Stray Heart
9 Capítulo 9 - Wild
Notas iniciais
“Nunca soube que amar poderia machucar tão bem
E isso me deixa maluco
Porque quando você olha assim
Eu nunca quis ser tão mau
Isso me deixa maluco” – Troye Sivan
Voltar sozinho para casa não era o que Leo imaginava para um final de tarde feliz.
Após o beijo e o empurrão que veio em seguida, Reyna saiu o mais depressa possível da praça, juntando o seu material o deixando no local sem nem ao menos despedir – se do moreno. Ele estava estático, abobado, e levou alguns minutos para voltar à realidade, que o obrigou a caminhar dali em passos apressados, torturando – se com os próprios pensamentos.
A única coisa que passava na cabeça do moreno era como o beijo de Reyna o deixara zonzo. Claro que já havia beijado outras garotas antes, mas nenhuma o fez sentir daquela forma: completo. O gosto e a ternura que ela o proporcionou a Leo eram únicos, o tipo de beijo que o aqueceu por dentro. Todos esses pensamentos o deixaram assustado, mas aquelas emoções misturadas – alegria, medo, felicidade, excitação – só o deixava ainda mais confuso e alargou ainda mais o sorriso bobo que estampava no rosto.o rosto.
Com todos esses pensamentos pairando sobre sua consciência, o moreno chegou em casa e se permitiu relaxar, afinal, seus pés o estavam matando. Assim que tirou seus sapatos e se esticou ainda mais no sofá, seu estômago dera sinal de vida: ele teria que alimentar o monstro que ali habitava. Ele preparou o seu lanche em piloto automático, tudo ainda parecia um sonho, e o acontecimento não lhe deixava a memória. Depois de comer seu sanduíche – que estava muito bom por sinal – , ele resolveu se deitar mais uma vez no sofá, teria tempo para um cochilo antes do jantar.
O pouco que conseguia se lembrar do sonho maravilhoso que estava tendo com a sua morena consistia em um piquenique, várias risadas e um quase beijo. Sim, quase, porque antes que ele pudesse concluir o ato, foi arrastado de seu paraíso do sono.
Obrigada, mãe.
– Filho, hora de levantar. – Disse ela, ainda cutucando – o.
– O que foi? A janta já está pronta? – Abriu os olhos meio zonzo ainda por conta do sono, coçando os olhos.
– Não querido, vá tomar um banho rápido que já preparo o seu café. – Disse com a maior calma para o garoto. – Anda! Vamos logo, você tem que se apressar! Não vão esperar que você chegue para começarem a aula, Leo!
Ele olhou em volta, percebendo que o sol entrava através da cortina e o relógio de parede marcava sete e meia da manhã.
– Já vou, já vou. – Murmurou o moreno, levantando – se rapidamente em seguida. Ele se arrependeu amargamente por essa ação quando a agoniante dor nas costas o atingiu, cortesia de uma noite dormida no sofá da sala.
Já com a toalha em mãos, ele caminhou em direção ao banheiro, a dor estava longe de ir embora. Ele nunca imaginou que estivesse com tanto sono na tarde anterior, e a melhor desculpa que conseguiu arrumar para si mesmo foi que ele entrou em estado de euforia por conta do acontecimento.
Péssima teoria, mas quem se importava?
Ele sorriu como havia feito muito nas últimas vinte e quatro horas, e permitiu que a água escorresse pelo seu corpo enquanto repassava a memória daquele beijo como se fosse a sua cena favorita de um filme. O trabalho, os toques, mesmo que mínimos e o beijo, o sabor de canela dela, o perfume agridoce e seu empurrão. Leo não sabia muito bem o que imaginar, sabia muito bem que Reyna não falaria com ele hoje na escola, e respeitaria o espaço dela, mas de uma coisa tinha certeza, ele queria provar mais daquele beijo e faria o que fosse necessário.
***
Assim que atravessou os portões da escola, Leo avistou Percy e seus amigos. Eles pareciam estar em uma conversa muito animada, o que incentivou o moreno a se aproximar do grupo. Não queria correr o risco de estragar seu bom humor, então só se cercaria de positividade.
– Bom dia gente, o que 'ta acontecendo? – Pergunta o moreno vendo a euforia dos colegas.
– Não ficou sabendo Valdez? Vai acontecer uma competição entre as escolas da região, e quem ganhar vai para o estadual do ano que vem! – Informou Nico com empolgação, quase dando pulos de euforia.
– Nossa escola sempre fica entre as finalistas, porém os caras da Bentley’s High sempre destroem nossas chances antes da final. – Relembrou Percy.
– Esse ano tenho certeza que iremos vencer. – Comentou Leo, convicto. – Esse ano vamos fazer diferente. Quando será o teste?
– Não falaram ainda, o treinador Hedge, vai anunciar ainda hoje.
– Vamos garotos! Encostados na porta vocês não iriam aprender nada, para dentro já. – Disse a inspetoria Harper.
Com pressa cada um foi para suas respectivas salas, com sorte Leo e Percy teriam dois períodos juntos. Mesmo sendo química a matéria, Leo sabia como aproveitar a aula, conversando com o amigo ou observando Reyna.
Todos já estavam em seus lugares, Leo percebeu que Reyna se encontrava na primeira carteira da sala, com o caderno e livros em mãos, pronta para anotar a matéria a qualquer momento. Leo percebera que a garota o observava discretamente por sua visão periférica, mas optou por não falar ou até mesmo sorrir para ela, pois sabia que teria que respeitar seu espaço. Além disso, a professora poderia entrar a qualquer momento, ele não poderia sair de seu lugar.
A aula havia começado e a professora Hestia já havia preenchido metade da lousa. Percy estava copiando tudo, mesmo não entendendo metade do que estava transcrevendo, mas fazia o que Annabeth tinha o ensinado: copiar com atenção, tentar entender sozinho e, se houvesse ainda alguma dúvida, ela o ajudaria. Foi mais ou menos assim que garoto conquistou a nerd, sempre pedindo ajuda e se mostrando interessado em suas explicações, mesmo que secretamente ele ficasse apenas babando por ela enquanto a loira explicava a matéria. Depois de dois longos meses, ele a convenceu de sair de perto dos livros e conseguiu um encontro fora da biblioteca e dali pra frente as coisas fluíram normalmente e, para felicidade de ambos, um namoro.
Leo não conseguia se concentrar na explicação.
Seu caderno estava na mesma posição de antes, sem uma linha escrita. Ele estava ocupado demais encarando Reyna durante toda a aula e, por mais que ele parecesse uma aberração naquele momento, ele não poderia se importar menos. Simplesmente não conseguia afastar seu olhar da garota e observava... Suas expressões, o modo como franzia a testa, como escrevia e parava de escrever para batucar a ponta do lápis na mesa, como mexia seus cabelos até como ela suspirava ao encarar suas próprias anotações. Pelo visto a matéria do dia não estava nada fácil.
Toda aquela movimentação o estava deixando inquieto e, mais do que nunca, ele queria ir até lá para iniciar uma conversa com a garota nem que fosse para disparar várias piadinhas de mal gosto, mas seu eu interior relutou e deixou bem claro que ele estragaria tudo caso o fizesse. Optou por ficar ali mesmo, observando.
– Ela é realmente muito bonita. – Se manifestou Percy com um sorriso travesso no rosto. Já tinha cansado de ver o amigo observando Reyna.
– Hã...? Eu....Eu 'tava só...
– Essas palavras se assemelham bastante com a minha primeira conversa com Anne – Riu da cara do amigo. – Você não tirou os olhos dela um minuto, cara.
– Não foi bem assim... – Iniciou Leo em um tom envergonhado.
– Hum, não? Que parte da matéria você está mesmo? – Disse Percy. – Você não copiou nada, cara, se gosta dela, vai lá e a convide para sair.
E assim Percy foi fuzilado com o olhar.
– Não é tão simples Percy, ela é... É a Reyna, cara! E outra, ela não gosta de mim!
– Não seja um bocó. – Percy ri novamente – Ela gosta sim. Lembra do que aconteceu na festa? No final ela ajudou você, não o Jason. E olha que eles tem bastante história! – Ele rabisca mais algumas palavras e retoma a fala. – O meu palpite é que ela sente algo por você, sim, só não sabe ainda. – Explicou.
Leo voltou a sua atenção a Percy e começou a refletir se deveria ou não contar sobre o que aconteceu no dia anterior. Estava sendo difícil não dividir o acontecimento com alguém, mas ele receava que fosse desaprovado. Bem, nunca saberia se não tentasse, certo?
– Eu a beijei. – O moreno revelou de uma vez. Percy o encarou rapidamente com uma expressão surpresa, e ergueu uma sobrancelha para que Leo esclarecesse. – Ontem. Eu acabei a beijando e ela correspondeu... – O amigo sorriu. – mas depois me empurrou, disse que eu não deveria ter feito aquilo. – interrompeu rapidamente antes que Percy se animasse muito. – Eu não sei o que fazer, cara! Não sei se realmente gosto dela, mas com toda certeza ela é diferente das outras. É um sentimento diferente, entende?
Percy acenou, voltando a olhar suas anotações.
– Se ela correspondeu, como você disse, já é um sinal. Só dê um tempo a garota. Reyna já é um tanto quanto complicada e, além disso, acabou de sair de um relacionamento conturbado com o Jason... – Ele parou por alguns segundos antes de aconselhar. – Só dê tempo ao tempo, no fundo ela não é tão durona assim, Leo.
– Sinto que com ela quero tentar, mesmo que seja difícil conseguir... Ela vale a pena.
– Cara, sei bem esse sentimento, aconteceu o mesmo comigo e com a Annie. – Ele voltou seus olhos incrivelmente verdes para Leo, com um sorriso ameaçando brincar em seus lábios. – Mas nem ouse pensar que foi fácil! O importante é que no fim, depois das aulas tediosas de matemática, e todo aquele fingimento sobre ter muito mais dificuldades na escola do que realmente tinha, tudo valeu a pena.
– Assim espero. – Leo disse por fim. – Nunca pensei que iria dizer isso, mas, obrigada pelos conselhos cara, Anne te ensinou muito mesmo – Riu.
– Sem problema. Para isso que servem os namorados, como diz ela, e pintar as unhas também! – Adicionou Percy rapidamente, fazendo o outro rir.
O sinal soou logo após, fazendo com que eles todos se levantassem e rumassem ao refeitório. Leo teve que esperar alguns minutos por Percy, que espalhara muito material e agora sofria para colocar tudo dentro da mochila. O intervalo foi tranquilo, Leo só pensava na conversa que tivera com Percy, sobre Reyna ser desconfiada de todos depois de Jason, e como aquilo dificultava sua relação com ela. Claro que a garota tinha seus motivos para não confiar em Leo, mas o menino faria de tudo para se aproximar dela e conseguir sua confiança, mesmo que demorasse uma eternidade, afinal, Leo Valdez não costumava desistir de garotas tão fácil.
***
As aulas continuaram e, como uma dádiva, seu último período era Educação Física, ou seja, nada de cadernos, provas ou anotações: só diversão.
Hoje o treinador irá falar com os meninos sobre o campeonato e como a seleção aconteceria, todos já se encontravam na quadra de esportes, e conversando animadamente sobre o assunto.
– Bom garotos – Começou o treinador. – Como já sabem, mês que vem ocorrerá o intercolegial da região. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, queremos passar das semifinais não só para garantir o troféu, mas também para garantir uma vaga no campeonato estadual. – Sussurros começaram a preencher o local. – CALADOS! – Esbravejou e todos obedeceram. – Neste ano iremos fazer diferente! Vocês poderão se inscrever para fazer parte do time, a formação titular e reserva não contará absolutamente nada nessa nova seleção... Ela é nova! – Mais sussurros começaram, mas cessaram com a mesma rapidez após o olhar mortal do treinador.
– Como essa seleção vai funcionar, treinador? – Perguntou Leo.
– Ótima pergunta, Valdez. – Continuou. – Vocês só terão que preencher o formulário e jogar. Eu e mais dois professores assistentes estaremos observando o jogo, mas não apenas isso! Observaremos como trabalham em equipe, visto que ultimamente temos tido problemas entre de entrosamento e companheirismo de alguns jogadores. – Ele olhou feio para Leo e Jason, arrancando risadas dos outros. – Após essa análise, será escalado o time titular e o restante fica no banco de reservas.
– E a grande surpresa que você disse que tinha? – Questionou Percy.
– Dessa parte você não vai gostar, meu caro Jackson. Você não será mais o capitão do time...
– O que?! – Todos arregalaram os olhos, Percy era, sem dúvida alguma, o jogador mais adequado para o título.
– Teremos dois capitães nessa nova temporada. – Ele esclareceu. – Duvido que você não consiga manter esse título, mas de qualquer forma, terá que dividí – lo.
Percy acenou, aliviado.
– Certo, aqueles que querem jogar escrevam seus nomes na lista que está passando. Amanhã serão informados os participantes de cada time e o jogo. Hoje a aula será para quem quiser começar treinar para o jogo, a quadra é de vocês meninos, divirtam – se.
– Esse campeonato já ‘ta no papo. – Disse Jason confiante.
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