Stronger
2 Madrugada.
Notas iniciais
"You can be a sweet dream or a beautiful nightmare"
- Sweet Dreams.
Artemis abriu os olhos assustada.
Suas costas estavam molhadas, seu corpo tremia e sua respiração estava um trapo. Acima, via somente os veios de alguma madeira escura, o som de grilos e a calma.
Aquilo tudo havia sido apenas um sonho, aquele pesadelo era somente isso, um pesadelo. Já era.
Não soube o quanto ficou a fitar o teto, procurando normalizar a respiração, mas assim que conseguiu, ergueu-se da cama e puxou somente a carteira de cigarros antes de sumir porta a fora, deixando Atena dormindo sozinha.
Precisava espairecer, relaxar.
Precisava se acalmar.
E só o cigarro lhe dava essa calma.
A casa estava vazia, silenciosa, enquanto andava somente com sua blusa larga que ia até seus joelhos, seus pés sem fazer barulho algum. Passou por onde havia jantado, o que achou super divertido a maneira daquela família de se lidarem.
E caminhou até o jardim.
Suas mãos tremiam ao puxar um cigarro da carteira, seus dedos quase não conseguindo acender por que não dava para ligar o isqueiro. Tentou mais uma vez, foi em vão.
Precisava fumar, precisava relaxar.
- Devo ficar surpreso por te ver acordado as três da manha ou posso te ajudar ai?
Artemis girou, pasma.
Seu coração a mil, mas finalmente com o cigarro aceso entre os lábios. Somente relaxou ao decodificar quem era.
Sentado na escadaria dali, o loiro que se chamava Apolo olhava em sua direção, aos pés dele havia um copo do que pareceu ser café ainda quente e em sua mão, com o dedo marcando, havia um livro. E Artemis teve de admitir que ele era um gato com aqueles olhos azuis.
Só parecia meio nerdizinho.
- Devo me assustar ou perguntar se está com insônia?
Apolo riu com sua língua rápida enquanto seu pulmão queimava, quente, ao ter a fumaça presa.
- Fumante?
- Viciado em café?
- Posso dizer que sim... – e ele sorriu ao fitar a fumaça que sua pessoa soltou. – Tudo ok com você?
- Sim.
- Você tava tremendo.
- Vicio do cigarro – deu de ombros, claramente fugindo do assunto. – Vou sentar do seu lado, valeu?
Antes que ele pudesse dizer algo, Artemis estava sentada ao lado dele, com o segundo cigarro em bocas e já puxando o livro dele.
Surpresa bateu ao ler Homero em letras douradas.
- Já imaginava você um nerd, agora é certeza.
- Vou receber isso como um elogio.
A ruiva deu de ombros.
- Que seja. – e voltou a olhar o livro.
Na verdade, fazia muito tempo em que não parava para pegar um livro, não que já tivesse sido uma leitora ávida, louca pra devorar o ultimo lançamento, mas pode-se dizer que viver com Atena exigia algumas coisas como pegar um outro livro pra agradá-la e aquela coisa toda.
E aquele parecia legal, claro, clássicos geralmente eram bons.
Ao entregar o livro de volta a um calado Apolo, Artemis já se encontrava mais calma, sua cabeça menos conturbada.
O frio que a consumira por dentro sendo trocado pela brisa noturna e gelada do seu amado Texas.
Mais dois cigarros se foram assim, curtindo os sons noturnos.
- Você também é uma líder dos Cowboys? — a voz de Apolo era baixa ao seu lado, quase como não quisesse estragar seu momento.
O que Artemis achou que ele tristemente tava fazendo. Não queria conversar, não agora. Queria qualquer outra coisa, na verdade.
E suspirou para a pergunta dele.
- Cara, sério, podemos ficar calados?
- Quer água?
E Artemis soube o que queria.
Sem se importar, virou-se e olhou diretamente nos olhos azuis do loiro. E que olhos, ela pensou, admirada que não tivesse se dado ao trabalho de ver aquelas duas piscinas perfeitamente bonitas.
Sem qualquer vergonha, Artemis jogou um comprimido na boca, tomou com o café dele, sentindo os olhos em sua pessoa, e sorriu sensualmente para o cara a sua frente.
- Eu quero transar, tá a fim?
A boca dele se abriu em um “o” de perplexidade.
Estava claro no rosto dele que ele jamais esperou um pedido assim, tão na cara, e Artemis teve que rir um pouco daquilo.
- Como é que é?
- Transar, saka? Eu te ensino.
- Ok, ok, chega de assédio, acho que você bebeu demais.
Artemis revirou os olhos.
- Qual é, eu sou gostosa... Argh, ok, vou lá dormir com Hermes.
Mas antes que pudesse sair do aperto dele, Apolo segurou seu braço, sua feição perturbada.
- Você simplesmente quer transar com um estranho?
- E daí? É só sexo mesmo.
E puxou o braço, caminhando calmamente pela casa.
Não o ouviu segui-la, tão pouco qualquer outro som que o fizesse dizer que estava repensando naquilo. Que se danasse, ele quem perdera.
A realidade era que Artemis compreendia a si mesma.
Precisava de sexo. Precisava ficar cansada. Precisava dormir.
Dois toques na porta e Hermes apareceu somente de cueca box, muito sonolento, mas sexy pra caralho.
E era só disso que Artemis precisava.
O loiro rapidamente sorriu em sua direção.
- Precisa de algo, Art?
- O que você tem ai. – e o beijou. Não demorou muito e a porta havia sido fechada, suas roupas tiradas e Artemis simplesmente deixava-se levar por aquilo.
[...]
Artemis voltou a abrir os olhos, devagar, mas já muito desperta. Ela sabia, ainda deviam ser cinco ou seis da manhã, apenas duas horas de sono.
Já era a terceira vez que tentava voltar ao mundo dos sonhos, a mão de Hermes em sua barriga, ele completamente apagado e ela a fitar o teto, nua.
Jamais dormiria outra vez. Era certeza.
Com um suspiro, levantou-se, a vestir sua blusa, e voltou para seu quarto onde Atena estava adormecida tranquilamente.
Inveja.
Era isso que Artemis sentia ao olhar para o rosto sereno de sua amiga, completamente descansada. Mas, o que se pode fazer? A vida nem sempre é como a gente quer.
Aproveitando que ninguém ainda havia acordado, Artemis banhou, vestiu uma calça jeans e uma clássica regata, claro, sem esquecer-se da bota marrom, e resolveu que desceria, pois talvez alguém tivesse acordado e pudesse colocar uma cela em um cavalo pra ela.
So havia uma pessoa ali. Um cara que ela reconheceria em qualquer lugar.
Poseidon acenou com a cabeça em um cumprimento, tocando na borda do chapéu.
- Bom dia, cowboy. – Artemis sorriu para ele ao mesmo tempo em que pegava uma maçã. – O que tem para hoje?
- Tocar o gato, moça.
- Posso ir junto?
Os olhos verdes frios dele pararam em seu rosto, claramente em duvida.
- E quem pode me dizer que você sabe fazer isso?
- Sou texana, também precisei aprender, tá a fim de ajuda?
- E acorda bem cedo pelo visto.
Na mesma hora, Artemis desviou os olhos com calma dos de Poseidon, sabendo que ele via suas olheiras uma vez que se encontrava sem maquiagem.
- Ritmo de treinar, acontece... Assim como você.
- Hum... Vou deixar ir porque vejo que você tá precisando de um pouco de ar livre, só temos que esperar a Cinderela.
- Cinderela é o caralho, Pocahontas – aquela voz fez Artemis se virar e Apolo sorriu em sua direção, também em uma roupa de cowboy. – Bom dia, Artemis.
- Bom dia, loiro.
- Chega dessa moleza, temos que tocar o boi, garotos, e não to a fim de perder muito tempo hoje. Anda.
- Sim, senhor. – caçoou Apolo, piscando para a ruiva ao passar por ela.
[...]
O dia passou bom para Artemis.
Ela cavalgou com os dois caras, riu das besteiras e histórias que contavam, ajudou com o gado que se perdeu do bando e até mesmo acarinhou os dois cachorros de Poseidon.
Mas o que realmente ocupava a mente da ruiva, trotando ao lado de Apolo, fora o porquê de que ele não quisera dormir com ela.
Quer dizer, hello, ela era a mulher mais quente dos EUA e deu uma cartada perfeita pra ele fazer sexo com ela. Não era se achar, era o simples orgulho masculino. Qual é? Ele poderia dizer pros amigos que comeu ela, tão fácil.
Seus olhos verdes se ergueram para ver o loiro muito estranho arrumar o chapéu que havia na cabeça.
Mas que porra era aquela?
Decidiu que pensaria sobre isso depois, agora tudo o que realmente queria era relaxar, já que não dava pra dormir, que desse ao menos pra manter a mente sã um pouco.
Já era hora do almoço quando desceram de seus cavalos e encontraram todos na área da piscina.
Atena foi a primeira a se aproximar, um cigarro na boca, um Martini na mão e um maio super anos sessenta que a deixava gata.
- Art, sua louca, não me deixe doida assim, viu? — e falando mais baixo, de um modo que só elas ouvissem, falou: — Cedo de novo?
Atena era a única que sabia um pouco do que ocorria a Artemis.
- Foi... Hey, me dá um pouco disso daí, parece bom... E, COWBOY... – olhou pra Poseidon que somente a olhou. – Posso tomar banho de calcinha e sutiã na sua piscina? To a fim de trocar de roupa não.
Tudo o que o homem de cabelos negros, que tinha um palito na boca, fez foi dar de ombros. Artemis levou aquilo como um sim e rapidamente retirou sua roupa.
Logo, estava estirada ao sol, juntamente com as demais garotas, com seus óculos de sol e seu cigarro.
- Tem algo legal por aqui, cowboy?
- Hoje tem a festa anual, ruiva, se quiserem ir, Apolo leva vocês.
Atena, calada, ergueu-se nos cotovelos e o olhou sexymente.
- E por que você não leva a gente, cowboy? Adoraria ser sua acompanhante.
- Moça, tenho muito o que fazer hoje.
Atena fez um biquinho.
- Garotas, acho que vou ficar por aqui hoje, talvez o cowboy precise de ajuda com o cinto e cela.
Artemis riu da cantada completamente séria de Atena, essa que recebia com calma o olhar frio de Poseidon como se aquilo só a fizesse desejá-lo mais. O que a ruiva não duvidava, uma vez que Atena sempre fora uma caçadora. A leoa do grupo, sempre se animando em um homem que devia caçar com dificuldade.
Poseidon nada falou a declaração.
Surpresa com aquele silencio, Artemis sorriu e fechou os olhos.
Sua cabeça tava em frangalhos. Precisava tanto de um bom sono.
Mas quando a festa te chama, você nunca a nega.
- E que horas começa lá?
Foi Apolo, que estava sentado debaixo de uma arvore quem respondeu, sem erguer os olhos das paginas do livro.
- Daqui há duas horas.
- É O QUE? — gritou uma desesperada Afrodite, retirando os óculos vogue. – Amigas, vou lá me arrumar ou não vai ter jeito
E assim saiu, sem mais nem menos. Artemis suspirou. Tinha que se arrumar, mas quem disse que a ruiva ligava?
- Art, vamos?
- Persé, pode indo, vou ficar aqui mais um pouco.
- Não demora.
- Ok.
A ruiva fechou os olhos e respirou fundo.
Precisava dormir. Agora. De dia.
E depois de um pouco de força, ela conseguiu, ainda havia a festa pra ir e tudo o que mais necessitava era estar descansada.
Foi assim que apagou.
Notas finais
Beijinhos ousadérrimos,
Nívea ;*
Ok, ok... E Solé, RAWR!
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