Stray Heart
6 Not Jealous
Notas iniciais
No final, Arthur não teve nenhuma paciência para escrever outra carta. Passou o resto da tarde e a noite irritado. Assim que entrou na escola, plantou-se na frente do armário de Alfred, e prometeu não sair dali, embora o nerd não tenha demorado muito para aparecer.
E Arthur simplesmente lhe revelou tudo com a maior naturalidade que podia.
– Então você sabia disso tudo o tempo todo? — Foi o que o nerd bradou, reagindo com uma batida violenta na porta do armário. — Por que não me contou antes?
O seu humor mudou quase completamente após a notícia, mas ele nem sabia se estava feliz por aquilo ou com raiva de Arthur por ter mantido aquilo tudo em segredo.
– Não grita comigo, porra! — Arthur replicou, no mesmo tom de voz. — Eu não podia falar!
– Isso... Isso não justifica! — Disse Alfred, na falta de um argumento melhor. – Você mentiu pra mim. Eu pensava que você fosse meu amigo!
– Pois pensou errado — O punk riu com escárnio dele, mas o que deixou o nerd mais perplexo foi o que ele disse em seguida. — Eu só me aproximei de você um pouco por causa do Matthew. E não tente me enganar, porque eu sempre soube que você também só estava sendo tão coleguinha comigo porque queria saber dela. E eu não menti, eu omiti.
O americano se calou, com uma carranca no rosto. Abriu e fechou a boca algumas vezes, para tentar gritar fora a raiva que sentia, mas não conseguiu pensar em nenhuma réplica lógica com seu "gênio brilhante".
– Não se preocupe, agora que tá tudo resolvido, não vou mais encher o seu saco, nem que eu queira. — Arthur concluiu com amargura na voz. — Tenho mais o que fazer ao invés de ficar brincando de joguinhos estúpidos de falsidade.
– Tá. Ótimo — Assentiu o loiro, com secura.
Mas era como se aquela seriedade fosse apenas uma maquiagem: No fundo, lá no fundo, ele sentiu uma ponta de ressentimento. Não queria que o punk simplesmente parasse de falar com ele. Não queria ter que jogar fora aquelas tardes repletas de críticas, piadas sem graça e risadas idiotas. Ele não queria esquecer Arthur assim, de uma hora para a outra. Sentia-se até um pouco estúpido por ter aquele sentimento, mas agora não se podia fazer mais nada.
Arthur virou-se e desapareceu na multidão do corredor, sem mais nenhuma palavra. E, de fato, também sumiu da vida do loiro.
Como dito, Arthur desapareceu completamente da vida de Alfred. Ele nem sequer olhava mais para ele nas aulas, e muito menos lhe deixava sentar-se à mesa de antes. Era como se o nerd tivesse simplesmente parado de existir, e mesmo que não fosse, Arthur não estava fazendo o menor esforço para mostrar diferença à sua existência.
A amizade acabou tão subitamente que ele nem teve tempo de se acostumar. Aquilo lhe deixava meio... Triste. Uma hora, teve que confessar para si mesmo que detestava ser ignorado, ainda mais por Arthur.
Matthew não durou muito, também. Na semana seguinte ao ocorrido, ele encontrou a mesa de Arthur lotada de pessoas trajando moicanos coloridos, jaquetas com tachas e botas militares, com caras intimidadoras e braços tatuados. Parecia que ele finalmente tinha achado gente do seu estilo, e estava tão empolgado com isso que nem notou o canadense enquanto este desaparecia – nem tão lentamente — da sua vida.
Ele ficou sinceramente magoado, por mais que tentasse não demonstrar isso. Era evidente que ele gostava bastante do punk, e quando este simplesmente lhe trocou, ele sentiu-se traído e até enganado. "Quem sabe ele só estivesse sendo meu amigo pra caçoar de mim mais tarde?", o canadense fazia hipóteses melancólicas. "Quem sabe ele nunca tivesse gostado de mim?"
Matthew estava tão desesperançoso que nem se deu ao trabalho de pelo menos tentar falar com o punk novamente. Ele dizia para si mesmo que tinha o esquecido, mas sempre machucava a si mesmo quando começava a se lamuriar por Arthur.
Alfred também não conseguia mais esconder de que não tinha se esquecido dele. Mas não era aquele mesmo sentimento do fraco e dramático Matthew. Ele estava com raiva. Estava com raiva de Arthur, pelo que ele tinha feito, de como ele tinha trocado eles dois por um grupo de ridículos jovens de moicanos. E aquela raiva parecia crescer sempre que ele via o punk lá, com seu grupinho.
Não que ele espionasse: estava só passando devagar pela frente da mesa dos "piercingnados", quando pegou a visão de um dos caras — o com o característico e peculiar moicano laranja — acariciando, sim, acariciando os fios verdinhos e bagunçados de Arthur. E por mais que tentasse negar, ele teve ciúmes. E raiva. E ainda, raiva de si mesmo por estar com ciúmes.
Quem lhe restou foi apenas Madeleine e Matthew. O canadense e o americano, exilados do grupo do punk, acabaram brevemente retomando a amizade que tinham quando criança. Passaram a sentar juntos no almoço e conversar — bem, quase isso: Alfred era praticamente o único que falava -, e acabaram descobrindo coisas que nunca souberam um sobre o outro. E agora ainda compartilhavam um ódio em comum: Arthur. Ficavam todo o almoço espionando a mesa e falando mal dele e daqueles seus "novos amigos" de cabelos papagaiados.
Sobre a admiradora secreta, bem, ela não era mais secreta. Matthew apresentou, bem longe do seu pai, a sua irmã para o novo pretendente de namorado. E Alfred se surpreendeu com ela: Era mesmo bonita. Era muito parecida com Matthew, mas aqueles olhos púrpura lhe encantaram. E eles saíram num encontro.
Ela estava tão nervosa que Alfred pensou que ela fosse passar mal, mas no fim, tudo ocorreu bem. Foram ao cinema, viram um filme de ação sem enredo que Alfred tinha escolhido — e é claro que Madeleine não ia pestanejar sobre aquilo -, e comeram um monte de pipoca. Só comeram pipoca. Eram óbvias as intenções que Madeleine tinha sobre sentar junto com sua paixonite numa sala escura de cinema, mas ela não sabia o quanto ele era alheio. Chegava a ser até retardado, porque ela estava praticamente se jogando para cima dele, mas ele estava muito ocupado, com os olhos azuis brilhantes colados na tela, para prestar atenção nela. No fim, ela tentou usar a desculpa de que "ainda era muito cedo, talvez" para consolar a si mesma, mas continuava desejando que Alfred pelo menos pegasse na sua mão, ou melhor, lhe desse logo um beijo.
Eles continuaram saindo. Parques de diversão, restaurantes, cinema, boliche, inúmeros lugares. As semanas passaram rápido, e continuaram sem nenhum selinho sequer. Ele até tolerava que ela segurasse sua mão e lhe abraçasse, mas nada acima desse nível.
Não era que ele não quisesse beijá-la. A questão era que Alfred nunca tinha beijado uma garota. E além de sentir vergonha daquilo, também não sabia como beijar. Mesmo sempre que Maddie criava o clima e fazia de tudo para que ele a beijasse, ele simplesmente não conseguia. Mudava de assunto, tentava enganá-la com alguma coisa, mas nunca tocava os lábios dela com os próprios.
Arrastaram-se uma, duas, três semanas. Já fazia quase um mês que eles tinham começado a sair, e ela estava visivelmente começando a ficar chateada com aquilo. Mas Alfred também estava. Chateado consigo mesmo. Afinal, agora ele tinha uma — não oficializada, mas por enquanto — namorada, e namorados beijam namoradas, certo? Por que ele não conseguia fazer aquilo normalmente?
Tentou perguntar a Matthew, caracteristicamente indiscreto, como conseguia beijar uma garota. O canadense ficou meio vermelho, mas não falou nada sobre já ter beijado uma.
– Ah... Tenta praticar, sei lá, no braço... Q-quando chegar a hora, vai acontecer naturalmente – Engasgou Matthew, citando um conteúdo que tinha lido aleatoriamente em uma das revistas adolescentes de sua irmã. Não que ele as lesse atrás de dicas de conquista nem nada. Apenas curiosidade.
A ideia pareceu convencer Alfred, que passou a praticar beijos e pesquisar coisas sobre isso na internet. Mas sempre que pensava estar pronto, confiava em si mesmo e Madeleine estava na sua frente, bem perto de si, ele desistia. E se sentia um completo idiota depois disso.
Era o último dia de aula antes das férias de verão, e tanto o nerd como todos os outros alunos da escola agradeciam a Deus naquele dia. Alfred gostava de estudar, mas ir à escola todas as manhãs era cansativo. Preferia passar o dia todo no seu videogame com um pote de sorvete. Além disso, seria bom não ter mais que ver a mesinha dos punks e ter aquelas estúpidas crises de raiva dentro de si. Pelo menos, por três meses.
Estava saindo da escola, sozinho — ele geralmente saía com Matthew, mas este tinha faltado à aula por algum motivo pelo qual Alfred realmente não tinha se preocupado -, e caminhava pacatamente até a parada de ônibus, já que não tinha graça em ir a pé sem ninguém para conversar. Estava fazendo um calor escaldante, como esperado da chegada de Junho, e Alfred começou a pensar se deveria passar na sorveteria ou não. E foi quando ele avistou-o. Arthur. Arthur e seu suposto amiguinho do moicano laranja.
Alfred camuflou-se se detrás de uma árvore dos arredores, não muito longe da parada, quando os viu sentados no banco vazio, sob a cobertura do abrigo. Não sabia se realmente estavam esperando um ônibus, mas estavam numa posição que meros amigos não ficariam. A cabeça de Arthur estava serenamente encostada no couro da jaqueta do ombro do outro, sua expressão com um sutil sorriso, e eles estavam compartilhando fones de ouvido e trocando algumas palavras que Alfred não conseguia ouvir.
Aquela mesma raiva incendeu dentro de Alfred e começou a lhe queimar por dentro, como se o sol não bastasse. Ele não gostava daquele carinha. Não era por ciúmes, mas por Arthur estar andando com gente daquele tipo, e ainda mais com toda aquela intimidade. A sua surpresa não era nem por encontrar o punk desse jeito com outro cara, mas com aquele. Aquele cara devia ser um drogado, já devia ter sido preso, ou algo do tipo. Ele não era uma boa companhia para Arthur, apesar de que fossem da mesma "tribo".
Ele ficou espiando os dois de detrás da árvore. Não queria cruzar caminho com eles. Passaram uns três ou quatro minutos ali, aninhados, e Alfred já estava ficando bastante desconfortável quando um veículo passou pela rua, e o cara de laranja levantou-se e acenou para o outro. Arthur ficou meio desorientado por um instante, mas quando notou que o ônibus do tal cara tinha chegado, ele lhe acenou com um "Tchau" demasiadamente meloso. O outro punk pareceu querer voltar e se despedir dele por um instante, mas olhou para o motorista rapidamente e provavelmente decidiu que era melhor não fazer algo daquele tipo em público. Mas o nerd pôde perfeitamente enxergar quando ele lhe soprou um beijo, e Arthur fez o mesmo.
O garoto de cabelos verdes encarou o ônibus até que ele sumisse de sua vista. Em seguida, sentou-se no banco, com um suspiro que Alfred não pôde dizer se fora de impaciência ou felicidade.
Era agora que ele entrava em ação. Não sabia ao certo o plano, mas sabia que ia tentar sorrateiramente sentar-se ao lado dele e puxar assunto como se nada tivesse acontecido há um mês. Talvez funcionasse e ele deixasse aquele grupo de punks. A porcentagem de que isso funcionasse era quase zero por cento, mas sempre valia a pena tentar.
Deu a volta na rua e rastejou até ficar atrás da parada, para logo depois aparecer na frente de Arthur tão subitamente que quase provocou um susto.
– Arthur! — O nerd cumprimentou, sorrindo abertamente, como se estivesse legitimamente surpreso com ele ali. — Que coincidência te encontrar aqui.
– O que você tá fazendo aqui, viadinho de óculos? Eu não falei que não queria ver mais nunca a sua cara? — Arthur reagiu, como sempre, grosso.
– Nossa, calma. Eu só vim pegar o ônibus, ué — Ele deu de ombros, sentando-se na cadeira ao lado do punk. Arthur, ao ver sua ação, imediatamente moveu-se para a outra cadeira, deixando uma vazia no meio deles. — Isso não é ilegal. Ou é?
Na verdade, a casa de Alfred era tão perto que pegar um ônibus seria perda de tempo e dinheiro. Mas naquela ocasião, era preciso.
– Você pode pegar o seu ônibus, mas me deixa em paz. — Arthur colocou no ouvido o outro fone, que anteriormente estava com o tal "amigo" de laranja, e cruzou os braços, ignorando o nerd completamente.
– Você continua grosso como sempre, né? — Provocou Alfred, movendo-se para se sentar na outra cadeira vazia e ficar ao lado dele outra vez. Arthur fingiu nem escutar a provocação, então o nerd puxou outro assunto. — Tá ouvindo o quê?
– Nada. — Foi ao que ele se limitou, e olhou para o lado, prestes a pular de cadeira, porém percebendo que aquela era a última.
– Me deixa ouvir, vai! De que banda é? — Insistiu Alfred. — Eu conheço as bandas que você gosta. Posso ficar chutando até que você desista e me deixe ouvir.
– Argh, tá — Ele bufou. — É Fall Out Boy.
– Sério? Eu adoro essa banda — Mentiu Alfred. — Me deixa ouvir?
– Não.
– Ah, vai, Arthur...! — Ele fez bico.
Arthur olhou para ele secamente, e com desgosto lhe entregou um dos fones de ouvido brancos. O nerd colocou-o no ouvido alegremente, sentindo-se demais por ter convencido o punk. O que tocava era uma música de refrão confuso, mas melodia agradável.
– E aí, como vai a vida? – Ele continuou a empurrar assuntos, deixando o punk desconfortável. – Vi que você arrumou uns novos amigos.
Arthur estava encarando os tênis Converse pretos, sem dizer uma palavra. Ele não mudou a expressão diante da questão do nerd, mas replicou:
– Pelo menos eu tenho amigos. – Disse, num resmungo.
– Você sempre teve – Apontou Alfred, olhando para o rosto de perfil do punk. – O Matt ficou muito chateado quando você se afastou dele — “Eu também”, ele quis acrescentar, porém não o fez.
Arthur premiu os lábios, fazendo uma expressão de ressentimento.
– Não era a minha intenção – Falou, depois de um breve silêncio.
– Mas o magoou. Por quê... Por que você não volta a ser amigo da gente?
– Não, Alfred! – Ele aumentou o tom de voz e fitou o americano. – Não dá! Eu ando com gente do meu tipo agora. Imagina o que eles diriam se me vissem com um nerd idiota como... Como você!
Sinceramente, aquilo machucou Alfred. Nerd idiota? Era só isso que Arthur pensava dele?
– Ah, quer dizer que eu não sou mais do seu nível? Não sou digno de falar com você? – Ele irritou-se, e o punk acabou por se assustar um pouco. Ver Alfred com raiva de verdade dele era um pouco raro. – Você não é superior aos outros como pensa que é, Arthur!
– Caralho...! Não é isso! – Arthur se defendeu frustrado.
– O que é então, hein? Me explica. Qual o motivo disso tudo? – Ele esperou alguns segundos, mas Arthur apenas engoliu em seco. – É por causa daquele carinha do moicano, né? Eu sei que é. Você não quer magoar ele, mesmo sabendo que já magoou os seus amigos.
– O quê? Q-que carinha do moicano?
– Você sabe tão bem quanto eu quem ele é! Aquele cara do moicano laranja, que não se barbeia direito e que vive agarrado com você!
– O Drake não vive agarrado comigo, porra! De onde você tirou isso?
– Drake, né? Legal, eu precisava do nome dele. – Rosnou Alfred, guardando a informação.
– Ai meu Deus, Alfred, qual é o seu problema? Por que fica se metendo na minha vida e do Drake? – Perguntou Arthur, rolando os olhos. A música ainda tocava.
“Isn't it messed up how I'm just dying to be him?”
Alfred subitamente sentiu-se quente, mas ignorou aquilo. Arthur notou, porém, e tentou não rir do seu rosto corado.
– Eu não fico me metendo, eu só... – Tentou o nerd, perdendo-se no meio da frase. Não, não podia simplesmente assumir que tinha ciúmes do punk. –... Ah, eu não ligo. Eu tenho uma namorada agora, mesmo.
Arthur pensou em perguntar o que a sua namorada tinha a ver com o assunto anterior, mas preferiu apenas fingir-se de surpreso:
– O quê? Namorada?
– É. Eu tô namorando a Maddie há um mês.
– Já fez aquilo?
– Aquilo o quê?
– Como assim, aquilo o quê? Aquilo lá! Aquelas coisas... – O nerd manteve as sobrancelhas franzidas, e Arthur revirou os olhos. – Sexo.
– Quê?! – Alfred engasgou, com seu rosto inteiro enrubescendo. — Claro que eu n...
– E-Eu estava brincando – Arthur cortou, também constrangido. Quase acrescentou um “Quando fizer use proteção”, mas o seu bom-senso lhe impediu. Seria bastante ridículo.
– Ah, tá... – Expirou Alfred, como se se recuperasse de um susto. O que Arthur tinha na cabeça para perguntar algo assim, ainda mais para o tão inocente Alfred?
O nerd passou a refletir: “Será que Arthur já namorou também? Pelo visto ele sabe bem mais dessas coisas do que eu. De como beijar garotas e... Garotos.”
– N-Na verdade, eu... Eu nunca a beijei. – Ele confessou num volume quase inaudível, e quando percebeu o que disse, sentiu vontade de se esconder num buraco. Devia ser segredo!
– Como é? Você é BV? – Arthur arregalou os olhos, perplexo. Ele parecia tentar reprimir o riso.
– Fala baixo! E não ri de mim, caramba! – Disse Alfred, mas Arthur já estava dando risadinhas discretas. – É só que... Eu ainda não tive uma oportunidade!
Oportunidades eram o que ele mais tinha, mas não havia como contar que o que lhe faltava era coragem.
– Você é muito idiota – Arthur ainda sorria, zombeteiro. – Ela deve estar dando o maior mole pra você e você não deu um beijo nela ainda? – Alfred ia responder, mas não encontrou réplica que servisse. Arthur suspirou: — Você é inocente mesmo, huh?
– Mas e você? Você já... Teve uma namorada?
–... I-Isso não é da sua conta.
– Ah, Art, é que eu... Preciso saber como se beija.
–... Isso é problema seu!
– Ah, por favor, eu queria que você me ajudasse... – Pediu ele com um biquinho. — Você já deve ter beijado antes, né? Como é?
As bochechas de Arthur ficaram levemente avermelhadas devido àquele assunto. Fez o máximo para não gaguejar:
– Puta que pariu, Alfred... Eu já te ajudei demais!
– Art, por favooor... – Ele gemeu, inflando as bochechas e usando o olhar mais pidão que tinha.
De alguma forma, Arthur chegou até a pensar que aquilo era fofo. Era impossível negar algo a alguém tão fofo. Mas aquele pensamento involuntário foi logo repelido de sua cabeça e transformado em suposta raiva:
–... Argh, eu odeio você. – Disse, dando uma tapa na própria testa.
– Isso é um sim? – Indagou o nerd, um sorriso se esboçando em sua expressão. Arthur não respondeu, com o rosto escondido nas mãos, provavelmente muito furioso ou constrangido.
E nesse momento um ruído surgiu e começou a aumentar de volume rapidamente. O ônibus de Arthur estava chegando, e ele deu um pulo do banco, arrancando o fone de ouvido de Alfred, para acenar depressa ao motorista.
– Ei! Arthur, você não me respondeu!
Ele já tinha saltado dentro do ônibus, e estava nos degraus quando virou o rosto para olhar para Alfred sobre o ombro, com seus ácidos olhos verdes.
– Você precisa de uma resposta, idiota?
E a porta se fechou.
Mas Alfred não compreendeu. Sinceramente, não entendia mais nada daquele garoto.
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