mãos na mesa que esteve, a cabeça abaixada.
E ela sabia que fora quem fizera aquilo.
– Atena... Eu...
– Eu sinto muito pelo o que aconteceu a ela e a seu filho, Poseidon – e havia sinceridade em seu tom. – Agora, eu entendo o que é ser mãe, e jamais desejaria a perda que você teve para ninguém, mas isso não muda o fato de eu odiar você e ela profundamente. Voces escolheram o que queria para a vida de vocês ao me traírem. E você sabia e conhecia muito bem meu orgulho. Mas mesmo assim pisou nele, me descartando como se os quatro anos juntos não tivessem significado nada pra você. Talvez não tivessem, só que você conhece os Danniels. E eu sou um deles, você me noivou desejando terminar essa interminável briga de família, afimarmos que faríamos isso... Mas tudo o que fez foi atiçar mais nossos odios e raivas ao me deixar daquele modo. Vingança é um prato que se come frio. E ela de fato vai terminar, hoje.
Poseidon ergueu a cabeça, seus olhos afiados enquanto olhova sua pessoa puxar uma pasma de couro preto e colocar lentamente entre os braços dele, sobre a mesa.
Seus olhos cinza estavam sérios.
– Eu não vou impedi-lo de ver seu filho, jamais, por que quero que perceba tudo o que perdeu ao me deixar, que note ele crescer, que assista que nunca poderar tê-lo, cuidar dele em sua casa, em seu rancho. Que a Tradição Ewings acaba com você, por sua causa... Quero que sofra tudo o que eu sofri ao ser deixada na frente de toda a minha família daquele modo. A raiva, a agonia, o desejo de vingança... E a tristeza, porque eu te amava. Ali que percebi o quão idiota eu havia sido, e você vai notar isso agora.
– O que você fez, Atena? — o tom era perigoso. – Era você não era? Roubando meus sócios?
A loira sorriu de lado, apontando para a pasta.
– Eu havia te dito, nada que você fizesse sairia barato. E aqui está a resposta. Roubei um a um seus sócios, devagar, mostrando os seus erros, o que você poderia ter feito para dar mais lucros a eles, comecei a congelar o dinheiro do seu rancho, prendendo-o enquanto você tem milhares de cabeças de gado em suas terras. Raças puras que não tem como serem vendidos. Até que você está sem saber o que fazer, até que eu conseguisse comprar essas terras.
Agora, quem sorriu foi Poseidon.
– Voce precisa da minha assinatura.
Atena concordou com um aceno nobre de cabeça, antes de voltar a sorrir.
– Eu precisaria... A não ser que outro Ewing assinasse pra mim.
E ela quase pode ver uma lâmpada acender-se acima da cabeça quando ele compreendeu o que sua pessoa havia feito.
A raiva naqueles olhos verdes, se possível, dobraram.
– Voce usou meu filho...
–Não, não, Poseidon... Nosso filho, querido. – e acarinhou o cabelo dele enquanto o olhava com escárnio. – Está sentindo isso? Essa raiva? Esse ódio que parece que vai te consumir? Eu também senti isso quando você se casou com Anfitrite... E eu apenas usei o que era de direito meu como mãe e tutora de Perseu. Eu queria comprar, como recém-nascido ele não pode assinar, mas leva o nome Ewing e isso era o suficiente para que eu, como sua representante legal até maior idade, assinasse por ele.
E ela viu o desespero que começou a se mostrar juntamente da raiva que ele sentia.
– Isso é... Impossível.
– Agora, sou oficialmente dona e diretora da Petroleira e Rancho Ewings, você poderá ver tudo isso nesses documentos que estão na pasta. Eu começo segunda feira meu expediete. Agora, tenho que ir, querido, você tem muito o que fazer de dever de casa. Seu filho daqui a pouco vai estar faminto. – e enquanto dizia isso, colocava as luvas mais uma vez e só parou para olhar para o rosto petrificado e cheio de ódio de Poseidon ao colocar os óculos escuros. – Foi um prazer fazer negócios com você, Senhor Ewing. Vejo você segunda feira para me declarar presidente da companhia, não chegue atrasado.
E assim Atena ia embora, sem olhar nenhuma vez para trás, quando sentiu uma mão segurar seu braço e olhos verdes fitaram os seus com seriedade.
– Isso não vai ficar assim, Atena.
– E o que você vai fazer? Me transformar em sua esposa? Ah, não, desculpa, você já perdeu essa chance. Aceite, você foi passado para trás, como eu fui uma vez.
– Vai ter vingança.
– Esperarei sentada, enquanto isso... – soltando o braço do aperto dele, Atena pôs-se na ponta dos pés e tocou seus lábios aos dele. Aquela faísca que sempre existira entre eles estalando só com aquilo, seu estomago se contracionando pela borboleta que a boca dele acordava só de intensificar aquele beijo, o acordo de que se veriam naquela briga ancestral mais uma vez. E ela soltou-se, sorrindo para aqueles olhos. – Voce tem até meio-dia de amanhã para deixar o rancho, os moveis são meus. Até mais, Poseidon.
E com um ultimo sorrisso sedutor para ele, Atena virou-se na direção da sala e, enquanto andava por aquele corredor por onde uma vez havia sido deixada humilhada, Atena, em seus saltos vermelhos e com óculos de sol, sabendo que ele encarava seu andar, sentia-se a mulher mais poderosa do mundo, ela se sentia bem.
Muito bem.
O Rancho era seu.
[...]
Poseidon não podia acreditar no que estava lendo.
Aquela porra estava certa. Aqueles documentos eram verdadeiros, todas as assinaturas também.
Jogou-os sobre mesa.
Atena Danniels era oficialmente a dona do rancho de sua família.
Aquilo não podia ser verdade. Não agora.
Estava assim, de braços cruzados, olhando pela sua janela o rancho, ainda tentando perceber a magnitude que descobrir que era pai mais uma vez e a raiva por ter deixado aquela loira roubar o que havia de mais precioso para sua pessoa, quando viu a mulher em questão, na frente da casa, sorrindo para uma ruiva feliz e com seu filho nos braços.
Mesmo com todo o ódio do mundo, ele jamais poderia negar, Atena era espetacular. Os cabelos loiros em cachos suaves caiam sobre os ombros dela, os óculos que lhe dava um ar sensual, a boca vermelha e aquele corpo levemente dourado em um conjunto de terninho branco, sua marca registrada. E com seu filho nos braços.
Seu filho.
Poseidon respirou fundo diante da profunda sensação que aquilo trazia.
Depois da morte de Anfitrite e Tritão, ele havia se fechado, dizendo que jamais teria outro filho, ou mesmo outra esposa. Fora duro demais sair daquela tristeza maldita.
E ali estava Atena sorridente segurando Perseu, o garoto que era sua cópia. Que porra o destino estava pensando?
O som de botas fez o moreno virar-se para ver um curioso Apolo entrar em seu escritório.
– O que vocês resolveram sobre o garoto, xerife?
Sem pensar muito, apontou para a mesa onde havia os documentos.
– Atena agora é a nova proprietária da Petroleira e Rancho Ewings.
– É o que?
– Leia, garoto.
Poseidon viu Atena despedir-se de Artemis com um abraço e acenar para a ruiva assim que entrou no carro. Seus olhos chegaram a seguir a limusine branca dos Danniels para fora do rancho enquanto esperava Apolo dizer algo.
Como aquilo havia acontecido?
– Filha da puta. Ela usou seu filho.
– Temos até meio-dia de amanhã para arrumarmos um lugar pra ir morar.
– Voce não vai deixar assim, vai?
– Filho, o que é de um Ewing, nem mesmo um Danniels tira. Isso é temporário.
– E o que você pretende fazer, xerife?
Poseidon sorriu enquanto colocava o chapéu em sua cabeça antes de olhar para os nervosos olhos azuis daquele jovem Ewing.
Havia muitas coisas no Velho Oeste que Apolo ainda iria aprender. E lidar com os Danniels era o passo número um.
Sorria. Um sorriso de pura diversão por ter que caçar aquela leoa, lembrando-se do que ela falara minutos atrás: “E o que você vai fazer? Me transformar em sua esposa?”
Ah, mas ele já sabia o que faria.
– Vou trazer meu filho para cá, tomar de volta o que é meu e irei transformar Atena em minha esposa. Ninguem deixa um Ewing assim.
E ele faria o que fosse necessário, Atena seria uma Ewing.
Ela mal podia prever o que a esperava.
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